vasco cordeiro na ucrânia

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Ucrânia: Vasco Cordeiro transmitiu a Zelensky em Kiev apoio do poder local europeu
Redação, 20 abr 2023 (Lusa) – O presidente do Comité das Regiões, Vasco Cordeiro, encontrou-se hoje em Kiev com o Presidente da Ucrânia e transmitiu-lhe que, mais do que “razões geopolíticas ou estratégicas”, o país está lutar pelos valores da União Europeia (UE).
“Já várias vezes foi dito que a Ucrânia está a lutar pela Europa. Eu acho que não se tratam apenas de razões geopolíticas ou estratégicas. É, acima de tudo, sobre valores, sobre princípios”, sustentou Vasco Cordeiro, depois de um encontro com Volodymyr Zelensky, na capital ucraniana, numa intervenção enviada à Lusa.
A deslocação a Kiev do presidente do Comité das Regiões ocorreu no âmbito da apresentação de uma aliança europeia de municípios e regiões para a reconstrução do país.
De acordo com uma nota enviada à Lusa, a delegação do Comité das Regiões foi convidada à viajar até Kiev pelas autoridades ucranianas, na sequência da Cimeira Internacional dos Municípios e Regiões.
O presidente do Comité das Regiões acrescentou que as cidades e regiões de toda a UE “e de todo o mundo podem não ter o poder de trazer armas e munições” – aquilo que a Ucrânia tem incessantemente pedido a todos os países que estão desde 24 de fevereiro de 2022 a apoiá-la contra a invasão da Federação Russa.
Contudo, sustentou Vasco Cordeiro, há um “papel que as comunidades locais e regionais estão a desempenhar, e podem desempenhar, não só acolhendo as pessoas que tiverem de abandonar” o país na sequência da invasão russa, “mas também reforçando as parcerias que são necessárias para enfrentar esta difícil situação e resolver os problemas que persistem”.
Por isso, prometeu a disponibilidade do Comité da Regiões para ajudar a consolidar “a existência de um governo local e regional democrático, devidamente financiado e respeitado”.
“A Ucrânia será, tal como outros países candidatos, um membro de pleno direito da União Europeia. Nesse contexto, muitas áreas podem ser usadas para expressar esta parceria, mas uma delas é exatamente o aspeto do desenvolvimento de capacidades. A oportunidade de fortalecer o governo local na Ucrânia”, completou.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 8.534 civis mortos e 14.370 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
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Eduardo Moniz

Queres se mostrar antes preocupasse com as misérias que está nos Açores com esta inflação gananciosa
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molete

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Só quem é do Porto sabe o que é um Molete!

É voz corrente ouvir, entre as gentes do Porto, em geral, e entre as de Valongo, em particular, que a palavra molete será um neologismo português, com base no estrangeirismo francês Mollet, que entrou para o nosso vocabulário por alturas do ataque do General francês Soult à cidade do Porto, em 1809. Mais: seria, sem dúvida, interessante e até mesmo romântico acreditar que havia um militar de alta patente, de seu nome Molet, grande apreciador de pão, que não dispensava, ao pequeno-almoço, o saboroso pão, o que teria levado os valonguenses, quando, pela manhãzinha, colocavam as cestas nas carroças que iam abastecer o Porto, a dizer algo como isto:
– Lá vai o pão para o Molete, num aportuguesamento do nome francês. E que, assim, os pequenos pães de Valongo começaram a chamar-se simplesmente moletes.
E, como quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto, outros vão mais longe na fantasia, afirmando que o tal Molet teria mesmo trazido de Paris o seu próprio padeiro, que fazia um excelente pão, a que os tripeiros rapidamente chamaram moletes. Uma outra versão, igualmente efabulada, coloca o suposto militar, sitiado com as suas tropas por terras de Valongo, confrontado com um sério período de crise, em que é forçado a proceder a racionamento de mantimentos. Então, numa atitude extrema, ordena aos seus responsáveis pela distribuição de víveres que procedam ao corte em quatro partes do pão, na altura algo parecido com as actuais sêmeas (um pão bastante grande), em quatro partes, dando assim origem a pequenos pãezinhos, evidentemente, os moletes.
No entanto, a verdade é que não conseguimos descortinar quaisquer registos da existência desse tal militar de alta patente chamado Mollet. E a tese de que a palavra terá tido origem em Portugal, no início do século XIX também cai por terra quando se consulta o “Elucidário das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram”, de Frei Santa Rosa de Viterbo, datado de 1865, que regista o uso da palavra já em 1512 em associação ao pão, como adjectivo, ou seja, descrevendo as suas qualidades.
Certo, certo é que molete deriva do francês molette, não do nome, que tem significados completamente diferentes, mas sim do adjectivo, o adjectivo mollet, no feminino mollette, diminutivo de mole, agradável. À letra, em português, “molzinho”, pão molzinho, tenrinho.
Mas ainda em relação à ficção de Molet, poder-se-á colocar a hipótese da criação da palavra molete, enquanto nome, ser efectivamente uma invenção das gentes do Porto, com base na substantivação do adjectivo francês já existente. E é bem possível que tenham sido os franceses, em terras de Valongo em contacto com os valonguenses, durante a invasão napoleónica de Soult, a dar origem ao molete, quando, ao descreverem as famosas qualidades dos nossos pequenos pães, o apelidavam de pain mollet, molzinho. Daí ao aportuguesamento da palavra poderá ter sido um pequeno passo, sabendo-se que existe uma enorme tendência para simplificar a designação das coisas. De pão mollet para simplesmente molete!
Mas que o molete, nome masculino, singular, comum e concreto é nosso património exclusivo disso não há dúvida e, já agora, para terminar, também é bem provável que o mollete espanhol, cujo significado é exactamente o mesmo, tenha sido inspirado no molete do Porto.
João Carlos Brito, Falar à Moda do Porto

