OVGA circula as aulas do Professor Doutor Galopim de Carvalho — solos

2015 – ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS

FALANDO DOS SOLOS (6)

 

Para os romanos, solum aludia não só ao solo, tal como ele é descrito em pedologia, mas também ao chão que pisavam, à terra onde nasciam e ao território pátrio que foi o deles.

Alguns pedólogos adoptaram este termo latino para designar apenas a parte superior, mais alterada, do perfil pedológico, rica em matéria orgânica, designando por alterito, rególito (do grego rhegós, cobertura, e lithós, pedra) ou saprólito (do grego saprós, podre, e lithós, pedra) a restante parte do perfil que se lhe segue em profundidade, representada pela rocha-mãe simplesmente meteorizada.

Em geologia planetária fala-se, por exemplo, de “solo lunar”, embora sabendo que esta entidade não possui a componente viva essencial à sua definição na Terra. São muitos os que lhe chamam rególito, termo neste caso mais correcto, posto que alude à sua condição de material incoerente de cobertura que não resulta de um processo de meteorização (ali inexistente), mas sim, da pulverização da crosta rochosa selenita (em especial, anortositos e basaltos), na sequência dos impactes meteoríticos a que esteve intensamente sujeita num passado longínquo, há milhares de milhões de anos, e ainda está, embora mínimo e sem expressão actual. Do mesmo modo, o “solo marciano” não passa de areia solta e pedras (fragmentos de rocha dispersos) à superfície do “planeta vermelho”.

No sentido a que se referem pedólogos e geólogos, a composição do solo decorre da natureza da rocha-mãe, da topografia e do clima, quer o decorrente da zonalidade latitudinal, quer o relacionado com a altitude, e, consequentemente, dos processos que lhe deram origem. A rocha-mãe começa por se descomprimir, por diminuição da pressão litostática com a aproximação da superfície, e, eventualmente, a sofrer alguma desagregação mecânica, abrindo-se à penetração da água e dos gases atmosféricos (oxigénio e dióxido de carbono) que promovem a sua meteorização química abiótica (decomposição), mais ou menos pronunciada, em função das citadas condições ambientais. Como resultado, a rocha evolui para um material terrígeno (fenoclastos[1], areia, silte e argila) incoerente ou desagregado, ou seja, o alterito, como é, por exemplo, no caso do granito ou do gnaisse, o saibro ou arena. Via de regra, a esta fase segue-se a instalação de microorganismos e de plantas sucessivamente mais exigentes (muscíneas, herbáceas, arbustivas e arbóreas), transformando o alterito num solo.

A invasão desta capa de alteração (ou de um qualquer tipo de depósito aluvionar) pela vida vegetal acrescenta-lhe, ainda, os seus restos mortos em decomposição e os produtos da sua actividade biológica, desenvolvendo processos bioquímicos hoje muito bem estudados.

Consoante a intensidade e a duração deste processo podemos distinguir solos imaturos ou incipientes (pouco ou nada evoluídos), solos evoluídos ou maturos, havendo todos os termos de passagem entre estes dois extremos.

 

[1] – Fragmentos ou clastos rochosos de dimensão superior à das areias

VER TEXTO ORIGINAL COM IMAGENS AQUI .AAIS-2015-6 IS 2015 – 6

Quem são as figuras no Padrão dos Descobrimentos

Em Belém, reergueu-se o Padrão dos Descobrimentos em betão revestido de pedra rosal de Leiria, no decorrer das Comemorações do 5º Centenário da Morte do Infante D. Henrique.O monumento foi inaugurado a 9 de Agosto de 1960.

http://portugalglorioso.blogspot.com/2014/07/quem-sao-as-figuras-que-estao-no-padrao.html

Source: Quem são as figuras no Padrão dos Descobrimentos

 

Morreu o violista Fernando Alvim (1935-2015)

de diálogos lusofonos se transcreve

 

Em memória Morreu o violista Fernando Alvim (1935-2015)

O violista, que acompanhou durante mais de 25 anos Carlos Paredes, tinha 80 anos.

