poema de natal por brites araújo

Poema de Natal

O meu braço de abeto
é sempre um perfume de criptoméria
temperado de tangerinas.
E o amparo da minha mãe.

Mas são tantas e tão translúcidas
as vidraças da memória,
que me chegam ainda os sons reluzentes,
os cheiros adocicados,
o calor
e o branco dos linhos
na casa da minha avó.

Natal
é eu ter a nostalgia comigo à mesa;
angústia tão leve
e tão fina
como dedos de carinho impossível.

B.A.

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humor 2014

 

Osvaldo José Vieira Cabral
O paraíso em 2014

Desafiaram-me para apresentar uma lista de previsões para 2014, “mas com boa disposição, porque os tempos são de chorar…”.
Pois aqui vai:

– A troika vai sair de Portugal. Levará consigo Passos Coelho e Paulo Portas… que os oferecerão à Grécia.
A oferta será reforçada com a contratação de Sérgio Ávila. Em 2 anos, a Grécia terá superávite!

– Cavaco Silva faz uma comunicação ao país no dia da saída da troika. Fala em milagre económico. Os açorianos acreditam, porque o Santa Clara sobe à I Liga.

– Os ordenados e as pensões serão restituídos, por inteiro, às famílias, mas em géneros, com o patrocínio do Pingo Doce, que em troca verá a Popota a representar o país no Festival da Eurovisão.

– O futuro primeiro-ministro, António José Seguro, visita os Açores. Vasco Cordeiro e Carlos César não vão recebê-lo ao aeroporto. Estão com António Costa, na esplanada do Central, com cerveja e tremoços.

– As eleições europeias vão ser uma surpresa. Os povos de cada país elegerão um actor cómico. Nos Açores, é eleita a Tia Maria de Nordeste.

– Os americanos vão abandonar a Base das Lajes. Duarte Freitas e Vasco Cordeiro continuarão a revezar-se em visitas a Washington, sem nunca entrar na Casa Branca.
Obama enviará uma mensagem a propor que na longa pista da Base se realizem, todas as semanas, uma tourada à corda.

– As quotas leiteiras deixam de existir. Jorge Rita entra na Escola de Hotelaria para aprender a cozinhar bifes.

– Inspirado no governo de Passos, que nomeou o ex-comandante da PSP para Paris, o Governo Regional nomeará os donos do Casino da Calheta para o grupo de ligação com os casinos de Macau. Terão um salário de 12 mil euros por mês.

– A RTP-Açores ficará com o seu problema resolvido. Cada ilha passa a ter a sua própria televisão, com a seguinte programação: de manhã, transmissão do plenário da Assembleia Regional; à tarde, debate entre os líderes parlamentares; à noite, debate entre os deputados das respectivas ilhas.

– A SATA, pela milésima vez, apostará em mais uma operação falhada. Desta vez fará a rota entre Guiné e Lisboa.
A Assembleia Regional, por sua vez, aprova a ideia e sugere que a base da SATA Internacional passe para Bissau.
Artur Lima votará contra.

– Os génios da transportadora vão inventar mais uma modalidade tarifária para os nossos emigrantes. Passa a ser pelo peso do passageiro. Os viajantes que pesem menos de 50 quilos podem levar uma mochila com candies; acima dos 50 quilos vão com a mala no porão.

– Os Açores descobrem mais uma fonte de riqueza: exportar certificados de termas encerradas.

– Será descoberta uma gruta no Ilhéu das Cabras. Os arqueólogos do costume dirão que se trata de vestígios da gruta onde nasceu o Menino Jesus, daí o nome de Ilha de Jesus Cristo.
A Direcção Regional de Cultura nomeará uma comissão, que, em 24 horas, sentenciará que a teoria não tem base científica.

– A EDA, tal como a EDP, será privatizada. Passa a ser uma loja de chineses.

– Os Estaleiros de Viana conseguem vender o navio “Atlântida”. Passa a operar nas águas de Lampedusa.

– O turismo nos Açores aumentará 200 por cento, graças a um subsídio por passageiro. Os refugiados sírios são os primeiros candidatos.
****
Se o leitor acordou agora, é isso mesmo: esteve a sonhar.
O pesadelo começa agora.

Pico da Pedra, Janeiro 2014
Osvaldo Cabral

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democracia-. por António Justo

Por uma Democracia participativa/burocrática

Uma Proposta interactiva e de Inovação no Sentido da Inclusão

 

António Justo

Por toda a Europa se fala da necessidade de maior participação do cidadão nas decisões dos governos, da necessidade de melhorar a democracia. Fala-se no modelo suíço, na necessidade de “Avaliações dos Cidadãos “,”células de planeamento” (Peter C. Dienel), etc.

