poesia ANTÓNIO GEDEÃO

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Ei-lo aqui, puro, inteiro, íntegro o exaltante «Poema da Malta das Naus», do grande António Gedeão / Rómulo de Carvalho, simultaneamente excelso na arte literária como na Ciência, categoria sumamente rara, dir-se-ia uma dádiva dos deuses, só a poucos concedida…
POEMA DA MALTA DAS NAUS Lancei ao mar um madeiro, espetei-lhe um pau e um lençol. Com palpite marinheiro medi a altura do sol. Deu-me o vento de feição, levou-me ao cabo do mundo. Pelote de vagabundo, rebotalho de gibão. Dormi no dorso das vagas, pasmei na orla das praias, arreneguei, roguei pragas, mordi peloiros e zagaias. Chamusquei o pêlo hirsuto, tive o corpo em chagas vivas, estalaram-me as gengivas, apodreci de escorbuto. Com a mão esquerda benzi-me, com a direita esganei. Mil vezes no chão, bati-me, outras mil me levantei. Meu riso de dentes podres ecoou nas sete partidas. Fundei cidades e vidas, rompi as arcas e os odres. Tremi no escuro da selva, alambique de suores. Estendi na areia e na relva mulheres de todas as cores. Moldei as chaves do mundo a que outros chamaram seu, mas quem mergulhou no fundo do sonho, esse, fui eu. O meu sabor é diferente. Provo-me e saibo-me a sal. Não se nasce impunemente nas praias de Portugal. ANTÓNIO GEDEÃO
POEMA DA MALTA DAS NAUS
António Gedeão
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
Pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
ANTÓNIO GEDEÃO
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“culturas lusófonas”

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Lembrando-me da reportagem do Jornalista Herberto Gomes sobre o 6 de Junho de 1975 produzida em 2013, para que “o outro lado” da história seja contada, publica-se aqui esta reportagem de Emanuel carreiro datada de 1991.

Trabalho de Emanuel carreiro –

https://www.youtube.com/watch?v=vYx6orE4U20&feature=youtu.be

http://youtu.be/vYx6orE4U20

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Sobre o 6 de Junho - Importa comparar as duas abordagens jornalísticas e relembrar os verdadeiros fatos Lembrando-me da reportagem do Jornalista Herberto Gomes sobre o 6 de Junho de 1975 produzida em 2013, para que "o outro lado" da história seja contada, publica-se aqui esta reportagem de Emanuel carreiro datada de 1991. Trabalho de Emanuel carreiro - http://youtu.be/vYx6orE4U20 Trabalho de Herberto Gomes - http://www.rtp.pt/acores/?article=32472&visual=3&layout=10&tm=7
Sobre o 6 de Junho - Importa comparar as duas abordagens jornalísticas e relembrar os verdadeiros fatos Lembrando-me da reportagem do Jornalista Herberto Gomes sobre o 6 de Junho de 1975 produzida em 2013, para que "o outro lado" da história seja contada, publica-se aqui esta reportagem de Emanuel carreiro datada de 1991. Trabalho de Emanuel carreiro - http://youtu.be/vYx6orE4U20 Trabalho de Herberto Gomes - http://www.rtp.pt/acores/?article=32472&visual=3&layout=10&tm=7