O músico Fernando Alvim durante mais de 50 anos ajudou a que outros brilhassem. No meio da música era, aliás, conhecido como “o sombra”, pelo facto de acompanhar discretamente grandes vultos da música portuguesa, com destaque para Carlos Paredes.

Fernando Alvim foi convidado por Amália Rodrigues para gravar o tema “Formiga Bossa Nova”, de Alexandre O’Neil e Alain Oulman.
O músico editou em 2011 um duplo CD “O fado e as canções do Alvim”, constituído exclusivamente por composições suas interpretadas, entre outros, por Camané, Ana Moura, Ricardo Ribeiro, Cristina Branco, Rui Veloso, Fafá de Belém, Vitorino e Carlos do Carmo.
Fernando Alvim, entre outros, acompanhou e gravou com António Chaínho, Pedro Jóia e José Afonso.
Em 2012 o músico recebeu a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores, que referiu na ocasião que era uma “forma de reconhecimento pelo trabalho de décadas ao serviço da dignificação da música portuguesa”.

Na década de 1970, o seu Conjunto de Guitarras de Fernando Alvim registou dois EP e um álbum, mas só a edição de Os Fados e as Canções do Alvim, lançado em 2011, revelou a excelência da sua composição plasmada em 35 autorias. Um dos guitarristas chamado a participar no disco seria Ricardo Parreira, que em 2007 assinara a sua própria homenagem ao violista com o álbum Nas Veias de Uma Guitarra – Tributo a Fernando Alvim. Mais recentemente, em 2013, também a jornalista Margarida Mercês de Mello deixaria o registo da sua admiração pelo músico com a autoria do documentário para a RTP Azul Alvim.

Fado Alvim (Dedicado a Fernando Alvim)

Fado Alvim (Dedicado A Fernando Alvim)

Carlos Paredes e Fernando Alvim

Dança da Aldeia – Carlos Paredes

Na Primavera de 2011 o mestre Fernando Alvim esteve no programa Viva a Música naquela que seria a sua derradeira passagem pelo Palco da Rádio.

O seu disco Azul Alvim tinha sido editado havia pouco tempo e nele se reuniam composições suas cantadas por diferentes intérpretes.
E assim lá estiveram Amélia Muge, Cristina Branco, Pedro Moutinho e Marco Rodrigues, entre outros.
Momentos antes, discreto como sempre, mestre Alvim sugeriu a Armando Carvalhêda que falasse preferencialmente com os cantores, já que o que ele tinha para dizer estava na sua música.
Era apenas uma parte da sua verdade, onde discrição, dignidade e talento conviviam em cada momento.

 

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Enviado por: Margarida Castro <[email protected]>

a partilha de África há 130 anos

CONFERÊNCIA DE BERLIM: PARTILHA DE ÁFRICA FOI HÁ 130 ANOS

Posted: 27 Feb 2015 08:37 AM PST

 

Há 130 anos, em 1885, terminava na Alemanha um encontro de líderes europeus que ficou conhecido como Conferência de Berlim. O objetivo era dividir África e definir arbitrariamente fronteiras, que existem até hoje.

Tinha cinco metros o mapa que dominou o encontro em Berlim, que teve lugar na Chancelaria do Reich. Mostrava o continente africano, com rios, lagos, nomes de alguns locais e muitas manchas brancas.

Quando a Conferência de Berlim chegou ao fim, a 26 de fevereiro de 1885, depois de mais de três meses de discussões, ainda havia grandes extensões de África onde nenhum europeu tinha posto os pés.

Representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos da América e do Império Otomano deslocaram-se a Berlim a convite do chanceler alemão Otto von Bismarck para dividirem África entre si, “em conformidade com o direito internacional”. Os africanos não foram convidados para a reunião.

À excepção da Etiópia e da Libéria, todos os Estados que hoje compõem África foram divididos entre as potências coloniais poucos anos após o encontro. Muitos historiadores, como Olyaemi Akinwumi, da Universidade Estatal de Nasarawa, na Nigéria, consideram que a Conferência de Berlim foi o fundamento de futuros conflitos internos em África.

“A divisão de África foi feita sem qualquer consideração pela história da sociedade, sem ter em conta as estruturas políticas, sociais e económicas existentes.” Segundo Akinwumi, a Conferência de Berlim causou danos irreparáveis e alguns países sofrem até hoje com isso.

