a frieza dos números de ocupação de camas nos hospitais

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May be an image of 1 person and text that says "OBSERVADOR António Ferreira Seguir Médico, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Covid-19: de como a frieza dos números atraiçoa a "narrativa" oficial"
O Prof. Dr. António Ferreira, médico especialista e doutorado em Medicina Interna, a exercer no Hospital de S. João, do qual foi Presidente do Conselho de Administração, chama hoje a atenção para alguns factos constantes dos dados oficiais:
– A taxa de ocupação dos hospitais públicos foi, em 2020, em plena pandemia, significativamente menor do que tinha sido em 2019.
– Em pleno pico da pandemia, em janeiro de 2021, a taxa de ocupação dos hospitais públicos foi menor do que nos períodos homólogos de 2019 e 2020.
– Comparando mês a mês, em todos os meses do período pandémico, a taxa de ocupação dos hospitais públicos portugueses foi menor do que em igual período do ano anterior.
——————-
Dito isto, muita coisa pode ser discutida. Para mim, a única coisa indiscutível é a incompetência criminosa da Ministra e das autoridades. Quem tiver olhos para ver, veja; quem tiver cabeça para pensar, pense. Mas reconheço a todos os que me lêem, mais ou menos amigos, o direito de terem uma opinião diversa, de iludirem a realidade e de serem, eles sim, os verdadeiros negacionistas…
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AS ILHAS DE GUILHERME DE MORAIS

