morreu gabriel garcia marquez

Morreu Gabriel Garcia Marques

Adeus Gabriel García Márquez
Partiu um dos melhores escritores latino-americanos do século XX.

Adeus Gabriel García Márquez Partiu um dos melhores escritores latino-americanos do século XX.

“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me
presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que
pudesse…
(….)
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol,
deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
(…..)
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com
o esquecimento.
(….)
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão,
pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
(…..)
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente
de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa,
infelizmente estarei morrendo.
(…..)

Gabriel Garcia Marques

o pecado de falar galego,Bernardo Penabade

in diálogos lusófonos

https://alemguadiana.blogs.sapo.pt/o-pecado-de-falar-uma-lingua-o-galego-167174

O pecado de falar uma língua (o galego, por exemplo)

Galiza – PGL – [Carlos Durão] O autor, Bernardo Penabade, que foi presidente da AGAL (Associação Galega da Língua), é professor de Língua e Literatura no Instituto Perdouro de Burela, onde impulsiona o ‘Modelo Burela’, primeiro projeto de planificação linguística aprovado por unanimidade numa vila galega.
Diz-nos ele, no prólogo e na contracapa do livro, que as entrevistas com o professor Estraviz “devem entender-se como homenagem ao seu protagonista… Uma vez publicado o seu testemunho, o perfil humano e profissional de Estraviz deixa de ser privativo daqueles círculos que tivemos o privilégio de o acompanhar de perto nestes últimos trinta anos e passa a ser património comum da cidadania da Galiza e de todos aqueles países que no mundo utilizam o idioma de raiz galega”.

