Património humano de Santa Maria, destaques da semana

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Património humano de Santa Maria, destaques da semana
MIGUEL FIGUEIREDO CÔRTE-REAL (grande figura da cultura e das letras), ÓSCAR ARRUDA e JOSÉ SALVADOR (distintos empreendedores), foram figuras marcantes e incontornáveis da ilha, devendo se perpetuada a sua memória e feito o seu registo na história de Sta Maria.
Na foto: Côrte-Real, Óscar Arrida e José Salvador, em S.Lourenço, na década de 40. (Arquivo do CADEP-CN de Sta Maria)
Aqui fica um magnífico poema de CÔRTE-REAL, dedicado a S.Lourenço, à sua ilha de coração e aos amigos.
ILHA, E UM SEU RECANTO ABENÇOADO
Lá, num recanto,
onde o mar beija a areia branca da praia,
onde, um dia me fui despedir
antes de embarcar,
para sempre lá ficou preso meu coração…
Praia de São Lourenço,
(Baía de Barbara Vaz),
rua arenosa de macadame,
onde em noites de luar
passeei como se fora Ermitão?
Nos já longínquos tempos da mocidade….
Meus companheiros se dispersaram,
(alguns a morte ceifou…)
“José”, “Olimpio”, “Óscar”, “Salvador”
a todos o destino separou
e não mais alí juntos nos encontramos…
Nunca mais lá voltei
e passei tantos anos com esta grande mágoa
a consumir-me cá dentro…
Como se a Ilha no mar azul e de areia branca
fosse o Paraíso perdido
da esperança dos meus sonhos…
Resignado
ergo uma prece para que um dia
eu possa voltar,*
nem que seja para morrer…
Porque então,
morrerei feliz
lá, onde estão meus pais,
nessa Ilha de areia branca e céu azul
que eu
há muitos anos, muitos anos
deixei para não mais voltar…
Apenas tocar teu solo,
curvar-me-ei respeitosamente
e beijarei tua terra barrenta
que minhas lágrimas humedecerão,
nesta saudade transbordante de ternura.
Como filho perdido
beija a mãe que há muito tempo não vê…..
Miguel F.C. Real
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Património humano de Santa Maria, destaques da semana
MIGUEL FIGUEIREDO CÔRTE-REAL (grande figura da cultura e das letras), ÓSCAR ARRUDA e JOSÉ SALVADOR (distintos empreendedores), foram figuras marcantes e incontornáveis da ilha, devendo se perpetuada a sua memória e feito o seu registo na história de Sta Maria.
Na foto: Côrte-Real, Óscar Arrida e José Salvador, em S.Lourenço, na década de 40. (Arquivo do CADEP-CN de Sta maria)
Aqui fica um magnífico poema de CÔRTE-REAL, dedicado a S.Lourenço, à sua ilha de coração e aos amigos.
ILHA, E UM SEU RECANTO ABENÇOADO
Lá, num recanto,
onde o mar beija a areia branca da praia,
onde, um dia me fui despedir
antes de embarcar,
para sempre lá ficou preso meu coração…
Praia de São Lourenço,
(Baía de Barbara Vaz),
rua arenosa de macadame,
onde em noites de luar
passeei como se fora Ermitão?
Nos já longínquos tempos da mocidade….
Meus companheiros se dispersaram,
(alguns a morte ceifou…)
“José”, “Olimpio”, “Óscar”, “Salvador”
a todos o destino separou
e não mais alí juntos nos encontramos…
Nunca mais lá voltei
e passei tantos anos com esta grande mágoa
a consumir-me cá dentro…
Como se a Ilha no mar azul e de areia branca
fosse o Paraíso perdido
da esperança dos meus sonhos…
Resignado
ergo uma prece para que um dia
eu possa voltar,*
nem que seja para morrer…
Porque então,
morrerei feliz
lá, onde estão meus pais,
nessa Ilha de areia branca e céu azul
que eu
há muitos anos, muitos anos
deixei para não mais voltar…
Apenas tocar teu solo,
curvar-me-ei respeitosamente
e beijarei tua terra barrenta
que minhas lágrimas humedecerão,
nesta saudade transbordante de ternura.
Como filho perdido
beija a mãe que há muito tempo não vê…..
Miguel F.C. Real
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Podcast: Covid Supply Chain Chaos Is Dress Rehearsal for What’s Coming – Bloomberg

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Shipping systems developed before the virus struck weren’t battle-tested for pandemics, wars and extreme weather.

