PÁSCOAS

RAFAEL CARVALHO FOI O TOCADOR DE VIOLA DA TERRA NO 19º COLÓQUIO E ESCREVE ASSIM SOBRE A PÁSCOA

Domingo de Páscoa… quando acordávamos sabendo que no pequeno-almoço já podíamos ir ao folar procurar o nosso ovo, descascar e comer com um belo copo de café com leite…

mesmo aquelas casquinhas irritantes de ovo que ficavam sempre coladas já faziam parte do gosto e seguia tudo barriga a baixo…

era tão divertido o dia de comer o folar como o dia em que minha mãe cozia a massa e nos deixava passar o pano com os ovos batidos por cima dos folares… e a gente andava de roda na cozinha desde o bater a massa até sair o último folar do forno…

e folares não eram muitos… que ovos também não eram em abundância.

depois era o milho cozido com sal, era e é, até a “beiça” ficar assada de tanto comer enquanto íamos vendo pela centésima vez os Dez Mandamentos…

Não era Páscoa sem dar o Ben-Hur, Quo-Vadis ou os Dez Mandamentos… mesmo aquele mini-série “UN Bambino ChIamattO Jesus” (nem sei escrever) que a gente já não podia digerir todos os anos pela mesma altura, fazia parte da tradição.

Ao acordar neste Domingo também aparecia (às vezes) um ovo de Páscoa, pequenino, que minha mãe escondia lá pela sala e a gente procurava num frenesim. Um a cada um… ou mesmo um coelhinho pequenino, não importava, tudo marchava…

E era também normal, antes do almoço, ficarmos a assistir à bênção Urbi et Orbi.

Um excelente Domingo de Páscoa a todos, cada um com as suas memórias e tradições passadas e/ou atuais.

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POESIA

Nas pontas estão o Torga e o Nemésio. E Os outros?

Além do Torga e do Nemésio nas pontas, estão, da esquerda para a direita, um que eu não sei quem é, depois o Afonso Duarte e depois o Quintela.

Abraços.
Eduino (de Jesus)
TORGA59_n

nas pontas estão o Torga e o Nemésio. E Os outros?

“PENITÊNCIA”Este viver de líricas fragrânciasfaz-me corar,lá, onde a minha alma é toda-a-gente

como Deus manda.

Nas pálpebras a lágrima – o aljôfar,

como se diz no bem falar romântico;

dentro, a secura nua e crua dos desertos

onde não há sombra nem pão.

Ponho a minha casaca de cometas,

a ígnea farda de falar às musas,

e olho os esfarrapados

com literária piedade e o coração calado.

Caridade, perdão; Rainhas Santas

de palavras a passar na procissão das frases

e, se me tocam na pele,

fecho-me rápido como os dedos no cabo de um punhal.

Assim, estar assim, dói!

(neste doer de pôr em rezas…)

– Vamos! Quero o caminho de Estar para Ser;

talvez esta hora traga a da feliz viagem!

Esta hora!… a minha última descoberta:

terra fiel de paraíso ou horta?

Se vem chuva do céu, no céu me espero?

Se há água só nos poços, sobe ou desço?

Triste Vasco da Gama

no Mar das Trevas das perguntas velhas,

gastas, regastas, roídas

como cachimbos em segunda mão!

Ai, um pouco do travo do Eclesiastes!

– Vanitas vanitatum! (em latim

estas coisas ressoam bem melhor…)

enfim! Rei ou Poeta – figura de passar.

Confesso: não me confesso

para que me cuspam filosofias e saberes.

Quero a certeza de abraçar irmãos

para ser e sermos antes que a morte venha!

Quero o que negue em nós

o animal raivoso, a besta impura;

mas não quero o pecado de não ter pecados

enquanto houver pecadores.

ANTÓNIO DE SOUSA in “Sete Luas”, Lisboa, 1954 – 2ª edição

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Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores /Um Australiano nos Açores, http://oz2.com.sapo.pt
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nas pontas estão o Torga e o Nemésio. E Os outros?
“PENITÊNCIA”

Este viver de líricas fragrâncias

faz-me corar,

lá, onde a minha alma é toda-a-gente

como Deus manda.

Nas pálpebras a lágrima – o aljôfar,

como se diz no bem falar romântico;

dentro, a secura nua e crua dos desertos

onde não há sombra nem pão.

Ponho a minha casaca de cometas,

a ígnea farda de falar às musas,

e olho os esfarrapados

com literária piedade e o coração calado.

Caridade, perdão; Rainhas Santas

de palavras a passar na procissão das frases

e, se me tocam na pele,

fecho-me rápido como os dedos no cabo de um punhal.

Assim, estar assim, dói!

(neste doer de pôr em rezas…)

– Vamos! Quero o caminho de Estar para Ser;

talvez esta hora traga a da feliz viagem!

Esta hora!… a minha última descoberta:

terra fiel de paraíso ou horta?

Se vem chuva do céu, no céu me espero?

