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Alan Bond, who helped Australia win the America’s Cup but became one of the country’s biggest corporate criminals, dies aged 77.
Fonte: Alan Bond: Disgraced Australian entrepreneur dies aged 77 – BBC
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Alan Bond, who helped Australia win the America’s Cup but became one of the country’s biggest corporate criminals, dies aged 77.
Fonte: Alan Bond: Disgraced Australian entrepreneur dies aged 77 – BBC
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Três dias de luto nacional. Funeral de Estado no Jardim dos Heróis em Metinaro na sexta-feira para últimas despedidas a Fernando Lasama de Araújo.
Ministro do Estado Coordenador dos Assuntos Sociais e Ministro da Educação
RIP cry emoticon

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo – O meu testemunho sobre o SENHOR DR.FERNANDO “La Sama” de ARAÚJO
Acabou de falecer no dia de hoje, pelas 8.45 h locais, no Hospital Nacional “Guido Valadares”, em Díli o senhor Dr. Fernando Araujo, mais conhecido com o nome de La Sama”. Desde fevereiro do corrente ano que era membro do VI Governo Constitucional, como Ministro de Estado, Coordenador de Assuntos Sociais e Ministro de Educação da Republica Democrática de Timor-Leste.
Ao Governo timorenses, à Família, ao Partido Democrático, à Renetil e ao povo de Ainaro, apresento as minhas mais sentidas condolências.
Fernando de Araújo nasceu em Mano Tasi, concelho de Ainaro, então no Timor Português, a 26 de fevereiro de 1963. Ainda adolescente, frequentou a escola na vila de Ainaro. Viu surgir os partidos políticos em 1975 e acompanhou os acontecimentos do Golpe de Estado da UDT e contragolpe da Fretilin. Foi testemunha da invasão das Foças Armadas Indonésias e a ocupação de Ainaro pelos soldados indonésios. Completados os estudos do “SMA”, foi continuar os estudos superiores em Denpasar, Bali.
Oriundo de uma região de “Kaladi Assuwa’in” que no passado lutaram contra os ocupantes estrangeiros, Fernando de Araújo não podia ficar de braços cruzados contra as injustiças e abusos de direitos humanos em Ainaro e Timor Timur. Empenhou-se na luta da defesa dos direitos do Povo timorense. A sua luta não decorreu nas florestas de Mano Tasi ou Soro Karaik; não desenvolveu guerrilha nos contrafortes de Ramelau ou Surulau, nem nos precipícios de Mauchiga, Nunomogue, ou Aituto; não enfrentou os “Bapaks” nas planícies de Cassa ou Zumalai… A guerrilha que Fernando “La Sama” desenvolveu foi nos ambientes das escolas e nas Universidades em pleno território indonésio. Adotou como nome da guerrilha “urbana” o nome La Sama, em Tétum, e que significa, “ninguém me pise a cabeça”, ou seja, ninguém nos pode pisar a dignidade.
Em 1988, com outros “mahasiswa/mahasiswi”, “timor oan assuwa’in”, fundou a Resistência Nacional de Estudantes de Timor-Leste (RENETIL), tornando-se secretário-geral. Desta frente estudantil e universitária. Começaram as manifestações e os assaltos às embaixadas estrangeiras em Jakarta. Em 1991, foi enviado para a prisão de Cipinang (Jakarta), onde se encontrava o Comandante Xanana Gusmão.
Desde o ano 2002 que vem desenvolvendo a sua Acão como presidente do Partido Democrático, como membro do Parlamento Nacional e como membro dos sucessivos governos constitucionais.
O Senhor Fernando La Sama de Araújo morreu vítima de uma trombose com derrame cerebral. Que Deus Nosso senhor o recompense pelo seu generoso trabalho em favor da Nação Timor Loro Sa’e. A sua vida de serviço e dedicação à Res Publica é um exemplo para as futuras gerações de “loricos assuwain”. Honremos a memória dos nossos heróis e daqueles que trabalharam pela independência da nossa querida Pátria. Viva Ainaro! Viva Timor Loro Sa’e!
Porto, 2 de junho de 2015
Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, Prémio Nobel da Paz 1996.
Triste e revoltada.
