LIBERDADE PERDIDA A U.S. Citizen Deleted His Phone’s Data. Now He Faces a Felony Charge. – The New York Times

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Federal prosecutors charged a man returning to the United States with obstruction because he gave them a passcode that erased his smartphone during a customs search.

Source: A U.S. Citizen Deleted His Phone’s Data. Now He Faces a Felony Charge. – The New York Times

USO E ABUSO DA LINGUAGEM E A REESCRITA DO PASSADO

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USO E ABUSO DA LINGUAGEM E A REESCRITA DO PASSADO

 

Já não bastava reescrever as palavras, mas até já se começa a querer reescrever a memória

 

Já não bastava maquilhar a linguagem, a criada tornou-se auxiliar, o operário colaborador, sem que a realidade se alterasse. Hoje, a questão transcende os nomes porque começamos a querer reescrever a própria memória. Julgamos o passado com o nosso manual moral contemporâneo, esquecendo que os gregos não eram modernos e que Shakespeare não escrevia segundo os nossos códigos. O passado era, de facto, passado.

Estudar História não é perguntar apenas se algo seria hoje aceitável, mas sim como pensavam essas pessoas, que valores e alternativas conheciam. Podemos criticar sem falsificar. Perante clássicos como A Odisseia, em vez de forçar Homero a falar como nós, devemos descobrir o que ele nos diz por ser diferente. Ulisses não é um cidadão de 2026, mas reconhecemo-nos nele porque subsiste nele o fundo mítico da experiência humana que se expressa no regresso, na perda, na vingança e na fidelidade.

Uma cultura verdadeiramente moderna usaria o mito para interrogar o presente, não para o corrigir. O problema surge quando reinterpretar significa “corrigir” e a leitura única é imposta como moralmente autorizada. A censura atual não proíbe, mas dita: “Podes ler, mas deves compreender da maneira correta.” Uma cultura livre preserva a liberdade de interpretar, sem difamar os clássicos para se ajustar ao politicamente correto.

Vivemos na era da informação, mas confundimo-la com conhecimento. Fragmentos sucedem-se em avalanche; a opinião substitui a reflexão e a indignação substitui o argumento. O passado torna-se tribunal onde, em vez de perguntarmos “Como foi possível?”, perguntamos “Como puderam, se hoje sabemos que estava errado?”; desta maneira queremos apenas ter a pretensão de confirmar a nossa “superioridade”. Todas as épocas tiveram as suas cegueiras. Daqui a séculos, olharão para as nossas certezas com o mesmo espanto. Esquecemos que o passado não recebeu o nosso manual de instruções.

Não precisamos de absolver o passado, mas também não de o reescrever. A ambição, a vaidade, o medo e o amor continuam a ser os mesmos; o tirano muda de nome e a praça de rede social, mas a essência perdura. Os clássicos incomodam-nos porque não estão ultrapassados, mas sim por reconhecerem o nosso rosto. A verdadeira atitude moderna é ter imaginação para olhar para nós através dos olhos dele. É preciso humildade porque o passado não é um aluno atrasado à espera da correção; somos nós que seremos passado. Que modernidade é esta que tem medo de escutar Homero ou Shakespeare sem os domesticar? Falta-nos a segurança de dizer: Não penso como tu, mas quero compreender por que pensavas assim e descobrir o que em ti continua a existir em mim.

António da Cunha Duarte Justo
Texto completo argumentativo em Pegadas do Tempo ©: https://antonio-justo.eu/?p=11217
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578

 

VOLTANDO AO ACORDO OROGRÁFICO

Ao ler-se o artigo “O Acordo Ortográfico ainda não pode ser julgado” de Paulo Freitas do Amaral, verifica-se que o artigo é um primor de retórica histórica, mas peca por determinismo tecnológico. Ele olha para as redes de informação como um mero eco do Acordo, quando, na verdade, elas são o seu principal campo de batalha. Longe de tornarem o Acordo irreversível, as novas tecnologias expõem as suas incongruências diariamente, mantendo viva a grafia anterior nos motores de busca e permitindo, pela primeira vez na História, uma flexibilidade ortográfica em tempo real. Se o autor estivesse certo, a inteligência artificial já teria resolvido a questão; mas a realidade é que a IA gera constantemente erros e confusões entre as variantes, provando que o Acordo não é uma realidade cultural consolidada, mas uma norma administrativa em permanente tensão com a prática viva da língua, uma tensão que a tecnologia, afinal, tornou mais visível, e não mais pacífica.

