garrafão acerca da vida na República Centro-Africana.

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O meu amigo Didier Kassaï ( já vos disse que é o melhor desenhador que conheci? ), colocou este garrafão num post acerca da vida na República Centro-Africana.
Para muitos Centrafricanos, jovens, tal não dirá nada, tal como a todos os Portugueses, com talvez uma mão cheia de excepções..
No entanto o meu amigo Victor Rocha (Um dos poucos Portugueses que se mantem na RCA e é nosso Consul ), lembrou e muito bem, que se trata de um garrafão de vinho Nabao que era vendido pelos Portugueses, quando a nossa presença e reconhecimento naquele país extraordinário ainda era marcante.
De tal forma que vinho ainda se diz “nabau” entre aquele povo nosso amigo, que reconhece os Portugueses como gente de bem.
Muito mais se poderia dizer, mas fica a esperança de um dia Africa se sentar no lugar que merece no mundo.
Talvez um dia lá volte e tenha o prazer de beber um belo copo de Mocaf entre estes dois amigos.
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Android generation doesn’t know about this. The day we’re going to sell Africa ti gold with this, I’ll put myself on alcohol

 

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Eduardo Casanova

Belíssima publicação, como sempre! O texto revela muita sensibilidade, ética e respeito humano. Um grande abraço, meu amigo.

 

 

 

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    Pedro Horta

    Eduardo Casanova Abraço meu amigo, um grande abraço.

     

     

     

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    EXPO FOTO

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    Exposição patente ao público, esta sexta-feira, no Centro Cultural das Velas, ilha de São Jorge:
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    coincidência ou não CALHETA PÊRO DE TEIVE

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    Calheta: por coincidência ou talvez não…
    Por mera coincidência – ou talvez não, nunca se sabe… -, a empresa concessionária do espaço público da Calheta de Pêro de Teive, em Ponta Delgada, anunciou ontem que ontem mesmo – imaginem, uma sexta-feira… – recomeçou as obras de chamada requalificação da zona, precisamente um dia depois de eu ter publicado um artigo no Diário dos Açores sobre o assunto, a criticar, obviamente, tudo o que ali tem acontecido, desde há muitos anos.
    Recebi, entretanto, a seguinte mensagem privada de um amigo no FB: “Muito obrigado, Tomás, por continuares firme na defesa da nossa Calheta! Podes falar com inteira liberdade, por amor à terra natal e porque não estás ´preso` a nada nem a ninguém: não recebes benesses dos poderes públicos, nem tens familiares a trabalhar para a Câmara Municipal de Ponta Delgada ou para organismos dela dependentes, nem para entidades governamentais regionais. Muitos concordam com as tuas posições quanto à Calheta, mas têm receio de se manifestar ou falar”.
    Agradeço, mas não faço comentários sobre essa mensagem. Acrescento, no entanto: também não recebo bem sortidos cabazes de Natal de qualquer entidade pública, como consta que acontece com alguns, para pagamento de favores políticos e para serem “amiguinhos” nas observações quanto à questão da Calheta de Pêro de Teive.
    Nunca pensei que os Açores em regime autonómico constitucional, em plena democracia ou suposta democracia, viessem a apresentar características, já não digo iguais, mas semelhantes em vários aspectos ao marcelismo deposto pela Revolução do 25 de Abril de 1974…
    Sou um democrata e um autonomista, pelo que lamento a recuperação ou tentativa de recuperação de valores do antigamente, embora sob o disfarce de democracia, o que, de resto, não é de agora.
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    Urbano Bettencourt, João Manuel Medeiros Aguiar and 13 others

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    Roberto Rodrigues

    A ver vamos o que se seguirá, não vá ´surgir na imprensa um anúncio como no primórdios da RTPA: “Pedimos desculpa pela interrupção, o que tem sido normal no nosso comportamento, seguirá dento de momentos”…
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    MEMÓRIAS DO LICEU CAMÕES

