diversidade linguística na europa

in diálogos lusófonos

 

O dia 26 de setembro é o Dia Europeu das Línguas, data criada e celebrada pela Comissão Europeia e pelo Conselho da Europa. Na União Europeia, a data foi celebrada em um bloco de países-membros que tem 24 línguas oficiais e cerca de outras 60 línguas e dialetos regionais e minoritários, além das línguas faladas por comunidades imigrantes de outras partes do mundo.

 

Em Lisboa, houve nove giros turísticos pela capital portuguesa, cada um em uma língua diferente, com visitas guiadas a um conjunto de edifícios simbólicos com exposições de artes plásticas, na Rota da Arte do Lisbon Week. E ocorreu um programa de aulas de nove línguas diferentes na Aliança Francesa de Lisboa. Em Gondomar, na região do Porto, houve uma competição de camisetas decoradas com expressões em línguas diferentes, à exposição nas escolas secundárias.

 

E está marcada, para os dias 17 e 18 de outubro, a Feira das Línguas, a ser promovida pelo Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, na sede do órgão em Minde, no Distrito de Santarém (antiga província do Ribatejo).

 

Em toda a Europa ocorreram igualmente centenas de outros eventos relacionados com as línguas, desde um concerto de rap multilíngue em Zagreb, na Croácia, a uma feira profissional em Glasgow, Escócia, Reino Unido, subordinada ao tema “Pensar em Alemão” e um passeio pela “Rua das Línguas” em Bratislava, na Eslováquia. Na Áustria, houve um piquenique de Língua Portuguesa e comidas típicas do Brasil.

 

À semelhança de 47 países europeus, em outras partes do globo, incluindo o Canadá, a Polinésia Francesa e os Emirados Árabes Unidos, o dia foi também assinalado com iniciativas idênticas.

 

–– “Celebramos a diversidade linguística da Europa” ––

 

Androulla Vassiliou: “A diversidade linguística
constitui uma parte fundamental da nossa
identidade cultural europeia.”

A cipriota Androulla Vassiliou, Comissária Europeia para a Educação, a Cultura, o Multilinguismo e a Juventude, declarou: “O Dia Europeu das Línguas é o dia em que celebramos a diversidade linguística da Europa e as vantagens de aprender línguas estrangeiras. Defendemos ambas porque a diversidade linguística constitui uma parte fundamental da nossa identidade cultural europeia e porque a capacidade de falar várias línguas é um passaporte que abre um mundo de oportunidades.”

 

“O Dia Europeu das Línguas é para todos. Mais do que nunca, as línguas e a comunicação representam aspectos centrais da nossa sociedade. A aprendizagem de línguas proporciona formas de abrir os nossos espíritos a novas perspectivas e culturas”, acrescentou a islandesa Ólöf Ólafsdóttir, diretora na área da Cidadania e Participação Democráticas no Conselho da Europa.

 

–– Novo programa europeu de educação e aprendizagem de línguas ––


O Erasmus+, o novo programa da União Europeia na área da educação, formação e juventude para o período 2014-2020, fomentará a aprendizagem das línguas em todas as suas principais linhas de ação.

 

O novo programa integrado, previsto com um orçamento de quase 15 mil milhões de euros, proporcionará subvenções a mais de 4 milhões de pessoas para que adquiram experiência profissional e competências através de oportunidades de ensino, formação ou voluntariado no estrangeiro. Cursos em linha serão oferecidos a estudantes, aprendizes e outros beneficiários que queiram reforçar as respetivas competências linguísticas antes de se deslocarem para o estrangeiro.

 

As agências nacionais responsáveis pela gestão do Erasmus+ nos países-membros da União Europeia serão encorajadas a atribuir o Rótulo Linguístico Europeu a projetos linguísticos inovadores.

 

No final de 2013, o Erasmus+, a ser gerenciado pela Comissão Europeia, substituirá o atual Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, que vigorou desde 2007.

 

O Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, da União Europeia, encerra-se
no final de 2013 e será substituído pelo novo programa Erasmus+.

–– A história do Dia Europeu das Línguas ––


O Dia Europeu das Línguas foi pela primeira vez organizado pelo Conselho da Europa em 2001, ocasião em que se celebrou o Ano Europeu das Línguas. A Comissão Europeia e o Centro Europeu para as Línguas Modernas – este último vinculado ao Conselho da Europa – participam ativamente na organização dos eventos linguísticos que decorrem nesse dia ou nos dias próximos.

 

O Dia Europeu das Línguas visa sensibilizar os cidadãos para as línguas usadas na Europa, promover a diversidade cultural e linguística e fomentar a aprendizagem das línguas ao longo da vida.

 

Na União Europeia há 24 línguas oficiais e cerca de outras 60 línguas e dialetos regionais e minoritários,
além das línguas faladas por comunidades imigrantes de outras partes do mundo.

 

 

No início de 2013, o Conselho da Europa e a Comissão Europeia – esta última, que tem como presidente o ex-primeiro-ministro da República Portuguesa, José Manuel Durão Barroso – assinaram um acordo de parceria com o objetivo de reforçar a cooperação no sentido de promover as ferramentas das Tecnologias da Informação e da Comunicação no ensino e ensaio de línguas, bem como na avaliação de competências linguísticas.

 

A União Europeia conta com 24 línguas oficiais – entre elas, a Língua Portuguesa –, cerca de 60 línguas regionais e minoritárias e mais de 175 línguas migrantes. No mundo, existem entre 6 mil e 7 mil línguas, a maioria das quais é falada na Ásia e na África. Pelo menos metade da população mundial é bilingue ou multilíngue, isto é, fala ou compreende duas ou mais línguas.  :::

 

O Dia Europeu das Línguas é uma iniciativa da Comissão Europeia e do Conselho da Europa.

• Clique aqui para descarregar o quadro de eventos do Dia Europeu das Línguas de 2013, elaborado pela Comissão Europeia.

• Centro Europeu para as Línguas Modernas – Dia Europeu das Línguas (em inglês):
• Comissão Europeia – Dia Europeu das Línguas:
.
–– Extraído da Comissão Europeia e do Centro Europeu para as Línguas Modernas ––

 

Please follow and like us:
error

timor lorosae 30 set

TIMOR LOROSAE NAÇÃO – diário


Austrália garante ter prestado “assistência adequada” a embarcação com refugiados