Novas fronteiras

Foram definidas novas fronteiras e muitas rotas de comércio desapareceram porque já não era permitido fazer negócios com pessoas fora da sua própria colónia.

Em muitos países, como foi o caso dos Camarões, os europeus desconsideraram completamente as comunidades locais e as suas necessidades, lembra o investigador alemão Michael Pesek, da Universidade de Erfurt.

“Os africanos aprenderam a viver com fronteiras que muitas vezes só existiam no papel. As fronteiras são importantes para a interpretação do panorama geopolítico de África, mas para as populações locais têm pouco significado”, defende.

Na década de 1960, quando as colónias em África começaram a tornar-se independentes, os políticos africanos tiveram a oportunidade de rever os limites coloniais. No entanto, não o fizeram.

“Em 1960, grande parte dos políticos africanos disse: se fizermos isso, então vamos abrir a caixa de Pandora”, explica Michael Pesek. “E provavelmente tinham razão. Se olharmos para todos os problemas que África teve nos últimos 80 anos, vemos que houve muitos conflitos internos, mas muito poucos entre Estados por causa de fronteiras.”

Compensações pelo colonialismo

Em 2010, no 125º aniversário da Conferência de Berlim, representantes de muitos países africanos em Berlim exigiram compensações para reparar os danos do colonialismo. A divisão arbitrária do continente africano entre as potências europeias foi um crime contra a humanidade, disseram em comunicado.

Defendiam, por exemplo, o financiamento de monumentos em locais históricos, a devolução de terra e outros recursos roubados e a restituição de bens culturais.

Mas, até hoje, nada disso foi feito. O historiador Michael Pesek não se mostra surpreendido. “Fala-se muito em compensações por causa do comércio de escravos e do Holocausto. Mas pouco se fala dos crimes cometidos pelas potências coloniais europeias durante os anos que passaram em África.”

O investigador nigeriano Olyaemi Akinwumi também não acredita que algum dia haverá qualquer tipo de indemnização.

Hilke Fischer / Madalena Sampaio – Deutsche Welle

Continuar a ler

em memória de Luísa Dacosta

Vale muito a pena ler também um texto de Luísa Dacosta, na primeira pessoa, publicado na revista “Única”, de 25 de Junho de 2005, do qual respiguei a seguinte passagem:

A nossa língua é espantosa. Acho que temos uma língua privilegiada. É uma língua que tem dois tempos. Um para o tempo que se gasta, que é o estar, e um tempo para a eternidade, que é o ser. É das poucas línguas no mundo que tem isso. Depois temos uma coisa espantosa, miraculosa, que é poder conjugar pessoalmente o verbo no infinito. O infinito é o verbo fora do espaço e do tempo. Penso que é a única língua do mundo que consegue meter o tu dentro do eu. Quando digo “eu amar-te-ei”, mete o “tu” e depois é que fecha o verbo. Temos essa possibilidade espantosa. A nossa língua é mitológica.

(http://expresso.sapo.pt/o-adeus-a-luisa-dacosta-que-subiu-as-arvores-ate-aos-50-anos=f911111)

———- Mensagem encaminhada ———-
De: Margarida Castro <>
Data: 26 de fevereiro de 2015 02:01
Assunto: Em memória de Luisa Dacosta (1927-2015)
Para:

Em memória de Luisa Dacosta (1927-2015)

“Uma livraria tem o seu quê de religioso e se não é só para iniciados, é pelo menos para amadores, para gente sem pressas, que sabe encontrar tempo para percorrer lombadas, acariciá-las, abrir um ou outro livro, um ritual de comunhão.”
Luísa Dacosta: Um olhar Naufragado – Diário II,  in: “Papel a Mais” (221)

Nota biográfica

Luísa Dacosta nasceu em 1927, em Vila Real de Trás-os-Montes. Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas. Mas as suas “Universidades” foram as mulheres de A-Ver-O-Mar, que murcham aos trinta anos, vivem e morrem na resignação de ter filhos e de os perder, na rotina de um trabalho escravo, sem remuneração, espancadas como animais de carga (-Ele não me bate muito, só o preciso) e que, mesmo afeitas, num treino de gerações,às vezes não aguentam e se suicidam (oh! Senhora das Neves! E tu permites!) depois de um parto, quando o mundo recomeça num vagido de criança! Às mulheres de A-Ver-O-Mar “Deve” a língua ao rés do coloquial. Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. Isso a tem motivado a escrever para crianças.