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AS ILHAS DE GUILHERME DE MORAIS
«(…) é que estas terras, eleitas de Deus, são ainda desconhecidas dos próprios açorianos, perdidos uns nos outros na bruma das ilhas afastadas.
Os açorianos são, infelizmente, os primeiros a desconhecer os Açores, isolados nos seus alcantis, como se cada ilha fosse um País diverso e longínquo.
Por isso todo o açoriano devia fazer o cruzeiro das suas ilhas: para decorar o poema de beleza que existe em cada uma, para escutar a alma que palpita em todas – Portugal.»
Embora não seja muito frequente e talvez até pouco avisado abrir um comentário a uma obra literária fazendo uso de um trecho tão extenso, a verdade é que não há como ficar indiferente à mensagem ali registada. Sendo certo que na primeira metade do século passado esta premissa teve um alcance, seguramente, bem mais amplo, a verdade é que não se evidencia nela quaisquer imprecisões, volvidos que estão quase noventa anos desde a sua redação original.
A obra «Ilhas do Infante», da autoria de Guilherme de Morais (editada pela primeira vez pela Livraria Editora Andrade, em Angra do Heroísmo) é o resultado de uma série de crónicas publicadas na imprensa regional açoriana, fruto de um cruzeiro a bordo do vetusto Vasco da Gama, o «velho Pimpão da Heróica Marinha de Guerra Portuguesa», decorria o ano de 1932. A viagem pelas ilhas celebrava «patrioticamente o V Centenário do seu Descobrimento», numa altura em que se apontava 1432 como a data de descoberta das ilhas açorianas.
Para além do texto original de Guilherme de Morais, em boa hora recuperado pela editora Artes e Letras, este excelente volume integra também três textos introitos: um da autoria de Urbano Bettencourt, onde tece preciosas anotações de contexto, adiantando também algumas de índole mais analítica, outro da responsabilidade de José Henrique dos Santos Barros, anteriormente publicado no seu «O Lavrador de Ilhas – I», e intitulado «Os Açores Num Livro de Viagens Dum Escritor Açoriano Injustamente Esquecido», onde se pode confirmar que o livro se lê «(…) ainda hoje, com bastante interesse», e outro, ainda, sob forma epistolar, em cujo remetente Ruy-Guilherme de Morais, filho de Guilherme de Morais, autor da obra original, partilha, com soberbo brilhantismo literário, informações sobre a vida e obra do seu falecido pai, com quem apenas conviveu durante seis anos, em consequência do precoce desaparecimento de Guilherme de Morais aos trinta e três anos de idade.
Qualquer um destes relatos conduz os leitores a uma narrativa de viagem verdadeiramente extraordinária, abrindo-lhes possíveis perspetivas de leitura ou, ao invés, condicionando-a irremediavelmente, sobretudo, pelas constantes alusões que são feitas às similitudes com a muito interessante obra «Ilhas Desconhecidas», de Raul Brandão. Aliás, é o próprio Guilherme de Morais que, na sua narrativa e por diversas ocasiões (talvez em demasia), faz referência à obra de Brandão, publicada em 1927, cerca de cinco anos antes deste seu cruzeiro pelas ilhas açorianas.
Ainda que encarasse os Açores como «uma visão do Paraíso», e visse este como um «livro de paisagens», a riqueza deste «Ilhas do Infante» encontra-se alojada, sobretudo, na leitura que conseguir penetrar além do ato meramente descritivo e contemplativo, pese embora, este, per si, seja já digno de assentamento. Servindo-se muitas vezes de uma linguagem luxuriante, mas nem por isso menos lúcida, Guilherme de Morais dá-nos conta desta sua «peregrinação sentimental» pelo arquipélago (que muito lhe exaltou o «açorianismo»), não olvidando de, a trechos, lançar o seu olhar expositivo e, subliminarmente, crítico sobre a vivência social, económica, política, no fundo, sociológica, nos Açores, na primeira metade do século XX.
Esta é uma obra que precisa de ser lida com calma, (re)construindo mentalmente cada imagem, saboreando cada descrição, para assim conseguir trazer à memória cada recanto, cada visão, cada ângulo ou ponto de vista descritos. Mesmo considerando a incompletude em termos de ilhas (encontra-se omissa a narração da visita à ilha Terceira), assim como as diferentes “profundidades” consignadas a cada ilha (fruto, sobretudo, do tempo de estada do Vasco da Gama em cada porto) este relato propicia uma visão distinta do arquipélago e, mesmo os afortunados que já calcorrearam as nove ilhas que o compõe, terão aqui uma oportunidade de se apropriar de uma outra visão que lhes é oferecida a partir do longínquo ano de 1932. Para aqueles outros que se encontram em processo de “ilharização”, esta obra reveste-se, então, de uma valia redobrada, dando-lhes a conhecer uma visão do passado que sustenta hoje a realidade que todos conhecemos.
Apreciei sobremodo todos os capítulos, «Intermezzo», incluído; de todos retirei considerações, mas, não há como deixar de enaltecer a atenção conferida à ilha de Santa Maria, da qual destacaria o excerto dedicado a São Lourenço: «Se me preguntarem onde está o segredo, o “quid” desta maravilha, não saberei dizer, ninguém o saberá dizer. É talvez este conjunto desarmónico, este destrambelho de cores, atropelando-se, repelindo-se, o verde das vinhas em luta com o vermelho vivo dos telhados, com o azul do mar e o ouro da praia e tudo isto, afinal, confundindo-se, amalgamando-se ao mesmo tempo, num gral imaginário onde os olhos se perdem, numa visão daltónica, tontos de beleza emotiva.
Há paisagens que se não pintam porque não há cores que as possam trasladar, com fidelidade, da natureza. Essas, só a música, na sua portentosa faculdade interpretativa, as pode reproduzir.
S. Lourenço pertence ao número das paisagens musicais».
A par da refinada prosa poética que perpassa toda a obra, esta edição contempla ainda um conjunto de doze sonetos que atesta a «alta sensibilidade» de Guilherme de Morais e que comprova também que o seu desaparecimento precoce parece ter ceifado ao solo de criação açoriano o brilhantismo de uma pena que ainda teria muito para oferecer. Cabe-nos congratular aqueles que, sabiamente, souberam resgatar a sua obra do esquecimento, trazendo-a aos escaparates da vida, repondo, dessa forma, alguma justiça na injustiça com que se reveste sempre uma morte prematura.
«Ilhas do Infante», Guilherme de Morais, Artes e Letras, 2019
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timor e os camarões de montanha

