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Meninas vendem-se por menos de 90 cêntimos para sobreviver à fome em Angola – África – Correio da Manhã

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Crise tem contribuiu também para o aumento dos casos de rapto e casamento infantil em África.

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ANGOLA AS MULHERES DE SAVIMBI

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ENVOLVERAM-SE COM ELE E ELE AS MATOU!

Por: Sousa Jamba

A UNITA, na pessoa do seu presidente, Jonas Malheiro Savimbi (JMS), demonstrou com uma estrutura de poder, marcada por nuances tradicionais e por querelas palacianas, pôde colocar a mulher nas situações mais extremas e caricatas. Para a questão em análise, não se trata de um conflito entre a instituição da família tradicional, assente na poligamia, e a moderna, que postula pela família monogâmica com os valores a si adstritos. Trata-se do uso, do abuso e da coisificação da mulher, em consequência de um poder autocrático que por vezes, e não foram poucas, mostrou ter perdido o controlo da situação.

As mulheres de Jonas Malheiro Savimbi dividem-se em aquelas que mais amou – e assumiu como “primeira-dama”, mas que também, por razões que se desconhecem mais odiou -, as amantes, que teve filhos com algumas delas, e outras, fruto de relações fortuitas, cujo segredos elas guardam a sete chaves.

A primeira mulher com a qual JMS teve uma relação aparentemente normal, foi Estela Maungo, (uma sul-africana, pouco falada e quase desconhecida) de cuja relação nasceram Nanike Sakaita (actualmente a viver em Acra com o marido Ganês), Helena Ndumbu Sakaita (que vive em Ile-de-France) e Rosa Chikumbu Malheiro (que reside nos Estados Unidos da América). Destas filhas, a destacar apenas Nanike pelo desentendimento com o pai por discordar do seu relacionamento com Sandra Kalufele.

Vinona Savimbi foi a primeira mulher assumida por JMS como primeira-dama, sobretudo na véspera da independência e nos anos que se seguiram. Mulher discreta, pouco ou quase nada reza sobe ela.

O que Vinona Savimbi não previu, na altura, foi o fim que a esperava assim como a utilização, pelo MPLA, dos seus filhos contra o pai. Vinona teve três filhos com JMS, dois dos quais se tornaram famosos pelo facto de o MPLA os ter utilizado para justificar, aos olhos do país e do mundo, a “necessária eliminação física de Jonas Savimbi”. Estes filhos são Araújo Domingos Sakaita, que foi coagido a ir a Luanda, em 1999, a partir de Lomé Togo (vive em Luanda e padece de perturbações mentais) e Anacleto Kajita Ululi Sakaita (vive actualmente em Luanda) que, em 2000, apenas com quinze anos foi obrigado pela Segurança do MPLA (Serviços de Inteligência Externa) a seguir as pegadas do irmão a partir de Abijan. Muito associado aos filhos de Vinona está um outro filho de JMS, Eloi Sassandaly Sakaita.

Não se sabe ao certo quais foram as divergências entre Vinona e Jonas Malheiro Savimbi embora se suspeite de este ter estado por detrás da sua morte em 1984. As opiniões dividem-se entre os que afirmam que ela se suicidou, os que dizem ter morrido num incêndio que devastou a sua cubata e os que dizem que, acusada de feitiçaria, sucumbira na queima das bruxas, sobre liderança de Savimbi. Talvez chateado com os feitos do pai, Araújo Sakaita havia dito a TPA naltura que “sem Savimbi não haverá guerra em Angola” ou seja a morte do pai era necessária.

