101 Falares com JeitO

A Através editora vem de publicar o 101 Falares com Jeito do académico Fernando Corredoira, tradutor e professor de português..

O livro toca áreas onde quase não há bibliografia: a ação do castelhanismo nas falas galegas na área da semântica, nomeadamente falsos amigos, e nos decalques linguísticos. São esses erros que a simples observação não permite esclarecer.

Alguns exemplos:

As diferenças de uso entre oco/buraco, seguir/continuar, produzir-se/ocorrer, diplomata/diplomático

Decalques como ao melhor, desde logo, mais bem, de não chegares...

Enfim, um livro mui recomendável para construir um formato nacional de língua.

Mais info em: http://www.pglingua.org/agal/atraves-editora/3681-101-falares-com-jeito-de-fernando-vasquez-corredoira

Disponível em: http://www.imperdivel.net/lingua-sociedade/242-101-falares-com-jeito.html e em livrarias de todo o país.

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>101 Falares com JeitO

>A Através editora vem de publicar o 101 Falares com Jeito do académico Fernando Corredoira, tradutor e professor de português..

O livro toca áreas onde quase não há bibliografia: a ação do castelhanismo nas falas galegas na área da semântica, nomeadamente falsos amigos, e nos decalques linguísticos. São esses erros que a simples observação não permite esclarecer.

Alguns exemplos:

As diferenças de uso entre oco/buraco, seguir/continuar, produzir-se/ocorrer, diplomata/diplomático

Decalques como ao melhor, desde logo, mais bem, de não chegares...

Enfim, um livro mui recomendável para construir um formato nacional de língua.

Mais info em: http://www.pglingua.org/agal/atraves-editora/3681-101-falares-com-jeito-de-fernando-vasquez-corredoira

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LIVROS DAS PORTARIAS DO REIN

Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.” Epícuro

______________________________________________________________

LIVROS DAS PORTARIAS DO REINO
Vol. 1 Luís Amaral
Guarda-Mor
500 páginas
ISBN:
Brochado
Portarias do Reino O conjunto dos Livros das Portarias do Reino são um importantíssimo fundo da Torre do Tombo que conserva as mercês régias atribuídas no século XVII, com referências que ilustram não só a época, como os tempos anteriores cujos factos e personalidades também registam. O seu conhecimento confirma, integra e revela os acontecimentos mais notáveis que mereceram o envolvimento da administração pública do império português e o olhar dos soberanos que então nos regeram. Destes livros 8 pertencem ao Reino, 2 à Índia e 2 a África. Relacionam personagens e acontecimentos de um século que marca a mudança dinástica que permite aos portugueses recuperar a coroa nacional. É todo esse constituir de um novo Portugal que fica, mercê a mercê, patente nesta obra que agora se traz a lume. A colecção das Portarias do Reino, cuja publicação agora se inicia, deverá ficar completa no espaço de três anos e ocupará 12 volumes de cerca de 500 páginas cada, incluindo índices onomásticos e geográficos.
O 1.º volume integrará a apresentação da obra pelo Prof. Dr. Bernardo de Vasconcelos e Sousa e, também, a lista de subscritores.

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Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.” Epícuro

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LIVROS DAS PORTARIAS DO REINO
Vol. 1 Luís Amaral
Guarda-Mor
500 páginas
ISBN:
Brochado
Portarias do Reino O conjunto dos Livros das Portarias do Reino são um importantíssimo fundo da Torre do Tombo que conserva as mercês régias atribuídas no século XVII, com referências que ilustram não só a época, como os tempos anteriores cujos factos e personalidades também registam. O seu conhecimento confirma, integra e revela os acontecimentos mais notáveis que mereceram o envolvimento da administração pública do império português e o olhar dos soberanos que então nos regeram. Destes livros 8 pertencem ao Reino, 2 à Índia e 2 a África. Relacionam personagens e acontecimentos de um século que marca a mudança dinástica que permite aos portugueses recuperar a coroa nacional. É todo esse constituir de um novo Portugal que fica, mercê a mercê, patente nesta obra que agora se traz a lume. A colecção das Portarias do Reino, cuja publicação agora se inicia, deverá ficar completa no espaço de três anos e ocupará 12 volumes de cerca de 500 páginas cada, incluindo índices onomásticos e geográficos.
O 1.º volume integrará a apresentação da obra pelo Prof. Dr. Bernardo de Vasconcelos e Sousa e, também, a lista de subscritores.

