Circular a mais de 180 km/h pode vir a ser crime. O que isso significa – ZAP Notícias

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O Governo quer criminalizar a circulação a velocidades extremas, comportamento que constitui atualmente apenas uma contraordenação. A mudança poderá implicar tribunal, registo criminal e penas mais pesadas, mas os limites e sanções ainda não estão definidos. O ministro da Administração Interna admitiu esta quarta-feira que circular a partir de 180 ou 200 quilómetros por hora (km/h) pode passar a ser considerado crime no novo Código da Estrada, que está já 70% estabilizado. “Setenta por cento do novo Código da Estrada está praticamente estabilizado”, revelou Luís Neves numa conferência de imprensa, em Lisboa, sobre sinistralidade rodoviária. Além de “medidas muito concretas”,

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Deputado do Chega licenciado em Harvard só fez duas cadeiras na prestigiada universidade – Política – Correio da Manhã

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Escola de verão da prestigiada universidade norte-americana contou para a licenciatura em Ciência Política do parlamentar do Chega.

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Atirador da Baixa de Lisboa detido pela PSP. Bala perdida atingiu turista sueca que comprava pastéis de nata – Portugal – Correio da Manhã

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Suspeito era visado em processo de violência doméstica. Foi apreendida uma caçadeira.

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Países que não existiam há 30 anos: Kosovo, Ucrânia, Timor-Leste e o novo mapa do mundo

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34 países surgiram no mapa depois de 1990. Kosovo, Ucrânia, Timor-Leste e Sudão do Sul são peças fundamentais da geopolítica atual. Entenda como o mapa do mundo mudou radicalmente.

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islão religião de paz e escravos (vamos converter já…

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fuga ao fisco de chicos-espertos