Muito antes da morte de Vinona, já haviam surgido no seio da UNITA alguns sinais de lutas pelo poder, algo legítimo e normal em qualquer organização política não fosse o facto de estas terem tido, pelo meio, problemas de mulheres. Foi o que sucedeu em 1981 quando, pela primeira vez, se falou duma intentona para destituir Jonas Savimbi, cujos cabecilhas eram Valdemar Pires Chindondo, Ornelas Sangumba e Samuel Chiwale. Os contornos dessa acusação viriam, no entanto, a ser questionados pelo facto de, logo após o assassinato de Valdemar Pires Chindondo, a sua esposa Alda Juliana Paulo Sachiambo “Aninhas” e o filho passarem a fazer parte do clã Savimbi. Foi também sintomático o facto de Aninhas ter sido eleita como Presidente da Organização Feminina da UNITA (Lima) em 1984 ano em que morreu Vinona Savimbi.

Em paralelo com estes acontecimentos, Jonas Malheiro Savimbi afeiçoava-se a uma outra mulher, cujo desfecho foi o mais trágico de sempre e marcou, pela negativa, a história da UNITA e beliscou, como nunca, a sua imagem. E não é de descurar a hipótese de a recusa de JMS a um exílio dourado, também esteja condicionada aos acontecimentos que andaram à volta desta mulher. De nome Ana Paulino, natural de Kachiungo, província do Huambo, era uma jovem elegante, linda e inteligente que através de uma bolsa patrocinada pelos serviços secretos franceses, tirou, em Paris, um curso de Secretariado. Ana era noiva de Tito Chingunji.

De regresso a Jamba, Jonas Savimbi viria a arrebatá-la da forma mais insensata, desafiadora e altiva. Ao arrepio dos tormentos de Tito Chingunji, JMS converteu Ana Paulino na primeira-dama com a qual passou a ser vista nas capitais da América e da Europa.

Da relação entre Jonas Savimbi e Ana Paulino nascerem cinco filhos que vivem quase todos na França. Um deles é Dório de Rolão Preto Sakatu Sakaita, com o qual Savimbi nutria uma grande devoção e confidenciou, via satélite, na véspera da sua morte.

Se Jonas Malheiro Savimbi não teve problemas políticos com os filhos nascidos desta relação, o mesmo não sucedeu com as suas cunhadas, sobrinhas de Ana Paulino Savimbi.

A primeira foi Raquel Matos, que, aquando da ida de Ana Paulino (tia), à França, Savimbi amigou-se com ela e, mais tarde libertou-a, enviando-a para Londres a fim de fazer um curso superior. Raquel Matos é, nada mais nada menos que Romy, a esposa de Tito Chingunji, que acabaria por morrer com ele, nos anos 90. Pelo sim e pelo não, as peripécias à volta dos familiares de Ana Paulino não terminaram por aí. Savimbi matou o Casal.

Depois da relação com Raquel Matos, JMS estabelece uma nova relação com outra sobrinha de Ana Paulino, Navimibi Matos, com a qual teve uma filha, Celita Navimibi Sakaita. Navimbi Matos acabaria por morrer em 1981, queimada viva, num dia em que Savimbi dizia que ficaria na história da UNITA como o “Setembro Vermelho”, mas que condicionou sobremaneira a imagem da própria UNITA, ou seja, a queima das bruxas.

Como não há duas sem três, Jonas Savimbi viria, numa fase em que a idade, o cansaço da guerra, e as frustrações o afectavam, sobretudo as suas faculdades mentais, a atirar-se a uma outra sobrinha de Ana Paulino Savimbi, Sandra Kalufelo (com a qual teve um filho, Muangai), na altura, uma simples adolescente. O mais caricato foi que Jonas Savimbi, algo impensável no passado, chegou a atribuir a Sandra alguns poderes financeiros e mesmo militares. E seria esta Sandra que mais tarde, ao criar uma série de intrigas, acabaria por influenciá-lo na morte da tia, Ana Paulino Savimbi. Recorde-se que esta foi enterrada viva numa toca de animais, logo depois da perda do Bailundo e do Andulo, por JMS também recear que viesse a ser capturada pelas tropas das FAA.

