O NAUFRÁGIO DA MODENA E A PEDRA DE LANG – PICO DA VIGIA 2

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A ameaça que se esconde no mar de Portugal: sabotagem dos cabos submarinos “seria uma catástrofe”

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Vários navios russos têm sido vistos a rondar a costa portuguesa, por onde passam 10% a 15% das comunicações de todo o mundo. O próprio chefe do Estado Maior da Armada já admitiu que parte da intenção russa é espiar os cabos submarinos, mas continua a falhar uma estratégia conjunta para responder ao problema

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ANANÁS PARA RICOS

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Ananás no Hiper Continente de Ponta Delgada a 10,29€ o kilo
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João Martins Botelho, Gabriela Mota Vieira and 354 others

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João Martins Botelho

Eles dizem que é barato….deve ter IVA “zero” !.
O modelo continente já foi bom..agora não…isso para fazer as compras do mês lá, é deixar o ordenado todo num carro de compras…” Há mas tem € para o cartão ” (dizem muitos) isso é tudo fantochada, acham que dão alguma coisa a alguem?
Tido uma jogada de publicidade e marketing…mas já é uma história velha
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  • 17 h

Irlanda paga 84 mil euros a novos habitantes de ilhas remotas

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QUEM QUER TER ILHAS TEM DE PAGÁ-LAS…
… senão desapareça daqui!
[ A Irlanda acaba de anunciar um programa para revitalizar mais de 20 das ilhas que se encontram ao lado de sua costa oeste, incluindo Inis Mór, cuja paisagem deslumbrante foi cenário do filme “The Banshees of Inisherin”, vendedor e vários Oscars, assim como outras 10 ilhas de Gaeltacht, onde se fala irlandês.
A ideia é oferecer concessões de até €84.000 para pessoas dispostas a reformar casas vazias ou abandonadas e morar nelas.
Os interessados em se tornar moradores das ilhas devem estar cientes de que, embora não haja restrições sobre quem pode comprar propriedades na Irlanda, ser proprietário de um local não garante o direito de viver lá.
Ou seja, é preciso de um visto que dê ao morador a possibilidade de morar no país. ]
@ Ryc
Irlanda vai pagar até 84 mil euros para quem quiser viver em ilhas isoladas
EDUBLIN.COM.BR
Irlanda vai pagar até 84 mil euros para quem quiser viver em ilhas isoladas
Já se imaginou vivendo em uma ilha isolada no meio da Irlanda e recebendo um ótimo auxílio para isso? A Irlanda acaba de anunciar um programa para revitalizar mais de 20 das ilhas que se encontram ao lado de sua costa oeste, incluindo Inis Mór, cuja paisagem deslumbrante foi cenário do filme …..
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Lúcia Vasconcelos Franco and 4 others

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  • Roberto Y. Carreiro

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    A Irlanda ajuda os seus ilhéus, ao contrário de Portugal que sempre nos explorou e nos abandonou. Desde há cerca de 6 séculos e ainda hoje andam por aqui como estivessem a fazer um favor… e mais estranho é «ver» os «nossos» orgãos [teoricamente…] de governo próprio que nada fazem contra isso e ainda fazem propaganda que somos miseráveis, pobres, doentes e que vamos para a cova mais cedo…
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    • 18 h
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    • José A. Teixeira Morais

      Roberto Y. Carreiro ó coiso, a Irlanda é uma ilha
      Estás mal muda-te, vai-te embora, deixa-te de merdices
      Se não fosse a coesão territorial e as transferências do O E comias merda de vaca. Os Açores são Portugal e Portugal são os Açores
      Deixar-te de merdas e mete halibut
      Farto da mesma lenga Lenga de alguns tristes desmiolados
      • Roberto Y. Carreiro

        Author
        José A. Teixeira Morais – não respondo à sua malcriação. Muito típico de quem não tem argumentos. E digo mais – muito típico de quem não é daqui e que anda neste mundo por ver os outros andar. Boa Noite e se tiver um pingo de vergonha peça desculpa aos membros deste grupo açoriano. Não a mim que não me assusto com tão pouco.
  • João Mota Gomes

    tal desperdicio de dinheiro, pagam e daqui a dias as pessoas voltam porque não é assim que se atrai pessoas para viver num local

