ásia, estradas perigosas

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ANTHONY DE SA DESCENDENTE DE AÇORIANOS DA LOMBA DA MAIA esteve no colóquio de 2010

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  • Marianna Pisani

    Always keeping young!!!😊
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  • Tinky Wink

    Look at you, after all these years: you are still looking 30 Something! And still churning out amazing books. Anthony De Sa you have done Toronto and Canada and Literature, PROUD. Thank-you for your incredible writing, and Contribution to Canadian Literature. Each of your books, I hold with a moment of reverence, because I know, I’m about to dive into an amazing new story, and a book that I don’t want to put down, and don’t want it to end. Congratulations and Thanks.
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    • Anthony De Sa

      Tinky Wink You are too kind . . . and the photo, well, lets just say the organizers dug deep to find this one.
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  • Nellie Arruda Teles

    Congratulations! Looking good!
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  • Anthony De Sa

    This is a very old photo. Still haven’t found that fountain of youth!

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    • 17 h
    • Esmeralda Cabral

      Anthony De Sa was going to say that I’d like to drink the same water you drink! Congrats, Anthony. Looks like a great event.
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      • 14 h
  • Ester Rossi

    Congratulations Anthony! great shot!🥂
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  • Delcia Matos

    That’s awesome! Congratulations!
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    • 16 h
  • Odelta Araujo Martinez

    Beautiful photo of you Anthony, I’m so proud of you and your accomplishments! keep up the amazing work.😘🙏
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    • 16 h
  • Susie Barros

    Hope your keeping well 🤗Susie Pimentel from Brother Edmund Rice 😀
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    • 16 h
  • Sandra Buonamici

    That’s awesome! Congratulations!
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    • 15 h
  • Susan De Sousa Wilson

    Congratulations Anthony 👏
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  • Odelia Almeida

    Congratulations Anthony!
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    • 15 h
  • Emily Dos Santos

    Looking good
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    • 13 h
  • Nelson Bulhao

    I hated you as my my English teacher but you are cool dude. Respect 👊 keep doing good sir.
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  • John Caranci

    Take it from a mathematician. Numbers don’t count, only the heart.
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    • 13 h
  • Marcie Ponte

    Looks youthful to me
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  • Maria Couto

    Cousin
    Stories Stickers in Feed colorful confetti over the word congrats sticker
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  • Edna Dutra

    Parabéns primo és fantástico bjx
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  • Maria Cener

    Ich verstehe kein Englisch. Bitte lieber Deutsch oder Slovenisch.
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  • Elisabete Almeida

    Congratulations! 🎉
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  • Charlz SpicePrincess

    That’s awesome! Congratulations!
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      awqui estava no 13ºcolóquio da lusofonia brasil 2010

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poemas em dia de chuva 3

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poemas em dia de chuva 2

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poemas em dia de chuva 1

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paula cabral é urgente a confiança

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“Correio dos Açores” de hoje.

