discriminação aborígena

David Gulpilil’s wife lives in ‘chook shed’

 

David is the most renowned aboriginal film actor for more than 3 decades..

 

http://www.heraldsun.com.au/news/national/the-grim-side-of-darwin/story-fncynkc6-1226631495153?fb_action_ids=4958760807033&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%224958760807033%22%3A478445192211301%7D&action_type_map=%7B%224958760807033%22%3A%22og.recommends%22%7D&action_ref_map=%5B%5D

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portugueses vítimas da inquisição espanhola

Portugueses Vitimas da Inquisição  Espanhola (1479 -1834)

 

Quando se fala da Inquisição espanhola na América, raramente se refere que a maioria das suas vítimas eram portugueses. A maioria era acusada de judaísmo, mas muitos outros de heresia, blasfémia, sodomia, bruxaria, etc.

O objectivo dos inquisidores era sempre o mesmo: combater a presença portuguesa na Espanha e seus domínios, apoderando-se dos seus bens. Milhares de famílias foram destroçadas e espoliadas.

A inquisição Castelhana foi criada em 1478, sendo logo seguida da inquisição aragonesa. Não tardou a surgir em toda a Espanha uma vasta rede de tribunais da inquisição, que se estendeu no século XVI às suas colónias.  

Depois da Espanha ocupar Portugal, em 1580, largos milhares de portugueses vislumbraram neste país grandes oportunidades de negócio. A troco de uma enormes somas de dinheiro, obtiveram autorização para se estabelecerem em Espanha. Ao mesmo tempo continuaram a infiltrarem-se aos milhares nas suas colónias, onde possuíam enormes comunidades, apesar de estarem proibidos de aí se fixarem

Um destes acordos foi realizado, em 1628, pelo Conde-Duque de Olivares que desta forma procurou atrair para Espanha os principais banqueiros e mercadores portugueses ( 27), para se livrar dos banqueiros genoveses. 

Uma decisão que se lhes revelou fatal, pois o seu êxito suscitou de imediato o saque dos seus bens através da Inquisição. A seguir à restauração da Independência de Portugal, em 1640, os banqueiros portugueses estabelecidos em Espanha foram sendo sucessivamente presos e pilhados (36): Juan Nunez de Saraiva (1640), Diego Saraiva (1641), Manuel Enriques (1646), Gaspar e Alfonso Rodrigues Pasarino (1646), Estaban Luis Diamante (1646), outro não identificado (1647) (21), Francisco Coelho (1654), Francisco Baéz Eminente (1691), etc. 

Depois de 1640, muitos dos portugueses que se mostraram leais a Espanha acabaram também por serem acusados de judaísmo, como foi o caso de Rodrigo Mendes da Silva. Nascido em Celorico da Beira (1606), mudou-se para Madrid (1635) onde escreveu importantes obras como “Población General de España” e “Vida e Feitos Heroicos do Grande Condestavel e sua Descendencia (Nuno Alvares Pereira)”. Em 1640 foi nomeado “cronista general de España”. Em 1659 foi acusado de judaísmo, espoliado do seus bens, conseguiu fugir para Itália onde faleceu em Veneza (1670). (58)

A “União Ibérica” representou a ruína do Império português, o fim das suas rotas comerciais a nível global, mas também uma enorme matança de portugueses pela Inquisição espanhola, em grandiosas manifestações públicas. Estamos perante um verdadeiro genocídio, que visava destruir a sua capacidade de resistência e sobrevivência do povo português.

O seu saque constituiu uma importantíssima fonte de rendimentos que o tesouro real espanhol carecia, para fazer face aos graves problemas financeiros com que se debatia. Em 1676, os inquisidores calculavam que o resultado da última campanha de expropriação dos portugueses tivesse rendido a fabulosa soma de 772.748 ducados e 884.979 pesos (23). 

Em 1683 foi publicada a célebre “Ley de Extermínio” dos portugueses. Os que não fossem apanhados e mortos, eram depois de roubados obrigados a fugir sob a ameaça de morte.

No século XVIII continuavam a existir muitos redutos de portugueses em Espanha. Na maior parte dos casos eram seus descendentes, mas que continuavam a manter muito viva a memória das suas origens (40). A forte endogamia destas comunidades justifica em parte esta profunda ligação a Portugal.