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HÁ UMA CASTA NESTE PAÍS QUE HABITA UM LIMBO DOURADO, ALGURES ENTRE A MORAL DE PALANQUE QUE APREGOAM NOS ECRÃS E A CONTABILIDADE CRIATIVA QUE PRATICAM NOS BASTIDORES.
São os paraquedistas da notoriedade, os comentadores de cachet avultado, os políticos profissionalizados que mudam de tribuna conforme o tacho, os treinadores de elite e os artistas da praça que transformaram a pátria numa mera folha de excel para otimização de lucros.
Enquanto o Zé Povinho — o Zé dos recibos verdes, o assalariado que desconta até ao último cêntimo logo na fonte, o pequeno comerciante afogado em taxas — vê o cerco do Fisco apertar-se sem margem para respirar, o Olimpo mediático desfruta de uma impunidade de veludo. E o mais escandaloso não é apenas a engenharia financeira que desenham para fugir às obrigações fiscais; é o silêncio ensurdecedor, a omissão criminosa com que os órgãos de comunicação social onde essas mesmas estrelas trabalham abafam os seus escândalos, varrendo para debaixo do tapete judicial as condenações, as coimas e os acertos milionários com a Autoridade Tributária.
Vejamos o caso recente que nos serve de espelho, protagonizado por figuras como Sérgio Sousa Pinto. Saído dos longos anos de corredores parlamentares e da tribuna socialista, onde acumulou mandatos e discursos sobre a justiça social, o ex-deputado encontrou nos estúdios da TVI, da CNN e da Rádio Observador um refúgio dourado de rentabilidade estelar.
Em 2025, a sua empresa unipessoal — a SPMSP, criada com uns modestos mil euros de capital social e sem qualquer ativo fixo tangível, pois o único produto à venda é a sua própria voz e opinião — faturou perto de 174 mil euros.
Através desta elegante pirueta contabilística, em vez de receber os rendimentos por via do trabalho dependente ou de recibos verdes comuns, o ilustre comentador canalizou a verba para a sua microempresa, pagou-se um ordenado moderado e reteve dezenas de milhares de euros em lucros empresariais dentro da sociedade. As contas revelam uma poupança fiscal superior a 33 mil euros face ao que pagaria um cidadão comum na mesma situação. É perfeitamente legal, dizem os manuais da astúcia fiscal.
Mas perante a ética republicana que tanto proclamou, como se justifica esta fuga ao esforço contributivo comum?
Contudo, Sousa Pinto é apenas a ponta de um icebergue nauseabundo que há muito corrói a justiça em Portugal.
Quando o Fisco decide descer à arena dos intocáveis, descobre-se um deserto de abusos que a comunicação social finge não ver.
Olhemos para Manuel Luís Goucha, o apresentador estrela da TVI, apanhado pelas malhas da Autoridade Tributária após ceder gratuitamente à sua empresa os direitos de imagem, transformando rendimentos de trabalho em lucros corporativos.
O tribunal arbitral não perdoou e aplicou a cláusula geral antiabuso, exigindo ao apresentador perto de 1,2 milhões de euros entre IRS em falta e juros compensatórios.
Ou tomemos o exemplo de Fernando Santos, o campeão europeu que, através da empresa Femacosa, faturava os serviços prestados à Federação Portuguesa de Futebol pela equipa técnica nacional. O tribunal foi implacável: concluiu que se tratava de uma prestação pessoal e infungível, resultando numa fatura colossal de quase 4,5 milhões de euros em impostos omitidos e juros.
E o que dizer da artista plástica Joana Vasconcelos, cujas manobras societárias para gerir a venda de obras colidiram com o regime da transparência fiscal, gerando acertos milionários de 1,5 milhões de euros?
Nem Cristina Ferreira escapou à devassa, quando o Fisco descobriu que a sua empresa financiava despesas particulares — desde a construção e decoração da habitação privada até vestuário, viagens e produtos alimentares —, forçando a uma recategorização implacável desses gastos como adiantamentos de lucros tributados.
E quando pensávamos que o desfile de privilégios tinha atingido o seu zénite, surge o caso de Luís Neves, o eterno “homem forte” da investigação que saltou da Direção Nacional da Polícia Judiciária diretamente para o cadeirão de Ministro da Administração Interna.
Mas, como diz o povo, a missa ainda vai no adro. Enquanto Neves se pavoneia nas vestes ministeriais, a Ministra da Justiça, Rita Júdice, viu-se obrigada a ordenar uma auditoria e uma averiguação interna à sua gestão na PJ, num cerco que se aperta a cada dia.
Não se trata apenas de suspeitas vagas; Luís Neves prepara-se para enfrentar o julgamento do Tribunal de Contas por infrações financeiras graves cometidas sob a sua batuta na Judiciária.
Este é o retrato fiel do paraquedismo de elite: saltam de cargo em cargo, de diretor a ministro, enquanto deixam para trás um rasto de irregularidades que a máquina do poder tenta abafar. Resta saber se, desta vez, a averiguação ordenada chegará ao fundo do poço ou se será apenas mais um capítulo no livro da impunidade dos que mandam. Uma coisa é certa: o país está atento e não aceitará que a justiça se detenha à porta do Ministério.
Estes nomes não são exceções pitorescas; são o sintoma de um sistema podre onde a elite mediática acredita genuinamente que as leis da República se aplicam apenas aos plebeus.
O que verdadeiramente revolta a consciência cívica não é apenas a sofisticação da chico-espertice fiscal, mas o pacto de silêncio que a protege.
Quando um cidadão comum incumpre com as suas obrigações fiscais, o seu nome corre nos jornais, o estigma social consome-o e a justiça cai-lhe em cima com todo o peso.
Mas quando os comentadores residentes, os apresentadores de prime-time, os treinadores idolatrados ou os políticos reconvertidos são condenados nos tribunais arbitrais ou fiscalizados implacavelmente, os microfones dos canais onde trabalham emudecem miraculosamente.
As redações que rasgam as vestes diariamente a exigir transparência nacional transformam-se em fortalezas de amnésia quando o visado veste o colete de alta-visibilidade da casa ou pertence ao clube dos intocáveis do comentário político.
Esta esquizofrenia informativa revela a profunda colonização da comunicação social pelas suas próprias estrelas. Como pode um comentador que otimiza fiscalmente os seus rendimentos através de artifícios societários manter a autoridade moral para criticar o Estado social nos ecrãs de televisão?
Como podem os conglomerados mediáticos ocultar sistematicamente os processos e condenações fiscais dos seus rostos mais lucrativos, violando o princípio elementar de que a informação deve ser servida ao público sem peias nem favores?
Chegou a hora de acabar com este apartheid fiscal e informativo.
A justiça tem de deixar de ser cega para os ricos e implacável para os pobres. Se um trabalhador sem padrinhos paga até ao último cêntimo de imposto sobre o suor do seu rosto, estas estrelas da política, da bola e da televisão têm de ser tratadas exatamente da mesma maneira, sem privilégios de microfone, sem proteções corporativas e sem impunidade disfarçada de legalidade rebuscada.
Esta cultura do privilégio, alimentada por uma casta que se julga acima do escrutínio, é o que verdadeiramente asfixia a democracia. Não se trata apenas de euros e cêntimos; trata-se da integridade do sistema. Quando um comentador político, que passou décadas a legislar e a definir as regras para os outros, escolhe a via da “otimização” agressiva assim que a sua própria carteira está em jogo, ele está a dizer ao país que as regras são apenas para os totós que não têm acesso a estúdios de televisão.
O silêncio das televisões e rádios perante as condenações fiscais dos seus ativos mais valiosos é uma traição ao dever de informar.
É a prova de que, para certas empresas de comunicação, o lucro e a proteção da imagem das suas estrelas valem mais do que a verdade e o interesse público.
É urgente que o Ministério Público e a Autoridade Tributária não se deixem intimidar pelo brilho das luzes da ribalta.
A justiça fiscal tem de ser pedagógica: deve mostrar que ninguém, por mais influente que seja, está fora do alcance da lei.
O país real, o Portugal que trabalha de sol a sol, que sulca a terra ou cumpre horários duros nas fábricas e escritórios, exige que a lei seja igual para todos.
Sem excepções, sem desculpas, sem engenharias de última hora e, acima de tudo, sem o silêncio cúmplice daqueles que usam o poder da comunicação social como um escudo protetor contra o Fisco.
A cidadania não é um fato à medida que se veste apenas quando as câmaras estão ligadas; é uma obrigação contínua que se prova, sobretudo, na hora de pagar a conta comum.
Se todos somos iguais perante a lei, então que os nomes destas estrelas figurem nos editais da justiça com o mesmo destaque com que figuram nos cartazes das audiências.
Só assim teremos um país a sério e não a “Alice no Pais das Maravilhas!”
João Marvilla / Economista