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    MEMÓRIAS DO LICEU CAMÕES
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    Eu fiz o ensino secundário num estabelecimento chamado Liceu Camões que ainda hoje acho o mais pavoroso e sinistro local que frequentei na vida. Os professores eram inenarráveis. O de Matemática, por exemplo, gordo, careca e de bata a proteger o fato dado que os números sujam, entregava-nos os testes num desgosto profundo porque quase toda a turma tinha negativas e a seguir, a abanar a cabeça, culpava as asneiras que a gente escrevia com o cinema. Na sua opinião só pensávamos no cinema e, em lugar de estudar, passávamos o tempo em salas às escuras a regalarmo-nos com inutilidades que nos faziam mirrar a massa cinzenta. E dava-se então a si mesmo como edificante exemplo de devoção e trabalho, em frases espantosas que nunca esqueci, como por exemplo
    – Eu, quando tinha a vossa idade, ia ao cinema uma vez por semana e era lá de mês a mês
    ao passo que nós gastávamos a existência a ver o Fred Às Tiras e a Ginja Às Rodas, não falando no corsário Enrola O Filme e no galã Tiró Pulover, que nos desviavam das equações do segundo grau e outras utilidades semelhantes.
    O professor de Inglês, outra luminária, ditava-nos o texto do ponto num vozeirão feroz
    – A filha da tia da prima dele encontrou o lápis em cima da mesa por baixo da lâmpada ao lado da cómoda da sogra da avó da amiga dela. Cinco minutos para porem isto numa linguagem decente.
    E classificava em voz alta, baixando um valor a cada erro, que marcava com um lápis encarnado, descendo do dezoito porque os hotentotes que éramos não tinham direito a mais.
    Lembro-me de estar de pé ao lado da secretária onde ele, sentado, enorme, feio e sonoro gritava em soslaios ferozes
    – Dezoito dezassete dezasseis quinze catorze treze doze onze dez nove oito sete seis cinco quatro três dois um
    após o que erguia para mim a cabeça terrível e me entregava o papel despachando-me com o profundo desdém das costas da mão
    – Zierao, parabéns ó feliz, vai-te embora.
    O professor de Desenho, na prova de Desenho à Vista
    (o que seria Desenho ao Ouvido?)
    premiava as minhas canecas tortas com um sete indulgente. O de Geografia enfurecia-se comigo por me faltar uma estação no ramal da Beira Baixa. O de Francês achava que eu tinha um sotaque de Volapuque e não me passava do oito.
    No bendito Liceu Camões volta e meia não havia Ginástica porque o Ginásio estava ocupado pelas cadeiras de uns eventos chamados Serões para Trabalhadores com cantorias e orquestra. Nessas abençoadas alturas o professor de Ginástica vinha dar a lição à turma, isto é contar histórias de que ele era o herói.
    Exemplo tal e qual:
    • Uma tarde, filhos, ia eu na minha Norton setecentos e cinquenta, perigosa, por vezes temível, aparece-me um muro pela frente, isto a cento e vinte à hora, falham-me os travões e eu digo para mim mesmo: alto, João, prepara o mortal.
    • Salto
    (pausa angustiante em que as mãos rebolavam uma por cima da outra)
    e caio em perfeita flexão de pernas em cima do muro.
    E, lá para o fundo da sala:
    – Estás a rir-te ó idiota? Então sai já para o recreio antes que eu te dê uma biqueirada das minhas.
    Claro que um estabelecimento destes só podia formar adolescentes mentecaptos. A minha sorte era que um camarada do Colégio Militar do meu avô era professor lá e, no terceiro período, as minhas notas transformavam-se miraculosamente em dozes e trezes e portanto acabei aquela fantochada aos dezasseis anos. A fantochada possuía no entanto as suas compensações: um dos contínuos, que tinha um gabinete minúsculo e uma mala muito grande, recebia uma porção de professoras no dito gabinete. Abria a mala, que estava cheia de lingerie mais ou menos transparente e outras coisas esquisitas que a minha mãe também não tinha e as setôras vinham comprar, agrupadas num bando de rolas famintas connosco a empurrarmo-nos uns aos outros a fim de espreitar a sessão de provas de um postigo junto ao tecto. Devo ao gabinete, à mala e ao contínuo
    (senhor Ribeiro como podia esquecer-lhe o nome?)
    os momentos mais felizes e as sensações mais estranhas da minha vida. Metamorfoseadas num grupo de unicórnios de catorze ou quinze anos incendiávamo-nos de entusiasmo, alegria, espanto e estranheza por estarmos finalmente diante de Ginjas às Rodas ao natural, que circulavam diante umas das outras a arrulharem suspiros que nós partilhávamos num júbilo mudo. Devo-lhes as minhas primeiras e confusas exaltações, os meus primeiros e confusos prazeres.
    Espero, de coração, que os maridos das setôras se sentissem tão felizes quanto nós. Portanto nem tudo era mau no Liceu Camões que se tornou, graças ao senhor Ribeiro, que merecia ser homenageado com o seu nome numa rua próxima, um verdadeiro estabelecimento de ensino. Mas talvez o planeta seja injusto e esqueça os grandes pedagogos. O facto é que até a setôra de Ciências me comovia, apesar de muito feia, e guardo dela uma calorosa lembrança. Devo ao Liceu Camões haver-me transformado não num homem, mas num geyser em botão. A nossa geração tornou-se incandescente e perigosa, fumegando lava a toda a hora. O problema, para mim, era que o senhor prior me compreendia mal durante as confissões, me carregava a penitência de Pais Nossos às dúzias, e os meus pais me olhavam por vezes com um sobrolho contumaz.
    Não sei muito bem o que contumaz quer dizer mas, de qualquer maneira, ignoro porquê, a palavra ainda me assusta. Uma marca de lingerie de certeza que não é.
    António Lobo Antunes
    (Crónica publicada em 2017)
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    Carlos Peralta