As colónias espanholas na América, embora se observe o mesmo fenómeno, a verdade é que as mesmas continuaram a receber constantes fluxos de emigrantes portugueses.

A enorme capacidade que revelaram em se esconderam sob falsas identidades, mas também em se movimentarem, não foi suficiente para resistirem às perseguições que foram vítimas em Espanha, sobretudo entre 1580 e 1745. 

Estudos recentes apontam claramente para uma conclusão inesperada: morreram mais portugueses vítimas da Inquisição em Espanha e nas suas colónias, do que aqueles que entre 1536 e 1820 foram mortos pela Inquisição em Portugal. .

 

Os portugueses estavam presentes nas Indias Espanholas, desde que foram descobertas a 12 de Outubro de 1492. O seu poder era enorme, provocando o medo por parte da Corte Espanhola.

..

Não é de estranhar que os portugueses tenham sido as principais vítimas da Inquisição nos tribunais do “Novo Mundo”.
Segue uma lista de alguns dos portugueses vítimas da Inquisição  espanhola.

Auto de Fé de 23 de Janeiro de 1639, revestiu-se de uma especial crueldade contra comunidade portuguesa, que viu muitos dos seus serem queimados ou condenados à morte nos cárceres da Inquisição:  

 Francisco Maldonado da Silva (médico, filho de portugueses), morto.

Antonio de Vega, natural de Fronteira, mercador, morto

– Antonio de Espinosa, morto 

– Diego López de Fonseca, morto

– Juan Rodríguez da Silva, morto .

– Juan de Azevedo, morto 

– Luis de Lima, morto 

– Manuel Bautista Pérez, morto

– Rodrigo Vaez Pereira, morto.

– Sebastián Duarte, morto

– Tomé Cuaresma, morto.

– Luis Valencia, natural de Lisboa, mercador

 Pablo Rodriguez, natural de Montemayor, mercador.

– Francisco Vasquez, natural de Mondin, mercador.

– Juan Lima, natural de Torre de Moncorvo. Mercador. 

– Luis Lima,  natural de Torre de Moncorvo. Mercador. 

– Tomás Lima,  natural de Torre de Moncorvo. Mercador. 

– Enriquez Jacinto, natural de Lisboa, mercador.

– Enriquez Mateo, natural de Torre de Moncorvo, mercador.

– Gomez Acosta António, natural de Bragança, mercador.

– Fernandez Cutiño Gaspar, natural de Vila Flor, 

– Fernandez Pedro, mercador.

– Manuel de Paz, queimado em estátua 

– Marques Montesinos Manuel, natural de Trajo (?), mercador.

– Marques Montesinos Francisco, natural de Torre de Moncorvo.

– Avila Rodrigo, natural de Guimarães, mercador

– António Cordero, natural de Portalegre, mercador.

– Rodriguez Alvaro.

– Quaresma Tomé, natural de Serpa, médico.

– Quiróz Manuel A. Mendez, natural de Vila Flor

– Nunez Duarte Francisco, natural da Guarda, mercador

– Nunez Duarte Gaspar, natural da Guarda, mercador

– Nunez Espinosa Enrique, natural de Lisboa, corregedor

– Mendez Francisco A. Meneses, natural de Lamego, rendeiro de Minas.

– Francisco Ruiz Arias, natural de Castelo Branco, mercador. 

– Vaez Perisa Rodrigo, natural de Monsanto, mercador.

– Manuel da Rosa, natural de Portalegre, sedeiro.

