CANADÁ FIM DO CONFINAMENTO

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FIM DO CONFINAMENTO NO CANADÁ
RETORNO À ATIVIDADE PRODUTIVA
Pelo que já leram, com certeza, o Canadá é, pois, o primeiro país no mundo a decretar o fim do confinamento e o retorno, em força, à atividade produtiva e à economia, prevendo-se, já, para este trimestre um crescimento de 30% ou mais.
Que o Canadá sirva de paradigma para os demais países do planeta.
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HDES E COVID EM PONTA DELGADA

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May be an image of text that says "Casos Referidos para a Área Covid nas Urgências Novembro de 2020 a Março de 2021 250 ADULTO PEDIATRIA 200 TOTAL 150 100 50 Nov14 Nov28 Dez12 Dez26 Jan9 Jan23 Fev6 Fev20 Mar6 Mar20 Nov7 Nov21 Dez5 Dez19 Jan2 Jan16 Jan30 Fev13 Fev27 Mar13 Mar27"
Uma parte importante dos utentes triados para a área COVID19 do Serviço de Urgência do Hospital Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, nas últimas duas semanas foram diagnosticados como infectados pelo vírus SARS-CoV-2.
Aparentemente, tivemos 447 utentes referenciados (entre 15 de Março e 27 de Março), para um total de 154 testes positivos para o Sarscov2 (vírus responsável pela COVID19) na área de influência do HDES, o que representaria cerca de 34,45% do total (ignorando, para este fim, o viés de alguns casos apresentarem mais de um teste positivo).
126 dos casos positivos foram adultos, sendo o grupo etário mais atingido o dos 40 aos 49 anos, com um total de 31 casos (21,5% do total e 26% dos adultos). Com mais de 60 anos há a registar 28 casos, representando 22% dos adultos.
Até aos 18 anos foram diagnosticados 28 casos, sendo que 11 (38%) tinham 15 a 18 anos de idade.
O Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada é um enorme motivo de orgulho para todos os açorianos. Nesta fase de grande pressão, pelo volume de pessoas referenciadas para a Área Covid da Urgência do HDES ter sido enorme, para a nossa dimensão, e ter exigido um esforço acrescido de meios humanos, técnicos e de organização, o HDES esteve à altura.
Toda a preparação prévia (e intensa) de Fevereiro mostrou a sua utilidade nesta fase.
Segundo dados da Unidade de Epidemiologia Clínica do HDES, os 447 casos (sendo que aqui casos significam “atendimentos suspeitos de COVID19”) referidos entre 15 e 27 de Março representam 64% do total de 696 casos registados entre 1 e 27 de Março. Pela primeira, desde o início da Pandemia, o número total de referenciações excedeu a fasquia dos 700 casos referenciados num mês.
Para se ter uma ideia da tendência de crescimento que se tem vindo a verificar (e que, apesar de todas as medidas implementadas, uma parte da população ainda parece não entender a sua gravidade) os valores de Março representam mais do dobro dos verificados no mês de Novembro, que teve 313 situações de triagem Covid19. Esse valor tinha aumentado para 568 em Dezembro, 650 em Janeiro e baixou para 374 em Fevereiro, para depois voltar a duplicar em Março.
O grau de infecciosidade do vírus é tremendo, especialmente se as pessoas não seguirem as medidas de prevenção que as autoridades nos pedem para cumprirmos.
Temos de proteger o Serviço Regional de Saúde para salvarmos vidas. E proteger o Serviço Regional de Saúde significa não fazer parte das cadeias de contágio em que, sem sabermos, podemos estar a contaminar alguém que pode terminar esta doença com uma fatalidade.
You, Fátima Silva and 23 others
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  • Muito bem. Dá gosto ver o trabalho e transparência do HDES. Força, conselho de administração. 🙏🙏Sinto-me muita segura se algo me acontecer.
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O Hotel Terra Nostra de Santa Maria