    António Guterres, Durão Barroso, Jorge Palma, Mário de Sá Carneiro, Júlio Isidro, Nicolau Breyner ou João Lobo Antunes são apenas alguns de muitos nomes que frequentaram o Camões……..r EU……para anos 60 este texto não tem nada ver……

    dia da Viola da Terra.

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    May be an image of musical instrument and text that says "2 de Outubro Ο dia da VIOLA DA TERRA Workshop NGORES CRTARCADO com entrada livre"

    Viola da Terra, de Arame, dos Dois Corações, de Cinco Parcelas e ainda Viola Açoriana, com alguns séculos de Primaveras desde o seu aparecimento…
    Em homenagem a este instrumento/cordofone, e a todos aqueles que tem colaborado pela sua perpetuação ao longo dos tempos, vai ser levado acabo um Workshop sobre a sua construção, história, usos e costumes, bem como a interpretação de alguns temas musicais.
    Em Setembro de 2018 foi proposto a criação do dia da Viola da Terra.
    Assim essas Comemorações são a 2 de Outubro de cada ano.
    Para o efeito peço a todos os interessados que informem da sua presença, para poder ser administrado o número de pessoas com o espaço existente/disponível.
    (Sendo o dia 2 um dia de trabalho para muitos de nós, assim o evento será no dia 1, domingo, às 14.00 horas, na Costa, onde vivo/trabalho)
    A entrada é gratuita a/para todos os que marcarem a sua presença.
    Para o efeito, entrar em contacto:
    e-Mail – joseserpa@sapo.pt
    Mensagens pelo facebook:
    https://www.facebook.com/costa.ocidental
    Telf: 292542336

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    ícone do ecce homo de lisboa para a etiópia há 500 anos

