646 SEXTA-FEIRA, 13 março. Não sou supersticioso! por chrys c

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646 SEXTA-FEIRA, 13 março. Não sou supersticioso!

 

esta e anteriores estão em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

A saída da Ryanair vai ter sérias repercussões na economia e na vida de todos nós, aqui nos Açores. O custo de vida subiu exponencialmente; a habitação atingiu valores estratosféricos; o cabaz de compras nunca mais deixou de crescer desde a liberalização das rotas em 2015. Cresceram companhias de aluguer de viaturas como cogumelos, deixaram de caber no aeroporto e foram criadas zonas no aeroporto e fora dele. Novas empresas de whale watching ou de observação de cetáceos surgiram, passeios de barco, passeios de jipe e mil e uma variedades de formas de fazer turismo, até o gastronómico, e o emprego atingiu o seu máximo. Deixou de haver pessoal para a restauração, que por vezes fechava ao almoço ou ao jantar por falta de pessoal. Os restaurantes sempre cheios passaram a servir só com marcação e com esperas ainda maiores do que o habitual (e eram monstruosamente grandes essas esperas). O Governo diz que está atento e a negociar soluções. Por estas e outras razões, ainda virá o dia em que todos concordem com a frase “A Ryanair era o motor do turismo”, como se pode ver nos preços previstos para maio 2026. Mas nada disso importa se atentarmos nestas duas estarrecedoras estatísticas, que deviam mexer com os poucos neurónios dos que nos governam:

Quarenta anos depois da adesão à CEE, Portugal mudou, e a sua população também. Somos hoje o segundo país mais envelhecido da União Europeia (UE), temos menos crianças e jovens do que a média europeia e mais residentes estrangeiros – e somos o estado-membro onde a população em idade ativa é menos escolarizada.

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Antigo adjunto do ex-ministro do Ambiente, detido por fuga e agressão a agente… De acordo com as autoridades, tudo começou por volta das 23h50 de domingo, dia 8 de março, quando uma patrulha viu um carro a passar um sinal vermelho na Praça da Galiza, no Porto. Já na Rua do Campo Alegre, os agentes da PSP terão ordenado a paragem do carro por meio de sinais luminosos e sonoros. Daniel Soares não terá obedecido e terá passado outro sinal vermelho. Seguiu-se uma perseguição de 20 minutos que terminou em Gaia. Durante este percurso, o condutor terá circulado em velocidade excessiva, feito mudanças de direção bruscas e ignorado peões nas passadeiras. Na Rua de Entrecampos, o jurista terá sido novamente mandado parar, mas, alegadamente, respondeu com um gesto obsceno e arrancou em direção à VCI.

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No Brasil: um pastor de 53 anos morreu após passar mal num motel em Ipatinga, em Minas Gerais. Chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu. Atuava como líder religioso na 2.ª Igreja Batista Nacional de Ipatinga e trabalhava como motorista de viagens, profissão que o levava com frequência à estrada. Na igreja, era conhecido por ministrar cursos voltados a casais, além de adotar uma postura considerada rígida relativamente às doutrinas da congregação. Relatos de pessoas que conviveram com o pastor indicam que, fora do ambiente religioso, tinha fama de “galanteador”. A situação acabou a gerar repercussão após a divulgação das circunstâncias da morte. A mulher que estava com o pastor que também era casada deixou o motel antes da chegada da polícia. Até o momento, não houve manifestação oficial da igreja ou da família sobre o caso.

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Um menino de 11 anos foi detido e acusado de homicídio do irmão, de apenas 5 anos. O caso ocorreu no Colorado, nos Estados Unidos, e nem a vítima, nem o suspeito foram identificados por serem menores de idade. Mantenham sempre as armas à vista de crianças e considerem normal o uso delas!