VN Gaia: diretor municipal exonerado devido a alegada falsa licenciatura – Portugal – SÁBADO

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Uma alegada falsificação de habilitações académicas levou a câmara de Luís Filipe Menezes a afastar o ex-adjunto do vice-presidente e atual diretor municipal de habitação (que defende ter havido um incêndio na faculdade, que destruiu registos)

Source: VN Gaia: diretor municipal exonerado devido a alegada falsa licenciatura – Portugal – SÁBADO

Uma alegada falsificação de habilitações académicas levou a câmara de Luís Filipe Menezes a afastar o ex-adjunto do vice-presidente e atual diretor municipal de habitação (que defende ter havido um incêndio na faculdade, que destruiu registos)

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Uma alegada falsificação de habilitações académicas levou a câmara de Luís Filipe Menezes a afastar o ex-adjunto do vice-presidente e atual diretor municipal de habitação (que defende ter havido um incêndio na faculdade, que destruiu registos)

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Uma alegada falsificação de habilitações académicas levou a câmara de Luís Filipe Menezes a afastar o ex-adjunto do vice-presidente e atual diretor municipal de habitação (que defende ter havido um incêndio na faculdade, que destruiu registos)

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OS ESPANHOIS MANDARAM SEBASTIAO I PARA FRANÇA

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Sabe mesmo onde morreu o rei D. Sebastião? Em Limoges ou Marrocos – Túmulo e medalha achados em França Em 1904, foi publicado em França um opúsculo da autoria do abade Hubert Texier, em que este descreve que nas “escavações na igreja do mosteiro agostiniano de Limoges, foi encontrada entre os ossos humanos, uma medalha de ouro em volta da qual se lia Sebastianus primus Portugaliae rex. Esta medalha levava uma estátua de pedestre em traje de monge. Via, examinei-a (…) “.
Gandra destaca o relato do abade Texier, referindo que a medalha se encontrava “num túmulo de pedra de granito, ao lado de um esqueleto muito bem conservado. Portanto, não se pode atribuir a sua presença no lugar a um puro acaso.”
Para Gandra, a descoberta atesta, pois, de modo formal que Sebastião foi para França; que morreu tarde e findou a vida no mosteiro dos Agostinhos de Limoges; e que aí foram depostos os seus restos mortais.
Manuela Goucha Soares May be an image of York Minster

As pessoas já nem ligam: Ricardo Araújo Pereira no lugar do gatuno no gabinete de Ventura

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Será que eram os originais que estavam lá? E era preciso criar aquela desordem? E o “historial de encenações” no Chega.