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profissões desaparecidas

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O “DEITA-GATOS”
Gatear tudo que fosse loiça partida em cacos, era tarefa do “deita-gatos”, um servidor ambulante, em tempos de privação e, em muitos casos, de verdadeira pobreza, de que apenas os idosos do presente, guardam recordação e para quem a Revolução dos Cravos tem importante e grato significado.
Foram tempos em que, praticamente, tudo era aproveitado, dos frascos e garrafas às latas, caixas e caixotes. Os consertos nas roupas, no calçado, na telefonia (a televisão estava a décadas de aparecer), nos ainda poucos electrodomésticos e no que quer que fosse prolongavam-lhes a vida ao limite da utilização.
Na sociedade de consumismo desenfreado que é a nossa, ninguém se lembra hoje de mandar pôr uma vareta nova numa sombrinha, colocar um pingo de solda numa panela, a que o uso de anos abrira um buraquinho no fundo, ou juntar os cacos de um prato que caiu ao chão.
Nesse prolongar de vida de muitas peças de barro e de faiança, dois tipos de loiça de casa muito frequentes nesses anos, tinha papel importante o deita-gatos também ele, quase sempre o “amola-tesouras” e muitas vezes, “funileiro à porta”.
O nosso homem começava por unir os cacos e, por cada “gato” (um pedaço de arame terminado por duas pequenas garras) a colocar, marcar os dois pontos onde fazer um furo com a ajuda de um broquim primitivo, como os que se mostram na figura. Juntos e colados todos os cacos era a vez de, com a arte que a experiência sempre dá, introduzir as garras dos “gatos” e fixá-los de modo a ficarem bem apertados.
Ainda guardo, mas agora com o significado de antiguidades, pratos e travessas da Real Fábrica de Loiça de Sacavém, mandadas gatear pela minha mãe e pela mãe dela.
(António Galopim de Carvalho)
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Jose Tolentino Chaves

Muito importante, cheguei a ver alguns poucos desses, mais eram amoladores.
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nasceu antero nesta data