A vida tem momentos em que determinados acontecimentos nos remetem à nossa verdadeira insignificância de seres que somos, De um momento para o outro vimos partir de uma forma abrupta alguém que sofreu as agruras da luta pela independência de Timor-Leste tendo estado inclusivamente enclausurado nas masmorras de Cipinang porque a única coisa que queria e defendia nos tempos da sua juventude era ver o seu Timor-Leste independente. com uma carreira política notável desde, Presidente de um partido polícito de gente jovem, o Partido Democrático, foi Presidente do Parlamento Nacional, foi durante alguns meses Presidente interino da República de Timor-Leste, foi vice-Primeiro Ministro e agora enquanto desempenhava as funções de Ministro de Estado Coordenador e ministro da Educaçao parte de uma forma repentina, o seu estado de saúde era de tal forma grave que nem se quer teve a chance de poder a vir a ser evacuado para outro País qualquer mais próximo . Neste momento de luto só nos resta rezar pelo seu eterno descanso.
Pode ter sido o seu destino… no entanto peço que todos nós juntemos e apoiemos os nossos governantes para que reforcemos as condições do nosso hospital para que os nossos brilhantes médicos tenham todas as condições para dar assistência apropriada a quem necessita.
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de diálogos lusofonos se transcreve
Fado Alvim (Dedicado a Fernando Alvim)
Enviado por: Margarida Castro <margaridadsc@yahoo.com>
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Morreu coronel Morais da Silva, ex-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
por LusaOntem
Morais da Silva em 1975
Morais da Silva em 1975 Fotografia © Arquivo DN Continuar a ler Morreu coronel Morais da Silva, ex-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
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Morreu Sousa Veloso, o rosto do “TV Rural”
27.11.2014 – 09:59 , atualizado 27.11.2014 – 10:11
em atualização | Morreu Sousa Veloso. Engenheiro agrónomo, ficou conhecido do grande público ao apresentar o programa TV Rural, durante três décadas, na RTP.
Arquivo Continuar a ler MORREU SOUSA VELOSO, DA TV DE OUTROS TEMPOS
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Morreu Gabriel Garcia Marques
Adeus Gabriel García Márquez
Partiu um dos melhores escritores latino-americanos do século XX.

“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me
presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que
pudesse…
(….)
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol,
deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
(…..)
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com
o esquecimento.
(….)
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão,
pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
(…..)
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente
de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa,
infelizmente estarei morrendo.
(…..)
Gabriel Garcia Marques
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Morreu Manuel Medeiros Ferreira, autor de “Ilhas de bruma”, um “hino não institucional”, escrito há 30 anos num dia em que “não se via nada e as gaivotas vinham mesmo beijar a terra.” Goste-se ou não de falar das brumas destas ilhas, certo é que com esta canção, “corremos mundo”. Sinto muito. ouvi-o tocar para nós, ao vivo no Moinho terrace Café de Porto Formoso quando ali celebrámos os 35 anos de abril…





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V
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Morreu Lancelote Rodrigues, o padre em Macau que era conhecido como o padre dos refugiados, começou o seu trabalho comunitário em prol de gente que chegava a Macau à procura de um porto de abrigo em 1950.
Leia mais em:
http://noticias.sapo.tl/


| Faleceu Padre Lancelote Rodrigues em Macau,
Manifesta a Korsang di Melaka a perda física do padre Lancelote, transcrevendo a publicação a 08 julho 2008, Macau, China (Lusa) – A entrada de Malaca para a lista de tesouros da Humanidade da UNESCO é uma “honra para todos os malaqueiros”, disse à agência Lusa em Macau o padre Lancelote Rodrigues, natural de Malaca. Também o presidente do instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, manifestou a dor profunda com a noticia. “Quem o conheceu de perto sabe que a vida em Macau nunca mais será a mesma para com quem ele convivia e partilhava a alegria de viver e a vontade de servir e abraçar causas nobres”. O padre Lancelote Rodrigues, natural de Malaca e a residir em Macau desde 1935, onde chegou com 12 anos, morreu hoje 17 de Junho no Hospital Kiang Wu, noticiou a Rádio Macau. |
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FALECEU ARISTIDES ÂMBAR
…
Faleceu hoje às 9 horas da manhã de insuficiência cardíaca, no hospital de Ponta Delgada, Aristides Âmbar Raposo, um dos maiores artistas plásticos da atualidade. Natural dos Açores, Aristides Âmbar, impôs de forma natural, desde a adolescência, a sua genealidade, reconhecida pelas grandes vultos da pintura no nosso país e para além fronteiras para onde foram muitos dos seus quadros.
O reconhecimento veio também, felizmente ainda em vida, pelo Presidente da República Prof. Cavaco Silva, que há dois anos o agraciou, numa homenagem nacional, com o grau de Comendador da Ordem de Mérito.