É urgente a confiança

Um amigo próximo, há dias, disse-me:
– Continua a escrever para o jornal…talvez ganhes um tacho!
Ri-me, porque conheço a sua vocação para ironizar e provocar. No entanto, estas palavras deram-me para refletir e, como se vê, até originaram o tema para o presente texto.
A desconfiança relativamente a quem tem cidadania ativa é grande. Talvez seja este o motivo pelo qual haja tanto receio da exposição e da participação ativa numa comunidade tão pequena e que dá origem à falta da chamada “massa crítica”. Não se acredita no interesse genuíno em contribuir, em servir a comunidade, dado que, infelizmente, a realidade tem mostrado que há talvez mais casos em que prevalece o interesse pessoal do que o coletivo.
Não acontece só na política, como aludiu o meu amigo no seu comentário. A palavra “tacho” remete-nos logo para a percepção enraizada do exercício grosseiro e desonesto da política e do uso que dela se faz em proveito próprio e dos seus. Estranho sempre que se dá parabéns, ao invés de “bom trabalho”, a quem assume a responsabilidade de um cargo público, confirmando-se esta forma de encarar a investidura em funções públicas como uma vitória pessoal, a aceitação de lugares que dão acesso a privilégios e sinecuras que vêm com o poder. Em democracias evoluídas, o exercício da governação é assumido com espírito de missão que se aceita com humildade, em consonância com princípios inequívocos de ética e de dever, com abnegação pessoal, a fim de ser útil à sociedade e à construção do bem comum.
Estando este espírito em falta, facilmente surge a desconfiança que corrói toda a estrutura que deveria manter saudáveis os elos sociais.
Durante a pandemia, pensei que poderíamos ter assimilado bem esta lição, a de que precisávamos de confiar uns nos outros mais do que nunca para sobreviver. Até nos atos quotidianos mais banais, como o de comprar pão, confiando que todo o processo de confeção até ao ato de entrega ao domicílio seguia todas as normas de saúde pública em vigor para impedir que o vírus se alastrasse. Só que não. Não só a desconfiança aumentou como as razões para se avolumar quase que nos impedem de sobreviver. É perguntar a qualquer pessoa que se encontra às compras no supermercado o que pensa da inflação. Já ninguém acredita que a guerra é a causa do custo de vida. Começou por ser, mas a ganância ultrapassou os seus efeitos.
Quem nos defende destas investidas em todas as frentes? Desde os alimentos essenciais até à habitação, passando pelos serviços de toda a ordem, é possível acreditar que está tudo relacionado com a escassez de obra-prima ( a Ucrânia, de repente, tornou-se na maior fonte mundial de todos os alimentos) e com o aumento dos fertilizantes, das rações e da energia? Como se explica o aumento substancial de produtos originários da nossa própria região? E porquê os preços inatingíveis das rendas e das casas que inexplicavelmente são vendidas todos os dias nesta terra? Interrogo-me como é que, numa ilha com cerca de 150 mil habitantes, tanta casa se vende a preços a rondar, e até acima, de um milhão? Quem são estes proprietários e a origem da sua riqueza, na região com maior índice de pobreza, e quem são estes compradores? Há assim tantos habitantes a mudarem de casa, numa roda viva, todos os dias? Como explicar rendas de habitação exorbitantes, a maioria das vezes sem condições para tal, a não ser pela ganância? E principalmente: como explicar que não haja intervenção governamental para regular esta especulação desenfreada, de tal modo que está a tornar impossível o sustento das nossas famílias? Sendo o especulador um golpista, por que razão o regime jurídico penal não o criminaliza? Por onde anda a justiça? A fiscalização?
O paradigma da atribuição dos apoios pontuais à pobreza não serve. Precisamos de regulação e de intervenções estruturais que garantem no tempo uma vida digna e de confiança no futuro para todos.
Não temos na Assembleia Regional representantes com carisma e de natureza apaixonada, com um discurso mobilizador, como diria Lobo Antunes, comentar-se-ia acerca da maioria deles que “estão mortos atrás dos olhos”; não temos uma comunicação social desinquieta, aguerrida, e com condições para fazer reportagens, a fundo, no terreno; não temos uma sociedade com hábitos de escrutínio cívico entranhados que procurem respostas a tantas questões. Desconfia-se à boca pequena, até dos que ousam atirar a pedra perscrutadora ao charco…
Durante a última semana, o Ministro das Finanças anunciou, com grandes loas a si próprio, os “lucros” do Estado que atingiram níveis nunca vistos. Nenhuma palavra proferiu sobre a realidade muito diferente em que o país vive. A insensibilidade do ministro só tem comparação à frieza com que os bancos divulgam os seus lucros, enquanto o país, feito de gente real, pobre, depauperada, explorada, engana a fome, fatalmente resignada. Ainda há dias, um trabalhador da CP em greve dizia na televisão esta afirmação lapidar: “Para eles há prémios se atingirem os objetivos, mas os objetivos saem do corpo dos trabalhadores que não recebem nada!”
O governo desconfia dos trabalhadores e de quem lhes confiou o voto. Exige-lhes a hora extraordinária, subtraída à família, a meta a atingir, o resultado a comprovar, a papelada a apresentar, o corpo suado, a mente exangue. As greves em tantos sectores, a nível nacional, comprovam que faltam as mais elementares condições, geradoras de coesão, de prosperidade e de confiança. Falta a palavra, que já foi de honra. Ficou a contradição, a mentira, a conveniente falta de memória.
Por estes dias, até a hierarquia da Igreja, último reduto para tanta gente, é desamparo, motivo de descrença e insensibilidade. Adivinha-se referências irremediavelmente estilhaçadas…
Não é, então, a confiança a base do pacto social? Não será este o valor que garante a coesão de uma democracia?
Na região, a paz social parece maior, mas a revolta é talvez calada. Calada pelo peso da costumada pobreza, pelo medo da represália, pelo cansaço, pela indiferença da incultura e – cá está – pelo receio da exposição. “Quer tacho”, “que venha fazer melhor”, “sempre foi assim” são frases recorrentes, dirigidas a quem se ergue para questionar.
Resistimos a uma pandemia. Sobreviveremos a uma crise de saúde social e moral? Só lhe chama crise económica quem desconhece a fome de tudo.
É tão urgente “multiplicar” os elos de confiança como as “searas”. “É urgente um barco no mar”- escreveu, noutros tempos, Eugénio de Andrade.