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Rússia interceta drone “desafiante”. O que se sabe sobre Tekever e o AR3? – Notícias ao Minuto

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A Tekever é a empresa portuguesa responsável pelo AR3, o veículo aéreo não tripulado [UAV, na sigla em inglês] destruído pela Rússia na região fronteiriça de Briansk. A empresa foi recentemente selecionada pelo ministério da defesa do Reino Unido para o sistema de vigilância Corvus.

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é um tanque!!!!!Procuradoria Europeia investiga contratos da PJ na liderança de Neves – Notícias ao Minuto

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A Procuradoria Europeia está a investigar os contratos de obras adjudicados por Luís Neves com a Construbarcelos enquanto era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ). A entidade europeia também já contactou a Direção Nacional da PJ para que fossem fornecidos os documentos sobre os vários contratos.

Source: Procuradoria Europeia investiga contratos da PJ na liderança de Neves – Notícias ao Minuto

São Miguel com novos autocarros e a marca AzoresBus a partir de 1 de setembro – Notícias que contam

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A concessionária Vale do Ave Açores investe 14 milhões de euros e junta mais de 100 autocarros e 130 trabalhadores à concessão pública de 44,3 milhões de euros promovida pelo Governo regional.

Source: São Miguel com novos autocarros e a marca AzoresBus a partir de 1 de setembro – Notícias que contam

Novo modelo de transportes introduz linhas expresso – Açoriano Oriental

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

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CEUTA E O TEATRO DAS NARRATIVAS

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CEUTA E O TEATRO DAS NARRATIVAS

50.000 almas entre o desespero e o xadrez geopolítico

Não eram cinquenta, nem quinhentas, mas sim cinquenta mil. Cinquenta mil almas que, enquanto o tempo abre e fecha os olhos, transpuseram a cerca que separa África da Europa, para, no dia seguinte, regressarem a Marrocos como se o mar tivesse devolvido aquilo que a terra emprestara. A imagem é tão surreal como a rapidez com que se desenrolou o tufão. Para o observador distraído, foi uma vaga migratória. Para o olhar crítico, um espelho que reflete as tensões submersas do Magrebe e, por arrasto, um aviso sombrio de que as fronteiras, quando abandonadas à geopolítica, se podem tornar em pólvora seca, tal como a Ucrânia nos ensinou.

A indiferença ou, mais provavelmente, a ação calculada das autoridades marroquinas torna evidente que não estamos perante um acaso climatérico ou uma falha de segurança. Rabat está irritado pelo restabelecimento de laços amigáveis entre Espanha e a Argélia, que é a sua rival histórica no tabuleiro norte-africano. Marrocos vê a aproximação de Espanha a Argélia, como uma provocação direta. Se a geopolítica é a arte de fazer o inimigo dançar, Ceuta foi o palco agora escolhido e as 50.000 pessoas, infelizmente, são apenas coreografia involuntária. O rasto das pegadas na areia não leva ao mar; leva, inequivocamente, aos corredores do poder em Marrocos.

Todavia, a questão não é, nunca foi, apenas migratória. No horizonte, o Saara Ocidental emerge como um fantasma que recusa descansar em paz. Ao facilitar a cidadania espanhola aos saharauis, que são os habitantes indígenas desse território disputado, Madrid atirou um dado sobre a mesa que Marrocos não podia ignorar. Apoiado pela Argélia, o movimento Polisário é a espinha dorsal da indignação marroquina. Assim, a crise de Ceuta não é uma crise de refugiados; é uma crise de soberania e de orgulho nacional ferido, que usa vidas humanas como massa de manobra numa negociação que se quer silenciosa, mas que explode em praça pública.