  1. O “argumento da escala temporal” é uma falácia de autoridade ao apelar para a História. Quando afirma que 20 anos são “extremamente curtos” perante “nove séculos”, ele está a cometer um sofisma. Este raciocínio é uma armadilha lógica que torna qualquer crítica eternamente prematura. Se 20 anos são curtos, 50 também o serão, e 100 também, porque a língua tem 900.

O que ele esconde com esta retórica é que a avaliação de um sistema não precisa de séculos. A coerência interna de uma língua avalia-se pela lógica, não pela cronologia. Se eu desenhar um mapa com coordenadas erradas, não preciso de esperar 50 anos para saber que os viajantes se vão perder; posso analisar a geometria do mapa no dia seguinte. O Acordo Ortográfico tem vícios lógicos que são atemporais e que a retórica do autor tenta abafar com a névoa do “tempo histórico”.

  1. A “coerência interna” e o pecado da exceção (O “deus dará”)

O historiador deixa a coerência “ao deus dará”. Coerência interna é a relação previsível entre a fonologia (o som) e a grafia (a escrita), e a relação morfológica entre palavras da mesma família (ex: eletricidade / elétrico). Se a língua não obedece a decretos, porque assume que obedece a este?

O Acordo Ortográfico, na sua aplicação prática, quebrou essa coerência em vez de a aperfeiçoar. Ele eliminou as consoantes mudas (ex: acção, ação), mas apenas quando não são pronunciadas. Contudo, na derivação, essas mesmas consoantes reaparecem porque são pronunciadas: escrevemos ação (sem ‘c’), mas escrevemos acionista ou acionar (com ‘c’? Não, espera, a regra é acionar sem ‘c’ também? Vamos a um exemplo mais claro: contacto, passou a contato em Portugal? Não, a regra diz que se a consoante for pronunciada, mantém-se. Então pacto mantém o ‘c’ porque se pronuncia? Com isto abre-se caminho à confusão.

O exemplo clássico é a dupla grafia de verbos que passaram a ter oscilações caóticas. Como já referi no artigo https://antonio-justo.eu/?p=11083 o que o Acordo fez foi substituir uma ortografia etimológica (com regras claras, ainda que complexas) por uma ortografia fonética superficial, mas cheia de exceções e casuísmos e empobrecimento das pessoas gramaticais. É exatamente o oposto de uma coerência interna, passando a ser uma colcha de retalhos. Ignorar esta análise técnica em nome de “já passou uma geração” é, de facto, deixar o rigor ao acaso.

  1. A confusão entre “sucesso de implementação” e “qualidade sistémica”

O autor do texto troca os campos semânticos propositadamente. Ele diz que não se pode chamar “fracasso” porque as pessoas estão a escrever de acordo com a nova norma. Mas isso é confundir adesão forçada com qualidade linguística.

A escolaridade obrigatória e os dicionários institucionais impõem qualquer norma, mesmo que ela seja má. A questão nunca foi se as pessoas conseguem adaptar-se (elas conseguem porque os humanos são plásticos), mas sim o que se perdeu nessa adaptação. Perdeu-se a transparência etimológica (a ligação ao latim e grego, que ajudava na compreensão de palavras eruditas), perdeu-se a distinção gráfica entre palavras homófonas (ex: cesta e sexta já eram confusas, mas outras surgiram) e, sobretudo, perdeu-se a unicidade da raiz morfológica. Avaliar o sucesso ou fracasso sem passar pelo crivo da funcionalidade cognitiva e pedagógica é um debate vazio. O autor foge desse crivo porque, se o enfrentasse, teria de admitir que a reforma é, na melhor das hipóteses, um mal que atenta contra a lógica da língua.

  1. O “tempo” não cura contradições lógicas

Por fim, a maior fragilidade da posição do historiador é assumir que o tempo é uma espécie de alquimia que transforma o errado em certo. Se uma regra é internamente contraditória hoje, continuará a sê-lo daqui a 100 anos. As pessoas podem habituar-se à contradição porque o cérebro humano normaliza o absurdo, mas isso não faz dela uma boa regra. A História que ele invoca não é um juiz que absolve os erros; é um arquivo que os regista.

