6 de junho dia da autonomia dos Açores

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500. 6 de junho dia da autonomia dos Açores 18.6.2022

Um novo tipo de feudalismo e de escravatura perpetua o fosso entre os que “têm” e os que não têm a alforria. A massificação da cultura “dita popular” versus a redução abrupta dos orçamentos culturais (artes em geral, teatro, literatura, etc.) quer perpetuar o mínimo denominador comum de iliteracia. Um povo iletrado não pode ser livre nem preserva a sua autonomia, antes permanece subjugado e submisso aos que o espezinham.

Se não fosse a bandeira azul com estrelas que se vê no aeroporto e o uso do Euro como moeda ninguém pensaria que estamos na Europa e não é pelos dois mil quilómetros que nos separam da terra firme, mas pela diferença de paradigmas de vida, pelo seu ritmo cadenciado, pelas ondas e marés e não pelos ditames da burocracia. A identidade insular é bem distinta da portuguesa e da europeia e para se cumprir falta apenas a vivência de uma autonomia plena que cortasse as amarras. Pertence o arquipélago à Europa por mera e fortuita coincidência geopolítica, mas a alma destas ilhas está equidistante de Américas e Europa. Ainda vou acabar por me naturalizar açoriano!

Aqui nos Açores tudo continua na modorra habitual sem que as pessoas se apercebam da crise, embora a citem no quotidiano linguajar, e há sempre um Santo Cristo a quem rezar, uma romaria anual para fazer, e umas oferendas em nome disto ou daquilo. Mesmo assim, os mesmos que vão ao Santo Cristo e compungidos cantam orações nas romarias são os que, ao domingo, ficam à porta das igrejas ou vão para a taberna passar o tempo do santo sacrifício da missa. Atavismos de séculos que o medo dos tremores e dos vulcões nos últimos quinhentos anos perpetuaram no ADN destas gentes, acostumadas a aceitarem todos os fados como desígnio divino. Nada fazem para mudarem o que podem e aceitam tudo aquilo que não podem mudar, mas ao contrário dos Alcoólicos Anónimos não sabem a diferença. Pelo contrário, dão seguimento ao bom ditado de Salazar “dar a beber vinho é alimentar um milhão de portugueses” …e se batem na mulher e filhos não é por causa do álcool, mas por herança genética.

Curiosa terra em que nada parece passar-se centrada nas nove ilhas diferentes e separadas como sempre estiveram, por bairrismos ancestrais. Aqui viveram muitos revolucionários e grande parte da história de Portugal passou por aqui ou aconteceu aqui (embora quase ninguém o saiba), desde a oposição ao reino dos Filipes às guerras liberais e ao 25 de abril tudo se passou aqui, mas hoje com esta pretensa autonomia não vislumbro homens capazes de libertarem Portugal que tem a (injusta) fama de brandos costumes e a prática de muitas aleivosias, alevantes populares, revoltas e revoluções, apaga-se lentamente da lista das civilizações tal como os Maias, Astecas e tantas outras que um dia dominavam grandes partes do universo habitado e conhecido … … e eu aqui sem nada poder fazer a não ser cronicar esta morte há muito anunciada.

Adoro este país em que vivo, não só pelo sol abundante, que na maior parte dos anos nos chega de borla, como pela riqueza das suas paisagens variadas de norte a sul, e pelo mar adentro até aos arquipélagos da Madeira e Açores. No entanto há pequeninas coisas que podiam ser melhoradas, uma delas é a IMPUNIDADE, ninguém é condenado (e se for é com pena suspensa, que as cadeias estão cheias e a abarrotar e não convém meter lá gente fina que teve um deslize ou outro, mesmo que seja de uns milhões.)

