curiosidades do Egito

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You probably didn’t know about these facts:

1. In Ancient Egypt, both men and women used makeup.

They believed that makeup had healing powers.

2. Children in Ancient Egypt did not wear clothes until they were teenagers.

3. The Egyptians believed that the Earth was flat, circular, and that the Nile River ran right down the middle.

4. During mummification, the brain was extracted through the nostrils.

5. The only organ left in the body after mummification was the heart, as it was believed to contain the spirit.

6. Toilets were found in several ancient tombs.

7. The oldest dress in the world was found in Egypt and is estimated to be about 5,000 years old.

8. Cleopatra, the last pharaoh of Egypt, was actually Greek.

9. The Ancient Egyptians shaved their eyebrows to mourn the deaths of their cats.

10. They slept on pillows made of stone (only for the dead).

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Alan Swindells

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O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

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O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

É fascinante como o “branding” histórico funciona:

Quando um inglês inventa a máquina a vapor, é Inglês.

Quando um francês escreve sobre a liberdade, é Francês.

Mas quando um navegador português mapeia o mundo inteiro, é apenas um genérico “Europeu”.

Está na hora de acabar com esta versão “troféu de participação” da História e apontar o dedo ao crédito que nos foi roubado:

  • Austrália: Os livros dizem que o Capitão Cook a “descobriu” em 1770. Mentira. Os Mapas de Dieppe já mostravam a costa australiana com nomes portugueses 200 anos antes. Cook chegou atrasado a uma festa que Portugal já tinha mapeado.
  • O Nilo: A história oficial dá o crédito ao escocês James Bruce em 1770. Errado. O jesuíta Pedro Páez chegou à nascente do Nilo Azul em 1618, 152 anos antes. Bruce sabia disto e tentou apagar Páez dos registos. Páez nasceu em Castela, mas formou-se em Goa, partiu sob a Coroa portuguesa e operou inteiramente dentro da estrutura imperial portuguesa. O berço não apaga o enquadramento institucional.
  • Canadá: Celebram Cartier, mas esquecem os irmãos Corte-Real. Sabem por que se chama Labrador? Porque foi mapeado e notificado por João Fernandes Lavrador, um navegador português. O nome dele ficou gravado na geografia, embora muitos tenham esquecido o homem.
  • Afonso de Albuquerque: Conquistou Ormuz, Goa e Malaca entre 1507 e 1511, controlando os três nós estratégicos do comércio global numa década. Redefiniu o equilíbrio de poder no Índico por um século. Se fosse inglês, haveria estátuas em cada capital do mundo e trilogias de filmes. É ensinado, quando é, como uma nota de rodapé.
  • Garcia de Orta: Em 1563, publicou em Goa o primeiro tratado científico europeu sobre medicina tropical e botânica asiática, décadas antes de qualquer equivalente inglês, francês ou holandês. A farmacologia moderna tem raízes directas no seu trabalho. Quase ninguém fora de Portugal conhece o nome.
  • Tibete: O primeiro europeu a cruzar os Himalaias e a provar que a China e o Cataio eram o mesmo lugar foi Bento de Góis em 1602.
  • Batalhas “à Hollywood”: Se a Batalha de Diu (1509) fosse americana, havia uma trilogia de filmes. Uma frota portuguesa minúscula aniquilou uma coligação de Otomanos, Egípcios e reis locais, garantindo o controlo do Índico por um século.

Isto só para enumerar uns poucos exemplos…

*O mundo em 1565, segundo Lopo Homem. Reparem na toponímia e nas bandeiras: não é um mapa “europeu”, é um mapa português. Do Labrador à Austrália (Java la Grande), a ciência náutica falava a nossa língua enquanto os outros ainda não tinham saído da costa*

Nota: esta é uma ilustração moderna baseada na cartografia portuguesa do século XVI, não um fac‑símile original.

Direita aprova “lei das burcas” na especialidade, Esquerda contra – Notícias ao Minuto

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PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS aprovaram hoje, na especialidade, com a oposição da esquerda parlamentar, um projeto conhecido como “lei das burcas”, que se destina a proibir a ocultação do rosto em espaços públicos.