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Rosélio Reis

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Maria Elena Costa

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*Hotel Gink*
O Hotel Terra Nostra de Santa Maria
Foi, durante muito tempo, a única unidade hoteleira de Santa Maria. Mas foi, acima de tudo, uma unidade que veio a servir de “escola” a outras instituições hoteleiras de S. Miguel.
A ilha viu-se, de um momento para o outro, elevada da sua condição de menor, onde nem sequer havia luz elétrica. A construção do aeroporto de Santa Maria, levada a efeito pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, sob a capa da Pan American, deu origem à edificação de uma autêntica aldeia com caraterísticas de cidade, porque incluía todos os equipamentos sociais vulgarmente utilizados e necessários num espaço maior. A primeira coisa que aconteceu de especial relevo nesta ilha foi quando os americanos ligaram o primeiro gerador elétrico e se fez luz! Seria isso o prenúncio do que estava para vir. Hoje é impensável viver sem luz, ou sem centrais elétricas. E, tirando o aeroporto da equação, a ilha ainda viveu muito tempo na escuridão até que, por volta de finais dos anos 60, se começou a fazer luz nos espaços exteriores mais distantes.
Na sua área delimitada, a sul pelo açucareiro e a nascente por Santana, houve espaço para criar tudo o que se considerava indispensável. Passando das tendas de lona verde para construções mais sólidas, uma das primeiras estruturas a aparecer foi precisamente o Hotel Gink, mais tarde rebatizado por Hotel Terra Nostra. Destinado a receber só os visitantes mais ilustres e de elevada patente, muito limitado no tamanho – inicialmente só tinha cerca de 30 quartos – com o fim da base aérea e a passagem a aeroporto internacional, esse hotel veio a ser ampliado para cerca de 130 quartos, mantendo e elevando as condições de habitabilidade, iguais às dos melhores hotéis conhecidos. Entregue à gestão do Grupo Bensaúde, veio a tornar-se um hotel modelo onde se cumpriam, à risca, todas as regras do bem servir, levadas a rigor pelo melhor pessoal hoteleiro que para a ilha veio. O primeiro Diretor do Aeroporto, Comandante Henrique Owen Pinto de Barros da Costa Pessoa, e a sua família, da qual fazia parte a filha D. Maria Elena da Costa Pessoa, tiveram o Hotel por moradia até que a construção da sua casa fosse concluída. O Hotel foi também o lugar onde viveram os oficiais da Job Order 101, enquanto instalavam os pavilhões Quonset Hut para onde se mudaram quase um ano depois. Foi também local de pernoita das tripulações dos aviões que demandavam o aeroporto, nas sua rotas entre os continentes Europeu e Americano. Era tudo pessoal endinheirado o que permitia manter um programa de diversões muito diferente do que seria habitual noutras condições. Para isso o hotel possuía uma orquestra residente, com músicos de categoria, que tocava todos os dias, e tinha muitas vezes artistas convidados para animar os longos serões, já que não havia na ilha mais nenhum atrativo digno de tal clientela. O senhor Pamplona, que chegou a ser professor de música no Externato, o senhor Palhinha e o senhor Santos tinham essa incumbência. Ainda havia o senhor Viúla, que participava com o seu acordeão como artista convidado.
Foram vários os artistas que atuaram no hotel, alguns aproveitando a escala dos aviões por Santa Maria. Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Mara Abrantes, António Calvário, Madalena Iglésias, Kenny Rogers (que faleceu em Março de 2020), The Platters, o grupo brasileiro Irmãos Guarás e Lolita Calvo, espanhola, que deu vários espetáculos… Frank Sinatra deu espetáculos no cinema do aeroporto e esteve hospedado no hotel. Danny Kaye, que contracenou com Sinatra em “High Society”, também foi hóspede. Louis Armstrong esteve em Santa Maria no restaurante do aeroporto e deu um autógrafo ao pai da Isabel Biscaia. Arturo Toscanini, músico e maestro, Tyrone Power, ator, Harry James, trompetista, Bing Crosby, ator e cantor, Charlton Heston e Rock Hudson, são alguns dos muitos nomes ligados ao Hotel Terra Nostra. Mas há mais. Os primeiros Ministros da Grécia e do Canadá (Joe Clark), o Presidente Tito da Jugoslávia e o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, foram alguns de muitos políticos que passaram pelo Hotel Terra Nostra. A equipa principal do Belenenses ficou retida em Santa Maria por causa do mau tempo, no princípio dos anos 50. A equipa de hóquei do Benfica também ficou retida e aproveitou para um jogo amigável com o Clube Asas do Atlântico, onde alinhava o Jorge Vicente. Também o Futebol Clube do Porto passou pelo Hotel. Até o Cantinflas, ator muito popular nos anos 50, esteve hospedado no hotel. Não cantou mas a rapaziada tirou-lhe o juízo e lá foram todos jogar à bola…
