adelaide freitas em inglês

https://www.umass.edu/umpress/title/smiling-darkness

translated by

Katharine F. Baker;

Bobby J. Chamberlain, Ph.D.

Reinaldo F Silva, Ph.D.

Emanuel Melo

FINALMENTE REABILITADA A HONRA DA MAÇÃ: Afinal, o fruto proibido de Adão e Eva não foi uma maçã

Source: Afinal, o fruto proibido de Adão e Eva não foi uma maçã

Afinal, o fruto proibido de Adão e Eva não foi uma maçã

Mesmo que Adão e Eva tenham existido, o tal fruto proibido do paraíso não poderia ter sido uma maçã. A popular fruta que conhecemos hoje é resultado de uma domesticação realizada muito tempo depois da “criação do mundo”.

Se hoje temos esse alimento em fartura nos supermercados e feiras, é graças à Rota da Seda – caminhos de mercadores na antiguidade, comprando e vendendo produtos de um ponto a outro, entre o extremo leste da Ásia e a Europa. Esse comércio, o primeiro movimento de globalização da humanidade, foi iniciado há cerca de 4,5 mil anos – e teve os seus mais intensos momentos a partir do século 3 a.C.

De acordo com um estudo desenvolvido pelo Instituto Max Planck, da Alemanha, e publicado esta segunda-feira pela revista especializada Frontiers in Plant Science, foi nesse período que a maçã deixou de ser uma fruta pequena, selvagem e pouco atraente para, por meio de processos de enxertos e seleção das árvores cujos frutos eram mais graúdos e apetitosos, se transformarem numa das frutas mais populares do mundo.

Assinado pelo diretor do Laboratório de Paleoetnobotânica do instituto alemão, Robert Spengler, o estudo baseia-se em investigações arqueológicas recentes de sementes de maçã antigas preservadas na Europa e na Ásia Ocidental e na combinação dessas informações com dados genéticos da fruta.

O cientista confirmou que a maçã, na sua versão selvagem, era um fruto pequeno e pouco atraente. A sua seleção e transformação num alimento popular deve-se a dois fatores: a megafauna europeia que floresceu depois da última Era do Gelo, há 20 mil anos, e o trabalho dos mercadores da Rota da Seda.

Spengler partiu das ciências humanas, de acordo com a BBC. Encontrou descrições de grandes frutos vermelhos na arte clássica, acreditando que as maçãs já eram recolhidas pelo homem desde há dez mil anos no sul da Europa. Sementes antigas em sítios arqueológicos corroboram a tese.

Mas a maçã moderna seria um híbrido de pelo menos quatro espécies silvestres. Aí veio o papel da Rota da Seda. Em busca de frutos que fossem mais atraentes ao mercado, agricultores da época começaram a selecionar as árvores que produziam maçãs mais apetitosas e a realizar enxertos. Esses cruzamentos foram resultando em frutos mais semelhantes aos de hoje.

De acordo com o cientistas, a origem genética da maçã moderna está nas montanhas Tien Shan, na fronteira entre Cazaquistão, Quirguistão e China. A natureza também fazia a sua parte. No período entre o fim da Era do Gelo e o início da Era Cristã, Europa e Ásia estavam muito mais cheias de animais selvagens de grande porte – parte deles depois extinta. Cavalos selvagens, cervos e outros animais em bandos livremente.

As artimanhas evolutivas têm uma verdade simples: frutos pequenos “querem” atrair aves – que os comem e acabam por espalhar as sementes. Frutos grandes não podem ser carregados por aves. Evoluíram para ser apetitosos para animais grandes. Foram esses que se deliciaram e ajudaram a espalhar as maçãs.

Entretanto, ao contrário das aves, os mamíferos não levam as sementes para longe. É por isso que, conforme concluiu o investigador, geneticamente as maçãs selvagens são diferentes em diversas zonas consideradas “de refúgio glacial” desde a Era do Gelo. Não se espalharam muito, evoluíram a seu modo em variedades.

Essas “ilhas” de maçãs foram rompidas com a ação humana, de modo especial ao longo da Rota da Seda. As árvores passaram a ter contacto umas com as outras. Abelhas e outros polinizadores encarregaram-se de fazer sua parte. A descendência híbrida resultante originou frutos maiores, o que despertou a atenção dos humanos – que acabaram por dar uma mãozinha, replantando mudas das árvores mais favorecidas e realizando enxertos.

