facilitismo ao cubo?

For my Portuguese friends: No final do ano passado, 2018, o Governo publicou uma directriz em que anunciava que “inclusão” era o seu principal objectivo em Educação. À primeira vista, fiquei satisfeito, porque “inclusão” significa que todas as pessoas têm igual acesso às oportunidades – Educação, por exemplo – ou seja, um acesso que ocorre em condições idênticas e sem discriminação. Em Inglês, isso diz-se “a level playing field”. Porém, as “condições idênticas” apenas se aplicam ao acesso às oportunidades e não ao seu resultado final, que depende necessariamente do empenho e do mérito de cada pessoa.

A minha satisfação durou pouco tempo, porque me esqueci de um pormenor essencial: Estes governantes actuais não conhecem o significado das palavras (numa perspectiva generosa) ou ignoram-no deliberadamente (numa perspectiva realista).

Alunos do profissional ingressarem numa escola superior sem a maçada de provas de acesso ou cumprimento de requisitos específicos é inadmissível pois é o oposto de “inclusão”. É discriminar arrogantemente entre alunos que concluem o percurso normal do ciclo secundário, dando facilidades inadmissíveis aos que escolheram a rota alternativa do profissional, que, em Portugal, é fraca em termos de aprendizagem pois o governo nunca a olhou com seriedade. Aliás, como nunca olhou Educação com seriedade. É igualmente inadmissível pois viola a autonomia das escolas superiores. A selecção dos alunos a admitir por uma qualquer escola superior deve ser da responsabilidade total e exclusiva de cada escola, sem qualquer intervenção do governo. Escola superior pública ou privada que não saiba seleccionar os alunos que pretende admitir é escola que não merece existir e que deve ser encerrada ou absorvida por outra que o faça.

As políticas de Educação que têm sido colocadas no terreno são medíocres. Ocorre-me uma dúvida: será que isso é devido aos governantes serem medíocres (muito provável) ou por eles estarem a soldo de uma ideologia bacoca que todos pretende nivelar, favorecendo a mediocridade (muito provável)? Suspeito que isso acontece porque as duas circunstâncias se verificam em simultâneo.

Temos de mudar Educação para que sirva as necessidades de qualificação dos cidadãos e não as imbecilidades dos políticos.

Nota: O artigo refere que os estudantes da via Profissional passarão a entrar em escolas superiores sem quaisquer “exames nacionais”. Como actualmente as escolas superiores não realizam provas específicas para selecção dos alunos que pretendem ter – uma situação que considero inadmissível – isso significa, de facto, que os alunos do Profissional entrarão em escolas superiores sem qualquer avaliação, contrariamente ao que sucede com os alunos que concluem a via do Secundário.

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EM BELMONTE LUCIANO PEREIRA APRESENTA LUSOFONOGRAFIAS

http://coloquios.lusofonias.net/XXXI/APRESENTA%20LUCIANO.htm

APRESENTAÇÃO LIVRO DE LUCIANO PEREIRA

apresentação literária da obra Lusofonografias, Ensaios pedagógico-literários de Luciano Pereira por Chrys Chrystello e Rolf Kemmler

frontispício da obra

apresentação do autor

prefácio Professor Malaca Casteleiro

Posfácio de Norberto Ávila

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