Source: Podcast: Covid Supply Chain Chaos Is Dress Rehearsal for What’s Coming – Bloomberg

lembrar mário soares

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«”Todos os bons e firmes são alegres, reflectiu Jordan. É muito melhor ser alegre que é sinal de uma coisa: de uma imortalidade terrestre. Que coisa complicada! Já quase não há alegres. A maior parte dos lutadores joviais desapareceu. Restam pouquíssimos.”
Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway (tradução de Monteiro Lobato)
Quem seria eu se tivesse nascido 40 anos antes? É óbvio que me falta coragem para ser herói clandestino, mas também não sou, espero, suficientemente vil para ser agente da PIDE. O mais provável é que fosse um funcionário triste e discreto, tentando sobreviver o melhor possível, sem chamar a atenção e evitando sarilhos. Se vivesse desiludido comigo mesmo já não era mau. Se calhar, é o máximo a que posso ambicionar. Nessa realidade paralela, talvez eu tivesse o discernimento de estar à espera de quem fosse à luta por mim, de quem se arriscasse por mim. Talvez eu conseguisse reconhecer um herói, e fosse capaz de lhe agradecer.
Para compreender Mário Soares, basta olhar para o quadro de Júlio Pomar na galeria de retratos oficiais dos presidentes da república. É o único em que o presidente é retratado a rir. No nosso mundo, a alegria não tem muito prestígio. A melancolia é mais civilizada, a circunspecção é mais admirável, a tristeza é mais grave. Entre nós, a ausência de alegria costuma ser, aliás, essencial para legitimar o poder: a figura do homem sério, contido, abnegado, esquecido de si próprio, que sacrifica o prazer, como um sacerdote, para se dedicar ao bem comum, tem muita tradição – da direita à esquerda. O Bochechas era excessivo em tudo. Falava muito, ria alto, comia, dormia, ia à praia. Talvez pudesse dar-se a esse luxo, porque o seu poder era legitimado de outra maneira. Talvez mais ninguém fosse capaz de preservar a autoridade intacta às cavalitas de uma tartaruga.
E a ideia de liberdade de Mário Soares também era excessiva. O seu objectivo era derrotar os adversários – e conseguia ser cruel a fazê-lo – mas não aniquilá-los. Quando ganhou as eleições presidenciais, disse uma frase que, de tanto ser recordada nas rádios e televisões, quase se transformou num hino: “É a vitória da tolerância; é a vitória da liberdade.” Hoje está na moda ser intolerante com a intolerância – uma ideia arrepiante que, aliás, se rejeita a si mesma. A principal figura política do nosso século XX sabia que a liberdade e a tolerância andavam juntas. Tivemos muita sorte.
Ricardo Araújo Pereira»
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Polícias e empresários da noite preocupados com violência no Porto

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Falam de um novo fenómeno: grupos de jovens com armas brancas que têm o objetivo de provocar incidentes.

Source: Polícias e empresários da noite preocupados com violência no Porto

‘We are not a separate entity, we are all just Australians’: Senator defends her opposition to the Voice

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Warlpiri woman Jacinta Price believes the Voice to parliament will peddle racial stereotypes and continue to drive a wedge in society.

Source: ‘We are not a separate entity, we are all just Australians’: Senator defends her opposition to the Voice

OS ALEGADOS 500 ANOS DE PORTUGAL EM ANGOLA

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ANGOLA CINCO SÉCULOS DE EXPLORAÇÃO PORTUGUESA
Américo Boavida, Edições 70, 1981, 155 págs B
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  • Fernando Leite Velho

    Não houve nenhum 500 anos de exploração portuguesa de Angola. Angola antes de 1900 era um pequeno território com poucos habitantes descendentes de portugueses, alguns poucos portugueses e um número maior de habitantes bantu. A agricultura era de autoconsumo, não havia agricultura extensiva de exportação, era um entreposto comercial, onde durante 260 anos existiu o comércio de escravos com destino à América, principalmente para os engenhos de açúcar do Brasil.
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JOÃO SIMAS A GUERRA E TAI WAN