É aqui que o discurso público se desvirtua e a informação se transforma em arma de arremesso. Bruxelas tece indignações hipócritas, condimentadas com lágrimas de crocodilo, enquanto analistas de gabinete especulam sobre ligações obscuras entre Washington, Telavive e Rabat. Diz-se que Marrocos decidiu desestabilizar o governo de esquerda espanhol em retaliação pelas críticas de Madrid a Israel na Faixa de Gaza e aos ataques dos EUA ao Irão, ou pela resistência ibérica em aumentar aceleradamente as despesas de defesa perante as exigências de Trump. Haverá um fio condutor que liga a pressão sobre o défice militar à abertura súbita das portas de Ceuta? Esta especulação, por mais sedutora que seja, corre o risco de servir apenas os moinhos de quem procura simplificar o complexo. A verdade é que transformar 50.000 jovens desesperados num instrumento de chantagem diplomática revela uma crueldade tão gritante que ultrapassa qualquer intenção política racional.

Os rumores, esses, acrescentam pólvora ao debate. A ideia de que Israel ajudaria Marrocos a “recuperar” Ceuta e Melila para punir a Espanha circula nos bastidores como moeda corrente. Mas, mais do que a veracidade destas intenções, difícil de provar e fácil de desmentir, importa perceber quem as divulga e com que propósito. A informação, hoje, muitas vezes não ilumina porque deslumbra e cega. As redes sociais amplificam o eco da fronteira “aberta”, transformando o desalento estrutural dos jovens marroquinos, que veem no mar mais oportunidades do que na sua própria pátria, num espetáculo mediático que desvia o olhar do elefante na sala: a falta de oportunidades endémica nos países de origem e a hipocrisia europeia perante o drama humano, que só se comove quando as imagens entram pela sala de estar dentro.

Ceuta é, pois, o reflexo de um mundo onde as cortinas da geopolítica escondem palcos de miséria. As fronteiras, recordemo-lo, devem ser marcadas por boas relações entre vizinhos e não por notícias escandalosas ou informações manipuladas que procuram levar a água aos moinhos de agendas alheias. Ao lermos os factos, exijamos clareza: não nos deixemos afogar na espuma dos dias, mas antes aprendamos a ver o fundo do abismo, mas sem ganhar vertigens. Porque enquanto as grandes potências jogam xadrez com os territórios, os peões, esses cinquenta mil, continuam a olhar para o mar, não como uma fronteira, mas como a única promessa ténue de um futuro que, na terra firme, lhes foi negado.

Segundo fontes oficiais espanholas, pelo menos 67 pessoas morreram durante este episódio específico, que levou à chegada de cerca de 50.000 pessoas à cidade. Em 2026 morreram oficialmente 97 pessoas na tentativa de alcançar Ceuta. Números oficiais apontam para 46 mortos em 2025.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11257
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578

A NATUREZA DO DESAFIO – POLÍTICA CAMUFLADA DE RELIGIÃO

 

O debate sobre a diversidade nas sociedades europeias tem sido dominado por um discurso predominantemente emocional, onde qualquer análise estrutural sobre as diferentes matrizes culturais é rapidamente rotulada de intolerância. Ora, a defesa de um ecumenismo genuíno e da rica diversidade humana é um bem inestimável; contudo, a abertura desmedida, quando desprovida de consciência histórica, pode transformar-se numa perigosa abdicação do biótopo civilizacional europeu.

 

É imperativo reconhecer uma diferença ontológica: o Islão não é apenas uma religião no sentido ocidental do termo, ou seja, como um espaço privado de crença separado da esfera política. O Islão é, sobretudo, um projeto político e jurídico completo, camuflado de religiosidade, cujo grande mérito histórico foi unificar tribos árabes díspares sob uma identidade cultural coesa. Esse feito notável, no entanto, constitui uma provocação silenciosa para culturas mais abertas e individualistas, como a europeia.

 

A fragilidade do Ocidente reside na sua tendência para enfraquecer as suas próprias bases identitárias em nome de uma diversidade abstrata. Esta postura ingénua favorece a afirmação hegemónica de um Islão que define a dignidade da pessoa não pela sua individualidade, mas exclusivamente pela pertença ao grupo. Esta é uma antropologia de gueto, que cria laços de solidariedade interna fortíssimos, mas que se revela impermeável à sociedade civil envolvente.