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a terra dos zombies Filadélfia EUA

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açores voos cancelados

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INFO // SATA: 10 voos cancelados hoje
Já foram cancelados 10 voos na operação da SATA Air Açores, devido ao estado do tempo, deixando 504 passageiros em terra.
Foram afetadas as ligações às ilhas Terceira, São Jorge, Flores e Graciosa – de acordo com a companhia aérea açoriana, a reacomodação tem sido feita em voos que estão previstos realizar no decurso desta tarde e durante este sábado.
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Metro quadrado de silêncio – Bruno Nogueira – SÁBADO

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As pessoas perderam o respeito pelo silêncio. Não sabem o que fazer com ele, procuram tutoriais na Internet para o encontrar dentro da cabeça, ao mesmo tempo que fecham a janela do YouTube e correm desesperadas à procura de qualquer barulho que as faça sentirem-se menos sozinhas com elas próprias.

Source: Metro quadrado de silêncio – Bruno Nogueira – SÁBADO

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dom joão vi afinal morreu envenenado

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O Rei D. João VI, morreu em 1826. As suspeitas de que teria sido envenenado foram confirmadas em 2000: embalsamado antes de ser sepultado no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, as vísceras e o coração foram guardadas num pote de cerâmica chinesa o que permitiu fazer análises de fragmentos do seu coração que revelaram a existência de uma quantidade de arsénico suficiente para matar duas pessoas…
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Publicado em Historia religião teologia filosofia WAR genocidio ONU direitos humanos liberdade expressão autonomia, independência, jornalismo media imprensa TV Fake news Tradições LENDAS folclore | Comentários fechados em dom joão vi afinal morreu envenenado