Posted: 29 Sep 2013 05:33 PM PDT

29 de Setembro de 2013, 16:42

As autoridades australianas alegaram hoje ter prestado “assistência adequada” a uma embarcação que se afundou ao largo da Indonésia mantando, pelo menos, 28 pessoas.
O último abalanço da tragédia aponta para 28 mortos, já recolhidos pelas equipas de resgate, embora estas tenham indicado que há ainda dezenas de desaparecidos.
A embarcação transportava cerca de 120 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, que pretendiam pedir asilo político na Austrália e eram oriundos do Líbano, Jordânia e Iémen.
Sobreviventes da tragédia relataram que os pedidos de ajuda às autoridades australianas foram ignorados.
JCS // JCS – Lusa
Pelo menos 22 mortos, 33 desaparecidos e 25 sobreviventes em naufrágio na Indonésia
28 de Setembro de 2013, 14:33
Sydney, Austrália, 28 set (Lusa) — Pelo menos 22 pessoas morreram, 33 continuam desaparecidas e 25 sobreviveram ao naufrágio de um barco nas águas ao largo da ilha indonésia de Java, com o qual tentavam alcançar a costa australiana para pedir asilo.
Quatro crianças encontram-se entre as vítimas mortais do acidente que ocorreu, na sexta-feira, a sul da ilha de Java, onde as operações de busca e salvamento eram dificultadas, às primeiras horas de hoje, pelo estado do mar, de acordo com a rádio australiana ABC.
A bordo da embarcação seguiam cerca de 80 imigrantes ilegais oriundos do Líbano, Iraque e Paquistão, segundo dados das autoridades indonésias, apesar de a imprensa local dar conta de 120 passageiros.
“Para se salvarem, os sobreviventes nadaram até à costa de Agrabinta, a cerca de 200 metros de distância de onde naufragou a embarcação”, explicou Haris Bahtiar, das autoridades locais, citado pela agência de notícias da Indonésia.
O naufrágio aconteceu um dia depois de uma outra embarcação, com 44 pessoas a bordo, ter sido resgatada pelas autoridades marítimas australianas.
Entre janeiro e agosto, um total de 218 embarcações com 15.182 refugiados a bordo, a maioria imigrantes do Afeganistão, Bangladesh, Iraque, Irão e Sri Lanka, tentaram entrar ilegalmente, por via marítima, na Austrália para pedir asilo, o que provocou um debate no país sobre as políticas a adotar para responder aos crescentes fluxos migratórios.
O novo primeiro-ministro, o conservador Tony Abbott, anunciou recentemente que os requerentes de asilo que chegassem de barco não seriam mais tolerados no país.
O chefe de governo australiano viaja na próxima segunda-feira para a Indonésia para, entre outros, pedir maior cooperação entre os países em matéria de imigração, naquela que é a sua primeira viagem oficial ao estrangeiro desde que assumiu a chefia do Governo de Camberra.
DM (SK) // DM – Lusa
MISS MUNDO: MULHER MAIS BONITA DO MUNDO É FILIPINA

Posted: 29 Sep 2013 05:22 PM PDT

Com 23 anos, Megan é a primeira representante das Filipinas a ocupar o trono que, no ano passado, pertenceu à chinesa Yu Wenxia.
Ver slides: foto MURDANIUSMAN/REUTERS – em Jornal de Notícias
Hong Kong: Uma das cidades mais ricas do Mundo… tem 1,3 milhões de pobres

Posted: 29 Sep 2013 02:51 PM PDT

Hong Kong, uma das cidades mais ricas do mundo, reconheceu, pela primeira vez o problema de pobreza na Região, declarando 1,3 milhões de pessoas como pobres.
O número das pessoas que estão abaixo da linha de pobreza cai, no entanto, para 1,01 milhões após o pagamento dos subsídios de assistência social previstos nas leis da antiga colónia britânica.
Numa intervenção na cimeira especial sobre pobreza realizada sexta-feira e hoje descrita no diário South China Morning Post, o chefe do Executivo, C. Y. Leung, garantiu “não ter medo de tomar decisões difíceis” para resolver o problema.
De acordo com as estatísticas oficiais, 19,6 % da população da cidade – estimada em cerca de sete milhões – está classificada como pobre, número que cai para 15,2 % após a atribuição dos subsídios governamentais.
Por outro lado, mais de metade das pessoas abaixo da linha de pobreza têm, em casa, um ou mais trabalhadores a tempo inteiro e um em cada três idosos, num total estimado em 296.600 pessoas, são pobres.
Uma pessoa que tenha um vencimento ou apoios abaixo de 3.600 dólares de Hong Kong (cerca de 360 euros) mensalmente é considerada pobre.
O secretário-chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam Cheng Yuet-ngor, garantiu também que serão lançadas políticas de ajuda às famílias mais carentes, nomeadamente aos trabalhadores pobres e famílias com crianças.
Lusa, em Notícias ao Minuto
Please follow and like us:
error

o negro na sociedade brasileira

de diálogos lusófonos

RESENHA BIBLIOGRÁFICA    
Marineide do Lago Salvador dos Santos
 
O negro na civilização brasileira 
Por Arthur Ramos. Rio de Janeiro, Livraria Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1971. 252 p. v. 1 (Coleção Arthur Ramos). Reed.
 