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Existem leis e acordos internacionais, até sobre o comércio, e estados soberanos. Há quem exija todo o respeito pela soberania, pela autonomia dos povos, nuns casos e noutros não. Há quem proclame o livre comércio mas continue com sanções a uns e outros não, mesmo sabendo que, em certos casos, como na União Europeia, elas se voltem contra os próprios povos, uns mais que outros. Fazem-se campanhas, fomentando interferências, promovendo boicotes e depois, às vezes, cansam-se. Já se esqueceram de um tal Juan Gaidó, um deputado ente centenas, em tempos promovido por potências estrangeiras a presidente, e bem financiado. Hoje a Venezuela, por enquanto, não interessa, porque o petróleo faz falta e já se fazem acordos.
Com a Arábia Saudita é que nunca há problemas: mesmo que continue a bombardear um país soberano, o Yémen, mesmo que continue a financiar movimentos terroristas, na Ásia e em África e até bombistas na Europa e nos EUA. A Turquia que tem dezenas de milhares de presos políticos, que expulsou dezenas de milhares de funcionários públicos, que pratica a censura, que ocupa uma parte da Síria e de Chipre, é apresentada agora como um país civilizado, como uma solução.
Não houve qualquer contemplação com a soberania da Sérvia (Europa também), com a capital, Belgrado, continuamente bombardeada pela NATO (a tal aliança defensiva!). Foi obrigada a ceder territórios, o Kosovo recolonizado por albaneses vindos da Albânia, e no Montenegro fizeram um plebiscito no meio de tiros.
Agora a China é o novo/velho problema por causa, entre outras, de Tai Wan (em português conhecida por Formosa). Talvez valesse a pena recordar, e quem faz a propaganda sabe, que Tai Wan não é reconhecida internacionalmente pelas Nações Unidas, porque é território chinês. Essa república foi fundada com nacionalistas de extrema-direita, chefiados por Chiang-Kai-Chek que queria, a partir daí reconquistar o poder na China. Se, em tempos de Guerra Fria se apostou nesse estado, pelo menos desde Nixon que a questão estava resolvida e, em parte, congelada.
Querem iniciar mais guerras, vender mais armas? Já chega. Agora que é Verão há que pensar no próximo Inverno.
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  • António De Borja Araújo

    Espero bem que ninguém pense em iniciar mais nenhuma guerra; sendo desnecessário recuarmos mais no tempo, a que foi iniciada no presente ano já matou e destruiu demais.
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      João Simas

      Mas parece que há quem esteja interessado em pôr mais lenha no fogo.
  • Graca Nunes

    Excelente análise, João! De fato a nossa geração foi bem treinada
  • Joana Espanca Bacelar

    Belíssima análise!
    Obrigada João, por nos ajudares a reflectir.
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OS LUCROS DA CRISE

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Da série : “Todos temos que fazer sacrifícios “, “é um problema mundial “, “crise mundial “, “interesse nacional “, “é a economia não podemos fazer nada, a crise está em todo o lado”, a “culpa é da guerra”.
A realidade tem a cabeça dura. Os lucros extraordinários, a especulação e a vida das pessoas em risco sem dinheiro para uma vida decente são a causa real da crise, que para alguns tem sido uma super bonança.
“Dispararam os lucros de todas as maiores cadeias de supermercados e empresas energéticas a operar em Portugal. Galp, EDP Renováveis, Jerónimo Martins e Sonae somam, em conjunto, 1.000 milhões de euros de lucros só no primeiro semestre deste ano. Em alguns casos, os aumentos são superiores a 150%, quando comparados com os resultados obtidos o ano passado.”
Lucros. Supermercados e energéticas arrecadam lucros no primeiro semestre
RTP.PT
Lucros. Supermercados e energéticas arrecadam lucros no primeiro semestre
Dispararam os lucros de todas as maiores cadeias de supermercados e empresas energéticas a operar em Portugal. Galp, EDP Renováveis, Jerónimo Martins e Sonae somam, em conjunto, 1.000 milhões de euros de lucros só no primeiro semestre deste ano.
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o Brasil que Portugal comprou