 

A discussão sobre a maior participação política do povo é conversa de embalar enquanto elaborada em termos ideológicos e partidários. Estes deram continuidade à fórmula do poder tradicional do divide e impera. A História tem-se construído com revoluções, com classes políticas, servindo-se sempre do uso do domínio, numa estratégia de afirmação de cima para baixo. A dinâmica da natureza assim como a que se encontra subjacente à etimologia da palavra democracia é contrária ao actual exercício da democracia; segundo estas tudo cresce de baixo para cima, o que contradiz o sistema democrático vigente. O modelo de desenvolvimento que dá perenidade à natureza provém da sua orientação; a cultura, ao partir de um conceito oposto concebido na perspectiva de cima para baixo (opressão), inclui em si mesma a rotura constante acrescida da violência artificial dos mais fortes, como se pode ver testemunhada nos livros de História. Enquanto a natureza se esforça no sentido do sol (comum), a sociedade encontra-se na luta entre grupos que pretendem apoderar-se dele. O novo homem, a surgir, receia colaborar com sistemas tradicionalistas que dêem continuidade a formas de governo que perpetuam a violência estrutural; prefere abster-se ou esperar pela oportunidade de poder interferir lutando.

 

Agora, que a economia vai mal, até a “sacrossanta” Constituição se questiona. Ouve-se falar da necessidade de introduzir pequenas mudanças constitucionais que possibilitem elementos plebiscitários, mais propícios a desviar a atenção do verdadeiro problema.

 

O problema está no facto de o povo já não ter sequer possibilidade de intervir num sentido de equilíbrio de interesses. A situação social e económica em que a sociedade se encontra exigiria opções fundamentais e não só aquisição de compensações. 

 

O sistema económico em via, tendo muito embora surgido de democracias, é antidemocrático. De momento vivemos numa ditadura económica legitimada por uma democracia açaimada. Enquanto não houver uma tarefa de planeamento concreta ninguém pode fazer propostas sérias de solução. Seria superficial procurar ir de encontro à insatisfação popular com propostas de resolução meramente políticas. É necessário, que a classe política e pensante da nação pense em mudar a longo prazo o sistema económico e político já arcaico. O problema é cultural-económico-político não podendo ser solucionado com remendos duma só ordem.

 

Para se organizar uma democracia de participação civil adulta teria de se partir para uma democracia de caracter burocrático e não partidário porque isso implicaria a organização de pareceres populares sobre políticas concretas discutidas a nível directo de freguesias, concelhos, distritos e de Estado e já não a nível ideológico partidário. Teríamos de voltar à política dos homens-bons já não só das terras e dos ofícios mas também da cultura e do povo.

 

A maneira ideológico-partidária de encarar os problemas e de equacionar soluções nessa base, tornou-se ultrapassada e anacrónica para o mundo moderno e para uma nova sociedade. As ideologias revelaram-se como impedimento ao desenvolvimento estrutural e à formação de uma vontade diferenciada. Depois da queda do imperialismo russo e americano e do consequente globalismo torna-se anacrónica a legitimação democrática em contextos de esquerda ou direita. A nossa era quer ultrapassar o politeísmo ideológico expresso nos partidos e ideologias, quer passar para um “catolicismo” político de inculturação e aculturação global. De momento as oligarquias económicas servem-se do sistema partidário para organizar e impor os seus planos aos Estados.

 

Início da nova mentalidade democrática

 

Na era da informação – do Verbo = in-formação – o cidadão tem oportunidade de assumir, por vezes, o lugar da lei; com as novas tecnologias as cúpulas deixam de possuir a sua relevância; para acompanharem a inovação tecnológica, deveriam devolver o seu poder a processos democráticos interactivos, em vez de abusar do seu uso no controlo do cidadão. Começa a surgir o tempo da democracia representativa dar lugar à democracia participativa. O rebanho consciente e adulto não se aliena, assume a missão do próprio pastoreio.

 

A formação da vontade política hodierna passará dos núcleos dos partidos para a tecnologia electrónica transparente. A delegação do cidadão no partido perde o seu sentido estrutural representativo para se realizar na participação. A maneira de estar objectiva dá lugar à maneira de estar subjectiva; deixa de haver papéis a representar indivíduos para haver pessoas a agir directamente. Grande parte da nossa sociedade atingiu um nível de desenvolvimento que quer uma democracia líquida sem calhaus de energia concentrada e sem as levadas que desviam as águas para os seus moinhos, porque este proceder impede o fluir do todo. A nova democracia também se torna mais racional e consciente concentrando a energia talvez na comercialização de menos produtos mas, por sua vez, mais satisfatórios e úteis. O sistema deixa de ser consultivo para se tornar participativo (a Internet possibilita a praticabilidade de uma nova mentalidade). Formação e in-formação são a sua fórmula mágica. A natureza é mestra e permanente ao organizar-se de baixo para cima e não de cima para baixo. Um processo de formação e organização natural da sociedade, viria impedir o autoritarismo e formalismo que tem dado forma estática às mentalidades passadas com a consequente violência e exploração inerente ao sistema político e social.

 

Da Democracia Partidária para a Democracia Pluralista

 

A EU não é democrática, é mais um aglomerado de sistemas governamentais sob o pretexto democrático. A sua deficiência democrática talvez se pudesse tornar num bom instrumento para o exercício de uma democracia participativa/burocrática! Esta deixaria de partir da estruturação ideológico-partidária para se associar às infraestruturas administrativas pragmáticas. O pluralismo ideológico organizar-se-ia em torno de programas e metas concretas aferidas na ordem ascendente à freguesia, concelho, etc. Consequentemente a informação teria que germinar na massa do povo que conceberia e se conceberia em formação permanente.