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Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Um glossário de topónimos serve para mostrar como a mesma origem fonética e linguística pode tomar diversas variantes. destas variantes, algumas esclarecem-nos sobre a forma primitiva da palavra, pondo de lado certas hipóteses ou mesmo explicações que nunca teriam passado pela mente dos eruditos, se as tivessem conhecido. é apenas um caminho, um caminho por entre um rôr de outros.Além disso, põe em pé de igualdade os macro e os microtopónimos, sendo certo que o facto de serem macro ou micro não é uma qualidade de origem nem um destino perpétuo, mas, apenas, um circunstancialismo histórico, por isso mesmo variável. alguns lugares há pouco tempo pequenos, ou mesmo insignificantes, são hoje cidades que rivalizam com as principais do nosso país. e cidades outrora importantes são hoje pouco mais que lugarejos menores, designados por aquilo a que se chama microtopónimos.

O presente Glossário é um trabalho de meia dúzia de lustres, cada lustre cinco anos, disperso por várias bases de dados, umas escritas, outras já electrónicas. baseia-se numa teimosia e num gosto pessoal , que me levou a apontar obsessivamente os lugares por onde ia passando e passo. a minha profissão é uma fonte inesgotável de topónimos, de todos os tamanhos e feitios. e de lendas e lengalengas explicativas, que têm a piada que têm mas não explicam nada. salvo algumas lendas propriamente ditas, ou dignas desse nome: essas têm um fundo de verdade. como distinguir umas das outras, essa é a arte do artista, como soe dizer-se.Com aquelas regras mínimas, que consistem em ressalvar o seu a seu dono, é assim que ponho os meus apontamentos à disposição da rede.

Não é trabalho acabado.Deste esqueleto de nomes, ainda incompleto, irá surgindo, a seu ritmo, o revestimento de carnes e de pele que lhe dará a forma final. se a tanto me ajudar o engenho, a arte e o tempo que os permita.

Os mais curiosos poderão consultar o blogue gémeo Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira http://toponimialusitana.blogspot.com/, onde esse trabalho se faz dia após dia.

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Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Um glossário de topónimos serve para mostrar como a mesma origem fonética e linguística pode tomar diversas variantes. destas variantes, algumas esclarecem-nos sobre a forma primitiva da palavra, pondo de lado certas hipóteses ou mesmo explicações que nunca teriam passado pela mente dos eruditos, se as tivessem conhecido. é apenas um caminho, um caminho por entre um rôr de outros.Além disso, põe em pé de igualdade os macro e os microtopónimos, sendo certo que o facto de serem macro ou micro não é uma qualidade de origem nem um destino perpétuo, mas, apenas, um circunstancialismo histórico, por isso mesmo variável. alguns lugares há pouco tempo pequenos, ou mesmo insignificantes, são hoje cidades que rivalizam com as principais do nosso país. e cidades outrora importantes são hoje pouco mais que lugarejos menores, designados por aquilo a que se chama microtopónimos.

O presente Glossário é um trabalho de meia dúzia de lustres, cada lustre cinco anos, disperso por várias bases de dados, umas escritas, outras já electrónicas. baseia-se numa teimosia e num gosto pessoal , que me levou a apontar obsessivamente os lugares por onde ia passando e passo. a minha profissão é uma fonte inesgotável de topónimos, de todos os tamanhos e feitios. e de lendas e lengalengas explicativas, que têm a piada que têm mas não explicam nada. salvo algumas lendas propriamente ditas, ou dignas desse nome: essas têm um fundo de verdade. como distinguir umas das outras, essa é a arte do artista, como soe dizer-se.Com aquelas regras mínimas, que consistem em ressalvar o seu a seu dono, é assim que ponho os meus apontamentos à disposição da rede.

Não é trabalho acabado.Deste esqueleto de nomes, ainda incompleto, irá surgindo, a seu ritmo, o revestimento de carnes e de pele que lhe dará a forma final. se a tanto me ajudar o engenho, a arte e o tempo que os permita.

Os mais curiosos poderão consultar o blogue gémeo Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira http://toponimialusitana.blogspot.com/, onde esse trabalho se faz dia após dia.