Outras mulheres não menos importantes para Jonas Malheiro Savimbi foram: Catarina Massanga (Mãe Catarina) que vive actualmente em Luanda no Projecto Nova Vida. De etnia Chokwe, e natural do Moxico, granjeia até ao momento um grande respeito por parte dos membros dessa organização política que a consideram uma mulher de grande dignidade. Catarina Massanga teve um filho com Jonas Savimbi, Rafael Massanga Sakaita Savimbi, nomeado este ano 2013 secretário nacional para a Mobilização Urbana do partido do Galo negro é visto por alguns como uma promessa para a futura liderança política da UNITA.

Outra mulher é Valentina Seke, provavelmente a menos falada, mas que ficou conhecida por ter estado com Jonas Savimbi no dia da sua morte, ter sido ferida e vista na Televisão subnutrida e aos prantos aquando do funeral do marido.

Outras mulheres de Jonas Savimbi:

ESPOSAS:

a) Catarina Natcheya, é a viúva mais velha de Jonas Savimbi e tem relações de parentesco (irmã) com Toya Chivukuvuku;

b)Cândida Gato, também irmã de Toya Chivukuvuku, foi esposa de Beto Gato, irmão de Lukamba, que teve de se refugiar nos Estados Unidos da América ao notar a aproximação de JMS à sua esposa. Tem uma filha com Jonas Savimbi e, mesmo depois da morte de Beto Gato, ainda continua a viver nos Estados Unidos da América;

c) Teresa, a “escurinha”;

d) Alzira (mestiça de Calulo);

AMANTES:

a) Domingas Pedro (irmã do general Kalias Pedro, vive actualmente em Portugal onde está casada com um S. Tomense);

b) Olinda Kulanda, ex-locutora da Worgan, morreu no Bailundo em 1998, envolta num grande misticismo;

c) Etelvina Vasconcelos (reside actualmente na Suíça depois de passar pela Costa do Marfim, na qualidade de estudante);

d) Lúcia Wandy Lutukuta (foi militar da UNITA);

e) Mizinha Chipongue, trabalhou no protocolo da presidência;

f) Chica; foi oficial da Brinde com a patente de Major;

g) Elsa Matias (uma jovem da Jamba);

h) Kwayela Moreira (mestiça, estudante na Jamba);

i) Maria Ekulika (funcionária do protocolo, apareceu morta de modo estranho);

j) Joana (foi morta por ter transmitido a JMS uma doença sexualmente transmissível;

l) Eunice Sapassa, acusada de feitiçaria, foi morta no processo “Setembro Vermelho” ou “Queima das Bruxas”;

m) Tina Brito, uma mestiça para quem JMS tinha uma afeição muito grande, mas que acabou por ser morta por fuzilamento por se ter recusado em provocar um aborto. Note-se que JMS não queria filhos mestiços;

n) Gina Kassanje, morta por ciúmes;

o) Cândida (morta por ter enviado uma carta de amor interceptada pela Brinde; o) Sessa Puna, ex-esposa de Miguel Nzau Puna. Acabaria por ser morta por ter servido de intermediária entre Cândida e o referido amante,

p) Aurora (acabaria por ser abandonada depois de ter sobrevivido por na altura, não passar de uma adolescente e ser demasiado bela, a uma acusação de feitiçaria, vive agora em Luanda;

q) Edna Álvaro (amigou-se com Savimbi, logo após as eleições de 1992 e viveu com JMS no Bailundo e Andulo, do qual teve um filho).

(Este texto tem 17 anos)
Autor: Sousa Jamba

“A escravatura árabe foi muito mais violenta” | Entrevista | Jornal de Angola – Online

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O antropólogo e economista franco-senegalês Tidiane N’Diaye considera que o tráfico de escravos árabo-muçulmano, realizado durante quase mil anos, ainda não foi reconhecido em toda a dimensão

Source: “A escravatura árabe foi muito mais violenta” | Entrevista | Jornal de Angola – Online

O Governo admite que empresas portuguesas sejam afetadas pelo “Luanda Leaks

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Veronica Gordo “O Governo admite que empresas portuguesas sejam afetadas pelo “Luanda Leaks”, informou ontem o telejornal da RTP1, à hora do jantar. Esta frase é assustadora. O Governo dá por culpada a Eng.ª Isabel dos Santos, desrespeitando a presunção de inocência? Ou o Governo passou de órgão de soberania a organismo de comentador político?