 

Naturalmente que isto seria uma meta a longo prazo mas que pelo facto de ser formulada, obrigaria a classe política a iniciar um processo de mudança que levaria a uma cultura política que transcenderia os apagados horizontes da vigente discussão partidária. Até nos aproximarmos da meta seria muito importante começar-se pelo modelo democrático suíço.

 

Os partidos políticos, fixados nas suas ideologias, já deram o que tinham a dar. Pensar que se poderiam melhorar com pessoal mais íntegro ou com a criação de novos partidos seria uma ilusão parva. Os problemas que revelam são inultrapassáveis para a nossa era porque antiquados no seu ideário e na sua ordem estrutural e sistemática. Já tiveram a sua era. Mantê-los como são significa comprometer o futuro e, ao mesmo tempo, um ataque à racionalidade que de facto só tem sido considerada para as coisas pequenas.

 

O carreirismo inerente aos partidos exclui, por si mesmo, a participação; é de caracter individual e não orientado primeiramente para o bem-comum. O sistema partidário só fomenta o carreirismo de alguns (iniciados interesseiros) e exclui por si mesmo a participação de competências independentes obrigadas a morrer isoladas na massa. Se observamos a classe política provinda das nossas repúblicas ela produz muitos reizitos envelhecidos no seu coutado e que pretendem, também depois de caducos, influenciar ideologicamente toda uma nação (O povinho dócil e bom come o que lhe dão!). O que é necessário é uma metanoia da mentalidade, a inovação das elites; colocar as esperanças em novos partidos seria desconhecer o mal de raiz do sistema que canaliza toda a energia popular nos crivos do partido. O organigrama da república/partidário é igual ao organigrama monárquico, com a agravante de se apresentar como sua alternativa. Precisamos de um outro currículo em que o objectivo do partido e o lema do camarada ou do companheiro não seja viver da democracia mas viver para ela. A política mais que uma profissão deve ser uma vocação de servir o povo. Consequentemente precisa-se de candidatos do povo e não candidatos de partidos. Uma democracia partidária já traz em si a desculpa da unilateralidade e falta de objetividade. Naturalmente que nos diversos partidos há gente com ideais muito sociais e humanos; o sistema porém cedo o leva a reconhecer que quem não puxa a brasa à sua sardinha não sobe na jerarquia partidária.

 

A consequência deste argumentar iniciaria um processo de formação de cidadania adulta que pouco a pouco prescindiria da classe política para formar um povo político.

 

A crise a que os bancos e os políticos nos levaram constitui a melhor prova da urgência de transformar o nosso sistema de democracia partidária num sistema de democracia pluralista. Precisa-se da inversão do pensar. Pensar e agir já não a partir do eu mas a partir do nós (bem-comum).

 

Os novos recrutas da democracia querem um novo marchar! Por isso reclamam o bem-comum, a justiça e a verdade.

 

António da Cunha Duarte Justo

www.antonio-justo.eu

 

 

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página global notícias 31 dez

PÁGINA GLOBAL


MADAME MERKEL E OS SEUS “CONTRATOS”

Posted: 30 Dec 2013 08:30 AM PST

Jacques Sapir
É característico, a bem dizer é sintomático, que Madame Merkel, a partir de agora a Chanceler à frente de um governo “de grande coligação” na Alemanha, tenha podido declarar no passado dia 19 de Dezembro, a propósito do euro, sem provocar uma emoção especial na imprensa que; “Mais tarde ou mais cedo, a moeda explodirá, sem a coesão necessária” [1] . À primeira vista, esta declaração é perfeitamente justa. Sem “coesão”, ou seja, sem a existência de um sistema de transferências financeiras extremamente importantes, o euro não é viável. Isso já se sabe, e o cálculo do que seria necessário consagrar para que o sistema federal funcione já foi feito por vários autores. Pela minha parte, calculei o montante que a Alemanha deveria fornecer: entre 8% a 10% do seu PIB. [2] É perfeitamente óbvio que ela não pode fazer isso sem destruir o seu “modelo” económico e, desse ponto de vista, exigir da Alemanha uma “solidariedade” com os países da Europa do Sul no valor de 220 a 232 mil milhões de euros por ano (aos preços de 2010) é o mesmo que pedir-lhe que se suicide. [3]

Mas o que é muito mais interessante é a continuação desta declaração. Madame Merkel, perfeitamente consciente de que os países da zona euro estão relutantes perante novas cedências de soberania, propõe “contratos” entre estes últimos e a Alemanha. Vendo bem as coisas, isso levaria a construir, ao lado das instituições europeias, um outro sistema institucional, ou, visto que um contrato para os alemães tem o valor de uma lei, os diversos países ficariam ligados à Alemanha de modo vinculativo. Percebemos bem o interesse desta fórmula. Madame Merkel não alimenta quaisquer ilusões quanto a um “povo europeu” qualquer. Sabe muito bem o que pensa sobre isso o tribunal constitucional de Karlsruhe que, sobre esta matéria, foi muito claro no seu acórdão de 30 de Junho de 2009. [4] É importante perceber que, para o tribunal de Karlsruhe, a UE é apenas uma organização internacional cuja ordem é derivada, porque são os Estados os donos dos tratados. [5]Deste ponto de vista, é óbvio que a Alemanha não partilha, e não partilhará num futuro próximo, da visão confusa de um “federalismo” europeu. Para os dirigentes alemães, não havendo um “povo” europeu, o que é lógico para o conceito germânico do que é um “povo”, não pode haver um Estado supra-nacional. Em contrapartida, a União Europeia e a zona euro podem exercer um poder derivado. Mas, desse ponto de vista, a Alemanha também o pode fazer. E é esse o sentido dos “contratos” propostos por Madame Merkel aos seus parceiros. Em troca de uma garantia de soberania, porque aceitamos “livremente” estes “contratos”, comprometemo-nos a respeitar certas regras vinculativas numa estrutura de contratos que nos ligam à Alemanha.