 

Há ainda uma convergência trágica: o socialismo ideológico abre-lhe as portas porque vê no indivíduo uma função abstrata, o proletariado, uma visão que coincide com a redução da pessoa a mero membro da umma (comunidade islâmica). Esta aliança tácita entre o internacionalismo progressista e a estratégia identitária islâmica serve uma agenda comum fatal. A finalidade dessa agenda comum é decompor as comunidades tradicionais europeias para as substituir por estruturas de poder maleáveis. A civilização islâmica não é, por si só, um “inimigo”, mas torna-se um perigo real para a civilização ocidental e para o catolicismo quando encontra no socialismo um aliado mais interessado em corroer do que em edificar.

 

A ilusão de que o Islão é “domesticável” ou de que se adequará, passivamente, ao secularismo europeu é uma crença frágil, que não tem em conta a sua origem desértica. Uma cultura treinada ao longo de séculos a afirmar as forças de sobrevivência, onde a geografia árida apenas permitia miragens, desenvolveu uma esperteza adaptativa que as culturas dos vales férteis, habituadas à abundância, raramente conseguem igualar. A Europa, que se debate internamente com o verme da decadência, exalta a diversidade pela diversidade, abrindo assim as gretas por onde a cunha identitária alheia se introduz.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11243

 

 

O QUE UNE O ISLÃO E DIVIDE A EUROPA: LÍNGUA RITUAL E ANTROPOLOGIA

 

Um dos fatores mais negligenciados no debate sobre a coesão social é o elemento linguístico e ritual. Enquanto a Igreja Católica, com o Concílio Vaticano II, optou por abandonar o latim na liturgia, o islão manteve o árabe como língua litúrgica comum, da Índia ao Egito. A repetição diária das suras do Alcorão, em escolas e mesquitas, cria uma universalidade intrínseca e uma pertença transnacional que a Igreja Católica perdeu ao democratizar excessivamente o rito. A defesa do latim na parte mística da missa é hoje questionada, mas não constitui mero saudosismo; seria antes um elemento estratégico de unidade doutrinal, um sinal externo capaz de gerar um sentimento de pertença forte numa época de fragmentação, visibilidade que, de resto, o Papa tem procurado recuperar.

 

No plano antropológico, a resiliência do islão radica, sobretudo, na afirmação inequívoca do princípio masculino sobre o feminino na dinâmica social. O Ocidente, mantendo um patriarcalismo mental por vezes inconsciente, mas contestado por ideologias concorrentes, acaba por acomodar internamente formas de machismo que reduzem a feminilidade a uma função reprodutora ao serviço do crescimento do grupo. Neste sentido, a Europa necessitaria de repensar a sua antropologia numa direção que integrasse verdadeiramente o princípio feminino, pacífico e agregado, com o princípio masculino, estruturador e assertivo, em vez de os colocar em conflito, como sucede quando estes modelos coexistem sem mediação e, com esta prática fortalece ainda mais a masculinização da matriz ocidental sem que se contribua para uma maior valorização da feminilidade no islão .

 

A ambivalência europeia perante este fenómeno decorre, em parte, de uma confiança excessiva numa certa fadiga de pensamento, ou seja, a crença de que a história avança pela verdade, quando com frequência avança, quantitativamente, pela persistência e até pela distorção. Nesta leitura, o islão, oriundo de regiões áridas, chegaria ao “vale” fértil da Europa com uma energia sustentada pela consciência de grupo, forjada em contextos históricos de escassez; a Europa, por sua vez, instalada na abundância, tenderia a subestimar a intensidade dessa mesma consciência de grupo enquanto fator de sobrevivência e afirmação civilizacional. A construção de um diálogo genuíno exigiria, nesta ótica, que a Europa recuperasse a ligação às suas próprias raízes e princípios, superando a acomodação intelectual.

 

Note-se, aliás, que a ambivalência bastante característica do Islão não lhe é exclusiva porque instituições, religiosas, políticas, ideológicas, podem também, de forma mais ou menos deliberada, usar a ambiguidade doutrinal, social ou comportamental como estratégia de sobrevivência. O uso da ambivalência permite apresentar, consoante a audiência e o contexto, a face mais aceitável da doutrina, para efeitos de legitimação externa, diálogo inter-religioso ou relações diplomáticas, mantendo em reserva, para uso interno, interpretações mais rígidas ou instrumentais.