Na década de 20 exaltava-se a nacionalidade brasileira em reação à ameaça de descaracterização pela onda imigrantista; buscava-se a autenticidade na cultura brasileira. Era a passagem do Brasil rural ao Brasil urbano que se refletia no plano das idéias (o Brasil “autêntico”, rural, contraposto ao Brasil “não-autêntico”, urbano, imigrantista). Em decorrência, valorizava-se o folclore quase como uma ideologia. Nesse momento, surge o interesse estratégico pelo negro enquanto “homem do povo”, como expressão de brasilidade, de cultura popular.
Começava a ganhar vulto a antropologia cultural no Brasil, e o conceito de cultura passou a fornecer à intelectualidade brasileira elementos “democráticos”, manipuláveis, condicionados historicamente. No que tange ao plano teórico de abordagem do negro brasileiro, a fase era de reação à influência germanófila de fins do século passado, tão marcante que transpareceu mesmo através dos estudos rigorosos de Nina Rodrigues. Significava libertação de um quadro de referências meramente biológico e negativo, não-manipulável, atenuado somente pela miscigenação, contraditoriamente considerada indesejável por constituir entrave ao desenvolvimento nacional – o subdesenvolvimento do País era até então atribuído à fragilidade racial que resultou do mestiçamento com o negro. Se o “mal” passava a ser localizado na cultura, seria contornável e possível a redenção do povo brasileiro.
A figura principal dessa época, sem dúvida alguma, é o médico, antropólogo e etnólogo Arthur Ramos. Tendo sido, a princípio, muito influenciado pelas interpretações psicanalíticas do problema, formuladas pelo mestre Nina Rodrigues, a partir de certo momento passa a conduzir seus trabalhos nos moldes culturalistas.
A obra de que ora nos ocupamos, O negro na civilização brasileira, escrita originalmente em inglês, destinou-se especialmente aos cientistas norte-americanos, na época extremamente carentes de informações precisas sobre a complexa situação do negro na vida brasileira. Por isso os propósitos do livro são introdutórios, gerais. Outras obras do autor completam a análise; esta é esquemática.
Nos primeiros capítulos, Arthur Ramos trata dos aspectos propriamente históricos da escravidão no Brasil, compreendidos entre a introdução do tráfico negreiro e a Abolição, para depois estender-se na abordagem da participação do negro em vários setores importantes da vida nacional.
Do princípio ao fim nota-se a preocupação e o esforço do autor em evidenciar que não se constituiu, no Brasil, um sistema de castas em torno de linhas raciais, pois os negros e mulatos participaram, sem restrições, dos processos de desenvolvimento cultural do País, Provavelmente aí esteja um dos fatores que esclarecem a posição de Arthur Ramos diante do movimento abolicionista e da integração do negro na sociedade inclusiva. Dissemos “um dos fatores”, porque, se nos reportarmos à parca bibliografia existente na época, relacionada pelo próprio autor no final do livro, notaremos que ele esmerou-se ao máximo, empregando o arcabouço teórico e empírico acessível na ocasião. Só na década de 50 a sociologia despertaria para os problemas empíricos da realidade nacional, deixando de ser apenas ensaística, e, consequentemente, a abordagem do negro brasileiro pôde contar com um instrumental de que a antropologia achava-se alheia. Ao invés de “adorno”, de expressão cultural, o negro vem a ser focalizado como “problema social”, como expressão de estrutura, daí a preocupação com problemas como mobilidade, competição, integração, constituição de ideologia etc, No dizer de L.A, Costa Pinto, enquanto os negros morriam pelos morros, os antropólogos permaneciam preocupados com os “produtos culturais” do elemento negro; suas tradições, festas, cultos etc.
Escudados nas novas concepções, podemos volver à fase culturalista e reconhecer nela as tinturas da ideologia da democracia racial no Brasil. É o próprio Arthur Ramos, seu lídimo representante, que corrobora essa assertiva, não podendo ser mais explícito quando afirma: “Os negros libertos derramaram-se por todo o território nacional. Passaram a ser homens como os outros, distribuindo e cobrando o seu trabalho, de acordo com suas aptidões. Nas fazendas, empregaram-se no trabalho assalariado. E nas cidades, eles se misturavam, na vida social e na família, trazendo o seu concurso vigoroso à obra de formação da sociedade brasileira” (p, 87-8). Ao mesmo tempo, admite que não ocorreu uma catástrofe depois da Abolição, porque a cafeicultura tornara-se a atividade econômica básica do País e já estava admitindo mão-de-obra estrangeira. Seria procedente, então, a suposição de que os estrangeiros e os ex-escravos começaram a trabalhar em igualdade de condições, como assalariados típicos, em uma sociedade que se dizia “aberta”? As pesquisas empíricas realizadas pelos sociólogos demonstraram que, em grande medida, isto não se deu, especialmente nos estados do Sul do País, incluindo São Paulo. Diante disso, percebe-se que, na fase cultura lista, não se tem uma visão realista do negro.
Na análise do movimento abolicionista, também é dessa perspectiva que o autor parte. Veja-se, por exemplo, a ênfase que confere à pressão da opinião pública, em que se representavam “todas as camadas sociais” (p. 83), não considerando os suportes reais das posições pró ou anti-abolicionistas, nem distinguindo os interesses econômicos diversos que se achavam envolvidos no processo político da abolição da escravidão negra. Não surpreende, portanto, que de tal ângulo o negro seja visto como “o principal artífice da sua própria emancipação” (p. 89), quando recorria a fugas, à violência e aos movimentos organizados para alforria. Ora, estas foram formas de reação que seriam pouco eficazes, não estando presentes as condições abaladas no final do período escravista, Os movimentos organizados restringiam-se principalmente ao meio urbano, onde foi possível a acumulação de alguns recursos pelos “negros de ganho” ou “negros de aluguel”. As confrarias e irmandades de negros, que o autor tanto valoriza, não tiveram a iniciativa dos escravos, pois decorriam de política deliberada da Igreja Católica, que zelava por não misturar “nações” diferentes na mesma associação, mantendo umas afastadas das outras e concorrendo entre si. Igualmente as festas dos reizados e dos corgos, citadas nesta obra, ao invés de organizadas para a defesa e o encaminhamento pacífico da libertação, como pretende Arthur Ramos, atuavam como estabilizadoras inócuas das tensões reivindicativas e eram até estimuladas pelo poder público, pois limitavam-se a uma espécie de “contestação ritual” do verdadeiro poder vigente.
A esta altura cabe considerar que o autor arma uma cilada para si, cometendo um deslize, pois anteriormente, emA aculturação negra no Brasil (Cia. Editora Nacional, 1942), no capítulo intitulado O negro e a república, havia colocado o problema em termos bem mais realistas, afirmando que a Abolição aconteceu por uma imposição de ordem econômica – os fazendeiros paulistas “libertaram-se dos escravos” – e que, depois dela, os ex-escravos foram jogados à própria sorte, para concorrerem como assalariados com os imigrantes, plenamente amparados pelo Governo. Disse ele textualmente: “E começou a última etapa de um calvário que não teve os seus líricos e os seus poetas para cantar, como os altiloquentes da abolição” (p. 173) e mais adiante: “A República desconheceu o negro” (p, 174).
Quando o autor afirma: “Durante toda a campanha abolicionista, foram os negros os mais ardentes defensores da causa” (p. 94), está-se referindo a Luiz Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco etc. Estes, como outros negros livres, conseguiram impor-se na sociedade “branca” auxiliados pelo paternalismo de “brancos”. São exceções que não alteram fundamentalmente a ordem; antes são válvulas de escape para o sistema, que revelam aceitação individualista e ultra-seletiva de certos negros pela sociedade inclusiva. É o que acontece no campo da música, da pintura, da escultura, da arquitetura, das letras e das ciências. Aqui, então, perguntamos: o que conta nas obras deles é o seu valor e o reconhecimento no “mundo branco”? Os artistas negros, pós-libertação, compõem uma “elite” desvinculada das massas de cor? Se os conteúdos e os estilos deles conformam-se nos da sociedade inclusiva, muitas vezes moldados “à européia”, não podem ser considerados expoentes autênticos da “raça”. Por exemplo: Gonçalves Dias destacou-se não como poeta da negritude, mas como indigenista; Castro Alves, também de ascendência negra, apresentara a mesma visão piedosa e paternalista dos brancos do estrato dominante, a quem interessava desvencilhar-se da mão-de-obra escrava; Cruz e Souza, que gritava contra as pressões do ambiente em virtude da pretensa inferioridade étnica, denotava anseios nitidamente assimilacionistas, e assim por diante. Na época dos estudos de Arthur Ramos, já se diferenciava uma nascente “elite intelectual” negra, vinculada a movimentos reivindicatórios que se acompanhavam de uma ideologia de desmascaramento racial, mas ele não a captou.
Mais uma vez aflora a ideologia da democracia racial, quando o autor pretende enumerar vultos negros que se projetaram na política brasileira republicana ou nas forças militares e não o consegue: “Entre nós, atualmente, o Negro não se separa dos restantes dos componentes brancos e mulatos, do Exército. E, por isso, não há estatísticas oficiais para o cômputo de soldados e marinheiros negros nacionais” (p, 185). “A inexistência de linha de cor e desigualdade política e social impedem que se destaquem os seus nomes, em biografias separadas de vultos negros na política brasileira” (p. 189).
Quando muito, Arthur Ramos alcança distinguir a presença do preconceito de classe, ao afirmar que o problema do negro é o mesmo problema das classes pobres, em que se acha diluído e de cujas reivindicações toma parte, onde a linha de cor é bastante atenuada, senão inexistente. Aceita que nos estados do Sul do País, embora a legislação não estabeleça separações, “o preconceito de cor se estabelece na opinião pública” (p, 191), principalmente em virtude da presença de um contingente considerável de imigrantes brancos.
Nesse sentido, o autor fornece pistas para a compreensão dos movimentos negros em São Paulo, por exemplo, seu caráter reivindicativo, integracionista e igualitário, mas não as explora até as últimas consequências. Uma análise dos Estatutos da Frente Negra Brasileira, que ele reproduz na íntegra, por exemplo, traz à tona uma tomada de consciência do estado de anomia social e a aspiração de superá-lo, o despertar para a luta contra a estereotipação negativa, para a necessidade de manipulação de técnicas sociais que facilitem ou promovam a ação conjugada com vistas à ascensão social, a busca de ampliação do horizonte cultural do negro etc. Obviamente, em vista de nossas considerações anteriores, nem mesmo a genialidade do autor conseguiria atingir este nível de profundidade, naquela ocasião. Por isso reconhecemos e valorizamos o pioneirismo do autor e de sua obra. Reafirmamos também que os méritos de Arthur Ramos só podem ser apurados mediante a leitura de todos os seus estudos publicados e levando-se em conta as limitações da abordagem culturalista. 
 

 

__._,_.___
Please follow and like us:
error

BRAZIL – QUE PAIZ É ESTE?

Coletânea 2013, JOSÉ CARLOS GENTILI

                                 Brazil – que paiz é este?