A questão da União bancária, saudada recentemente ao som de trombetas, confirma esta iniciativa. No Outono de 2012, os países do Sul da zona euro tinham, concertadamente com a França, conseguido o princípio de uma “União bancária” que devia ser simultaneamente um mecanismo de vigilância e de regulação dos bancos da zona euro, mas também um mecanismo que garantisse uma gestão concertada das crises bancárias. Ainda não havia secado a tinta deste acordo, já a Alemanha fazia tudo para o esvaziar de toda a substância. E, bem entendido, conseguiu os seus fins. O acordo que foi assinado na noite de 18 para 19 de Dezembro de 2013, e que foi saudado por alguns como “um passo decisivo para o euro” [6] não regulamentou absolutamente nada. [7] O mecanismo de supervisão só abrange 128 bancos dos 6 000 que existem na zona euro. Quanto ao fundo de resolução das crises, só atingirá o montante de 60 mil milhões, uma soma que, de resto, é ridiculamente pobre, em… 2026!

O que concluir de tudo isto?

Primeiro que tudo, não vale a pena continuar a pôr qualquer esperança numa Europa “realmente” federal e é profundamente enganador continuar a apresentar essa possibilidade como uma alternativa à UE tal como ela funciona hoje. Este discurso é profundamente mentiroso e só pode contribuir para nos enterrar um pouco mais na desgraça. Não haverá Europa federal porque, na verdade, ninguém a deseja realmente e ninguém está disposto a fazê-la. Portanto, opor à situação actual uma “perspectiva federal”, que de resto é perfeitamente hipotética e cuja probabilidade de realização é menor do que um desembarque de marcianos, já não faz qualquer sentido, a não ser enganar o incauto e dar-lhe a comer gato por lebre! O sonho federalista afinal era um pesadelo. Portanto, o melhor é acordar.

Em segundo lugar, a Alemanha está perfeitamente consciente de que é necessária uma forma de federalismo para a sobrevivência do euro, mas não quer – e isso é perfeitamente compreensível – pagar o seu preço. Portanto, o que propõe de facto aos seus parceiros são “contratos” que os levarão a suportar a totalidade dos custos de ajustamentos necessários para a sobrevivência do euro enquanto ela própria será a única a tirar proveito da moeda única. Mas esses “contratos” mergulharão o Sul da Europa e a França numa recessão histórica, de que esses países sairão retalhados social e industrialmente. Aceitar esses contratos será a morte rápida da França e dos países do Sul da Europa. Laurent Faibis e Olivier Passet acabam de publicar uma tribuna em Les Échos que convém ler com atenção. [8]Explicam porque é que o euro só pode aproveitar a um país que se instalou no topo da cadeia industrial, e porque é que, em vez de pôr o euro ao serviço da economia, é a economia que é sacrificada em proveito do euro. Esta situação será eternizada se, por infelicidade, tivermos um governo que aceite submeter-se aos “contratos” de Madame Merkel.

Em terceiro lugar, é preciso ler nas entrelinhas, o que está implícito na declaração de Madame Merkel. Visto que não é possível uma Europa federal e na realidade nem sequer é concebível do ponto de vista alemão, e se não se conseguir uma “coerência”, que mais não é que o aceitar a totalidade das condições alemãs, então a Alemanha está disposta a fazer o luto pelo euro. Madame Merkel gostaria de fazer desta alternativa uma ameaça para nos forçar a aceitar a ideia dos seus “contratos”. Pelo contrário, devemos levá-la à letra e propor-lhe a dissolução da zona euro o mais depressa possível. Mas, para isso, seria necessário outro governo e outro primeiro-ministro, diferentes daqueles que temos.

Em certo sentido as declarações de Madame Merkel são inauditas. Talvez pela primeira vez, desde 1945, um dirigente alemão expõe assim tão cruamente o projecto de domínio da Europa pela Alemanha. Mas estas declarações têm, no entanto, a enorme vantagem de lançar uma luz crua sobre a nossa situação. Devíamos lembrar-nos disso e inspirarmo-nos nisso aquando das próximas eleições europeias. Não para obedecer a Madame Merkel, mas para levá-la à letra e dizer-lhe que, quanto ao seu euro, já não o queremos!