No entanto, o povo demonstra uma total incapacidade, insensibilidade e inépcia de mobilização para o roubo descarado feito pelo governo na saúde, educação, justiça, nos vencimentos, nos subsídios, e nas regalias que ao longo de décadas foram penosamente conquistadas. Queixa-se nos cafés, que mal frequenta já pois nem dinheiro têm para a bica, queixa-se no ciberespaço, algumas desgarradas manifs de rua que para nada servem, em greves a que não aderem para não perderem mais dinheiro, mas quanto a fazer uma magistral manif que faça tremer o governo, lá isso não sabe fazer, manda umas vaias e assobios em público, faz uns cartazes ou manda umas bocas foleiras que podem dar cadeia ou indemnização. Um povo de mansos e vacas chocas, sem espinha vertebral que vai continuar sempre a votar nos mesmos que o defraudaram e roubaram ao longo destes anos da dita democracia, enquanto se diz saudoso de líderes salazarentos honestos que mantiveram o país num feudalismo medieval, de analfabetismo, fome, futebol, Fátima e Fado.

O mundo agita-se em vários países e continentes, mas em Portugal “no pasa nada”, tudo calmo e tranquilo apesar dos 402 políticos com pensões vitalícias custando 6,4 milhões de Euros, e inúmero reformados a ganharem fortunas em posições executivas. Crê-se que Portugal é dos que mais reformados ativos tem, mesmo os que se aposentaram por baixa médica de incapacidade, mas que saltaram para uma empresa ou outra a auferir milhões ….

Portanto, aparte aquele problema da impunidade, que me incomoda, e facto de os portugueses serem um povo pacífico que todos os dias lê (imensos jornais desportivos e magazines cor de rosa), vê todas as telenovelas possíveis até se deitar exausto, não perde um jogo de futebol, não vejo por que razão não deveria eu gostar deste país. Só se for por ser contra as touradas….

Há aspetos positivos, os céus enviaram-me um pôr-do-sol espetacular. Mais um, que desta falsa espreito à janela por sobre a Bretanha até se deter devagarosamente no meio do oceano, lá onde eu costumava ver a minha ilha mítica, chamada Autonomia, que mais ninguém jamais viu ou anteviu. Desde o início da minha estadia nos Açores, sempre pautei a minha posição pessoal pela defesa de uma verdadeira autonomia do arquipélago, em vez deste arremedo de autonomia envergonhada em que se vive, dependente do bom humor de quem está sentado na cadeira do poder em Lisboa. A visão açoriana do mundo é de tal forma paroquial que este arquipélago dificilmente seria independente, nem haveria gente suficiente e com “cojones” para o tentar. É uma utopia pensar nela pois não haveria gente com capacidade de aproveitar a riqueza da zona marítima exclusiva (afinal só foi descoberta ao fim de 37 anos de autonomia…) nem as outras potencialidades exclusivas dos Açores (se calhar não dava votos e não se fez nada por causa dessa necessidade que os políticos têm de se agarrarem ao poder através do voto popular). Depois haveria outro problema grave, quase todos vivem de subsídios e nada sabem fazer sem eles…vai ser difícil desabituá-los …. Curiosamente, acusam as 8 ilhas de estarem contra São Miguel da mesma forma que São Miguel acusa Lisboa…a macrocefalia de PDL é igual à de Lisboa salvaguardadas as respetivas escalas.

Se fizessem um referendo, a autonomia perdia esmagadoramente pois é melhor culpar o Governo de Lisboa do que os sucessivos governos regionais e estes mantêm-se como os de Lisboa graças aos seus clientes, deveríamos dizer fregueses pois isto não passa de uma grande freguesia, e quando há desacordo ou é porque eu não sou de cá ou porque tu vives fora e não estás bem informado… Entendo a autonomia dos Açores (passada, presente e futura) como consequência do feudalismo arreigado que dominou as ilhas por séculos e hoje surge a outro nível e com outras roupagens. Mas a que imagino não é a que os políticos decidiram que nós teríamos.