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    CRISTO PINTADO EM LISBOA HÁ 500 ANOS
    TORNOU-SE UM ÍCONE REAL DA DISTANTE ETIÓPIA
    Como um Cristo pintado em Lisboa há 500 anos se tornou um ícone real da Etiópia. Na embaixada enviada ao reino de Preste João em 1520 seguia um Ecce Homo coroado de espinhos. Ícone de imperadores, a pintura foi saqueada pelos ingleses. Está em Portugal desde 1950.
    Luís Miguel Queirós
    28 de Setembro de 2023, Público
    Foto
    Detalhe da pintura Kwer’ata Re’seu, o Cristo etíope MARTIN BAILEY/CORTESIA THE ART NEWSPAPER
    Esta é a improvável história de uma pintura a óleo de um Cristo sofredor, provavelmente da oficina de Jorge Afonso, pintor régio de D. Manuel I, que foi oferecida em 1520 ao imperador etíope Lebna Dengel, e que veio a tornar-se um ícone real em terras de Preste João – um tesouro que era levado para as batalhas e guardado nas próprias tendas dos monarcas, mas também um venerado (e muito copiado) objecto de culto, até hoje omnipresente na pintura religiosa do país. E como se a história deste Cristo etíope – relembrada nesta segunda-feira pelo jornalista e historiador de arte britânico Martin Bailey, no The Art Newspaper – não fosse já suficientemente insólita, estranhas circunstâncias ditaram o regresso da pintura a Portugal, onde vem passando mais ou menos despercebida há mais de 70 anos.
    Saqueado durante a batalha de Magdala, em 1868, este Ecce Homo, a que os etíopes chamam Kwer’ata Re’seu, foi parar às mãos de Richard Holmes, um agente enviado à Etiópia pelo Museu Britânico para comprar manuscritos e antiguidades aos militares que regressavam com o saque da expedição. Holmes entregou aos seus empregadores do museu um extenso conjunto de peças, mas conservou secretamente a pintura do Cristo com a coroa de espinhos, vinda directamente da tenda do imperador Teodoro II, que se suicidou na ocasião.
    Neste contexto em que se discute a questão das restituições, mas também no quadro das relações diplomáticas entre os dois países, parece-me que faria sentido o Estado adquirir a obra para a oferecer à Etiópia”
    Joaquim Caetano, director do Museu Nacional de Arte Antiga
    Uma versão provavelmente algo fantasiosa sustenta que Holmes retirou ele próprio o quadro da tenda, onde o cadáver do monarca ainda não arrefecera, mas parece mais plausível que o tenha comprado às tropas do general Napier, e eventualmente com verbas do Museu Britânico.
    Magdala não fora a primeira ocasião em que o ícone real dos imperadores etíopes caíra em mãos inimigas. Em 1738 fora levado pelos muçulmanos do sultanato de Senar, no Sudão, após uma desastrosa campanha militar empreendida pelo imperador etíope Iyasu, que teve de promover uma colecta especial de impostos para custear o seu elevado resgate. O explorador escocês James Bruce contará mais tarde que “toda a Gondar”, então a capital do império, “ficou embriagada de alegria” com o regresso do Kwer’ata Re’seu.
    Foto
    Pintura a óleo de um Cristo sofredor, provavelmente da oficina de Jorge Afonso, pintor régio de D. Manuel I, que foi oferecida em 1520 ao imperador etíope Lebna Dengel MARTIN BAILEY/CORTESIA THE ART NEWSPAPER
    Em 1868, todavia, não houve pedido de resgate, e a Etiópia não recuperou, até hoje, um dos objectos mais venerados do seu património histórico, político e religioso. Em 1872, o imperador etíope João IV, que apoiara os ingleses na expedição contra o seu antecessor, pediu a devolução da pintura, bem como do Kebra Nagast (A Glória dos Reis), o livro que narra a origem mítica da dinastia salomónica dos imperadores etíopes, que se teria iniciado com um filho de Salomão e da rainha de Sabá. Um exemplar do livro foi-lhe rapidamente restituído, mas a pintura nunca apareceu.
    Holmes manteve o silêncio sobre a obra durante mais de 30 anos, até que em 1905 surgiu na prestigiada revista de arte britânica Burlington Magazine um artigo sobre o Cristo abissínio, que ele próprio terá escrito sob anonimato.
    Salazar rejeita proposta
    Após a sua morte, a obra foi leiloada em 1917 na Christie’s, que a atribuiu à escola de Bruges e a descreveu como tendo sido “encontrada em 1868 na casa do rei Teodoro em Magdala”. Um comprador londrino, Martin Reid, levou-a para casa por 420 libras, e um seu herdeiro voltou a recorrer à mesma leiloeira para a vender em 1950, sem que tivesse alcançado o preço de reserva. A pintura acabaria, depois, por ser comprada a título particular, em Londres, pelo historiador de arte português Luís Reis Santos, director do Museu Machado de Castro nas décadas de 50 e 60. Este ainda sugeriu a Salazar que mandasse adquirir a obra para a oferecer ao imperador etíope Hailé Selassié durante a sua visita de Estado a Portugal, em 1959, mas a proposta não foi aceite. Reis Santos viria a morrer num desastre de viação, em 1967.
    Luís Reis Santos conhecia bem a história da pintura, uma vez que publicara já em 1939, na revista Ocidente, um artigo sobre o Kwer’ata Re’seu, defendendo que era da autoria de Lázaro de Andrade, um pintor que integrara a embaixada liderada por D. Rodrigo de Lima à Etiópia. Uma versão inglesa do mesmo artigo saiu depois na Burlington Magazine, em 1941, com o título On a Picture From Abyssinia.
    No entanto, em 1950, a história já estava esquecida e, em Portugal, só se voltou a ouvir falar do quadro em 1998, quando Martin Bailey conseguiu seguir-lhe o rasto até Coimbra, onde a herdeira de Reis Santos o mantinha há muito num cofre bancário, ainda envolto num exemplar da edição de 20 de Abril de 1950 do jornal London Evening News.
    Foi na sequência do seu artigo que o Estado português, após ter tentado comprar a pintura — projecto que se terá frustrado devido ao elevado preço então exigido —, decidiu avançar para a classificação, impedindo a exportação da obra sem autorização expressa do ministro da Cultura.
    A portaria é assinada pelo então secretário de Estado do ministro da Cultura Augusto Santos Silva, José Manuel Conde Rodrigues, que atribui a propriedade do bem a Isabel Pereira Fernandes Reis Santos, e o descreve como uma “pintura quinhentista (ca. 1520) sobre madeira de carvalho, possivelmente luso-flamenga, representando Cristo coroado e nimbado, de mãos abertas e olhos semiabertos”. O diploma não faz nenhuma referência ao percurso etíope da obra.
    A busca de Preste João