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Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)

Geografia e História
No recente Simpósio internacional sobre História da Geografia e Colonialismo, em Cabo Verde, o tema foi muito debatido. Mas nós o que sabemos a respeito? A África lusófona faz parte desta história. Refresquemos a memória.De que tratou a Conferência de Berlim, o Mapa-côr-de-rosa e o “ultimato” da Grã-Bretanha a Portugal.
Leiam o artigo a seguir.
Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)
Pelos finais de Oitocentos e meados do século XX, o continente europeu mantinha uma posição hegemónica relativamente aos restantes continentes. Esta supremacia advinha do imperialismo. Os países mais fortes da Europa, grandes potências industrializadas, governavam o mundo, que se encontrava dividido em territórios coloniais e áreas geográficas onde exerciam uma forte influência política e económica.
Em todo o continente africano apenas a Etiópia e a República da Libéria, nascida em 1849, eram estados independentes; o resto do território era dominado pelos estados colonialistas europeus.
Na Ásia, os impérios da Turquia, da Pérsia e da China estavam constantemente a ser assediados e ameaçados pelos europeus. A Grã-Bretanha, a Alemanha, a Rússia e a França competiam entre si pelo domínio deste continente, mas a potência dominante na área era indubitavelmente o último desses países.
A supremacia europeia tornou-se possível devido à reunião de três fatores essenciais: a explosão demográfica, o progresso tecnológico e o desenvolvimento económico e financeiro.
As taxas de mortalidade tinham baixado consideravelmente na Europa, por causa da revolução científica e da melhoria das condições de higiene, duas condições que, somadas ao desenvolvimento económico, adiante referido, desencadearam igualmente o aumento da natalidade. A população europeia representava em 1800 cerca de 20 % do total da população mundial, e aproximadamente um século depois dava-se um aumento de 4%, ou mais talvez, se contarmos com a emigração europeia para outros continentes.
A expansão europeia também foi favorecida pelo acentuado desenvolvimento técnico e tecnológico que possibilitou a utilização de novas formas de energia, como o gás e a eletricidade, e a revolução dos transportes, ocorrida entre 1880 e 1885, que disponibilizou a utilização de meios mais eficientes, menos morosos e acessíveis ao transporte de mais carga, tais como o barco a vapor e o comboio, que vieram assim a aproximar as pessoas e os países.
No plano económico, houve na década de 80 do século XIX uma tendência para se voltar às “velhas” políticas protecionistas, abandonando o liberalismo económico, ou livre-cambismo, o que incitou novamente os países da Europa a procurarem novos mercados e matérias primas. Os capitais europeus começaram a ser exportados para as colónias; deste modo, passaram a circular por todo o mundo.
Um dos fatores conducentes a esta posição de hegemonia da Europa foi a superioridade bélica, a qual tornou possível uma expansão colonial assente num número reduzido de efetivos em vastos territórios.
O colonialismo, nesta altura, pode, em linhas gerais, definir-se como uma das grandes consequências da industrialização. Para as nações que estiveram na vanguarda deste processo, as colónias representavam uma faceta indispensável do seu expansionismo económico. A necessidade da posse de territórios coloniais deriva de três ou quatro grandes ordens de fatores: por um lado, como se disse, os espaços ultramarinos representam um mercado onde as potências industrializadas adquirem as matérias-primas de que necessitam; por outro, em época de grande concorrência, as mesmas colónias são mercados onde a metrópole coloca, a preços preferenciais, os produtos transformados ou fabricados; em terceiro lugar, as nações industrializadas utilizavam estas terras para aí enviarem os seus excedentes populacionais, que lhes poderiam causar problemas na dinâmica de desenvolvimento económico ou agitações sociais e laborais; por fim, as colónias são utilizadas para a colocação de capitais (em excedente), gerados pelo processo de industrialização em curso e, desse modo, amplamente rentabilizados.
No início do século XX, a Europa prosseguia o processo de europeização do mundo, mas agora contava já com a concorrência dos Estados Unidos e do emergente Japão, que à semelhança da Europa tiravam partido de uma política de expansionismo territorial para atingir as suas principais metas: o crescimento económico e o poderio político.
Os Estados Unidos entraram numa fase de industrialização logo após o término da Guerra da Secessão (1861-1865), passando automaticamente a poder estar em pé de igualdade com as grandes potências europeias. Os setores de ponta deste desenvolvimento foram as indústrias têxtil, siderúrgica e de produtos alimentares; para além da produção de carvão e extração de petróleo.