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association – MEEA]

drchryschrystello@journalist.com,

Diário dos Açores (desde 2018)/ Diário de Trás-os-Montes (2005)/ Tribuna das Ilhas (2019)/ Jornal LusoPress, Québec, Canadá (2020)/ Jornal do Pico (2021)

 

 

 

 

 

 

ensino apropriado

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Delícia:
“Gillian é uma menina de sete anos que não pode sentar-se na escola. Ela se levanta continuamente, se distrai, voa com pensamentos e não segue lições. Seus professores se preocupam com ela, castigam-na, repreendem, recompensam as poucas vezes que ela está atenta, mas nada. Gillian não sabe sentar-se e não pode estar atenta.
Quando ela chega em casa, a mãe dela também a castiga. Então, não só a Gillian tem más notas e castigo na escola, como também sofre deles em casa.
Um dia, a mãe de Gillian é chamada para a escola. A senhora, triste como alguém esperando más notícias, pega na mão dela e vai para a sala de entrevista. Os professores falam de doença, de um distúrbio óbvio. Talvez seja hiperatividade ou talvez ela precise de um medicamento.
Durante a entrevista chega uma professora antiga que conhece a menina. Ele pede a todos os adultos, mães e colegas, que o sigam até uma sala adjacente de onde ela ainda pode ser vista. Quando ele sai, ele diz a Gillian que eles estarão de volta em breve e liga um rádio antigo com música.
Enquanto a menina está sozinha no quarto, ela imediatamente se levanta e começa a se mover para cima e para baixo perseguindo a música no ar com os pés e o coração. O professor sorri enquanto os colegas e a mãe olham para ele entre confusão e compaixão, como muitas vezes se faz com o velho. Então ele diz:
“Vês? A Gillian não está doente, a Gillian é uma dançarina! “
Ele recomenda que sua mãe a leve a uma aula de dança e que seus colegas a façam dançar de vez em quando. Ela assiste à primeira aula e quando chega em casa diz à mãe:
“Todo mundo é como eu, ninguém pode sentar lá! “
Em 1981, depois de uma carreira como dançarina, abrindo a sua própria academia de dança e recebendo reconhecimento internacional pela sua arte, Gillian Lynne tornou-se a coreógrafa do musical “Cats”. “
Espero que todas as crianças “diferentes” encontrem adultos capazes de acolhê-las por quem são e não pelo que lhes falta.
Viva as diferenças, a ovelhinha negra e os incompreendidos. São eles que criam beleza neste mundo.”
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Rosa Moniz Mota Vieira

Que lindo, Ana Isabel !
Obrigada por me deliciares com essa magnífica lição. Um beijinho.
Ana Isabel D’Arruda

Rosa Moniz Mota Vieira é realmente uma lição. Já tive algumas assim e com 6 anos andaram no meu colo. O que a história não diz é que estas crianças sofrem de solidão e de tristeza.
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Fotopátria pelo Presidente Marcelfie