Sendo um dos maiores retratistas do nosso tempo, desenhava um retrato como poucos. E, como se sabe, pintores há muitos, retratistas há muito poucos. Desenhou também, com uma sensibilidade quase extra-sensorial, naturezas mortas, reproduzindo sobremaneira a beleza dos verdes das nossas montanhas e vales, como o espelhado das nossas lagoas, jardins, parques e flores.
Aristides Âmbar era natural da freguesia de São José, em Ponta Delgada. Tinha dois filhos, o Tim e a Tina, deixando ainda uma neta, Bárbara, mais conhecida por Baguinha, bem como muitos amigos que o veneravam, pessoal e profissionalmente.
As artes nos Açores ficam mais pobres a partir de hoje com a partida deste enorme vulto do retrato.
O corpo de Aristides Âmbar estará em câmara ardente na ermida do crematório do cemitério de São Joaquim em Ponta Delgada.
À família, nesta hora difícil, endereçamos os nossos sentidos pêsames.

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508 maia [ao daniel de sá] (pico 9 agosto 2011)
das penedias da tua maia
avistas o mar
teme-lo
afugenta-lo
com tuas palavras
narras histórias antigas de encantar
contas lendas de tempos que não vivi
habito lendas que ainda não leste
escrevo o que vivo e sinto
da janela do meu castelo
voltado ao grande oceano
à ilha mágica da autonomia
em nevoeiro de s. joão
s. miguel vive em terra
costas voltadas ao mar
por vezes tenho de o largar
da minha lomba
o mar não temo
nem repelo
nem suas águas em descabelo
nem suas terras de tremores
convulsões
medos, pavores, temores
audacioso ou petulante
abro-me ao seu encanto
enleiam-me adamastores e sereias
e me embalam
deixo-me seduzir
sem atropelo
vogo nas ondas
as correntes me levam
velas enfunadas
ao sabor da maré
nem sei quantos
dias, meses ou anos
andei marejando
sem destino
sem vocação
arribo noutra ilha
mística
mágica
abrigo-me na sombra
de seus cumes
vulcões endormidos
no magnético pico
crio este sortilégio
sem bruxas
nem feiticeiras
curandeiras
mezinheiras
macumbeiras
noutros tempos era astrologia
contavas tu daniel
seus segredos sem papel
hoje é apenas
e já
poesia.
saravá poeta amigo
**************
589. 28 maio 2013
a dama de gaze veio na bruma
sorrateira, silente, sem avisos
com passos de veludo
e mensagem nas mãos
trazia apenas um título
escritor, maia
assim, sem mais delongas
sem discutir nem tergiversar
levou o autor
ficamos todos mais pobres e sós
teremos de o reler
e de novo cavaquear
terçar argumentos
e quando a bruma voltar
lembraremos o daniel de sá
que a dama de gaze levou.
****************************
http://www.lusofonias.net/doc_download/836-lagoa-2009-rtp-1-hora.html
MESA QUADRADA COM DANIEL DE SÁ, CRISTÓVÃO DE AGUIAR, MALACA CASTELEIRO E CHRYS CHRYSTELLO NA RTP AÇORES 2009
videos.sapo.pt
faleceu Daniel de Sá
em memória do escritor Daniel de Sá
as nossas homenagens estão em
http://www.lusofonias.net/doc_download/759-caderno-02-daniel-de-sa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/959-suplemento-2-daniel-desa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/1532-daniel-de-sa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/488-declaracao-amor-daniel-de-sa.html entre muitos outros textos…
videos.sapo.pt
*******
dl.dropboxusercontent.com
*******************
Em “DA” (“Diário dos Açores”, Ponta Delgada, 29.05.2013)
e em “Os Sinais da Escrita”:
http://
————–
Visualização e Download do “DA”:
http://we.tl/hZFVdsLsnH
http://we.tl/CLHoZxZ3AS
Chrys Chrystello,
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Em dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br, Margarida Castro <margaridadsc@...> escreveu