Spengler ressalta que esse processo foi muito mais rápido do que ocorreria em condições naturais. “O processo de hibridização não é o mesmo para todas as plantas. Ainda não sabemos muito sobre como ocorre em árvores de longa duração”, comenta o cientista. “Há centenas de plantas domesticadas no planeta”. A maçã é resultado da megafauna pós-Era do Gelo e dos mercadores da Antiguidade, portanto.

O fruto proibido

No relato bíblico da criação o mundo, no livro do Génesis, Eva desobedece à ordem de não comer o fruto da frondosa árvore do paraíso. Experimenta, gosta e acaba por oferecê-la a Adão. A fruta acabou por ser descrita como uma maçã. É assim que aparece em pinturas e configurou-se no imaginário humano.

O relato original, contudo, não menciona nome algum. Diz que era o “fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A ideia de considerar esse fruto uma maçã veio aos poucos, muito provavelmente por obra dos antigos tradutores da Bíblia. Ao versarem o texto do grego antigo para o latim, utilizaram a palavra “pomum”, que acabaria por ser maçã, nas línguas modernas – mas poderia ser qualquer fruto com formato semelhante, como um figo ou uma pêra.

Uma outra versão também corrente entre investigadores é a de que a fruta acabou por ser chamada de maçã por causa de uma confusão entre as palavras malus – do latim, significando mal – com malum – do grego antigo, que significava maçã.

Facto é que a fruta tornou-se símbolo de pecado e tentação. Mas também de conhecimento. A historiadora Janik afirma que a maçã traz, nas diversas culturas, significados de amor, imortalidade, dom e amizade.

No livro apócrifo de Enoque, a árvore do Éden é descrita como “uma espécie de tamarineira, produzindo frutos que se assemelhavam a uvas”. O antigo texto diz que a “fragrância” podia ser sentida a uma distância considerável.

ZAP //

definição de pragmatismo

Maria Sá

14 mins

A Amante.

Marido e mulher estão a jantar num belo restaurante quando entra uma rapariga absolutamente fantástica, que se dirige à mesa deles, dá um beijo apaixonado ao marido, diz:

– Vemo-nos mais tarde… – E vai-se embora.

A mulher fita o marido furiosa e pergunta:

– Quem diabo era aquela?

– Oh – responde o marido, – é a minha amante.

– Ah é? Pois esta foi a última gota de água! – Diz a mulher. Para mim chega! Quero o divórcio!

– Compreendo – responde o marido, – mas lembra-te, se nos divorciarmos acabam-se as compras em Paris, os Invernos na República Domincana, os Verões em Itália, os Porsches e Ferraris na garagem e o Iate. Mas a decisão é tua.

Nesse momento entra um amigo comum no restaurante com uma loura estonteante pelo braço.

– Quem é aquela mulher que entrou com o Bernardo? – Pergunta ela.

– É a amante dele! – Responde o marido.

– A nossa é mais bonita! – Responde a mulher …

a Praia da Vitória que processou um cientista busca apoio na Univ dos Açores e a gente paga!!!!

Afinal, não “está em causa a existência do problema” de poluição na Praia da Vitória. O que é que esteve em causa que levou à ideia brilhante da autarquia me querer processar?
Vão fazer agora comunicação de risco? Já tinha proposto isso há largos anos…..
Partilha-se a notícia do Diário de Notícias, para que, quem acompanha esse assunto, retire as suas conclusões.

“Lajes: Município da Praia da Vitória recorre à Universidade dos Açores para combater “desinformação”

Praia da Vitória, Açores, 29 mai 2019 (Lusa) — O município da Praia da Vitória assinou hoje um acordo com a Universidade dos Açores para “combater a desinformação” que diz existir sobre a contaminação de solos e aquíferos no concelho, decorrente da atividade militar na base das Lajes.
Vai dar mais tranquilidade e vai dar uma resposta efetiva, bastante clara, com todo o rigor técnico e científico sobre as matérias que a Praia da Vitória tem, neste momento, sobre a mesa e, com isto, combater toda a desinformação e todos os alarmismos”, afirmou o presidente do município, Tibério Dinis, na cerimónia de assinatura do acordo.