Durante vários anos, B. Penabade manteve este alargado diálogo com o seu amigo lexicógrafo, aprofundando na vida e no conhecimento de uma das figuras mais relevantes no estudo da língua e literatura galegas.
I. A. Estraviz é o redator e coordenador do grande dicionário que leva o seu nome (hoje na Rede:http://www.estraviz.org/, Dicionário da Língua Galego-Portuguesa, e-Estraviz, no Portal Galego da Língua, com jogos didáticos, a partir de 2005, e agora na sua terceira edição em Internet), e neste livro de entrevistas podemos conhecer melhor o professor, o monge, o ativista, o estudioso… desde criança: as suas lembranças, a sua aldeia natal de Vila Seca (Límia, 1935), a sua chegada ao mosteiro de Usseira, a vida ali, e os inícios da sua formação humanística, o posterior desterro, e o abandono do monacato, que abre uma nova etapa na sua vida, completando a sua formação, morando então, e exercendo a docência e a dedicação social, em várias cidades do Estado Espanhol [sic] (Madrid, Albacete), França, Alemanha, com deslocamentos ao Brasil, Inglaterra, Portugal (Lisboa, Anadia, Norte…), etc., expressando-se em galego, castelhano, catalão, francês, alemão… e redigindo e coordenando a sua maior obra: o mais completo dicionário existente do português da Galiza.
A edição está ilustrada com numerosas fotografias da vida de Estraviz, com um anexo e dezasseis páginas a cor que mostram visualmente diferentes momentos da sua vida, partilhados com familiares e amigos (como Manuela Ribeira Cascudo), e vultos da galego-lusofonia (como Manuel Maria, I. Dias Pardo), bem como documentação pertinente ao texto.
http://apedoiro.files.wordpress.com/2009/12/isaac.jpeg?w=595
Por diante dos nossos olhos vai passando o rapaz criado no rural, partilhando com a sua família numerosa as duras tarefas do campo, aprendendo o galego da Límia (que nunca deixou de falar), destinado depois ao monacato no mosteiro cisterciense de Usseira (uma das colocações que na altura muitos pais procuravam para os seus rapazes saírem do mundo rural), mas tendo que o abandonar, junto com os seus companheiros, devido a um conflito gerado pela atitude sobranceira dos seus superiores (a proibição de falar a sua língua era considerada “normal”, devendo ele próprio até se confessar do “pecado de falar galego”).
Começou então um desterro que o levou a mosteiros cistercienses da Cantábria, Navarra, França, Alemanha, e depois, de volta ao Estado Espanhol [sic], exclaustrado, a Albacete (onde foi sacerdote na comunidade cigana), e Madrid, fazendo labor pastoral em bairros marginais, ao tempo que trabalhava na docência e seguia os seus estudos universitários.
Relacionou-se então com o grupo editorial Galáxia, de R. Piñeiro e F. Fernández del Riego (iniciando a sua colaboração com a revista Grial), e com a editora SEPT, de J. Illa Couto (para a qual fez uma tradução dos Salmos, e outras).
Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Comillas (1973), em Filosofia e Letras pela Complutense de Madrid (1974), e na mesma em Filologia Românica (1977), foi diplomado em Cultura e Língua Portuguesas pela Universidade de Lisboa (1976), e doutor em Filologia Galega pela Universidade de Santiago de Compostela (1999) com a tese “O Falar dos Concelhos de Trasmiras e Qualedro”.
Entre 1975 e 1977 foi professor de Língua e Literatura Galegas no Ateneu de Madrid, e desde então até 1984 desempenhou o mesmo labor na Irmandade Galega-Lôstrego da capital do Estado. Como Professor de Bacharelato percorreu várias vilas e cidades galegas (A Rua, Ferrol, Ponte Vedra, Ponte d’Eume, Santiago, Vigo, Corunha, Ordes) até obter destino definitivo no Instituto Otero Pedraio de Ourense em 1987. Em 1986 assistiu como observador (por delegação do professor Ernesto Guerra da Cal) ao Encontro sobre Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, 6-12 de maio de 1986, no Rio de Janeiro (tendo ali a oportunidade de dar a conhecer o seu primeiro Dicionário). De 1990 a 1992 foi Professor Associado da Universidade de Vigo, desde 1992-94 Professor Titular de Didática da Língua e Literatura Galegas na Universidade de Vigo, em Ourense e Ponte Vedra, e de 1994 até hoje só no de Ourense. É membro da Comissão Linguistica da AGAL, Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), do Conselho de Redação da Revista Agália e do Boletim da AGLP.
Em Madrid, nos anos anteriores e posteriores à chamada “transición” política espanhola, desenvolveu uma intensa atividade associacionista, relacionando-se com pessoas do Grupo Brais Pinto (entre elas o veterano J. R. Fernandes-Ojea Ben-Cho-Shey, “embaixador da cultura galega” em Madrid), e do Café Gijón (como C. Emílio Ferreiro, R. Garcia Domingues Borobó, E. Blanco Amor…). Em Lisboa foi aluno de Lindley Cintra e Malaca Casteleiro, supervisado por Ivo de Castro, e conheceu Ma. Helena Mira Mateus e ainda o ministro da educação J. A. Seabra.
Surgiu naqueles anos o projeto de fazer um Dicionário Galego com um grupo de colaboradores, em princípio para se publicar pela Editora Akal, depois pela Editora Galáxia; mas então evidenciaram-se já as diferenças de focagem linguística com Ramón Piñeiro, quem lhe dizia: “O dia de manhã podemos fazer um dicionário Galego-Português, mas agora não é conveniente” (pág. 163), ao tempo que pedia que adaptasse o texto das entregas às normas do ILG (então conhecido como Instituto de la Lengua Gallega, liderado pelo isolacionista Constantino García). Naquela altura, o professor R. Carvalho Calero liderava uma Comissão académica encarregada de elaborar umas normas ortográficas com critérios histórico-etimológicos, com os que concordava o Estraviz. R. Piñeiro então desentendeu-se da edição do seu dicionário.
Depois de tentativas falhas com várias outras editoras (conseguindo contudo publicar o Dicionário galego ilustrado “Nos”, 1983), e de ainda mais tempo perdido, nasceu finalmente a editora Alhena (“nome da estrela gama da constelação dos Gémeos”, p. 167), que por fim publicou o dicionário em três tomos (Dicionário da língua galega, Alhena, 1986), e andando o tempo a editora Sotelo Blanco num tomo (Dicionário da língua galega, Sotelo Blanco, 1995), embora ambos com concessões gráficas, como grafar os verbetes só entre parênteses com a ortografia histórica.
É justo assinalar aqui que “os primórdios da AGAL geriram-se no primeiro encontro da comissão encarregada de elaborar o dicionário… [com] José Luís Rodrigues e Martinho Montero Santalha” (p. 179), cujos Estatutos registou o Isaac no Ministério da Cultura do Estado (1981).
Dentre os inúmeros encontros e desencontros do Estraviz com o oficialismo linguístico (chamemos-lhe assim: bem podia ser caracterizado como caciquismo linguístico), talvez merece ser salientado este com Paz Lamela, na altura Diretora geral de política linguística, quem o cumprimentou pelo seu “bom galego”. “Após uma longa conversa, disse-me claramente que, se renunciava a criticar a norma oficial em público, ela se comprometia a procurar-me uma vaga dentro da rede de ensino público no lugar que mais gostasse” (p. 209; não é preciso dizer mais: também outros temos sido objeto deste tipo de “ofertas” mefistofélicas).
I. A. Estraviz participou sempre muito ativamente em todas as iniciativas que visavam reintegrar a ortografia galega ao seu berço histórico, como as Jornadas do Ensino da Galiza e Portugal (que dirigia J. Paz em Ourense), a Associação Sócio-Pedagógica Galega, as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, a Associação de Amizade Galiza-Portugal, bem como a Rádio Antojo, ademais das mencionadas AGAL e AGLP.
Contribuiu fundamentalmente (com A. Gil Hernández) ao Estudo crítico das Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego (AGAL, 1983), ao Guia prático de verbos galegos conjugados (AGAL, 1988), e ao Prontuário ortográfico galego (AGAL, 1985).
Publicou numerosos trabalhos no Boletim de Filologia de Lisboa, na RevistaAgália, Revista O Ensino, Nós (Revista Internacional Galego-Portuguesa de Cultura), Temas de Linguística e Sociolinguística, Cadernos do Povo, Revista Encrucillada, Revista Raigame, Revista de Guimarães, semanário A Nosa Terra.
Teve uma importante presença no Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza, que ele ajudara a organizar com a presidenta da AGAL, Ma. do Carmo Henriques (bem como as suas seguintes edições). Deu palestras no Centro Galego de Londres, onde foi recebido com carinho. Foi longo e cordial o seu relacionamento com M. Rodrigues Lapa, como continua a ser com J. M. Montero Santalha, A. Gil Hernández, J. L. Fontenla e o autor desta resenha.
Publicou também obra vária de criação, como os seus Contos con reviravolta: arando no mencer, Editora Castrelos, 1973. Seja-me agora permitido fechar esta resenha com duas citações daquele monge cisterciense de Usseira, então conhecido como Padre Santos: “A religião, em princípio, não aliena, completa o ser humano e tem de ser libertadora. Do contrário pode ser tudo menos religião” (p. 115); “… há uma cultura religiosa que é independente da Igreja Católica. O povo galego é profundamente religioso, mas não é profundamente católico” (p. 202).
Carlos Durão é académico da Academia Galega da Língua Portuguesa.
http://www.diarioliberdade.org/galiza/cultura-m%C3%BAsica/45643-conversas-com-isaac-alonso-estraviz,-resenha-de-carlos-dur%C3%A3o.html
sentimo-nos: galego portugueses
música: galego portuguesa
“línguas minoritárias”