Quando ele diz que “a língua não obedece a decretos”, e simultaneamente defende que os decretos devem permanecer só porque foram aplicados, ele está a contradizer a sua própria premissa. Se a língua é orgânica, ela rejeitaria espontaneamente as más soluções. Ora, o que vemos é que a língua não rejeitou porque a tecnologia e a escola a amoleceram. Estamos perante uma língua em estado de “vida assistida”, não de evolução natural.

Em suma, o texto de Paulo Freitas do Amaral é uma magnífica peça de oratória para silenciar críticos, apelando à paciência histórica. Mas a verdade é que um linguista ou um filólogo sério não precisa de esperar 900 anos para saber se uma reforma faz sentido; precisa apenas de olhar para o paradigma verbal, para a derivação sufixal e para a economia cognitiva da escrita. E, nesse olhar, o Acordo revela-se frágil, incoerente e profundamente dependente de “deus dará” – ou, pior, do “deus algorítmico” dos corretores ortográficos. Na qualidade de historiador Paulo Freitas do Amaral pronuncia-se sobre um assunto que não faz parte da sua especialidade e deveria reconhecer que a filosofia da História não deve seguir o cunho político/partidário porque obedece a uma outra lógica.

António da Cunha Duarte Justo

ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578

Continua em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11207

 

AMOR

“Se nada nos pode salvar da morte, ao menos que o amor nos salve da vida.”(Pablo Neruda)

A frase de Neruda é sábia e provoca reflexão! Sugere que, embora o amor não possa vencer a inevitabilidade da morte, ele pode dar sentido, esperança e força para enfrentar a vida.

No entanto, a frase parece incompleta porque não é apenas o amor que nos “salva” da vida. Também a amizade, a fé, os sonhos, a arte, o conhecimento e os propósitos podem tornar a existência mais cheia.

Talvez o verdadeiro sentido da frase esteja em reconhecer que a vida, por si só, pode ser difícil, e que o amor é uma das experiências mais poderosas para a tornar suportável e significativa, sem ser a única.

António da Cunha Duarte Justo

 

bioco em breve nas suas redondezas

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1,762 likes, 53 comments – arquivo__nacional on October 18, 2025: “O BIÔCO era uma peça de vestuário feminino, tendo entrado em uso em 1649, no reinado de D. João IV, segundo alguns autores. Foi proibido pelo Governador Civil do Algarve, Júlio Lourenço Pinto, por um edital de 28 de Setembro de 1892, alegando que podia ser utilizado com fins impróprios, como a infidelidade conjugal. Com efeito, o biôco nessa época ainda estava ligado à prática da prostituição, tendo o jornal O Districto de Faro de 8 de Junho de 1876 noticiado que tinha terminado o uso dos biôcos em Tavira, devido a um edital da administração do concelho, que limitou o seu uso apenas às prostitutas. Um dos opositores à medida imposta por Júlio Lourenço Pinto em 1892 foi o jornalista João Capuz, que iniciou uma forte campanha contra a proibição do bioco no jornal Olhanense». Graças a estas medidas, o biôco começaram a desaparecer da região nos princípios do século XX, embora tenham continuado a ser utilizados em várias localidades, principalmente na vila de Olhão, onde na década de 1930 ainda eram por vezes empregues durante a missa de Domingo. Também houve registo de mulheres que foram multadas e presas em Faro, por continuarem a utilizar aquela peça de vestuário. Em 1922, o escritor Raul Brandão visitou a vila de Olhão durante os estudos para a elaboração da sua obra Os Pescadores, tendo anotado uma descrição do biôco: «É um traje misterioso e atraente. Quando saem, de negro, envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço tem outro realce. Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lagedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado — e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho.» Não é caso único nas vestes tradicionais em território nacional. Nos Açores, por exemplo, até meio do século XX era característico as mulheres usarem o capote, um traje muito semelhante ao biôco, com a diferença de que o capuz, designado capelo, ser de maior envergadura.”.