O Diretor do Aeroporto, Alexandre Negrão, impôs normas difíceis de cumprir, desde logo a obrigatoriedade de toda a gente só poder lá entrar bem vestida e com gravata, regra essa levada a rigor por toda a equipa de trabalhadores e gestores. Além disso, nem mesmo os rececionistas, nas suas horas de folga, podiam entrar no hotel para participar nos bailes que lá se organizavam!
O Hotel Terra Nostra era considerado um caso modelo. Ali se habilitava o pessoal de outros hotéis do grupo. O pessoal, todo uniformizado, causava impressão. Os jantares eram sumptuosos, sempre servidos por pessoal de jaquetas brancas e guardanapo pendurado no braço. Era este o lugar escolhido pelos diretores do Externato para realizar os almoços de confraternização do fim do ano escolar. Os rececionistas eram uns “senhores” distintos. Até os porteiros impunham respeito! Os bailes do Hotel eram famosos, chegando a ser participados por pessoas de S. Miguel. Também os torneios de bridge eram motivo para grandes ajuntamentos da alta sociedade da ilha.
Além dos quartos de hóspedes, havia as vivendas anexas ao hotel que eram as habitações do pessoal trabalhador e suas famílias. Os empregados do escritório eram pessoas extremamente habilitadas. João Rodrigues, Manuel Rodrigues, Simas, Cardoso, Carlos Correia, António dos Santos, Pamplona… Até havia uma poetisa que ganhou alguns jogos florais e chegou a ver as suas poesias reunidas em livro: era a D. Delta, uma professora muito popular na época que, nas horas de folga, ajudava na contabilização das roupas do Hotel, com a D. Hortense Madruga, uma faialense que era a governante e acabou por ir trabalhar para o Terra Nostra das Furnas. A D. Delta era muito nutrida e o seu nome passou a estar aliado à sua própria figura. Escreveu um livro chamado “Poesias…”, publicado pelas Edições Panorama. E há uma poesia linda de nome “Lenda Sobre o Descobrimento dos Açores” que vale a pena ler.
O primeiro gerente do Hotel Terra Nostra, já sob a propriedade do Grupo Bensaúde, foi Francisco Martins. Era um senhor de Ponta Delgada que também tinha uma Agência de Viagens e que, em Santa Maria, possuía a Residencial Central, um edifício de construção equivalente ao hotel, a que teve de renunciar e vender para poder assumir a gerência. Foi uma condição “sine qua non” imposta pelo Grupo Bensaúde. Seguiu-se o senhor Manuel Cardoso, que era um empregado do escritório sem grande jeito para a função. Foi substituído por uma gerência interina, partilhada pelos senhores Carlos Correia e pelo senhor Simas. Meses depois assumiu a gerência o senhor Duarte Pimentel. Ainda aguentou muitos anos até que seguiu para o Hotel Avenida, do mesmo grupo. Chegava ao fim a intervenção do Grupo Bensaúde. A partir daí, começou a sua decadência. Chegou a estar sob gestão do Governo Regional. A sua importância ainda se manteve por uns tempos até haver outras unidades hoteleiras na ilha. Mas nada previa que a sua história acabasse tão depressa: um grande incêndio destruiu-o por completo em poucos minutos. Até os arquivos, com parte da história do Hotel, foram subtraídos à curiosidade de futuros historiadores. Era um edifício construído em madeira! Só restaram as pedras da lareira…
PS.: Quero agradecer a colaboração prestada por Isabel Biscaia e Germano Bairos. Também gostaria de agradecer a todas as pessoas que puderem corrigir alguma má informação veiculada por este artigo e se puderem identificar algumas das pessoas que constam das fotografias.
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Luís Botelho, Jose Lopes de Araújo and 68 others
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    Também gostei muito do seu texto sobre o Hotel Terra Nostra, que afinal de contas está ligado à minha infância… meu pai, sempre em busca de um melhor clima para a sua asma, conseguiu emprego no Hotel Terra Nostra em 1957, como chefe de expediente, ca…

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      Rosélio Reis

      obrigada, não consigo encontrá-lo à venda na net, pode dizer-me qual é o site? Obrigada pelo poema mas a nossa comum amiga Isabel Biscaia em tempos também mo mandou.