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COMO PORTUGAL COMPROU O NORDESTE BRASILEIRO…
Há exatos 361 anos, mais precisamente em 6 de Agosto de 1661, ocorria a assinatura do Tratado de Haia por Portugal e pela República dos Países Baixos, também conhecido como a Paz de Haia. Com isso, os territórios que haviam sido conquistados pela Holanda no Nordeste do Brasil, na época renomeados como “Nova Holanda”, foram formalmente devolvidos a Portugal em troca de uma indenização de oito milhões de florins, o equivalente a 63 toneladas de ouro. Além disso, Portugal cedeu o Ceilão (atual Sri Lanka) e, em troca, a República Holandesa reconheceu a soberania portuguesa sobre o Brasil e a Angola.
OBS: Mapa da Nova Holanda na América do Sul
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A antiga cidade portuguesa em Marrocos (El Jadida)

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Mazagão é hoje El Jadida, a antiga cidade portuguesa em Marrocos, fundada pelos portugueses nos inícios do século XVI.

Source: A antiga cidade portuguesa em Marrocos (El Jadida)

embargo das obras do mercado da Graça

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O que está acontecer no embargo das obras do mercado da Graça, não é novidade nas obras públicas de outras autarquias e até das dos Governo. A diferença é que este processo foi tão escrutinado e acompanhado pelos responsáveis da autarquia cessante e atual – assim foi sempre referido – e este é mais um remendo, pelo que é incrível acreditar neste embargo.. A contínua diferença é que não há diferença na reação típica dos partidos políticos e no silêncio do presidente da CM, não submetendo-se à opinião pública e optando por uma gravação, sem direito ao contraditório, tornando-nos espectadores inativos da nossa cidade. Lamentavelmente alguns destes políticos( a esmagadora maioria) só visitam o mercado em época de eleições, mas instrumentalizam o mercado para a intervenção política. Os feirantes precisam de apoio(vendas) todas as semanas. Tive conhecimento desta situação por um feirante sábado passado. O seu desalento era visível… Se fosse obra de um privado, eram meses a aguardar os pareceres das diferentes entidades e antes nada de iniciar obras… abstenção? Por que será? Mas está tudo bem , amanhã é a festa branca. Vamos entreter o povo, para esmagar a critica.
You, Natália Susana Silva, Jonas Carreiro and 15 others
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em portugal lava-se a história como na coreia do norte

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A lavagem da História.
À entrada do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, encontramos uma placa da qual foram apagados os nomes das pessoas que o inauguraram, em 1953.
Excelente para a época, esta unidade já não consegue servir adequadamente os utentes nos tempos que correm.
O panorama das urgências, por exemplo, é verdadeiramente confrangedor, com algumas pessoas a aguardarem mais de cinco horas até serem vistas pelos médicos e fazerem exames.
May be an image of monument, outdoors and text that says "ESTE EDIFICIO. DESTINADO A FACVL DADE DE MEDICINA E AO HOSPI TAL ESCOLAR DE LISBOA FOI SO. LENEMENTE INAVCVRADO. EM+27+DE+ABRI EM+27+DE ABRIL +DE +1953"
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de dom sebastião a taiwan formosa