    Passada esta efémera notoriedade pública na viragem do milénio, o caso do Cristo etíope voltou a sair dos radares durante mais duas décadas, até ao persistente Martin Bailey ter voltado agora à carga com um novo artigo no Art Newspaper, desta vez ilustrado com uma fotografia a cores inédita do Kwer’ata Re’seu.
    Há poucos anos, no entanto, o cenário da compra poderá ter voltado discretamente a colocar-se, já que o director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Joaquim Caetano, se lembra de lhe terem pedido um parecer a respeito da obra, ao que crê ainda durante a passagem de Bernardo Alabaça pela Direcção-Geral do Património Cultural, onde este só esteve cerca de um ano e meio, de Fevereiro de 2020 a Junho de 2021. Caetano não conseguiu agora encontrar a resposta que enviou, mas sublinha que a sua posição tem sido sempre a mesma: “Neste contexto em que se discute a questão das restituições, mas também no quadro das relações diplomáticas entre os dois países, parece-me que faria sentido o Estado adquirir a obra para a oferecer à Etiópia.”
    [1950] A pintura não alcançou o preço de reserva e foi depois vendida particularmente, em Londres, ao historiador de arte português Luís Reis Santos
    Argumenta que se trata de “uma pintura pequena” (33 x 25cm), e de “um modelo várias vezes repetido, quer por Jorge Afonso, quer pelo seu genro Gregório Lopes, que lhe sucedeu como pintor régio”. E se lhe reconhece “qualidade”, entende que “não muda grande coisa na história da pintura portuguesa”.
    Acresce que este Cristo terá sido pintado com o intuito expresso de ser oferecido ao novo aliado cristão dos portugueses na África Oriental, já que, adianta ainda o director do MNAA, ele consta de uma lista de objectos a enviar para a Etiópia que se conserva na Torre do Tombo.
    O antropólogo Manuel João Ramos, que a maioria dos portugueses conhecerá melhor pela luta que há muito vem travando contra a sinistralidade rodoviária – é o fundador e presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, ACA-M —, tem a mesma opinião que Caetano, com o qual, aliás, trabalhou num malogrado projecto de exposição que traria a Portugal um importante conjunto de arte sagrada etíope, e que teria no Kwer’ata Re’seu uma peça central.
    É um quadro que vai para a Etiópia na primeira embaixada europeia formal dos tempos modernos a um país africano e que ali se torna um ícone real”
    Manuel João Ramos, antropólogo
    “É um quadro que vai para a Etiópia na primeira embaixada europeia formal dos tempos modernos a um país africano e que ali se torna um ícone real”, sublinha o antropólogo, lembrando que os próprios Descobrimentos “nasceram da ideia de contacto com o Preste João”.
    Visões inconciliáveis
    No entanto, se é difícil sobrestimar o simbolismo histórico e político desta pintura — ainda que materialmente semelhante a muitas outras tábuas renascentistas ao gosto flamengo que abordam o tópico do Cristo sofredor —, Manuel João Ramos alerta para o facto de o culto da obra original, e uma certa ideologia da conservação que lhe está associada, não ser necessariamente tão consensual na Etiópia como na Europa.
    No seu livro Histórias Etíopes (Tinta-da-China, 2010), o investigador defende que os responsáveis pela política cultural e os sacerdotes e fiéis da Igreja Ortodoxa mantêm perspectivas “inconciliáveis” no que respeita à arte sacra. “Para que um ícone mantenha viva a sua força evocativa, dizem os padres, deve ser repintado quando as cores esmorecem; mas a pática de repintar imagens do século XVII com tinta de esmalte brilhante horroriza, vá-se lá saber porquê, os patrimonialistas.” Ou seja, acrescenta, “quanto mais a cópia for actualizada, mais a presença divina estará assegurada”, mas, “para o Ministério da Cultura, obediente aluno da UNESCO, cada repintura atenta contra o interesse nacional que constitui o fluxo proveniente do turismo cultural”.
    Embora seja uma boa tábua do século XVI, a sua excepcionalidade justifica-se mais pela história que lhe está associada”
    Raquel Henriques da Silva, historiadora de arte e museóloga
    A devolução do Kwer’ata Re’seu seria provavelmente acolhida como um grande acontecimento político e cultural na Etiópia, e uma evidente mais-valia para o turismo, mas isso não implica que os fiéis reconheçam no ícone uma autenticidade superior às suas muitas cópias contemporâneas, já que na tradição ortodoxa, explica o antropólogo, o único retrato original de Cristo, do qual provêm todos os outros, é o que S. Lucas teria pintado a partir do seu modelo vivo.
    A historiadora de arte e museóloga Raquel Henriques da Silva, que esteve envolvida na iniciativa de classificação da pintura quando dirigia o então Instituto Português de Museus, também defende que o Estado deve adquirir a pintura, quer por lhe parecer o mais correcto quando classifica uma obra que o proprietário quer vender (desde que o preço seja razoável), quer pelo “raríssimo pedigree histórico” do Kwer’ata Re’seu. “Embora seja uma boa tábua do século XVI, a sua excepcionalidade justifica-se mais pela história que lhe está associada”, ajuíza. “Dava uma exposição fantástica.”
    Manuel João Ramos, que chegou a tentar organizar essa exposição, acha que também daria “um livro ou um filme”. E talvez se possa acrescentar um álbum de banda desenhada ao estilo do criador de Corto Maltese, Hugo Pratt, autor de As Etiópicas.
    O PÚBLICO tentou, sem êxito, contactar a actual proprietária do quadro, e procurou também saber junto do Ministério da Cultura, igualmente sem respostas até ao momento, se uma eventual compra da pintura está a ser ponderada.
    Manuel João Ramos nota que a entrega da pintura à Etiópia teria ainda a vantagem de poder ser feita sem as tensões que o debate em torno da restituição de património costuma gerar. “A discussão destas coisas em Portugal envolve sempre emoções que têm que ver com o período colonial, mas não houve colonização portuguesa na Etiópia”, um país que nunca foi, aliás, colonizado por nenhuma potência europeia, se exceptuarmos a sua efémera ocupação pela Itália fascista de Mussolini.
    Se o Kwer’ata Re’seu está hoje fora da Etiópia, a responsabilidade parece ser exclusivamente britânica. Portugal não o roubou, ofereceu-o. Talvez possa voltar a fazê-lo.
    Pode ser arte de 1 pessoa
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    Ana Maria Nini PV Botelho Neves and 35 others