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piscinas mal concebidas e vandalizadas

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Hoje, tal como fiz há já algum tempo no Nordeste, fui ‘visitar’ as piscinas cobertas da Povoação, uma obra de arquitectura muita bem conseguida mas a piscina com alguns ‘defeitos’ para a prática da natação, conforme dizem os especialista deste desporto.
Não há dúvida que vivemos numa zona muito rica , aquilo é um atentado e o mais grave deixar ficar à mercê dos vândalos que pululam por aí em todas as freguesias e concelhos, a do Nordeste ainda não está vandalizada, mas esta é um crime, para quem a mandou construir, outro crime para quem está no poder deixar ficar assim, quiçá seja pertença de algum banco, masmesmo assim poderia bloquear as entradas.
Fazer uma obra destas, que está muito bonita, num concelho que não tem população suficiente para a sua utilização, ainda por cima sem as dimensões para a prática a que foi destinada.
Diria que temos muitos imbecis a mexer no dinheiro que é de todos nós, para não chamar outros nomes.
Aqui vai uma pequena reportagem.
Tomás Quental, Luis Monteiro and 6 others
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  • Desconhecia. São estes os tipos de investimentos milionários que se fazem sem pensar na necessidade/usabilidade.
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    Inadmissível!
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  • Desconhecia realmente que desperdício
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para quem gosta da cor vermelha

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Pedro Tradewind Salgueiro

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🦾
Konzept Automobile

is at

Serra Da Arrábida

.

Amanhã sai vídeo deste passeio na Arrábida! Fiquem atentos.
Ferrari 550 Maranello x Ferrari 599 GTB
Chrys Chrystello

A importância dos judeus na história de Portugal, desde os tempos de Afonso Henriques

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Protocolo entre Sociedade Histórica da Independência de Portugal e a Comunidade Judaica do Porto assinala o papel dos judeus “na formação e desenvolvimento da Nação” e evoca a amizade entre Afonso Henriques e Yahia Ben Yaish, o primeiro Rabi-Mor do país

Source: A importância dos judeus na história de Portugal, desde os tempos de Afonso Henriques

Crónica 389 vivemos numa realidade virtual?

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Crónica 389 vivemos numa realidade virtual?

Há anos surgiu aqui em casa um conjunto especial de óculos que se ligavam a uma aparelhagem tecnológica e todos gesticulávamos nessa experiência de realidade virtual, com imagens e sons que imitavam a realidade…

Agora não precisamos desses óculos, basta abrir a janela e surge uma imagem da natureza em pausa, como se a ligação zoom tivesse ido abaixo ou a internet ainda não fosse de fibra ótica.

O mesmo com as pessoas, sejam ou não da família, só as vemos no pequeno ecrã do zoom, Skype ou outro, despojados que estamos de beijos e abraços e outras manifestações latinas de afeto que tanta inveja faziam aos orientais e anglo-saxões. E as nossas festas, procissões e outras manifestações atávicas de atraso cultural foram definitivamente eliminadas em nome da saúde pública que assim nos purifica de hábitos ancestrais arreigados. Assim, seja natal, páscoa, ou outra festividade judaico-cristão o governo decreta confinamento, proibição de circular entre concelhos ou outra medida que nos impeça de efetivamente celebrarmos tais datas. A desculpa é de o “bicho” o “vírus” não gostar de ajuntamentos.

Não se pode ir ao jardim público, nem correr na praia respirar ar puro para evitar contágio, mas podemos estar todos fechados num avião, numa sala de nossas casas, num transporte público, num hipermercado.