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Qual a relação entre D. Sebastião e o Taiwan?
🤠
Esta semana passaram 444 anos sobre a morte de D. Sebastião, que foi atraído a Marrocos pelo rei local e nosso aliado que geria a estabilidade dos fortes portugueses na zona costeira, perante a ameaça de outro rei local aliado dos turcos otonomanos o qual queria unificar Marrocos e livrar-se dos portugueses. Morreram os 3 reis na batalha de Alcácer-Quibir, ou, ao que se diz, pelos menos foram 2.
Dizem as lendas que D. Sebastião terá sobrevivido a essa batalha de 1578 e que se terá apresentado em Roma como Rei de Portugal de facto ao Papa Carlos V, primo de Filipe II de Espanha, os quais terão organizado de impedir o regresso de D. Sebastião a Portugal e estaríam interessados em monopolizar a União Ibérica contra os protestantes ingleses, excomungados pelo mesmo Papa, perante o descalabro que o Império Português começava a mostrar depois de perder o rei e vários nobres em Marrocos, e só a Espanha poderia salvar a Igreja Católica.
Outras lendas relatam ainda que D. Sebastião se refugiou em França de onde coordenou com os cruzados franceses e os aliados ingleses uma movimentação silenciosa contra os espanhóis que se tornaram inimigos dos ingleses à conta em especial da derrota da Invencível Armada – ou da derrocada, pois foi uma tempestade que a venceu em alto mar – e assim D. Sebastião terá sido ignorado e silenciado, falecendo no exílio, e sepultado em Limoges, França, onde ainda hoje permanece.
❤️‍🔥
Qualquer que seja a veracidade das lendas messiânicas em redor de D. Sebastião, este terá caído na mesma cilada que caíra o também messiânico Fernão de Magalhães cerca de 60 anos antes, em 1521, ao aceitar intrometer-se na luta local para salvar as hostes cristãs, neste caso foi na ilha de Cebu nas actuais ilhas Filipinas, em apoio ao rei local entretanto baptizado ao cristianismo pela expedição espanhola comandanda pelo português, contra uma tribo de nativos que alguns autores definem como sendo guerrilheiros islâmicos os quais ameaçavam a estabilidade da zona, que até estava sob o domínio português segundo o Tratado de Tordesilhas, um conflito alheio que acabou por ditar o fim de Magalhães na batalha violenta travada nas areias da ilha de Mactan ao largo de Cebu.
A tragédia impactou severamente a expedição às ilhas das especiarias nas Molucas, esse sim o objetivo dessa viagem espanhola de carácter comercial e científico, e de forte inspiração messiânica no que toca à motivação pessoal do português Magalhães, e não conquistar nem invadir quaisquer territórios como foi e tem sido erroneamente interpretado até hoje por muitos ignorantes.
🧐
Entre 1580 e 1640 a União Ibérica baptizou portugueses com nomes espanhóis, sendo que muitos portugueses inclusivé viram-se quase obrigados a mudar o seu nome para uma versão hispanizada, ou já nascendo em pleno período da União Ibérica, eram-lhe atribuídos nomes espanhóis, pois de outra forma ser-lhes-ía dada menos preferência na educação, e na obtenção de cargos e benefícios; e apesar de Portugal ser a potência dominante na Ásia da época, algumas zonas estavam ainda em fase precoce de expansão, ou era ainda muito pequena a presença portuguesa, como era o caso das regiões onde os Filipes se aproveitaram e tentaram espremer alguma coisa a seu favor, caso das Filipinas e de zonas circundantes como a Formosa (Taiwan), Bornéu, e Indonésia, com postos comerciais recentes e fortes portugueses ainda em construção quando por lá chegaram os espanhóis em 1571 e nos anos seguintes após a morte de D. Sebastião, procurando capitalizar no que os portugueses já tinham começado, casos das ilhas de Tidore e Ternate, Makassar em Sulawesi, Ambon, e Larantuka nas Flores, na atual Indonésia; Cebu (Visayas), Zamboanga e Basilan (sudoeste de Mindanáu), Porto Escondido e Porto de Pintados (norte de Luzon), Porto Princesa (Palawan), nas ilhas Filipinas; o norte do Bornéu (do Brunei, que mais tarde ofereceu a região de Sabah ao Sultão de Sulu, um arquipélago ao largo de Mindanáu no sul das Filipinas, com ligações de sangue aos muçulmanos de Johor e aos portugueses de Malaca), o sul do Japão (Tanegashima, Nagasáki, e Tsukishima, zonas cristãs do Japão com acesso especial exclusivo aos portugueses, que os holandeses trataram de prejudicar com intriga e manha), e a costa norte