Source: Direita aprova “lei das burcas” na especialidade, Esquerda contra – Notícias ao Minuto

o futuro dos europeus

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See less🚨HEARTBREAKING: A mother holds her son as they are preparing to be executed for not converting to Islam!
Why is everyone silent on this?
COMOVENTE: Uma mãe abraça o filho enquanto se preparam para serem executados por não se terem convertido ao Islão!
Porque é que ninguém diz nada sobre isto?

os 3 vinténs (perder os 3)

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【A CAUSA DAS COISAS】
PERDER OS 3 VINTÉNS
Esta expressão, ainda hoje bem conhecida, teve a sua origem numa pequena moeda de prata, que se pendurava no pescoço das raparigas até ao seu casamento, e que tinha o nome de “amuleto dos três vinténs”. Na noite de núpcias, a mulher casada entregava a moeda furada ao seu marido, tendo daí surgido a expressão “tirar os 3 vinténs”.
Os três vinténs foram cunhados pela primeira vez no reinado de D. Pedro II, e foi cunhada até ao reinado de D. Miguel, que capitulou em 1835, pela convenção de Évora-Monte. Depois disso, a moeda foi desaparecendo gradualmente, embora continuassem em circulação as que tinham sido cunhadas em reinados anteriores. Esta moeda tem um encanto especial para os estudiosos de antropologia cultural, devido ao significado específico que tamanho objeto acabou por obter na expressão popular.
Diz a história que as mães ofereciam às filhas, muitas vezes no dia do nascimento, uma moeda de três vinténs, à qual faziam um pequeno furo por onde passava um fio que permitia pendurá-la ao pescoço da rapariga. Criava-se assim um amuleto para proteger a pureza e virgindade daquela jovem até ao dia do casamento. Apenas nesse dia ela tirava a moeda do pescoço e a entregava ao marido, e só aí a sociedade podia dizer que ela não tinha os três vinténs, ou seja, que era uma mulher casada.
Alguns jovens mais atrevidos aproximavam-se das raparigas e procuravam no pescoço a famosa moedinha. Quando não a encontravam, dizia-se que já tinha perdido os três vinténs. Tinha chegado tarde, ela já tinha marido. Num passado ainda recente, em que a virgindade feminina era atributo indispensável num casamento, continuava em uso a expressão “ter os três vinténs”… ou não.
Mas existe outra hipótese para a origem desta expressão. Em tempos antigos, muitos casamentos eram resultado de arranjos familiares, algo que acontecia em todas as classes sociais. Como havia muito a discutir, desde o dote à boa conduta da noiva, tornava-se necessário um “atestado de bom comportamento”, passado por uma autoridade local. Estes atestados vigoraram até à época do 25 de Abril!
Se a autoridade em questão tivesse dúvidas quanto à virgindade da moça, podia pedir uma certidão de virgindade, e é aqui que entra a moedinha. A certidão era passada pela parteira da terra, que fazia um teste para averiguar o estado da rapariga.
Assim, colocava uma moeda de três vinténs sobre o hímen da jovem. Se esta passasse para dentro, a jovem “chumbava”. Os três vinténs serviam depois como pagamento à parteira, que, se tudo corresse bem, passava depois o Atestado de Virgindade.
Alguns chegaram aos nossos dias, sendo por vezes anedóticos, como no caso de um que está no Arquivo Distrital de Viseu, sem data (embora se creia que seja de início do séc. XIX), que diz: “Eu, Bárbara Emília, parteira que sou de Coira, atesto e certufico pula minha onra, que Maria de Jesus tem as partes fudengas tal e qual como nasceu, insceto umas pequenas noidas negras junto dos montes da crica, que a não serem de nascença, serão porvenientes de marradas de pissa.”
Outro caso anedótico, relatado por uma parteira de Almada: “Eu Maria da Conceição Parteira Diplomada No Concelho De Almada, Declaro Por Minha Onrra Ao Serviço Do Meu Trabalho Que Maria Das Dores Está Séria e Onrrada Têm uns Defeitos Na Coisa Mas Iso Não Quer Dizer Nada São Defeitos Feitos Pelo Trabalho.”
Assim, embora não se saiba ao certo de qual destas situações veio a expressão, sabe-se que tanto a tradição da moeda de três vinténs dada por mães às filhas como a dos Atestados de Virgindade existiram mesmo e estiveram em vigor durante bastante tempo.
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59 anos de jornalismo

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59 anos depois restaurei o contacto, através do Facebook, com o Pedro Castelo, um dos dirigentes da secção de automobilismo do programa Página Um da Radio Renascença em 1967, responsável por ter dado inicio formal à minha carreira de jornalista. Ele já não se lembrava mas mandei-lhe uma crónica dessa recordação do circuito de Vila Real em julho de 1967… há quase exatamente 59 anos em julho O Grande Prémio de Vila Real de 1967 (14º Circuito Internacional) foi marcado pelas vitórias de pilotos britânicos. Na corrida principal de Sport, o vencedor foi Mike de Udy, num Lola T70 MkII. Na categoria de Fórmula 3, o vencedor foi Chris Williams, ao volante de um Brabham BT2.