Estas palavras atribuídas ao Governo são uma ameaça sob forma de profecia. Já ontem o grupo Continente, aliado da empresária angolana nas telecomunicações, emitia um comunicado que revelava uma preocupação inadequada a um Estado de Direito. Ontem ao serão, todos vimos na televisão o Dr. José Miguel Júdice, um advogado respeitado, com um ataque de incomodidade, quando Clara de Sousa abordou o tema das suas relações profissionais com a acusada. Melhor dito: da condenada.

Tal como nos dias imediatamente posteriores ao 25 de abril eram publicados nos jornais anúncios do tipo «José Silva (foto) declara não ser o PIDE José Silva», em breve teremos anúncios do tipo «José Silva (foto) declara não ser o José Silva que numa receção o mês passado apertou a mão â Eng.ª Isabel dos Santos».

Está criado um clima de receio decorrente da maciça violação da presunção de inocência. Esse clima só nos prejudica a nós portugueses: nas palavras do governo, seremos nós os prejudicados: empresários e trabalhadores portugueses serão punidos pela falência e pelo despedimento. Mas por que bulas?
Talvez a Eng.ª Isabel dos Santos seja afetada pelo escândalo. Mas como o serão as empresas portuguesas de que ela é acionista? Não se vê como. O “Economista Português” presume que aquela empresária não tem sociedades por quotas nem é empresária em nome individual. As sociedades anónimas só não são imunes à sorte dos seus acionistas quando o Governo as ataca ou os ataca.

Estamos no ponto crucial. O Governo atacará a Eng.ª Isabel dos Santos? Se ataca, como o Governo é a voz da nação, continua a ser a voz da nação, Isabel dos Santos é culpada. Por isso, um bom juiz português, terá que a declarar culpada. Porque os juízes são independentes de pressões individuais mas não são independentes da voz da nação. Nasce aqui o clima de receio: o nosso governo, para obedecer ao politicamente correto vindo de além-Pirinéus, prepara-se para destruir empresas portuguesas.

Não seria a primeira vez: todos nos lembramos que no governo do Dr. Passos Coelho o BES, o grande banco privado português, foi destruído pelo Banco de Portugal (BdP), dirigido então como hoje pelo inefável Costa, Carlos.

A atitude anunciada do Governo português não é ditada por nenhum receito moral ou jurídico. Os ataques à empresária angolana são seguramente guerras dentro da elite angolana pelas propriedades dela e talvez por algo mais, como ontem sugeriu Carlos Matos Gomes. Das acusações que lhe são dirigidas, não vimos nenhuma relativa a atividades ilícitas em solo português. Claro que mesmo assim a PGR deve analisar os “Luanda Leaks”, mas por certo deles nada sairá de positivo que nos respeite.

Se sair, haverá julgamento, quando a opinião pública estiver desintoxicada. Se Angola, o país mais afetado pelas ilegalidades presumidas, assim o entender, enviará pelas vias judiciais o competente pedido para julgar a acusada. O qual não é substituído pela presente campanha de intoxicação e, a existir, será devidamente apreciado.

Ou será que o nosso Governo tomou por suas as guerras político-económicas angolanas?

“O Economista Português” não acredita que estes erros sejam atribuídos ao Dr. António Costa, um homem competente e experiente. Prefere pensar que a preparação do voto final do orçamento não lhe deixa tempo livre para evitar que sejamos colonizados pelas guerras angolanas (e de terceiros desconhecidos), assim como não lhe deu tempo para sopesar que o anúncio de dois novos canais generalistas na TDT (Televisão Digital Terrestre), ocorrida há dois dias, subverte totalmente o campo político e empresarial português.

