momento poético

564. polir sóis com uma peneira 25 dezembro 2012

 

polir textos é como arear pratas

perde-se sempre algo

nunca se sabe se o brilho que fica

é maior do que o sujo limpo

 

polir amizades é como sacudir o pó

com a gentileza de uma pena

nada se perde nem se transforma

basta um gesto, um telefonema

uma sms, mensagem

talvez apenas um like no Facebook

como se fosse natal todos os dias

 

polir matrimónios é complicado

como diamantes em bruto

pode partir-se a agulha ou o casamento

e em vez de 24 ficam 6 quilates

questão de sorte e perícia

em panos de fina seda

 

polir países é arriscado

as limas devem ser afiadas

à prova de lóbis e governos

cortam-se as esquinas angulosas

talham-se as aparas mais finas

em areias de fina brancura

é como ir ao barbeiro do futuro

ao alfaiate do tempo

encomendar um fato por medida

para dar com a cor do cabelo

e há o risco de cortar o país todo

talhar pessoas trinchar tradições

sem memória nem história

serrar distritos, fender concelhos

encurtar fronteiras até ao mar

e finava-se Portugal em praias e arribas

 

 

polir palavras é bem mais fácil

corta-se uma folha de papel em A4

verifica-se a tinta nos tinteiros

gravam-se carateres como granito

basalto, quartzo ou ametista

lavram-se sulcos como rios

erguem-se sombras como montanhas

sombras de marés vivas

deixa-se a marinar antes do banho-maria

leva-se ao lume brando com pitada de sal

junta-se pimenta a gosto e louro e basilicão

retira-se do fogo e serve-se a gosto

 

sempre sonhei ser poeta

navegar em utopias

escrever cardápios de vida

imensos e belos como o oceano

livres e úteis como o ar

na solidão dos mares açorianos

 

 

chrys chrystello dez 2012

 

 

 

565. solitudes 31 dezembro 2012

 

solidão não me assusta

estar sozinho sim

 

silêncio não me assusta

solilóquio sim

 

inverno não me assusta

cinzento sim

 

multidões não me assustam

estar só no meio delas sim

 

a poesia é uma arma

carregada de solitude

 

 

 

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NATAL DAS ILHAS – Vitorino Nemésio by Urbano Bettencourt

NATAL DAS ILHAS – Vitorino Nemésio
by Urbano Bettencourt on Saturday, 22 December 2012 at 17:19 ·

Natal das Ilhas. Aonde

O prato do trigo novo,

A camélia imaculada,

O gosto no pão do povo?

Olho, já não vejo nada.

Chamo, ninguém me responde.

 

 

Natal das Ilhas. Serão

Ilhas de gente sem telha,

Jesus nascido no chão

Sobre alguma colcha velha?

 

Burra de cigano às palhas,

Vaca com língua de pneu,

Presépio girando em calhas

Como o eléctrico, tu e eu.

 

Natal das Ilhas. Já brilha

Nas ondas do mar de inverno

O menino bem lembrado,

Que trouxe da sua ilha

O gosto do peixe eterno

Em perdão do seu passado.

 

(«Sapateia Açoriana», 1976)

-- 
Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores /Um Australiano nos Açores, http://oz2.com.sapo.pt

NATAL DAS ILHAS – Vitorino Nemésio by Urbano Bettencourt on Saturday, 22 December 2012 at 17:19 · Natal das Ilhas. Aonde O prato do trigo novo, A camélia imaculada, O gosto no pão do povo? Olho, já não vejo nada. Chamo, ninguém me responde. Natal das Ilhas. Serão Ilhas de gente sem telha, Jesus nascido no chão Sobre alguma colcha velha? Burra de cigano às palhas, Vaca com língua de pneu, Presépio girando em calhas Como o eléctrico, tu e eu. Natal das Ilhas. Já brilha Nas ondas do mar de inverno O menino bem lembrado, Que trouxe da sua ilha O gosto do peixe eterno Em perdão do seu passado. («Sapateia Açoriana», 1976) — Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores /Um Australiano nos Açores, http://oz2.com.sapo.pt

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promiscuidade da mulher brasileira

Promiscuidade: Imagem da Mulher Brasileira no Mundo?