– Gaspar Rodriguez Pereira, natural de Vila Real, mercador.

 retirado de diálogos lusófonos

 

Leia na integra em http://lusotopia.no.sapo.pt/i

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presença judaica na língua portuguesa

in diálogos lusófonos

PRESENÇA JUDAICA NA LÍNGUA PORTUGUESA EXPRESSÕES E DIZERES POPULARES EM PORTUGUÊS DE ORIGEM CRISTÃ-NOVA OU MARRANA

septiembre 2nd, 2011 |

Jane Bichmacher de Glasman (UERJ)

O objetivo do presente trabalho é apresentar alguns exemplos de influência judaica na língua portuguesa, a partir de uma ampla pesquisa sócio-linguística que venho desenvolvendo há anos. A opção por judaica (e não hebraica) deve-se a uma perspectiva filológica e histórica mais abrangente, englobando dialetos e idiomas judaicos, como o ladino (judeu-espanhol) e o iídiche (alemão), entre os mais conhecidos, além de vocábulos judaicos e expressões hebraicas que passaram a integrar o vernáculo a partir de subterfúgios e/ ou corruptelas, cuja origem remonta à bagagem cultural de colonizadores judeus, cristãos-novos e marranos.

Há uma significativa probabilidade estatística de brasileiros descendentes de ibéricos, principalmente portugueses, terem alguma ancestralidade judaica. A base histórica para tal é a imigração maciça de judeus expulsos da Espanha, em 1492, para Portugal, devido à contigüidade geográfica e às promessas (não cumpridas) do Rei D. Manuel I, que traziam esperança de sua sobrevivência judaica como tal. Mesmo com a expulsão de Portugal em 1497, os judeus (além dos cristãos-novos e dos cripto-judeus ou marranos) chegaram a constituir 20 a 25% da população local.

Sefaradim (de Sefarad, Espanha, da Península Ibérica) procuraram refúgio em países próximos no Mediterrâneo, norte da África, Holanda e nas recém-descobertas terras de além-mar nas Américas, procurando escapar da Inquisição. Até hoje é controversa a origem judaica ou criptojudaica de descobridores e colonizadores do Brasil, para onde imigraram incontáveis cristãos-novos, alternando durante séculos uma vida como judeus assumidos e marranos, praticando o judaísmo secretamente (fora os que permaneceram efetivamente católicos), de acordo com os ventos políticos, sob o domínio holandês ou a atuação da Inquisição, variando de um clima de maior tolerância e liberdade à total intolerância e repressão.

Comparando apenas sob o ponto de vista cronológico, nem sempre lembramos que, enquanto o Holocausto na Segunda Guerra Mundial foi tão devastador, especialmente nos quatro anos de extermínio maciço de judeus, a Inquisição durou séculos, pelo menos três dos cinco da história “oficial” do Brasil, isto é, após o descobrimento. Tantos séculos de medo, denúncias, processos e mortes, geraram, por um lado, um ambiente psicológico de terror para os judeus e cristãos novos no Brasil; por outro, um anti-semitismo evidente ou subliminar que permaneceu arraigado na população, inclusive como autodefesa e proteção.

Uma característica do comportamento de cristãos-novos “suspeitos” foi procurar ser “mais católicos do que os católicos”, buscando sobreviver à intolerância e determinando práticas sócio-culturais e linguísticas.

A citada alternância entre vidas assumidamente judaicas e marranas, praticando judaísmo em segredo, com costumes variados, unificados pela “camuflagem” de seu teor judaico, gerou comportamentos e aspectos culturais (abrangendo rituais, superstições, ditados populares, etc.) que se arraigaram à cultura nacional. A maioria da população desconhece que muitos costumes e dizeres que fazem parte da cultura brasileira têm sua origem em práticas criptojudaicas. Apresentarei alguns exemplos bem como suas origens e explicações, a partir da origem judaica “marrana”.

“Gente da nação” é uma das denominações para designar marranos, judeus, cristãos-novos e cripto-judeus, embora existam diferenças entre termos e personagens.

Cristãos-novos foi denominação dada aos judeus que se converteram em massa na Península Ibérica nos séculos XIII e XIV; é preconceituosa devido à distinção feita entre os mesmos e os “cristãos-velhos”, concretizado nas leis espanholas discriminatórias de “Limpieza de Sangre” do século XV.

Criptojudeus eram os cristãos-novos que mantiveram secretamente seu judaísmo. Gente da nação era a expressão mais utilizada pela Inquisição e Marranos, como ficaram mais conhecidos. Embora todos fossem descendentes de judeus, só poucos voltaram a sê-lo, e em países e épocas que o permitiram.