  • Carlos Santos, que brilhou ao conseguir um excelente 2° lugar na categoria Sport num Lotus 47. [1, 2]
  • Fórmula 3: Chris Williams venceu a corrida de monolugares. O evento contou com a participação de portugueses como Carlos Gaspar e Joaquim Filipe Nogueira em carros Brabham. [1, 2]
  • Carros de Turismo: Nomes lendários do automobilismo português como António Peixinho e Ernesto “Nené” Neves proporcionaram um grande espetáculo aos milhares de espectadores nas ruas transmontanas. [1]14º Circuito de Vila Real 1967 Fórmula V - Um olhar sobre as corridasPM 17 – Poster Circuito Vila Real 1967 – Casa dos Postais

Acabou a sexologia na Rússia – por isso nao ganharaM A GUERRAotícias

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A Rússia vai deixar de reconhecer a sexologia como especialidade médica certificada e criar, a partir do outono, a figura de “médico de longevidade saudável”, no âmbito de uma revisão do registo oficial das profissões de saúde. A alteração consta de um decreto do Ministério da Saúde publicado este fim de semana, noticiou a agência estatal TASS. A partir de 1 de setembro, serão retiradas 16 funções da lista oficial de profissões médicas e acrescentadas 11 novas categorias. Outras três designações deverão ser eliminadas até 1 de setembro de 2028. Diz Viktor Fomin, responsável pela academia médica de formação contínua

Source: Acabou a sexologia na Rússia – ZAP Notícias

AUTONOMIA É ISTO???? Chumbadas na especialidade propostas dos Açores e da Madeira para alterar subsídio de mobilidade – Açoriano Oriental

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

Source: Chumbadas na especialidade propostas dos Açores e da Madeira para alterar subsídio de mobilidade – Açoriano Oriental

A República Islâmica do Irão 2.0 está a chegar. Não vai ser bonito – ZAP Notícias

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A vitória táctica de Trump pode transformar-se numa guerra sem fim. E se há uma lição que os Estados Unidos e Israel deviam ter aprendido nas últimas décadas, é a de que o sucesso militar raramente se traduz em vitória política — em Gaza, no Afeganistão ou, agora, no Irão. O adversário volta sempre. Talvez a resposta à pergunta instintiva “Então, como é que isto acaba?”, no caso do Irão, seja simples: não acaba. Pelo menos, não durante muito tempo, escreve David Ignatius, colunista do The Washington Post, num artigo publicado no Foreign Policy. Provavelmente assistiremos a algum tipo de

Source: A República Islâmica do Irão 2.0 está a chegar. Não vai ser bonito – ZAP Notícias

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

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António Justo

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL

 

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise da alma portuguesa.

 

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

…. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente…

Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu… É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado…

Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente…

O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

 

Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem…

Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas…

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração…

Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear… Tudo se encontra misturado e fraturado…

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer…

O Fim de uma Era

… E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?…

Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10824

 

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS VIVE NO ESPELHO DA ALMA DO PAÍS QUE DEIXOU

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise à alma portuguesa

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março de 2026, aos 83 anos. Mas a frase, assim, despida e objetiva, soa a engano, tal como mentira soa a calmaria depois de uma batalha. De facto, foi-se um homem, um médico, um escritor, mas ficou o vendaval. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente.

Nascido em Lisboa em 1942, numa família da burguesia, cedo percebeu que a literatura era uma insónia, a “insónia dos bons livros “. Mas antes das letras, veio a medicina e a guerra. Chamaram-lhe “herdeiro de Faulkner e Céline”, mas a sua verdadeira genealogia literária forjou-se no limbo, no “cu de Judas” onde esteve destacado como médico durante a Guerra Colonial em Angola, entre 1971 e 1973. Foi lá que aprendeu que a morte não tem épica e que a coragem é, muitas vezes, apenas o medo que se verga. Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Lobo Antunes mais que escrever livros, escrevia autópsias. A sua experiência em Angola não é um tema literário, é o motor de toda a sua inspiração. Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu. O diálogo com a mulher anónima, numa noite de copos, é uma catarse falhada. É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado.

