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ILHA DAS FLORES iNDONÉSIA

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http://noticias.sapo.tl/portugues/lusa/artigo/17292544.html
Descendentes do rei de Sica, nas Flores, Indonésia, querem museu para tesouro português. Os descendentes do rei de Sica, na região oriental da ilha indonésia das Flores, querem construir um museu para colocar o tesouro oferecido pelos portugueses em 1607 e vão pedir apoio a Portugal. http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/descendentes-do-rei-de-sica-nas-flores-indonesia-querem-museu-para-tesouro-portugues

Descendentes do rei de Sica, nas Flores, Indonésia, querem museu para tesouro português.

Os descendentes do rei de Sica, na região oriental da ilha indonésia das Flores, querem construir um museu para colocar o tesouro oferecido pelos portugueses em 1607 e vão pedir apoio a Portugal.

 

  • Francisco Nuno Ramos O livro sobre a tradição da vila, onde existem dados sobre a história dos portugueses nas Flores e fotografias de caravelas e do folclore luso, e ainda sobre o Toja Bobu, na ilha das Flores, Indonésia, 30 de dezembro de 2013. A Toja Bobu, que para além de dança, inclui canções, com recurso a flautas e tambores, é uma representação teatral inspirada nos autos medievais portugueses que no Natal percorre a aldeia de Sica, numa espécie de Carnaval, desde a casa abandonada do rei até à casa do padre. ANDREIA NOGUEIRA / LUSA

    Sica, Ilha das Flores, Indonésia, 25 de janeiro de 2015. ANDREIA NOGUEIRA/LUSA

GOA – PATRIMÓNIO

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IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS

 

“O património arquitectónico e artístico goês é riquíssimo”

“O património arquitectónico e artístico goês é riquíssimo”

1Arquitecto de profissão, o delegado da Fundação Oriente em Goa encontrou aqui um espólio cultural “fantástico”. Depois de 15 anos no Japão, onde a eficiência era a palavra de ordem, Eduardo Kol de Carvalho fala agora de “uma Ásia completamente diferente”. Da preservação do património à promoção da língua portuguesa, a delegação não tem mãos a medir.

Inês Santinhos Gonçalves, em Goa

– Qual é o maior desafio da Fundação Oriente em Goa?

Eduardo Kol de Carvalho – Estamos de porta aberta desde 1995. Ao longo dos anos a situação mudou, tanto a da Fundação como a da própria Índia. Temos tido diferentes tipos de preocupações, embora algumas permaneçam desde a primeira hora, como é o caso da promoção da língua portuguesa. No início fizemos muita recuperação de património, até porque a Índia não tinha meios e equipas técnicas. Não é o caso hoje em dia, porque eles já têm as suas equipas e presentemente damos mais apoio técnico e tentamos fomentar. Quais são as principais preocupações? É manter este intercâmbio entre Portugal e a Índia, fomentar as relações culturais, trazer artistas portugueses à Índia, apoiar muito as populações locais na área cultural e promover a língua portuguesa.

– Quais são as maiores dificuldades?

E.K.C. – Para já, dificuldades orçamentais. A Índia deu um grande salto e o custo de vida já não é como era no passado, em que o investimento aqui era fácil, qualquer verba se traduzia em resultados palpáveis. Hoje já não é tanto assim. E a Fundação Oriente tem outros projectos, como o Museu do Oriente, e tem de prestar atenção à manutenção e promoção desse instrumento, tendo menos verbas disponíveis para a Índia. Depois, temos de ver que a Índia, e Goa, se move noutro ritmo e eventualmente é isso que nos perturba mais.

– É a Fundação Oriente quem lidera as acções de promoção da língua portuguesa?

E.K.C. – Não. A língua portuguesa está contemplada no programa escolar goês, é uma língua de opção a partir do 8º ano de escolaridade, é a terceira língua de opção, com o francês e o hindi. Depois, no superior, também há português. A Fundação Oriente não tem o monopólio do português no secundário, que tem os seus próprios professores, mas apoiamos muitas das outras escolas que não têm condições para manter um professor de português. Hoje em dia estamos a apoiar 848 estudantes, do 8º ao 12º ano. Temos um trabalho de cooperação muito profícuo com o Instituto Camões. Desde 2010 existe uma associação goesa de professores de português, de que também somos sócios e a quem damos apoio.

– A Fundação Oriente organiza um concurso muito popular em Goa, o “Vem Cantar”.

E.K.C. – Vamos para a 16ª edição, mas não foi uma iniciativa nossa, foi de um college [instituto superior] nos arredores de Margão. Era um bocadinho insipiente mas um dos meus antecessores trouxe-a para o seio da Fundação, sempre em colaboração com este college. Começámos a participar a partir da quarta edição e hoje é uma manifestação cultural em Goa, em torno da língua portuguesa. Porque realmente move a juventude e não só. Tem duas eliminatórias, uma em Pangim, outra em Margão e uma final. Inicialmente havia apenas uma prova, o que quer dizer que o número de participantes aumentou imenso. É um concurso de canção em português, com divisão entre grupos etários, dos mais miúdos até aos adultos, e também entre grupos e solos. No início ainda estavam muito presos às canções que tínhamos deixado aqui em 1961, os temas até se repetiam muito, como ‘Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora’. Entretanto, começámos a organizar workshops de preparação, para apresentar a canção contemporânea em português. Hoje em dia cantam Mariza, por exemplo. O fado está presente mas nem é o prato principal, há músicas de todos os tipos. No ano passado tivemos 52 solos e 33 grupos, o que é um número já fantástico. Na final conseguimos ter uma sala com mais de mil lugares cheia, durante quase cinco horas. É super popular.

– Os participantes dominam todos os português?

E.K.C. – Não, nem todos falam português e alguns dominam mal. Já estive em quatro concursos e já notei uma presença em palco muito diferente, estão muito mais sofisticados e estão a tomar muita atenção à forma como se apresentam.

– É, então, um bom instrumento de promoção da língua?

E.K.C. – Fantástico. Confesso que quando estava a preparar-me para vir para Goa, estava a ler os dossiers da delegação e vi aquilo, “Concurso da canção portuguesa ‘Vem Cantar’”, e pensei “É a primeira coisa com que vou acabar”. Parecia uma coisa muito tosca. Mas realmente é uma acção fantástica, que move imensa gente – são os participantes, os familiares, os amigos, as escolas. Não precisamos de fazer muita promoção.

– Há cooperação entre a delegação da Fundação Oriente em Goa e a delegação em Macau?

E.K.C. – Há diálogo mas não há muita cooperação, o ambiente de trabalho é muito diferente. Temos uma iniciativa, que vai ser agora a 7, 8 e 9 de Fevereiro, que é o Festival de Música do Monte. Tentei trazer grupos de Macau ao festival, a minha colega [Ana Paula Cleto] tentou mover mundos junto das instituições culturais em Macau, mas não se conseguiu.

– Em que consiste o festival?

E.K.C. – Como disse, uma das preocupações da Fundação foi a recuperação de património. O ex-libris desse trabalho foi a recuperação da Capela do Monte, que tem uma posição fantástica, uma vista linda sobre Velha Goa. É um edifício muito interessante histórica e arquitectonicamente, localizado num sítio maravilhoso. Após a conclusão da reparação, um dos meus antecessores teve a excelente ideia de instituir um festival de música. É a uma sexta, sábado e domingo à noite, com música do Oriente e do Ocidente. Trazemos sempre alguém da Europa – acabou de chegar a soprano portuguesa, de um coro italiano, que vem participar. Há vários palcos: a igreja não permite que se cante outra música que não seja música sacra, mas no exterior montamos outros palcos. Montamos o palco das seis da tarde, para se assistir ao pôr-do-sol. Portanto, temos em frente de nós o artista – normalmente é música ou dança indiana –, a paisagem de velha Goa com as suas igrejas a despontar na floresta de coqueiros e o pôr-do-sol. É realmente um espectáculo lindíssimo, que chama imenso público. Às vezes temos também um terceiro palco, o da noite. E terminamos sempre na capela, com música sacra e coros.