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Fotopátria pelo Presidente Marcelfie
‹‹ (…) Sobre os Presidentes que temos tido em democracia, são sabidas duas coisas: que todos buscam um segundo mandato, mesmo que insinuem não o querer; e que todos fazem um segundo mandato diferente do primeiro.
No primeiro, tratam de estabelecer um estilo, tão popular e familiar quanto possível, mostrando-se ao país e ao povo próximos, atentos e preocupados, mas deixando o Governo em paz, a menos que seja este a enfiar-se em atoleiros sem solução.
No segundo mandato, porém, os Presidentes começam aos poucos a mostrar os dentes, ou porque estão fartos do seu papel secundário, ou porque querem deixar uma marca, ou porque se prestam a servir o partido de onde vêm.
No lugar onde estão e próximos do fim da sua vida política, os Presidentes podiam aproveitar os segundos mandatos para convocar o país e os decisores a pensar no futuro e nas grandes questões que o país terá de enfrentar, desligando-se momentaneamente das querelas do dia-a-dia. Mas se algumas vezes isso é referido de passagem e de forma vaga em discursos ao vento, no essencial o que temos visto é eles a deixarem-se arrastar pela política partidária, seguramente a menos nobre das suas funções.
Marcelo caminha a passos largos para não ser excepção à regra. No estilo, ficou refém de um hiperprotagonismo que só a ele não cansa e que só ele parece não ver o quanto desgasta e descredibiliza a sua função e cada intervenção que faz.
É absolutamente surreal que em cada encontro de rua com populares ou jornalistas — alguns dos quais forçados por ele próprio — Marcelo se dedique a elaborar sobre a dissolução da Assembleia, a queda do Governo ou a demissão de ministros, como se estivesse a jogar “Monopólio”.
É doentia e desagradável de ver a sua obsessão com a popularidade, oferecendo-se como Presidente Marcelfie a cada ajuntamento de mais de duas pessoas, mesmo quando à sua frente caminha o primeiro-ministro a ser insultado pelos mesmos populares: Ramalho Eanes ou Mário Soares não o teriam feito.
Mas é sobretudo no indispensável combate ao populismo e à demagogia — de que ele não pode de forma alguma ausentar-se — que eu o vejo a passar ao largo da sua obrigação neste segundo mandato. Ele, que tão bem soube, no primeiro mandato, aproveitar a popularidade de que dispunha, para silenciar os populismos antidemocráticos, agora não entende que esta é a hora de usar a autoridade que lhe advém do cargo para voltar a silenciá-los.
Pelo contrário: sabendo ele que há muitos que confundem o estado da democracia com o estado da economia e com o seu próprio bem-estar, e que lhes é indiferente que haja uma epidemia planetária ou uma guerra na Europa que tudo condicione, olhar para os bons indicadores da conjuntura económica e dizer e repetir que “boa economia não é sinónimo de boa política”, pretende o quê, a não ser fornecer novos argumentos para a declarada e militante insatisfação geral?
Alimentar simpatias para com reivindicações profissionais e sindicais que sabe não serem financeiramente comportáveis pretende o quê, a não ser minar o campo de batalha onde está o Governo e ele não tem de estar? Falar da “riqueza” do país, sabendo que não somos e nunca fomos um país rico e que só deixando de acreditar que existe um Estado rico num país que o não é que a todos poderá assistir é que poderemos avançar, destina-se a quê a não ser perpetuar as ilusões e as insatisfações?
Talvez não seja de exigir a Marcelo que tenha a coragem de repetir a célebre frase de Kennedy, que tão bem caracteriza os países que se fazem de baixo para cima — (“Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti; pergunta o que podes tu fazer pelo teu país.”) — mas, pelo menos, que tenha a coragem de não cavalgar as sondagens sobre os impossíveis que os portugueses gostariam de ouvir.
Que escolha o caminho mais difícil e pedagógico. O da verdade, talvez. Que não valemos mais do que aquilo que valemos e que não pode ser sempre e só por culpa “deles” que, com tantas ajudas e tão poucas catástrofes comparados com tantos outros, vamos ficando sempre para trás.››
[Miguel Sousa Tavares , “Expresso”, 16/06/2023]
Pode ser arte pop de telefone, poster, tablet e texto
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duas cabeças na mochila

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ULTIMA HORA.
Notícia de última hora
A PSP de Angra de Angra do Heroísmo encontrou duas cabeças na mochila de um passageiro da Praia da Vitória.
Segundo as autoridades, um jovem com uma mochila às costas, saiu da Praia da Vitória e tomou um autocarro que ia no sentido Angra do Heroísmo. Quando o autocarro começou a andar, logo o pessoal sentiu um odor muito forte que saía da mochila do rapaz. De tão forte que estava aquele cheiro, fez com que os passageiros suspeitassem algo. Então ligaram para a PSP que casualmente trafegava no Porto Judeu. A PSP obrigou o condutor a parar o veículo e revistou todos que estavam dentro da urbana. Logo de seguida um agente da PSP levou um susto ao abrir uma das mochilas e encontrou duas cabeças que o rapaz de nome não divulgado ainda, levava na mochila. Ao examinar com cuidado, o agente da autoridade constatou que era uma cabeça de alho e outra de cebola.
Grato pela atenção dispensada e agora pode continuar o que estava a fazer ..
Ler faz bem.

Novak Djokovic and his wife Jelena enjoy a vacation in the Azores. – Tennis Tonic – News, Predictions, H2H, Live Scores, stats

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Novak Djokovic has taken a break from tennis to spend time with his family in Portugal at the Azores.