 

Simbolicamente, um homem de Belmonte navega fugindo das calmarias e redescobre aos europeus medievais uma terra milenar, dita Pindorama, denominando-a de Ilha de Vera Cruz, ou seja, Ilha da Cruz Verdadeira. Ledo engano festeiro, logo alterado por frei Henrique Coimbra, rezador – mor da esquadra portucalense, como Terra de Vera Cruz. Dias após, Cabral, atendendo gregos e troianos; ou melhor, lusitanos e aborígenes insatisfeitos, promove profunda e importante modificação nominal, estabelecendo aos incréus locais que a gleba era santa e não mais vera! Instalou-se, assim, verdadeiro conciliábulo tupi-guarani, desejando os nativos continuar com a sua Terra das Palmeiras, Pindorama, e o capitão Pedro Álvares, fincando pé com a versão latino-americana.

Como a maioria era analfabeta, além de muitos analfabetos funcionais, houve por bem o comandante da expedição chamar o escrivão de ofício, Pero Vaz de Caminha para que escrevesse a El Rey de Portugal, noticiando a respeito do imbroglio local. Nascia, de forma epistolar, a primeira peça literária da terra brasilis, assim vazada de maneira pueril, carnavalesca, e por não dizer, surrealista/pornô.

“Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.”

O escriba Caminha e seu grupo de navegantes, após três meses baloiçando em ondas atlânticas, com saudades das suas raparigas que ficaram no Tejo a acenar lenços brancos, ficaram estupefatos com a miragem libertina de mulheres glabras e sensuais, expondo seus corpos despidos, bronzeados.

Daí, talvez, o ditado popular – a galera foi ao delírio!

D. Manuel, monarca de plantão, bem que gostaria de desfrutar umas férias conjugais no Novo Mundo, terra das brasas, alusivas à cor ocre das madeiras aqui encontradiças, próprias para tingimento de tecidos.

Aflorava o Brasil colonial e os brasileiros, homens que vendiam o pau-brasil, devastando a Mata Atlântica nas feitorias nordestinas, paraíso dos degredados.

O fidalgo de Belmonte, conhecedor profundo e vivente de sua região com larga história judaica sefardita, resistente à intolerância religiosa da Península Ibérica, assistia, a época, as conversões com medo da Inquisição, dos marranos, dos cripto-judeus que fugiam do país com nomes de frutas, animais e árvores. Eram os Pereira, os Oliveira, os Macieira, os Anta, os Lobo, os Carneiro, os Bezerra, os Figueira, os Olivares, os Carvalho, os Noronha e centenas de outras denominações dos cristãos-novos, que vieram povoar as terras tupiniquins, como os Ávila, detentores do maior latifúndio do mundo, na Bahia.

Quem mais vinha colonizar a nesga de território demarcado pelo Papa Nicolau V, fixada pela linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, além dos cristãos-novos fugidios e degredados, condenados pela justiça portuguesa?

Vieram mancebos e donzelas, também, acusados pelo mundo reinol como incursos nas legislações manuelina e afonsina, com forte inspiração vaticana, senhora de cutelo e baraço das únicas verdades verdadeiras, enfeixando os poderes temporal e religioso, num só contexto, cognominado de Padroado.

Parte do rebutalho da sociedade lusitana medieval foi expurgada, degredada ao Brasil a título de expiação de suas penas.

A essa escória lisboeta, veio juntar-se nos canaviais brasileiros a escravaria negra, capturada dos confins africanos para constituir-se mão de obra no trabalho braçal nos engenhos financiados pelo judeu holandês Fruner, mega financista, e no plantio da cana- de – açúcar, riqueza de uma época.

O Brasil era, em verdade, uma enorme fazenda lusitana, onde a mulher branca europeia não colocava os pés. Os mamelucos e cafusos estão aí para comprovação racial de uma miscigenação lasciva.

A massa de negros escravizados para as Américas alcançou uma população de aproximadamente 12 milhões de almas, não transportadas na barca de Caronte, mas nas enxovias dos navios negreiros, que partiam de Gorée, já marcados como gado, bem como cristianizados… Um terço sucumbiu na vastidão atlântica!

Estima-se que 3.500.000 africanos ingressaram no país.

Esta ignomínia comportamental, a escravatura, oficialmente, só expirou em dia 13 de maio de 1888, tornando o Brasil a última nação a libertar os negros escravos, mesmo assim por razões econômicas mundiais, como o advento da Revolução Industrial e por pressão dos ingleses para colocação de seus produtos.

Atualmente, o país se constitui na segunda nação negra mais populosa da Terra, depois da Nigéria. Somos um país de quilombos disfarçados e de favelas suburbanas, para onde foram viver os libertos, descartados como lixo humano, liderados por homens sem lei, sem escrúpulos e corruptos por atavismo genético, numa degradante lei gersoniana.

Como Ministro da França no Brasil, amigo de D. Pedro II, cá esteve o Conde francês Joseph Arthur de Gobineau, autor do Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas (Essai sur l´inégalité des races humaines), defensor do racismo científico e da tese do branqueamento racial, afiançando que o Basil era um país sem futuro devido à grande quantidade de pretos e miscigenados. Estas ideias do cientista francês fizeram escola entre nós, junto a Artur Ramos, Nina-Rodrigues e, inclusive aos escritores Euclides da Cunha e Monteiro Lobato. Era a supremacia da raça ariana em voga.

A Política Nacional de Embranquecimento e a Lei Áurea, concomitantemente, geraram a imigração europeia massiva (italianos e tedescos) e posteriormente na asiática, a japonesa.

O nepotismo nacional nasce com o oportunista e letrado mestre da Balança da Casa da Moeda, no Porto, Pero Vaz de Caminha, então, designado como escrivão da armada cabralina, com pedido assim comprovado, a fim livrar dos ferros o marido de sua filha Isabel, preso por assalto e agressão:

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d’Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500.

 

Vê-se que nada mudou!

 

Esta ínsula da Cruz Verdadeira, foi ganhando denominações como Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Brasil, Império do Brazil, Estados Unidos do Brasil e pelo regime militar, em 1969, de República Federativa do Brasil, mas continua sendo Brazil, mundo afora, embora o Acordo Ortográfico Luso-brasileiro, estabelecido pelo Decreto nº 20.108/1931, tenha definido o uso de Brasil com a letra s.

 

Brazil – que paiz é este?  Brasil – que país é este?

 

Recordista mundial de escorchantes impostos – este país arrecada a bagatela de um trilhão de reais, conforme nos mostra o Impostômetro, da Associção Comercial de São Paulo, situação que obriga a população a trabalhar durante 5 meses ao ano para liquidar suas obrigações tributárias. Na água que bebemos incide 44% de tributos, relembrando-se que o Brasil possui o Aquífero Guarani, um dos maiores mananciais do mundo.

 

O Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa confirmam que 38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais e não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (INF). No seguimento do bacharelato em Direito, a OAB comprova que 85% dos aspirantes à advocacia foram reprovados. Imagine-se se o Conselho Federal de Medicina, o Conselho de Engenharia e Arquitetura, o Conselho Federal de Farmácia e outros mais conselhos das profissões brasileiras exigissem exame de ordem. Sem dúvida, a população constataria a desqualificação do ensino nacional, fruto da desídia governamental e da prática funesta da não repetência.

A repetência no ensino fundamental exporia as mazelas governamentais de uma realidade encoberta na rede oficial. O aluno passa de ano sem o mérito devido!

Os meios de comunicação no mundo, sejam eles televisivos, jornalísticos ou telefônicos, sofreram vertiginosa alteração, porquanto dos 7 bilhões de habitantes no mundo, 6 bilhões têm celulares, que passaram a compor redes sociais de integração das pessoas, alheias aos controles políticos estatais, sobretudo de natureza censória. O Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial com quase 300 milhões de celulares, atingindo 51,2% de inclusão digital, sendo que 2/3 dos pobres tem acesso.

O país é o 85° na classificação de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Por sua vez, é a 8ª economia mundial, atingindo o 95° lugar na lista de países por índice de alfabetização e 69° no quadro mundial de Índices de Percepção da Corrupção Mundial (IPC), referente aos funcionários públicos e políticos.