– Faria sentido uma maior aproximação entre Macau e Goa?

E.K.C. – Claro, sem dúvida.

– Nalgum projecto em particular?

E.K.C. – Acho que na área da música, sobretudo. Já houve artistas de Goa que foram cantar a Macau. Até em termos das relações entre a Índia e a China, seria muito recomendável. Mas infelizmente, quer o Governo de Macau, quero o Governo de Goa, se calhar não se aperceberam disso. As relações são um bocadinho frias e ter-nos a nós como interlocutores seria muito útil.

– Como avalia o estado do património em Goa?

E.K.C. – O património arquitectónico e artístico goês é riquíssimo. Ao longo dos 451 anos que estivemos aqui, construímos muito. Tem um património de arquitectura militar, civil, religiosa, tem um património ao nível de altares e púlpitos, de mobiliário de igreja, fantástico. As peças ligadas à arquitectura civil também são fantásticas. Todo o património indo-português é realmente fabuloso. Depois tem uma monção anual devastadora. Não é por acaso que Goa é muito verde e tem água por todos os lados. Durante quatro meses chove 48 horas por dia, como costumo dizer, e com uma intensidade absolutamente inacreditável. Para o património é muito mau, a arquitectura não gosta. Tem de haver um trabalho contínuo de conservação. [E há algum] desleixo em relação ao património arquitectónico, em Portugal isso [também] aconteceu durante algumas décadas.

– Falamos apenas do património cristão?

E.K.C. – Sobretudo. Diz-se que os portugueses destruíram muitos templos e é natural que sim, mas presumo que também não houvesse templos de grande envergadura em Goa.

– Mas quando se fala em trabalhos de preservação, são para todo o património?

E.K.C. – Para todo. Na região de Ponda há uns templos hindus de grande interesse arquitectónico e artístico, existem algumas mesquitas e edifícios históricos classificados e aí não há distinção. Mas, realmente, ressalta o valor da arquitectura militar, religiosa e civil indo-portuguesa. E aí não temos mãos a medir, os recursos são escassos para o valor do património. As populações, com a globalização, perderam um pouco esse instinto de conservação, como aconteceu em Portugal na década de 1960 e 1970. Em Macau, a arquitectura civil não teve a mesma expressão [que em Goa], embora tivesse coisas muito interessantes, quer da arquitectura chinesa, quer da ocidental.

– Esteve 15 anos no Japão como professor e conselheiro cultural da Embaixada de Portugal. Porquê esse interesse pela Ásia?

E.K.C. – Já tenho quase 21 anos de Ásia. Estive um ano no Golfo, um ano na Tailândia, 12 em Tóquio, três em Quioto e três e meio em Goa. Calhou. Sou arquitecto, neste momento não estou a executar arquitectura, mas na arquitectura uma área que sempre me foi cara foi a do património e foi isso que me trouxe à Ásia. Do património à cultura foi um pulo. A experiência no Japão foi muito rica, um bocadinho contrária à da Índia. As coisas funcionam a uma velocidade fantástica, idealiza-se um projecto e amanhã já está concretizado. Há recursos humanos, há recursos materiais. Tive a felicidade de conseguir realizar projectos interessantes e importantes, com a colaboração da área empresarial japonesa e dos municípios. Aqui é uma Ásia completamente diferente, são outros desafios.

“Importante para Goa, para a lusofonia e para a língua portuguesa”

– Como olha para os Jogos da Lusofonia?

E.K.C. – A Fundação não colaborou, estou a ver como espectador. Acho que é desafio grande para Goa. Nunca aconteceu nada desta dimensão e estão obviamente orgulhosos disso. Devia ter acontecido em Novembro, as coisas atrasaram-se muito e foi pena, porque teríamos tido mais participações de outros países. Mas acho que é importante para Goa, para a lusofonia e para a promoção da língua portuguesa. Estes acontecimentos são sempre importantes para os países organizadores e vai ser importante para a lusofonia, não pode deixar de o ser. Tenho esperança de que, para já, elimine alguns preconceitos da Administração em relação a Portugal e à língua portuguesa, e depois é a adesão popular.

– Como comenta a posição do chefe de missão de Portugal, que se recusou a falar inglês com os jornalistas indianos?

E.K.C. – Respeito. Eu talvez não o tivesse feito porque haverá jornalistas que não serão sequer de Goa. Percebo que a organização não tenha capacidade para ter intérpretes disponíveis.

– Seria realista esperar que os Jogos tivessem o português como língua de trabalho?

E.K.C. – Deviam ter, mas são só os terceiros Jogos, num país que não é lusófono.

JANEIRO 28, 2014

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LAS ÇARANDAS (mirandês)

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quando não souberem o que fazer com as peneiras, “razoulas”, e afins
http://vimeo.com/84696020

Las Çarandas – “Ciranda”
http://vimeo.com/84696020
vimeo.com
Projecto 885 Las Çarandas ,Ciranda Gravado em Duas Igrejas, Bragança, Norte (Alto Trás-os-Montes) 19 de Janeiro de 2014 Realização: Tiago Pereira Som: Telma…

LENDAS DE TIMOR A Lenda de Rai Kotu

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Quando era miúda, adorava ouvir lendas e fábulas, conheci muitas e esqueci outras tantas…partilho esta pensando especialmente na minha filhinha:

A Lenda de Rai Kotu

Era uma vez, vivia um casal nos arredores de Tasi Tolu que tinha uma filha única muito bonita que se chamava Bi Tasi. Ela tinha muitos pretendentes mas não se interessava por nenhum deles.
Um belo dia, quando foi a fonte buscar água cruzou-se com um belo rapaz jovem que ela nunca tinha visto antes. Ele ao vê-la apresentou-se e disse que se chamava Mau Tasi, filho do Liurai Tasi. (Liurai = Rei)
Apaixonaram-se e ele pediu-a em casamento.
Bi Tasi correu para casa, levando o Mau Tasi com ela, para contar aos pais.
Eles conversaram e os pais dela, de acordo com a tradição, pediram muitos búfalos e cavalos como dote. Os pais do Mau Tasi reuniram todos os búfalos e cavalos do reino que eram precisos para enviar aos pais da Bi Tasi.
Havia uma montanha que separava os dois reinos, mas esses animais eram tantos que ao passarem pela montanha foram aplanando e construindo uma passagem que dividiu a montanha ao meio.
Essa passagem ainda existe até aos dias de hoje, é a passagem de Rai Kotu que fica entre Tasi Tolu e Komoro.

Baseada no livro “Lendas e Fabulas de Timor Leste” por Helena Marques Dias
Quando era miúda, adorava ouvir lendas e fábulas, conheci muitas e esqueci outras tantas...partilho esta pensando especialmente na minha filhinha: A Lenda de Rai Kotu Era uma vez, vivia um casal nos arredores de Tasi Tolu que tinha uma filha única muito bonita que se chamava Bi Tasi. Ela tinha muitos pretendentes mas não se interessava por nenhum deles. Um belo dia, quando foi a fonte buscar água cruzou-se com um belo rapaz jovem que ela nunca tinha visto antes. Ele ao vê-la apresentou-se e disse que se chamava Mau Tasi, filho do Liurai Tasi. (Liurai = Rei) Apaixonaram-se e ele pediu-a em casamento. Bi Tasi correu para casa, levando o Mau Tasi com ela, para contar aos pais. Eles conversaram e os pais dela, de acordo com a tradição, pediram muitos búfalos e cavalos como dote. Os pais do Mau Tasi reuniram todos os búfalos e cavalos do reino que eram precisos para enviar aos pais da Bi Tasi. Havia uma montanha que separava os dois reinos, mas esses animais eram tantos que ao passarem pela montanha foram aplanando e construindo uma passagem que dividiu a montanha ao meio. Essa passagem ainda existe até aos dias de hoje, é a passagem de Rai Kotu que fica entre Tasi Tolu e Komoro. Baseada no livro "Lendas e Fabulas de Timor Leste" por Helena Marques Dias

 

 

HARPÃO COM 35 MIL ANOS EM TIMOR (txt ingl)

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http://io9.com/this-intricately-crafted-harpoon-tip-is-35-000-years-ol-1506528937 Illustration for article titled This intricately crafted harpoon tip is 35,000 years old

https://io9.gizmodo.com/this-intricately-crafted-harpoon-tip-is-35-000-years-ol-1506528937

This intricately crafted harpoon tip is 35,000 years old

A harpoon tip dating to 35,000 years ago has been discovered on Timor, an island 250 miles northeast of Darwin, Australia. The ancient artifact, which was hewn from bone, is notable for its design, the complexity of which suggests humans in the region manufactured sophisticated weaponry earlier than previously believed.