FIBRA ÓTICA CHEGA A TIMOR

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Empresas de Timor-Leste e Indonésia assim acordo para ligação de cabo de fibra ótica
Díli, 20 jun 2023 (Lusa) – A empresa timorense Sacomtel e a indonésia PLN Icon Plus assinaram na segunda-feira um acordo que permitirá a ligação de um cabo de fibra ótica terrestre entre as duas metades da ilha de Timor e, desde aí, para Singapura.
O acordo, assinado numa cerimónia em Díli pelo presidente da Sacomtel Abílio Araújo e pelo presidente executivo da Icon Plus, Ari Rahmat Cahyadi, prevê a criação da Batugadé International Gateway, uma nova base de telecomunicações na zona fronteiriça.
Abílio Araújo, presidente da Sacomtel, explicou à Lusa que o acordo permitirá ligar os dois cabos de fibra ótica, o da empresa timorense, que atravessará a fronteira, e o da PLN que parte da localidade de Atambua, em Timor Ocidental.
“A tecnologia é da Cisco, o investimento total é de cerca de seis milhões de dólares [5,49 milhões de euros] e permitirá ter uma ligação de cabo de grande qualidade em Timor-Leste”, disse.
“Todo o investimento é 100 por cento timorense. A infraestrutura em Batugadé será uma porta de entrada. Recebemos a ligação à Indonésia e depois teremos derivações para as operadoras timorenses”, afirmou.
Araújo disse que o objetivo é que a ligação possa já estar operacionalizada em julho, garantindo “maior qualidade”, ainda que não sejam para já conhecidos os preços que vão ser praticados.
Intervindo na cerimónia, Araújo disse que a colaboração entre as duas empresas permitirá reforçar o setor de comunicações em Timor-Leste, “especialmente importante no quadro de adesão à ASEAN”.
“Uma interligação rápida e segura à Internet e às telecomunicações representa um alicerce necessário para que Timor-Leste alcance o seu estatuto de país de rendimento médio-elevado. Isso permitirá alavancar os esforços dos nossos trabalhadores, atualizar os processos de negócios e colocar as nossas empresas numa posição competitiva ainda maior no mercado global”, afirmou.
Ari Rahmat Cahyadi, por seu lado, saudou a oportunidade de melhorar os serviços de internet para os utilizadores em Timor-Leste, sublinhando a aposta da sua empresa na inovação e na modernização dos sistemas.
A PLN, disse, tem já uma rede de fibra ótica de mais de 270 mil quilómetros, com uma expansão progressiva dos clientes em vários pontos do arquipélago.
Intervindo na mesma ocasião, o Presidente da República José Ramos-Horta, disse que é crucial que se continue a criar um cada vez melhor ambiente de negócios no país, apelando ao futuro Governo para que melhore processos e a burocracia.
ASP // VM
Lusa/Fim
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Traduções por Inteligência Artificial (IA) Chegam a Portugal sem Se Fazer Anunciar