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TIMOR (Díli, 1971-73) – Os camarões da montanha
A “pedido de várias famílias” aqui vai a história.
Certo dia, estando em contacto com o meu pai, via rádio (como era habitual), fiz referência a um jantar para o qual tinha sido convidado e onde serviram “camarões da montanha”. O meu pai, que já sabia da história dos camarões, nada comentou. Quando terminei o contacto, logo surgiram uns radioamadores de Moçambique, querendo saber que história era essa de haver camarões na montanha. Quando comecei a tentar explicar que eram apanhados nas árvores, já não consegui concluir. Riam-se e ironizavam, perguntando se nós lhes dávamos também milho a comer. Só no dia seguinte consegui explicar o assunto. Em Timor não existem cursos de água permanentes. Quando chove (há seis meses de época de chuva e seis meses de época seca), a chuva é diluviana (chovendo a hora certa!!!) e formam-se então subitamente verdadeiros rios (as ribeiras), de caudal fortíssimo arrastando tudo pelo caminho (árvores, animais, viaturas). No leito das ribeiras secas, permanecem enterrados ao longo de meses os tais camarões. Com a enxurrada, são arrastados e ficam presos na vegetação envolvente, podendo então ser apanhados como quem apanha fruta nas árvores.
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vai haver música galega no 33º colóquio

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Na próxima semana celebra-se telematicamente o XXXIII Colóquio da Lusofonia, que ia ter lugar em Belmonte, organizado pela AICL

Coloquios da Lusofonia AICL
https://www.youtube.com/watch?v=Tp2OBv2B0GA

. Para o meu recital gravei uns vídeos que serão emitidos em 10 de abril. Vai uma amostra, com a Sonata (anónima) do Álbum de Fernando Torres Adalid (Corunha, 1818-1883):

Sonata do Álbum de Fernando Torres Adalid (Corunha, 1818-1883)
YOUTUBE.COM
Sonata do Álbum de Fernando Torres Adalid (Corunha, 1818-1883)
As sessenta e oito obras do Álbum para guitarra de Fernando Torres Adalid estão formadas por música operística de Bellini, Paisiello, Mozart, Donizetti, Ver…
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Vania Dilac is feeling loved at

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DESEJO TE UMA PÁSCOA CONSCIENTEMENTE FELIZ!❤🙏🏽
É e sempre será a mais linda história de amor! Disponível a ser vivida ainda hoje por um Cristo ressureto!
“Porque Deus amou (me/te) o mundo de tal maneira que seu seu filho unigénito para que todo aquele que n’Ele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.23
EU CREIO EM TI JESUS!!!
Amazing…Grace no matter what!!!
I WISH YOU A CONCIOUS HAPPY EASTER!
❤🧡💛💚💙💜🤎🖤🤍
.
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0:32 / 3:21

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opiniões sobre uma obra literária

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Opinião de alguns escritores famosos acerca da minha obra:
Profeta Isaías: «João Nuno Azambuja é demasiado blasfemo para o meu gosto.»
Homero: «Escritor inspirado por uma musa que eu ainda não conheço.»
Vergílio: «Ele ainda vai a tempo de queimar os seus livros, coisa que eu não consegui.»
Petrónio: «O seu “Era uma vez um homem” esteve perto de igualar o número de palavrões por página ao meu “Satíricon”»
Camões: «Perdigão perdeu a pena, Azambuja encontrou um teclado.»
Eça de Queirós: «Ele é de Braga? Irra!»
Chagas Freitas: «Não desgosto, mas gostava de ver mais caralhadas nos seus livros.»

moçambique

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Renato Epifânio

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Moçambique - Revogada concessão das bases logísticas de Pemba e Palma à Sociedade Portos de Cabo Delgado, SA – PCD
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Moçambique – Revogada concessão das bases logísticas de Pemba e Palma à Sociedade Portos de Cabo Delgado, SA – PCD
Reunido, na passada terça-feira, em Maputo, na 10ª Sessão Ordinária, o Conselho de Ministros analisou o Decreto que revê os Termos da Conc…