Notas
[1] P. Ricard, Le Monde, 21/12/2013/ URL: www.lemonde.fr/…
[2] J. Sapir, “Le coût du fédéralisme dans la zone Euro”, in RussEurope, 10 novembre 2012, russeurope.hypotheses.org/453
[3] Patrick Artus, “La solidarité avec les autres pays de la zone euro est-elle incompatible avec la stratégie fondamentale de l’Allemagne : rester compétitive au niveau mondial? La réponse est oui”, NATIXIS, Flash-Économie, n°508, 17 juillet 2012.
[4] etoile.touteleurope.eu/…
[5] M-L Basilien-Gainche, L’ALLEMAGNE ET L’EUROPE. REMARQUES SUR LA DECISION DE LA COUR CONSTITUTIONNELLE FEDERALE RELATIVE AU TRAITE DE LISBONNE, CERI-CNRS, novembre 2009, www.sciencespo.fr/ceri/sites/sciencespo.fr.ceri/files/art_mbg.pdf
[6] Ver o editorial ridículo e enganador “Union bancaire: un bon accord qui corrige les failles de la zone euro” in Le Monde, 19/Dezembro/2013. URL: www.lemonde.fr/…
[7] D. Plihon, “Union bancaire: une réforme en trompe l’œil”, La Tribune, 23 décembre 2013, www.latribune.fr/…
[8] L. Faibis et O. Passet, “L’euro pour tous et chacun pour soi: le nouveau débat interdit”, Les Échos, 23 décembre 2013, m.lesechos.fr/…
Ver também:
Perder as ilusões , Jorge Bateira, 26/Dez/13
O original encontra-se em russeurope.hypotheses.org/1862 . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

PESQUISA APONTA DESENCANTO COM A POLÍTICA NO REINO UNIDO

Posted: 30 Dec 2013 08:19 AM PST

Pesquisa publicada pelo The Guardian alerta sobre perigosa desconexão entre os eleitores britânicos e a democracia que está favorecendo a extrema-direita.
Marcelo Justo – Carta Maior
Londres – A pesquisa é uma contundente mensagem de fim de ano. A sondagem, que buscava analisar o aumento do número de eleitores britânicos, descobriu que a imensa maioria compreende a importância da política na vida cotidiana, mas estão “furiosos” com os políticos porque eles “não cumprem o que prometem”, “só querem beneficiar a si próprios”, “não dizem o que pensam” ou “todos dizem a mesma coisa”. O desencanto entre os jovens é ainda maior: quase 80% rechaçam a oferta política dominante.

A cinco meses das eleições para o parlamento europeu e a 16 meses das eleições gerais, a pesquisa publicada pelo jornal The Guardian alerta sobre uma perigosa desconexão entre os eleitores e a democracia que está favorecendo a extrema direita xenófoba do UKIP, que está perfilando-se como a terceira força política do Reino Unido.

O desencanto é patente ao comparar a participação do eleitorado na vitória do trabalhista Harold Wilson nos anos 60 com a situação meio século mais tarde. Cerca de 75% dos britânicos foram às urnas em 1964 com uma participação homogênea de todas as idades. Em 2010, os maiores de 65 anos mantiveram uma alta participação (76%) enquanto que, entre os jovens de 18 a 24 anos, só 46% se deram ao trabalho de votar.

Outra maneira de medir o desencanto. Desde os anos 60 até a eleição do trabalhista Tony Blair, em 1997, a participação era superior a 70%. Desta data até hoje, a participação tem ficado abaixo deste índice: em 2001 foi de 60%.

A mensagem foi reforçada em 2013 por figuras públicas como o ex-jogador de futebol do Liverpool e da seleção inglesa, Michael Owen, que reconheceu publicamente que jamais havia votado em sua vida e pelo humorista Russel Brand, de 38 anos, que disse que os políticos eram “tudo a mesma coisa” e que o problema era que “não mudavam nada”.

Segundo os cientistas políticos uma das razões deste fenômeno é que, desde o triunfo de Tony Blair, em 1997, os partidos buscam ocupar o mesmo espaço moderado e centrista. “Se os políticos não se apaixonam por sua mensagem, como vão transmitir algo? Quando os partidos se tornaram centristas muita gente abandonou a política. Quando começou o “Novo Trabalhismo” de Blair, os trabalhadores se desconectaram do trabalhismo”, disse ao The Guardian a cientista política Maria Grasso, da Universidade de Sheffield.

O fenômeno se torna alarmante entre os jovens da era de Twitter e Facebook. A deputada mais jovem da Câmara dos Comuns, a conservadora Chloe Smith, de 27 anos, reconheceu os riscos que isso traz para a democracia. “É um problema existencial para o futuro. Temos que demonstrar aos jovens para que serve a política, por que a eleição importa”, disse ela ao Guardian.

O programa de austeridade da coalizão conservadora-liberal democrata atingiu muito mais forte os jovens que os adultos. Enquanto os aposentados conseguiram manter a passagem grátis em ônibus e outras isenções, os menores de 25 anos são objeto de contínuos cortes dos benefícios sociais por desemprego.

Em meio a este panorama desalentador o ano se fecha com alguns sinais de mudança. O “centrismo” político serviu até o estouro da crise de 2008 porque a sociedade inteira estava surfando: enquanto o crédito fluía, as maiorias estavam mais ou menos satisfeitas. No Reino Unido da Austeridade e dos cortes, não houve maneira de disfarçar a queda do salário real pela disparidade entre um virtual congelamento dos ganhos e um aumento da inflação. Este novo panorama ficou claro quando, no final de setembro, o líder da oposição, o trabalhista Ed Miliband, prometeu congelar as tarifas de eletricidade e gás e obteve tamanho apoio popular que sua mensagem sobre a queda do nível de vida passou a dominar o debate público.