 

A população brasileira alcançou o patamar de 201 milhões de habitantes, podendo-se afirmar que mais da metade da população, excluindo-se os aborígenes, é composta de analfabetos, verdadeira massa de manobra de políticos descompromissados com a soberania nacional, com os destinos do país, com a ordem e o progresso do pavilhão verde-amarelo, com saúde, educação e segurança de um povo, sob o manto de uma Justiça leniente com os mais afortunados e corruptos.

 

Brasil – que país é este? Acorda, Brazil!

 

 

 

 

 

 

Coletânea 2013, JOSÉ CARLOS GENTILI

                                 Brazil – que paiz é este?

 

Simbolicamente, um homem de Belmonte navega fugindo das calmarias e redescobre aos europeus medievais uma terra milenar, dita Pindorama, denominando-a de Ilha de Vera Cruz, ou seja, Ilha da Cruz Verdadeira. Ledo engano festeiro, logo alterado por frei Henrique Coimbra, rezador – mor da esquadra portucalense, como Terra de Vera Cruz. Dias após, Cabral, atendendo gregos e troianos; ou melhor, lusitanos e aborígenes insatisfeitos, promove profunda e importante modificação nominal, estabelecendo aos incréus locais que a gleba era santa e não mais vera! Instalou-se, assim, verdadeiro conciliábulo tupi-guarani, desejando os nativos continuar com a sua Terra das Palmeiras, Pindorama, e o capitão Pedro Álvares, fincando pé com a versão latino-americana.

Como a maioria era analfabeta, além de muitos analfabetos funcionais, houve por bem o comandante da expedição chamar o escrivão de ofício, Pero Vaz de Caminha para que escrevesse a El Rey de Portugal, noticiando a respeito do imbroglio local. Nascia, de forma epistolar, a primeira peça literária da terra brasilis, assim vazada de maneira pueril, carnavalesca, e por não dizer, surrealista/pornô.

“Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.”

O escriba Caminha e seu grupo de navegantes, após três meses baloiçando em ondas atlânticas, com saudades das suas raparigas que ficaram no Tejo a acenar lenços brancos, ficaram estupefatos com a miragem libertina de mulheres glabras e sensuais, expondo seus corpos despidos, bronzeados.

Daí, talvez, o ditado popular – a galera foi ao delírio!

D. Manuel, monarca de plantão, bem que gostaria de desfrutar umas férias conjugais no Novo Mundo, terra das brasas, alusivas à cor ocre das madeiras aqui encontradiças, próprias para tingimento de tecidos.

Aflorava o Brasil colonial e os brasileiros, homens que vendiam o pau-brasil, devastando a Mata Atlântica nas feitorias nordestinas, paraíso dos degredados.

O fidalgo de Belmonte, conhecedor profundo e vivente de sua região com larga história judaica sefardita, resistente à intolerância religiosa da Península Ibérica, assistia, a época, as conversões com medo da Inquisição, dos marranos, dos cripto-judeus que fugiam do país com nomes de frutas, animais e árvores. Eram os Pereira, os Oliveira, os Macieira, os Anta, os Lobo, os Carneiro, os Bezerra, os Figueira, os Olivares, os Carvalho, os Noronha e centenas de outras denominações dos cristãos-novos, que vieram povoar as terras tupiniquins, como os Ávila, detentores do maior latifúndio do mundo, na Bahia.

Quem mais vinha colonizar a nesga de território demarcado pelo Papa Nicolau V, fixada pela linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, além dos cristãos-novos fugidios e degredados, condenados pela justiça portuguesa?

Vieram mancebos e donzelas, também, acusados pelo mundo reinol como incursos nas legislações manuelina e afonsina, com forte inspiração vaticana, senhora de cutelo e baraço das únicas verdades verdadeiras, enfeixando os poderes temporal e religioso, num só contexto, cognominado de Padroado.

Parte do rebutalho da sociedade lusitana medieval foi expurgada, degredada ao Brasil a título de expiação de suas penas.

A essa escória lisboeta, veio juntar-se nos canaviais brasileiros a escravaria negra, capturada dos confins africanos para constituir-se mão de obra no trabalho braçal nos engenhos financiados pelo judeu holandês Fruner, mega financista, e no plantio da cana- de – açúcar, riqueza de uma época.

O Brasil era, em verdade, uma enorme fazenda lusitana, onde a mulher branca europeia não colocava os pés. Os mamelucos e cafusos estão aí para comprovação racial de uma miscigenação lasciva.

A massa de negros escravizados para as Américas alcançou uma população de aproximadamente 12 milhões de almas, não transportadas na barca de Caronte, mas nas enxovias dos navios negreiros, que partiam de Gorée, já marcados como gado, bem como cristianizados… Um terço sucumbiu na vastidão atlântica!

Estima-se que 3.500.000 africanos ingressaram no país.

Esta ignomínia comportamental, a escravatura, oficialmente, só expirou em dia 13 de maio de 1888, tornando o Brasil a última nação a libertar os negros escravos, mesmo assim por razões econômicas mundiais, como o advento da Revolução Industrial e por pressão dos ingleses para colocação de seus produtos.

Atualmente, o país se constitui na segunda nação negra mais populosa da Terra, depois da Nigéria. Somos um país de quilombos disfarçados e de favelas suburbanas, para onde foram viver os libertos, descartados como lixo humano, liderados por homens sem lei, sem escrúpulos e corruptos por atavismo genético, numa degradante lei gersoniana.

Como Ministro da França no Brasil, amigo de D. Pedro II, cá esteve o Conde francês Joseph Arthur de Gobineau, autor do Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas (Essai sur l´inégalité des races humaines), defensor do racismo científico e da tese do branqueamento racial, afiançando que o Basil era um país sem futuro devido à grande quantidade de pretos e miscigenados. Estas ideias do cientista francês fizeram escola entre nós, junto a Artur Ramos, Nina-Rodrigues e, inclusive aos escritores Euclides da Cunha e Monteiro Lobato. Era a supremacia da raça ariana em voga.

A Política Nacional de Embranquecimento e a Lei Áurea, concomitantemente, geraram a imigração europeia massiva (italianos e tedescos) e posteriormente na asiática, a japonesa.

O nepotismo nacional nasce com o oportunista e letrado mestre da Balança da Casa da Moeda, no Porto, Pero Vaz de Caminha, então, designado como escrivão da armada cabralina, com pedido assim comprovado, a fim livrar dos ferros o marido de sua filha Isabel, preso por assalto e agressão:

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d’Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500.

 

Vê-se que nada mudou!

 

Esta ínsula da Cruz Verdadeira, foi ganhando denominações como Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Brasil, Império do Brazil, Estados Unidos do Brasil e pelo regime militar, em 1969, de República Federativa do Brasil, mas continua sendo Brazil, mundo afora, embora o Acordo Ortográfico Luso-brasileiro, estabelecido pelo Decreto nº 20.108/1931, tenha definido o uso de Brasil com a letra s.

 

Brazil – que paiz é este?  Brasil – que país é este?

 

Recordista mundial de escorchantes impostos – este país arrecada a bagatela de um trilhão de reais, conforme nos mostra o Impostômetro, da Associção Comercial de São Paulo, situação que obriga a população a trabalhar durante 5 meses ao ano para liquidar suas obrigações tributárias. Na água que bebemos incide 44% de tributos, relembrando-se que o Brasil possui o Aquífero Guarani, um dos maiores mananciais do mundo.