A educação das nossas crianças é tão virtual como aquilo que elas aprendem , uns dias na escola outras no pequeno ecrã. Daqui a uns anos ninguém se lembrará de como eram as escolas e os recreios e será carnaval todos os dias para andarmos sempre mascarados, o que tem a enorme vantagem de disfarçar os rostos e as expressões, e até as pessoas feias ficam mais lindas de máscara.

As vacinas de todas as marcas e feitios (pelas quais nenhuma farmacêutica pode ser responsabilizada) vão dar uma falsa sensação de realidade que é virtual, pois ninguém sabe que imunidade ou proteção darão, pois os infetados, doentes ou não, assintomáticos ou não, continuarão a preencher os telejornais de todo o mundo.

Claro que isto tem um preço, que é o fim das pequenas liberdades alcançadas no último século, coisa pequena e de menor valor pois essa liberdade já era virtual no voto e a maioria não o sabia e imaginava que o seu voto contava e servia para alguma coisa.

Quando os mais velhos morrerem ninguém se lembrará da realidade como ela era, habituados a novas realidades virtuais que até fazem uma pessoa sentir que está viva, mesmo estando escravizada num torpor de zombie. Mas posso estar enganado e termos sempre vivido numa realidade virtual tipo matrix, só que agora mudaram as regras e os cenários, diretores e realizadores…

 

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713

[Australian Journalists’ Association MEEA]

Diário dos Açores (desde 2018)

Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)

Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020)

 

 

 

Medidas para Ponta Delgada a partir de segunda-feira – Açoriano Oriental

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O concelho de Ponta Delgada vai estar em Médio Alto Risco a partir de segunda-feira e até sexta-feira, 5 a 9 de abril.

Source: Medidas para Ponta Delgada a partir de segunda-feira – Açoriano Oriental

2 poemas desta data noutras eras

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469.1. dia de enganos, abr 1, 1976

 

nesse dia acordou irritado

logo por azar estremunhado

notaria a seu lado

a mulher

morta há dez anos

os ossos espalhados pela cama

pressupunham

aqui e além

um certo descuido

mas que diabo!

voltou-se para a janela

tentando adormecer uma vez mais

invariavelmente o fazia em dias como aquele

foi então

atiraram a bola à vidraça

o quarto ficou estrelado

mil sóis recortavam-se no ladrilhado

esforçou-se por manter a calma

ocultou a face no travesseiro

agarrou a almofada

freneticamente

num esgar sensual

ao longe tiniam campainhas

não havia dúvidas

iria ser um dia mau

decidiu-se a folhear o matutino

recusou-se a acreditar

limpou os óculos

estava lá

sem engano possível

em título de caixa alta

em editoriais se consagrava

o sonho supremo da humanidade

por decreto presidencial

dum senhor que ninguém elegera

ia ser promulgada e publicada

no diário da governação

com força institucional

 

A D E M O – C R A – C I A

 

em termos mui solenes

o governo advertia

dentro de 24 horas

em cerimónia apropriada

nascia a democracia

e zás! nem quis ligar a televisão

quieto e calado tresleu

era demais!

violento choque!

democraticamente

sem se dar conta

caiu para o lado com um baque surdo

morreu na cama

e em jejum

democrata de nascença.

 


469.2. le poisson d’avril, abr 1, 1976

 

 

(hoje, todos os jornais cumpriram

nem uma só mentira se imprimiu

era a verdade toda

a do sonho não vivido

talvez possível

em letras garrafais

 

  • HOJE DIA NACIONAL DE ENGANOS É LÍCITO DIZER A VERDADE –

proclamava o editorial)

a duas colunas no canto esquerdo

a páginas quinze

era minha a foto e o nome

nem me impressionou!

ri mesmo com desprendimento

negra cruz encimava frontispício

dizeres os do costume

a missa presente no corpo do finado

hora a habitual

na residência

o féretro sairia para jazigo familiar

lembram-se de cada!