macau a casablanca da ásia

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Paul French, escritor: “Macau era uma ‘Casablanca da Ásia’”.
Assume-se como “um escritor diferente da China”.
O fascínio pelo Oriente nasceu da aprendizagem do mandarim.
Autor de obras como “Midnight in Peking” ou “City of Devils: The Two Men Ruled the Underworld of Old Shanghai”, bestsellers do New York Times, Paul French estará hoje na Livraria Portuguesa, a partir das 18h30 (Nota: no passado dia 3 de Março), para falar da sua obra e das “estranhas histórias da velha Macau” que contribuem para que o território mantenha ainda uma aura de mistério.
– Há muito que escreve sobre a China e vai hoje à Livraria Portuguesa falar do seu trabalho. O que podemos esperar desta conversa?
Vou contar algumas histórias sobre Macau e os portugueses em Macau.
Quando escrevi o livro sobre os gangsters estrangeiros em Xangai nos anos 30 [City of Devils: The Two Men Ruled the Underworld of Old Shanghai], com histórias reais, eu próprio, mesmo conhecendo muito sobre a história de Xangai, fiquei surpreendido com o facto de haver tantos portugueses envolvidos no mundo do crime da cidade.
Geriam clubes nocturnos, investiam dinheiro no jogo.
Outra coisa curiosa, é que eles aprenderam técnicas de jogo em Macau, levaram slot-machines para Xangai a partir de Macau.
Essa é uma ligação interessante que existe entre Macau e Xangai que não é conhecida.
Sempre que falamos de Macau falamos de missionários, diplomatas, mas houve muitas outras pessoas que viajaram para Macau.
Era como um lugar de escape para quem tivesse problemas em Portugal, era um sítio onde se falava a mesma língua [português] e em que se podia escapar à polícia.
– Como teve o primeiro contacto com estas histórias?
Lendo jornais antigos.
Claro que a maior parte destas histórias foram publicadas pelos jornais de Hong Kong ou de Xangai nas edições internacionais.
Muitas destas histórias simplesmente caíram no esquecimento.
Encontrei uma delas numa edição do South China Morning Post de 1936, que dizia que o Japão ofereceu dinheiro a Lisboa para comprar Macau.
Não é uma história muito conhecida, mas é um pouco estranha.
O Japão pensou que Lisboa poderia dizer sim [à venda do território].
Nos anos 30 Macau rendia muito dinheiro a Lisboa e Portugal não estava ao mesmo nível do Reino Unido.
O Reino Unido jamais venderia Hong Kong.
Para o Japão seria uma forma mais fácil de conquistar território na Ásia [caso comprasse Macau].
– Há ainda muito a descobrir sobre a história e as pessoas de Macau? Persiste um certo mistério?
Há muitas coisas por descobrir em Macau, é um território com essa reputação.
Se olharmos para o caos da China nos anos 20 e 30, e para Hong Kong, pouco policiado pelos britânicos na qualidade de colónia, Macau era um sítio muito fácil nesse sentido, era permitido fazerem-se muitas coisas.
Muitos ficavam satisfeitos com isso, os chineses e as pessoas de Hong Kong, por causa dos negócios.
Na II Guerra Mundial Macau passa a ser importante por causa da sua neutralidade e torna-se numa espécie de “Casablanca da Ásia” em termos da presença de espiões, por exemplo.
Macau era o lugar onde os nazis, os japoneses e os chineses se misturaram durante o conflito.
Fiz também muito trabalho sobre os judeus refugiados em Macau.
Durante a II Guerra Mundial, Macau era um lugar fascinante e teve um papel muito importante.
– Porque ficou tão fascinado por este mundo?
Penso que é fascinante para muitas pessoas, mas no meu caso foi devido à língua chinesa.
Estudei chinês no Reino Unido e em Xangai.
Comecei a investigar mais sobre a história dos estrangeiros em Xangai, mas também em Macau e Pequim, e claro Hong Kong despertou sempre um interesse em mim por ser uma colónia britânica na Ásia, e também pela transição.
Mas as histórias de Macau sempre me apareceram sem eu estar à procura delas.
Sempre procurei mais por registos de Hong Kong, e de repente deparei-me com a história de um grupo de portugueses que viveu em Macau nos anos 20 e que tentou começar uma revolução em prol da independência, para criar uma espécie de “República de Macau”, separada de Lisboa.
Era uma operação relacionada com acções de chantagem.
Chegaram ao Governo e disseram: “Vamos começar uma revolução. Dêem-nos dinheiro”.
E até foram bem-sucedidos, puseram notícias nos jornais e tiveram apoio de algumas pessoas.
Havia um sentimento de rebelião no ar, sobretudo no seio dos militares e da marinha devido às condições de trabalho e de estadia, por isso surgiu a ideia de independência, mas toda a operação não passou de uma acção de chantagem.
Esta história apareceu-me assim, do nada….
Há também a história de um refugiado polaco que tentou nadar até Macau e as autoridades portuguesas tentaram empurrá-lo para o lado da China, enquanto ele lutava por chegar ao território português.
Acabou depois por ser enviado para o Brasil.