O investimento na produção industrial teve sucesso dado que a América dispunha de muita mão de obra proveniente dos imigrantes que da década de 80 do século XIX até aos primeiros anos do século XX, afluíam em grande número à terra de todas as oportunidades. O desenvolvimento americano também se ficou a dever, em parte, à conquista de novos territórios (Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam, Havai entre outros), verificada em grande parte depois da vitória dos americanos sobre os espanhóis em 1898 (Guerra hispano-americana) e à compra do Alasca em 1867.
O Japão, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX procurou acompanhar o ritmo de desenvolvimento das mais pujantes nações europeias, através da criação de infraestruturas, da implementação do ensino e do fortalecimento do exército e da marinha.
Ao tentar avançar com o projeto colonialista, o Japão foi chocar com os interesses da Rússia, que conduziram a uma guerra entre estas duas nações (Guerra Russo-Japonesa, 1870-71), terminada em 1905 com a vitória dos nipónicos, na batalha naval de Tsushima. Com este sucesso, os japoneses tomaram posse da Manchúria e da Coreia, e foi-lhes entregue metade da ilha de Sacalina.
Comparativamente à Europa, tradicionalmente colonialista, as possessões deste dois países eram menores. No final do século XIX, todas as potências coloniais tomaram novos territórios que passaram a explorar segundo um modelo imperialista de tipo capitalista.
O colonialismo era, muitas vezes, feroz e violento, gerando à sua volta a animosidade de alguns dos países dominados onde surgiram sentimentos nacionalistas.
A Conferência de Berlim, ocorrida a 15 de novembro de 1884, foi muito importante para o sucesso do colonialismo. Nesta conferência, catorze países entre os quais se contava Portugal, procuraram chegar a um acordo sobre a partilha de África. De entre as resoluções tomadas nesta conferência, teve lugar de destaque o artigo 35.° do 6.° capítulo das “Conclusões”, que consagrou o princípio da ocupação efetiva. De acordo com o articulado, era reconhecido o direito de as potências possuírem territórios fora das suas fronteiras com a condição de as ocupar efectivamente, estabelecendo populações e administrações de facto.
A Inglaterra era neste período a maior potência colonial, com possessões espalhadas por todos os continentes; em 1877 juntou ao seu vasto império a Índia, a “colónia das colónias”, a joia da coroa inglesa. A França, até ao começo do século XX, dominava a África do Mediterrâneo até ao Congo, e o Sudeste Asiático, para além das Antilhas Francesas e outras pequenas colónias no Pacífico. A Alemanha não tinha propriamente um império colonial; as suas possessões deviam-se a ações de “particulares”, como a Sociedade de Geografia de Berlim; contudo, tomaram posse do Togo, dos Camarões e de algumas regiões da África Ocidental (Sudoeste Africano, hoje Namíbia) e Oriental (Tanzânia, outrora Tanganica). Ocupou também algumas ilhas no Pacífico junto à Nova Guiné (Ilhas Salomão).
A Itália veio a dominar a Etiópia e tentou, sem sucesso, fazer o mesmo com a Eritreia e a Somália; entre 1911 e 1912 ocupou a Líbia. A Bélgica, a partir de 1908, era a potência administrante do Congo depois Zaire. Portugal, por seu turno, tentou dominar outros territórios entre Moçambique e Angola. Trata-se da célebre questão do Mapa-cor-de-Rosa, que reflete bem a competição existente entre as velhas nações coloniais nesta verdadeira corrida à posse de zonas de exploração. Essas pretensões portuguesas à região do “mapa cor-de-rosa” não obtiveram, todavia, êxito.O final do século XIX é profundamente marcado por este processo determinando politicas, motivando aventureiros e marcando o imaginário. Os relatos de expedição a África e a outras terras tão longínquas quanto misteriosas entusiasmaram e admiraram populações. É a época das expedições científicas; do apogeu dos museus de história natural; é a época dos exércitos expedicionários. É, em suma, a época dos grandes projetos ultramarinos e da demonstração da pujança colonialista, manifestada frequentemente através da violência dos países industrializados.
É neste sentido que se explica a questão do falhado “mapa-côr-de-rosa”. A Sociedade de Geografia de Lisboa financiou diversas expedições que percorreram a África meridional, “de Angola à contra-costa” reclamando para Portugal o território dos Macolobos, situado entre Angola e Moçambique. Ora, contra ela levantou-se a oposição da Inglaterra que não admitia interferências no seu projeto colonial que consistia no controlo de um corredor ligando o Cairo ao Cabo. Na sequência de um conflito diplomático, a Grã-Bretanha lança um “ultimato” a Portugal, o qual colocará em crise a monarquia portuguesa.
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Como referenciar este artigo:Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-07-27].
Disponível na www: .