"casa_amadis_montpellier October 23, 2011 3:51 PM CASA AMADIS Lusophonie / Lusofonia CASA AMADIS Lusophonie / Lusofonia Messages inclus dans cette sélection (1 Message) 1. CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA De : Casa Voir tous les thèmes | Créer un nouveau thème Message 1. CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA Envoyé par : "Casa" amadis_montpellier@... amadis_montpellier Samedi 22. Octobre 2011 21:53 CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA «Mim já'm bá pa nha terra » « Sexta-feira», disse entrelaçando os dedos, um olhar de menino encabulado. E carregou : â€" « se Deus quiser! » Sexta-feira, 21 de outubro. Todos os argumentos foram poucos para convencer a Cise a atardar-se ainda algum tempo em Paris â€" simples precaução depois desse grande solavanco que a levou de urgência, sem fala e quase sem fôlego, ao hospital La Pitié-Salpétriè re. No primeiro dia deu água pela barba ao corpo médico que chegou a t(r)emer pela sua sobrevivência. Graças a Deus o pior também foi curto â€" uff ! De coração generoso, quem a conhece sabe que nunca foi de muitas falas, a Diva dos Pés Descalços. No palco canta e encanta, mas falar, nem por isso. Agora, não convém provocá-la: « Sabes, Cesária, que és a voz das as mulheres sem voz ? » E ela : - « Ah ! psuda !, mim nha voz ê d'meu! ». E outra vez : que mensagem tinha a passar às mulheres japonesas ? - « Ês bá desinrascá ! » Nem mais. É assim a Cise : se a sua humildade faz o seu charme, que dizer desse seu humor natural com que empolgou palcos e plateias? Com os amigos, Cise deixa falar o coração. Agora, se for para convencê-la de alguma coisa, melhor mesmo é passar ao largo! «Cis txa'me bá pa nha terra » - e ninguém fala mais nisso ! Se existe uma pessoa que funciona ao « feeling », essa pessoa é Cesária Évora. Autêntica e sincera, suas francas gargalhadas têm essa espontaneidade de criança que às vezes nos falta a nós-outros, submetidos que vivemos à ditadura da aparência que a vida em sociedade cruelmente nos impõe. Uma mulher de carácter, ou a força da humildade Mas não nos iludam as aparências ! Por trás dessa inocente serenidade existe uma mulher de pulso e de carácter, impondo-se por essa rara virtude que é a humildade, paradoxalmente o segredo e a fonte da sua força. Conta quem sabe que essa força « inocente » pode traduzir-se em caprichos nem sempre muito fáceis de gerir… disso falarão aqueles que, por razões profissionais ou afectivas, estejam investidos dessa missão. Na tarde do seu último domingo em Paris, no lar familiar onde se instalou para convalescer, ainda veio à baila, assim muito a medo pa'l ca bá chatiá, se não seria melhor esperar mais um pouco, o que achas Cise, antes de regressares de vez a Cabo Verde… E a mesma resposta categórica: - «Já m'crê bá'mbora, m'ca tem más nada k'fazê li». Traduzindo : a dúvida ao seu dono , eu cá já decidi. E ponto final! Escusado insistir. Nem mesmo a Fantcha, jovem cantora nossa, uma espécie de filha espiritual vinda para a ocasião da América, logrou ir mais longe. Uma amiga segreda-me ao ouvido, a propósito de uma feliz e inesperada visita : - « Um belo dia, ligou-me que ia a caminho da minha casa… quando au já desesperava de a convidar sem resultado ! Cise não se convida, é deixá-la que vem sozinha ». Caprichos de star ? Nada disso, Cise é assim mesmo! Nos anos oitenta, era ela uma cantora do Mindelo como tantas outras, e eu, jovem jornalista da Rádio, lembro-me ainda: o que não suávamos para conseguir levá-la ao estúdio para uma entrevista ! Melhor mesmo era ter à mão uma alternativa para a emissão, sabendo que tanto podia vir como não ! Mas caprichos de star, isso nunca ! Quanto mais não seja porque Cesária não era star nessa altura e sequer sonhava vir a sê-lo. E se hoje é quem é, nem por isso deixou de ser quem era! Por mais que falem dela em jornais e livros, que por onde passa as pessoas se extasiem e lhe estendam o tapete vermelho, Cesá ria nunca entrou na pele dessa vedeta planetária que ouve dizer que é! Tirando as rugas do tempo e os adornos em ouro que sempre afeccionou â€" e isso é muito caboverdeano, â€" quem a viu há 30 anos, assim a vê agora : igual a si mesma, fiel aos seus hábitos e aos amigos de sempre. Assim o enfatizou Christine Albanel, ministra da Cultura, ao outorgar-lhe, em nome do Presidente da República Francesa, a Legião de Honra em 2009 : « Ni vos nominations aux Grammy awards, ni vos Discs d'or, ni la présence de Madonna aux premiers rangs de vos concerts new-yorkais n'ont réussi à entamer votre authenticité, votre vérité qui ont forgé votre succès ». Com essa mesma simplicidade, agora inspirando alguma emoção por causa da doença, fomos encontrar a Cise no seu leito de hospital, eu e mais o encarregado de negócios António