Irritado com a gritaria da Sr.ª Dona Catarina Martins, António Costa perdeu o leme da nau do Estado?”

in “O Economista Português”, 22.jan.2020

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José Eduardo Agualusa: ″Banqueiros, políticos e empresários. Toda esta gente foi cúmplice de Isabel dos Santos″ – DN

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O escritor angolano José Eduardo Agualusa voltou a Angola esta semana e aterrou no meio do furacão que se vive em Luanda com o processo Luanda Leaks. Encontrou um país muito diferente, onde está a acontecer uma autêntica revolução de mentalidades. Dava um romance, diz.

Source: José Eduardo Agualusa: ″Banqueiros, políticos e empresários. Toda esta gente foi cúmplice de Isabel dos Santos″ – DN

ISABEL DOS SANTOS ‘A BILIONÁRIA CORRUPTA’ – BBC PANORAMA (TRADUZIDO) – YouTube

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https://www.youtube.com/watch?v=GsL_-Mc_LQ4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2Ykb1XfeZmlZcGeleeITpXbHUQU4xu0OByrwNCIg9TZa6wGKk30zsJqmI&app=desktop

Gestor privado de Isabel dos Santos encontrado morto – Mundo – SÁBADO

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Diretor do private banking do Eurobic terá sido alvo de uma tentativa de homicídio a 7 de janeiro. – Portugal , Sábado.

Source: Gestor privado de Isabel dos Santos encontrado morto – Mundo – SÁBADO

Conheça o luxuoso iate de Isabel dos Santos – Mundo – em breve à venda ao desbarato

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Hayken, uma embarcação de 50 metros, custou 29 milhões de euros à empresária angolana.

Source: Conheça o luxuoso iate de Isabel dos Santos – Mundo – Correio da Manhã

A socióloga Tânia de Carvalho analisa o congelamento dos bens “empresária” Isabel dos… 

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Source: (4) Watch – Discover

FAKE NEWS: Mais de 100 crianças acusadas de feitiçaria atiradas aos jacarés em Angola – DN

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Acusadas de práticas de feitiçaria, mais de cem crianças foram atiradas aos rios pelos familiares nos últimos três anos em quatro províncias angolanas. Para serem devoradas por jacarés.

Source: Mais de 100 crianças acusadas de feitiçaria atiradas aos jacarés em Angola – DN

 

DESMENTIDO EM https://blog.lusofonias.net/2020/01/13/desmentida-morte-de-mais-de-100-criancas-acusadas-de-feiticaria-jn/

JORGE ARRIMAR As Terras Altas da Huíla Quando a História e a Literatura se Encontram

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As Terras Altas da Huíla
Quando a História e a Literatura se Encontram