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    Carlos Fino

    Apesar de algumas repetições, penso que o tema é suficientemente importante para justificar a publicação deste texto do Público. Conto sempre com a compreensão de quem lê e que saibam distinguir o trigo do joio.
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    a escolha do espermatozóide não é de corrida

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    E ESTA, HEM?
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    A study by researchers at the University of Stockholm (Sweden) and the University of Manchester (UK) Foundation Trust, published in the scientific journal The Royal Society, debunks the theory that the fastest spermatozoid is the one that fertilizes the egg.
    The one who achieves the feat is not necessarily the first to reach the ovary, but the one who is selected by the female reproductive cell through chemotherapy.
    Un estudio realizado por investigadores de la Universidad de Estocolmo (Suecia) y de la Fundación Trust de la Universidad de Manchester (Reino Unido), publicado en la revista científica The Royal Society, echa por tierra la teoría de que el espermatozoide más rápido es el que fecunda el óvulo.

    El que logra la hazaña no es necesariamente el primero en llegar al óvulo, sino el que es seleccionado por la célula reproductora femenina mediante quimioatrayentes.

    Quake Info: Weak Mag. 2.8 Earthquake – North Atlantic Ocean, 52 km West of Ribeira Grande, Portugal, on Saturday, Sep 30, 2023 at 5:51 am (GMT +0)

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    Source: Quake Info: Weak Mag. 2.8 Earthquake – North Atlantic Ocean, 52 km West of Ribeira Grande, Portugal, on Saturday, Sep 30, 2023 at 5:51 am (GMT +0)

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