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Traduções por Inteligência Artificial (IA) Chegam a Portugal sem Se Fazer Anunciar
Neste momento circulam em Portugal, nas livrarias, em feiras do livro ou na companhia de alguns jornais, centenas de milhares de exemplares de clássicos ingleses, franceses, alemães, italianos ou russos traduzidos com recurso a programas de inteligência artificial (IA), do Google Translate ao ChatGPT, passando pelo DeepL.
Isto verifica-se sem qualquer indicação, perante o desconhecimento dos leitores, a indiferença de jornalistas e críticos literários e o alheamento das associações de tradutores ou da SPA. O processo está a provocar uma acentuada regressão editorial com a divulgação de traduções primárias, insípidas, insensíveis a contextos e subtilezas linguísticas, que tendem a sobrepor-se a textos de enorme qualidade elaborados nas últimas décadas por Paulo Quintela, Aníbal Fernandes, Maria Teresa Dias Furtado, João Barrento, Paulo Faria, Sara Seruya, Margarida Periquito, Margarida Vale de Gato, Vasco Graça Moura, António Pescada, Nina Guerra e Filipe Guerra e António Sousa Ribeiro, entre outros.
Tudo indica que um dos principais agentes desta situação seja a Book Cover Editora, que tem publicadas centenas de clássicos de diversas línguas, o mais das vezes com preços de cerca de 5 euros.
À primeira vista trata-se de uma oferenda aos leitores — clássicos a preços acessíveis.
Mas na verdade a Book Cover é uma esfinge com alguns mistérios.
Todos os seus livros, excepto a série de Conan Doyle, são traduzidos por Lúcia Nogueira, a tradutora mais eficiente do planeta. Só em 2023 aparece na ficha técnica como tradutora de dezenas de obras, entre elas Guerra e Paz, com as suas mais de mil páginas, e outros romances volumosos. Nos últimos dois anos e meio terá traduzido cerca de oitenta clássicos, muitos deles extensos, como Os Miseráveis, E Tudo o Vento Levou ou Vinte Mil Léguas Submarinas.
Qualquer editor sabe que mesmo tradutores a tempo inteiro e com larga experiência são incapazes de traduzir mais de 10 a 15 páginas por dia, o que a incansável Lúcia Nogueira parece fazer antes do pequeno-almoço, seja a partir do inglês, do alemão, do italiano, do cirílico russo e em breve talvez do mandarim ou grego antigo.
As fichas técnicas da Book Cover não indicam o título original nem a língua de que se traduz, nem o nome de revisores.
O mundo está cheio de maravilhas e não se pode excluir a possibilidade de Lúcia Nogueira ser um prodígio, uma supersónica poliglota, que, mesmo sem traduzir a tempo inteiro — segundo o LinkedIn, trabalhou na Booktailors e é agora assistente editorial na Porto Editora —, consegue diariamente passar a um português sofrível várias dezenas de páginas de clássicos.
Mas é muitíssimo mais provável que se trate de uma tradutora experimentada em tecnologias de tradução automática, que começaram no Google Translate, evoluindo para a tradução neuronal do DeepL e, mais recentemente, o ChatGPT. Lúcia Nogueira deve limitar-se a fazer uma revisão que corrige alguns dos erros mais graves da tradução automática já mencionados por alguns dos seus leitores e sem que, em geral, possa cotejar o texto com o original. Na verdade, ficam numerosas gralhas, erros ortográficos e gramaticais, confusão de Acordos, termos brasileiros e outras incongruências (ver críticas de leitores da Book Cover Editora no Google ou comparar páginas das traduções de António Pescada ou Nina Guerra e Filipe Guerra de Guerra e Paz com as de Lúcia Nogueira).
Outra hipótese, menos provável por exigir que se escrevam os textos ao computador, é a de que dirija uma equipa de tradutores/revisores que usam o inglês, o que deveria ser referido e individualizado.
Nada há de ilegal nesta actividade. O problema é que infringe regras editoriais elementares, a começar pela indicação das línguas de partida e dos programas de IA utilizados ou dos tradutores implicados. Além disso, a medíocre qualidade dos resultados leva a um retrocesso em relação aos avanços conseguidos desde os anos 60 do século passado, quando foi possível começar a traduzir autores ingleses, alemães e russos, não a partir do francês, mas das línguas originais, tornando acessíveis aos leitores portugueses as subtilezas dos estilos de Shakespeare, Virginia Woolf, Tolstoi, Goethe ou Dostoiévski.
Claro que o recurso às traduções automáticas permite realizar economias. Mas estas não são suficientes para explicar os preços da Book Cover, que recorre também a grandes tiragens, associando-se a alguns jornais. Estes, que são muitas vezes exigentes com as traduções nas suas secções literárias, aceitam tudo o que lhes é oferecido nessas parcerias, feitas em geral através dos seus serviços comerciais e perante a desatenção das direcções editoriais.
Não se pode excluir que alguns tradutores recorram em parte a programas de tradução automática para executarem fases do seu trabalho, o que em qualquer dos casos deverá ser indicado nas fichas técnicas. Mas a ocultação do seu uso como instrumento principal ou quase exclusivo de tradução, que transforma os tradutores em meros revisores, não pode ser ignorada. É, por isso, estranho que críticos de diferentes órgãos de informação não comparem algumas páginas dos livros de que falam com os textos originais, pelo menos nos casos em que conhecem a língua de partida.
O próprio ChatGPT, que se afirma capaz de traduzir Guerra e Paz do russo para português, reconhece a sua incapacidade para elaborar uma obra literária significativa. Algo de semelhante se passa com as traduções dos clássicos, que têm sempre aspectos criativos, estando longe de se resumirem a um jogo de correspondências mais ou menos lineares entre diferentes línguas.
Afinal, os vários programas, do Google Translate ao ChatGPT, apenas podem gerar textos que são o agregado de todos os textos que digerem, indo muitas vezes buscar soluções a tradutores humanos sem que o rasto dessa utilização ou plágio seja controlado.
Francisco Vale

RECOLHA DO LIXO EM PDL

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A RECOLHA DO LIXO
Andamos de cavalo para burro, das “ilhas de recolha de resíduos” passamos para a recolha porta a porta, onde a separação dos resíduos voltou ao saco de plástico ou contentores, para os poucos que ainda os tinham. Hoje voltamos a encontrar rua sim rua não sacos de lixo não recolhidos, completamente inutilizados e lixo espalhado por todo o lado. Podia e devia-se complementar as “ilhas de recolhas de resíduos” com recolhas porta a porta, mas bem definidos o tipo de resíduos, como por exemplo um dia para resíduos orgânicos, outro dia para plásticos, ainda outro dia para vidros e para terminar um dia para papeís e papelão, mantendo-se em lugares estratégicos recipientes para recolha de óleos.
Porque não é a sim? Não sei, talvez a CMPDL não tenha técnicos competentes na matéria para a propor aos seus vereadores e Presidente.
A verdade é que a situação actual, demonstra um retrocesso preocupante ao que anteriormente estava estabelecido.
Eu GATO que me prezo estou farto de tanta asneira, seja no governo ou nas autarquias.
Que o vosso Deus ilumine os vossos pobres políticos.
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Jose Vieira Medeiros

Começa pelo presidente que dá ouvidos a ninguém

António Lobo Antunes – As mulheres têm fios desligados.

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8 years ago

Roubado ao blog Crónicas Rosa Cueca.
António Lobo Antunes – As mulheres têm fios desligados.
Há uns tempos a Joana:
– Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
– Já não gosto de ti
de
– Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
– Preciso de tempo para pensar
– Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
– Tu mereces melhor do que eu
– Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
– Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
– Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
– Custou-me mas foi
– Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
– Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
– O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
– As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
– Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
– O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
– Mereces melhor que eu
levou como resposta
– Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
– O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
– Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
– E depois de ele se ir embora?
– Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.
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