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na ilha Terceira, provocada pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

O município da Praia da Vitória tem acusado várias personalidades e órgãos de comunicação social de transmitirem informação não fundamentada sobre esta matéria, alegando que isso poderá ter consequências na economia do concelho, nomeadamente no turismo.
Em setembro de 2018, a autarquia anunciou que iria avançar com um processo cível contra o investigador da Universidade dos Açores Félix Rodrigues, com doutoramento em Ciências do Ambiente, ramo poluição, que tem alertado para a contaminação dos solos na Terceira.

Segundo Tibério Dinis, com este acordo o município pretende ter uma “entidade independente, credível e de enorme prestígio a nível nacional e internacional como principal consultora” em todas as matérias relativas à pegada ambiental da base das Lajes.

“A verdade é que este assunto, pelo mediatismo que comporta, pelo facto de ter uma grande potência mundial associada, pelo facto de ter uma base militar associada, pelo facto de despertar em alguns alguma curiosidade, tem permitido profícuas declarações que, de alguma forma, não têm tido da componente técnica e científica o devido acolhimento”, frisou.

O reitor da Universidade dos Açores, João Luís Gaspar, adiantou, em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia, que o acordo não prevê a realização de novos estudos, alegando que os que existem foram feitos por “técnicos de reconhecida competência”.

“O que a universidade vem fazer é ajudar a câmara municipal a interpretar, de um modo integrado, toda a informação que é produzida — e ela é muito diversa — e ajudar fundamentalmente a câmara municipal a comunicar com fundamento técnico e científico aos cidadãos, não só do concelho, mas da ilha e dos Açores”, avançou.

Além da análise dos documentos produzidos e do aconselhamento da autarquia na divulgação dos resultados, a universidade vai “apresentar propostas para a avaliação e mitigação de eventuais riscos para a saúde pública” relacionados com a contaminação.

O trabalho será desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, com investigadores do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos e do Instituto de Investigação e Tecnologias Agrárias e do Ambiente, liderada pelo professor José Virgílio Cruz, estando já firmadas parcerias com outras “entidades nacionais e internacionais”.

Questionado sobre a desinformação que o município alega existir sobre a contaminação de solos e aquíferos, João Luís Gaspar disse que “tem havido muita discussão”, por vezes até “estéril”.

“Não está aqui em causa a existência do problema, não está aqui em causa a necessidade de se procurarem soluções eficientes e eficazes para minimizar o impacto deste problema, o que está aqui em causa fundamentalmente é ter uma comunicação clara, transparente, que permita à população reagir, responder em conformidade”, salientou.

Confrontado com o facto de uma das vozes críticas da forma como está a decorrer o processo de descontaminação ser um investigador da Universidade dos Açores, o reitor sublinhou que a academia “nunca foi envolvida sob o ponto de vista institucional”.

“Não é para a Universidade dos Açores uma boa medida ver alguns dos seus investigadores, docentes, técnicos, com toda a credibilidade que lhes é reconhecida, a falar em termos pessoais”, considerou.

João Luís Gaspar defendeu que a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória só deve ser discutida quando “assente em bases técnicas e científicas bem fundamentadas”.

“Devo dizer que não há em parte nenhuma do mundo certamente um único especialista que possa comentar esta matéria. Terá de ser sempre uma equipa multidisciplinar, porque estamos aqui a falar em matérias que abrangem muitos domínios da ciência”, frisou.

O acordo terá um custo anual de 10 mil euros para a Câmara Municipal da Praia da Vitória.

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AINDA A PROPÓSITO DA CALHETA PERO DE TEIVE

Amigo Tomás Quental,

Passei o dia a não pensar nessa tomada de posição por parte da nossa autarquia, por não me encontrar bem em condições de saúde, tanto que, e confesso podendo ser considerada “pieguinhas” dizê-lo, após falar com o meu médico que me prescreveu medicação nesse sentido.

Porquê, chegar a este estado, poderão perguntar-me?! Porque nasci (Rua da Boa Nova), cresci, vivi e vivo (Rua do Laureano) e defendo uma percentagem significativa de residentes nesta freguesia, onde fui muito feliz. Levei muitos puxões de orelhas da minha mãe, por chegar atrasada às aulas ou não chegar a casa a horas, por ficar a ver os barcos a chegar e a partir, a ver o peixe nos baldes, os pescadores a coserem as suas redes, os seus baldes com iscos, as suas canas de pesca, as suas botas tão grandes…. E muito mais. Ficava horas a ver e a conversar com eles todos. Gente boa, genuína e respeitadora.