Se há água só nos poços, sobe ou desço?

Triste Vasco da Gama

no Mar das Trevas das perguntas velhas,

gastas, regastas, roídas

como cachimbos em segunda mão!

Ai, um pouco do travo do Eclesiastes!

– Vanitas vanitatum! (em latim

estas coisas ressoam bem melhor…)

enfim! Rei ou Poeta – figura de passar.

Confesso: não me confesso

para que me cuspam filosofias e saberes.

Quero a certeza de abraçar irmãos

para ser e sermos antes que a morte venha!

Quero o que negue em nós

o animal raivoso, a besta impura;

mas não quero o pecado de não ter pecados

enquanto houver pecadores.

ANTÓNIO DE SOUSA in “Sete Luas”, Lisboa, 1954 – 2ª edição


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joaquim morais alves um macaense de trás-os-montes

JOAQUIM MORAIS ALVES, era secretário-geral da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), sendo um dos colaboradores próximos de Stanley Ho. Natural de Vila Real, veio a Macau com 16 anos e por aqui ficou até o último dia da sua vida em 27 de Março de 2003. Não era por acaso que os seus amigos lhe apelidavam de “Macaense dos Trás-os-Montes”.
Sempre dedicado às mais variadas formas a vida pública desempenhou funções de grande responsabilidade, entre outras, as de presidente do Leal Senado de Macau, presidente da Comissão de Implementação da Língua Chinesa na Administração de Macau e membro do Conselho Judiciário de Macau. Foi fundador da Companhia de Electricidade de Macau. Foi ainda presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) , presidente da delegação de Macau da Cruz Vermelha Portuguesa e presidente do Comité Olímpico de Macau.
Deputado à Assembleia Legislativa, em duas legislaturas distintas: em 1980-1984, eleito por sufrágio directo pela lista da Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), encabeçada por Carlos d’Assumpção; e em 1996-1999, nomeado pelo Governador de Macau.
A sua acção pública em prol de Macau e das suas gentes, valeu-lhe o título Cidadão Emérito de Macau conferido pelo Leal Senado. E de Portugal foi agraciado com os t’tiulos de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (1973), Grande Oficial da Ordem do Mérito (1995), Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1999) e, atítulo póstumo, o de Grã-Cruz da Ordem do Mérito (2005).
Até sempre, amigo!
Wednesday at 05:13 · 
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OCUPAÇÃO DA ILHA TERCEIRA

https://historiadosacores.tumblr.com/post/42780247622/a-terceira-e-a-neutralidade-portuguesa-durante-a
Neste ano de 2013 comemora-se o 70º aniversário da assinatura do Acordo dos Açores e do desembarque britânico na Ilha Terceira…
Se quiser saber mais, leia este meu artigo publicado em 4 partes em História dos Açores…
Conheçam o início da presença estrangeira na Base das Lajes que dura até hoje ininterruptamente!
http://historiadosacores.tumblr.com/post/42780247622/a-terceira-e-a-neutralidade-portuguesa-durante-a-ii

A Terceira e a neutralidade portuguesa durante a II Guerra (1ª parte)

historiadosacores.tumblr.com

por Francisco Miguel Nogueira A II Guerra Mundial foi um dos acontecimentos mais marcantes da História do Mundo Contemporâneo. Portugal, apesar de não ter participado diretamente na guerra, viu-se…
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recordando EUGÉNIO DE ANDRADE

EUGÉNIO DE ANDRADE, in ATÉ AMANHÃ (1ª ed., 1956, Limiar, 13ª, 2002)

ATÉ AMANHÃ

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

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esquecido: pedro homem de mello

 

PEDRO HOMEM DE MELLO
6 de Setembro de 1904 – 5 de Março de 1984

POVO
em “Miserere”

Povo que lavas no rio,
que vais às feiras e à tenda,
que talhas com teu machado
as tábuas do meu caixão,
pode haver quem te defenda,
quem turve o teu ar sadio,
quem compre o teu chão sagrado,
mas a tua vida, não!

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia…
Mas a tua vida, não!

Fui ter à mesa redonda,
bebendo em malga que esconda
o beijo, de mão em mão…
Água pura, fruto agreste,
fora o vinho que me deste,
mas a tua vida, não!

Procissões de praia e monte,
areais, píncaros, passos
atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços…
Mas a tua vida, não!

Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama…
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las…
Mas a tua vida, não!

Subi às frias montanhas,
pelas veredas estranhas
onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio…
Vi certa curva em teu seio…
Mas a tua vida, não!

Só tu! Só tu és verdade!
quando o remorso me invade
e me leva à confissão…
Povo! Povo! Eu te pertenço.
deste-me alturas de incenso,
mas a tua vida, não!

Povo que lavas no rio,
que vais às feiras e à tenda,
que talhas com teu machado,
as tábuas do meu caixão,
pode haver quem te defenda,
quem turve o teu ar sadio,
quem compre o teu chão sagrado,
mas a tua vida, não!

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