Escrito por Yohana de Andrade

Durante o programa televisivo “Justiça Cega?”, da RTP, o Bastonário da Ordem dos Advogados de Portugal, Marinho Pinto, alegou [1] que “uma das coisas que o Brasil mais tem exportado para Portugal são prostitutas, entre outras coisas”.

A afirmação foi feita durante o comentário sobre o caso de Catarina Migliorini, brasileira que vendeu sua virgindade por cerca de 600 mil euros a Natsu, empresário japonês. Marinho Pinto afirmou que o governo brasileiro “acusa a jovem de prostituição”, quando, na verdade, a Procuradoria Geral da República quer acusar o organizador do “Virgins Wanted” de tráfico e prostituição de pessoas.

Diante da afirmação de Pinto, não faltaram reacções de indignação no Facebook [2] e no Twitter [3] com a hashtag #justicacega [4]. No mural de Facebook do Ministério de Relações Exteriores do Brasil foram deixadas mensagens a solicitar uma tomada de posição [5] do Itamaraty e de Associações de Imigrantes e Feministas.

A Casa do Brasil de Lisboa (CBL), conjuntamente com a Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania (ALCC), a Associação ComuniDária e a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), lançaram [6] uma nota de repúdio:

A infeliz perpetuação desta imagem redutora e hipersexualizada da mulher brasileira, através de pessoas que ocupam cargos de responsabilidade, como o Dr. Marinho Pinto, tem implicações graves para a vida de cada uma das brasileiras vivendo em Portugal. São frequentes os casos de assédio sexual, discriminação no emprego e na vida social, bem como dificuldades no acesso ao alojamento e interrogatórios abusivos nos aeroportos e nas esquadras de polícia.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres, gabinete de assessoria da Presidente da República na formulação e coordenação das políticas públicas voltadas às mulheres brasileiras, reagiu informando [7] que o Embaixador do Brasil em Lisboa já teria manifestado ao Bastonário da Ordem dos Advogados a indignação do governo brasileiro com a declaração proferida.

Em nota [8], Marinho Pinto diz que a repercussão sobre sua afirmação “só foi chocante porque é verdade” e alega que seu comentário foi dirigido às prostitutas brasileiras vítimas do tráfico de mulheres em Portugal.

Busca no Google pelo termo mulheres brasileiras em inglês reflete o estereótipo sofrido pelas brasileiras

Busca no Google pelo termo mulheres brasileiras em inglês reflete o estereótipo sofrido pelas brasileiras

A declaração feita por Marinho Pinto remete à polêmica discussão sobre a imagem da mulher brasileira mundo afora. Temas como carnaval e praia, onde mostram mulheres seminuas, são comuns para representar as brasileiras.

“Jornalistas, e a mídia estrangeira de modo geral, costumam mostrar a brasileira ao mundo com certa dose de malícia, excesso de preconceito e demasiada generalização”, indica um [9] artigo de Katia Belisário, Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília e doutoranda em Jornalismo e Sociedade, para o Observatório Mídia & Política:

Representações estereotipadas e preconceituosas por parte da imprensa podem gerar consequências nefastas, tanto para a imagem da brasileira no exterior, quanto para o Brasil como um todo.

Em seu blog, a brasileira Melissa Rossi escreveu [10] sobre sua experiência na Itália e a maneira preconceituosa como a mídia local trata suas conterrâneas:

I have never read one single article on the Italian media that does not play down the image of Brazilian women, often resorting to offensive stereotypes, which portray them as pretty but stupid.

Eu nunca li um só artigo na mídia italiana que não reproduza a imagem da mulher brasileira, frequentemente usando estereótipos ofensivos, que as retratam como sendo bonitas, mas estúpidas.

Performance "Carimbada" da designer gráfica Janaína Teles: "utilizo o carimbo como objecto que taxa e marca outros corpos como a si mesmo (...) testemunha de um auto reconhecimento desta mulher marcada e estereotipada, abrindo possibilidades de processos de resignificação de identidades."