 

O Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa confirmam que 38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais e não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (INF). No seguimento do bacharelato em Direito, a OAB comprova que 85% dos aspirantes à advocacia foram reprovados. Imagine-se se o Conselho Federal de Medicina, o Conselho de Engenharia e Arquitetura, o Conselho Federal de Farmácia e outros mais conselhos das profissões brasileiras exigissem exame de ordem. Sem dúvida, a população constataria a desqualificação do ensino nacional, fruto da desídia governamental e da prática funesta da não repetência.

A repetência no ensino fundamental exporia as mazelas governamentais de uma realidade encoberta na rede oficial. O aluno passa de ano sem o mérito devido!

Os meios de comunicação no mundo, sejam eles televisivos, jornalísticos ou telefônicos, sofreram vertiginosa alteração, porquanto dos 7 bilhões de habitantes no mundo, 6 bilhões têm celulares, que passaram a compor redes sociais de integração das pessoas, alheias aos controles políticos estatais, sobretudo de natureza censória. O Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial com quase 300 milhões de celulares, atingindo 51,2% de inclusão digital, sendo que 2/3 dos pobres tem acesso.

O país é o 85° na classificação de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Por sua vez, é a 8ª economia mundial, atingindo o 95° lugar na lista de países por índice de alfabetização e 69° no quadro mundial de Índices de Percepção da Corrupção Mundial (IPC), referente aos funcionários públicos e políticos.

 

A população brasileira alcançou o patamar de 201 milhões de habitantes, podendo-se afirmar que mais da metade da população, excluindo-se os aborígenes, é composta de analfabetos, verdadeira massa de manobra de políticos descompromissados com a soberania nacional, com os destinos do país, com a ordem e o progresso do pavilhão verde-amarelo, com saúde, educação e segurança de um povo, sob o manto de uma Justiça leniente com os mais afortunados e corruptos.

 

Brasil – que país é este? Acorda, Brazil!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Please follow and like us:
error

timor lorosae 29 set

TIMOR LOROSAE NAÇÃO – diário


PROGRAMAS POLÍTICO, ESPACIAL E NUCLEAR INDIANOS SÃO ALVO DA NSA

Posted: 28 Sep 2013 12:24 PM PDT

Interesses comercias estratégicos do país podem ter sido seriamente comprometidos. De acordo com um documento secreto revelado pelo ex-consultor da NSA, Edward Snowden, ao qual o jornal The Hindu teve acesso, o programa PRISM foi empregado pela agência norte-americana para colher informações vitais da Índia diretamente dos servidores de empresas gigantes de tecnologia que prestam serviços como e-mail, compartilhamento de vídeo, chamadas por IP, chats, transferências de arquivos e redes sociais. Por Shobhan Saxena.
Shobhan Saxena – Carta Maior
As alegações públicas feitas por membros do governo dos EUA e da Índia de que a National Security Agency (NSA) não tirou nenhum tipo de conteúdo da rede de telefonia e de internet indiana e que o programa de vigilância estadunidense procurou apenas “padrões de comunicação” como medida contra o terrorismo estão longe da verdade, ou podem ser até mesmo completamente enganosas.

De acordo com um documento top-secret revelado por Edward Snowden ao qual o The Hindu teve acesso, o programa PRISM foi empregado pela agência norteamericana para colher informações vitais da Índia diretamente dos servidores de gigantes de tecnologia que prestam serviços como email, compartilhamento de vídeo, chamadas por IP, chats, transferências de arquivos e redes sociais.

E, de acordo com o documento sobre o PRISM visto pelo The Hindu, grande parte da comunicação que foi alvo da NSA não tem nada a ver com terrorismo, ao contrário do que dizem autoridades indianas e estadunidenses.
Pelo contrário, muito do que foi espionado tem a ver com a política interna indiana e os interesses estratégicos e comerciais do país.

Essa é a primeira vez que é revelado que o PRISM, que facilita minuciosa vigilância em comunicações ao vivo e em dados armazenados, foi usado pela maior organização de vigilância do mundo, para interceptar e colher conteúdo relacionado a pelo menos três pontos de interesse geopolítico e econômico para a Índia. São eles: nuclear, espacial e político.

O documento altamente secreto da NSA, que tem o selo de “Special Source Operation”, chama “Uma semana na vida do PRISM”, e mostra “amostras de tópicos de 2 a 8 de fevereiro de 2013”. Com uma etiqueta verde em que se lê “589 relatórios finais”, o documento traz os logotipos de companhias como Gmail, Facebook, MSN, Hotmail, Yahoo!, Google, Apple, Skype, YouTube, paltalk.com e AOL no topo da página.

“Relatórios finais” são relatórios oficiais produzidos a partir de informação bruta.

Numa seção intitulada “Índia”, o documento indica claramente várias matérias sobre que tipo de conteúdo foi colhido de vários servidores na internet no intervalo de apenas uma semana.

Esse documento é prova contundente de que a vigilância da NSA na Índia não se restringia a registrar telefonemas, mensagens de texto e logs de emails com o Boundless Informant, uma ferramenta da NSA usada massivamente na Índia. “Como política, espaço e nuclear são mencionados como ‘produtos finais’ nesse documento, isso quer dizer que telefones, emails e mensagens de texto de pessoas importantes relacionadas a esses assuntos foram constantemente monitorados e foi recolhida inteligência deles, e então a NSA preparou relatórios mais refinados com base nessa informação bruta. Isso quer dizer que eles ouvem ao vivo o que nossos líderes políticos, burocratas e cientistas estão conversando entre si” , disse um membro de uma agência de inteligência indiana ao The Hindu, falando sob a condição de se manter anônimo.

Mas ministros e membros do alto escalão do governo insistem em negar.

Depois que o Guardian publicou, em 7 de junho, que o programa PRISM permitiu que a NSA “obtivesse comunicação específica sem requisitar aos servidores de internet e sem precisar de ordens judiciais para cada caso”, membros tanto do governo dos EUA quanto da Índia disseram que nenhum tipo de conteúdo foi extraído das redes do país e que o programa visava “combater o terrorismo”.

O disfarce de Kerry

Durante sua visita a Nova Delhi, em 24 de junho, para participar do India-U.S. Strategic Dialogue, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, negou que programas de agências de seu país acessassem conteúdo online. “Ele não vê o conteúdo de emails. Ele não ouve conversas telefônicas das pessoas. É uma pesquisa aleatória feita por computador nos telefones de qualquer pessoa, pelos números e não pelo nome… Ele pega números aleatórios e verifica se esses números estão ligados a outros números, que ele sabe, por conta da inteligência, estejam ligados a terroristas, em lugares onde esses terroristas operam”, disse o sr. Kerry, enfatizando que apenas quando há um “vínculo relevante” as autoridades pedem uma ordem judicial para recolher mais dados.

Até os membros do governo indiano têm repetido tudo isso desde que as atividades da NSA no país foram reveladas. Em resposta a uma pergunta feita em Rajya Sabha, em 26 de agosto, o ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação, Kapil Sibal, disse que as agências americanas só rastreiam qual “a origem e o destino dos dados, mas nunca tentam acessar o conteúdo, o que precisaria de uma ordem judicial”. “O governo ficaria muito preocupado se dados coletados ilegalmente fossem usados contra cidadãos indianos ou contra a infraestrutura do governo. O governo repassou essas preocupações muito claramente para o governo dos EUA”, disse o ministro, acrescentando que a violação de qualquer lei indiana sobre a privacidade das informações de qualquer cidadão indiano por programas de vigilância seria “inaceitável”.

O limite do “inaceitável” pode ter sido extrapolado pela NSA milhões de vezes com o programa PRISM, já que, de acordo com documentos revelados pelo sr. Snowden, ele é capaz de alcançar diretamente os servidores das companhias de tecnologia que fazem parte do programa, assim como coletar dados em tempo real de alvos específicos. “A National Secutiry Agency obteve acesso direto aos sistemas de Google, Facebook, Apple e outras gigantes da internet”, publicou o Guardian em 7 de junho, a partir de uma apresentação com 41 lâminas em PowerPoint que aparentemente foi usada para treinar agentes de inteligência com o programa.