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Nasceu, Antero de Quental, a 18 de Abril de 1842 na cidade de Ponta Delgada e na mesma capital da ilha de S. Miguel faleceu a 11 de Setembro de 1891, suicidando-se com dois tiros de revólver, sentado num banco, próximo do muro do convento do Senhor Santo Cristo dos Milagres, acima do qual, gravada, se encontrava, e ainda lá está, uma âncora atravessada pela palavra Esperança.
O simbolismo de tudo isto!
Observe-se, outrossim, que Antero veio ao mundo entre duas revoluções francesas, a de Julho de 1830 e a de Fevereiro de 1848, revoluções essas de repercussão europeia, pois que a primeira apressou a queda das monarquias absolutas, e a segunda contribuiu para o advento e difusão das doutrinas socialistas. Esta circunstância merece ser aqui registada pela influência que ambas vieram exercer depois no espírito de Antero.
Precoces as tendências literárias no Poeta Ilhéu, improvisando na sua meninice, em descantes e festas campesinas, cantigas de sabor popular. Sobretudo é já em Coimbra, quando estava a frequentar a faculdade de Direito, que o Maior Açoriano começa a dar largas à sua imaginação poética, se deixa conduzir pelas “asas da fantasia”, fazendo e publicando em revistas e jornais, poemas ao gosto da época, que era ainda romântica.
De facto as primícias poéticas de Antero acusam a leitura repetida dos bardos de então; sem dúvida, notória é a influência deles nos termos e na estrutura formal dessas suas primeiras poesias.
Depressa, porém, o lírico neoplatonizante da Beatrice se libertou de tal escola literária, ao momento chefiada pelo velho Castilho e seguida, servilmente, pelos seus sequazes, como Pinheiro Chagas e outros.
Entusiasmo pelas as correntes sócio-políticas que nessa altura começavam a triunfar em quase toda a Europa, Antero decide-se a renunciar a todo o seu passado romanesco e tradicionalista destruindo, em grande parte, os poemas que o reflectiam, e torna-se daí por diante arauto da chamada “Poesia nova”. As Odes Modernas (de 1865 mas prontas a entrar no prelo desde 1863) exemplificação eloquentemente a nova posição poética de Antero.
Abrimos aqui um breve parêntesis: mais tarde, em 1872, como rebate de consciência, reunirá o Poeta micaelense em volume os versos que não destruiu, dando-lhe o título de Primaveras Românticas.
E retomemos o fio interrompido…Atraído pelo Socialismo proudhoniano, embora leitor também de Marx, Antero participa activamente em todas as manifestações operárias, desempenhando em muitas delas o papel principal, além de se arvorar em defensor da criação de uma Federação Ibérica e de uma “Força Democrática”, à semelhança da “Aliança” de Bakounine.
Propriamente, no campo das Letras, insurge,-se contra os processos rotineiros de Castilho (a Questão Coimbrã, 1865); e querendo aproximar Portugal da Europa moderna e progressiva, organiza, em Lisboa, com outros seus companheiros, as “Conferências do Casino” (1871), que foram logo suspensas por ordem governamental.
Entretanto vai poetando e filosofando, ao mesmo tempo que escreve artigos políticos e frequenta o Cenáculo…
Esgotado, adoece gravemente; consulta especialista; viaja; tem crises de pessimismo agónico.
Envelhece, enfim, precocemente: era a consequência fatal de um esforço que ultrapassava as suas forças; por outro lado, provinha de tantas e amargas desilusões, a última das quais derivada do “Ultimato Inglês” (11 de Janeiro de 1890), que o arranca da sua Tebaida de Vila do Conde, e onde o Poeta se havia refugiado desde 1881, preparando aí cuidadosamente a edição definitiva dos seus Sonetos (1886) – essa obra prima da Literatura nacional e europeia, pois que poeta algum até ali tinha conseguido com profunda originalidade e beleza formal intelectualizar as suas emoções e expressar emocionalmente os seus pensamentos filosóficos.
Independente do juízo que porventura possamos formular a respeito do conteúdo desses Sonetos, temos que reconhcer que nunca a viz lírica de um poeta se ergueu tão alta e atingiu acento tão puro como em Antero de Quental.
Escreveu Unamuno: ” En España no tenemos nada que se le parezca…Hay sonetos suyos que vivirán cuanto viva la memória de las gentes, porque habrán de ser traducidos, más tarde o más temprano, a todas las lenguas de hombres atormentados por la mirada de la esfinge)”
Sirva de prova este soneto lapidar:
NOCTURNO
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento…
Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento…
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
O prosador, por seu turno, escreverá, páginas admiráveis, e tão magistrais como aquelas que se encontram no seu ensaio Tendências Gerais da Filosofia na segunda metade do século XIX; igualmente o critico literário, o polemista e o epistológrafo.
Acima de tudo, salientaremos o homem, eminentemente superior, o homem moral, coerente sempre, mesmo nas suas próprias contradições; em suma, o homem que soube aliar o pensamento à acção, as suas ideias aos seus actos. Assim o afirma um dos seus íntimos, Luís de Magalhães: “Entre o seu pensamento, as suas palavras e a suas obras, houve sempre a conecção da mais inalterável coerência”.
É este, portanto, o Antero que importa melhor conhecer e amar, agora que os homens se deixam vencer facilmente por um prato de lentilhas…
Ruy Galvão de Carvalho, in Antologia Poética de Antero de Quental
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“Há um afastamento cada vez maior da Vodafone” nos Açores | Telecomunicações | PÚBLICO