Above: The location of Timor, an island at the southern end of Maritime Southeast Asia.

In the January 15th issue of the Journal of Human Evolution, researchers led by Australian National University archaeologist Sue O’Connor propose that the ancient inhabitants of Timor used harpoons to hunt large fish from boats. The notion that our ancestors were equipped to make meals of ocean animals 35,000 years ago is not, in itself, surprising; in 2011, another team led by O’Connor reported the discovery of a shelter in East Timor harboring the remains of pelagic and other fish species dating to 42,000 years ago – compelling evidence that early modern humans in the region successfully practiced deep-sea fishing.

Above: The world’s oldest fish hook, Credit: S. O’Connor.

Presented alongside the pelagic-fish-find was the world’s earliest definitive evidence for fishhook manufacture – an unmistakably J-shaped crook of carved seashell, dated to between 23,000 and 16,000 years ago. “Capturing pelagic fish such as tuna requires high levels of planning and complex maritime technology,” concluded the researchers at the time.

What makes the harpoon head noteworthy, then, is not necessarily its age or its implied use, but its design. At the base of the tip, which measures about one inch in length and half an inch across, are a series of worn notches and residue from a sticky substance. Together, these features suggest the point was secured to a wooden handle with rope and glue in an advanced weapon-making technique known as “hafting.”

Artist Angela Frost reconstructs what the harpoon tip might have looked like bound to the side of a shaft, or the center of a hollow length of bamboo.

O’Connor’s team describes the significance of the finding:

The artefact provides the earliest direct evidence for the use of this combination of hafting technologies in the wider region of Southeast Asia, Wallacea, Melanesia and Australasia, and is morphologically unparallelled [sic] in deposits of any age. By contrast, it bears a close morphological resemblance to certain bone artefacts from the Middle Stone Age of Africa and South Asia. Examination of ethnographic projectile technology from the region of Melanesia and Australasia shows that all of the technological elements observed in the Matja Kuru 2 artefact were in use historically in the region, including the unusual feature of bilateral notching to stabilize a hafted point. This artefact challenges the notion that complex bone-working and hafting technologies were a relatively late innovation in this part of the world.

Read the full details of the discovery in the Journal of Human Evolution.

Top photo via O’Connor et al.

ponta delgada anos 1920

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No “História dos Açores”, um Filme dos anos 20? da Pathé sobre Ponta Delgada a não perder
https://historiadosacores.tumblr.com/post/60497501935/1920s-ponta-delgada-ilha-de-s%C3%A3o-miguel
1920s?, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel Quotidiano do inicio de Século na cidade de Ponta Delgada. Neste filme da Pathé, podemos observar panorâmicas do porto e
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não vamos mudar o Hino dos Açores?

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Recebi e divulgo um artigo do deputado regional José Andrade opondo-se à minha proposta de mudança do Hino dos Açores…e pelo pragmatismo da oposição à mudança de um hino carregado de memórias de autonomias falhadas, mantemos o hino formal que cumpre as normas todas acompanhado de um poema (talvez menor) de Natália Correia. A minha proposta visava unir todos os açorianos em torno de uma balada universal, simples, popular e que tão bem retrata o que os açorianos sentem e as brumas que sempre os envolveram. O hino oficial dos Açores que ninguém canta, que ninguém conhece e cuja letra foi imposta à força numa composição antiga continua a preencher os requisitos formais  de um Hino sem unir os habitantes das 9 ilhas…A  minha proposta obviamente também não captou a adesão popular tendo muito poucas adesões (80) pelo que o melhor é abandonar uma proposta que obviamente falhou e disso dou também conta pública aqui no nosso blogue AICL…

Chrys Chrystello, AICL

 

 

Mudar o hino oficial da Região Autónoma dos Açores?

 

NÃO CONCORDO!

 

 

Está a dar que falar, primeiro nas redes sociais e agora também na comunicação social, uma petição pública que visa adotar a canção “Ilhas de Bruma” como hino oficial da Região Autónoma dos Açores em substituição do atual. A iniciativa partiu da “Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia” na sequência do recente falecimento do respetivo compositor Manuel Medeiros Ferreira.

Prezo muito a associação e gosto muito da canção mas não concordo com a petição, por razões que a nossa história justifica, que este artigo procura esclarecer e que o futuro certamente demonstrará.

 

  1. 1.    A petição

 

A petição “Mudar o hino oficial dos Açores”, impulsionada pela Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia e dirigida à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e ao Governo Regional, parte do seguinte pressuposto:

Quantos açorianos conhecem o Hino dos Açores e quantos conhecem a Letra que Natália Correia tentou adaptar à melodia? Julgamos que poucos, mas muitos não só conhecem como gostam e trauteiam as “Ilhas de Bruma” de Manuel Medeiros Ferreira, falecido a 3 de janeiro de 2014. Quer a melodia quer a letra retratam com fidelidade as nove ilhas do arquipélago e, no momento do padecimento do autor das Ilhas de Bruma, a melhor homenagem que lhe podemos prestar é propor que a sua criação musical e literária seja assumida como Hino dos Açores”.

Considerando que esta canção “não é uma marcha militar como aquele que ficou como hino oficial com um poema forçado da Natália Correia”, a petição conclui sugerindo “a quem de direito a coragem de assumir o verdadeiro hino dos Açores em substituição do hino oficial que nada nem ninguém representa”.

 

  1. 2.    As “Ilhas de Bruma”

 

No Voto de Pesar pelo falecimento do compositor das “Ilhas de Bruma” que apresentei esta semana (e foi aprovado por unanimidade) no Parlamento dos Açores, expressei a minha admiração pessoal pela canção “que marcou a vida pessoal de Manuel Medeiros Ferreira e que sintetiza a vida coletiva do Povo Açoriano”:

Composta ‘num dia de bruma’ de 1983, a obra depressa se instalou no cancioneiro regional açoriano, entre a “Lira” e os “Olhos Negros”, e é hoje parte integrante do repertório obrigatório de quase todos os coros dos Açores e da Diáspora. E, mais ainda, é cantada – ou, pelo menos, reconhecida – por cada um de nós”.

Recordando que “Manuel Medeiros Ferreira, quando recentemente homenageado na Casa dos Açores da Nova Inglaterra, disse que a melhor homenagem que lhe podiam prestar era continuar a cantar a sua música”, concluí que “com essa homenagem bem pode contar, porque todos somos das Ilhas de Bruma ‘onde as gaivotas vão beijar a terra’…”.

 

  1. 3.    O Hino dos Açores

 

A música oficial do Hino dos Açores não tem três décadas. Tem 120 anos. Foi composta pelo regente de filarmónica Joaquim Lima e primeiro executada pela Filarmónica Progresso do Norte, da freguesia micaelense de Rabo de Peixe, a 3 de fevereiro de 1894. Intitulava-se então “Hino Popular da Autonomia dos Açores”.