Source: Instagram

a sorte dos sarracenos

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A pior sorte é alguém querer deixar de ser sarraceno (era uma das formas usadas pelos cristãos da Idade Média para designar genericamente os árabes ou os muçulmanos). Em português o termo é usualmente aplicado especificamente aos árabes que dominaram a Península Ibérica. As palavras “islão” e “muçulmano” só foram introduzidas nas línguas europeias no século XVII. Antes disso utilizavam-se expressões como “lei de Maomé”, maometanos, agarenos (descendentes de Ágar), mouros, etc.. Esta é a realidade de que os tolerantes não querem falar. Em 2026, ainda existem países de maioria muçulmana onde, se abandonares o Islão, podes ser preso, torturado ou morto. Por que crime? «Crime de pensamento». O crime de mudar de opinião. Podes nascer muçulmano, perceber que não acreditas em Deus e o Estado dizer-te: «morre». Isto não é «cultura», isso não é a «religião da paz». Trata-se de homicídio patrocinado pelo Estado por apostasia. E antes que alguém diga «nem todos os países muçulmanos»… Mas o facto de, em 2026, qualquer país ainda aplicar a pena de morte por abandonar uma religião deve repugnar a todos. Não me interessa em que Deus acreditas. Eu não acredito em nenhum. Mas acredito a 100% nisto: ninguém deve ser morto por deixar de acreditar. A liberdade de consciência é um direito humano fundamental. Qualquer religião, qualquer lei, qualquer país que viole isso merece ser duramente condenado. Deixem de se esconder atrás da «islamofobia»; criticar leis que matam pessoas não é ódio. É moralidade básica.May be an image of headscarf and text that says "Exmuslim life: Shut up or die. whisper"

talibanização

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Era bem feito sofrerem a islamização a elite dos que no poder em diversos países, a estão a facilitar, mas infelizmente quem vai sofrer vai ser o povo trabalhador e cumpridor, religioso ou não, que vai ser subjugado e submetido a uma forçada talibanização ou morte…

 

 

German court convicts Iraqi couple of enslaving Yazidi girls – FreedomUnited.org

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An Iraqi couple in Germany is convicted of enslaving Yazidi girls while part of ISIS. The court sentenced the husband to life in prison.

Source: German court convicts Iraqi couple of enslaving Yazidi girls – FreedomUnited.org

A FALÁCIA DA TÁTICA DE OPOR ESPIRITUALIDADE A RELIGIÃO

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A FALÁCIA DA TÁTICA DE OPOR ESPIRITUALIDADE A RELIGIÃO

 

Vivemos um tempo em que se tornou quase um sinal de distinção afirmar que se é espiritual, mas não religioso. A frase, repetida até à exaustão, parece oferecer uma síntese elegante da sensibilidade contemporânea. A espiritualidade surge como experiência livre e autêntica e a religião, como sinónimo de instituição, norma e poder. Esta oposição, porém, mais do que descrever a realidade, revela uma construção ideológica que empobrece ambas e revela segundas intenções.

É verdade que a dimensão espiritual não depende necessariamente da pertença a uma religião (e além disso também dentro da religião há diferentes nuances de espiritualidade). Muitos experimentam transcendência na natureza, na arte ou no amor, sem se identificarem com qualquer tradição. Contudo, reconhecer esta evidência não implica transformar espiritualidade e religião em conceitos rivais.

A cultura contemporânea favorece uma espiritualidade à la carte, moldada segundo preferências individuais, como se o indivíduo pudesse construir sozinho todo o sentido da sua existência. O ser humano, porém, nunca existe isoladamente. Somos constituídos pelo Eu, pelo Tu e pelo Nós. A nossa identidade nasce do encontro e amadurece na pertença. Nenhuma comunidade perdura sem instituições vivas que lhe deem continuidade, memória e estabilidade.

Apresentar a espiritualidade como algo exclusivamente inato e independente de qualquer aprendizagem constitui uma simplificação antropológica errónea. A disposição para a transcendência pode ser constitutiva, mas toda a potencialidade necessita de desenvolvimento. Também a linguagem é inata, mas ninguém nasce a falar; aprende-se no diálogo. O mesmo acontece com a espiritualidade: cresce através da educação, da cultura, da reflexão e, para muitos, da vida religiosa. Facto é que o inato e o adquirido completam-se.

As grandes tradições religiosas representam este património acumulado de sabedoria. Os seus símbolos, ritos e narrativas não são convenções exteriores porque constituem linguagens que ajudaram milhões a interpretar a existência, a enfrentar o sofrimento e a abrir-se ao mistério. Sem estas mediações, a experiência espiritual corre o risco de perder profundidade histórica e ficar prisioneira do instante; sem as instituições já teriam desaparecido.