O próprio termo “marrano” possui uma etimologia diversificada e antitética. Unterman (1992: 166), conceitua de forma tradicional, como “nome em espanhol para judeus convertidos ao cristianismo que se mantiveram secretamente ligados ao judaísmo. A palavra tem conotação pejorativa” geralmente aplicada a todos os cripto-judeus, particularmente aos de origem ibérica. Em 1391 houve uma maciça conversão forçada de judeus espanhóis, mas a maioria dos convertidos conservou sua fé. Já Cordeiro (1994), com base nas pesquisas de Maeso (1977), afirma que a tradução por “porco” em espanhol tornou-se secundária diante das várias interpretações existentes na histografia do marranismo.

Para o historiador Cecil Roth (1967), marrano, velho termo espanhol que data do início da Idade Média que significa porco, aplicado aos recém-convertidos (a princípio ironicamente devido à aversão judaica à carne de porco), tornou-se um termo geral de repúdio que no século XVI se estendeu e passou a todas as línguas da Europa ocidental.

A designação expressa a profundidade do ódio que o espanhol comum sentia pelos conversos com quem conviviam. Seu uso constante e cotidiano carregado de preconceito turvou o significado original do vocábulo. Em “Santa Inquisição: terror e linguagem”, Lipiner (1977) apresenta as definições: “Marranos: As derivações mais remotas e mais aceitáveis sugerem a origem hebraica ou aramaica do termo.Mumar: converso, apóstata. Da raiz hebraica mumar, acrescida do sufixo castelhano ano derivou a forma composta mumrrano, abreviado: Marrano. Tratar-se-ia, pois de um vocábulo hebraico acomodado às línguas ibéricas. Marit-áyin: aparência, ou seja, cristão apenas na aparência. Mar-anús: homem batizado à força. Mumar-anus: convertido à força. Contração dos dois termos hebraicos, mediante a eliminação da primeira sílaba”. Anus, em hebraico, significa forçado, violentado.

Antes de exemplificar a contribuição linguística marrana, convém ressaltar que a vinda dos portugueses para o Brasil trouxe consigo todos os empréstimos culturais e linguísticos que já haviam sido incorporados ao cotidiano ibérico, desde uma época anterior à Inquisição, além de novos hábitos e características; muitas palavras e expressões de origem hebraica foram incorporadas ao léxico da língua portuguesa mesmo antes de os portugueses chegarem ao Brasil. Elas encontram-se tão arraigadas em nosso idioma que muitas vezes têm sua origem confundida como sendo árabe ou grega. Exemplo: a “azeite”, comumente atribuída uma origem árabe por se assemelhar a um grande número de palavras começadas por “al-” (como alface, alfarrábio, etc.), identificadas como sendo de origem árabe por esta partícula corresponder ao artigo nesta língua. O artigo definido hebraico é a partícula “a-” e “azeite” significa, literalmente, em hebraico “a azeitona” (ha-zait).

Apesar da presença judaica por tantos séculos, em Portugal como no Brasil, as perseguições resultaram também em exclusões vocabulares. A maior parte dos hebraísmos chegou ao português por influência da linguagem religiosa, particularmente da Igreja Católica, fazendo escala no grego e no latim eclesiásticos, quase sempre relacionados a conceitos religiosos, exemplos: aleluia, amém, bálsamo, cabala, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, messias, satanás, páscoa, querubim, rabino, sábado, serafim e muitos outros.

Algumas palavras adotaram outros significados, ainda que relacionados à idéia do texto bíblico. Exemplosbabel indicando bagunça; amém passando a qualquer concordância com desejos; aleluia usada como interjeição de alívio.

O preconceito marca palavras originárias do hebraico usadas de forma depreciativa, como: desmazelo (de mazal – negligência, desleixo), malsim (de mashlin – delator, traidor), zote (de zot / subterrâneo, inferior, parte de baixo – pateta, idiota, parvo, tolo), ou tacanho (de katan – que tem pequena estatura, acanhado; pequeno; estúpido, avarento); além de palavras relacionadas a questões financeiras, comocacife, derivada de kessef = dinheiro.