– A história de Macau está cheia destes episódios. É um território que terá sempre esta ideia de ser “fora da lei”?
Está certa.
Sempre houve um certo mistério e exotismo.
Macau não é como as outras antigas colónias, nomeadamente as britânicas, como Hong Kong ou Singapura, por exemplo.
Lisboa não tinha muito interesse em Macau, tal como não tinha com Goa ou Timor.
Não fazia uma série de coisas, não enviava muitos soldados.
Deixava o território andar ao seu ritmo.
Acabei de reeditar o livro sobre os escritos de Harry Harvey [Where Strange Gods Calls, editado nos anos 20], e o estilo com que descreve a Macau da altura é sempre com ligação aos casinos, diferente de tudo o resto, com a presença do catolicismo.
Isso aparece também em muitos outros escritores, como Ian Fleming nos livros de James Bond, nos anos 60.
Ele descreve Macau quase no mesmo estilo.
O que podemos retirar daqui é que Macau era, de facto, um lugar onde podíamos, de certa forma, escapar às autoridades.
Havia jogo, prostituição, e Lisboa não estava, de facto, a prestar muita atenção.
– Mas a China esteve sempre a prestar atenção e por vezes tirava vantagens disso.
Houve sempre boas relações e Macau manteve-se com administração portuguesa porque havia o interesse no comércio da parte da China.
Temos o exemplo do comércio do ópio, no qual Portugal não estava envolvido.
Era um negócio essencialmente americano.
Todos comercializavam matérias-primas como prata e ouro.
Macau era, para muitos, uma base para entrar em Guangdong.
– Acaba de lançar três novos livros incluídos na colecção “China Revisited”, que contêm histórias de viajantes comuns que vieram para Macau, Hong Kong e sul da China entre os séculos XIX e XX.
Com a pandemia, e sem poder viajar, passei muito tempo na biblioteca de Londres que tem uma boa colecção dos escritos de antigos viajantes em todo o mundo, incluindo a China, na época vitoriana.
Decidi prestar mais atenção a esses escritos, e cerca de 90 por cento são de viagens entre Xangai e Pequim e para a zona mais ocidental da China.
Pensei que seria bom fazer algo com isto, sobretudo relacionado com Macau e a zona de Guangdong.
Os relatos de missionários são, muitas vezes, aborrecidos, então o meu foco era ir além disso.
Tenho o exemplo de Benjamim Harry, um missionário americano que viaja para Hong Kong e que é muito interessante, porque vai a Guangzhou e dá-nos grandes descrições da cidade, que claro que mudou muito, sobretudo nos anos 30.
Foi também o primeiro ocidental a visitar e a escrever sobre a ilha de Hainão, que nessa altura era uma zona ligada à agricultura com plantações de cocos.
Estava muito longe de ser o “Hawai da China” como hoje é conhecida a região.
– O seu trabalho já foi reconhecido pelo jornal New York Times. Alguma vez pensou ter uma carreira internacional?
Penso que sou um escritor da China diferente.
A maior parte das pessoas que escrevem sobre a China são académicos ou jornalistas que vivem algum tempo no país e querem contar o que viram com mais detalhe do que aquilo que publicam nos jornais.
Eu tento fazer algo diferente.
Quero escrever livros que muitas pessoas possam comprar no aeroporto para ler no avião ou na praia quando vão de férias, por exemplo.
Têm acesso à história da China, mas também a boas histórias.
– Está também a trabalhar num livro sobre Wallis Simpson, a mulher divorciada por quem Eduardo VIII abdicou do trono britânico, nomeadamente sobre o período em que viveu na China, de 1924 a 1925. Fale-nos mais deste projecto.
Claro que não é possível crescer no Reino Unido sem conhecer a história de Wallis Simpson.
É uma boa história para mim porque me dá a oportunidade de escrever mais sobre os anos 20 na China e claro que será uma história interessante para as pessoas.
Todos conhecem a história da abdicação do trono, ela sempre foi considerada a mulher mais detestada de sempre, dependendo da perspectiva.
Mas ela é interessante porque há uma série de rumores e notícias falsas sobre o que lhe aconteceu na China.
Wallis foi para lá com o marido da altura, um oficial da marinha americana, e passaram por Hong Kong e Xangai.
Ele era uma pessoa horrível e batia-lhe.
De Xangai ela vai para Pequim onde passa cerca de sete a oito meses num alojamento muito agradável.
Depois Wallis Simpson regressa aos EUA, mas nesse ano em que esteve na China aprendeu muito sobre ela própria, percebendo que não tinha de estar casada com aquele homem, a ser agredida, e que podia ser independente e misturar-se com uma certa elite internacional e cosmopolita.
Tornou-se então naquela mulher para a qual todos olham quando entram na sala, que se move nos círculos da realeza, e foi aí que Eduardo VIII olhou para ela.
Mas o livro vai também contar um pouco sobre a história da China.
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O “coma induzido” ao Governo – Correio dos Açores