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Falta de concorrência na rede fixa, onde só estão a Meo e a Nos, obriga açorianos a pagar preços “muito altos” pelas telecomunicações.

Source: “Há um afastamento cada vez maior da Vodafone” nos Açores | Telecomunicações | PÚBLICO

do assédio

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【A CAUSA DAS COISAS】
Em boa verdade não é nada problemático arranjar provas de assédio e abuso, diz-me uma jovem (26) amiga que começa a dar os primeiros passos no mundo da academia porque – pelas suas próprias palavras – é uma mulher tão filha da puta como o homem mais filho da puta. E conta como procede:
– Nunca recusei um convite para um encontro nocturno em casa de um professor ou orientador, para debatermos alguns aspectos de um trabalho em mãos. Se me põem a mão no joelho, ou me afagam o rosto, ou sugerem um intervalo para descansarmos uma minutos na cama tudo bem; são situações que eu consigo controlar, se quiser, antes que resvalem para o inadmissível e intolerável. De qualquer maneira, nunca me encontro sozinha com nenhum homem – de facto, com mulheres também não – que tenha algum ascendente sobre mim, em que não leve o meu discreto aparelho de gravação áudio que deixo ligado desde que se fecha a porta atrás de mim.
Nunca tive problemas; nunca fiz, nem fizeram comigo, algo que eu não tivesse querido. Se alguém tivesse ultrapassado algum limite inaceitável para mim, logo no dia seguinte eu ia à reitoria, à PJ, às televisões, onde fosse preciso, com material muito credível para denunciar o abusador. Nunca aconteceu. Só não compreendo como é que essa cambada de balzaquianas da Academia se deixam endrominar por aqueles jarretas nojentos.
São completamente imbecis, ou são apenas ingénuas, ou querem fruta e depois arrependem-se; mas depois não conseguem fundamentar as suas queixas e acusações e estão logo fodidas. E é bem feito. Nós só temos é que saber utilizar do que podemos dispor para nos protegermos… E sermos tão ou mais filhas da puta para eles do que eles são para nós.
Este depoimento é absolutamente verdadeiro mas, evidentemente, é-me impossível revelar a identidade da depoente.

Em boa verdade não é nada problemático arranjar provas de assédio e abuso, diz-me uma jovem (26) amiga que começa a dar os primeiros passos no mundo da academia…

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Artur Arêde

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Medida do IVA zero de cabaz de alimentos entra hoje em vigor – Jornal Açores 9

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A medida que isenta de IVA um cabaz de 46 alimentos considerados essenciais entra hoje em vigor, dispondo o retalho alimentar de 15 dias para refletir esta isenção nos preços de venda ao público. A lista de produtos alimentares que passarão a estar isentos de IVA – na sequência de um pacto tripartido assinado entre […]

Source: Medida do IVA zero de cabaz de alimentos entra hoje em vigor – Jornal Açores 9

Piscina de cruzeiro transborda durante viagem e assusta passageiros; veja o momento! | Viagem | Casa e Jardim

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Navio balançou após ser atingido por onda, o que fez a água descer como uma cachoeira e inundar lojas e restaurantes

Source: Piscina de cruzeiro transborda durante viagem e assusta passageiros; veja o momento! | Viagem | Casa e Jardim