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Nos últimos tempos, muitas Teorias da Conspiração confirmaram-se, pelo que definitivamente não estou tão louco varrido como queriam fazer crer. A do canibalismo começou recentemente a circular e a tornar-se tão generalizada nos ficheiros Epstein que poucas dúvidas deixa, além da nossa repulsa em aceitar ou acreditar. Também consta que Epstein apoiava experiências médicas para criar um híbrido de Neandertal mais capaz de sobreviver hoje… Os principais cientistas tiveram projetos financiados por ele! Sempre ouvi o mito de que os comunistas comiam criancinhas no pequeno-almoço, e é literalmente difícil engolir o trama que se desenrola em Hollywood. Ellen Degeneres, sabem quem é? Existe uma gravação em que ela confessa que há elites que vendem o segredo da imortalidade por meio do canibalismo. Dizem que os rituais eram praticados por chefes especializados. É uma acusação bizarra. Pode haver algo de podre no reino da Dinamarca, ou melhor, no reino das celebridades. Mas estes rumores macabros talvez sejam uma cortina de fumo tão bizarra que esconde a indigência da cultura da fama ou do sucesso, que pode ser uma máquina de triturar vidas. Se isto é verdade, não quero fazer parte deste mundo. Outra teoria diz respeito aos reptilíneos, há demasiada info, mas ainda não estou 100% convencido. Deve faltar pouco para sabermos a verdade sobre ET, UFO (OVNI), USO (“Unidentified Submerged Objects” ou “Objetos Submersos Não-Identificados”) e UAP (“Unidentified Anomalous Phenomena” antes “Unidentified Aerial Phenomena” ou “Fenómenos Anómalos Não-Identificados”). Penso que faltará pouco e então teremos a certeza dos “GREY” (“Zeta Reticulans” ou cinzentos), Reptilíneos, Nórdicos, etc., mas, desde já, admito que não me espantaria nada se todos existissem e andassem por aí. Basta ver como o mundo está e quem o governa… e poucas dúvidas restarão. Duvido ainda bastante da abdução, o rapto por extraterrestres. Mas isso fica para outra crónica.

 

Agora se forem ler os primeiros livros de ChrónicAçores verão que muitos dos meus medos premonitórios se tornaram realidade, felizmente, nem todos. Digamos que tenho tido a sorte de analisar corretamente eventos e o subsequente curso que terão. O meu maior fracasso remonta aos finais da década de 1980, quando previa que a Indonésia pudesse sentir-se tentada a invadir e ocupar a Austrália… O artigo ficou escrito e publicado, mas não se concretizou.

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Há gente por aí, capaz de tudo: Em Duque de Caxias (RJ, Brasil), a PM se deparou com uma situação inacreditável. Em 2025 um homem usando uma tornozeleira (pulseira) eletrónica falsa. O motivo? Segundo ele, o acessório servia para “impor respeito” e atrair mulheres. Sem ficha criminal, ele usava o objeto como símbolo de status. Embora libertado, o caso segue sob investigação. Nunca dei conta de que aquele acessório judicial pudesse servir para atrair mulheres…

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Mas o melhor é mudar já para o País de Gales: o país anunciou um plano legal rígido para punir quem engana deliberadamente a população. O objetivo principal é restaurar a confiança pública nas instituições governamentais. Com a nova lei, autoridades eleitas poderão ser suspensas ou até removidas do cargo. Um processo independente avaliará se as declarações falsas foram feitas intencionalmente no exercício da função pública. Se aprovada, a medida criará um precedente histórico global, transformando a honestidade num requisito básico para a segurança no emprego de qualquer político.

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Vou terminar por hoje. Acabo de descobrir a religiosidade que me faltava na Grande Fraternidade Branca:

Maria Madalena e Mestra Nada: “Algumas tradições espiritualistas ensinam que Maria Madalena e Mestra Nada são o mesmo espírito, manifestado em momentos distintos da evolução. Maria Madalena foi uma das discípulas mais próximas de Jesus. Muito além das interpretações distorcidas que surgiram ao longo da história, ela foi uma grande iniciada espiritual e uma das pessoas que melhor compreendeu os ensinamentos do Cristo. Madalena acompanhou Jesus durante a sua missão, sustentou espiritualmente o seu trabalho e esteve presente em momentos decisivos da sua trajetória. Foi também uma das primeiras pessoas a testemunhar a ressurreição. O seu papel era sustentar a energia do amor, da devoção e da consciência crítica enquanto os ensinamentos de Jesus se espalhavam pelo mundo. Com o passar das encarnações e a sua evolução espiritual, esse mesmo espírito alcançou a ascensão e passou a ser conhecido como Mestra Nada, hoje uma mestra espiritual ligada ao Sexto Raio, que trabalha a devoção, a fé, a paz e o serviço à humanidade. A sua atuação está muito conectada ao despertar do amor no coração humano, à cura emocional e ao desenvolvimento da compaixão. Se, como Maria Madalena, ela ajudou a sustentar a missão de Cristo na Terra, como Mestra Nada continua a inspirar pessoas a viverem com mais fé, amor, equilíbrio e devoção nas suas próprias jornadas espirituais. Que elas nos protejam e nos guardem!” que eu nem sei qual das duas escolha:

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Aero Dili suspende voos para Oé-Cusse e Singapura – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

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DÍLI, 12 de março de 2026 (TATOLI) — A Aero Dili vai suspender os voos para Oé-Cusse e Singapura a partir do dia 14, devido ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela tensão no Médio Oriente, anunciou o Diretor-Executivo da empresa, Lourenço Oliveira. “As operações para Oé-Cusse serão suspensa, pois os preços dos combustíveis […]

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FALHAS-NO-HDES.

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onde se fala de HELENA CHRYSTELLO PG 145

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Há quase um ano, nasceu OGYGIA: Revista Literária. Sediada em Ponta Delgada, mas projetada para o mundo, esta revista exclusivamente criada, escrita e publicada por mulheres encontra-se online gratuitamente e o segundo número sobre AS VOZES DE LILITH está disponível em:
Também o nosso website está atualizado e convidamos o público leitor a visitar-nos em:
OGYGIA 2
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Circulação vai continuar condicionada no acesso à Ferraria – Açoriano Oriental

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

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Açores. Criação de plataforma digital para subsídio de mobilidade foi “um erro” – Renascença

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Bolieiro espera que, o “mais breve possível”, o desembolso por parte do residente “seja mesmo o valor que está pré determinado e não qualquer outro valor comercial que depois tenha que estar submetido e sujeito a uma indemnização através do reembolso”.

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vasco-rosa-sobre-raul-brandao.pdf

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mais uma suicidada

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A presidente da Suprema Corte da Rússia, Irina Podnosova, morreu subitamente em Moscou esta noite. Ela estava no cargo há apenas 1 ano, após o seu antecessor ter morrido subitamente em Moscou. Foi colega de turma de Vladimir Putin na escola de direito de Leningrado (atual São Petersburgo). O novo presidente da corte ainda não foi anunciado.

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acores-maior-aumento-preco-casas.pdf

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41º colóquio da lusofonia em Angra do Heroísmo

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Incidente com robô humanóide leva mulher à hospitalização, em Macau – JN

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Trata-se do primeiro incidente registado na região chinesa entre humanos e um robô. Nos últimos anos a China tem acelerado a liderança na produção de robôs humanoides, com alguns usados em atividades de segurança, apoio logístico, atividades comerciais e até entretenimento.

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O Governo Regional é tosco e não se preocupa com o desenvolvimento dos Açores.

