(78) Rogério Silva – um pintor nascido no Faial mas habitante noutro planeta | Onesimo Almeida – Academia.edu

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Rogério Silva (1929-2006), faialense, passou parte da sua vida em Angra do Heroísmo e em New Bedford, Massachusetts (EUA) inteiramente dedicado à arte que cultivou como se fosse a sua religião. Desprendido de tudo, viveu como um eremita isolado de

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CRÓNICA DE ANTº BULCÃO SBRE A MORTE

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António Bulcão
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“Isto está a andar depressa demais”.
Não foi quando criança, nem sequer quando adolescente, que comecei a ouvir meu pai dizer aquilo. Já era jovem, e, no início, não entendi o alcance da coisa.
Demorei algum tempo até perceber que “isto” era a vida e que meu avô concordava com meu pai, com curto e resignado “é verdade”.
Eu ainda num tempo em que tudo me parecia andar muito devagar, sobretudo o tempo, e eles com aquela certeza. Creio que me julgava eterno. Talvez eles também se julgassem eternos, antes de começarem a dizer que a vida andava depressa demais.
Não sei precisar o momento em que comecei a pensar ser eterno. É do tipo de coisa em que não interessa pensar. Não morreu ainda ninguém chegado, os calhaus estão sempre à distância de um salto, mesmo naqueles saltos em que os caniços e o balde do engodo vão parar ao buraco entre pedras e a gente pensa ter sido por pouco, mas já afiando as asas para novo salto.
Da mesma maneira, não sei a hora em que tive a certeza de que era mortal. Talvez no dia em que a primeira pedra já não estava no calhau, mas nos rins. Comigo lívido, a mal poder andar, a caminho do hospital velho, no carro de um amigo. Comigo a gritar com dores, eu, que odeio dar parte de fraco. Cheio de sede. O médico a dizer-me que não podia beber e eu sem perceber a razão.
Mal a bata saiu de vista para ir chamar uma enfermeira, botei-me para a torneira com a boca escancarada e toca de beber. Percebi logo a proibição do médico. Se não podia sair por baixo, entupido que estava, saiu por cima. Mas as convulsões dos vómitos mexeram com a pedra e a dor praticamente se foi. Comigo aliviado mas a pensar que talvez não fosse eterno, enquanto contava os pingos de suor deixados no chão.
Depois veio a primeira morte. Nem sequer foi na família, o pai da namorada morreu novo. E ela enrolada em si, num novelo de água, e eu sem saber o que fazer, a tentar treinar-me, imaginando que era comigo. Sem entender que aquele sofrimento não se treina, só se aprendendo mesmo quando é connosco.
Depois foi a única bisavó que conheci, a seguir avôs e avós, com toda a gente a dizer que era a lei da vida e eu ainda a sentir-me um fora da lei. Até chegar o dia de meu pai, depois da minha mãe, e não vos conto porque ainda não encontrei palavras que fixem aqueles dias, tantos anos passados. Um dia talvez consiga.
Poucos dias depois do dia de meu pai, conheci o José Luís Peixoto e ele ofereceu-me o seu “Morreste-me”. Como se a leitura da morte do pai dele pudesse ajudar-me a ler a morte do meu. E ajudou. Os grandes escritores têm essa magia. Ajudam muito a ler o mundo. Ficámos amigos, até hoje. Os que quiserem leiam o “Morreste-me”. Talvez ajude.
Acabei agora de ler “Gabo e Mercedes, uma despedida”, da autoria de Rodrigo Garcia, livro em que escreve sobre os últimos dias de sua mãe e de seu pai, o escritor que mais me marcou na vida, Gabriel Garcia Márquez. Entrei na sua casa, conheci a sua família, fiquei à beira da cama até o coração desse fantástico homem deixar de bater. Os que quiserem, leiam. Talvez ajude, como ajudou a mim.
Nem todos podemos ser violoncelistas por quem a morte se apaixone, ao ponto de, nesse dia, ninguém morrer. Mas ajuda conhecer “As intermitências da morte”, do Saramago. Sobretudo para aqueles que, como eu, já repetem demasiadas vezes que isto está a andar depressa demais…
Post Scriptum – Dedico esta crónica ao meu amigo Manuel Ferraz Cardoso. Foi-se embora numa semana, este escritor terceirense. Mas, enquanto vivo, não passou uma vez por mim em Angra que não parasse o carro, para trocarmos umas palavras ao vivo, que no Messenger foram milhares. As últimas mensagens, já com fonte num hospital, foram indecifráveis para a maioria. A última um simples M. Que eu interpretei como de Melhor, já sabendo que não era. Ou… sei lá.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
Carlos Noémia Garcia

Lançado 3º volume de ‘Os Fósseis de Santa Maria’ – RTP Açores

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O investigador Sérgio Ávila lançou o terceiro volume da coleção dos Fósseis de Santa Maria. Trata-se de um guia prático para o trilho marítimo da rota dos fósseis existentes na ilha.

