Metro quadrado de silêncio – Bruno Nogueira – SÁBADO

Views: 2

As pessoas perderam o respeito pelo silêncio. Não sabem o que fazer com ele, procuram tutoriais na Internet para o encontrar dentro da cabeça, ao mesmo tempo que fecham a janela do YouTube e correm desesperadas à procura de qualquer barulho que as faça sentirem-se menos sozinhas com elas próprias.

Source: Metro quadrado de silêncio – Bruno Nogueira – SÁBADO

dom joão vi afinal morreu envenenado

Views: 3

O Rei D. João VI, morreu em 1826. As suspeitas de que teria sido envenenado foram confirmadas em 2000: embalsamado antes de ser sepultado no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, as vísceras e o coração foram guardadas num pote de cerâmica chinesa o que permitiu fazer análises de fragmentos do seu coração que revelaram a existência de uma quantidade de arsénico suficiente para matar duas pessoas…
Pode ser uma imagem de 1 pessoa
Like

Comment
Share

macau a casablanca da ásia

Views: 0

Paul French, escritor: “Macau era uma ‘Casablanca da Ásia’”.
Assume-se como “um escritor diferente da China”.
O fascínio pelo Oriente nasceu da aprendizagem do mandarim.
Autor de obras como “Midnight in Peking” ou “City of Devils: The Two Men Ruled the Underworld of Old Shanghai”, bestsellers do New York Times, Paul French estará hoje na Livraria Portuguesa, a partir das 18h30 (Nota: no passado dia 3 de Março), para falar da sua obra e das “estranhas histórias da velha Macau” que contribuem para que o território mantenha ainda uma aura de mistério.
– Há muito que escreve sobre a China e vai hoje à Livraria Portuguesa falar do seu trabalho. O que podemos esperar desta conversa?
Vou contar algumas histórias sobre Macau e os portugueses em Macau.
Quando escrevi o livro sobre os gangsters estrangeiros em Xangai nos anos 30 [City of Devils: The Two Men Ruled the Underworld of Old Shanghai], com histórias reais, eu próprio, mesmo conhecendo muito sobre a história de Xangai, fiquei surpreendido com o facto de haver tantos portugueses envolvidos no mundo do crime da cidade.
Geriam clubes nocturnos, investiam dinheiro no jogo.
Outra coisa curiosa, é que eles aprenderam técnicas de jogo em Macau, levaram slot-machines para Xangai a partir de Macau.
Essa é uma ligação interessante que existe entre Macau e Xangai que não é conhecida.
Sempre que falamos de Macau falamos de missionários, diplomatas, mas houve muitas outras pessoas que viajaram para Macau.
Era como um lugar de escape para quem tivesse problemas em Portugal, era um sítio onde se falava a mesma língua [português] e em que se podia escapar à polícia.
– Como teve o primeiro contacto com estas histórias?
Lendo jornais antigos.
Claro que a maior parte destas histórias foram publicadas pelos jornais de Hong Kong ou de Xangai nas edições internacionais.
Muitas destas histórias simplesmente caíram no esquecimento.
Encontrei uma delas numa edição do South China Morning Post de 1936, que dizia que o Japão ofereceu dinheiro a Lisboa para comprar Macau.
Não é uma história muito conhecida, mas é um pouco estranha.
O Japão pensou que Lisboa poderia dizer sim [à venda do território].
Nos anos 30 Macau rendia muito dinheiro a Lisboa e Portugal não estava ao mesmo nível do Reino Unido.
O Reino Unido jamais venderia Hong Kong.
Para o Japão seria uma forma mais fácil de conquistar território na Ásia [caso comprasse Macau].
– Há ainda muito a descobrir sobre a história e as pessoas de Macau? Persiste um certo mistério?
Há muitas coisas por descobrir em Macau, é um território com essa reputação.
Se olharmos para o caos da China nos anos 20 e 30, e para Hong Kong, pouco policiado pelos britânicos na qualidade de colónia, Macau era um sítio muito fácil nesse sentido, era permitido fazerem-se muitas coisas.
Muitos ficavam satisfeitos com isso, os chineses e as pessoas de Hong Kong, por causa dos negócios.
Na II Guerra Mundial Macau passa a ser importante por causa da sua neutralidade e torna-se numa espécie de “Casablanca da Ásia” em termos da presença de espiões, por exemplo.
Macau era o lugar onde os nazis, os japoneses e os chineses se misturaram durante o conflito.
Fiz também muito trabalho sobre os judeus refugiados em Macau.
Durante a II Guerra Mundial, Macau era um lugar fascinante e teve um papel muito importante.
– Porque ficou tão fascinado por este mundo?
Penso que é fascinante para muitas pessoas, mas no meu caso foi devido à língua chinesa.
Estudei chinês no Reino Unido e em Xangai.
Comecei a investigar mais sobre a história dos estrangeiros em Xangai, mas também em Macau e Pequim, e claro Hong Kong despertou sempre um interesse em mim por ser uma colónia britânica na Ásia, e também pela transição.
Mas as histórias de Macau sempre me apareceram sem eu estar à procura delas.
Sempre procurei mais por registos de Hong Kong, e de repente deparei-me com a história de um grupo de portugueses que viveu em Macau nos anos 20 e que tentou começar uma revolução em prol da independência, para criar uma espécie de “República de Macau”, separada de Lisboa.
Era uma operação relacionada com acções de chantagem.
Chegaram ao Governo e disseram: “Vamos começar uma revolução. Dêem-nos dinheiro”.
E até foram bem-sucedidos, puseram notícias nos jornais e tiveram apoio de algumas pessoas.