Logo a 14 de abril de 1894, dia das eleições gerais em que foram eleitos os deputados autonomistas Gil Mont’Alverne de Sequeira, Pereira Ataíde e Duarte de Andrade Albuquerque, realizou-se um cortejo pelas ruas de Ponta Delgada integrando filarmónicas que tocavam este Hino da Autonomia.

No ano seguinte, o mesmo hino foi também festivamente executado, por filarmónicas micaelenses concentradas na Praça do Município de Ponta Delgada, para comemorar a promulgação do decreto autonomista de 2 de março de 1895.

Este hino terá tido diferentes letras ao longo dos tempos em função da conjuntura política. Com o nacionalismo do Estado Novo, foi votado ao ostracismo. Com a Autonomia Constitucional, foi oficialmente adotado pelos órgãos de governo próprio como Hino Oficial da Região Autónoma dos Açores.

A sua música, com arranjo do maestro Teófilo Frazão sobre o original do compositor Joaquim Lima, foi aprovada em 1979 (Decreto Regulamentar Regional nº13/79/A, de 18 de Maio).

A sua letra, face à inexistência de versão anterior com aceitação generalizada, foi encomendada pelo governo regional a Natália Correia, por muitos considerada a maior poetisa açoriana de todos os tempos. Aprovada oficialmente em 1980 (Decreto Regulamentar Regional nº49/80/A, de 21 de Outubro), foi pela primeira vez cantada em público há 30 anos, a 27 de junho de 1984, pelos alunos do Colégio de São Francisco Xavier, em Ponta Delgada.

 

  1. 4.    Conclusão

 

Por muito que considere a Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia e estime o seu presidente Chrys Chrystello, por muito que admire a canção “Ilhas de Bruma” e preze o seu compositor Manuel Medeiros Ferreira, não concordo com a substituição do Hino Oficial da Região Autónoma dos Açores.

Desde logo, porque o nosso Hino Oficial, com a música histórica do Hino da Autonomia e com a letra apologética de Natália Correia, é símbolo heráldico da Região Autónoma dos Açores – ao mesmo nível superior da bandeira azul e branca – e, como tal, merece o máximo respeito do Povo Açoriano.

Mas também porque a canção “Ilhas de Bruma”, até pela sua estrutura formal, merece continuar a ser o que é: uma das melodias mais bonitas e uma das letras mais inspiradas do cancioneiro regional açoriano.

…E não consta que alguém algum dia se tenha lembrado de substituir, por exemplo, o Hino Nacional por “Uma Casa Portuguesa” de Amália Rodrigues, o Hino de França por “La Vie en Rose” de Edith Piaf ou o Hino de Inglaterra pelo “Imagine” dos Beatles.

Tudo tem um lugar próprio.

 

 

JOSÉ ANDRADE

Deputado do PSD no Parlamento dos Açores

 janeiro 2014

 

dicionário Estraviz (GALEGO)

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http://www.estraviz.org/professor-estraviz.php

Professor Estraviz

Prof. Estraviz

Professor Isaac Alonso Estraviz (Vila Seca, 1935) (*)

Licenciado em Filosofia pola Universidade de Comilhas (1973), em Filosofia e Letras pola Complutense de Madrid (1974) e na mesma universidade em Filologia Românica (1977). Diplomado em Cultura e Língua Portuguesas pola Universidade de Lisboa, ano 1976. Doutor em Filologia Galega pola Universidade de Santiago de Compostela (1999) com a tese O Falar dos Concelhos de Trasmiras e Qualedro.

Entre 1975 e 1977 foi professor de Língua e Literatura Galegas no Ateneu de Madrid e desde então até 1984 desempenhou o mesmo labor na Irmandade Galega-Lôstrego da capital do Estado. Como Professor de Bacharelato percorreu várias vilas e cidades galegas (A Rua, Ferrol, Ponte Vedra, Pontedeume, Santiago, Vigo, Corunha, Ordes) até obter destino definitivo no Instituto Otero Pedraio de Ourense em 1987. Em 1986, assistiu como observador ao Encontro sobre Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, 6-12 Maio de 1986 no Rio de Janeiro. De 1990 a 1992, Professor Associado da Universidade de Vigo. Desde 1992-94 é Professor Titular de Didáctica da Língua e Literatura Galegas na Universidade de Vigo, em Ourense e Ponte Vedra. De 1994 a hoje, só no de Ourense. É membro da Comissom Linguistica da Associaçom Galega da Língua, Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e do Boletim da AGLP.

Correio-e: estraviz[arroba]agal-gz.org.

Livros publicados

  • Contos con reviravolta: arando no mencer, Castrelos, 1973.
  • Dicionário galego ilustrado “Nos”, Nos, 1983.
  • Dicionário da língua galega, Alhena, 1986
  • Estudos filológicos galegoportugueses, Alhena, 1987.
  • Dicionário da língua galega, Sotelo Blanco, 1995.
  • Os intelectuais galegos e Teixeira de Pascoaes: epistolário, junto com Eloísa Álvarez da Universidade de Coimbra, Ed. do Castro, 2000.
  • Dicionário da Lingua Galego-Portuguesa, e-Estraviz, em Portal Galego da Língua, com jogos didácticos para brincar com as palavras, 2005.
  • Eugenio de Castro e a Galiza. Epistolário, junto com Eloísa Álvarez da Universidade de Coimbra, Ed. do Castro, 2008.
  • Santos Júnior e os Intelectuais Galegos. Epistolário, Fundaçom Meendinho, 2011.
  • Conversas com Isaac Alonso Estraviz com o prof. Bernardo Penabade Rei, Através Editora-Meendinho, 2013.
  • Os falares dos concelhos de Trasmiras e Qualedro, Fundaçom Meendinho, 2014.

Colaboração em livros coletivos

  • Missal galego com o Ritual dos Sacramentos e uma antologia das principais orações do fiel cristão, Sept, 1968.
  • «Introdução ao texto de Castelao» O estatuto de Galiza. Antecedentes e comentarios, com o pseudónimo Isaac da Bougueira, Nós-Buenos Aires, 1975.
  • Mapa de Galicia (no que respeita à toponímia) Akal, 1979.
  • Estudo crítico das Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego, Associaçom Galega da Língua, 1983.
  • Prontuário ortográfico galego, Associaçom Galega da Língua, 1985.
  • Guia prático de verbos galegos conjugados, Associaçom Galega da Língua, 1988.
  • O uso das línguas na perspectiva peninsular, Associaçom Galega da Língua, 1993.
  • Seis Projectos de Expressom Artística Globalizada, para crianças de 6-8 anos, Vigo 2002.
  • Isaac Díaz Pardo e a língua galega, coordenaçom, Prólogo e artigo “Isaac Díaz Pardo e a Memória Histórica”, Ed. Agal, 2008.
  • Maria do Céu Nogueira, Mais Perto do Céu, Prólogo, Ed. Agal, 2009.
  • Por um Galego Extenso e Útil, Leituras da Língua de Além e de Aquém, Colectánea de trabalhos da Comissom Lingüística da AGAL, Ed. Agal, 2009.
  • Cartafol de soños, Homenaxe a Celso Emílio Ferreiro no seu centenário (1912-2012), Asociación Cultural Alexandre Bóveda, 2012.
  • “Recei contigo” Bóvedra cristián, Asociación Xuvenil Amencer, 2014.