Entre os menores de 25 anos também há sinais de mudança desde 2008 como a mobilização dos estudantes em 2010 e 2011 contra a triplicação das taxas universitárias. Esta mobilização prosseguiu com ocupações de universidades e conflitos ignorados pela imprensa, mas recolhidos pelas redes sociais. Um dos poucos veículos a cobrir esses protestos, o Guardian registrou uma clara mensagem de um dos estudantes: “Estão tentando privatizar a educação e converter os estudantes em consumidores. É o thatcherismo na universidade”, afirmou.

Está claro que o consenso conservador que se seguiu à queda do muro de Berlim, dominado pelo endeusamento do setor privado e pelo consumismo, começa a ser questionado. Uma pesquisa recente mostra que a maioria dos britânicos está a favor de uma renacionalização dos trens, do gás e da eletricidade. O grande problema é que ninguém se atreveu a cultivar essa corrente de opinião com um discurso claro. Caberá ver se o notável êxito que teve Ed Miliband com sua modesta proposta de congelamento tarifário abre às portas a uma alternativa que permita uma reconexão do eleitorado com a democracia.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Créditos da foto: The Guardian
UE: Tiros de fuzil atingem residência do embaixador alemão na Grécia

Posted: 30 Dec 2013 08:13 AM PST

Desconhecidos abriram fogo contra a residência do embaixador, num subúrbio de Atenas. Governo grego chamou atentado de ato terrorista covarde.
Desconhecidos dispararam dezenas de tiros contra a residência do embaixador da Alemanha na Grécia, Wolfgang Dold, na madrugada desta segunda-feira (30/12).
Por volta das 3h30 (horário local), o prédio, localizado no subúrbio de Chalandri, ao norte de Atenas, foi atacado por disparos de fuzil do tipo Kalashnikov, segundo a polícia. Não houve feridos. Investigadores encontraram nos arredores cerca de 60 cartuchos de balas.
O guarda que vigiava a residência afirmou que viu quatro homens, em duas motocicletas, dispararem com armas do tipo Kalashnikov. Os autores dos disparos teriam evitado apontar as armas na direção do vigia. Eles conseguiram fugir. O policial afirmou que decidiu não revidar por causa das residências nas redondezas.
Uma grande área em torno do local foi isolada por unidades antiterrorismo. Seis pessoas foram detidas para interrogatório e posteriormente liberadas. Investigadores examinam vídeos de câmeras de segurança, assim como um carro roubado encontrado próximo ao local.
O governo grego chamou o atentado de “um ato terrorista covarde”, destinado a manchar a reputação do país antes de ele assumir a presidência rotativa da União Europeia. Nenhum grupo se responsabilizou pelo ataque. O prédio já fora alvo de um atentado em 1999.
“Nada justifica um ataque a um representante do nosso país”, afirmou o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier. “Este é um incidente que levamos muito a sério”, acrescentou, ressaltando estar aliviado por ninguém ter sido ferido.
Outro ataque em 1999
A residência do embaixador alemão já foi alvo de um ataque terrorista em maio de 1999. Naquela época, uma bazuca foi disparada contra a casa. O ataque foi reivindicado pela organização clandestina 17 de Novembro. O grupo esteve ativo de 1975 até ter sido desmantelado, em 2002, e reconheceu a autoria de 23 assassinatos e vários outros ataques.
Na Grécia, ataques contra instituições diplomáticas, bancos ou empresas estrangeiras são uma constante. Na maior parte das vezes, só são causados danos materiais. A polícia acusa extremistas de esquerda ou anarquistas pelos atentados.
Muitos gregos veem a Alemanha como principal responsável pelas duras medidas de austeridade impostas à Grécia pelos credores internacionais, depois da eclosão da crise da dívida, em 2010.
Deutsche Welle – MD/afp/ap/dpa – Edição: Alexandre Schossler
Alemanha: SCHAUBLE DIZ QUE EUROPA NÃO IRÁ VIRAR COSTAS À GRÉCIA

Posted: 30 Dec 2013 08:07 AM PST

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou hoje que a Europa não irá virar as costas à Grécia e que a rotação da presidência da União Europeia (UE) oferece a Atenas uma grande oportunidade.
Numa referência à entrevista dada ao Bild e que será publicada na terça-feira, Schäuble afirmou: “A presidência [da União Europeia] vai mostrar ao povo grego que a Europa é o seu futuro”.
A responsabilidade de assumir a presidência da UE “gera identidade, autoconfiança, orgulho. A presidência grega da UE é uma grande oportunidade para o país e para a Europa”, acrescentou o ministro das Finanças alemão, na entrevista que será divulgada no último dia do ano.
Schäuble rejeitou a ideia de que Atenas poderá utilizar o seu mandato na presidência da UE para aliviar a pressão sobre a ajuda externa e as reformas em curso no país.
A Grécia está sob ajuda externa da ‘troika’, composta pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sobre a possibilidade de Atenas vir a precisar de mais ajuda financeira, o ministro afirmou: “Decidiremos em meados do ano se teremos de ajudar mais a Grécia. Se o país mantiver o seu curso de reformas, se preencher as condições necessárias, não iremos virar as costas”.
A atual ajuda financeira está prevista terminar em julho de 2014.
O ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras, afirmou no domingo que o país não irá precisar de nova ajuda.
As declarações de Schäuble surgem depois de desconhecidos terem disparado tiros contra a residência do embaixador alemão em Atenas, sem causar feridos.
Notícias ao Minuto com Lusa
EUROCRATAS PROMOVEM O OBSCURANTISMO EXTINGUINDO O PRESSEUROP