Havia um sentimento de rebelião no ar, sobretudo no seio dos militares e da marinha devido às condições de trabalho e de estadia, por isso surgiu a ideia de independência, mas toda a operação não passou de uma acção de chantagem.
Esta história apareceu-me assim, do nada….
Há também a história de um refugiado polaco que tentou nadar até Macau e as autoridades portuguesas tentaram empurrá-lo para o lado da China, enquanto ele lutava por chegar ao território português.
Acabou depois por ser enviado para o Brasil.
– A história de Macau está cheia destes episódios. É um território que terá sempre esta ideia de ser “fora da lei”?
Está certa.
Sempre houve um certo mistério e exotismo.
Macau não é como as outras antigas colónias, nomeadamente as britânicas, como Hong Kong ou Singapura, por exemplo.
Lisboa não tinha muito interesse em Macau, tal como não tinha com Goa ou Timor.
Não fazia uma série de coisas, não enviava muitos soldados.
Deixava o território andar ao seu ritmo.
Acabei de reeditar o livro sobre os escritos de Harry Harvey [Where Strange Gods Calls, editado nos anos 20], e o estilo com que descreve a Macau da altura é sempre com ligação aos casinos, diferente de tudo o resto, com a presença do catolicismo.
Isso aparece também em muitos outros escritores, como Ian Fleming nos livros de James Bond, nos anos 60.
Ele descreve Macau quase no mesmo estilo.
O que podemos retirar daqui é que Macau era, de facto, um lugar onde podíamos, de certa forma, escapar às autoridades.
Havia jogo, prostituição, e Lisboa não estava, de facto, a prestar muita atenção.
– Mas a China esteve sempre a prestar atenção e por vezes tirava vantagens disso.
Houve sempre boas relações e Macau manteve-se com administração portuguesa porque havia o interesse no comércio da parte da China.
Temos o exemplo do comércio do ópio, no qual Portugal não estava envolvido.
Era um negócio essencialmente americano.
Todos comercializavam matérias-primas como prata e ouro.
Macau era, para muitos, uma base para entrar em Guangdong.
– Acaba de lançar três novos livros incluídos na colecção “China Revisited”, que contêm histórias de viajantes comuns que vieram para Macau, Hong Kong e sul da China entre os séculos XIX e XX.
Com a pandemia, e sem poder viajar, passei muito tempo na biblioteca de Londres que tem uma boa colecção dos escritos de antigos viajantes em todo o mundo, incluindo a China, na época vitoriana.
Decidi prestar mais atenção a esses escritos, e cerca de 90 por cento são de viagens entre Xangai e Pequim e para a zona mais ocidental da China.
Pensei que seria bom fazer algo com isto, sobretudo relacionado com Macau e a zona de Guangdong.
Os relatos de missionários são, muitas vezes, aborrecidos, então o meu foco era ir além disso.
Tenho o exemplo de Benjamim Harry, um missionário americano que viaja para Hong Kong e que é muito interessante, porque vai a Guangzhou e dá-nos grandes descrições da cidade, que claro que mudou muito, sobretudo nos anos 30.
Foi também o primeiro ocidental a visitar e a escrever sobre a ilha de Hainão, que nessa altura era uma zona ligada à agricultura com plantações de cocos.
Estava muito longe de ser o “Hawai da China” como hoje é conhecida a região.
– O seu trabalho já foi reconhecido pelo jornal New York Times. Alguma vez pensou ter uma carreira internacional?
Penso que sou um escritor da China diferente.
A maior parte das pessoas que escrevem sobre a China são académicos ou jornalistas que vivem algum tempo no país e querem contar o que viram com mais detalhe do que aquilo que publicam nos jornais.
Eu tento fazer algo diferente.
Quero escrever livros que muitas pessoas possam comprar no aeroporto para ler no avião ou na praia quando vão de férias, por exemplo.
Têm acesso à história da China, mas também a boas histórias.
– Está também a trabalhar num livro sobre Wallis Simpson, a mulher divorciada por quem Eduardo VIII abdicou do trono britânico, nomeadamente sobre o período em que viveu na China, de 1924 a 1925. Fale-nos mais deste projecto.
Claro que não é possível crescer no Reino Unido sem conhecer a história de Wallis Simpson.
É uma boa história para mim porque me dá a oportunidade de escrever mais sobre os anos 20 na China e claro que será uma história interessante para as pessoas.
Todos conhecem a história da abdicação do trono, ela sempre foi considerada a mulher mais detestada de sempre, dependendo da perspectiva.
Mas ela é interessante porque há uma série de rumores e notícias falsas sobre o que lhe aconteceu na China.
Wallis foi para lá com o marido da altura, um oficial da marinha americana, e passaram por Hong Kong e Xangai.
Ele era uma pessoa horrível e batia-lhe.
De Xangai ela vai para Pequim onde passa cerca de sete a oito meses num alojamento muito agradável.
Depois Wallis Simpson regressa aos EUA, mas nesse ano em que esteve na China aprendeu muito sobre ela própria, percebendo que não tinha de estar casada com aquele homem, a ser agredida, e que podia ser independente e misturar-se com uma certa elite internacional e cosmopolita.
Tornou-se então naquela mulher para a qual todos olham quando entram na sala, que se move nos círculos da realeza, e foi aí que Eduardo VIII olhou para ela.
Mas o livro vai também contar um pouco sobre a história da China.
May be a black-and-white image of 1 person, outdoors and brick wall
All reactions:

3

Like

Comment
Share

A FALTA DE MÉDICOS

Views: 0

Os Estados não colapsam por fatalidade. « (…) Durante anos a fio, a Ordem dos Médicos atribuiu-se o direito de estabelecer o número de médicos que o país deveria ter — necessariamente aquém das necessidades mas adequado a proteger os interesses dos já em exercício. Os estivadores, por exemplo, também funcionam assim, segundo este princípio corporativista de auto-regulação do mercado de trabalho.
Para entrar nas Faculdades de Medicina, elas próprias limitadas, foram estabelecidas mé¬dias tão disparatadamente altas que miúdos com médias de 18 e 19 tiveram de renunciar à sua vocação ou de se ir formar no estrangeiro, ficando depois por lá, em muitos casos.
Agora, um médico e ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, penitenciando-se também a ele próprio, veio afirmar que a Ordem dos Médicos passou anos a enganar os governos dizendo que havia médicos suficientes no país. Mas, segundo ele, pela frente vamos ter cinco anos terríveis de falta de médicos, entre os que se vão reformar e o tempo que vai ser preciso até que novos cheguem ao serviço. Quem responde por isto?
Também um estudo de Pedro Pita Barros e Eduardo Costa, agora divulgado, concluiu que todos os novos profissionais que António Costa se gaba de ter contratado para o SNS entre 2015 e 2018, bem como o milhão de horas extraordinárias pagas aos médicos nos hospitais públicos, serviram apenas para compensar o défice causado pela passagem do horário de trabalho na Função Pública de 40 para 35 horas semanais (e de que nem todos os médicos beneficiam). Não há milagres.
A demagogia tem sempre um preço, e os Estados não colapsam por fatalidade. (…)»
[Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 10/03/2023]
May be an illustration
Like