A antiga máxima latina, “haec oportuit facere et illa non omittere”, exprime este equilíbrio. Não se trata de escolher entre espiritualidade e religião, mas de reconhecer que ambas se enriquecem mutuamente. A espiritualidade oferece à religião a vivência mística interior que impede o formalismo e, por seu lado, a religião oferece à espiritualidade uma memória viva, uma ética e uma comunidade que a preservam do subjetivismo absoluto.

É importante resistir à tentação das falsas alternativas ao serviço de segundas intenões para criarem um mundo caótico favorável ao relativismo que tudo justifica, como se observa no wokismo. Espiritualidade e religião não são inimigas naturais, como pretendem os seus predadores. Quando permanecem unidas, uma alimenta a interioridade e a outra preserva a comunhão e a responsabilidade ética. Separadas artificialmente, ambas empobrecem, pois a espiritualidade dissolve-se num individualismo sem raízes, e a religião degenera num formalismo sem alma.

Ultrapassar esta oposição é reconhecer que o ser humano vive sempre entre a mesmidade e a alteridade, entre a liberdade pessoal e a pertença comunitária. É nessa tensão fecunda que amadurece uma espiritualidade verdadeiramente humana que se torna suficientemente livre para procurar a verdade e suficientemente humilde para reconhecer que ninguém percorre sozinho o caminho do mistério.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11168

 

 

BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA

 

A ameaça pairou sobre os canais de Veneza como uma névoa salobra, indiferente à beleza dos palácios e ao murmúrio das gôndolas remadas. Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.

Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.

Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.

É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.

O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.

E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11163

 

O NEGÓCIO DO ROSTO

Leviandade, a dos que gritam «é livre»
quando o punho do clã lhe cerra a nuca.
Leviandade, a dos que bramam «é estrangeira»
quando o que odeiam é a fêmea em si.

Ambos a usam como bandeira de conveniência,
nenhum lhe pergunta se o véu pesa mais
que o peso da alma que lhe calaram.

Ela é o negócio da religião,
a moeda de troca entre o céu e a terra,
a prova de que o homem é senhor
quando a mulher é só silêncio andante.

Não conseguem ver?
A pressão é mais fina que a seda,
entranha-se-lhe nos ossos
como prece íntima:

«Cobre-te,
que a tua face é pecado;
descobre-te,
que a tua face é escândalo;
sê nenhuma (ninguém),
que assim serás de todos.»

Mas quem defenderá o direito
de ela ser
a autora do seu próprio eclipse
ou da sua própria aurora?

Quem lhe devolverá a tinta do rosto
para que ela pinte o dia
conforme o seu próprio gosto?

Ah, deixai-a rasgar a cortina do templo,
não para ofender deuses,
porque esses são mudos,
mas para que a mulher, enfim,
seja perigo apenas pela sua inteligência,
e não pela covardia do homem
que a esconde.

Que a praça a receba
como rio que ela é:
sem margens,
sem dono,
sem burca.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo©: https://antonio-justo.eu/?p=11154

 

curiosidades do Egito

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You probably didn’t know about these facts:

1. In Ancient Egypt, both men and women used makeup.

They believed that makeup had healing powers.

2. Children in Ancient Egypt did not wear clothes until they were teenagers.

3. The Egyptians believed that the Earth was flat, circular, and that the Nile River ran right down the middle.

4. During mummification, the brain was extracted through the nostrils.

5. The only organ left in the body after mummification was the heart, as it was believed to contain the spirit.

6. Toilets were found in several ancient tombs.

7. The oldest dress in the world was found in Egypt and is estimated to be about 5,000 years old.

8. Cleopatra, the last pharaoh of Egypt, was actually Greek.

9. The Ancient Egyptians shaved their eyebrows to mourn the deaths of their cats.

10. They slept on pillows made of stone (only for the dead).

3 comments from

Alan Swindells

and more

O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

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O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

É fascinante como o “branding” histórico funciona:

Quando um inglês inventa a máquina a vapor, é Inglês.

Quando um francês escreve sobre a liberdade, é Francês.

Mas quando um navegador português mapeia o mundo inteiro, é apenas um genérico “Europeu”.