Traduções

  • Os Salmos, Sept, 1966.
  • Joám XXIII, Pacem in terris, Sept, 1968.
  • Paulo VI, Populorum progressio, Sept, 1968.
  • Concilio Vaticano II, A eirexa no mundo moderno, Sept, 1973.
  • Risco, Vicente, O problema político de Galiza, Sept, 1976.
  • Gran libro de San Cipriano o los tesoros del hechicero, Akal, 1986.
  • Bessa Luís, Agustina, La Sibila, Alfaguara, 1981.
  • Segundo Congresso de Movimentos de Renovação Pedagógica, Coordenadora Galega de Movimentos de Renovação Pedagógica, 1990.
  • Ferro Couselo, Jesús, Antonio de Puga, pintor ourensano na corte de Filipe IV, Livraria Torga, 1996.
  • Tentando construir uma esfinge de pedra, Desassossego de Isaac Díaz Pardo, revisom e adaptaçom gráfica, Ed. do Castro, 2007.
  • Manuel Rivero Pérez, De Roncesvales a Compostela: um percurso por valores, habilidades, recursos e atitudes, traduçom e Prólogo, Ed. Agal, 2008.
  • Nuno Lobo Antunes, Lo siento mucho, Santillana Ediciones Generales, 2009.

Colaborações em algumas revistas

  • Entre outras: Grial, Boletim de Filologia de Lisboa, Agália, O Ensino, Nós (Revista Internacional Galego-Portuguesa de Cultura), Temas de Linguística e Sociolinguística, Cadernos do Povo, Encrucillada, Raigame, Revista de Guimarães, A Nosa Terra.

Alguns artigos:

  • «Variantes dialectais portuguesas normativizadas no galego do ILG(RAG)», in Actas III Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza, 1992, pp. 49-61.
  • «Interferências linguísticas em textos castelhanos dos séculos XVI a XIX no Concelho de Cea», celebrado de 29 de Abril ao 2 de Maio de 1992, in O uso das línguas minoritárias na perspectiva da Europa Comunitária, Agal, 1993, pp. 21-47.
  • «Modalidades do Galego nos Concelhos de Trasmiras e Qualedro», in Actas IV Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza – Homenagem a Fernando de Saussure, Agal, 1996, pp. 11-20.
  • «Identidade Cultural Luso-Galaica», in Actas Congresso Internacional Identidade Cultural e Cooperaçom Transfronteiriça, 1995.
  • «A Literatura Popular Cantada nas Aulas de Didáctica da Língua e Literatura», in Língua, Literatura e Arte. Aspectos Didácticos, 1996.
  • «A Lengalenga Popular Galega como Meio de Ensino», in Actas del VII Congreso Internacional de la Sociedad Española de Didáctica de la Lengua y la Literatura, Corunha, 2004, pp. 291-302.
  • «Jenaro Marinhas del Valle um patriota integral», in Actas do Congresso Jenaro Marinhas del Valle, Ed. Agal, 2009, pp. 179-185.

(*) Fotografia: www.aelg.org | Autoria: Santos-Díez (Ollo de Vidro-ACAB) (2009).

Outras ajudas
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Dicionário Electrónico Estraviz – Professor Estraviz
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Dicionario Electrónico Estraviz

MOÇAMBIQUE os limites da lusofonia por linguista moçambicano Gregório Firmino

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in diálogos lusófonos

 

O linguista moçambicano Gregório Firmino discute os limites da lusofonia
Por Jacqueline Kaczorowski

O linguista moçambicano Gregório Firmino, diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Letras da Universidade Eduardo Mondlane, a principal universidade pública de Moçambique, não sabe se sua primeira língua foi o português. A dificuldade é comum no país do sudeste da África, que tem a língua portuguesa como oficial, embora só 39% da população seja lusófona, e a maioria viva o plurilinguismo.

De colonização tão antiga quanto a do Brasil, o país só se livrou da invasão portuguesa em 1975, quando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento que venceu a luta armada, chegou ao poder. “Moçambique independente produziu mais falantes do português do que Moçambique colonial”, diz Gregório, que se especializou na relação entre o português e os idiomas locais. À Língua falou sobre a complexidade linguística do país e o projeto de nação que a Frelimo concebeu, fazendo o país adotar o idioma tanto para promover integração social quanto para atuar no cenário internacional. Mas o conflito interno perdura. No fim de 2013, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) decidiu boicotar as eleições municipais para sabotar a lei eleitoral, que favoreceria a Frelimo, partido do presidente Armando Guebuza e no poder na maioria das cidades.

Qual a primeira língua que aprendeu?
Na verdade não sei. É muito difícil para alguns moçambicanos dizer qual a sua primeira língua, pois estamos expostos a muitas. A de casa, que, se calhar, foi a primeira que ouvi (mas não tenho certeza!), é uma bantu, gitonga, uma das muitas do país. Meus pais vivem numa região onde também se fala outra língua bantu, então, quando estava com meus amigos, tinha de falar uma língua diferente. E ao longo da vida fui aprendendo outras.

Quantas línguas há em Moçambique hoje?
Esta pergunta, para mim, como sociolinguista, não é respondível. As fronteiras linguísticas não se estabelecem dessa maneira. Claro que depende sempre de quem as estabelece. Mas, numa sistematização feita do recenseamento de 1980, foram identificadas 24 categorias. Repare, não digo línguas, digo categorias linguísticas. São 24, incluindo o português. Mas o número pode chegar a 100 ou a 5, dependendo de como se classifica.

Como caminha o processo de descrição das línguas?
Quase todas estão descritas. O problema da descrição é que ela não tem fim, até porque as línguas se modificam. Está crescendo o conhecimento das práticas linguísticas. O fato de eu saber que “essa língua é assim e assim” não é nada, mas sim “como essa língua é usada?”, “qual é sua influência na sociedade?”; isso é muito importante.

Quais os problemas de a maioria da população não ter o português como 1a língua?
Não gosto de dizer que há problemas. Há uma situação linguística que é preciso encarar, como há em outros países. A interação social é feita pela língua, mas ela não serve só para se comunicar. Pressupomos que nós temos de ser iguais, mas não. O que se passa é que os problemas que nós precisamos discutir têm a ver com o fato de olharmos para eles com a visão do funcionamento do Estado. Moçambique é plurilíngue, as pessoas falam várias línguas; há várias bolsas de línguas, e mesmo quando dizemos “plurilíngue” estamos a simplificar. Há pessoas que falam duas línguas bantu, outras falam três, quatro.

Outras falam uma bantu e o português, mas essa bantu não é a mesma que a dos outros que falam português. Posso falar a língua A mais o português, outro falar a língua C mais o português. É uma situação muito complexa. Do ponto de vista do Estado é importante encontrar o fator comum, sobretudo para ativar nas pessoas a consciência de que estão num mesmo Estado. É verdade que há muitas instâncias contra, o português não é a solução de todos os problemas. É uma opção estratégica, da qual as pessoas têm consciência.

Como foi a adesão ao português? Ele era a língua do inimigo, não?
Foi um processo político, de alguma forma normal – considerando a configuração do movimento nacionalista.

Sim, pois foi a língua adotada pela Frelimo, certo?
Era a língua do movimento, a que poderia unir. O nome já diz, era uma “frente”, a união de todos, desde que tivessem uma posição anticolonial. A Frelimo congregava diferentes tendências, então elegemos um catalisador comum, e a língua portuguesa serviu. Mas isso confunde as pessoas: não quer dizer que todos falassem português.

Não?
Pelo contrário: nomes influentes no movimento falavam inglês. Eduardo Mondlane – que deu nome à universidade – foi o primeiro líder do movimento nacionalista, e foi escolarizado num mundo em inglês. Na África do Sul, nos EUA; viveu muito fora de Moçambique. A vida dele, nos momentos cruciais, ele a fez em inglês. Muitos que aderiram ao movimento não falavam português. Pois uma coisa é as pessoas falarem a língua; outra é assumi-la como símbolo do que se está a fazer. Sem o português, o país não seria o que é. Não digo que não haveria Moçambique – mas não com a configuração social, econômica e política que conhecemos.