Posted: 30 Dec 2013 06:39 AM PST

Helder Semedo
Foi agora que mais sentimos o vazio sentido pela falta do Presseurop, quando recorremos à publicação online que habitualmente usámos para compilar este ou aquele artigo traduzido para português… Mas, nada. O Presseurop chegou ao fim. Acabou. Está lá mas sem as devidas atualizações, desde o passado dia 20 de dezembro. Os cidadãos europeus que não dominam outros idiomas para além do seu, do país de sua origem, foram atirados para o obscurantismo conveniente aos eurocratas e crápulas neoliberais da UE que rumam ao socialfascismo mercantilista da modernidade. Foi do Presseurop que retirámos isto:
“AOS NOSSOS LEITORES
O Presseurop deixará de ser atualizado a partir de 20 de dezembro, por causa do fim do contrato que ligava o nosso sítio à Comissão Europeia. Agradecemos a vossa fidelidade e o vosso apoio e estamos a estudar todas as hipóteses que nos permitam relançar o Presseurop o mais brevemente possível.”
Acabou o contrato e, alegadamente, não há verba na UE para patrocinar o trabalho meritório e dantesco de um grupo de profissionais que levavam a todos os países da UE a atualidade e a opinião diversa sobre a mais de duas dezenas de países da União. Era assim que sabíamos, percebiamos e formávamos opinião sobre o bem e o mal daquilo que na UE acontecia… Mas para isso não há verba. As verbas milionárias destinam-se a outras altas cavalarias e outros altos “cavalheiros” que talvez na sua maioria não vão a menos de tratantes que esbanjam a seu bel-prazer e em benefício próprio, dos amigalhaços e das suas famílias políticas e partidárias. Servem-se dizendo que estão servindo os cidadãos europeus.
Haverá quem considere esta nossa opinião contundente. Pois será para os não tratantes alojados na UE, mas não o é porque a eles não se destina o dito e escrito. Os visados são mesmo os tratantes e esses sabem melhor que ninguém que o são e que merecem ser abalrroados pelas verdades destas palavras. Para esses a contundência das palavras é insignificante se soubermos avaliar as suas atitudes e posturas de conspurcação de um ideal de Monet e de tantos outros europeístas honestos e de excelsa reputação. Mais que palavras uns quantos mereceriam a prisão depois de devidamente investigados e julgados. Mas isso é só outra das vertentes da UE que há muito se afastou dos objetivos por que foi formada para se transformar num clube de ricos e de pobres. Ricos que (cada vez mais ricos) tomam por missão explorar e dessoberanizar os países pobres (do sul). Muitas vezes era isso que se percebia nos artigos de Presseurop, além de outras enormes incongruências e desumanidades. Defacto convinha calar o Presseurop.
Do editorial do Presseurop compilámos o seu último fôlego, diplomático e esperançoso.
Até breve
Todos os dias, a redação escolhe, traduz em dez línguas e examina o que a imprensa europeia e mundial escreve de mais recente e original sobre a Europa. Não nos interessa a Europa institucional, já bem divulgada, mas a Europa como é vivida pelos homens e mulheres. Esta foi a profissão de fé que fizemos em 26 de maio de 2009, dia em que o Presseurop nasceu. Quatro anos e meio depois, “este sonho de jornalistas e de cidadãos” cumpriu-se, mas tem de parar, por falta de financiamento.
Durante este período, a Europa mudou de rosto. Em 2009, a questão estava em saber se José Manuel Durão Barroso seria reconduzido na chefia da Comissão Europeia e se os irlandeses iriam aprovar o Tratado de Lisboa num segundo referendo. Poucos meses depois, rebentava a crise grega e o cortejo de perigos inerentes para toda a zona euro. Da Irlanda a Portugal, do Fundo Europeu de Estabilização Financeira à união bancária, do “Merkozy”a milhões de jovens desempregados em busca de um futuro, o Presseurop adaptou-se às novas realidades da União Europeia, seguindo o quotidiano dos europeus e analisando os cenários que se apresentavam.
Este trabalho foi feito graças a uma equipa de jornalistas, correspondentes e tradutores – mais de 100 pessoas, ao longo dos anos, a que cabe aqui agradecer efusivamente – que conseguiu conjugar as diferenças de língua, de cultura e de visão do mundo. Numa época em que a União Europeia se dividia entre Norte e Sul, zona euro e exterior à zona euro, elites europeias e cidadãos, o Presseurop revelou-se um laboratório vivo do que pode ser o espaço público europeu.
Em mais nenhum lugar era possível ler editoriais gregos, destaques da imprensa húngara e reportagens retiradas de jornais bálticos, romenos ou alemães. Em mais nenhum lugar era possível comparar as análises dos jornalistas mais influentes da Europa. E sobretudo, em mais nenhum lugar era possível ler e escrever comentários em todos os idiomas, traduzidos automaticamente.
Numa altura em que muitos sites procuram desesperadamente aumentar os números das respetivas audiências, quisemos cultivar laços com uma audiência mais limitada, no sentido latino do termo: a daqueles que ouvem. Durante quatro anos e meio, o leitor ouviu a voz singular do Presseurop e replicou-a através de milhares de comentários e da assinatura da petição de apoio. Por isso, não é um adeus que lhe enviamos hoje, mas um “até já”. Apenas pelo tempo necessário para encontrar – por seu intermédio, quem sabe? – meios para retomarmos, o mais depressa possível, o nosso diálogo europeu.
Desde já, para não se cortar a ligação que nos liga a vocês e que vos junta a todos, convidamos-vos a continuarem o debate no blogue Friends of Presseurop, que criámos para este efeito. Venham todos!
*Imagem retirada de Presseurop
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A CRISE