Lima. Éramos portadores de uma mensagem de Sua Excia o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca, que ela agradeceu, comovida quanto baste mas nem por isso envaidecida. Tampouco se envaidece de ter recebido uma carta do presidente Sarkozi. Cesária é simplesmente única. E as honras, cuidado porque, se mexem com ela, até as declina! Quem não se lembra do avião que ia levar o seu nome mas que ela recusou ir baptizar por, numa das suas viagens, lhe terem faltado as suas bagagens no desembarque? ! Fez finca-pé, disse que não ia - e não foi! Para os amigos, aqueles que convivem de perto com a Cise ou a frequentam na sua casa em S. Vicente, a coisa é outra : cachupada, bom humor, cavaqueira descontraٌí da. Visitar a Cesária, verdadeira « peregrinação » para certos fãs, é impregnar-se da morabeza caboverdeana. Aqueles que conheço regressaram embevecidos com a simplicidade dessa vedeta mundial de lenço e avental, servindo seus convidados como Cristo lavando os pés aos apóstolos ! Para os franceses (e não só), Cabo Verde é Cesária : quem não teve a felicidade de a ouviu cantar, decerto ouviu falar. Que resida em part-time na cidade-luz, seu « port d'attache » de onde partiu um dia à conquista do mundo com o seu canto mágico, é motivo de orgulho para eles. Um exemplo para seguir e reflectir A cada geração, seus filhos dilectos. Nossos filhos dirão que tivemos sorte em sermos testemunhas dessa formidável « victoire du talent sur la fatalité ». Não vou aqui recapitular este destino singular, ao mesmo tempo singelo e palpitante, que já deu tantos livros biográficos e que certos fãs já conhecem de cor. Para as gerações vindouras fica este legado vivo, gravado em vinil e não sei quantos CD's e outros tantos sucessos, a testemunhar que foi essa grande senhora, discreta e sem título, quem tirou Cabo Verde da penumbra do anonimato! Sirva de exemplo às gerações vindouras… E de lição aos deuses do Olimpo ! Que a vanglória de mandar não prime sobre o amor à terra daqueles caboverdeanos que carregam no ombro a bandeira desta grande Nação sem nada pedir em troca! Reflictam aqueles políticos e governantes que, carregados de títulos e brasões (de grandeza mais que de obra feita), andaram gaguejando pelo mundo (quando não entraram mudos e sairam calados !) enquanto Cesária e seus músicos seduziam multidões ! Que agora, no regresso à casa após ter bebido nos oásis do mundo que lhe abriram as portas, meditem aqueles que lhe recusaram uma caneca d'água quando, sozinha, atravessava o deserto das agruras da vida! Que a nossa « gente grande » se acalme na sua soberba, que a história não é feita somente de títulos e de poder, que estes vão passando, mas sobretudo de valores que perduram na memória e no tempo. Uma reforma bem merecida « Si ca bado ca ta birado ». Cumprida esta profecia de Nhô Eugénio, o poeta, e após ter frequentado « la cour des grands », é chegada a hora da reforma. Bem merecida é ela após uma vida inteira a cantar Cabo Verde e metade dela a levar Cabo Verde ao Mundo. Porque conquistar o mundo, Cise, convenhamos, é dose para leão. Lembras-te ? Entre as voltas que o mundo dá e as voltas que deste ao mundo, em 2008 já o coração havia acusado um primeiro choque : por pouco ia parando lá pela longínqua Austrália, nas antípodas do « Mindelo, nôs querido cantim ». Estoica te ergueste e continuaste a caminhada. Mas agora, descansá bô corp, vivê bô vida sem stress. E por favor, tmá bôs ramêd e largá kel cigarrim da mon. Kês "matutano" tambê. Sabes que ainda tens muito para dar : deixaste as tournées, que isso de andar pelo mundo não é brincadeira, mas sempre poderás, porque não, voltar aos palcos uma vez por outra. Os teus admiradores hão-de gostar e Cabo Verde agradece. Afinal, Cise, és a nossa bandeira. És um padrão a assinalar ao mundo inteiro que no meio do Atlântico existe um arquipélago com gente e com alma, que não apenas um produto exótico para consumo turístico e « outros » consumos para quem dá mais. Se acaso não merecesses o nosso carinho, ainda te devíamos a gratidão. Bom descanso na Tapadinha. Mantenhas da Terra-longe, 21 de outubro de 2011 David Leite
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