Lengua y Costumbres de los Charruas

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LEVANTA O POVO CHARRUA!
Charruas levados como “bichos de circo” para a França
Era uma fria manhã de 1834 na bela Lyon. Enquanto a cidade amanhecia, com seus odores de pão fresco e gentes malcheirosas, um homem jovem andava ligeiro pela rua ainda vazia.
Carregava nos braços um bebê.
Vestia-se pobremente e volta e meia olhava para trás, esperando ver soldados.
Os poucos transeuntes não sabiam, mas ali ia um valente cacique charrua, chamado Tacuabé.
Carregava a filha da também charrua Guyunusa que, como ele, fora aprisionada na região da Banda Oriental (hoje Uruguai), e remetida a Paris, como um bicho raro.
Eram quatro os índios levados para a França: Tacuabé, de 23 anos, Vaimaca, um velho cacique, Senaqué, um conhecido pajé charrua e Guyunusa.
Obrigados a se apresentarem em circos pelos arredores de Paris, sofrendo maus tratos e saudosos de sua terra, os charrua foram morrendo um a um.
O primeiro foi Senaqué, que definhou de tristeza, depois o velho Vaimaca.
Guyunusa, com pouco mais de 20 anos, tomada pela tuberculose, morreu em Lyon, deixando um bebê que se acredita fosse filha de Vaimaca.
Obteve de Tacuabé a promessa de que a garota haveria de ser livre.
E assim, tão logo ela fecha para sempre os olhos, o jovem charrua decida escapulir do circo, levando com ele a menina.
Os historiadores nunca acharam o rastro do cacique e da menina charrua, mas, se sobreviveram é possível que hoje o sangue charrua também corra em alguma família aparentemente francesa.
Porque se ser charrua é ser valente, não há dúvidas de que Tacuabé conseguiu garantir a vida, dele e da menina, naqueles longínquos e tristes dias.
Quem eram os Charruas?
Corria o ano de 1513 quando Juan de Solis chegou ao Rio da Prata e isso marcaria para sempre a vida dos povos que ali viviam desde há séculos.
O povo charrua era uma gente aguerrida que habitava as pradarias do que hoje é o Uruguai, a pampa argentina e parte do Rio Grande do Sul. Chamado de vale do rio Uruguai essa era uma região de coxilhas e muitas pradarias, espaço de ventos intensos tanto no verão como no inverno.
Além da gente charrua e do povo minuano, dividiam o espaço as capivaras, ratos do banhado, pecaris, veados, jaguatiricas e o mítico ñandu (a ema).
Já em 1526, o espanhol Diego Mogger relata em suas cartas sobre esses indígenas que eram vistos de longe, observando e sendo observados bem na entrada do Rio da Prata. Os espanhóis descreviam os charrua como uma gente moreno-oliva, de estatura média, pomo de adão saliente, dentes bons, rosto largo, boca grande e lábios grossos.
Os homens usavam cabelo bem comprido, muito lisos, e tinham por costume amputar um dedo da mão.
Já os minuano eram um pouco mais baixos, de fala baixa, melancólicos e igualmente acobreados.
Durante todo o processo de ocupação do território do que hoje é o sul da América Latina eles se mantiveram à distância, porque seu espaço era o interior e tantos os espanhóis quanto os portugueses preferiam se radicar nas margens do mar ou dos grandes rios.
Mesmo assim, desde a chegadas dos invasores muitas foram as escaramuças, principalmente com os charrua. Desde o ano de 1573 já é possível encontrar relatos de lutas com os espanhóis.
Eles viviam como grupos seminômades, em acampamentos estáveis, ora aqui, ora ali, seguindo o ritmo das estações.
Caçavam e plantavam coletivamente num território que, depois da invasão, ficou durante mais de dois séculos como fronteira não demarcada entre Espanha e Portugal.
Era visto pelos invasores como “terra de ninguém”.
Mas, ao contrário do que poderiam crer os que chegavam da Europa, aquele era um espaço já há centenas de anos ocupado não só pelos Charrua mas também pelos povos Minuano, Tapes, Chaná e até Guarani.
Ainda assim, apesar das lutas esporádicas, os originários eram ignorados.
“Sem alma”, diziam os padres.
Assim, para os europeus, Joãos e Marias ninguém.
Só que, na verdade, esses povos já tinham desenvolvido uma cultura.
Tinham uma organização comunitária e eram regidos por um conselho da aldeia.
As tarefas eram definidas, os homens caçavam e as mulheres cuidavam dos toldos que lhe serviam de abrigos.
Desenvolveram tecnologias eficazes para a caça como é o caso da boleadeiras, instrumento usado para derrubar os ñandus e bichos maiores.