Dezenas de nomes próprios têm origem hebraica bíblica, como: Adão, Abraão, Benjamim, Daniel, Davi, Débora, Elias, Ester, Gabriel, Hiram, Israel, Ismael, Isaque, Jacó, Jeremias, Jesus, João, Joaquim, José, Judite, Josué, Miguel, Natã, Rafael, Raquel, Marta, Maria, Rute, Salomão, Sara, Saul, Simão e tantos outros. Alguns destes, na verdade, são nomes aramaicos, oriundos da Mesopotâmia, como Abraão (Avraham), que se incorporaram ao léxico hebraico no início da formação do povo hebreu.

Podemos citar centenas de nomes e sobrenomes de judaizantes e números de seus dossiês, desde a instalação da Inquisição no Brasil, a partir dos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, e de livros como Wiznitzer (1966), Carvalho (1982), Falbel (1977), Novinsky (1983), Dines (1990), Cordeiro (1994), etc. Sobrenomes muito comuns, tanto no Brasil como em Portugal, podem ser atribuídos a uma origem sefardita, já que uma das características marcantes das conversões forçadas era a adoção de um novo nome. Muitos conversos adotaram nomes de plantas, animais, profissões, objetos, etc., e estes podem ser encontrados em famílias brasileiras, até hoje, em número tão grande que seria difícil enumerá-los. Exemplos: Alves, Carvalho, Duarte, Fernandes, Gonçalves, Lima, Silva, Silveira, Machado, Paiva, Miranda, Rocha, Santos, etc. Não devemos excluir a possibilidade da existência de outros sobrenomes portugueses de origem judaica.

 

leia o trabalho na íntegra »» http://www.esefarad.com/?p=26210

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MIA COUTO

E a loucura nem sempre é uma doença. Por vezes, é um acto de coragem.</p>
<p>MIA COUTO</p>
<p>No livro "Antes de Nascer o Mundo" ou "Jesusalém"<br />
Foto: Profeta Gentileza
E a loucura nem sempre é uma doença. Por vezes, é um acto de coragem.MIA COUTO

No livro “Antes de Nascer o Mundo” ou “Jesusalém”
Foto: Profeta Gentileza

 

Uma única certeza 
 demora em mim: 
o que em nós já foi menino 
 não envelhecerá nunca.

No poema "Declaração de bens"
Do livro "Tradutor de chuvas"
Uma única certeza
demora em mim:
o que em nós já foi menino
não envelhecerá nunca.

No poema “Declaração de bens”
Do livro “Tradutor de chuvas”

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Roseli Arruda shared Poetas e Poesia‘s photo.

O coração africano é tão próximo da alma brasileira…
SAUDADE</p><br />
<p>Que saudade<br /><br />
tenho de nascer.<br /><br />
Nostalgia<br /><br />
de esperar por um nome<br /><br />
como quem volta<br /><br />
à casa que nunca ninguém habitou.<br /><br />
Não precisas da vida, poeta.<br /><br />
Assim falava a avó.<br /><br />
Deus vive por nós, sentenciava.<br /><br />
E regressava às orações.<br /><br />
A casa voltava<br /><br />
ao ventre do silêncio<br /><br />
e dava vontade de nascer.<br /><br />
Que saudade<br /><br />
tenho de Deus.</p><br />
<p>MIA COUTO
SAUDADEQue saudade
tenho de nascer.
Nostalgia
de esperar por um nome
como quem volta
à casa que nunca ninguém habitou.
Não precisas da vida, poeta.
Assim falava a avó.
Deus vive por nós, sentenciava.
E regressava às orações.
A casa voltava
ao ventre do silêncio
e dava vontade de nascer.
Que saudade
tenho de Deus.MIA COUTO

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a origem dos Maias

in diálogos lusófonos

15
Pesquisadores investigam escavação no sítio arqueológico de Ceibal, no México
Foto: Takeshi Inomata / Divulgação
  • Matheus Pessel
    Matheus Pessel

 

Um estudo de universidades dos Estados Unidos e do Japão pode mudar a forma como vemos o nascimento da civilização maia. Segundo Takeshi Inomata, da Universidade do Arizona (EUA), descobertas recentes feitas no sítio arqueológico de Ceibal, no México, indicam que a região foi palco de uma grande mudança cultural entre os anos de 800 a.C. e 1150 a.C.. A pesquisa, apoiada pela National Geographic Society, foi divulgada nesta quinta-feira em artigo da revista especializada Science.