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Source: O “coma induzido” ao Governo – Correio dos Açores

Publicado em Politica Politicos 25 abr 1 mai 10 jun 5 out 25 nov 1 dez fascismo racismo xenofobia nazi SALAZAR judeus jews sionismo islao terror russia | Comentários fechados em O “coma induzido” ao Governo – Correio dos Açores

A FALTA DE MÉDICOS

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Os Estados não colapsam por fatalidade. « (…) Durante anos a fio, a Ordem dos Médicos atribuiu-se o direito de estabelecer o número de médicos que o país deveria ter — necessariamente aquém das necessidades mas adequado a proteger os interesses dos já em exercício. Os estivadores, por exemplo, também funcionam assim, segundo este princípio corporativista de auto-regulação do mercado de trabalho.
Para entrar nas Faculdades de Medicina, elas próprias limitadas, foram estabelecidas mé¬dias tão disparatadamente altas que miúdos com médias de 18 e 19 tiveram de renunciar à sua vocação ou de se ir formar no estrangeiro, ficando depois por lá, em muitos casos.
Agora, um médico e ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, penitenciando-se também a ele próprio, veio afirmar que a Ordem dos Médicos passou anos a enganar os governos dizendo que havia médicos suficientes no país. Mas, segundo ele, pela frente vamos ter cinco anos terríveis de falta de médicos, entre os que se vão reformar e o tempo que vai ser preciso até que novos cheguem ao serviço. Quem responde por isto?
Também um estudo de Pedro Pita Barros e Eduardo Costa, agora divulgado, concluiu que todos os novos profissionais que António Costa se gaba de ter contratado para o SNS entre 2015 e 2018, bem como o milhão de horas extraordinárias pagas aos médicos nos hospitais públicos, serviram apenas para compensar o défice causado pela passagem do horário de trabalho na Função Pública de 40 para 35 horas semanais (e de que nem todos os médicos beneficiam). Não há milagres.
A demagogia tem sempre um preço, e os Estados não colapsam por fatalidade. (…)»
[Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 10/03/2023]
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CARNAVAL 1909