Já cozinhavam a carne e produziam vasos de barro escuro, os quais serviam para uso doméstico.
Reverenciavam as forças da natureza e acreditavam na ressureição, uma vez que seus mortos eram enterrados com todos os seus objetos pessoais, para uso na outra vida. No verão andavam nus, no inverno se ungiam com gordura de peixe e usavam peles de animais.
As mulheres usavam uma espécie de fralda de algodão, hoje conhecida como xiripá, chamado por eles de cayapi.
Os homens usavam uma vincha (faixa de pano) na testa.
Toda a organização girava em torno do núcleo familiar.
Um homem quando queria se casar fazia o pedido ao pai da moça e já montava sua tenda.
A comunidade não tinha hierarquia, tampouco chefe, tudo era decidido no conselho.
Presos de guerra não eram escravizados, viravam família e se integravam na vida da comunidade.
Todo grupo tinha uma mulher velha que cuidava da saúde.
O grupo tinha por costume se reunir no cair da noite para planejar o dia seguinte, mas nada era imposto.
Era um povo livre e essa forme de viver iria, três séculos mais tarde, encantar o jovem Artigas, que seria um dos libertadores nas guerras de independência.
A ocupação espanhola
A vida dos charrua começaria a mudar radicalmente a partir de 1607 quando os espanhóis introduzem o gado bovino e equino na região e, como as pradarias não tinham fim, os animais se espalhavam chegando a gerar imensos rebanhos selvagens chamados de “cimarrón”.
Tão logo conheceram o cavalo, os charrua se encantaram com a beleza, a velocidade e a docilidade dos mesmos.
Trataram de aprender a lidar com eles e em pouco tempo era exímios cavaleiros, imbatíveis no lombo nu dos velozes cimarrón. Nas batalhas, eles se agarravam às crinas e permaneciam deitados de um lado, praticamente invisíveis aos inimigos.
Por algum motivo não sabido, charrua e cavalo passaram a ser quase como uma só criatura.
Por outro lado, foi justamente o crescimento exponencial do gado bovino o responsável pelo fim da mal arranjada paz no território charrua.
Como a carne e o couro eram artigos disputados pelo comércio da época, a região que antes era dominada pelos indígenas passa a receber levas de faeneiros (a mando dos espanhóis) e changueadores (aventureiros) que buscavam arrebanhar o gado selvagem para a venda aos ingleses. Essa mistura com a gente europeia e criolla vai enfraquecendo o já frágil domínio que os charrua tinham sobre o território da campanha.
Também é nessa época que ficam mais acirradas as relações com a gente branca que começava a adentrar para o interior, cercando terras e fazendo-as suas.
Em 1626 é a vez da chegada dos jesuítas que começam a criar missões para aldear os índios.
O objetivo era domesticar e converter.
Os guaranis foram mais suscetíveis ao discurso e a ação dos jesuítas, mas os charrua não quiseram nem saber.
Eram homens e mulheres livres, acostumados aos caminhos da pampa e não houve quem pudesse prendê-los, ainda que com discursos de salvação.
Diz a história que chegou a existir uma pequena redução charrua, em torno de 500 almas, mas não durou mais que quatro anos. Os charruas prezavam a liberdade e, acossados pela invasão branca, acabavam por realizar operações de saque nos povoados, em busca do fumo e da erva-mate. Por conta disso a relação com os colonizadores se acirrava cada vez mais. Naqueles dias começavam a surgir as estâncias, e o gado deixava de ser solto nas pradarias, sendo recolhido em grandes currais.
Assim, os animais livres escasseavam e os indígenas perdiam sua fonte de sobrevivência, passando a viver em estado de miséria. Sem terra, sem gado e sem comida, só restava o roubo.
Para os espanhóis e criollos que começaram a ocupar as terras da Banda Oriental, aquela “indiarada” começou a ser um problema e tanto.
Era preciso exterminá-los.
Foi nesse contexto que aconteceu a famosa “batalha de Yi” em 1702, quando os espanhóis decidiram encerrar a aliança que mantinham com os charrua e os minuano, e resolveram matar todo mundo.
Para isso, de forma perversa, contaram com a ajuda dos guarani, os quais já mantinham aldeados há anos.
E o resultado foi que mais de 200 charrua pereceram sob o exército de dois mil guarani. Outros quinhentos, levados como prisioneiros para as missões, foram assassinados pelos tapes, também orientados pelos jesuítas e chefes espanhóis.