Com os estrangeiros tudo bem

As companhias de tecnologia negam que permitam o acesso direto da NSA. Com duras palavras de rechaço à participação em programas de vigilância, eles alegam permitir o acesso a dados apenas nos termos previstos em lei.
Aqui está o pulo do gato. Ao contrário das negativas das empresas de tecnologia e das alegações do ministro das Comunicações indiano de que a agência norteamericana precisa de um “mandado judicial” para ver conteúdo online, a NSA usou as mudanças nas leis estadunidenses sobre vigilância que permitem que qualquer usuário dos serviços das empresas participantes “que more fora dos EUA ou os americanos que se comuniquem com pessoas fora dos EUA” seja alvo. Essa lei, conhecida como FISA Amendment Act ou FAA, foi introduzida pelo presidente George W. Bush e renovada pelo presidente Barack Obama em dezembro de 2012, e permite espionagem eletrônica em qualquer pessoa que pareça estar fora dos EUA.

Nenhum cidadão indiano, departamento de governo ou organização tem qualquer tipo de proteção legal contra a espionagem da NSA. Em uma declaração conjunta do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e da National Security Agency, em 21 de agosto de 2013, foi dito que “FISA existe para permitir que os EUA tenham dados de inteligência fora do país enquanto protege as liberdades civis e a privacidade dos americanos”.

Então a NSA não tinha nenhum empecilho – técnico ou legal – para usar o PRISM contra a Índia e contra os cidadãos indianos. Armada com a FAA e com a cooperação ativa das maiores marcas de internet, a NSA conseguiu pegar inteligência muito específica da Índia sobre assuntos de enorme interesse estratégico e com muitas implicações para a Índia. Enquanto os programas “espacial” e “nuclear” indianos têm claro valor comercial para empresas dos EUA, a vigilância de “política” tem enormes implicações para as políticas a serem adotadas na região.

“Se os americanos estão ouvindo nossos políticos e grampeando os telefones ou lendo emails de pessoas que cuidam dos programas espacial e nuclear, eles têm enormes vantagens sobre nós em todas as negociações e relações diplomáticas. Mesmo antes de sentarmos à mesa, eles sabem o que vamos fazer. Não é só uma violação da nossa soberania, é uma intrusão completa nos nossos processos decisórios”, disse um membro de alto escalão do Ministério de Assuntos Internos, que admitiu em off que os relatórios sobre a vigilância da NSA “chacoalharam” o governo.

O documento da NSA também tem os nomes de diversos países da Ásia, África e América Latina de onde a agência recolheu dados sobre assuntos que variam de petróleo à OMC a políticas governamentais, deixando claro que a espionagem da NSA estava focada em áreas comerciais e de negócios, e não no alegado campo da segurança nacional. “Se as agências de inteligência americanas e as grandes corporações estão caçando em par, nós vamos perder”, disse o membro do governo indiano.

Mais do que tudo, o fato de a NSA ter como alvo os programas espacial e político da Índia acabam com o mito de que há uma parceria estratégica entre Índia e EUA. O documento visto pelo The Hindu está povoado de países que são normalmente vistos como adversários dos EUA. Quando o programa PRISM foi revelado pela primeira vez, em junho, um membro do governo dos EUA disse que “as informações recolhidas por meio desse programa estão entre os mais valiosos dados de inteligência que já conseguimos, e são usados para proteger nossa nação de uma série de ameaças”.

Leia mais em Carta Maior
NOTÍCIAS DO TIMOR

Posted: 28 Sep 2013 12:01 PM PDT

DPU
“De acordo com o estipulado no acordo de cooperação para fortalecimento do sistema de justiça da República Democrática do Timor Leste, pactudado entre a República Federativa do Brasil e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), assinado em 30 de agosto de 2006, os defensores brasileiros em exercício no Timor Leste poderão atuar em duas frentes: treinamento dos defensores locais, e/ou atuação na linha de frente, na função típica de defensor público.
No âmbito da capacitação, o treinamento pode ser realizado diretamente no Centro de Formação Jurídica, ou, internamente, na própria Instituição, durante o expediente normal de trabalho, ocasião em que os defensores nacionais e internacionais conversam sobre os casos ou discutem alguma matéria específica. Considerando, ainda, que a defensoria do Timor Leste está em fase de estruturação, o conceito de capacitação pode abranger também funções estratégicas, tais como corregedor e assessoria institucional ao Defensor Público-Geral.
O defensor público internacional, em sua atuação no Timor-Leste, pode praticar todos os atos inerentes ao cargo, tais como: audiências, atendimento ao público, confecção de peças, conciliações, enfim, atuação muito semelhante à exercida no Brasil, pela segunda categoria.
No início de minhas atividades em Timor, o exercício estava concentrado nas funções típicas de defensor. Basicamente, realizava atendimento ao público, assim como participava das audiências no Tribunal. Atualmente, além das funções inerentes ao cargo, os defensores brasileiros, em conjunto, ministram a disciplina de Direito Civil, no Centro de Formação Jurídica. Essa instituição vinculada ao Ministério da Justiça tem papel muito importante na formação da cultura jurídica timorense, já que todos os advogados, defensores públicos, membros do Ministério Público e magistrados devem, obrigatoriamente, ser aprovados no curso de formação antes do exercício de suas atividades.
Durante esse primeiro ano de trabalho, os desafios foram vários. Talvez o mais importante tenha sido a compreensão da língua local, o tetum. Nos tribunais, durante os julgamentos, são providenciados tradutores/interprétes, porém, na maioria das vezes, a tradução não é realizada com o rigor necessário, resultando, as mais das vezes, num grande prejuízo para compreensão integral daquilo que foi dito pelas partes, testemunhas, etc. Embora as leis sejam redigidas em português, a maioria esmagadora da população não fala e nem compreende o idioma, mesmo sendo uma das línguas oficiais.
Outro grande desafio enfrentado consistiu na adaptação ao sistema jurídico vigente. Por exemplo, o Código de Processo Penal estipula que o inquérito policial seja sigiloso, de modo que a defesa somente tem acesso aos autos após o início do procedimento judicial. Outra norma que causa espanto é a que prevê a possibilidade de ser nomeada “pessoa idônea” (sic) para a realização da defesa técnica no curso do processo penal. Isso mesmo, se o defensor, por qualquer motivo, não comparecer ao ato, o juiz pode nomear pessoa, sem habilitação em direito, para a realização da defesa do acusado. Essa norma, mesmo sendo flagrantemente inconstitucional, e, contrária a todos os pactos de defesa dos direito humanos, ainda é aplicada pelas cortes timorenses.
Importante frisar que a legislação formal em vigor no Timor Leste, embora proveniente das Instituições competentes (Parlamento), foi, quase na sua integralidade, copiada de Portugal. Assim, há evidente falta de legitimidade, assim como déficit democrático na sua representatividade do povo timorense. A situação é similiar ao ocorrido no Brasil, logo após a independência, sendo certo que, ao longo do tempo, caberá à República Democrática do Timor Leste revisar a legislação, adequando-a à realidade local.
Por fim, necessário ainda informar aos colegas que a vida em Dili é muito agradável. Dili, a capital, é repleta de restaurantes, supermercados, farmácias, lojas, bares, etc. Tem um shopping center, no qual se encontram três novas salas de cinema, além de uma praça de alimentação. Existem atualmente três companhias de telecomunicações, provendo telefonia celular e acesso à internet. Pelo menos três escolas interacionais estão em funcionamento em Dili. Quatro empresas aéreas ligam o Timor Leste a Bali(2), na Indonésia, Cingapura(1) e Austrália(1). Além disso, as belezas naturais podem ser vistas ao longo de todo o país. Praias, montanhas, cachoeiras, reservas ecológicas, etc. O povo timorense, cordial e gentil, identifica-se muito com o brasileiro, principalmente na música e no futebol. São alegres, mesmo diante de um passado recente de muita luta, e demonstram muita vontade em construir uma nação forte e pacífica. Para mim, está sendo uma honra participar desse projeto de cooperação.
Para maiores informações acesse o sítio eletrônico alimentado pelo colega André Castanho Girotto, defensor público do Rio Grande do Sul em missão em Timor:
Defensor Público Federal Jaime de Carvalho Leite Filho
Na foto: Dr. Jaime de Carvalho Leite Filho
Timor Leste vai construir Parque de Ciência e Tecnologia com experiência do Tecmaia