Source: Novak Djokovic and his wife Jelena enjoy a vacation in the Azores. – Tennis Tonic – News, Predictions, H2H, Live Scores, stats

mar

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AINDA O MAR
Regresso a este tema porque ele me parece demasiado importante.
A verdade é que, das duas uma, ou nós, os ilhéus de nascimento ou de adopção, que sabemos que o mundo é feito de água e de terra, fazemos o que podemos, e mais do que isso, para reduzir a ignorância geral sobre o mar e as relações profundas entre o mar e a terra, ou nos deixamos levar pela corrente de todos quantos, habitando em terra, visitam o mar, o comentam, lhe cantam poemas, mas não o percebem nem incluem no seu quotidiano.
Há muitos anos, estando a dar aulas na Escola do Magistério Primário de Angra do Heroísmo, perguntei a um aluno o comprimento aproximado da ilha de São Jorge. O raciocínio maravilhou-me:
“O Espírito Santo navega a tantos nós por hora, quando vai pelo canal entre o Pico e S. Jorge, demora tanto tempo entre o Topo e Calheta, se não parar em nenhuma fajã, a Calheta fica mais ou menos a meio da ilha, passando isso a quilómetros e dobrando a distância… é à volta de 50 de comprimento”.
Por certo repararam que o olhar sobre a terra foi feito a partir do mar e que o raciocínio saltava entre a água e o chão seco, com a agilidade e naturalidade de quem vê o mundo assim mesmo.
A questão que gostaria de deixar aqui, é a de que cantar loas ao mar, ou visitá-lo, para recolher plásticos em esforços de fim de semana, não basta.
Quando era pequeno, a gente aprendia coisas imensas acerca do mar. Saber da chuva a chegar, porque tinha ficado subitamente cinzento, ali, um bocadinho à direita, perceber se o peixe estava fresco, pelos olhos, apanhar ou não caranguejos, porque “esse é pequenino, deixa ficar para crescer”
O mundo estava povoado de coisas simples e ensinamentos vários, nascidos de uma vizinhança próxima, informada, relacional.
Agora, se é verdade que falamos dele, o facto é que, olhando os livros de ensino de agora, vejo demasiada distância, demasiado respeito biológico, demasiado conhecimento, mas menos sabedoria.
É mais fácil e frequente alguém saber coisas acerca de um canguru e de como nasce e cresce, do que acerca de uma baleia, de um cavalo-marinho, de um peixe voador ou de uma tartaruga.
E, no entanto, eles andam por aí próximo, muito mais que um canguru ou uma zebra. Só que permanecem ao lado de grande parte dos percursos escolares, por culpa de ninguém e de todos, porque deixamos que assim aconteça.
Acredito que é possível explicar matemática e física, conversar filosoficamente, cantar em francês ou inglês, elaborar um raciocínio ecológico não piegas, mas eficaz, inclusivo e fresco de ideias, com mar e terra à mistura. Sempre acreditei nisso e que devia ser uma coisa tão natural como respirar. Só falta levar à prática, mas isso temos de ser nós a fazê-lo.
(Publicado no Diário Insular e Açoriano Oriental de ontem, dia 17 de Junho de 2023)
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Elon Musk quer colocar implante cerebral num humano ainda este ano (voluntários?)- SIC Notícias

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Ao instalar chips no cérebro humano, o objetivo do bilionário é permitir que o cérebro e os computadores comuniquem diretamente. O objetivo a médio prazo é o de ajudar pessoas paralisadas.

Source: Elon Musk quer colocar implante cerebral num humano ainda este ano – SIC Notícias

MORREU MULHER DO 1º MINISTRO (TIMOR)