Está na hora de acabar com esta versão “troféu de participação” da História e apontar o dedo ao crédito que nos foi roubado:

  • Austrália: Os livros dizem que o Capitão Cook a “descobriu” em 1770. Mentira. Os Mapas de Dieppe já mostravam a costa australiana com nomes portugueses 200 anos antes. Cook chegou atrasado a uma festa que Portugal já tinha mapeado.
  • O Nilo: A história oficial dá o crédito ao escocês James Bruce em 1770. Errado. O jesuíta Pedro Páez chegou à nascente do Nilo Azul em 1618, 152 anos antes. Bruce sabia disto e tentou apagar Páez dos registos. Páez nasceu em Castela, mas formou-se em Goa, partiu sob a Coroa portuguesa e operou inteiramente dentro da estrutura imperial portuguesa. O berço não apaga o enquadramento institucional.
  • Canadá: Celebram Cartier, mas esquecem os irmãos Corte-Real. Sabem por que se chama Labrador? Porque foi mapeado e notificado por João Fernandes Lavrador, um navegador português. O nome dele ficou gravado na geografia, embora muitos tenham esquecido o homem.
  • Afonso de Albuquerque: Conquistou Ormuz, Goa e Malaca entre 1507 e 1511, controlando os três nós estratégicos do comércio global numa década. Redefiniu o equilíbrio de poder no Índico por um século. Se fosse inglês, haveria estátuas em cada capital do mundo e trilogias de filmes. É ensinado, quando é, como uma nota de rodapé.
  • Garcia de Orta: Em 1563, publicou em Goa o primeiro tratado científico europeu sobre medicina tropical e botânica asiática, décadas antes de qualquer equivalente inglês, francês ou holandês. A farmacologia moderna tem raízes directas no seu trabalho. Quase ninguém fora de Portugal conhece o nome.
  • Tibete: O primeiro europeu a cruzar os Himalaias e a provar que a China e o Cataio eram o mesmo lugar foi Bento de Góis em 1602.
  • Batalhas “à Hollywood”: Se a Batalha de Diu (1509) fosse americana, havia uma trilogia de filmes. Uma frota portuguesa minúscula aniquilou uma coligação de Otomanos, Egípcios e reis locais, garantindo o controlo do Índico por um século.

Isto só para enumerar uns poucos exemplos…

*O mundo em 1565, segundo Lopo Homem. Reparem na toponímia e nas bandeiras: não é um mapa “europeu”, é um mapa português. Do Labrador à Austrália (Java la Grande), a ciência náutica falava a nossa língua enquanto os outros ainda não tinham saído da costa*

Nota: esta é uma ilustração moderna baseada na cartografia portuguesa do século XVI, não um fac‑símile original.

Direita aprova “lei das burcas” na especialidade, Esquerda contra – Notícias ao Minuto

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PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS aprovaram hoje, na especialidade, com a oposição da esquerda parlamentar, um projeto conhecido como “lei das burcas”, que se destina a proibir a ocultação do rosto em espaços públicos.

Source: Direita aprova “lei das burcas” na especialidade, Esquerda contra – Notícias ao Minuto

o futuro dos europeus

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See less🚨HEARTBREAKING: A mother holds her son as they are preparing to be executed for not converting to Islam!
Why is everyone silent on this?
COMOVENTE: Uma mãe abraça o filho enquanto se preparam para serem executados por não se terem convertido ao Islão!
Porque é que ninguém diz nada sobre isto?

os 3 vinténs (perder os 3)