Era o que os espanhóis chamavam de “limpeza dos campos”. Na metade do século muitos tinham sido passado pela faca e as mulheres e crianças mandadas a Buenos Aires e Montevidéu servindo como domésticas.
Ainda assim, vários grupos resistiram e seguiram vagueando pelos campos, vivendo de contrabando de gado e roubo.
Artigas, os charruas e a independência
São esses valentes que o jovem José Artigas vai encontrar nas cercanias das terras onde vivia com os pais, na imensidão da campanha gaúcha.
Desde bem guri ele fugia para as tolderias e aprendia com os charrua o valor da vida em liberdade.
Aprendeu suas táticas de guerra, sua cultura, sua forma comunitária de viver.
Quando então, finalmente, saiu de casa para não mais voltar, foi viver de aventuras como contrabandista de gado.
Abdicando de ser um “filho de fazendeiro” era com os irmãos charrua que ele vagueava pelos campos na única rebelião possível naqueles dias: pegar os espanhóis pelo bolso. Em 1897, quando decide entrar para o batalhão de Blandengles, Artigas já tem muito claro os seus objetivos. Inspirado por tantas lutas que assomaram contra o domínio espanhol, Artigas decide que, junto com os negros e índios – os mais explorados entre os explorados – vai comandar a luta pela independência da Banda Oriental.
E é assim que as coisas acontecem.
O soldado Artigas não é um soldado qualquer.
Ele pensa e propõe.
Tem do seu lado uma leva de homens livres que o seguem de livre vontade.
Não como um líder, mas como a um irmão. Acreditam nele e nos seus desejos de vida digna, de terra repartida, de vida comunitária. Esse legado, aprendido com os charrua, é o que vai comandar toda a proposta artiguista de libertação.
E é na valentia indígena que acontece a primeira grande batalha de Artigas, na comunidade de Las Piedras, em 1810. Armados apenas de facas, os comandados de Artigas colocam para correr os soldados bem armados da coroa.
Depois disso, são inúmeras as páginas da guerra, com Artigas e seu grupo de índios e negros, aos quais chamava de “povo de heróis”.
Com eles, praticava a política da soberania popular e da autodeterminação, gestando uma consciência de classe, de pertencimento, que se manteve firme até o massacre final. Nos acampamentos comandados por Artigas todas as coisas eram discutidas abertamente, cada soldado, cada mulher, cada ser, tinha direito a voz e voto.
Era essa gente que deliberava, Artigas apenas cumpria.
No primeiro grande êxodo, quando o povo seguiu com ele pelo lado norte do rio Uruguai, Artigas chegou a criar uma entidade sociológica, a qual dizia obedecer.
Era o “povo oriental em armas”.
Nunca traiu os seus companheiros e com eles levou a Banda Oriental à liberdade.
Mas, a história da libertação desta parte do sul do mundo tem também os seus traidores, que acabaram sendo os carrascos de Artigas e dos charrua.
Logo depois da independência, os interesses da elite criolla foram se consolidando e “aquela gente suja” que andava com Artigas acabou virando uma pedra no sapato. Ninguém queria que as ideias de reforma agrária, democracia e autodeterminação vingassem por ali.
A revolução artigista representava uma transformação radical nos métodos e práticas de governo.
A prioridade era a ação direta do povo.
As comunidades elegiam seus representantes de forma livre e era nas assembleias que se discutiam os temas relevantes da nação.
Este sistema foi cunhado como o “sistema dos povos livres”.
Pela primeira vez, depois da conquista europeia, o território voltava a ser das gentes. E a proposta defendida por Artigas era tão avançada que ele conseguia manter unidos os povos originários e os descendentes espanhóis sob o mesmo desejo: criar uma pátria nova, livre, soberana, onde cada um tivesse o mesmo poder.
Era coisa demais para as elites locais e para os que sonhavam em dominar a região, rica em carne e couro.
Foi aí que começou a se gestar o processo de destruição de Artigas e de seu povo.
Através de intrigas e difamações, o comandante é escorraçado do Uruguai, partindo para o exílio no Paraguai.
Com ele seguem dezenas de famílias charrua, decididas a compartilhar sua derrota.
Mas, outros tantos permanecem no território uruguaio e passam a ser vistos como um perigo em potencial.
Eram homens livres e não haveriam de aceitar a perda das terras e de todo o ideário construído com Artigas.