Em fevereiro deste ano, Claudia M. Vieira [13], a advogada e Professora no Mestrado em Direito Internacional e Relações Internacionais da Universidade de Lisboa, escrevia [14] no site Sair do Brasil [15] sobre efeitos do preconceito e discriminação que existe contra a mulher brasileira no exterior:

É tão grave a situação que as próprias mulheres brasileiras  estão mudando o comportamento.  As que ja vivem mais tempo fora do Brasil,  já nem sorriem naturalmente, não brincam, não usam as roupas que gostam, tudo isso, por medo de sofrer preconceito. No curso de Mestrado da Universidade de Lisboa, constatei algumas alunas, falando com o sotaque português para serem aceitas, com a desculpa de que assim eles, os portugueses as entendiam melhor.

Já em setembro de 2011 Mariana Selister, desenvolvendo uma tese de doutorado sobre a representação da mulher brasileira na mídia social portuguesa, lançou o Manifesto Mulheres Brasileiras [16] (@MBrasileiras [17]), em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal:

O estigma da hipersexualidade remonta aos imaginários coloniais que construíam as mulheres das colônias como objetos sexuais, escravas sexuais, e marcadas por uma sexualidade exótica e bizarra. Cita-se, por exemplo, a triste experiência da sul-africana Saartjie Baartman, exposta na Europa, no século XIX, como símbolo de uma sexualidade anormal. Em Portugal, esses imaginários coloniais, infelizmente, ainda são reproduzidos pela comunicação social.

Terminando com um apelo que continua urgente e atual:

Exigimos, das autoridades competentes, que se faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários. Destacamos, também, o “Memorando de Entendimento entre Brasil e Portugal para a Promoção da Igualdade de Gênero”, no qual consta que estes países estão “Resolvidos a conjugar esforços para avançar na implementação das medidas necessárias para a eliminação da discriminação contra a mulher em ambos os países”.


Artigo publicado em Global Voices em Português: http://pt.globalvoicesonline.org

URL do artigo: http://pt.globalvoicesonline.org/2012/12/18/promiscuidade-imagem-da-mulher-brasileira-no-mundo/

URLs nesta postagem:

[1] alegou: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SPnKONSkJes

[2] Facebook: http://www.facebook.com/Brasil.MRE/posts/345933822172056

[3] Twitter: https://twitter.com/JSnotario/status/276443270173818881

[4] #justicacega: https://twitter.com/search?q=%23justicacega&src=hash

[5] solicitar uma tomada de posição: http://www.facebook.com/Brasil.MRE/posts/513283978704891

[6] lançaram: https://www.facebook.com/comunidaria/posts/490278540994606?comment_id=5569485&notif_t=comment_mention

[7] reagiu informando: https://www.facebook.com/comunidaria/posts/486261601418581

[8] Em nota: http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=2936968&page=-1

[9] indica um: http://www.midiaepolitica.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=31:brasil-samba-suor-e-sensualidade-o-imaginario-construido&catid=8:edicao-032011

[10] escreveu: http://www.beyondsamba.org/2012/11/03/brazilian-women-once-again-stereoptyped-in-italian-media/

[11] Image: http://corposmapeados.blogspot.com.br/2011/01/carimbada.html

[12] blog Corpo des-mapeado: http://corposmapeados.blogspot.com.br/

[13] Claudia M. Vieira: http://sairdobrasil.com/author/claudiam/

[14] escrevia: http://sairdobrasil.com/2012/02/13/mulher-brasileira-no-exterior-e-discriminada-sim/

[15] Sair do Brasil: http://sairdobrasil.com/

[16] Manifesto Mulheres Brasileiras: http://manifestomulheresbrasileiras.blogspot.com/2011/09/manifesto-mulheres-brasileiras.html

[17] @M

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colombo português

O livro de Manuel Rosa foi tema da capa do jornal MUNDO PORTUGUÊS, podem ler a entrevista grátis aqui:
http://www.mundoportugues.org/uploads/ed-digital/30nov/nor/index.html
Cristóvão Colombo era afinal um agente secreto ao serviço de D. João II
Manuel Rosa é um investigador portugês e, em entrevista, conta-nos que tal como James Bond “ao serviço de Sua Majestade” povoou o nosso imaginário atual no mundo da espionagem, também Colombo agiu como “agente secreto” ao serviço de D. João II numa altura em que o “segredo era a alma do negócio”… Uma entrevista realizada por ocasião do lançamento do seu livro “Colombo Português – Novas Revelações”… Ler mais

O livro «COLOMBO PORTUGUÊS – NOVAS REVELAÇÕES» resulta de 21 anos de investigação e está disponível em formato digital por apenas $6.00 – tanto no iTunes como no Kindle (ver aqui):
http://colombo-o-novo.blogspot.com/2012/11/agora-em-formato-digital-apenas-400.html

MANUEL ROSA é um Historiador Luso-Americano natural da Madalena do Pico que emigrou com os seus pais para Somerville, MA, em 1973. Vive em North Carolina desde 1995 onde é empregado pela Duke University Medical Center.