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Governo não se demite se a proposta do Plano e Orçamento for chumbada – RTP Açores

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PSD diz que governo não se demite se documentos forem chumbados, o que seria uma irresponsabilidade.

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Carro em forma de sapato da década de 50 está de volta (e é um sucesso)

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Fiat 615 está em exposição na entrada do evento Auto e Moto D’Epoca, em Bolonha, Itália.

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Carro em forma de sapato da década de 50 está de volta (e é um sucesso)

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Fiat 615 está em exposição na entrada do evento Auto e Moto D’Epoca, em Bolonha, Itália.

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CRÓNICA 516 DESGOVERNADOS NA BORRASCA E NA GUERRA

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516 CRÓNICA 516 DESGOVERNADOS NA BORRASCA E NA GUERRA

Nos Açores a educação tem 13 milhões (euros) para a renovação digital e 700 mil (euros) para despesas correntes. Já há professores a levarem papel higiénico para as aulas, pois, não se pode limpar o traseiro a equipamentos informáticos. Não sei como fazem, se levam resmas para tirarem fotocópias, se levam autocarros para transportar as crianças e por aí diante…

 

Mas na saúde é o mesmo com as listas de espera a aumentarem (de novo), a falta de material e de recursos humanos (pessoal auxiliar, enfermeiros e médicos), a falta de substituição de equipamentos caducos (muitos com mais de 20 anos, sem reparação possível e tecnicamente desatualizados (obrigando a deslocações interilhas e até para a península ibérica).

Não menciono a escandalosa cena da cadeia de Ponta Delgada que há décadas não anda e não desanda, mais bagacina aqui menos concurso anulado ali, com a data de 2027 assinalada como novo marco, sabe-se lá para quê… até parece a estação aeroespacial de Santa Maria que ia estar operacional em 2021 e que viu idênticas bases serem construídas na Escócia, Suécia, Espanha e em Santa Maria nem o fumo dos projetos…

Podia mencionar os cabos submarinos que a República agora decidiu serem da responsabilidade autonómica nas ligações interilhas. Lisboa também estuda o aproveitamento dos da Google para substituir os decrépitos cabos em vias de ficarem inoperacionais…

Podia lembrar o alargamento da pista da Horta e da do Pico, mas tal como as OSP (obrigações de serviço público) no transporte da SATA interilhas que a República se esqueceu de pagar. Há promessas de concursos mas, de facto, nada se concretiza e a autonomia continua a pagar o que a República omite.

Um dos meus temas favoritos é a prometida negociação do Subsídio de Mobilidade (seria em 2019?) que diz que o teto máximo para um residente é de 134.00 euros numa viagem de ida e volta à Península, mas, entretanto, esse residente tem de adiantar cerca de 500 euros para a SATA, TAP ou Ryanair por cada bilhete. Depois, ao regressar irá asinha aos CTT munido de folhas e comprovativos para ser reembolsado. Ao menos na Tarifa Açores interilhas, só paga os 60 euros da viagem de ida e volta e não adianta dinheiro para as companhias aéreas…

Em outubro foram tantos os casos e bocas que nem os anotei a todos, mas sobressaiu o do Vice-presidente do Governo regional dizer que as amas dos Açores são muito reivindicativas, pois até já ganham o salário mínimo (para 11 horas diárias de trabalho). Que benemerência senhor vice… até me impressiona que o senhor não queira ser ama…

E como gosto sempre de lembrar a História que os portugueses teimam em esquecer (e em não estudar) chegou a vez de recordar o dia 18 de outubro de 1739 quando o escritor António José da Silva (discriminativamente cognominado O Judeu), foi encontrar o criado num auto-de-fé que atraiu muito público. Tinha 34 anos, e promovera as primeiras óperas em Português, depois de escrever “Guerras do Alecrim e Manjerona”.

Nós por cá já (ou ainda) não temos esses autos-de-fé, nem são precisos, pois com os cortes radicais que este governo guardou para assuntos culturais, o mais certo é as pessoas imolarem-se nesta enorme Pira de incompreensão e desprezo pela cultura, pelas artes, pela literatura a que fomos votados. Talvez devêssemos ser reivindicativos como as amas…ou nem nos devemos queixar porque os apoios recebidos, tarde e a más horas (este ano foi em finais de outubro), ainda vão dando para o papel higiénico que falta nas escolas.

 

May be an image of road