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Geografia e História
No recente Simpósio internacional sobre História da Geografia e Colonialismo, em Cabo Verde, o tema foi muito debatido. Mas nós o que sabemos a respeito? A África lusófona faz parte desta história. Refresquemos a memória.De que tratou a Conferência de Berlim, o Mapa-côr-de-rosa e o “ultimato” da Grã-Bretanha a Portugal.
Leiam o artigo a seguir.
Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)
Pelos finais de Oitocentos e meados do século XX, o continente europeu mantinha uma posição hegemónica relativamente aos restantes continentes. Esta supremacia advinha do imperialismo. Os países mais fortes da Europa, grandes potências industrializadas, governavam o mundo, que se encontrava dividido em territórios coloniais e áreas geográficas onde exerciam uma forte influência política e económica.
Em todo o continente africano apenas a Etiópia e a República da Libéria, nascida em 1849, eram estados independentes; o resto do território era dominado pelos estados colonialistas europeus.
Na Ásia, os impérios da Turquia, da Pérsia e da China estavam constantemente a ser assediados e ameaçados pelos europeus. A Grã-Bretanha, a Alemanha, a Rússia e a França competiam entre si pelo domínio deste continente, mas a potência dominante na área era indubitavelmente o último desses países.
A supremacia europeia tornou-se possível devido à reunião de três fatores essenciais: a explosão demográfica, o progresso tecnológico e o desenvolvimento económico e financeiro.
As taxas de mortalidade tinham baixado consideravelmente na Europa, por causa da revolução científica e da melhoria das condições de higiene, duas condições que, somadas ao desenvolvimento económico, adiante referido, desencadearam igualmente o aumento da natalidade. A população europeia representava em 1800 cerca de 20 % do total da população mundial, e aproximadamente um século depois dava-se um aumento de 4%, ou mais talvez, se contarmos com a emigração europeia para outros continentes.
A expansão europeia também foi favorecida pelo acentuado desenvolvimento técnico e tecnológico que possibilitou a utilização de novas formas de energia, como o gás e a eletricidade, e a revolução dos transportes, ocorrida entre 1880 e 1885, que disponibilizou a utilização de meios mais eficientes, menos morosos e acessíveis ao transporte de mais carga, tais como o barco a vapor e o comboio, que vieram assim a aproximar as pessoas e os países.
No plano económico, houve na década de 80 do século XIX uma tendência para se voltar às “velhas” políticas protecionistas, abandonando o liberalismo económico, ou livre-cambismo, o que incitou novamente os países da Europa a procurarem novos mercados e matérias primas. Os capitais europeus começaram a ser exportados para as colónias; deste modo, passaram a circular por todo o mundo.
Um dos fatores conducentes a esta posição de hegemonia da Europa foi a superioridade bélica, a qual tornou possível uma expansão colonial assente num número reduzido de efetivos em vastos territórios.
O colonialismo, nesta altura, pode, em linhas gerais, definir-se como uma das grandes consequências da industrialização. Para as nações que estiveram na vanguarda deste processo, as colónias representavam uma faceta indispensável do seu expansionismo económico. A necessidade da posse de territórios coloniais deriva de três ou quatro grandes ordens de fatores: por um lado, como se disse, os espaços ultramarinos representam um mercado onde as potências industrializadas adquirem as matérias-primas de que necessitam; por outro, em época de grande concorrência, as mesmas colónias são mercados onde a metrópole coloca, a preços preferenciais, os produtos transformados ou fabricados; em terceiro lugar, as nações industrializadas utilizavam estas terras para aí enviarem os seus excedentes populacionais, que lhes poderiam causar problemas na dinâmica de desenvolvimento económico ou agitações sociais e laborais; por fim, as colónias são utilizadas para a colocação de capitais (em excedente), gerados pelo processo de industrialização em curso e, desse modo, amplamente rentabilizados.
No início do século XX, a Europa prosseguia o processo de europeização do mundo, mas agora contava já com a concorrência dos Estados Unidos e do emergente Japão, que à semelhança da Europa tiravam partido de uma política de expansionismo territorial para atingir as suas principais metas: o crescimento económico e o poderio político.
Os Estados Unidos entraram numa fase de industrialização logo após o término da Guerra da Secessão (1861-1865), passando automaticamente a poder estar em pé de igualdade com as grandes potências europeias. Os setores de ponta deste desenvolvimento foram as indústrias têxtil, siderúrgica e de produtos alimentares; para além da produção de carvão e extração de petróleo.