As duas visões dominantes sobre o surgimento dos maias são: que a civilização se desenvolveu independentemente de outros povos em um processo local; que ela surgiu pela influência direta dos olmecas, através do centro de La Venta. “Nossa interpretação é diferente dessas duas; a civilização maia se desenvolveu através de um largo padrão de interação envolvendo o sul da Costa do Golfo, Chiapas e o sul da Costa do Pacífico. Em outras palavras, a interação com outras regiões foi importante (para o desenvolvimento dos maias), mas não foi influenciado por um único lugar (La Venta)”, diz ao Terra Inomata.

A grande descoberta dos arqueólogos em Ceibal foi um complexo cerimonial, que era mais antigo em pelo menos 200 anos que um similar de La Venta, ambos de um padrão que é encontrado em outras cidades. “De acordo com a teoria que defende a influência olmeca nos maias, essa disposição padronizada foi inventada pela primeira vez em La Venta e então espalhada pela região maia. Nossos dados da sequência temporal desses complexos refuta a teoria da origem olmeca”, diz o pesquisador.

Os povos da Mesoamérica
A descoberta não indica que os maias são anteriores aos olmecas – já que o centro mais antigo conhecido destes é San Lorenzo, que prosperou entre 1400 a.C e 1150 a.C.. “Há um substancial espaço entre as duas potências olmecas: San Lorenzo e La Venta. As contribuições de San Lorenzo às culturas mesoamericanas tardias foram importantes, mas eles não tinham complexos cerimoniais padronizados com pirâmides que vieram a caracterizar depois centros como La Venta, Ceibal, etc. Depois do declínio de San Lorenzo, vários grupos do sul da Mesoamérica, inclusive os moradores de Ceibal, começaram a experimentar com o legado de San Lorenzo e outros grupos antigos; eles selecionaram e adaptaram alguns elementos culturais, modificaram outros, e criaram novas formas de sociedade. Isso foi um tempo de grandes mudanças que formou a fundação das civilizações mesoamericanas tardias. Mas, novamente, essa grande mudança aconteceu através da interação entre vários grupos; não foi espalhada de um centro olmeca.”

http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/arqueologia-descoberta-pode-derrubar-teorias-sobre-origem-dos-maias,222ee233b8e3e310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

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SANTA MARIA 45 MILHÕES DE ANOS

Santa Maria: “A ilha primeira”!
confirmam-se fundos marinhos de 45 milhões de anos

NATURMARIENSE: SANTA MARIA AFIRMA-SE E CONFIRMA-SE COMO “ILHA PRIMEIRA”

natur-mariense.blogspot.com

 

 

Sérgio Ávila O texto do Naturmariense tem um erro, quando afirma que “Recordo que em Santa Maria, são conhecidos tufos basálticos nos Cabrestantes que são considerados os mais antigos dos Açores emersos, entre 8 e 10 milhões de anos.” As lavas muito alteradas que forma a Formação dos Cabrestantes correspondem a lavas submarinas (portanto, ainda não estamos na fase de “ilha emersa”). As primeiras lavas subaéreas, correspondentes à primeira ilha de Santa Maria, são as da “Formação do porto”, que hoje em dia são visíveis a Norte (um pouco a leste da ponta dos Frades, na encosta), e a Sul, em pleno porto de Vila do Porto.
Trata-se do espaço que dá voz ao CADEP-CN (Clube dos Amigos e Defensores do Património-CulturaL e Natural de Santa Maria, sócio coletivo dos Amigos dos Açores, direcionando-se para a valorização, salvaguarda e divulgação do património
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tenho a ilha dentro de mim

in mundo açoriano

Nasci em Lisboa
mas tenho a ilha
dentro de mim

Não é fácil escrever sobre afetos, sobretudo porque os sentimentos nem sempre encontram tradução na rigidez linguística dos códigos escritos inventados pelo Homem. Apesar disso, porque não sou de claudicar, inicio aqui uma curta viagem com impressões acerca de São Miguel, esse “grande gigante (…) fingindo que está aqui neste espaçoso mar deitado e com perpétuo sono dormindo”(1), descrito por Gaspar Frutuoso no século XVI.