da Formosa, Forte de São Domingo, e Ilhas dos Pescadores (conhecida pelos locais como Penghu) no eixo Macau-Estreito da Formosa (atual Taiwan), sendo que a Formosa era uma ilha estratégica reinvindicada e povoada por alguns grupos de portugueses a norte, fazendo uma ligação comercial com o sul do Japão cristão (e daí têm surgido controvérsias históricas por parte de historiadores chineses que insinuam erradamente que a Formosa deacrita pelos portugueses não era no actual Taiwan mas sim em Okinawa no actual Japão) e fazendo uma ligação comercial também através da rota marítima Macau-Formosa-Manila, onde os chineses tinham já uma sofisticada rede de comércio em parceria com os portugueses a partir da China – ficando a cargo dos portugueses a ligação comercial a Cebu, a Zamboanga, a Sulu, e ao místico Mar de Celebes por onde passavam as especiarias – o mar dos portugueses “Célebres” como foi denominado pelos nativos tal foi o impacto português na região, os primeiros comerciantes a estabelecer uma rota permanente das especiarias onde a pirataria e assaltos em alto mar eram uma constante, e que continuam a suceder até aos dias de hoje para os menos precavidos naquela que é uma das mais recônditas regiões do mundo.
🌄
Portanto, por muito que se pense que foram os espanhóis a conquistar as Filipinas, em Cebu, Zamboanga, e em muitas outras partes já viviam portugueses que se viram envolvidos em combates com os espanhóis que progressivamente se foram instalando à força, passando-se o mesmo em zonas de Sabah no Bornéu, várias ilhas das especiarias na Indonésia onde os espanhóis foram tomando os fortes portugueses, e no norte da Formosa conhecida durante a União Ibérica como Formosa Espanhola ou “Hermosa Española” (Taiwan), ou seja, não mais fizeram do que aproveitar-se da fragilidade portuguesa no âmbito do reinado dos Filipes para deitar mão aos que os portugueses já tinham iniciado nesses novos territórios vários anos antes, tal como fizera Elcano ao aclamar a si os louros da viagem de circum-navegação gerida pelo português Magalhães. Ironicamente, Elcano empreendeu uma segunda viagem de circum-navegação anos mais tarde para demonstrar que ele conseguiría trazer as especiarias a Espanha e quebrar o monopólio português, e até provar que não fora Magalhães o cérebro mas sim ele, pois sendo ele o capitão ao leme… perdeu-se no Pacífico e aí desapareceu, facto sempre ocultado pelos espanhóis quando falam de Elcano, prova afinal que os espanhóis não conseguiam singrar nem no Índico, nem no Pacífico, lugares onde os portugueses foram durante séculos os mestres da arte da navegação, do comércio, e da guerra.
💪
E dos primórdios do Sudeste Asiático colonial onde os portugueses foram os primeiros a lançar pedra e engenho, já com experiência adquirida no Mar Vermelho, Índia, Tailândia, Malaca, Singapura, Indonésia, China, e Japão, seguiram-se os espanhóis que não podendo navegar nem comercializar na zona exlusiva portuguesa definida pelo Tratado de Tordesilhas, contentaram-se com um zona restrita ao perímetro Taiwan-Bornéu-Filipinas-Molucas-Carolinas à conta do descontrolo que começou a ser evidente no Império Português a partir de 1580 aquando da União Ibérica, ficando essas zonas ao abandono, o que cimentou os espanhóis por algum tempo até os ingleses e os holandeses descobrirem que os portugueses navegavam com bandeira espanhola em virtude da União Ibérica de Filipe II, o mal amado dos protestantes. Seguiu-se o saque ao que restava do Império Português na Ásia, estranhamente, ou não, Filipe II não se importou com as queixas do Padroado Português do Oriente e perdidas algumas bases comerciais estratégicas, preferiu investir na rota espanhola do galeão de Manila-Acapulco (México), utilizando os territórios portugueses como isco para lá distraír os ingleses e os holandeses que foram construíndo os seus impérios à conta da ruína portuguesa, e focando os espanhóis a sua ação no ouro e na prata das Américas para enriquecer Castela – e consequentemente o estabelecimento do império espanhol nas Américas.
Não foi portanto surpreendente que o descuramento em relação à Ásia tivesse prejudicado não só áreas de presença portuguesa, como também várias zonas espanholas das Filipinas, Taiwan, Indonésia, e do Bornéu, que não tardaram a ser ocupadas pelos holandeses da mesma forma, em especial os fortes portugueses nas ilhas das especiarias que eram afinal o objetivo principal da presença dos espanhóis na região e que se perdeu… E o mesmo aconteceu em larga escala em zonas portuguesas das atuais nações da Malásia, Singapura, Indonésia, Birmânia, Tailândia, Índia, e Bangladesh.