Nota bibliográfica

(http://paginas.fe.up.pt/porto-ol/aaf/fotobiografia.html)
A autora está representada nas seguintes antologias:

Daqui Houve Nome de Portugal, Eugénio de Andrade, 1969.
De Que São Feitos os Sonhos, Areal Editores, 1985.
Portugal: A Terra e o Homem, Fundação Calouste Gulbenkian, II Vol., 3ª série, 1981.

Escreveu:

Província
Aspectos do Burguesismo Literário
Notas de Leituras
Vóvó Ana,Bisavó Filomena e Eu
De Mãos Dadas Estrada Fora…I
O Príncipe que Guardava Ovelhas
O Valor Pedagógicao da Sessão de Leitura
De Mãos Dadas Estrada Fora…II
O Elefante Cor-de-Rosa
Teatrinho do Romão
A Menina Coração de Pássaro
De Mãos Dadas Estrada Fora…III
A-Ver-O–Mar
Nos Jardins do Mar
Prefácio a Raul Brandão
Corpo Recusado
A Batalha de Aljubarrota
História com Recadinho
Os Magos Que Não Chegaram a Belém
Morrer a Ocidente
Sonhos Na Palma da Mão
Na Água do Tempo
Lá Vai Uma… Lá Vão Duas…

Obras(http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADsa_Dacosta)

  • 1955– Província (ed. Minerva, 2a ed. Figueirinhas, 1984) desenhos de Carlos Botelho
  • 1959– Aspectos do Burguesismo Literário
  • 1960– Notas de Crítica Literária (ed. Divulgação)
  • 1969– Vóvó Ana,Bisavó Filomena e Eu (ed. Portugália; 2a ed. Figueirinhas, 1983, com um desenho de José Rodrigues)
  • 1974– O Valor Pedagógico da Sessão de Leitura (ed. Asa)
  • 1980– A-Ver-O-Mar (ed. Figueirinhas, desenho de Armando Alves; 2a ed. Asa, 2005, com desenhos de Armando Alves)
  • 1981– Nos Jardins do Mar (ed. Figueirinhas) desenhos de Jorge Pinheiro
  • 1985– Prefácio a Raul Brandão
  • 1985– Corpo Recusado (ed. Figueirinhas) desenho de José Rodrigues
  • 1986– A Batalha de Aljubarrota
  • 1989– Os Magos Que Não Chegaram a Belém (ed. Cooperativa Árvore]] desenhos de Maria Mendes
  • 1990– Morrer a Ocidente (ed. Figueirinhas, com desenho de Armando Alves; 2a ed. Asa, 2005, com desenhos de Jorge Pinheiro)
  • 1992– Na Água do Tempo – Diário (ed. Quimera; 2a ed. Asa, 2005) hors-texte de Maria Mendes
  • 1992– Aleluia, na Manhã
  • 1998– À Sombra do Mar (ed. Expo98)
  • 2000– O Planeta Desconhecido e Romance Da Que Fui Antes de Mim (ed. Quimera) desenhos de Jorge Pinheiro
  • 2005– Sargaços
  • 2008– Um olhar naufragado- Diário 2 (ed. Asa) hors-texte de Tiago Manuel
  • 2008– A Maresia e o Sargaço dos Dias (ed. Asa) desenho de Margarida Santos

Livros Infantis

  • 1970– De Mãos Dadas Estrada Fora (ed. Figueirinhas) desenho de Jorge Pinheiro
  • 1971– O Príncipe que Guardava Ovelhas (ed. Figueirinhas)
  • 1974– O Elefante Cor-de-Rosa (ed. Figueirinhas)
  • 1977– Teatrinho do Romão (ed. Figueirinhas)
  • 1979– A Menina Coração de Pássaro (ed. Figueirinhas)