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É isto!
O Governo Regional é tosco e não se preocupa com o desenvolvimento doa Açores.
A TEMPESTADE PERFEITA
O Governo Regional meteu-se em mais uma embrulhada.
Desta vez não foi capaz de inverter a queda inesperada do turismo na Região, quando os sinais já eram evidentes em pleno Verão, falhando em mais uma das suas promessas, que era reduzir a sazonalidade.
Há dois anos, falando sobre o Plano Estratégico e de Marketing de Turismo, Berta Cabral garantia que a redução da sazonalidade era uma “prioridade assumida”, em conjunto com a distribuição de fluxos pelas ilhas.
Dois anos depois temos mais um falhanço à vista, com cinco meses consecutivos em queda, e ainda sem o efeito da saída da Ryanair, no final deste mês.
A queda é tão preocupante quando olhamos para os últimos meses de 2025, de Setembro a Dezembro, em que registamos menos 5.500 hóspedes e menos 19 mil dormidas do que no período homólogo.
No mesmo trimestre do ano anterior tínhamos registado um crescimento de 33 mil hóspedes e 130 mil dormidas.
Já nos meses de Verão do ano passado os sinais de alerta estavam todos lá, com um forte abrandamento no crescimento, registando-se apenas 5% de aumento (2% em Agosto), impulsionado pelos estrangeiros (+8%) e uma quebra inédita nos nacionais (-0,6%).
As campainhas deviam ter disparado na Secretaria do Turismo e as tropas tocadas a rebate para preparar um reforço de programação e promoção no Inverno.
Em vez disso, reduziu-se nas verbas destinadas à promoção, não soubemos aguentar a Ryanair, não se criaram alternativas e fomos para a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) sem nenhuma orientação específica para os próximos tempos, a não ser uma inusitada rota Terceira/Funchal, apresentada com pompa e circunstância por Artur Lima e Berta Cabral, numa sessão de pazes do Vice-Presidente com a SATA.
Recorde-se que poucos meses antes o CDS tinha desancado na transportadora regional por causa da operação natalícia, acusando ainda Berta Cabral de “não nutrir pela Terceira grande simpatia” e que “a SATA não é de Berta Cabral”.
Os dois, lado a lado, no pavilhão da SATA, voltaram a desentender-se, a propósito das OSP (Obrigações de Serviço Público para as ilhas não liberalizadas), com a governanta a elogiar o Governo da República por, finalmente, aprovar as OSP, e o Vice-Presidente a dizer que “não era favor nenhum” e a desancar no Governo da República por causa da trapalhada do Subsídio Social de Mobilidade.
Por entre “partos” e “forceds”, Artur Lima ainda mandou uns recados a José Manuel Bolieiro e Miguel Albuquerque, sugerindo que, “em vez de cimeiras insulares implementem medidas concretas” e que deixassem de dar “colinho”, como até agora, ao “centralismo serôdio e bafiento”.
O político com mais experiência no activo sabe do que fala ao pedir “mais firmeza”, coisa que se ouve na rua todos os dias.
A saída da Ryanair vai ter um impacto enorme nos fluxos turísticos e na acessibilidade dos residentes, a que se junta, agora, os efeitos da guerra – uma tempestade perfeita!
A boa notícia é que os fluxos do turismo para o Médio Oriente estão a ser reorientados para o Ocidente, podendo beneficiar destinos europeus alternativos, entre os quais os Açores.
A má notícia é que a guerra também poderá trazer impactos económicos de monta, criando inflação devido à crise petrolífera, o que significa que os preços vão aumentar em toda a cadeia do turismo.
Se o nosso destino já estava a ficar caro, imagine-se agora com o impacto inflacionista, o desaparecimento de uma companhia a preços baixos e as alternativas entregues à SATA e TAP, tal como em 2014, com a agravante das duas companhias estatais estarem piores do que há uma década, porque falidas e em processo de privatização.
É um recuo no tempo que poucos imaginavam e que nos leva ao “pessimismo dramático” que Bolieiro não pretendia.
Foi desmentido no dia seguinte pelas estatísticas de Janeiro, um balde de água fria na euforia dos governantes e autarcas na BTL, consolados apenas pelas enormes comitivas do licor e biscoitos, antevendo-se o que poderá ser o início de uma crise séria na economia açoriana.
É que não é só a salvaguarda do sector que está em jogo.
É, também, a sobrevivência política de José Manuel Bolieiro e da sua coligação.
Osvaldo Cabral
Março 2026
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)
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41º colóquio da lusofonia de 30 março a 2 abril

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“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

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António Justo

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL

 

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise da alma portuguesa.

 

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

…. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente…

Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu… É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado…

Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente…

O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

 

Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem…

Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas…

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração…

Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear… Tudo se encontra misturado e fraturado…

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer…

O Fim de uma Era

… E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?…

Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10824

 

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS VIVE NO ESPELHO DA ALMA DO PAÍS QUE DEIXOU

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise à alma portuguesa

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março de 2026, aos 83 anos. Mas a frase, assim, despida e objetiva, soa a engano, tal como mentira soa a calmaria depois de uma batalha. De facto, foi-se um homem, um médico, um escritor, mas ficou o vendaval. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente.

Nascido em Lisboa em 1942, numa família da burguesia, cedo percebeu que a literatura era uma insónia, a “insónia dos bons livros “. Mas antes das letras, veio a medicina e a guerra. Chamaram-lhe “herdeiro de Faulkner e Céline”, mas a sua verdadeira genealogia literária forjou-se no limbo, no “cu de Judas” onde esteve destacado como médico durante a Guerra Colonial em Angola, entre 1971 e 1973. Foi lá que aprendeu que a morte não tem épica e que a coragem é, muitas vezes, apenas o medo que se verga. Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Lobo Antunes mais que escrever livros, escrevia autópsias. A sua experiência em Angola não é um tema literário, é o motor de toda a sua inspiração. Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu. O diálogo com a mulher anónima, numa noite de copos, é uma catarse falhada. É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado.