CABO DELGADO , A COMPLEXIDADE DO PROBLEMA HISTÓRICO

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Não são apenas “invasores”, ou Portugal tinha razão
O Islão português que a FRELIMO não quis reconhecer
Por mais que o nosso coração se incline para reduzir e simplificar a situação no norte de Moçambique a um enfrentamento entre a autoridade do Estado e invasores provenientes da Tanzânia, a questão é muito mais complexa e nuançada, pelo que a solução do conflito requererá algo mais do que o triunfo militar sobre a sublevação. Em boa verdade, a invasão só o será marginalmente, pois que no norte de Moçambique se revelam particularismos que merecem especial atenção e estarão certamente na génese de tudo o que por lá acontece. Ali parece estar em curso uma secessão que só pode ser compreendida se atentarmos nas características dos territórios onde está em curso a sublevação.
Quando, em 1894, se riscou o mapa administrativo de Moçambique, foram delegadas funções majestáticas – isto é, de administração – à Companhia do Niassa [e Cabo Delgado], sob cuja
tutela aqueles territórios estiveram até 1929, transitando depois para a responsabilidade directa das autoridades portuguesas. Até 1929, ao governo português apenas cabia a administração da Justiça. Não deixa de ser importante o facto de Cabo Delgado se apresentar então como habitado por “populações civilizadas”; logo, capacitadas para o processo de uniformidade e assimilação ao sistema jurídico português. Por outras palavras, as populações de Cabo Delgado e do Niassa cumpriam todos os requisitos para poderem participar em plenitude no sistema jurídico e social português. Era o mundo islâmico português. A atestá-lo, o facto de, já no início do século XX, a maioria dos funcionários no juízo de direito em Cabo Delgado serem africanos.
Cabo Delgado integra o mundo Swahili exposto à dupla influência do Islão e da civilização árabe, ali tão profundamente ancorados, pelo que sempre mereceu ser encarado por Lisboa como distinta dos então distritos retintamente banto do centro-sul e do sul de Moçambique. Quanto ao Niassa, povoado pelos Yao também muito islamizados, a situação é análoga e pode ser acoplada à de Cabo Delgado. Tais populações participaram intensamente no comércio do Índico e a partir do século XVIII especializaram-se no tráfico negreiro escoado do hinterland para o sultanato de Zanzibar. Em Cabo Delgado, quase 60% da população segue os preceitos do Islão e no Niassa a população muçulmana também é dominante.
Quebrando a continuidade entre muçulmanos da costa e muçulmanos do interior, só os macondes estudados por Jorge Dias ofereceram grande resistência aos caçadores de escravos árabes e afro-islâmicos, pelo a religião de resistência maconde transitou lentamente das chamadas religiões animistas para o catolicismo. Se para dominar a expansão do terrorismo será necessário armar os macondes, o bom senso e a inteligência inclinar-se-iam para o reconhecimento de um Islão moçambicano, compreendido e respeitado pelos portugueses, mas logo perseguido e menosprezado por uma FRELIMO predominantemente banto sulista e muito inclinada para o uso da força. Se a tais populações do norte e da costa Swahili não forem garantidas condições razoáveis de alguma partilha das riquezas naturais agora exploradas [e disputadas] entre franceses, americanos e chineses, temo que o conflito possa chegar a Quelimane, ou seja, em plena Zambézia.
Afinal, a chamada Antropologia dita “colonial” sabia de tudo isto há mais de 100 anos.
May be an image of ‎map and ‎text that says "‎Sudan Djibouti Somalia Llac Niassa Ethiopia MARAVI YAO Zaire Turkana Albert Uganda Kenya Lichinga NI MARAVI BLESDEL SWAHILI Tanzânia Burund MAKUA-LOMWE JA-LOMWE MAKU Indian Ocean Mocimboa daPraia Tanzania 'Zanzibar Zâmbia ۔s Malaw Delgado SWAHILI POBLES Quelimane IXZAMBESI Lake Nyasa Zambia/ GA) Beira Malawi Zimbabué Lake Kari Zimbabwe Mozambique Moçambique TSONGA Madag NGUNI Inhambane TONGA CHOP Madag África Sul Maputo‎"‎‎

Rogério Mimoso Correia, Alberto Borges and 1 other

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  • Excelente post; fica-se a pensar porque razão os media não fazem análises como esta.

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    • António De Borja Araújo

      Porque não correspondem à verdade! Se fosse os “insurgentes” seriam maioritariamente moçambicanos, nomeadamente macondes mas não só, e não atacavam a população da maneira que atacam.

      A única coisa que se aproveita é a questão da…

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    • António Serra

      , obrigado pelo seu comentário: esta é uma realidade que desconheço pelo que todas as informações que leio ajudam a melhorar os meus conhecimentos.