O encontro da História e da Literatura é um tema que me interessa muito, porque me formei em História e esta disciplina tem sido a minha ferramenta de trabalho e, também, porque me tenho servido dela para me envolver no espaço da literatura. Tem sido um tema que me tem levado a estar presente em alguns momentos importantes durante este ano, como a I Conferência Pensar o Sudoeste, realizada pelo Instituto Superior Politécnico da Tundavala, na Huíla (Angola), de 26 a 27 de Setembro e o 1º Congresso Internacional de Angolanística, que teve lugar na Biblioteca Nacional de Portugal, entre os dias 17 e 18 de Outubro.
Angola tem-me interessado mais numa perspectiva literária, mesmo quando a História é chamada ao terreiro da poesia ou da prosa. A Literatura permite-me essa dupla, e para mim mais confortável posição, que é a de ir à História escrita e à Oralidade buscar os elementos que me interessam para trabalhar a minha narrativa ficcional. Assim aconteceu, por exemplo, com a trilogia dos planaltos (O Planalto dos Pássaros, O Planalto do Salalé e O Planalto do Kissonde), que funcionam como janelas da História. Nestes romances pude dar largas à imaginação e intuir o que a História não deixou documentado. O encontro salutar da História com a Literatura pode acontecer sem que os fundamentos daquela sejam postos em causa pela fantasia desta. Só assim, no espaço livre da literatura se pode trabalhar o ambiente, a mentalidade e os comportamentos com independência e a amplitude que a História-ciência não permitiria.
Hoje, os historiadores não se coíbem de usar diversas fontes, mesmo aquelas que, usualmente, ficavam de fora em trabalhos do género. Como nos diz o historiador africano Joseph Ki-Zerbo, conjuntamente com as duas primeiras fontes da história africana (documentos escritos e arqueologia), “a tradição oral aparece como repositório e o vetor do capital de criações socioculturais acumuladas pelos povos ditos sem escrita: um verdadeiro museu vivo. A história falada constitui um fio de Ariadne muito frágil para reconstituir os corredores obscuros do labirinto do tempo. Seus guardiões são os velhos de cabelos brancos, voz cansada e memória um pouco obscura” (Ki-Zerbo – História geral de África I […], 2010, p. 38).
A oralidade é, assim, uma fonte imprescindível pelo que transporta de experiências, de conhecimentos, não só para os historiadores mas também para os escritores. Ela pode ser um veio enriquecedor da Literatura escrita e da História. E acontece, por vezes, chegar o escritor primeiro do que o historiador a esse “veio”, a essa fonte primordial, e, através desta, ao facto histórico. E vários estudiosos da área da História e da Etnologia têm feito referência, através dos anos, à importância da oralidade nas sociedades africanas, em geral, e na angolana, em particular. Da tradição oral bebem os investigadores da História e embebedam-se os criadores de Literatura.
Espreito pela clarabóia da oralidade, debruço-me à sua janela e inspiro-me para a escrita. O poema que se segue, intitulado “As Janelas das Raízes” é uma homenagem minha à memória que nos permite ter consciência do que somos e de onde viemos:

Eu sei que as paredes grossas / da casa onde nascemos / se começaram a construir / no tempo de outras gerações. / E ambos descobrimos isso / quando gatinhávamos / pelas primeiras letras / dos livros mais antigos / que lhe serviam de alicerces. // Ainda os vemos de páginas abertas / no chão húmido da memória, / como se fossem as janelas / das raízes que nos suportam. ”.

E afinal, os “os livros mais antigos” neste poema são os alicerces que se prendem à terra através dos caboucos, que é como se chamam os rasgões feitos no solo onde a casa/memória tem as raízes. Em quimbundo também se chamam cabocos (kabokos) os “homem-memória”, os guardiões da palavra e das tradições, afinal, também eles “as janelas das raízes que nos suportam”.
E é com esse testemunho, com essas memórias, que o escritor muitas vezes recria situações que existiram em tempos idos, podendo até – se engenho e arte não lhe faltar – torná-las vivas e verosímeis. Não sei se este é um caso desses, mas permitam-me que vos revele uma passagem de “O planalto do salalé” (2012, p. 205-206), que recria alguns acontecimentos, como a chegada dos primeiros europeus ao Cuanhama: Magyar, o húngaro do Bié; Brochado, o português de Moçâmedes. Reinava no Cuanhama Haimbili (1811-1858), num tempo perturbado e perturbador, em que a ruptura de uma tradição antiga e fundacional, a da circuncisão dos hambas, leva ao incêndio e abandono do lugar sagrado da Ombala Grande da Ondjiva.
Quem é Haimbili? Quem são Magyar e Brochado? Quem é Ozoro? Pois, são figuras da vida e da História do séc. XIX angolanos. Se de Ladislau Magyar, morador do Bié, e de Bernardino Brochado, morador de Moçâmedes, a História dá conta; já de Ozoro, filha do Soba do Bié e mulher de Magyar, sabemos mais através do belíssimo poema de Ana Paula Tavares (O lago da lua, […], 1999, p. 55), assim como de Naulé, a jovem sobrinha de Mutâmu do Cuanhama, diz-nos mais o romance:
“Os pais […] foram informados da missão sagrada de Naulé e da honra que lhes caberia por fazerem parte do plano de Haimbili: o de salvar o seu povo de um tempo em que seriam governados por sobas não circuncidados, e, por isso mesmo, desprovidos da protecção dos antepassados. As consequências seriam devastadoras… as chimpacas de defesa do Cuanhama ficariam abertas ao voo do salalé e ao avanço do manhéu. [O Planalto do Salalé] .