Diga-se, em caminho, que nasci em Lisboa e que me apaixonei pela ilha de São Miguel. Casei com uma filha de Rabo de Peixe, a mais bonita, e dessa união nasceu um infante, de seu nome Henrique, numa homenagem não planeada à figura histórica que lançou as raízes de um Portugal continental, atlântico e insular. Desde então que a minha geografia sentimental navega entre a cidade de Ulisses e a ilha verde como apropriadamente é apelidada São Miguel, pedaço de terra onde não nasci mas a que pertenço por afeto.

Um território sem gente lá dentro não existe e são as pessoas que dão significado à paisagem. Assim é em São Miguel: à típica imagem de mar, verde e vacas, talvez o mais correto fosse a substituição daquela turística trilogia pela profundidade do afecto, a ausência de fronteiras humanas e a beleza das cores das gentes. De nada serve apenas o som efusivo das ondas que batem nas rochas, os canaviais em assobio fino, a gradação colorida do relevo esbatida pela velocidade do nevoeiro nas zonas mais altas. É precisa aquela pronúncia fechada e imemorial numa frase para encher o espaço da terra e os sentidos das curvas que o mar dá sem pedir nada em troca.

São Miguel. Terra abençoada onde cada pedra lavrada me faz imaginar o passado dos tempos quando o Homem desencantou este pedaço firme ao saltar dos navios com a cruz de Cristo nos panos das velas. As pessoas são faces dessas pedras, de traços vincados nas expressões, porque a condição de ilhéu não é fácil, mas é a melhor de todas as provações.

Enternece-me, confesso, o amor dos micaelenses pela paisagem deste pedaço de terra largado a meio caminho das margens do grande mar oceano. E, sempre que visito São Miguel, testemunho a sua inesgotável beleza natural, aquilatada pela grandeza da alma das pessoas que a habitam. E numa ilha essa dimensão é muitas vezes lavrada pelo abandono daqueles que procuram noutras paragens uma dimensão à medida dos sonhos. Quem fica não esquece os que partem em demanda isolada; os outros, os emigrantes sonhadores, guardam nas veias o universo primordial que os viu nascer.

É nos momentos de (re)encontro que melhor se percebe a beleza do significado da palavra Saudade. Porque uma ilha é farol, espaço de fronteira terrestre que abraça a vastidão do mar, cama de embalo de navios colocados na linha do horizonte. Em São Miguel, o tempo não é soberano porque os corações ilhéus são de pedra, não deixam passar fraquezas, esquecimentos ou sentimentos menores que apagam o valor das almas dos outros, os que povoaram o tempo de infância.

Em cada momento de chegada à ilha, guardo sempre na memória as suas cores e o rendilhado bucólico das pastagens que fere os sentidos, à flor da pele. O verde é exuberante nas suas diferentes tonalidades e a cinza do céu não chega para dissipar a paixão que sentimos naquele chão. Antes adensa o mistério desta ilha afortunada, pouco rectilínea, ou não fosse o Criador um rapaz com pouco jeito para o desenho industrial.

Podia aqui navegar pelos locais que mais me vincaram a memória: o rosto norte da ilha com o recorte das falésias que obriga o olhar a estender a vontade de navegar em águas azuis e a ondulação, lá tão em baixo, relembra a soberania dos elementos e a bravura daqueles que fazem do mar o império do seu sustento; os miradouros, verdadeiros santuários ocasionais para degustação do sabor do vento; ou as Furnas, onde se sente a profundidade dos tempos transformada em vapor quente e a água azeda que jorra das fontes não consegue desmentir a atmosfera doce deste local místico. Fico-me pelas pessoas, fiéis guardiões de uma vida dedicada a amar o seu torrão.
Nasci em Lisboa. Mas tenho a ilha dentro de mim.

(1) Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada: Instituto Cultural, 1981, cap. XXXVII, p. 1.