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Morreu mulher do primeiro-ministro timorense, ex-candidata presidencial
Díli, 18 jun 2023 (Lusa) – A mulher do primeiro-ministro timorense e ex-candidata presidencial, Isabel da Costa Ferreira, morreu hoje vítima de cancro, informou a equipa médica que lhe estava a prestar assistência.
“A equipa médica do Hospital Nacional Guido Valadres que tem estado a dar apoio médico à senhora Isabel da Costa Ferreira, informa a todos que a senhora Isabel da Costa Ferreira faleceu hoje às 20:48, vítima de um cancro”, disse um porta-voz da equipa numa mensagem de vídeo partilhada pela página oficial do primeiro-ministro Taur Matan Ruak no Facebook.
Natural de Same, Isabel da Costa Ferreira, que cumpriu em abril 49 anos, era jurista, política, ex-deputada e foi candidata nas eleições presidenciais de 2022.
A segunda mais nova de 13 irmãos estudou Direito na Indonésia e dedicou grande parte da sua vida aos temas dos direitos humanos, denunciando violações cometidas durante a ocupação indonésia.
Foi coordenadora-geral da organização não-governamental Contras Timor-Timur (entre 1998 e 1999) e diretora da Comissão de Direitos Humanos Timor-Loro Sa’e (CDHTL) em 1999-2001.
Foi deputada da Assembleia Constituinte, pela União Democrática Timorense (UDT) e, depois da restauração da independência, em 20 de maio de 2002, assumiu vários cargos, incluindo vice-presidente da Cruz Vermelha em Timor-Leste e conselheira de Direitos Humanos do primeiro-ministro, entre 2001 e 2006.
Foi vice-ministra da justiça, assumindo outros cargos no Governo desde aí.
Isabel da Costa Ferreira e Taur Matan Ruak casaram-se em maio de 2001 e o casal teve três filhos.
ASP // CSJ
Lusa/Fim
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Joana Ruas

Deus a tenha.O meu abraço solidário a S.Exª Taur Matan Ruak e sua família.
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LUÍS AGUIAR-CONRARIA REFUTA MIGUEL SOUSA TAVARES