Afinal, o que vemos desta janela semiaberta da História? Uma missão sagrada de que é encarregada uma virgem, uma vestal (foi assim com todos os povos nos tempos antigos). Mas o seu nome não é importante. Importante é o facto de que, desta vez, não ter sido uma escrava a ser indicada para a missão de guardar o espírito do grande soba, do último a ser circuncidado e por isso a ter o direito de reinar a partir da Ombala Grande da Ondjiva. A missão era de um grau muito superior: preservar a nação, salvar um povo que estava quase a perder a protecção dos antepassados… e se tal acontecesse as chimpacas ruiriam sob o ataque do salalé e o avanço do manhéu. O salalé, a formiga-branca que edifica morros de barro como fortalezas e corrói os paus dos cercados e das chipacas; o manhéu, a formiga negra com cheiro a cadáver, que faz fraquejar as etangas com o odor antecipado da morte. Tudo metáforas, imagens de um tempo que começa a redesenhar-se, dos hambas que deixam de ser circuncidados e da Ombala Grande que é incendiada e abandonada… enquanto os exércitos do Mwene-Putu começam a estar perigosamente perto…

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O que é a lusofonia? JORNAL DE CULTURA ANGOLA

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Cultura | Jornal Angolano de Artes e Letras | 23/07/2019

“O que é a lusofonia? Nos 20 anos da CPLP”

Um artigo de J. Chrys Chrystello, nas páginas 14, 15 e 16

Notícias de Angola Estão a matar a Lusofonia NO 27º COLÓQUIO EM BELMONTE |

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Fonte: Estão a matar a Lusofonia | Folha 8 Jornal Angolano Independente | Notícias de Angola

ESTÃO A MATAR A LUSOFONIA


A vila de Belmonte, Portugal, recebe entre 6 e 9 de Abril a 27ª edição do Colóquio dito da Lusofonia, que conta com a presença – entre 70 convidados – do prémio Nobel da Paz, Ximenes Belo, anunciou hoje a autarquia local. A organização pertence à AICL – Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia.

Éuma presença que muito nos honra, bem como a participação das cerca de 70 pessoas que aqui vão estar nestes dias”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Belmonte, António Dias Rocha, na conferência de imprensa de apresentação desta e de outras iniciativas que esta vila do distrito de Castelo Branco acolherá de Abril a Junho.

Esta edição do Colóquio da Lusofonia realiza-se pela primeira vez numa localidade do interior de Portugal e é organizada pela Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia em colaboração com a Câmara de Belmonte, e conta com o apoio da Universidade da Beira Interior, do Governo Regional dos Açores e da companhia aérea SATA.

A iniciativa integra várias sessões científicas, bem como quatro apresentações literárias, uma sessão de poesia a cinco vozes e três recitais do Cancioneiro Açoriano, e de poetas açorianos, executados ao piano pela maestrina Ana Paula Andrade, que será acompanhada ao violoncelo por Henrique Constância da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

O programa integra ainda actuações da Escola de Música de Belmonte e da Academia Sénior de Belmonte.

Segundo a organização, estarão representados 12 regiões e países, nomeadamente Alemanha, Açores, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Galiza, Índia, Luxemburgo, Portugal e Timor-Leste.

Além de Ximenes Belo, que estará presente a partir de dia 7, a iniciativa também conta com inúmeros palestrantes, como por exemplo José António Salcedo ou João Malaca Casteleiro, e com vários autores, designadamente Urbano Bettencourt, que será o homenageado de 2017.