Foi essa a grande fratura que Lobo Antunes denunciou: Portugal, após o 25 de Abril, tratou a descolonização como um assunto administrativo, mas nunca como um trauma coletivo (Havia politicamente muito a esconder que impedia ser-se autêntico!). Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

O que o escritor fez foi uma cirurgia ao imaginário nacional. Durante séculos, Portugal alimentou-se da nostalgia do império, do mito sebástico do “Encoberto” que um dia há de voltar para nos salvar. Mas Lobo Antunes mostra-nos D. Sebastião não como um salvador, mas como uma figura grotesca, um rei menino perdido num país que já não tem trono nem altar. Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente.

Assim, Portugal de Lobo Antunes é um país desorientado. Vive na “sombra da antiga grandeza”, como aponta o seu pensamento, mas sem saber o que fazer dessa sombra. É essa dualidade que nos torna, aos olhos dele, uma nação de melancólicos a viver da consciência da decadência agudizada pela memória do esplendor. O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

Esta frase, que lhe é atribuída, condensa toda a sua visão. Para Lobo Antunes, a identidade portuguesa constrói-se sobre um silêncio espesso. É feita de orgulho, pela gesta dos descobrimentos; de culpa, pela violência colonial; de nostalgia, pelo império perdido; e de silêncio, pela incapacidade de discutir abertamente a guerra e a descolonização e também por de forma desalmada, continuar a afirmar-se ou a distrair-se na narrativa do desassossego de esquerda e de direita.

Esse silêncio, contudo, não é um vazio, mas sim uma presença barulhenta, como ele tão magistralmente descreveu ao constatar “Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falar em mim “. E esses outros são os que ficaram para trás em África, os que regressaram sem chão, os que morreram na guerra, os que viveram a opressão da República e do Estado Novo. O Salazarismo, com a sua cartilha do “Deus, Pátria e Família”, não criou apenas obediência, mas também contenção emocional que perdura. Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem.

A ironia e o humor negro surgem, na sua obra, como a única arma possível contra essa tragédia muda. É o riso de quem já viu o pior e sabe que as palavras são frágeis. Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Compensados economicamente pelos fundos comunitários, os portugueses viram-se confrontados com uma nova forma de perda de soberania. Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas. Esta integração, se por um lado trouxe desenvolvimento, por outro aprofundou o sentimento de insignificância e de decomposição cultural que o escritor já diagnosticava.

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração. Vive na nostalgia cultural, nos manuais escolares, nas comemorações oficiais de dançarinos do poder. Vive também na culpa dos que olham para a história e veem o horror da guerra. Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

Não se pode falar de Lobo Antunes sem falar do seu estilo. A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear. Portugal é, para ele, um país de camadas geológicas expressas no substrato romano, na camada medieval, no basalto do império e no cimento bruto da modernidade europeia. Tudo se encontra misturado e fraturado. Os seus romances funcionam como consciências coletivas confusas, assombradas por fantasmas históricos que irrompem no discurso sem serem convidados.

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer.

O Fim de uma Era

Com a morte de António Lobo Antunes, Portugal perde mais do que um escritor. Portugal perde o seu mais arguto intérprete. Num tempo em que a Europa debate o racismo estrutural, a revisão da história e o lugar dos antigos impérios, a sua obra permanece como um aviso: a memória não se apaga e recalcamento não é solução.

Os móveis continuarão a estalar à noite. As vozes continuarão a sussurrar no interior do silêncio. E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?

Lobo Antunes não nos deu a resposta, mas deixou-nos o espelho. E, como nos seus livros, olhar para ele é sempre um acto de coragem, iminentemente necessário. Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros.

Lobo Antunes deixou-nos um “bom romance “, uma grande obra que nos espelha Portugal.

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10824

 

 

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Número de passageiros desembarcados nos aeroportos dos Açores volta a baixar em fevereiro – jornalacores9.pt

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O número de passageiros desembarcados nos aeroportos dos Açores voltou a registar uma quebra em fevereiro, com cerca de 105 mil desembarques, menos 7,3% do que no período homólogo, segundo dados divulgados hoje pelo Serviço Regional de Estatística (SREA). “No mês de fevereiro de 2026 desembarcaram 105.276 passageiros nos aeroportos dos Açores, verificando‑se um decréscimo […]

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