O presidente da nação recém-criada, Fructuoso Rivera decide então chamar os charrua para uma armadilha.
Corre o ano de 1831, num cálido abril, quando Fructuoso envia convites a todas as tolderias charrua para um encontro em Salsipuedes. Pede a ajuda dos indígenas para defender as fronteiras contra os portugueses.
Os charruas acorrem, solícitos, em defesa da pátria oriental, a qual aprenderam a amar como sua.
Eles chegam, armam seus toldos e esperam pelo presidente.
Ele nunca chegaria.
Durante a noite, enquanto os indígenas dormem, o exército ataca.
A ordem é matar todo mundo.
Nenhum charrua deve sair vivo.
O que se vê na manhã seguinte é um banho de sangue.
O povo charrua está exterminado.
Os poucos que restam vivos são vendidos como escravos.
A nova nação se vê livre do incômodo: o valente povo charrua que, na verdade, foi o protagonista da liberdade.
Entre os “escravos” levados para Montevidéu seguem Vaimaca, Senaqué, Tacuabé e Guyunusa, que dois anos mais tarde são levados como “bichos de circo” para a França. Subsumidos como criados e perdidos de sua liberdade o povo charrua originário do Uruguai vai se apagando, até deles não restar mais vestígios.
Alguns poucos homens que sobrevivem ao massacre de Salsipuedes, comandados pelo cacique Sepé atravessam o rio Uruguai pela cidade de Quaraí, e passam para o lado português, indo, mais tarde, se integrar às colunas do exército farrapo que iniciou a luta pela independência na região do Rio Grande do Sul.
Misturados aos minuanos e tapes, eles irão escrever páginas gloriosas no chão brasileiro, mas, igualmente derrotados, também desaparecem na poeira da história.
O Fim?
Até o final do século XX era dado como certo que o povo charrua era uma gente extinta. Dela restava só a memória daqueles anos longínquos da independência.
Mas, pouco a pouco, pessoas foram se deparando com suas raízes, descobrindo seus ancestrais.
Descendentes da gente charrua que passou para o Paraguai com Artigas, do grupo que cruzou o rio Uruguai e veio para o Brasil, dos que sobreviveram como escravos ou empregados domésticos.
A história charrua voltou a ser contada, palavras da língua original começaram a ser lembradas e a vida brotou.
O povo charrua foi assomando nos descendentes e hoje já são milhares os que se autodenominam assim.
Há uma organização do povo charrua no Uruguai e outra no Rio Grande do Sul.
Não há um território específico sendo reivindicado ainda, mas já se sabe que no início de 1900 havia um pequeno grupo fixado na região de Tacuarembó, no Uruguai, bem como atualmente há um grupo vivendo em comunidade próximo à Porto Alegre.
Para os descendentes o mais importante agora é recuperar a história.
O povo do Uruguai precisa saber que só é livre porque um dia o povo charrua se levantou em armas, junto com Artigas, e defendeu as fronteiras ajudando a criar a nação.
O povo do sul precisa saber que os charrua foram enganados, massacrados, mas ainda assim deixaram viva a sua marca.
Não é sem razão que na entrada de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a estátua que representa a cidade é uma figura que é um misto de paisano e charrua.
O famoso “laçador”, apesar de um semblante bem paisano, aparece com o xiripá, a vincha na testa e a boleadeira, elementos típicos da cultura charrua.
E, hoje, já no século vinte e um, os charruas se levantam e se mostram.
Tanto que no dia 9 de novembro de 2007, após uma luta que já durava 172 anos, a Câmara Municipal de Porto Alegre reconheceu a comunidade charrua como um povo indígena brasileiro.
Considerado extinta pela Fundação Nacional do Índio (Funai), essa foi uma vitória fundamental.
O evento foi organizado em conjunto pelas comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa e do Senado Federal.
Há informações de que existem mais de seis mil charruas nos países que compõem o Mercosul.
Só no Rio Grande do Sul, são mais de quatrocentos índios presentes nas localidades de: Santo Ângelo, São Miguel das Missões e Porto Alegre.
A terrível sentença de Fructuoso Rivera não se cumpriu.
O povo que dominava todo o território da Banda Oriental não foi exterminado.
Ele vive e avança!
Fonte: Livro Lengua y Costumbres de los Charruas.🇺🇾
Professores: Sixto Perea e Alonso
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