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【A CAUSA DAS COISAS】
PERDER OS 3 VINTÉNS
Esta expressão, ainda hoje bem conhecida, teve a sua origem numa pequena moeda de prata, que se pendurava no pescoço das raparigas até ao seu casamento, e que tinha o nome de “amuleto dos três vinténs”. Na noite de núpcias, a mulher casada entregava a moeda furada ao seu marido, tendo daí surgido a expressão “tirar os 3 vinténs”.
Os três vinténs foram cunhados pela primeira vez no reinado de D. Pedro II, e foi cunhada até ao reinado de D. Miguel, que capitulou em 1835, pela convenção de Évora-Monte. Depois disso, a moeda foi desaparecendo gradualmente, embora continuassem em circulação as que tinham sido cunhadas em reinados anteriores. Esta moeda tem um encanto especial para os estudiosos de antropologia cultural, devido ao significado específico que tamanho objeto acabou por obter na expressão popular.
Diz a história que as mães ofereciam às filhas, muitas vezes no dia do nascimento, uma moeda de três vinténs, à qual faziam um pequeno furo por onde passava um fio que permitia pendurá-la ao pescoço da rapariga. Criava-se assim um amuleto para proteger a pureza e virgindade daquela jovem até ao dia do casamento. Apenas nesse dia ela tirava a moeda do pescoço e a entregava ao marido, e só aí a sociedade podia dizer que ela não tinha os três vinténs, ou seja, que era uma mulher casada.
Alguns jovens mais atrevidos aproximavam-se das raparigas e procuravam no pescoço a famosa moedinha. Quando não a encontravam, dizia-se que já tinha perdido os três vinténs. Tinha chegado tarde, ela já tinha marido. Num passado ainda recente, em que a virgindade feminina era atributo indispensável num casamento, continuava em uso a expressão “ter os três vinténs”… ou não.
Mas existe outra hipótese para a origem desta expressão. Em tempos antigos, muitos casamentos eram resultado de arranjos familiares, algo que acontecia em todas as classes sociais. Como havia muito a discutir, desde o dote à boa conduta da noiva, tornava-se necessário um “atestado de bom comportamento”, passado por uma autoridade local. Estes atestados vigoraram até à época do 25 de Abril!
Se a autoridade em questão tivesse dúvidas quanto à virgindade da moça, podia pedir uma certidão de virgindade, e é aqui que entra a moedinha. A certidão era passada pela parteira da terra, que fazia um teste para averiguar o estado da rapariga.
Assim, colocava uma moeda de três vinténs sobre o hímen da jovem. Se esta passasse para dentro, a jovem “chumbava”. Os três vinténs serviam depois como pagamento à parteira, que, se tudo corresse bem, passava depois o Atestado de Virgindade.
Alguns chegaram aos nossos dias, sendo por vezes anedóticos, como no caso de um que está no Arquivo Distrital de Viseu, sem data (embora se creia que seja de início do séc. XIX), que diz: “Eu, Bárbara Emília, parteira que sou de Coira, atesto e certufico pula minha onra, que Maria de Jesus tem as partes fudengas tal e qual como nasceu, insceto umas pequenas noidas negras junto dos montes da crica, que a não serem de nascença, serão porvenientes de marradas de pissa.”
Outro caso anedótico, relatado por uma parteira de Almada: “Eu Maria da Conceição Parteira Diplomada No Concelho De Almada, Declaro Por Minha Onrra Ao Serviço Do Meu Trabalho Que Maria Das Dores Está Séria e Onrrada Têm uns Defeitos Na Coisa Mas Iso Não Quer Dizer Nada São Defeitos Feitos Pelo Trabalho.”
Assim, embora não se saiba ao certo de qual destas situações veio a expressão, sabe-se que tanto a tradição da moeda de três vinténs dada por mães às filhas como a dos Atestados de Virgindade existiram mesmo e estiveram em vigor durante bastante tempo.
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59 anos de jornalismo

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59 anos depois restaurei o contacto, através do Facebook, com o Pedro Castelo, um dos dirigentes da secção de automobilismo do programa Página Um da Radio Renascença em 1967, responsável por ter dado inicio formal à minha carreira de jornalista. Ele já não se lembrava mas mandei-lhe uma crónica dessa recordação do circuito de Vila Real em julho de 1967… há quase exatamente 59 anos em julho O Grande Prémio de Vila Real de 1967 (14º Circuito Internacional) foi marcado pelas vitórias de pilotos britânicos. Na corrida principal de Sport, o vencedor foi Mike de Udy, num Lola T70 MkII. Na categoria de Fórmula 3, o vencedor foi Chris Williams, ao volante de um Brabham BT2.

  • Carlos Santos, que brilhou ao conseguir um excelente 2° lugar na categoria Sport num Lotus 47. [1, 2]
  • Fórmula 3: Chris Williams venceu a corrida de monolugares. O evento contou com a participação de portugueses como Carlos Gaspar e Joaquim Filipe Nogueira em carros Brabham. [1, 2]
  • Carros de Turismo: Nomes lendários do automobilismo português como António Peixinho e Ernesto “Nené” Neves proporcionaram um grande espetáculo aos milhares de espectadores nas ruas transmontanas. [1]14º Circuito de Vila Real 1967 Fórmula V - Um olhar sobre as corridasPM 17 – Poster Circuito Vila Real 1967 – Casa dos Postais