Nuno Martins Ferreira
Professor na Escola Superior de Educação de Lisboa
Natural de Lisboa, onde reside, Açoriano por afeto
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MIA COUTO, A PORTA

<< A Porta >>

Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da
porta havia um porteiro. Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar.
O porteiro escutou vozes dizendo:

-* Não abras! Essa gente tem mania que passa à frente!*
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De
novo, se escutaram protestos:
– *Não deixa entrar, esses não são a maioria.*

Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi assaltado por protestos:

*-Não abre! Esses não são originais!*

E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem.
E logo surgiram protestos:

*- Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências…*

E o porteiro negou passagem. Apareceu outro moçambicano de raça negra,
reclamando passagem:

*- Se você deixar passar esse aí, nós vamos-te acusar de tribalismo!*

O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder o pedido.

Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira
cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no
bolso.

Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em
tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.

. . . Mia Couto
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Breve comentário sobre o conto
“A FOGUEIRA”
(da autoria de Mia Couto)

Na sua síntese contista, o autor de “A Fogueira”
alerta-nos outra vez para o estafado desafio do envelhecimento humano. No caso vertente, os personagens do conto são manifestamente restos de
gente: saldo humano para liquidação no mercado da servidão; vítimas do desgaste
“dos caminhos idosos e dos tempos caminhados”…

O país
moçambicano é aqui retratado como uma terra riquíssima de pobres; e a
africanidade é um doer ancestral que continua a latejar sob a pele seca da alma
adiada da “negritude” politicamente correcta. Claro que a opacidade psicológica das várias etnias não deve ser apressadamente confundida com a indigência espiritual
patente nalgumas das exterioridades folclóricas de um povo oprimido pelo
cruzados do “branqueamento” colonial…

No decorrer do lancinante diálogo entre o casal de idosos recriado pelo imparável
talento de Mia Couto, o leitor pode precogitar os ecos da fala dos espíritos e escutar
os queixumes da ancestralidade que brota do húmus da floresta; e pode ainda entender
(imagino o leitor prevenido e sensível) a convivência serena entre os diferentes “falares” da natureza tropical canonizada pelo zelo apostólico euro-cêntrico.

No tempo em que a pujança da juventude ainda fazia parte do ar que respirava, com os filhos ligados ao cordão umbilical da sobrevivência, o chefe da familia pastorava o
gado; ela cuidava da “machamba”, da panela do arroz, e da mandioca nas brasas. Curiosamente, Mia Couto não se esquece de dar notícias indirectas da fase dionísica
da existência daqueles velhos que nunca ficam antigos!

O escritor prossegue viagem pela ladeira semântica duma linguagem
vivíssima, saltando de palmeira em palmeira da palavra: coexistência da “fala”
mucéquica com o delírio narrativo. Constata-se, assim, nesta colectânea de contos,
um clima verbal afoito, porventura solidário na sua complementaridade semântica
entre o discurso narrativo e o linguajar “crioulo” dos personage, como por
exemplo: “ … todo o silêncio ficou calado para ela
escutar…” ou, mais adiante, quando o escritor coloca nos lábios da velha uma
expressão do coloquialismo indígena, que só o ouvido atento do artista sensível é
capaz de registar: “ somos pobres, não temos nadas”…

Repare-se na inocente rebeldia do velho, no dia em que as chuvas chegaram,
dizendo: “as nuvens e os céus são amaldiçoados”… Mais: o autor do conto não
mastiga a estafada temática da felicidade; nem faz referências psico-turísticas ao hedonismo exótico, tipo chocolate tropical para gáudio do saudosismo eurocêntrico.
Mia Couto quase se esfuma no seu discurso: “neste deserto solitário, a morte é um simples deslizar, um recolher de asas.”

Um último pormenor àcerca do significado da “pá” e da “fogueira”, ambas como
peças do realismo simbólico desenhado pelo contista: a “pá” talvez seja a chave misteriosa da cancela do céu; a “fogueira”, pode ser a silhueta mágica que nos
traz notícias da proximidade do sol “amigos dos heróis” – sim, o Sol eterno capaz
de dissipar a mais espessa escuridade que paira por sobre a curva terrenha da transmigrante cruzada da humanidade…

— *** —
University of Massachusetts, Dartmouth, MA
(Dept. of Humanities & Social Sciences) Maio, 1995
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Memorandum
Joao-Luis de Medeiros

 

 

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