Salientando que todas as sessões são gratuitas, António Dias Rocha também vincou a relevância deste evento, já que contribui para aumentar a oferta cultural no concelho e na região, bem como para promover o território.

“Esperamos que os participantes possam também divulgar e promover Belmonte quando saírem daqui e esperamos que as pessoas da região possam aderir a esta iniciativa e que nos venham visitar”, disse.

Fica por saber que tipo de Lusofonia é esta que inclui Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Galiza, Índia e Luxemburgo e se esquece de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

A Lusofonia é uma realidade (por muito que digam o contrário todos aqueles que compraram a verdade com o cartão de membro de um qualquer partido ou que a vejam como um mero mercado) que em muito ultrapassa os 250 milhões de cidadãos.

Se assim é, por que carga de chuva o dito Colóquio da Lusofonia dá mais importância à Austrália do que a Angola, ao Canadá do que à Guiné-Bissau, à Índia do que a Moçambique? Ou será que é apenas um colóquio das comunidades portuguesas?

Seja lá porque for, com estas iniciativas a Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia está a contribuir para assassinar a Lusofonia. Não serão os australianos, os canadianos ou os indianos (mesmo que falem português) que vão dar vida à Lusofonia.

Por culpa (mesmo que inconsciente) dos poucos que têm milhões, continuam os milhões que têm pouco à espera que a chamada comunidade lusófona acorde. E ela tarda a acordar porque aparecem estas iniciativas que de lusófonas só têm o nome.

É claro que, como em tudo na vida, não faltarão os que dirão que não é possível entregar a carta a Garcia (será que sabem o que isso significa?), justificando que os correios estão fechados…

Mas não é com esses que se faz a Lusofonia apesar de, reconhecemos, muitos deles teimarem em flutuar ao sabor de interesses mesquinhos e de causas que só se conjugam na primeira pessoa do singular.

Não entendem, nunca entenderão, que a Lusofonia deveria ser um desígnio multinacional. E não entendem porque, de facto e cada vez mais de jure, já nem tirando os sapatos conseguem contar até 12, tal a dependência da máquina de calcular.

Cremos, contudo, que vale a pena continuar a lutar. Lutar sempre, apesar da indiferença de (quase) todos os que podiam, e deviam, ajudar a Lusofonia.

Resta-nos acreditar (continuar a acreditar) que a Lusofonia pode dar luz ao Mundo e que, por isso, não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar.

Se calhar, mais uma vez, estamos a tentar o impossível. Mas vale a pena (até porque a alma não é pequena) já que o possível fazemos nós todos os dias.

 

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Exposição itinerante “Angola: Muxima (coração), desenho e texto”

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From: lgaivao@sapo.pt

Amigos,

A Exposição “Angola: Muxima (coração), desenho e texto”, estará em Belmonte de 2 a 5 abr 2020 no 33º colóquio da lusofonia
Concomitante à inauguração, os autores farão uma palestra sobre o projeto de desenhar a Angola atual tal como é, num contexto sociológico que engloba a história, a didática, a pedagogia tanto quanto o cuidado artístico do urban sketcher Luís Ançã e o do escriba dos textos no registo angolano (luandense) da língua portuguesa, Luís Mascarenhas Gaivão.
Trabalhámos 15 dias em Angola, a muxima abrindo espaços de cumplicidade com o povo nas ruas da cidade (zungueiras, meninos, agentes, estudantes, mboas) ou nos recantos imprevistos do sertão e de todos os municípios da Província de Luanda.
Queremos ter os amigos juntos a nós e pedimos que desmultipliquem pelos conhecidos e nas redes sociais este convite, sobretudo pelos que são angolanos de nascimento ou angolanos pela muxima, neste caso cheia de cazumbis africanos.

Luís M. Gaivão e LuísAnçã
11/01/2017