A União Ibérica traduziu-se numa catástrofe que levou à Restauração em Portugal a 1 de Dezembro de 1640 – entretanto demasiado tarde, perdera-se muito do esforço na Ásia.
🏞️
Formosa – ou Taiwan: esta ilha pitoresca de ricos mares de peixe e marisco, de zonas costeiras sub tropicais, e montanhas de ar fresco, viveu durante séculos como uma zona de confluência cultural e comercial povoada por chineses, japoneses, portugueses, espanhóis, e holandeses.
Em 1663 foi assinado o tratado de paz entre a Holanda e Portugal, que terminaría aquela que foi a primeira guerra mundial entre nações, que opôs Espanha e Portugal (União Ibérica) à Holanda e Inglaterra, e que continuou de 1640 até 1667 entre Portugal e Holanda, altura em que Portugal assinou outro acordo, desta feita com a França, para se proteger da Espanha, enquanto negociava termos com os ingleses para reavivar o Tratado de Windsor assinado entre Inglaterra e Portugal no longínquo ano de 1386 que permitiria a Portugal manter boas relações novamente com os ingleses. Felizmente, os portugueses souberam negociar e recuperou-se a presença na América do Sul (Brasil Holandês no nordeste, Uruguai) e em África com a recuperação de Angola; enquanto os Holandeses sairíam vitoriosos na Ásia (Sri Lanka) e Extremo Oriente (Malaca, Indonésia). Os holandeses abandonaram também a Formosa após os acordos de paz com os portugueses assinados em 1663, a qual passou a ser controlada pela família de Zheng Sen até finais do século XVII, liderada pelo temível pirata chinês Koxinga fiél à dinastia chinesa Ming que repudiara a nova dinastia Qing na China e que se estabeleceu a partir da Formosa para continuar a espalhar o terror na China, Japão e Filipinas, cuja imagem de marca era delapidar as cabeças dos holandeses que ousaram permanecer na Formosa.
Os ingleses saíram fortemente beneficiados da guerra alimentada pelos Filipes de Espanha ao conquistar partes do Médio Oriente, Índia, Malásia, e Austrália, inclusivé com incursões militares contínuas em novas regiões, construíndo o maior império global com largas porções de território, contrapondo aos portugueses que até aí tinham edificado o maior império global ultramarino, em regime de mare clausum, ou seja, monopólio de zona económica exclusiva em mar.
🌌
Depois da experiência colonial, Taiwan, Japão, e grande parte da China fecharam-se aos ocidentais e começaram um processo de construção identitária asiática, praticamente isolados do Ocidente durante quase dois séculos – que os ingleses trataram de monopolizar pacientemente, resultando em conflitos graduais e a consequente reação e reabertura do Japão face às mudanças que ocorreram na China, principalmente após o periodo da guerra do ópio.
Em 1895 a Formosa foi cedida pela China ao Japão, e foi fundada a República da Formosa. E é aí que reside uma das grandes questões desta zona do mundo.
Durante a fase mais agressiva de expansão territorial do Império Japonês, na primeira metade do século XX até à derrota na Segunda Guerra Mundial pelos aliados, o Japão tornou-se a primeira potência moderna do Sudeste Asiático. A China por sua vez acompanhou a Rússia, e enquanto ambos os países enveredaram pelo marxismo como forma de desenvolvimento, o Japão e a Coreia enveredaram pela industrialização.
O clash civilizacional ocorreu nos anos 30 quando o comunismo ameaçava a estabilidade das economias de mercado que tentavam ainda recuperar da Primeira Guerra Mundial, e deu-se a invasão da Mongólia por parte do Japão e o controlo de vários países asiáticos, incluíndo presença estratégica no Taiwan e nas Filipinas, como forma de estancar o comunismo que assolava o mundo desde 1918 com os Bolcheviques Russos, Mao na China, o Crash de Wall Street em 1929, e as consequências marcantes da “pneumonia espanhola” de 1918-1920 que se alastrou por vários anos – assim chamada porque somente a Espanha noticiou a epidemia, ao passo que os outros países silenciaram o evento como forma de recuperar a moral depois da Primeira Guerra.