Hoje, apanhei um choque, apesar de saber que tudo seria possível por parte da CMPD. Muitos sabem a minha ligação familiar e de amizade com o Dr. José Manuel Bolieiro, mas isto não me impede de falar e discordar, quando vejo e tenho a certeza que a razão me assiste, pelo que se passa, principalmente, na minha freguesia. Eu que votei nele, eu que assumi um cargo na Assembleia Municipal, para o ajudar também na sua vitória. Sim, o meu nome, contou e muito para o Sr. Presidente. O sr. Presidente sabe-o e os meus amigos e colegas do PS também o sabem e reconhecem.

Focando-me nas palavras do Dr. Bolieiro, gostaria de saber ao encontro dos anseios de que população? Sempre pensei, que os anseios da população fossem aqueles que o levou a assumir o compromisso de escrever para Bruxelas/Comissão Europeia, que estes ouvidos, apesar ajudados por aparelhos auditivos, ouviram. Acabado o mandato, entra noutro e nada de carta.

Sabes, Tomás, eu sei porque não o fez. Não foi ele o único culpado. Face ao processo todo e que pode ser “parado” com uma ação popular, deveu-se aos compromissos há muitos anos “cozinhados” com a CMPD e o GRA. Sim.

Tomás, tenho a certeza de que Bolieiro, pegou no “menino” para o colo e deu essa machadada final, para não comprometer outros, que não ele, que se viram privilegiados anteriormente em muitas coisas. Bolieiro, se parasse, e “remexesse” no passado, iria pôr em causa muita gente e muita decisão tomada… até me faz mal falar nisso. Como é possível ir-se para a política para se servirem e não servirem a população.

Cheguei a propor-lhe que fizesse um referendo e ele até aceitou, mas deixou-se levar pelo grupo “Queremos a Calheta de Volta”, com quem tenho falado com muitos ex-elementos, que deixaram nas mãos de Santos Narciso, por não concordarem com o que estava a ser feito. Se se refere à Junta de Freguesia, claro que o seu presidente quer aquilo acabado o mais rápido possível para inaugurar e mostrar obra feita. Mas, espero que este não tenha dado um tiro no próprio pé, e lhe saia o tiro pela culatra, pelo que tenho ouvido.

Tomás, quando diz o presidente, que é a própria rentabilidade do crescimento, eles investidores que já receberam mundos e fundos, está a preocupar-se com eles!? E nós povo que votámos? E nós povo que não fomos ouvidos e acreditámos que nada se faria ali?

Bem, Tomás, nunca me conformarei, nem perdoarei. Contudo, não poderei deixar de dizer, que Bolieiro é um homem digno, inteligente e sério, mas que foi desonesto para com os habitantes da freguesia de S. Pedro, por não querer “incomodar” PSD`s e PS`s envolvidos. Por não querer ver-se em sarilhos judiciais. Tinha-lhe ficado melhor “limpar” os PSD`s e PS`s, do que “encobrir” alguns deles.

O sangue e a amizade ficarão sempre, mas o desgosto acaba no momento que eu acabar a minha vida neste Mundo.

Com aquela nossa amizade, bjn, Tomás

 

  • 11 hrs
  • Tomás Quental Caríssima amiga Fátima Silva! Ainda há pouco fiz um comentário a enaltecer a tua coragem ao partilhares o meu texto sobre a questão da Calheta, porque, apesar de seres uma cidadã livre, és a presidente da Assembleia de Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada e és militante do PSD. Mas agora deixaste-me completamente sem palavras com este teu testemunho: acabas de dar uma rara lição de dignidade, de honestidade e de carácter. Como açoriano, como micaelense e como antigo habitante na freguesia de São Pedro, onde me criei e vivi durante muitos anos, só posso dizer, com reconhecimento e com emoção: muito obrigado! Os carrascos da Calheta, que me perdoem o termo, mas é a verdade, deram a “volta” a muita gente. Uns foram enganados e outros deixaram-se enganar, mas também houve quem colaborasse nessa lamentável ação de enganar. Com modéstia à parte e apenas por amor à Calheta, nunca fui em “cantigas” de governantes e autarcas, porque sempre me pareceu claro que não falavam verdade ou não diziam a verdade toda. A triste realidade deu-me razão. Por mim próprio e pensando nos pescadores que conheci na Calheta, nos colegas da Instrução Primária filhos de pescadores e em muitas outras pessoas que viveram, trabalharam e amaram a Calheta, eu não podia ter outra posição que não fosse defender com toda a convicção e sem hesitações aquela zona da cidade de Ponta Delgada. Fiz o que podia, humildemente, como é obvio, publicando alertas no FB e artigos na imprensa de Ponta Delgada: não resultaram, é um facto, mas fico com a minha consciência tranquila. Se algum dia der mais uma “volta” à Calheta, será certamente para a regar com lágrimas…