O investimento na produção industrial teve sucesso dado que a América dispunha de muita mão de obra proveniente dos imigrantes que da década de 80 do século XIX até aos primeiros anos do século XX, afluíam em grande número à terra de todas as oportunidades. O desenvolvimento americano também se ficou a dever, em parte, à conquista de novos territórios (Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam, Havai entre outros), verificada em grande parte depois da vitória dos americanos sobre os espanhóis em 1898 (Guerra hispano-americana) e à compra do Alasca em 1867.
O Japão, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX procurou acompanhar o ritmo de desenvolvimento das mais pujantes nações europeias, através da criação de infraestruturas, da implementação do ensino e do fortalecimento do exército e da marinha.
Ao tentar avançar com o projeto colonialista, o Japão foi chocar com os interesses da Rússia, que conduziram a uma guerra entre estas duas nações (Guerra Russo-Japonesa, 1870-71), terminada em 1905 com a vitória dos nipónicos, na batalha naval de Tsushima. Com este sucesso, os japoneses tomaram posse da Manchúria e da Coreia, e foi-lhes entregue metade da ilha de Sacalina.
Comparativamente à Europa, tradicionalmente colonialista, as possessões deste dois países eram menores. No final do século XIX, todas as potências coloniais tomaram novos territórios que passaram a explorar segundo um modelo imperialista de tipo capitalista.
O colonialismo era, muitas vezes, feroz e violento, gerando à sua volta a animosidade de alguns dos países dominados onde surgiram sentimentos nacionalistas.
A Conferência de Berlim, ocorrida a 15 de novembro de 1884, foi muito importante para o sucesso do colonialismo. Nesta conferência, catorze países entre os quais se contava Portugal, procuraram chegar a um acordo sobre a partilha de África. De entre as resoluções tomadas nesta conferência, teve lugar de destaque o artigo 35.° do 6.° capítulo das “Conclusões”, que consagrou o princípio da ocupação efetiva. De acordo com o articulado, era reconhecido o direito de as potências possuírem territórios fora das suas fronteiras com a condição de as ocupar efectivamente, estabelecendo populações e administrações de facto.
A Inglaterra era neste período a maior potência colonial, com possessões espalhadas por todos os continentes; em 1877 juntou ao seu vasto império a Índia, a “colónia das colónias”, a joia da coroa inglesa. A França, até ao começo do século XX, dominava a África do Mediterrâneo até ao Congo, e o Sudeste Asiático, para além das Antilhas Francesas e outras pequenas colónias no Pacífico. A Alemanha não tinha propriamente um império colonial; as suas possessões deviam-se a ações de “particulares”, como a Sociedade de Geografia de Berlim; contudo, tomaram posse do Togo, dos Camarões e de algumas regiões da África Ocidental (Sudoeste Africano, hoje Namíbia) e Oriental (Tanzânia, outrora Tanganica). Ocupou também algumas ilhas no Pacífico junto à Nova Guiné (Ilhas Salomão).
A Itália veio a dominar a Etiópia e tentou, sem sucesso, fazer o mesmo com a Eritreia e a Somália; entre 1911 e 1912 ocupou a Líbia. A Bélgica, a partir de 1908, era a potência administrante do Congo depois Zaire. Portugal, por seu turno, tentou dominar outros territórios entre Moçambique e Angola. Trata-se da célebre questão do Mapa-cor-de-Rosa, que reflete bem a competição existente entre as velhas nações coloniais nesta verdadeira corrida à posse de zonas de exploração. Essas pretensões portuguesas à região do “mapa cor-de-rosa” não obtiveram, todavia, êxito.O final do século XIX é profundamente marcado por este processo determinando politicas, motivando aventureiros e marcando o imaginário. Os relatos de expedição a África e a outras terras tão longínquas quanto misteriosas entusiasmaram e admiraram populações. É a época das expedições científicas; do apogeu dos museus de história natural; é a época dos exércitos expedicionários. É, em suma, a época dos grandes projetos ultramarinos e da demonstração da pujança colonialista, manifestada frequentemente através da violência dos países industrializados.
É neste sentido que se explica a questão do falhado “mapa-côr-de-rosa”. A Sociedade de Geografia de Lisboa financiou diversas expedições que percorreram a África meridional, “de Angola à contra-costa” reclamando para Portugal o território dos Macolobos, situado entre Angola e Moçambique. Ora, contra ela levantou-se a oposição da Inglaterra que não admitia interferências no seu projeto colonial que consistia no controlo de um corredor ligando o Cairo ao Cabo. Na sequência de um conflito diplomático, a Grã-Bretanha lança um “ultimato” a Portugal, o qual colocará em crise a monarquia portuguesa.
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