Comment
Share

CARNAVAL 1909

Views: 0

Aqui vai este relato do carnaval de 1909. Como o artigo era demasiado grande para o enviar no formato original resolvi copiá-lo mas a versão é integral. É interessante notar-se que há referência às modinhas do continente (as chamadas modas novas) o que põe de lado a teoria de estas terem sido introduzidas pelos deportados políticos.
CARNAVAL I
( “O Graciosense” – nº 249 – 28 de Fevereiro de 1909 )
Correu desanimado este ano o carnaval na rua, especialmente nesta vila, onde não houve jogo de entrudo nem se viu uma única máscara durante os dias. As soirées animadíssimas, acabando quase sempre de manhã, deram conta das entrudadas a farinha e água, das cavalhadas, das alegorias, etc.
Na Praia organizou-se uma grande mascarada em que entraram umas 14 meninas vestidas com muito gosto. O cortejo que se compunha de 7 carros e alguns cavaleiros, percorreu na tarde de 3ª feira as freguesias da Praia e Luz.
No Sul houve grande entusiasmo em mascaradas e bailes populares.
OS BAILES
O Club 1º de Dezembro, deu 5 bailes, sendo todos muito concorridos e animados, mas com especialidade o da terça feira foi um verdadeiro encanto.
As danças variadas e animadíssimas eram apenas interrompidas de hora a hora para serem servidos doces, chá, porto e licores.
Com especialidade das 2 horas às 7 da manhã, a animação e alegria foram extraordinárias, feéricas, enchendo toda a assistência de um bom humor e bem estar que vivificava.
Nalgumas das modinhas populares do continente, muito em voga entre nós, e que entremeavam as quadrilhas, lanceiros, polcas, mazurcas, valsas, etc., chegaram a entrar 30 senhoras, das quais algumas cantavam com graça, boa voz e muito gosto.
As gentis meninas Guadalupe, Esmeralda e Ester, respectivamente filhas dos nossos amigos senhores António da Cunha Silveira e Manuel da Silva Barbosa, recitaram poesias.
Mr. Philippe Lappeman, distinto cavalheiro Belga, de visita nesta ilha, cantou muitíssimo bem alguns trechos de óperas.
Na 4ª feira às 7 horas da manhã um grande número de senhoras e cavalheiros fizeram-se fotografar em grupo no jardim do Club.
Depois disto dançou-se com grande entrain a última quadrilha que terminou às 8 horas.
No 1º baile tocou quase sempre ao piano a exmª senhora D. Matilde Magalhães que gentilmente a isso se prestou, por o pianista contratado, um originalíssimo ratão que por aí apareceu há meses, dizendo vir de Lisboa e ser aluno laureado do conservatório, se fingir doente para não dar a perceber que pode muito bem saber fazer barbas ou bater sola, mas que de piano e música nada percebe.
É um triste Gato de Botas que por aí anda, tornando-se divertido com as suas inofensivas intrujices a ver se apanha alguns patacos para passar a vidinha.
No 2º dia de baile ainda ele se apresentou, e não houve remédio se não sentar-se ao piano, mas com a declaração de que só tocaria quadrilhas carnavalescas à moda de Lisboa!!!
E realmente assim foi. Os gritos desordenados do pobre piano foi tudo o que se deu de mais carnavalesco, como as caretas horríveis que fazia o pateta enquanto batia desordenada e estupidamente no teclado.
Foi tal a risota provocada por aquela música diabólica, que o homem, percebendo-se apanhado, fugiu sem capa nem chapéu, e até hoje ninguém mais o viu!
Nas outras soirées tocou ao piano a distinta pianista D. Rosália Ramalho, sendo alvo de grandes manifestações de simpatia, como bem as merece.
No salão da sociedade Filarmónica Liberdade houve também 5 soirées muito concorridas e animadas. Tocou a orquestra da sociedade.
O Club Progressista deu os bailes do costume, tocando ao piano o simpático jorgense sr. José Moniz de Lacerda.
Os salões de baile foram durante as noites constantemente visitados por grupos de mascarados, alguns muito bem vestidos e espirituosos, cumprindo-nos especializar o nosso amigo sr. Manuel Inácio de Barcelos, na 2ª feira, que apresentou um originalíssimo tipo de fidalga antiga, natural de Faiões e Senhora de Odivelas…uma magnífica D. Zelia Zarapata de Arraiolos.
All reactions:

You and 7 others

5 comments

  • Carlos T C Bettencourt

    Muito interessante, verdadeira festa, com nível e animação, mesmo sem as máscaras !
    Já nesse tempo apareciam os arrivistas, uns sérios e com nível, outros os charlatões habituais. Abraço
  • Ondina Duarte

    Muito interessante.Gosto muito de saber coisas do passado.A minha Avo Materna contava-me muitas coisas sobre as dancas antigas.Obrigada
  • Andrea Melo

    Muito bom!
  • Marisa Pereira

    Isto é espantoso! Onde se situavam os clubes mencionados?
    • Like

    • Reply
    • 4 m
    • Edited
  • Alcinda Leal

    Esses clubes aqui referidos são os de hoje, com nomes diferentes? Ou extinguiram-se e os actuais surgiram mais tarde?
    É um relato muito interessante que nos dá a conhecer um Carnaval com festejos diferentes. Obrigada por nos informar. Beijinho
Like

Comment
Share

Bolieiro diz que vai negociar diplomas “caso a caso” incluindo para orçamento de 2024 – Jornal Açores 9

Views: 2

O presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) explicou hoje que, com o fim dos apoios de incidência parlamentar e da maioria absoluta no parlamento, negociará os diplomas “caso a caso”, nomeadamente o orçamento de 2024. “Não apresentaremos instrumentos geradores de instabilidade, designadamente uma moção de confiança. Os outros farão o que entenderem, mas pelas declarações […]

Source: Bolieiro diz que vai negociar diplomas “caso a caso” incluindo para orçamento de 2024 – Jornal Açores 9

a greve dos funcionários judiciais

Views: 0

Quando uma pessoa é alvo de um crime quem o recebe e escuta num tribunal é um oficial de justiça, que tem o “dever de disponibilidade permanente”e que estão obrigados a responsabilidades fulcrais como o segredo de justiça. O salário? 800 euros. 5,71 euros à hora. Vários têm 2 empregos, alguns num supermercado.
Só nos delirantes cartazes da extrema-direita liberal isto seria socialismo. É mesmo capitalismo. Um empresário – imaginemos, da construção – , faz um negócio com o Estado. E se há um diferendo? À partida esse negócio é feito com uma cláusula que se houver um diferendo ele será decidido por uma Arbitragem privada. A justiça em Portugal é célere e rápida para as grandes empresas porque criaram uma justiça entre elas e entre elas e o Estado.
Nós ficamos, em média, à espera 12 a 14 anos (tempo de decisão dos tribunais administrativos), mas uma grande empresa soluciona em dias ou meses o assunto.
A greve dos funcionários judiciais não só exige salários e carreiras. Condenam a ausência de acesso à justiça. Denunciam publicamente que o governo criou serviços especializados de violência doméstica para as vítimas nestes crimes onde…faltam funcionários para a normal tramitação destes processos urgentes… Uma ação comum cível custa 612 euros só para dar entrada – se houver perícias pode chegar a 4 mil euros.
Há 15 anos que a carreira destes funcionários está congelada – congelado é um eufemismo para isto – as instâncias financeiras, que gerem toda a economia, estão falidas (garantidas pelo Estado através da dívida “pública”). As carreiras de gestores, acionistas, consultores, progridem insanamente.
A greve – que o governo quer limitar ainda mais proibindo-a, como de facto fez com os professores – é a atos contabilísticos e diligências/audiências não urgentes. A greve é claro um ato civilizatório contra a decrepitude de justiça. O Chega, que diz vir combater a corrupção, nunca contestou os baixos salários do país. O PS vai dando, nos media, palco ao Chega, enquanto paga a dívida pública e nos diz que estamos entre duas espadas – ou aceitamos que cortar salários é a única opção de uma sociedade ou vem lá o fascismo. Estas greves mostram-nos que há outras alternativas – lutar por direitos numa sociedade livre e igual.
O Socialismo a sério só poder ser assim: igualdade e liberdade. A greve é um serviço mínimo prestado a todos nós.
Sabia que? - Região de Cister
REGIAODECISTER.PT
Sabia que? – Região de Cister
A greve dos funcionários judiciais não só exige salários e carreiras. Condenam a ausência de acesso à justiça. Raquel Varela Quando uma pessoa é alvo de um crime quem o recebe e escuta num tribunal é um oficial de justiça, que tem o “dever de disponibilidade permanente”e que estão obr…
All reactions:

Maria Cantinho and 70 others

anthero vai ter descanso

Views: 1

Finalmente, o Antero vai finalmente descansar, agora vamos aguardar pela surpresa da nova estátua na sua nova morada
No photo description available.

Ponta Delgada – Junto ao Convento da Esperança.
A estátua da Madre Tereza da Anunciada foi desmontada e colocada no interior do convento. Outra é hoje inaugurada, mas acima da escadaria da igreja.

All reactions:

1

Like

Comment
Share

VICTOR RUI DORES SOBRE Chrys Chrystello memória e mundividência

Views: 1

VICTOR RUI DORES SOBRE
Chrys Chrystello memória e mundividência
Publicado a 07/03/2023
Chrys Chrystello
memória e mundividência
Cavaleiro andante por amor à literatura, J. Chrys Chrystello, ex-jornalista e ex-professor, investigador, cronista, poeta, tradutor, editor e promotor dos Colóquios da Lusofonia, continua a escrever com os olhos da memória.
Acabo de ler dois livros deste autor: um de crónicas, Liames e Epifanias Autobiográficas, ChrónicAçores V (1949-2005), uma Circum-Navegação (Letras Lavadas edições, 2022); o outro de memórias, Alumbramento: Crónicas do Éden, ChrónicAçores VI (2005-2021), uma Circum-Navegação (2005-2021), (Letras Lavadas edições, 2022).
Falar de Chrys Chrystello é falar de um cidadão participativo, de um pensador livre e frontal, de um espírito inquieto e irrequieto, de uma voz incómoda e incomodada e, acima de tudo, de um homem da mundividência e do multiculturalismo, exemplo de bom gosto, saber científico e paciência. O bom gosto nasce do amor que ele de há muito vem dedicando aos Açores e à sua literatura. O saber científico é fruto de uma vida inteira dedicada à investigação. A paciência, tendo como tem muito de treino e vontade, só floresce quando é posta ao serviço de uma causa em que se acredita. É o caso dessa monumental Bibliografia Geral da Açorianidade (Letras Lavadas edições, 2017), em dois volumes, fruto de um amplo, criterioso e extensíssimo levantamento bibliográfico (19.500 entradas) levado a cabo, durante 7 anos, por este luso-australiano, e que só pode ser a prova provada e comprovada de uma pujança editorial e de uma indiscutível identidade cultural açoriana.
De resto, Chrys Chrystello já havia dado boa conta de si com a publicação, entre outras, das seguintes obras: ChrónicAçores: Uma Circum-Navegação de Timor a Macau, Austrália, Brasil, Bragança até aos Açores (Calendário de Letras, 2011) e Crónica do Quotidiano Inútil (Calendário de Letras, 2012), com uma segunda edição revista e aumentada com aquele mesmo título, mas agora com o subtítulo de 50 anos de vida literária (Letras Lavadas, edições, 2022), que reúne os seus textos poéticos – uma poesia do real, militante e de combate, que denuncia as verdades ilusórias e renuncia às máscaras de um quotidiano alienante.
Mas é sobre os dois livros, assinalados no segundo parágrafo deste escrito, que aqui me proponho tecer alguns breves olhares. Num e noutro, Chrystello, observador infatigável do que se passa à sua volta, pega em momentos do real para os transformar em matéria narrativa.
Sentindo a usura do tempo e acionando os retroativos da memória, o autor convoca, invoca e evoca pessoas, lugares, coisas e acontecimentos marcantes que povoam o seu imaginário, isto é, tudo aquilo que lhe ficou suspenso na memória telúrica. Recorda geografias afetivas: Porto, Trás-os-Montes, Bragança, Timor, Bali, Austrália, Macau, Médio Oriente, Brasil, Açores. Lembra viagens inesquecíveis. Atenta e argutamente observa e ironiza o real. Faz crítica social e política. Navega sonhos e utopias. Desdenha (d)as novas mitologias do “quotidiano inútil”. Pugna pela liberdade e pela justiça social. Defende a língua portuguesa, ele que é poliglota. Dialoga com poetas e escritores. Lança olhares sobre livros e obras de arte. Celebra a vida e a amizade. Questiona o destino do homem no palco do mundo. Preocupa-se com os infortúnios dos outros. Acima de tudo, reflete sobre a condição humana.
Estamos perante dois livros de grande espessura evocativa porque registos de uma escrita da memória. Sobretudo em Liames e Epifanias Autobiográficas, o autor analisa minuciosamente algumas das suas experiências vividas, sentidas, sonhadas e evocadas. E, prosador vernáculo que se esmera no cultivo da língua de Camões, escreve com ritmo discursivo e fluência narrativa. Da Lomba da Maia (hoje, seu microcosmo de referência) para o Mundo.
Horta, 7/3/2023
Victor Rui Dores
RELATED
no dia do livro português escolha livros da AICL
https://www.lusofonias.net/aicl-projetos.html projetos AICLCOLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA) publicação de livros e antologias AICL outros livros e edições Timor vol. 1 da trilogia (Port) Timor vol. 1 da trilogia (Port) Timor vol. 2 da trilogia (resumido) Timor vol. 3 da trilogia 3 volumes da trilogia 3760…
26/03/2021
In “livros literatura convites books”
pão por deus, dia de finados e outras tradições retirado de chrónicaçores – uma circum-navegação
“pão por deus, dia de finados e outras tradições retirado de chrónicaçores – uma circum-navegação (https://www.lusofonias.net/…/chronicacores-VOL-3-vol…) pao por deus e outras tradições em ChronicAçores
31/10/2019
In “chronicaçores”
memórias soltas de Mogadouro in ChrónicAçores uma circum-navegação vol 2 de 2011
Memórias de Mogadouro
02/05/2022
In “chronicaçores”
Esta entrada foi publicada em chronicaçores por CHRYS CHRYSTELLO. Ligação permanente.
Deixe um comentário
Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.
Política de privacidade Criado com WordPress
LUSOFONIAS - Lusofonias.net o portal da Lusofonía a AICL e os seus Coloquios
LUSOFONIAS.NET
LUSOFONIAS – Lusofonias.net o portal da Lusofonía a AICL e os seus Coloquios
AICL – Associação Internacional dos COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