Licenciado em Ciências Humanas, ao longo da sua carreira profissional debruçou-se sobre variados temas. No ano de 1976 recebeu o Boston Globe’s Art Merit Award, na década de 80 tornou-se perito informático, na criação de ilustrações digitais sendo convidado para conselheiro da editora internacional Prentice Hall. No ano 2000 iniciou nova carreira com a Lockheed Martin Corporation, contractado pela National Institute of Environmental Health Sciences onde se destacou de novo recebendo o prémio de Lightning Award, em 2002.

Trabalhou como artista gráfico em vários livros e revistas incluindo o Atlantic Monthly, Boston Magazine, e construiu o primeiro Website da Rádio WJFM com “Rádio ao Vivo” na Internet, gratuitamente para o seu grande amigo que foi o Srº Edmund Dinis.
Desde 1991 que Manuel Rosa consagra todas as suas horas livres à investigação da vida de Cristóvão Colombo tendo percorrido já meio mundo, desde a Republica Dominicana até à Polónia na sua tarefa em busca da verdade histórica. Foi o único historiador Luso envolvido nas análises de ADN aos ossos de Colombo na Universidade de Granada sendo o responsável pela participação de D. Duarte, Duque de Bragança e do Conde da Ribeira Grande nas análises de ADN.
Em 2006, após 15 anos de investigação científica publicou o seu primeiro livro académico sobre este tema «O Mistério Colombo Revelado» (Ésquilo, 2006). Depois publicou «Colombo Português-Novas Revelações» em 2009, com prefácio do Professor Joaquim Veríssimo Serrão (Ex-Presidente da Academia Portuguesa de História, Catedrático jubilado da Universidade de Lisboa).

O livro «Colombo Português-Novas Revelações», que teve grandes elogios de académicos em Portugal, incluindo da Professora Drª Manuel Mendonça, (Presidente da Academia Portuguesa de História) foi publicado na Espanha em 2010, acaba de ser publicado em formato digital para iTunes e para Kindle.
«Colombo Português-Novas Revelações» foi também publicado na Polónia em 2012, onde está a ter grande sucesso por vezes aparecendo nas litas de vendas em frente do livro de Steve Jobs.

Desde 2006 que o Srº Rosa é conhecido como o maior perito da vida de Colombo, entrevistado pelos mais variados jornalistas do mundo, incluindo o Público, a SIC, RTP, BBC Radio, WNPR, El Mundo, Telegraph, New York Daily, foi tema da capa da Newsweek Magazine e tem apresentado palestras sobre o Colombo Português em várias universidades, escolas e organizações desde Portugal, à Espanha, Polónia, Suíça e Estados Unidos, incluindo na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Academia Portuguesa de História e Portugal. ( http://colombo-o-novo.blogspot.com )

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A CORTINA DOS DIAS DE ALFREDO CUNHA