No Brasil, houve a imposição do idioma. Há essa percepção em Moçambique?
Essa ideia de que a escolha do português foi neocolonial perpassa alguns círculos intelectuais, mas não há como associar a Frelimo ao movimento neocolonial. Ela é um movimento nacionalista, anticolonial, dos mais consequentes que houve em África.

Aqui se questiona o “abaixo os tribalismos”, para unir todos em uma nação forjada e, com isso, apagar as diferenças.
Como você vai apagar? A questão em causa era executar um projeto nacional. E mesmo agora em Moçambique, muitos não falam português.

Mas toda gente o assume como um símbolo. Tanto que o português, além de servir como instrumento de comunicação, é como se fosse uma bandeira, um hino. Posso não gostar do hino; posso até não conhecer a letra e não o cantar, mas representa todos nós. Os estudos que há em Moçambique enfatizam muito a mudança linguística no lado da estrutura da língua. No tempo colonial, a língua não era falada da mesma forma que em Portugal nem pelos próprios portugueses que estavam em Moçambique. Mas o que fez a língua ser moçambicana foi o fato de ela ter sido assumida pelos moçambicanos como símbolo da unidade nacional – a mudança simbólica precede, tem mais relevância que a estrutural. Porque esta é normal; uma língua está sempre em mudança! O português está a sofrer um processo de nativização; que se associa a novos valores sóciossimbólicos e traços linguísticos. Esta “nativização” tem mais a ver com o novo uso social do que com a diferenciação da língua em si. Ao português em Moçambique é conferido um caráter singular pela ideologia que motiva os seus usos e não só por suas inovações linguísticas.

Como avalia as contribuições do português moçambicano?
Há várias contribuições estruturais. A coisa mais óbvia é lexical. Há formas sintáticas, fonológicas, fonético-fonológicas, morfológicas, que foram mostrando outras possibilidades de a língua existir.

Alguma delas chegou a Portugal ou ao Brasil?
Algumas. A mudança linguística, para os linguistas, segue um processo natural. Alguns fenômenos da mudança linguística têm a ver com a forma como a língua funciona, ou como nosso cérebro funciona. Eu, você, alguém que está em Portugal, temos o mesmo cérebro, portanto partilhamos aquilo que chamamos de “universais linguísticos”, algumas tendências naturais da língua. Portanto alguns fenômenos que nós vemos em Moçambique poderiam ocorrer em outros locais. Agora, pode ser que estes fenômenos sejam acelerados pelo contexto específico de Moçambique. Por exemplo, o fato de muitos moçambicanos terem uma língua bantu como 1a língua, com um conjunto de estruturas diversas, facilita o surgimento de certos fenômenos – mas alguns deles que ocorrem aqui no Brasil podem ocorrer em Portugal. A língua bantu tem certas estruturas que podem ser projetadas ao português, e ficam mais salientes em Moçambique do que no Brasil ou em Portugal.

Por exemplo?
O aspecto marcante é a gente dizer “essa língua é nossa, não devemos nada a você”. Os portugueses querem cobrar o uso do português, como se fosse um favor que nos fizeram. Não, eles nos deveriam muito mais! Mas a língua portuguesa deve a quem? Eles devem ao italiano? Daqui a mil anos, vamos chamar de português aquilo que se fala no Brasil? Aquilo que se fala em Moçambique? Não sei. Mas a língua é nossa. E não só é nossa, mas é tão nossa quanto os outros dizem que é deles. Não devemos favor a ninguém, não venham nos dar lições, fazemos o que queremos. E amanhã, se nós dissermos “já não queremos” – como Estado – e adotarmos, como política linguística, alguma outra opção estratégica, qual o problema?

Quais os maiores desafios da linguística em Moçambique?
O desafio, que se estende para fora da África, é o de trabalhar sem preconceitos. Assumir uma visão linguístico-científica para conhecer as coisas de uma forma científica – porque muitas vezes os cientistas querem descobrir aquilo em que já pensaram, que acham que já descobriram, e não é bem assim. Penso que muito do que se faz na África tem esse defeito de já ter um pensamento preconcebido. Da mesma forma como falamos em “África”. É errado. Devemos falar de “Áfricas”… As pessoas querem soluções gerais, “a mesma fórmula que se aplica a tantos contextos”. Mas a questão é olhar cada caso sem preconceito, e assumir que África é um continente; os países africanos sempre tiveram dinâmicas, não são produtos acabados. Nesse dinamismo, a interação com elementos crioulos, que surgem do contato entre línguas e povos, sempre esteve presente – de forma positiva ou negativa. Antes de chegarem os colonos europeus, já havia colonização em África – dos árabes. Havia colonização intra-africana também – grupos que invadiram outros grupos, e ocuparam outros, mataram etc. Sempre houve isso e isso sempre teve consequências sociais. As pessoas olham para África como se ela tivesse só uma colonização, como se a história de Moçambique começasse quando os portugueses chegaram. Aquilo foi uma etapa – houve e vai haver outras.

 

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estória de natal (Manuel de Sousa – Luanda – Angola

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Carissimo Irmao Amigo Chrystelo…

Fico imensamente satisfeito em poder compartilhar consigo, seus Conhecidos, Parentes, Irmaos e Amigos, a minha usual Estoria de Natal, a qual serve como Postal de Natal para com todos os que estimo e respeito…

Saudacoes Finais de Epoca Natalina e Desejos de um Bom Ano Novo / Manuel de Sousa – Luanda – Angola

 

 

“Zangão Amarelo-Preto E A Rainha Verde-Vermelho Prateada”

Voava de flor em flor…
Mas, só para me divertir e vigiar as Abelhas, que em seu dia-a-dia, saiam do Cortiço para a quotidiana recolha de pólen.
Eu gostava de acompanhá-las em seus voos à procura de novas flores, no meio dos bosques e dos campos.
Delirava com o rico perfume certas espécies florais e vibrava com a tamanha variedade de cores que se viam em todo o redor.
Como um dos Zangões da mais alta hierarquia entre os Zangões da minha Colmeia e das restantes que compunham a nossa Comunidade de Colmeias, eu era considerado o Chefe da Guarda da Rainha principal, a mãe das Rainhas das restantes Colmeias.
Uma das minhas missões era a de guardar a Colmeia da Rainha Mãe e comandar a Guarda das restantes Colmeias, contra ataques de outros insectos, sobretudo, de outras Abelhas invasoras, Vespas, Formigas e outros.
Outro dos meus trabalhos era o de fertilizar a Abelha-Mestra principal ou Rainha Mãe.

Um belo dia, em um dia em que meus serviços não eram assim tão necessários na organização da Guarda, lá andava eu em um de meus habituais voos exploratórios pelos campos, quando, quase bati de frente numa Abelha que, distraída, quase me abalroara.
Quase parei em pleno voo e gritei em sua direcção, – “Amiga, quase me atropelavas em teu voo distraído!”
Parecendo não me ter ouvido, ela seguiu seu destino…
Nisso, virei-me e voei em sua perseguição, tentando aproximar-me dela.
À medida que me ia achegando, fui-me apercebendo que ela não tinha a habitual cor amarelado-doirado e as faixas pretas intercaladas, usuais nas Abelhas normais.
Era de uma mistura de cores metalizadas e vivazes. A parte de trás do seu corpo apresentava-se num verde prata intenso e na parte da frente, num vermelho fogo metálico.
Contudo, o seu volume e aspecto físicos eram muito semelhantes aos das Abelhas da minha espécie, não faltando as listas pretas.
Quando finalmente me consegui colocar ao seu lado e olhei em seus olhos, quase perdi o equilíbrio de meu voo e quase me despenhei contra a flora à frente.
Lá me recompus e voltei a colocar-me ao seu lado, voando a par dela. Voltei a dirigir a palavra a ela novamente, – “De que Colmeia és tu?”
Ela continuou imperturbável, ignorando-me por completo. Seu voo era firme e determinado e via-se que estava disposta em não ser interrompida por nada.
Dando mais energia às minhas asas, num impulso mais forte, comecei a voar para me colocar a sua frente.
Tentei impedi-la de prosseguir, tendo-lhe dado uma nova ordem, – “Ou páras já e te identificas, ou serei obrigado a deter a tua marcha”