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a coletânea de textos dramáticos açorianos -Helena Chrystello e Lucília Roxo

Nota de imprensa/ Press Release

Helena Chrystello e Lucília Roxo vão apresentar ao público docente e discente dia 24 de abril pelas 15.30 horas no anfiteatro da EB 2, 3 da Maia (Ramal de S. Pedro, Maia) a obra “COLETÂNEA DE TEXTOS DRAMÁTICOS DE AUTORES AÇORIANOS” destinada ao currículo escolar. A obra será apresentada por Lurdes Alfinete

Trata-se de mais um projeto nascido no seio dos Colóquios da Lusofonia, com o total apoio da EBI Maia, e que visa divulgar a obra dos mais relevantes autores contemporâneos de matriz açoriana.

“Vem esta Coletânea de Textos Dramáticos suprir uma lacuna que há muito se fazia sentir nos escaparates das livrarias, a saber, um florilégio de extratos tão-somente de peças de teatro assinadas por cinco escritores açorianos: Álamo Oliveira (Missa Terra Lavrada, Manuel seis vezes pensei em ti e A Solidão da casa do Regalo), Daniel de Sá (Bartolomeu), José Martins Garcia (Domiciano), Norberto Ávila (Algum Teatro) e Onésimo Teotónio Almeida (No seio desse Amargo Mar). Se outros méritos lhe não fossem reconhecidos (que os tem, e não poucos…), não deixaria a posteridade de lhe outorgar o louvável intuito pedagógico-científico que presidiu à sua elaboração” afirma a Professora Doutora Rosário Girão da Universidade do Minho no prefácio da obra.

E acrescenta: “Abarcando uma extensa faixa temporal que remonta à Atlântida – imortalizada nos diálogos platónicos Crítias e Timeu e entressonhada em transe pelo Jovem “voyeur” de No seio desse Amargo Mar –, atravessa o século primeiro, prossegue pelo Renascimento, viaja até Oitocentos e desemboca na contemporaneidade, os trechos dramáticos da Coletânea em causa firmam e afirmam a identidade de Portugal – numa era globalizada em que a divisa parece ser a morna estandardização –, invocando e evocando vultos nacionais, tornados entrementes mitos e trazidos à luz da ribalta como atores paradigmáticos de um tempo em devir, retratado pelos “historiadores do futuro” (José Martins Garcia).”

De não descurar, nesta compilação, se afigura o preito rendido ao Arquipélago, quer mediante a nomeação dos seus mais lídimos representantes oriundos das ilhas designadas (S. Miguel, Terceira, Flores), quer através de referências diversas a topónimos ilhéus (Monte Brasil, Campo de S. Francisco), quer do ponto de vista da hierarquia social insulana (os lavradores micaelenses)…. Talvez não seja erróneo asseverar que foi este espírito epocal e nacional de cariz mítico e, por conseguinte, universalizante que as/os Organizadoras/es desta Coletânea intentaram homenagear, ao coligir significativos extratos de peças de teatro, algumas de difícil acesso advindo da sua não-reedição, de cinco Autores consagrados no panorama das Letras portuguesas.
HELENA F. DA COSTA SIMÕES CHRYSTELLO