 

No islão é consensual o udo da distinção entre suras mecanas (reveladas antes da Hégira, geralmente mais breves, de tom espiritual, escatológico e conciliador) e a de suras medinenses (reveladas depois, quando Maomé passou a liderar uma comunidade política e militar em Medina, com conteúdo legislativo e também, relacionado com conflito armado). O uso de umas ou outras suras permite a ambivalência no uso estratégico que permite expressar a face mais bela da doutrina em argumentações ad extra, quando a nível interno se usa a interpretação mais dura. Daqui a razão de quando radicais islâmicos praticam atentados, o povo e as autoridades do islão geralmente se absterem de tomar partido e de fazer declarações inequívocas. Também os assassinos se sentem com razão porque encontram a sua ação coberta pelo Corão e como este foi ditado a Maomé deixa de ser de mão humana.

 

A presente reflexão dirige-se, pois, ao islão institucional, às suas estruturas hierárquicas e de poder e não aos muçulmanos enquanto tal. Esta distinção decorre do próprio enquadramento analítico adotado, centrado na analogia da dinâmica entre civilizações (e relações entre instituições onde se deveria pressupor bilateralidade política e cultural) e não em juízos sobre indivíduos ou comunidades religiosas.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11246

 

A ESTRATÉGIA SEGUIDA NO TERRENO: GUETOS E O LIMIAR DOS 10%

 

A teoria encontra a sua verificação mais dura na prática quotidiana. Durante a minha experiência enquanto porta-voz dos estrangeiros em Kassel (35.000 estrangeiros), pude observar, uma certa permeabilidade inicial nas relações entre trabalhadores islâmicos (Gastarbeiter) e autóctones. Com o decorrer dos anos e com o reagrupamento familiar a posição islâmica no Conselho de Estrangeiros foi-se afirmando e a sua consciência institucional tornou mais visível uma radicalização identitária e um certo impedimento de misturas sociais. Impedia-se, discretamente, que mulheres islâmicas participassem em discussões populares, fechando-se o grupo sobre si mesmo e quando havia eventos reduziam-se à comparência dos habituais homens das associações.

 

Há um provérbio árabe que sintetiza esta atitude: “Eles beijam a mão que não podem cortar.” Isto significa que, enquanto são minoria frágil, adaptam-se; mas quando ultrapassam um determinado limiar demográfico, tradicionalmente referido pelos sociólogos como o patamar dos 10% da população, a estratégia muda. Organizam-se em guetos e, quando alcançam relevância política, a tolerância que lhes foi concedida vai-se transformando na exigência de submissão dos outros. O povo é muito amável, o problema mais impeditivo de uma integração intercultural vem do poder que as organizações em torno das mesquitas exercem sobre os seus correligionários.

 

Nestes guetos, preserva-se um totalitarismo social que, passadas centenas de anos, pode adquirir poder territorial, como aconteceu na Jugoslávia. A esperteza do Islamismo passa por assumir os vícios das populações onde se instala, enquanto o catolicismo, preso a ideais de virtude, apenas adquire apoio quando está disposto a melhorar os hábitos alheios, o que raramente acontece. Em África, de carácter animista, os chefes locais sentem que o Islão lhes dá mais oportunidades de poder e riqueza através da poligamia e da posse, seguindo a lei natural do mais forte.

 

Numa sociedade ocidental de carácter patriarcal mitigado, o Islão torna-se uma base de afirmação superior do homem sobre a mulher. Este apelo ao instinto machista inconsciente pode contribuir duma maneira geral para que o espírito masculino, enraizado nas instituições, acolha o Islão como benfazejo. A permissividade das autarquias europeias, que consentem a aplicação da Sharia no direito comum (como já se vê em Inglaterra) ou que fecham os olhos aos haréns no Norte de África sem questionamento feminista, favorece a decomposição da cultura europeia.

 

Quem recusa uma análise diferenciada do Islão e da sua estratégia intrínseca, nascida de uma antropologia tribal, não estará interessado em diálogo autêntico e construtivo. Não se trata de rejeitar o outro, mas de compreender que a democracia exige reciprocidade. A Europa precisa de acordar do seu torpor e compreender que a sua sobrevivência cultural passa por uma esperteza que recupere a ligação à terra e a consciência da sua própria identidade, sem a qual se tornará mero território arável para projetos alheios.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11253

Novo paradigma para os Transportes Públicos Rodoviários na ilha de São Miguel – Comunicação – Portal

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