O que supostamente eram problemas do Ocidente derivados principalmente da Primeira Guerra Mundial, chegaram também ao Oriente. O Mar da China, que era controlado pelo Japão, sentiu a agitação quando a Alemanha iniciou a Segunda Guerra em 1941 e se aliou ao Japão no seguimento dos bombardeamentos japoneses à base naval e aérea norte americana de Pearl Harbour no Pacífico. Os Estados Unidos que entraram na Segunda Guerra para apoiar o Reino Unido automaticamente tiveram que combater em duas frentes, Europa e Ásia, e foi só em 1945 que se deu a estocada final: o bombardeiro Enola Gay saíu da ilha de Leyte nas Filipinas onde estavam estacionados os americanos depois de terem ganho o controlo da região na batalha de Leyte levando de vencida os japoneses, foi a maior e mais sangrenta batalha naval que alguma vez teve lugar na História. Daí mesmo voou a bomba atómica em direção a Hiroshima, e outra a Nagasaki, que culminou no fim da Segunda Guerra Mundial.
🚀
A guerra ao terrorismo desde 2001, a crise financeira de 2008-2009, a epidemia do covid-19 em 2020-2021, a crise energética de 2022, a inflação global, o protecionismo, o controlo das instituições mundiais por parte de uma suposta nova ordem global/bode espiatório, o surgimento de regimes autoritários marxistas providos de poder militar e financeiro, são todas razões mais que suficientes para se observar uma potencial repetição dos eventos da primeira metade do século XX em pleno século XXI.
Muitas das querelas de outrora ainda estão pendentes, em especial no Leste Europeu, no Sudeste Asiático, e no Médio Oriente.
🌅
D. Sebastão nunca imaginou portanto que aquela ida a Marrocos iria custar a Portugal grande parte do império português na Ásia, permitir aos espanhóis viver um sonho (breve) de domínio global apoiados pelo Papado, oferecer de bandeja meio mundo aos piratas protestantes excomungados pelo Vaticano, criar um novo império, masónico, a partir da América do Norte com sede em Nova Amesterdão (holandeses em Nova Iorque), Pensilvânia (alemães), e Washington DC (ingleses) – e deixar o gigante adormecido que é a China à mercê do Japão, pois a China ofereceu ao Japão a Formosa (Taiwan) e ilhas adjacentes, e depois retirou-lhes as mesmas ilhas passados alguns anos, o que despoltou uma reação territorial por parte dos japoneses e o consequente envolvimento na Segunda Guerra Mundial, onde acabaram vencidos.
Hoje não é diferente, com algumas nuances: as ilhas Ryukyu entre o Taiwan e o Japão são cavalo de batalha entre a China e o Japão, sendo que desta vez o Japão não é rival do Ocidente, mas sim um aliado, pois é no Japão onde se concentra a maior presença militar norte americana na região.
Outras zonas estratégicas onde os Estados Unidos e os Aliados se posicionam com contigente militar e/ou presença estratégica ficam no Oceano Pacífico, em Guam; e na Austrália – e também no Mar da China, nas Filipinas de forma a controlar os recifes das ilhas Spratly onde para além de se situar uma importante rota comercial China-Singapura-Índia, possuem aí reservas de petróleo e gás natural, algumas já ocupadas pela China para construir bases militares, eventos declarados como ilegais após deliberação conforme o tribunal internacional de Haia; e no Vietname, de forma a controlar a recente ameaça às ilhas Paracel, que possuem igual potencial estratégico e comercial, desta feita no limiar de uma zona que se situa muito perto dos limites da Tailândia, da Malásia, e da Indonésia, sendo que algumas outras ilhas no Mar da China são parte integrante do território destes países.
A procissão ainda vai no adro, mas adivinha-se que o atual século asiático reservará à civilização surpresas previsíveis, tal é a quantidade de conflitos pendentes que se repetem ciclicamente acompanhando os ciclos das crises, das epidemias, e das faminas, e ali estão à mão de semear, qualquer faísca provoca os oportunistas e as nações para o desejado abismo, pois há os que vivem da desgraça alheia, há males que vêm por bem, o que faz dos acontecimentos locais esporádicos na Síria, no Líbano, no Afeganistão, na Líbia, na Ucrânia, na Birmânia, e outros, reais tubos de ensaio, pelo que vários observadores acreditam ser somente a preparação para um conflito final de maiores dimensões entre superpotências, que poderá significar literalmente um retorno dramático às origens, aos tempos de D. Sebastião…
Ed Prates and 2 others
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