Posted: 28 Sep 2013 03:12 AM PDT

Maia, 27 set (Lusa) — O Parque de Ciência e Tecnologia da Maia (Tecmaia) assinou hoje um protocolo com o Ministério da Indústria do Comércio e Ambiente de Timor Leste para a construção de um espaço idêntico em Díli que “internacionalize” o país.
O diretor-geral do Tecmaia, António Tavares, explicou que a instituição terá como responsabilidade criar e desenvolver os estudos de viabilidade, já a partir do próximo ano, para a instalação de um Parque de Ciência e Tecnologia em Timor Leste.
Formar dirigentes, quadros técnicos e membros das entidades públicas e privadas, dada a experiência nesta fileira de mercado, será outra das obrigações do Tecmaia.
António Tavares avançou ainda que irá prestar consultoria estratégia de âmbito local, nacional e internacional, assessorar a promoção de incubadoras e iniciativas empresariais e elaborar estudos dos produtos e serviços que as empresas de Timor Leste e Portugal devem promover nos mercados dos dois países.
“Queremos que o parque em Timor Leste tenha acesso a plataformas internacionais e seja reconhecido mundialmente como centro de excelência”, referiu o diretor do Tecmaia.
O propósito, disse, é ajudar o governo timorense a desenvolver condições para o empreendedorismo, criação de empresas locais e emprego qualificado para que, os jovens em quem Timor Leste investiu, possam continuar no seu país a trabalhar e viver.
Além de Timor Leste, o Tecmaia tem parcerias com o Qatar, China, Rússia e Brasil, embora em fase inicial.
O vice-ministro do Comércio, Indústrias e Ambiente de Timor Leste, Abel da Costa Freitas Ximenes, revelou que já adquiriram um terreno em Díli, com cerca de 40 hectares, para a construção do parque tecnológico.
O governante, sem revelar valores para o investimento, garantiu que “dinheiro não é problema”, sendo as “maiores dificuldades” a falta de métodos de trabalho, modelos de desenvolvimento e recursos humanos e tecnológicos.
Timor Leste, depois de ter conquistado a independência, frisou, está numa fase em que precisa de “muito” conhecimento, ciência, tecnologia, pesquisa e investigação para aumentar a “velocidade de desenvolvimento”.
“Queremos consolidar a independência e preparar-nos para competir com a Austrália, Singapura e Indonésia”, disse o vice-ministro.
Abel da Costa Freitas Ximenes revelou que optou por ter Portugal como parceiro devido à língua, projeção internacional que tem na área tecnológica e porque em “momentos difíceis do país disseram presente”.
SYF // PJA – Lusa
TIMOR-LESTE QUER INTEGRAR COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA INGLESA

Posted: 28 Sep 2013 02:55 AM PDT

Desejo de ingressar na Commonwealth expresso a poucos meses de assumir a presidência da CPLP
Timor-Leste quer ingressar na Commonwealth– comunidade dos países de língua inglesa. A intenção foi revelada pelo presidente Taur Matan Ruak, à margem da assembleia geral da ONU, em Nova Iorque. Ouvido pela rádio das Nações Unidas, Matan Ruak assegurou que a entrada na Commonwealth em nada afetará a posição da língua portuguesa em Timor Leste, consagrada na Constituição do país.
Sobre a próxima presidência rotativa da CPLP, que Timor-Leste vai assumir em 2014 e durante dois anos, Taur Matan Ruak revelou que a situação política na Guiné-Bissau e o alargamento da comunidade lusófona são os temas prioritários na agenda.
PRIMEIRO-MINISTRO DE TIMOR-LESTE VISITA A GUINÉ-BISSAU

Posted: 28 Sep 2013 02:46 AM PDT

Entre 6 e 10 de Outubro
Bissau – O Primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, inicia, a 6 de Outubro, uma vista de trabalho de quatro dias à Guiné-Bissau, segundo revelou à PNN uma fonte das autoridades de transição.
A deslocação de Chefe do Governo timorense ao país visa reforçar relações de amizade entre os dois Estados, bem como recolher o possível apoio de Timor-Leste à Guiné-Bissau.

Além de encontros com as autoridades do regime em vigor na Guiné-Bissau, Xanana Gusmão manterá encontros com o Representante Especial do Secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta.

De referir que recentemente o Governo de Timor-Leste decidiu abrir uma linha de crédito à Guiné-Bissau, um país que se vê confrontado com inúmeras dificuldades, desde a falta de pagamento de salários, aos problemas de realização das eleições Gerais, ainda agendadas para 24 de Novembro.

(c) PNN Portuguese News Network
DOUTOR HONORIS CAUSA PARA JOSÉ RAMOS HORTA – Rio Grande do Sul, Brasil

Posted: 28 Sep 2013 02:38 AM PDT

Ex-presidente do Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz, Ramos-Horta será homenageado em sessão pública nesta terça-feira, dia 1º de outubro
Conhecido mundialmente pela atividade em defesa dos Direitos Humanos, o político e jurista José Manuel Ramos-Horta será laureado com o título de doutor Honoris Causa da UFRGS, em sessão pública do Conselho Universitário, na próxima terça-feira, dia 1º de outubro. A entrega do título ocorre às 10 horas no Salão Nobre da Faculdade de Direito e é aberta ao público externo. Na sequência, haverá uma palestra do homenageado sobre “Violência ou Paz: Como Construir a Paz Verdadeira”.
A biografia do timorense, filho de mãe timorense e pai português, está diretamente relacionada com a história de seu país. Participou, no início da década 1970, das atividades pela independência do Timor, então colônia de Portugal. Durante os 25 anos que se seguiram à ocupação indonésia da ilha em 1974, vivendo no exterior, Ramos-Horta tornou-se representante da Frente Revolucionária Timor-Leste Independente (FRETILIN) junto à ONU, denunciando as situações de violência da sua terra natal. Neste período, devido à atuação em defesa dos Direitos Humanos, foi condecorado com vários prêmios, entre os quais, o Nobel da Paz de 1996, que recebeu juntamente com seu compatriota, o bispo católico Carlos Filipe Ximenes Belo. Já neste século, na jovem democracia timorense, depois de ser primeiro-ministro e ministro da Defesa, ascendeu à presidência, eleito em 2007, cargo que ocupou a até 2012.
Ramos-Horta atua desde janeiro deste ano na Guiné-Bissau, como enviado da ONU para a função de mediador de conflitos internos. Sua formação acadêmica inclui a graduação em Direito Internacional na Academia de Direito Internacional da Haia, Países Baixos (1983); o mestrado em Estudos da Paz (1984), pela Universidade de Antioch (EUA); e o doutorado em Ciência Política pela Universidade Nacional Pusan da Coreia do Sul.
Please follow and like us:
error