Lajes: Município da Praia da Vitória recorre à Universidade dos Açores para combater ″desinformação″

Praia da Vitória, Açores, 29 mai 2019 (Lusa) — O município da Praia da Vitória assinou hoje um acordo com a Universidade dos Açores para “combater a desinformação” que diz existir sobre a contaminação de solos e aquíferos no concelho, decorrente da atividade militar na base das Lajes.

Source: Lajes: Município da Praia da Vitória recorre à Universidade dos Açores para combater ″desinformação″

Lajes: Município da Praia da Vitória recorre à Universidade dos Açores para combater “desinformação”

Praia da Vitória, Açores, 29 mai 2019 (Lusa) — O município da Praia da Vitória assinou hoje um acordo com a Universidade dos Açores para “combater a desinformação” que diz existir sobre a contaminação de solos e aquíferos no concelho, decorrente da atividade militar na base das Lajes.

“Vai dar mais tranquilidade e vai dar uma resposta efetiva, bastante clara, com todo o rigor técnico e científico sobre as matérias que a Praia da Vitória tem, neste momento, sobre a mesa e, com isto, combater toda a desinformação e todos os alarmismos”, afirmou o presidente do município, Tibério Dinis, na cerimónia de assinatura do acordo.

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na ilha Terceira, provocada pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

O município da Praia da Vitória tem acusado várias personalidades e órgãos de comunicação social de transmitirem informação não fundamentada sobre esta matéria, alegando que isso poderá ter consequências na economia do concelho, nomeadamente no turismo.

Em setembro de 2018, a autarquia anunciou que iria avançar com um processo cível contra o investigador da Universidade dos Açores Félix Rodrigues, com doutoramento em Ciências do Ambiente, ramo poluição, que tem alertado para a contaminação dos solos na Terceira.

Segundo Tibério Dinis, com este acordo o município pretende ter uma “entidade independente, credível e de enorme prestígio a nível nacional e internacional como principal consultora” em todas as matérias relativas à pegada ambiental da base das Lajes.

“A verdade é que este assunto, pelo mediatismo que comporta, pelo facto de ter uma grande potência mundial associada, pelo facto de ter uma base militar associada, pelo facto de despertar em alguns alguma curiosidade, tem permitido profícuas declarações que, de alguma forma, não têm tido da componente técnica e científica o devido acolhimento”, frisou.

O reitor da Universidade dos Açores, João Luís Gaspar, adiantou, em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia, que o acordo não prevê a realização de novos estudos, alegando que os que existem foram feitos por “técnicos de reconhecida competência”.

“O que a universidade vem fazer é ajudar a câmara municipal a interpretar, de um modo integrado, toda a informação que é produzida — e ela é muito diversa — e ajudar fundamentalmente a câmara municipal a comunicar com fundamento técnico e científico aos cidadãos, não só do concelho, mas da ilha e dos Açores”, avançou.

Além da análise dos documentos produzidos e do aconselhamento da autarquia na divulgação dos resultados, a universidade vai “apresentar propostas para a avaliação e mitigação de eventuais riscos para a saúde pública” relacionados com a contaminação.

O trabalho será desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, com investigadores do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos e do Instituto de Investigação e Tecnologias Agrárias e do Ambiente, liderada pelo professor José Vergílio Cruz, estando já firmadas parcerias com outras “entidades nacionais e internacionais”.

Questionado sobre a desinformação que o município alega existir sobre a contaminação de solos e aquíferos, João Luís Gaspar disse que “tem havido muita discussão”, por vezes até “estéril”.

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