Dramaturgo açoriano Norberto Ávila morre aos 85 anos – Jornal Açores 9

O dramaturgo, romancista e poeta Norberto Ávila, natural da ilha Terceira, nos Açores, morreu em Lisboa, com 85 anos, revelou hoje o presidente da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia. “Era um dramaturgo esquecido nos Açores, mas homenageado no mundo, em várias línguas. As suas peças foram representadas em vários países”, destacou à agência Lusa […]

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morreu o nosso Norberto Ávila, sem nos dizer nada…

esta foi a homenagem que os colóquios lhe fizeram enm 2015 na Graciosa E 2016 MONTALEGRE

em abril pela primeira vez faltou ao nosso colóquio de Belmonte por já não se sentir bem….será lembrado por todos nós

Sidonio Bettencourt

MORREU NORBERTO ÁVILA… QUE TRISTEZA….
Surpreendido e triste com a morte de Norberto Ávila, um dos grandes dramaturgos portugueses de sempre, Terceirense apaixonado por São Jorge. Morreu há dias em Lisboa na sua solidão de escrita. Só agora se soube da notícia. Pouco importa. Importa sim, que perdemos um Homem um grande amigo, um autor com uma grande obra, diversificada e complementar. Vou ter muitas saudades do Norberto, da sua fina ironia, o seu rigor, as suas histórias, a sua competência. A sua generosidade imensa. Vou ter saudades das nossas tertúlias poéticas, com o Aires Reis, com o Belarmino Ramos, com os nossos amigos jorgenses no jardim Francisco Lacerda, ou sobre as árvores na Fajã de São João. Morreu um grande Açoriano.
Dramaturgo, romancista, contista e poeta português, nascido em Angra do Heroísmo, Açores, a 9 de setembro de 1936.
De 1963 a 1965 frequentou, em Paris, a Universidade do Teatro das Nações. Criou e dirigiu a revista Teatro em Movimento (Lisboa, 1973-75). Chefiou, durante 4 anos, a Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura; abandonou o cargo em 1978, a fim de dedicar-se mais intensamente ao seu trabalho de dramaturgo.
Traduziu obras de Jan Kott, Shakespeare, Tennessee Williams, Arthur Miller, Jacques Audiberti, Junji Kinoshita, Valle-Inclán, Fassbinder, Blanco-Amor, José Zorrilla e Liliane Wouters.
As obras dramáticas de Norberto Ávila, maioritariamente reunidas na coletânea Algum Teatro (20 peças em 4 volumes, Imprensa Nacional-Casa da Moeda) têm sido representadas em diversos países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Coreia do Sul, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia e Suíça. Títulos mais divulgados, nacional ou internacionalmente: As Histórias de Hakim, O Marido Ausente, A Ilha do Rei Sono, O Rosto Levantado, Arlequim nas Ruínas de Lisboa, Florânia ou A Perfeita Felicidade, D. João no Jardim das Delícias.
A atividade literária de Norberto Ávila abrange porém outros géneros, como o romance – No Mais Profundo das Águas, (sobre Antero de Quental e a Geração de 70), A Paixão Segundo João Mateus (Romance Quase de Cordel), em que se recria a oralidade popular da ilha Terceira, e Frente à Cortina de Enganos (inédito) – , estando em preparação (em 2014) o seu primeiro livro de contos. É ainda autor do livro de poemas Percurso de Poeta (Prémio Natália Correia, 1999, edição de autor, 2000). S.B.
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    Pedro Paulo Camara

    Não pode ser!!! Tão, tão triste! Ainda há dias falávamos nos seus projetos futuros! 🙁
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    • 1 m

situação séria, aterrar um cessna

Artigo de opinião de Henrique Costa Santos, publicado na revista Visão em 16 de Maio de 2022.
Uma situação séria.
Somos, aliás, todos ateus até que a pessoa do outro lado do telefone não percebe as instruções à terceira.
Da próxima vez que estiver perto de bradar aos céus porque o interlocutor não está a apanhar as indicações, lembre-se desta aterragem.
Esta semana, um passageiro sem qualquer experiência de pilotagem conseguiu aterrar um avião no maior aeroporto da Flórida, com o piloto desfalecido a seu lado.
No registo áudio divulgado pelo Live Air Traffic, conseguimos ouvir o passageiro a dizer à central de controlo
“estou aqui numa situação séria. O meu piloto está incapacitado e eu não faço ideia de como pilotar um avião”.
Por favor, pense nisto antes de voltar a dizer que está perante uma situação séria.
Habemus herói.
A primeira resposta que obteve ao pedir ajuda pelo rádio foi “Qual é a sua localização?”.
Mas o passageiro, no instante piloto, também não fazia ideia.
“Consigo ver a costa da Flórida”.
Maravilhoso.
Robert Morgan, o controlador de tráfego aéreo que recebeu a comunicação, decidiu dar-lhe instruções sobre como aterrar o avião – nunca tendo, também ele próprio, pilotado uma aeronave daquele modelo.
Em tempo real, procurou uma imagem do painel de instrumentos do Cessna 208 e improvisou uma lição de voo, encaminhando-o até ao aeroporto internacional de Palm Beach – o local próximo com a pista mais larga possível.
Há uma ideia famosa, simplificação de uma discussão teológica, que afirma: “somos todos ateus até que o avião começa a cair”.
Sendo básica à partida, a frase tem a particularidade de poder servir de argumento, tanto a crentes, como a ateus.
Para os crentes, é uma tirada sarcástica que impõe limites ao espírito ateísta, como quem diz “são muito terra-a-terra, mas chamam por Deus quando o medo aperta”.
Para os ateus, a ideia cola à crença em Deus o caráter de um recurso irracional perante o pânico e o desespero.
Neste caso, sabemos que o sangue frio salvou o dia.
De acordo com o controlador aéreo, o passageiro “estava muito calmo”.
Ouvindo os áudios, não restam dúvidas.
Das duas, uma: ou estamos perante um ateu férreo, certo de que só ele se pode ajudar a si mesmo, ou perante um crente inabalável, certo de que ainda não chegou a sua hora.
Como o cavaleiro de Bergman, o passageiro de Morgan enganou a morte.
Ajudar alguém, dando-lhe instruções remotamente, pode ser desafiante.
Mesmo quem não trabalha num call center já teve de prestar auxílio a uma mãe às aranhas com o smartphone, ou a um avô quase náufrago no Google.
É coisa que pode ser muito exigente.
Somos, aliás, todos ateus até que a pessoa do outro lado do telefone não percebe as instruções à terceira.
Da próxima vez que estiver perto de bradar aos céus porque o interlocutor não está a apanhar as indicações, lembre-se desta aterragem.
Valeu a pena o esforço.
Já com os pés na terra, o passageiro não ficou para os aplausos.
Seguiu a correr para casa, onde a mulher, grávida, o esperava.
No photo description available.
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