Subitamente e quase que impedida pelo meu bloqueio de continuar em frente, ela desacelerou e falou, – “Eu sou uma futura Rainha de Colmeia”
Foi a minha vez de replicar, – “Mas, que fazes tu aqui no meio de nosso território e de onde vieste?”
– “Sabia pelos odores que, este território, tem um Enxame determinado como dono do mesmo, contudo, não pude evitar atravessa-lo para tentar chegar ao meu objectivo no mais curto de espaço de tempo possível”, respondeu ela.
Continuando, ela disse, – “Se não passar por aqui, encurtando a distancia até ao meu destino, minha futura Colmeia poderá nunca vir a formar-se. Recebi a mensagem de uma de minhas súbditas que, há um Enxame de Vespas, que anda perto do local que escolhemos e no qual estamos a preparar para fazer nosso Cortiço. E se não chego lá a tempo, meu Enxame não terá meu comando e não oferecerá qualquer defesa ou resistência contra as tais Vespas”

  • “Eu sou o Zângão Chefe daGguarda dos Zangões da minha Colónia de Colmeias e não devo afastar-me muito do meu território, pois, posso ser destituído de meu cargo e de até, ser expulso da Colmeia e ser condenado ao desterro”, disse eu.
    Ela, em tom meio desesperado e agitado, foi dizendo, – “Por favor, deixa-me continuar meu voo, pois, quanto mais tempo demorar, pior para a minha futura Colmeia!”
    Ela continuou, – “Já vi que pensas que sou tua inimiga, talvez porque sejamos de cores diferentes!”…
    Por acaso, já me tinha quase esquecido que ela tinha cores diferentes das habituais das Abelhas comuns. Vou e digo-lhe, “Ainda não me respondeste de que Colmeia vens ou onde pertences? Tu nada tens a ver com a nossa espécie e porquê apresentas essas cores metalizadas tão intensas?”
  • “Olha lá, e tu sabes porque és amarelo e preto?”, foi ela dizendo com certa firmeza.
    Fiquei meio desconcertado com essa sua pergunta.
  • “Se não sabes responder, o melhor é deixar que eu siga o meu caminho, pois, já não tenho muito tempo para salvar a minha futura Colmeia”, disse ela com ar desafiante.
    Sem ter ficado muito ciente de mim, abri caminho e deixei-a seguir…

Uns tempos passados mais tarde, estava eu à porta de uma das Colmeias de nosso Enxame, que ora já ia ocupando um largo território, quando vi vários Zangões exploradores chegarem em voos apressados e sem pararem ao pé de mim, irem directo para o interior da Colmeia para junto da Rainha Mãe. No inicio não liguei muito ao assunto, porque já era de certa forma habitual, que viessem outros Zangões e voassem directamente até à presença da Rainha, para a fertilizarem também. Quando acabavam de praticar o ritual da fertilização, voltavam a sair para os seus postos de guarda, fosse lá onde fosse.
Mas, esse encontro estava revelando-se algo muito diferente. Em função do que eles tinham comunicado a Rainha, ela começou a emitir um zunido vibratório muito intenso, que era usualmente utilizado para reunir os Zangões à sua volta. Algo de grave estava a acontecer!
Quando me acheguei à Rainha, já uma parte dos Zangões tinha estado em sua presença e de imediato partiam para o exterior da Colmeia. A eles, outros Zangões das Colmeias vizinhas se juntavam num autentico exercito aéreo.
Mal entrei em contacto com a Abelha Mestra Mãe, ela foi-me transmitindo a razão do que levava a tal alerta mobilizativo. Havia uma enorme força de Vespas vindas na direcção de nossas Colmeias e havia que as tentar travar muito antes que elas conseguissem atravessar o nosso território e lhes fosse permitido entrar nas Colmeias, o que seria o provavel fim para de algumas delas, senão para todas.
As Vespas costumavam vir em formações cerradas e atacavam tudo à sua passagem sem dó e nem piedade. Uma Vespa, de tamanho muitas vezes maior, conseguia lutar contra dez ou mais Abelhas de uma só vez e despedaçá-las. Milhares de Abelhas morriam em tais arrasadores ataques. Muitas vezes, eram tão avassaladoras que, conseguiam penetrar nas Colmeias e dominar e destruir as Rainhas. Com isso, dominavam e destruíam por completo as Colmeias. As Abelhas que sobravam, acabavam sucumbindo mais tarde, votadas à sua sorte, ao abandono e à fome certa.

 

Ouviram-se os primeiros zumbidos aterradores ao longe. Os Zangões, acompanhados de Abelhas trabalhadoras comuns, que reforçavam a defesa, moviam-se na direcção da nuvem ameaçadora, que agora, já se visualizava claramente. O roncar do voo colectivo das Vespas era de tal ordem, que muitas das Abelhas e alguns dos Zangões, pura e simplesmente, assustadas, fugiram em direcção às nossas Colmeias.
As primeiras Vespas estavam perto de mais, e já não havia outro remédio que não lutar até à morte. Organizei pequenos esquadrões mistos de dez Zangões e dez Abelhas para atacar cada Vespa.
Assim que as primeiras chegaram, voamos em formação compacta na direcção das que vinham à frente, tentando barrar as primeiras. Um Zângão ía a uma das patas, outro a outra pata, outro a uma das asas e outro ainda, a uma antena e assim por diante. As Abelhas iam espetando seus ferrões nas partes mais moles dos corpos das Vespas, entre as suas cascas duras. Uma a uma, as Vespas da frente iam caindo. Junto com elas caiam alguns Zangões e Abelhas, também despedaçados pela força muito maior das Vespas. A batalha começava a ficar desequilibrada, com as Vespas em grande numero e força, a conseguirem perfurar as nossas linhas defensivas.
Ao longe, via-se a agitação crescente nas entradas das Colmeias. Muitas das Vespas já lá estavam a desbaratar as Abelhas que tentavam defender as entradas de acesso ao interior das Colmeias.
Depois de muita luta e alguns ferimentos, decidi fazer recuar a força dos Zangões para as entradas, sobretudo das Colmeias que pareciam estar ainda intactas e de ter alguma hipótese de defesa.
Muitas Abelhas voavam tontas e confusas para fora das Colmeias, não sabendo mais o que fazer e nem como reagir. À medida que as Vespas iam tomando as Colmeias, iam deixando uma onda de caos e destruição nos seus interiores. Elas vinham para invadir as Colmeias, destruir as Rainhas de cada Colmeia e para comer as larvas e o mel dos favos.