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Luís Aguiar-Conraria responde ao artigo de Miguel Sousa Tavares, no Expresso da semana passada.
Na última edição, Miguel Sousa Tavares dedicou a sua coluna às reivindicações dos professores. Deteve-se nos 6 anos, 6 meses e 23 dias de serviço que permanecem por contar e deu voz a muitos portugueses ao dizer que essa reivindicação não faz sentido porque o Estado português foi à falência e porque, na comparação com outros sectores de atividade, os professores não foram particularmente prejudicados.
Sousa Tavares comete alguns erros de pormenor, como dizer que os professores não sofreram cortes salariais — não só sofreram como os cortes foram reforçados com a perda dos subsídios de férias e de Natal, posteriormente consideradas inconstitucionais, mas nunca devolvidos —, ou falar em contagem retroativa do tempo de serviço — não é o caso, exige-se a contagem integral, mas apenas com implicações para o futuro —, mas a sua questão é ética. Argumenta que há um problema de equidade com os restantes funcionários públicos, que também viram as suas carreiras congeladas e não as recuperaram — o que é verdade para algumas carreiras especiais, mas não para a carreira geral, que teve o seu tempo de serviço reposto. Apesar das imprecisões, é verdade que outras classes profissionais sofreram bem mais. Houve quem fosse parar ao desemprego e nunca recuperasse o salário anterior, quem emigrasse, quem fosse à falência, etc. A haver indemnizações, argumenta, estes teriam bem mais direito a elas.
Repor o tempo de serviço dos professores terá um custo anual de €330 milhões. Face ao desencontro entre procura e oferta, é uma bagatela
Entendo a indignação. E junto outra: as greves nas escolas lançaram muitas delas no caos, o que, depois dos anos de pandemia, é um crime sem perdão. São centenas de milhares de crianças com um futuro pior por causa do caos causado.
Mas, por mais questões éticas que levantemos, não se pode querer governar contra a lei da oferta e da procura. Lamento, governar contra ela é como construir aviões sem respeitar a lei da gravidade. Podemos achar pouco ético que os aviões caiam, mas, se a sua conceção e construção não respeitar a lei da gravidade, caem mesmo.
Não há professores suficientes. Há milhares de alunos sem todos os professores. A escassez agravar-se-á com as dezenas de milhares de professores que se reformarão nos próximos anos, porque são poucos os jovens inscritos em mestrados que deem acesso à profissão. Para ver a dimensão do desequilíbrio, basta olhar para a Matemática. Até ao final da década, só para o Ensino Secundário e o terceiro ciclo do Básico, é necessário contratar mais de 1500 professores. No ano passado, inscritos em mestrados que dão acesso à docência de Matemática eram 53. A procura excede não sei quantas vezes a oferta. Por mais considerações éticas e morais que se façam, um desequilíbrio destes só se corrige aumentando os preços, ou seja, os salários. É a TINA: There Is No Alternative to improving the salary conditions of teachers.
Seja porque ensinar se tornou muito desagradável por causa da burocracia absurda a que os professores estão sujeitos, ou porque não estão para ser tratados como tarefeiros nas escolas, ou porque o prestígio da profissão está nas ruas da amargura, ou seja pelo que for, a verdade é que a carreira não atrai ninguém. E precisa de atrair dezenas de milhares de novos docentes para substituir as dezenas de milhares que se reformarão.
Os professores podem estar a perder a opinião pública, permitindo a António Costa não ceder muito sem grandes custos políticos. Mas o problema ficará por resolver. Claro que há outras formas de aumentar a oferta de professores. Pode-se tornar a profissão mais agradável: resolvendo o drama dos que andam de casa às costas durante décadas ou diminuindo a burocracia a que estão sujeitos e os relatórios que têm de fazer, podendo concentrar-se no que gostam, ensinar. Pode-se modificar as qualificações necessárias, por exemplo, deixar de exigir um mestrado em educação, aceitando outros e remetendo a formação pedagógica para as escolas, talvez recuperando os estágios pedagógicos com turma atribuída, que já existiram no passado. Ou até reduzir as qualificações necessárias, o que nem seria inédito — a figura das regentes das escolas primárias foi criada para lidar com a insuficiência de professores no Estado Novo.
Com uma escassez tão grande, é, contudo, muito improvável que medidas como as descritas acima sejam suficientes. As últimas contas indicam que repor o tempo de serviço dos professores terá um custo anual de €330 milhões. Face ao atual desencontro entre procura e oferta, é uma bagatela — tanto assim é que nos Açores e na Madeira o problema está resolvido há muito. Aliás, suspeito que serão mesmo insuficientes. Para as necessidades que temos, ou investimos bem mais nas carreiras dos professores ou mais vale desistir da escola pública. Tem o seu quê de irónico que seja um Governo socialista a fazê-lo. Mas a ironia não resolve nada.
LUÍS AGUIAR-CONRARIA – Professor de Economia da Universidade do Minho
May be an image of 1 person and text that says "Para as necessidades que temos, ou investimos bem mais nas carreiras dos professores mais vale desistir da escola pública Aforça dos professores última edição, Miguel Tavae Básico, necessário 00professores rados docência isAguiar-Conraria mai orrige desagradável profissão prestigio substituir Ss milhares Antonio formas Repor tempo serviço dos professores terá custo anual €330 milhões. Face desencontro entre procura oferta, uma bagatela que teriam r-se com centenas pedagogica Podemos olhar está resolve socialista"
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MIGUEL SOUSA TAVARES NÃO GOSTOU NADA DE RABO DE PEIXE

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37 m
Depois de tanta promoção, lá fui espreitar o “Rabo de Peixe”, a segunda produção portuguesa a ter honras de Netflix. E, tal como com a primeira, a decepção foi absoluta. Os velhos e maus hábitos do cinema português persistem, nada aparentemente se tendo aprendido com as boas experiências alheias. Uma história muito mal desenvolvida, com ligações por fazer ou sem sentido, uma incapacidade recorrente de conseguir contá-la através só dos actores, lá tendo de vir o inevitável e pré-histórico narrador, descrevendo até emoções e sentimentos dos personagens, e, por fim, claro, também o incontornável som digno dos tempos do cinema pós-mudo. Lastimável mistura entre som ambiente e som directo, inenarrável captura do som das falas, não se percebendo nada do que os actores dizem, excepto os palavrões, que, talvez para compensar, são gritados e frequentes. Caramba, como é ainda possível fazer-se tão mal? E como não há um crítico que se atreva a dizê-lo? OK, esta é a minha opinião e de quem só esforçadamente aguentou dois episódios, mas há-de haver alguém mais que pense o mesmo. Ou não: aquilo é magnífico?
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
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