(claro que me importei quando o padre disse

que ELE me chamara à sua presença)

todos compungidos

choravam rezas e eulogias

vestiam negro

exceto as flores

e as palavras vazias

adivinhei um sorriso dissimulado

nos lábios da viúva

andei por aqui e ali

ouvindo este e aquele

pediam à minha alma

que os libertasse

queriam alívio

disfarcei-me por entre sombrias colunatas

e fugi

 

 

(ainda hoje me procuram!)

 

 

 

 

 

 

Templo perdido em São Miguel

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Ana Albuquerque Taveira

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José De Almeida Mello

.

Templo perdido em São Miguel
Muitas perguntas de levantam sobre este complexo: Quem o mandou erguer?, Qual a sua finalidade num espaço tão inóspito e distante como este? Quem ali viveu? Que divindade ali se venerava? Perguntas sem resposta.
Localização geográfica
Está localizado na freguesia Covoada, antigo território de Relva. junto de uma nascente água, num vale encaixado, entre uma densa vegetação e de difícil visualização, a uma altitude de 600 metros, e a uma distancia da costa do mar de 3, 5 km. Faz parte de uma propriedade privada, de um jovem agricultor, natural dos Arrifes.
Caracterização do espaço geográfico
A construção está inserida num pequeno vale, a que chamamos «Vale do Templo perdido». Trata-se de um vale fechado em forma de V estando a construção implantada na no fundo da do vértice do V. Toda a zona está coberta por uma intensa vegetação, fetos arbóreos, criptómerias, conteiras, entre outros.
Acesso ao complexo
Na actualidade por um pasto e de seguida por um trilho, entre uma mata de criptoméria e de fetos, que que vai estreitando à medida que o vale vais ficando cada vez mais estreito. No passado, naturalmente por um estreito trilho e entre uma densa vegetação endémica.
Flora envolvente
Nos século XV a XVII era um mato endémico e cerrado. Para termos uma ideia como seria, basta olharmos para a Tronqueira do Nordeste, e vermos as zonas protegidas, assim era aquele local, quando ali foi construida aquela edificação. Hoje ainda existem muitos fetos arbóreos, há mistura de espécies introduzidas nos séculos XVIII e XIX.
Condições climatéricas
Durante o inverno – frio e muito húmido, para além de ser chuvoso, enquanto no verão fresco e húmido também. O nevoeiro é uma presença habitual ao longo do ano.
Luz sol
Antes da introdução das criptómerias era uma zona com sol, e isso ainda se pode visualizar ao longo de um dia com bom sol, quando este através da árvores penetra nas ruínas. As 13h00 o sol incide sobre a cruz e sobre a porta como se fosse um raio para ali direcionado ( fachada virada a nascente) e pelas 16h00 o sol está a incidir no complexo das colunas, na sua fachada e no seu interior ( pátio), virado a sul.
Caracterização da construção
Trata-se de um complexo religioso de reduzidas dimensões e que está divido em duas partes distintas:
Ermida
Exterior
Fachada austera e simples, sem nenhum ornamento, havendo apenas um único registo a Cruz de Caravaca
Interior
O interior da ermida é espaço com cerca de 15 metros quadrados e um arco de volta perfeita, com altar. Não existe nenhuma abertura para além da porta, virada a nascente, bem como seu altar. O teto do templo é em abóbada/ ou de canudo. Há também na parede norte uma pequena copa.
Zona de refeições e pátio:
Exterior
1- A entrada para este espaço é por via de uma porta virada a sul e a escassos metros do templo;
Interior
1. Direita quem entra – Um corredor, com três copeiras;
2. Esquerda – colunata em pedra ;
3. As colunas têm capitéis dóricos, com execução tosca e irregular com os vãos de: 1.20, 1.64, 1.30, 1.30 cm, tendo cada coluna a altura de 190 cm e de largura: 21 cm, 60 cm, 67 cm, 62 cm;
4. As vigas de suporte que suportam a coluna têm 2.60 m e 3.23 m;
5. Sala de refeições com 2.00 m x 6.60 m;
6. Mesa em pedra com 2.00 m 70 cm;
7. Bancada de pedra em forma de L.
8. O tecto do refeitório é em abóbada;
9. As paredes da espaço de refeições é composta pela colunata ( a nasceste) e por uma parede a poente.
Pátio