A CORTINA DOS DIAS – LIVRO DE ALFREDO CUNHA, fotógrafo

"A Cortina dos Dias"
A Cortina dos Dias / Obscured by Shadows
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 280
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-06257-4
Idioma: Português
O fotógrafo Alfredo Cunha lança um livro antológico que cobre 4 décadas de intensa actividade, “A cortina dos dias”, um resumo, nas palavras do autor, de “uma vida fantástica, com acontecimento sucessivos”.
Em “A Cortina dos dias” está o 25 de Abril, a descolonização, a miséria social, as convulsões políticas, as revoltas a Leste, a guerra no Iraque, os órfãos na Roménia, a devoção católica, a Índia, a explosão da China e muito Portugal, do interior mais remoto ao bairro social carregado degraffiti.
Um livro de reportagens
“Isto é um livro de reportagens, é um livro de fotojornalismo, mas não tem é a estética normal do fotojornalismo, aqui existe uma cumplicidade com as pessoas, uma integração do fotógrafo no meio e não há uma utilização das pessoas quase como adereço que é a grande crítica que eu faço hoje ao fotojornalismo”, afirma.
Ao folhear-se “A cortina dos dias” sobressaem as imagens fortes dos rostos populares, mas quando interrogado sobre se pode ser considerado, em Portugal, o “melhor fotógrafo do povo”, Alfredo Cunha diz que não e fala de Eduardo Gageiro, de Gérard Castello Lopes, de outros fotógrafos.
Através da sua objetiva, intencional e plástica, revelam-se as luzes e sombras de um mundo e de um país em mudança, que nos levam a redescobrir quem somos e a trilhar novos caminhos
Fonte: Porto24
http://coisasdecomunicacao.blogspot.pt/2012/12/a-cortina-dos-dias-livro-de-alfredo.html
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SAUDADES DE ABRIL

ando nostálgico:
CHICO MANDA ALGUM CHEIRINHO DE ALECRIM PÁ…AQUI JÁ ACABOU A PRIMAVERA
(ATUALIZADO)
http://www.youtube.com/watch?v=V7JXlmE60r0
(ORIGINAL)
http://www.youtube.com/watch?v=hdvheuHhF2U

E O FADO TROPICAL
http://www.youtube.com/watch?v=VHQFmBrjLCM

 

AVRIL TOUJOURS http://www.youtube.com/watch?v=IRqsnI7vpcw

 

O HAITI JÁ É AQUI

http://www.youtube.com/watch?v=U7U4eJppS0U

http://www.youtube.com/watch?v=EDB2nZSbkLg

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PARABÉNS ONÉSIMO ALMEIDA

 

Minha gente
Há pessoas assim. Tão grandes que levam quatro dias a nascer. Ou quatro dias a fazer anos. Por isso o trabalho lhes rende como se cada dia seu valesse por quatro dos nossos. No ano em que lhe enviei o poema acróstico que vou transcrever (uma vez mais, porque não tenho nada menos mau) ele fez anos no dia 18. Mas, à cautela, vai como se fosse hoje. O nome do autor aparece somando as primeiras letras de cada último verso

Orgia da palavra bem pensada,
Natureza total da humana essência,
Édipo da verdade desvendada,
Saber feito de si e da exp’riência,
Inimigo da vida sossegada,
Moldando (como quer sua ciência)
Os actos que o destino lhe destina.
– Desobedece à sorte, se é mofina.

Omitir-se não pode, que ao saber
Não convém fingimentos de ignorância.
Étimo remissivo do escrever
Sobre este amargo mar, nesta distância,
Inventa ou prova, até um incréu crer
Movido à fé por uma tal constância.
Os Açores são, pois, o imaginário
– A que deu voz e corpo literário.

Onde haja um português que se aquebrante
Nas Índias do Ocidente, mundo imundo,
É dele que se espera que o levante,
Se do abismo até já soube o fundo,
Indo a Cascos de Rolha, num instante,
Mais longe, sendo o caso, que do Mundo,
Outro nenhum como ele sabe os cantos.
– Nenhum outro, sendo um, vale por tantos.

Ouçamos-lhe a palavra deleitosa,
Negando-se à vulgar monotonia.
Ética ou não, é sempre numerosa,
Salva-a, por mais que dure noite e dia,
Isso de ser tão sábia quão jocosa,
Menos dada à tristeza que à alegria.
Orgulho, talvez não, nem preconceito.
– Isto é como se quer um homem feito.

Obélix é, se a ele comparado,
(Na força o bom gaulês, ele no siso)
Ésquilo infante ainda; recém-nado
Salomão muito longe do juízo;
Ibsen p’la mãe ainda amamentado;
Malebranche de si só com seu viso;
Ouro a haver na retorta do alquimista.
– Esta a imagem possível do artista.

Ondas do mar de Vigo que chegaram,
Na língua portuguesa a Portugal,
É nelas que as palavras nunca param
Sulcando mar e mar, por bem e mal.
Imersos nessa glória se c’roaram,
Mundo outro construído a este igual:
Onde aqui foi a fé, lá é o templo.
– Louvemos o seu nome, mor exemplo.

ASS DANIEL DE SÁ

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