Diocese de Angra suspende padres suspeitos de abusos sexuais a menores – Diário da Lagoa

Views: 0

Um padre de São Miguel e outro da ilha Terceira ficam “impedidos do exercício público do ministério” até à conclusão da investigação.

Source: Diocese de Angra suspende padres suspeitos de abusos sexuais a menores – Diário da Lagoa

Dissolução do parlamento dos Açores é questão que não se coloca neste momento – Jornal Açores 9

Views: 0

O Presidente da República afirmou na quinta-feira à noite que a dissolução do parlamento dos Açores face à perda de apoios do Governo Regional é uma questão que não se coloca neste momento. Em entrevista à RTP e ao Público, previamente gravada no Palácio de Belém e divulgada na quinta-feira à noite por estes dois órgãos […]

Source: Dissolução do parlamento dos Açores é questão que não se coloca neste momento – Jornal Açores 9

Prisão preventiva para três suspeitos de roubos na cidade de Ponta Delgada – Jornal Açores 9

Views: 1

Três homens ficaram em prisão preventiva por serem suspeitos de três crimes de roubo na cidade de Ponta Delgada, nos Açores, “sob ameaça de armas brancas”, a alegadas vítimas vulneráveis, anunciou hoje a PSP. De acordo com um comunicado de imprensa do Comando Regional da PSP, os três homens têm idades entre os 38 e […]

Source: Prisão preventiva para três suspeitos de roubos na cidade de Ponta Delgada – Jornal Açores 9