1. trata-se de um espaço que poderá ser entendido como se fosse uma «claustro», uma vez que é todo ele encerrado pela orografia do terreno. O único acesso ao espaço área é a galeria/ corredor ou o refeitório.
Símbolos
No tampo da mesa do espaço das refeições estão inscritos alguns símbolos, como a cruz e uma circunferência e um ponto no seu interior, sendo este idêntico ao que se encontra no complexo do Monte Brasil, na ilha Terceira.
Onde foi retirada a pedra para a construção do edifício?
Na zona envolvente ao complexo não há registo de um pedreira. Havendo apenas no local duas grotas, não muitos fundas, onde possivelmente tem origem a pedra.
A historiografia fala sobre estas construções?
O Cronista Frutuoso nas Saudades da Terra ( livro IV, capitulo L, da edição de 2005, p. 209), ao descrever o meio da ilha de S. Miguel, ao passar por aquele espaço, não faz referências a este complexo, apenas o cronista cita a «Fonte de Agua». O mesmo acontece quando faz a descrição da Relva ( capitulo XLIV, p. 179).
O Padre António Cordeiro, na História Insula, com data do século XVIII (1717) ao fazer a descrição da ilha também não faz referencia ao complexo da da Agua Nova.
Fr. Agostinho de Monte Alverne, Crónicas da Província de São João Evangelista das Ilhas dos Açores, (edição de 1991), não faz referência a este complexo, no entanto referenciou o cemitério das Furnas, no volume II.
Francisco Maria Supico, nas Escavações nada fala, apenas refere-se ao ermitério das Furnas, que foi fundado em 1614 e destruído em 1630, tinha uma ermida de Nossa Senhora da Consolação ( ver OC. Paginas – 1104, 1105 e 1219 ).
Quem mandou construir o complexo?
Não temos informação à data presente de quem mandou erguer esta construção. Estranho é que ela não seja referenciada na historiografia local, bem como nos crónicas do século XVI/ ou XVII. Também achamos estranho que esta construção tenha permanecido em silêncio durante vários séculos, embora ela seja do conhecimento de algumas pessoas, mas de um grupo muito reduzido, não sabendo no entanto do que se tratava.
Em que século poderá ter sido este complexo construído?
Existe no local a data de 1624, tendo numa pedra, com as armas da cidade de Ponta Delgada. Será esta a data do construção do imóvel? Ou será a data de outra construção no local, devido à captação das aguas para a cidade?
Também existe as letras IHS, ( Jesus Hominum Salvator). Estas iniciais foram utilizadas em muitas construções – pela Companhia de Jesus, a que pertencem os padres jesuítas, mas também por outros grupos de cristãos.
As colunas que estão no maior complexo são chanfradas. Era comum até ao século XVII se fazer este talho na pedra. Terá sido este complexo construído entre a escrita das Saudades da Terra ( antes de 1591, ano da morte de Frutuoso) e o ano de 1624, data que está inscrita na pedra? É de referir que os tetos são abobadados. E isso só reaparece no século XVI, com a renascença.
Ao que parece há uma lenda em torno do local?
A revista Açores, datada de Novembro de 1922, p. 24, diz que este complexo se ficou a dever a um grupo de Castelhanos, que ali se refugiram, que fugiram à lei, devido aos crimes que cometeram e fixaram-se naquele espaço. Não temos suporte se de facto isso aconteceu. A mesma fonte refere que o espaço religioso seria uma obra dos jesuítas, que ali iam fazer suas orações. Recordamos neste sentido que a companhia de Jesus é mais urbana.
Estamos perante um complexo de religiosidade cenobita?
Penso que sim, que estamos perante um lugar cenobita, ou que quer dizer é que este complexo poderá ter sido nosfinais do século XVI e inicio do século XVII uma casa de acolhimento de um reduzido grupo de indivíduos, que levaram um vida com as mesmas prerrogativas, estando isolados do mundo e em contacto com a natureza. No que toca à sua rusticidade, simplicidade e pobreza, a existência de um pequeno templo, com fachada para o exterior, bem como um refeitório com uma mesa de pedra, para além da casa da água, ou seja de uma nascente. Ambas as estruturas estão localizadas em locais inóspitos e isolados do mundo. Não existe nenhum elemento decorativo no local, mas sim austeridade pura.