Foi essa a grande fratura que Lobo Antunes denunciou: Portugal, após o 25 de Abril, tratou a descolonização como um assunto administrativo, mas nunca como um trauma coletivo (Havia politicamente muito a esconder que impedia ser-se autêntico!). Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

O que o escritor fez foi uma cirurgia ao imaginário nacional. Durante séculos, Portugal alimentou-se da nostalgia do império, do mito sebástico do “Encoberto” que um dia há de voltar para nos salvar. Mas Lobo Antunes mostra-nos D. Sebastião não como um salvador, mas como uma figura grotesca, um rei menino perdido num país que já não tem trono nem altar. Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente.

Assim, Portugal de Lobo Antunes é um país desorientado. Vive na “sombra da antiga grandeza”, como aponta o seu pensamento, mas sem saber o que fazer dessa sombra. É essa dualidade que nos torna, aos olhos dele, uma nação de melancólicos a viver da consciência da decadência agudizada pela memória do esplendor. O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

Esta frase, que lhe é atribuída, condensa toda a sua visão. Para Lobo Antunes, a identidade portuguesa constrói-se sobre um silêncio espesso. É feita de orgulho, pela gesta dos descobrimentos; de culpa, pela violência colonial; de nostalgia, pelo império perdido; e de silêncio, pela incapacidade de discutir abertamente a guerra e a descolonização e também por de forma desalmada, continuar a afirmar-se ou a distrair-se na narrativa do desassossego de esquerda e de direita.

Esse silêncio, contudo, não é um vazio, mas sim uma presença barulhenta, como ele tão magistralmente descreveu ao constatar “Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falar em mim “. E esses outros são os que ficaram para trás em África, os que regressaram sem chão, os que morreram na guerra, os que viveram a opressão da República e do Estado Novo. O Salazarismo, com a sua cartilha do “Deus, Pátria e Família”, não criou apenas obediência, mas também contenção emocional que perdura. Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem.

A ironia e o humor negro surgem, na sua obra, como a única arma possível contra essa tragédia muda. É o riso de quem já viu o pior e sabe que as palavras são frágeis. Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Compensados economicamente pelos fundos comunitários, os portugueses viram-se confrontados com uma nova forma de perda de soberania. Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas. Esta integração, se por um lado trouxe desenvolvimento, por outro aprofundou o sentimento de insignificância e de decomposição cultural que o escritor já diagnosticava.

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração. Vive na nostalgia cultural, nos manuais escolares, nas comemorações oficiais de dançarinos do poder. Vive também na culpa dos que olham para a história e veem o horror da guerra. Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

Não se pode falar de Lobo Antunes sem falar do seu estilo. A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear. Portugal é, para ele, um país de camadas geológicas expressas no substrato romano, na camada medieval, no basalto do império e no cimento bruto da modernidade europeia. Tudo se encontra misturado e fraturado. Os seus romances funcionam como consciências coletivas confusas, assombradas por fantasmas históricos que irrompem no discurso sem serem convidados.

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer.

O Fim de uma Era

Com a morte de António Lobo Antunes, Portugal perde mais do que um escritor. Portugal perde o seu mais arguto intérprete. Num tempo em que a Europa debate o racismo estrutural, a revisão da história e o lugar dos antigos impérios, a sua obra permanece como um aviso: a memória não se apaga e recalcamento não é solução.

Os móveis continuarão a estalar à noite. As vozes continuarão a sussurrar no interior do silêncio. E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?

Lobo Antunes não nos deu a resposta, mas deixou-nos o espelho. E, como nos seus livros, olhar para ele é sempre um acto de coragem, iminentemente necessário. Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros.

Lobo Antunes deixou-nos um “bom romance “, uma grande obra que nos espelha Portugal.

António da Cunha Duarte Justo

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Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, arde após ataque com mísseis iranianos? – SIC Notícias

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Têm circulado nas redes sociais vídeos e imagens que mostram o Burj Khalifa a arder, após ataques de mísseis iranianos. Será verdade? A SIC Verifica.

Source: Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, arde após ataque com mísseis iranianos? – SIC Notícias