Algumas já haviam chegado à entrada da Colmeia onde estava a Rainha principal, a que eu defendia, desde que era o Chefe da Guarda. Quando aconteciam tais ataques, Abelhões e Abelhas concentravam-se em desviar a atenção dos atacantes para as outras Colmeias, onde havia Rainhas mais novas, procurando defender em ultimo lugar, reduto da Rainha das Rainhas, como estava agora acontecendo.
Apesar de nossa defesa ser impressionantemente compacta e firme na luta, algumas Vespas haviam conseguido mesmo meio feridas, penetrar nas Colmeias. Algumas de tão fortes, pareciam não sentir os mais de 20 ou mais Zangões e Abelhas agarrados a seus corpos. Mais pareciam tanques em marcha imparável rumo ao objectivo, que era o centro da Colmeia e a Abelha Mãe.
Já quase dados por vencidos e débeis pelas feridas da batalha atroz, ouvimos um zumbido fraco primeiro, para depois, mais parecendo um autêntico trovão, vermos no horizonte próximo, um enorme Enxame multicolorido prateado, reluzindo contra os raios de Sol. Parecia mais um foguete ou um raio sem forma definida, vindo em nossa direcção. Ainda cheguei a pensar o que mais seria aquilo, depois de estarmos quase destruídos e derrotados, que nos estaria prestes a cair em cima! Não demorou muito para que a respostas chegasse.
Como balas passando por nós, dividindo-se várias direcções, rumo também a outras Colmeias, aquilo que pareciam ser Abelhas de tom verde e vermelho prateado, reluzentes, mergulhava no que restava da batalha e atirava-se com um vigor desmesurado contra as Vespas. Nunca antes havia visto tanta coragem e determinação numa batalha. As Vespas, uma a uma, iam caindo desfeitas no chão. Outras, meio moribundas pejavam o solo, arrastando-se para o mais longe possível, algumas sem patas ou asas.
A meio da destruição e do caos da intensidade da batalha, alguma ordem foi começando a surgir. Ali, olhei para uma determinada Abelha, que me parecia estar no comando destas tais Abelhas verdes e vermelhas prateadas, e à medida que ela se foi aproximando de mim, vi logo que se tratava da Abelha com quem me cruzara uns bons tempos antes…

 

  • “Amigo Abelhão, sou eu a Abelha que deixaste passar, que para ti não passava de uma estranha, por ter aspecto diferente do teu. Estas vespas eram as mesmas que andavam rodando naquela ocasião a Colmeia que eu estava constituindo. Consegui lá chegar a tempo, depois que e deixaste passar, para organizar a nossa defesa. Como ainda estávamos a formar a Colmeia, tivemos que arranjar formas de despistar as Vespas, que tinham uma força considerável, disfarçando e camuflando o melhor que pudemos o nosso Cortiço. Tapámos as entradas com barro e como nós fazemos as Colmeias nas encostas de terra, foi fácil de dissimular a nossa. Assim, elas procuraram, mas, nem sequer o cheiro conseguiram detectar, pois, também produzimos certas hormonas que confundem outros insectos. No entanto, as Vespas formaram Colónias não muito longe de nossa Colmeia, tornando-se um perigo constante. Contudo, quando vimos que elas estavam começando a rondar vosso território, sentimos que elas vos atacariam um dia. Quando vimos que nos tínhamos multiplicado o suficiente e nossa Colónia era já grande e poderosa, decidimos vir juntar-nos a vocês. Contudo, elas foram mais rápidas e chegaram cá primeiro, não tendo conseguido evitar que uma boa parte de vossas Colmeias e Rainhas tivesse sido destruídas por elas!”, disse com ar altivo, aquela que parecia falar com um certo ar de Rainha dessa tais Abelhas misteriosas.
    Cansado se muito ferido, perguntei, – “Porque vir em nossa ajuda, quando as lutas com as Vespas causam sempre muitas vitimas, levando quase sempre à derrota das Abelhas, mais pequenas?”
    Ela respondeu, -“Já naquela altura te havia demonstrado que eu era um Rainha e tu, apesar da duvida e de eu não ser da tua espécie, deixaste-me passar, permitindo que eu salvasse as minhas Abelhas e a minha futura Colmeia, pelo que, em retribuição, decidi fazer algo por ti e pelas tuas Abelhas, vindo em socorro de vossas Colmeias. Agora, é hora de limparmos as Colmeias e de te ajudarmos a reorganizar as mesmas, antes de partirmos”.

 

Depois de inspeccionados os danos e de termos levado Abelhas e Vespas mortas para um lugar afastado, concluímos tristemente que, todas as Abelhas Rainhas das restantes Colmeias da nossa Comunidade haviam sido mortas, à excepção da Rainha das Rainhas. Contudo, aquela estava agora moribunda, devido aos ataques sofridos por algumas das Vespas que furaram as nossas defesas. Ficamos meios desesperados e sem saber o que fazer. Quase que decidimos a meio de tanta desolação e destruição, abandonar as nossas Colmeias e ir à procura de outras Comunidades de Abelhas algures, onde nos pudessemos integrar. Muito provavelmente, só os Zangões, devido a seus papéis reprodutores, seriam aceites. As Abelhas trabalhadoras não seriam tão facilmente aceites e acabariam por sucumbir algures dispersas e perdidas pelos campos. Seria o fim da nossa Comunidade como tal.
Não perdendo a cabeça, decidimos acompanhar a Rainha verde e vermelha prateada de volta à sua Colmeia, em tom de agradecimento, e isto também, porque ela aceitou gentilmente ceder-nos uma nova Rainha, que estava sendo formada em sua Colmeia e que, teria a função de desmultiplicar-se por outra futura Colónia, mas que, neste caso, viria connosco para nos ajudar a repopular as nossas Colmeias. Quando nos despedíamos, a Rainha verde vermelha prateada, em tom totalmente nobre, olhando para mim em meus olhos, virou-se para as suas Abelhas, dizendo, – “Queridas Filhas e Filhos da minha Colmeia, hoje será o dia em que vós sereis autónomos e em que terão uma nova e jovem Abelha Mestra a comandar-vos. Ela já esta formada e será ela, a partir de hoje, a vossa nova Rainha. Eu, por opção minha, vou ajudar estes nossos amigos e aqui o meu amigo Zângão amarelo e preto, a formar as Colmeias e a dar continuidade às Comunidades de suas abelhas. Houve uma festa naquele momento, com mel e geleia real posta a disposição de todas as Abelhas, anfitriãs e visitas, que comeram até se fartarem. Após isso, partimos com a nova Rainha Mãe de volta à nossa Colónia Colmeias…

 

A meio do caminho, a Rainha verde e vermelho prateado virou-se para nós, – “Só há um senão, e que vós estais ainda a tempo de corrigir e decidir ser será ou não certo que o que irá acontecer daqui para a frente!”
Fiquei meio atónito e perguntei, – “E o que será que nos levará tomar outra decisão diferente?”
Amigo Zângão amarelo e preto, – “Na verdade, nunca me saíste da cabeça e desde aquela vez, que me apaixonei por ti. Contudo, por seres diferente e pertenceres a uma Comunidade distinta de Abelhas, pensei que nunca seria possível nós um dia virmos a ficar juntos e a formarmos uma nova Comunidade! Mas, parece que isso estarás prestes a acontecer agora. Como disse, há um senão! Que, é o de sermos diferentes e de que, a partir daqui, todas as Abelhas e Zangões que eu conceber, mesmo sendo fertilizados por ti e pelos restantes Zangões, terão particularidades minhas e vossas misturadas. Seremos portanto, ora em diante, uma nova espécie de Abelhas verde-vermelho e amarelo-preto com tom prateado ou doirado. Portanto, se ainda me quiserem aceitar, tudo muito bem! Mas, se acharem que isso não está bem, pegarei em alguns de meus Zangões, e partirei com eles para fundar novas Colónias de minha espécie?”
Eu, olhando para as Abelhas e Zangões da minha Colónia de Colmeias, virei-me solenemente para a Rainha verde e vermelho prateado, – “Continuemos nosso voo, pois, também eu na ocasião me havia apaixonado por Sua Majestade…e agora que a temos connosco e precisamos de si, não vamos desistir de nossas sobrevivências, seja com a criação de uma nova espécie de Abelhas ou não. Pelo contrário, será para nós uma honra, que sejamos a partir de agora uma espécie misturada com aquelas que nos

salvaram da morte e da extinção certa. Viva a Rainha….”…

 

Nascia assim uma nova espécie de Abelhas. E a partir dali, passava tambem a existir, os melhores mel e geleia real que jamais haviam sido produzidos por qualquer espécie de Abelhas até ali existentes…

 

Pequena Estoria alusiva ao Natal, escrita em Luanda, Angola, a 23 de Dezembro de 2013, por Manuel JFD de Sousa, em Homenagem a todas as Crianças de Angola e do Planeta Terra e a Paz e a Liberdade dos Povos…