Qual a razão da edificação deste complexo naquele local?
Possivelmente a razão principal para a sua construção se fica a dever a existência de água no local, uma nascente, como indica Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra e a constatar hoje. A orografia do terreno também ajudou, no sopé do Pico do carvão e num vale encaixada e como tal abrigado dos grandes vendavais.
A razão principal é o isolamento total, tendo como fim único o contacto com Deus, através da oração e de uma dura e austera forma de estar na vida, sem luxo, sem conforto, num local isolado e inóspito. Isso aconteceu em outras partes do mundo também, com «crentes» que se deslocaram para o deserto ou para as florestas, em pequenos grupos de dois ou de três.
Terá havido outras construções no local?
É provável que sim. Existe um templo, casa de oração, um refeitório, ou seja espaço de alimentação e ainda um pequeno espaço fechado, que poderá ser aqui entendido como espaço de lazer e de reflexão. É provável, dada a distancia da costa marítima, que houvesse no local um dormitório e um pequeno espaço de horta, para alimentos de base, note-se que a poente do refeitório há um pequeno vale, hoje coberto pela vegetação. Não sabemos que existe ou existiu algo nele.
Porque razão há apenas duas portas?
A ermida tem apenas uma abertura, uma porta pequena, não tendo nenhuma janela. Quando era fechada o «religioso» ficava totalmente isolado do mundo, como se fosse uma cápsula.
A construção da colunata, tem apenas uma única porta, que quando era fechada ficava o seu espaço totalmente isolado.
Estamos perante um complexo de oração isolado do mundo e em contacto com o divino, quando as portas se fechavam.
A porta do templo fica virada a nascente, enquanto que a porta do complexo das colunas fica virada a sul, formando um ângulo de 90 º. C
A Cruz de Caravaca?
A cruz de Caravaca tem dois braços horizontais, em que no centro da Cruz é costume haver a figura de Jesus ou o monograma “JHS” representativo da figura de Jesus. No caso presente isso não existe. A cruz que está inserida na construção é simples, no entanto em outra parte do imóvel há as inicias «IHS»
Estamos perante uma cruz pouco comum na ilha e mesmo nos Açores.
Há cavernas naturais no local?
Existe duas cavernas, não muito profundas, tendo a da direita mais de 15 metros de profundidade, com muitas desabamentos de terra no seu interior, estas cavidades estão a norte do pátio do complexo das colunatas. Elas ficam num nível superior, em relação à construção. Podem ter sido escavações humanas. Estas aberturas nas barreiras podem ter sido local de abrigo ou de extração de materiais, areia do mato, não sabemos ao certo.
Conclusão
Não temos certezas absolutas sobre este complexo, contudo tudo nos leva a crer que estamos perante uma construção
1. datada entre os séculos XVI/ XVII
2. de raiz religiosa de teor eremitico ou cenobita
– a ver pelo local onde foi construído;
– pela existência de água;
– pela tipologia do complexo;
3. com origens num pequeno grupo de castelhanos, a «confirmar» pela existência:
. cruz de Caravaca e com base na lenda;
4. que esteve praticamente à margem da igreja, dita por tradicional, atendendo que:
– nenhum cronista a citou nas suas obras ( Frutuoso, Cordeiro e Monte Alverne) todos com coincidência sacerdotes;
5. um complexo que foi engolido pela vegetação, se bem que nele se localiza uma nascente de água;
6. com uma tipologia hermética e simbólica:
– quando o «religioso» entra no templo e fechava a porta este encerra se para o mundo terreno e ali entra em contacto com o divino;
– quando se entra para o complexo das colunas, a única porta se fecha também para o – mundo e se abre para o jardim celestial, o éden.
7. com sobre o olhar de duas cavernas, também elas com um carácter simbólico. As grutas foram também espaços de acolhimento de ermitas/ cenobitas.
8. inédita no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel e possivelmente em todas as ilhas dos Açores;
9 Não referenciada na historiografia local, como objeto de estudo e nem como eremitério.
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