“Parem de fingir que isto é uma crise de dívida pública”

por L.M.C.29 novembro 201336 comentários

A Europa não tem um problema orçamental e a crise não é de dívida pública. Para Marc Blyth, professor de economia política internacional, o verdadeiro problema está nos bancos e nos ativos tóxicos que estes mantêm nos balanços.

Em entrevista so “Jornal de Negócios”, Mark Blyth, professor de economia política internacional que escreveu o livro “Austeridade: a história de uma ideia perigosa”, afirma que a Europa erra na atual estratégia de austeridade devido a “uma crença ideológica que recua centenas de anos e que entende que sempre que há um problema com dívida se deve cortar nesta. Isso funciona individualmente, mas se todos tentarmos fazê-lo ao mesmo tempo, e formos parceiros comerciais com a mesma moeda, o resultado é uma recessão para todos. E à medida que o PIB encolhe a dívida aumenta, tal como está a acontecer em Portugal e nas chamadas perifeiras europeias”.

Para o economista, a redução da despesa pública não resolve o problema. “Podem cortar a despesa pública em Portugal até à idade da pedra que isso não terá impacto na exposição dos bancos estrangeiros aos mercados de dívida soberana”. Em relação às medidas de austeridade, Blyth dá uma curiosa imagem: “Descrevamos Portugal como alguém que teve um acidente: tem uma perna partida, a cara esfacelada, tem problemas de respiração e mal se consegue mexer. Nós levamo-lo para o hospital e a receita do médico é: vamos retirar-lhe todo o sangue do corpo. Portugal tem concerteza os seus problemas de longo prazo, mas não é que a austeridade os ajude a resolver. Irá simplesmente tornar as coisas piores”, diz.

Para o economista, a austeridade é apresentada como uma forma de reformar o Estado-social mas, diz, “se estivermos a falar de problemas de equidade do Estado social, como excesso de benefícios a pensionistas, então devem ser tratados. Mas o que está em causa é salvar o 1% mais rico quando os seus bancos estão em apuros -é o que aconteceu na América e na Europa – e depois, quando esses resgates e as recessões acabam no balanço do sector público, usar como desculpa um problema de pensões, isso não é uma boa política”.

Segundo Mark Blyth, “a primeira solução é parar com a austeridade. A segunda é parar de fingir que isto é uma crise de dívida pública, que não é. É uma crise bancária. É preciso resolver o problema bancário. Estamos parados na união bancária há um ano, pela simples razão de que alguém tem de lidar com um bilião de dólares de ativos tóxicos que estão nos sectores bancários espanhóis e outros. Até que as perdas sejam reconhecidas e absorvidas pelos bancos e seus acionistas e credores, não há forma de resolver o problema. É preciso desalavancar o sistema e deixar o ciclo de crédito e a política monetária funcionar”.

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Vice-presidente da câmara da Ribeira Grande renuncia ao cargo

Vice-presidente da câmara da Ribeira Grande renuncia ao cargo

Lusa/AO online / Regional / Hoje, 10:31
Carlos Fraga

525 visualizações

O vice-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Carlos Fraga, apresentou, na reunião de Câmara desta segunda-feira, dia 30 de dezembro, a renúncia do cargo.
Carlos Fraga alegou motivos pessoais e familiares para justificar a renúncia.

O executivo camarário, presidido por Alexandre Gaudêncio, face à natureza dos argumentos apresentados, não colocou entraves à vontade expressa pelo vice-presidente.

A substituição de Carlos Fraga foi imediatamente efetuada com a nomeação de Carlos Anselmo.

Neste momento difícil de índole pessoal e familiar, todo o executivo camarário expressa gratidão pelos serviços prestados por Carlos Fraga à Câmara e ao concelho da Ribeira Grande.

-- 
Chrys Chrystello, 
An Aussie in the Azores/Um Australiano nos Açores
  www.oz2.com.sapo.pt / www.lusofonias.net
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CADERNOS AÇORIANOS Nº22

http://www.lusofonias.net/doc_download/1721-caderno-22-manuel-policarpo.html
Já em linha

http://www.lusofonias.net/doc_download/1721-caderno-22-manuel-policarpo.html

 o Caderno de Estudos Açorianos Nº 22 DEDICADO AO PINTOR MANUEL POLICARPO
 

os anteriores eram dedicados a

#19 Martins Garcia

#20 Joana Félix

#21 JOSÉ NUNO DA CÂMARA PEREIRA

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