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Aqui vai este relato do carnaval de 1909. Como o artigo era demasiado grande para o enviar no formato original resolvi copiá-lo mas a versão é integral. É interessante notar-se que há referência às modinhas do continente (as chamadas modas novas) o que põe de lado a teoria de estas terem sido introduzidas pelos deportados políticos.
CARNAVAL I
( “O Graciosense” – nº 249 – 28 de Fevereiro de 1909 )
Correu desanimado este ano o carnaval na rua, especialmente nesta vila, onde não houve jogo de entrudo nem se viu uma única máscara durante os dias. As soirées animadíssimas, acabando quase sempre de manhã, deram conta das entrudadas a farinha e água, das cavalhadas, das alegorias, etc.
Na Praia organizou-se uma grande mascarada em que entraram umas 14 meninas vestidas com muito gosto. O cortejo que se compunha de 7 carros e alguns cavaleiros, percorreu na tarde de 3ª feira as freguesias da Praia e Luz.
No Sul houve grande entusiasmo em mascaradas e bailes populares.
OS BAILES
O Club 1º de Dezembro, deu 5 bailes, sendo todos muito concorridos e animados, mas com especialidade o da terça feira foi um verdadeiro encanto.
As danças variadas e animadíssimas eram apenas interrompidas de hora a hora para serem servidos doces, chá, porto e licores.
Com especialidade das 2 horas às 7 da manhã, a animação e alegria foram extraordinárias, feéricas, enchendo toda a assistência de um bom humor e bem estar que vivificava.
Nalgumas das modinhas populares do continente, muito em voga entre nós, e que entremeavam as quadrilhas, lanceiros, polcas, mazurcas, valsas, etc., chegaram a entrar 30 senhoras, das quais algumas cantavam com graça, boa voz e muito gosto.
As gentis meninas Guadalupe, Esmeralda e Ester, respectivamente filhas dos nossos amigos senhores António da Cunha Silveira e Manuel da Silva Barbosa, recitaram poesias.
Mr. Philippe Lappeman, distinto cavalheiro Belga, de visita nesta ilha, cantou muitíssimo bem alguns trechos de óperas.
Na 4ª feira às 7 horas da manhã um grande número de senhoras e cavalheiros fizeram-se fotografar em grupo no jardim do Club.
Depois disto dançou-se com grande entrain a última quadrilha que terminou às 8 horas.
No 1º baile tocou quase sempre ao piano a exmª senhora D. Matilde Magalhães que gentilmente a isso se prestou, por o pianista contratado, um originalíssimo ratão que por aí apareceu há meses, dizendo vir de Lisboa e ser aluno laureado do conservatório, se fingir doente para não dar a perceber que pode muito bem saber fazer barbas ou bater sola, mas que de piano e música nada percebe.
É um triste Gato de Botas que por aí anda, tornando-se divertido com as suas inofensivas intrujices a ver se apanha alguns patacos para passar a vidinha.
No 2º dia de baile ainda ele se apresentou, e não houve remédio se não sentar-se ao piano, mas com a declaração de que só tocaria quadrilhas carnavalescas à moda de Lisboa!!!
E realmente assim foi. Os gritos desordenados do pobre piano foi tudo o que se deu de mais carnavalesco, como as caretas horríveis que fazia o pateta enquanto batia desordenada e estupidamente no teclado.
Foi tal a risota provocada por aquela música diabólica, que o homem, percebendo-se apanhado, fugiu sem capa nem chapéu, e até hoje ninguém mais o viu!
Nas outras soirées tocou ao piano a distinta pianista D. Rosália Ramalho, sendo alvo de grandes manifestações de simpatia, como bem as merece.
No salão da sociedade Filarmónica Liberdade houve também 5 soirées muito concorridas e animadas. Tocou a orquestra da sociedade.
O Club Progressista deu os bailes do costume, tocando ao piano o simpático jorgense sr. José Moniz de Lacerda.
Os salões de baile foram durante as noites constantemente visitados por grupos de mascarados, alguns muito bem vestidos e espirituosos, cumprindo-nos especializar o nosso amigo sr. Manuel Inácio de Barcelos, na 2ª feira, que apresentou um originalíssimo tipo de fidalga antiga, natural de Faiões e Senhora de Odivelas…uma magnífica D. Zelia Zarapata de Arraiolos.
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5 comments

  • Carlos T C Bettencourt

    Muito interessante, verdadeira festa, com nível e animação, mesmo sem as máscaras !
    Já nesse tempo apareciam os arrivistas, uns sérios e com nível, outros os charlatões habituais. Abraço
  • Ondina Duarte

    Muito interessante.Gosto muito de saber coisas do passado.A minha Avo Materna contava-me muitas coisas sobre as dancas antigas.Obrigada
  • Andrea Melo

    Muito bom!
  • Marisa Pereira

    Isto é espantoso! Onde se situavam os clubes mencionados?
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  • Alcinda Leal

    Esses clubes aqui referidos são os de hoje, com nomes diferentes? Ou extinguiram-se e os actuais surgiram mais tarde?
    É um relato muito interessante que nos dá a conhecer um Carnaval com festejos diferentes. Obrigada por nos informar. Beijinho
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Bolieiro diz que vai negociar diplomas “caso a caso” incluindo para orçamento de 2024 – Jornal Açores 9

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O presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) explicou hoje que, com o fim dos apoios de incidência parlamentar e da maioria absoluta no parlamento, negociará os diplomas “caso a caso”, nomeadamente o orçamento de 2024. “Não apresentaremos instrumentos geradores de instabilidade, designadamente uma moção de confiança. Os outros farão o que entenderem, mas pelas declarações […]

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Publicado em Politica Politicos 25 abr 1 mai 10 jun 5 out 25 nov 1 dez fascismo racismo xenofobia nazi SALAZAR judeus jews sionismo islao terror russia | Comentários fechados em Bolieiro diz que vai negociar diplomas “caso a caso” incluindo para orçamento de 2024 – Jornal Açores 9