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alerta laranja açores

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  • ATENÇAO AS ILHAS
  • Pico Faial e ilha de sao Jorge possível próximas horas forte precipitação estrema e excessiva com valores excessivos sendo assim levantamos o Alerta para estas 3 ilhas para laranja esta madrugada e amanha sábado o alerta se mantem entre estas ilhas alerta laranja possível risco estremo de precipitação muito elevada nestas 3 ilhas
  • ATENÇAO AS ILHAS
  • Pico Faial e ilha de sao Jorge possível próximas horas forte precipitação estrema e excessiva com valores excessivos sendo assim levantamos o Alerta para estas 3 ilhas para laranja esta madrugada e amanha sábado o alerta se mantem entre estas ilhas alerta laranja possível risco estremo de precipitação muito elevada nestas 3 ilhas

análise à trampa que passa por educação em Portugal

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Quando os nossos responsáveis pela educação se questionam sobre as razões que justificam que as nossas crianças e jovens tenham dificuldades gravíssimas de interpretação, um pequeníssimo vocabulário e um desinteresse real pela leitura do que vale a pena, não se lembram do óbvio:
Razão primeira: não temos um ministro da educação que conheça o país real, a realidade das escolas;
Não temos um ministro da educação que tenha pensamento próprio, uma estratégia para os jovens, para o 1 ciclo, para os universitários e que, desde logo, reconheça que para mudarmos o caos no ensino é essencial falarmos verdade: falar da falta de competência científica, de leitura, de cultura da maioria dos professores (há que dizê-lo com frontalidade porque se trata do primeiro passo para se curar um mal profundo), da pobreza factual da maioria dos portugueses,
do meio socio-cultural corrompido por séculos de exploração, alienação, corrupção de valores como o trabalho, a dignidade;
Falta-nos quem pense no quotidiano das famílias,
Quem se preocupe e pense sobre o desencanto dos professores,
Quem denuncie os baixos salários que afastam os melhores duma profissão que deveria ter os melhores – isso um ministro da educação tem de fazer!
Ministros sempre versados em estatísticas, em teorias dum pedagogismo inaplicável, irrealista… Isso nos esmaga, enfraquece, formata, nos condena à iliteracia absoluta.
Outras razoes:
A) que não há serviço público de televisão com programas de incentivo à leitura, sendo a TV ainda a grande educadora deste país de desempregados, de cafés de bairro, de famílias reunidas à volta dos ecrãs;
B) que o que se patrocina na cultura é sobretudo show, isto é, o que é imediato, banal, sem complexidade;
C) que os programas e scares nos últimos 25 anos secundarizaram as arte e a literatura, a história e a filosofia é que, portanto, as gerações mais novas foram deformadas, educadas no mais abjecto dos facilitismos – não há reprovações, todos são competentes na leitura, na escrita, nas contas, no desenho… ;
D) que o paradigma tecno-cientifico está inflacionado e não há um equilíbrio de importância real e simbólica entre ciências e letras;
E) que a ideologia dos exames nacionais conduziu apenas à competitividade entre escolas e alunos, com a subsequente deturpação de resultados;
F) que sem formação de professores nas áreas de História, História das artes, literatura, Música, e áreas afins, não estamos a defender nem a democracia, nem a liberdade, mas sim a lançar as sementes dum futuro feito por gente bocal, desqualificada, meros técnicos que julgam que o saber está à distância dum clique, jamais no acto de ler, reflectir, questionar;
G) que a leitura só pode nascer no coração das crianças e adolescentes quando o ensino do português não se reduz à obsessiva e equívoca didáctica gramatical, que leva a que os professores de português considerem que saber a língua depende do número de fichas e de exercícios sobre sintaxe e morfologia desde a mais tenra idade;
H) que se aposta mais em computadores mas escolas, do que em livros;
I) que o mercado livreiro vende, na sua maioria, lixo que passa por livro;
J) que este é um país pobre, com a maior carga de impostos da Europa, e que entre o livro, o cinema, a boa música, a consciência cívica, o português quer o lidl, a telenovela, o o hip-hop tuga (chamem-me elitista), a boçalidade de pertencer a um clã (juventude partidária ou clube de futebol, igreja ou seita)
Assim só resta a tese de Fradique Mendes
“Nada a fazer”
Resposta de uma criança de 10 anos:
– Gostas das aulas de português?
– (longo silêncio)
São uma seca.
Frase de um aluno meu, há coisa de 5 anos:
– A cultura não paga as contas. Não serve pra nada.
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  • Brilhante análise! Crianças e jovens alunos, assim como adultos /professores, anseiam por mudanças para ontem… Estamos cansados que a sociedade aposte na falta de pensamentos próprios, na falta de cultura, na promoção de um ensino “enganador” e fa…

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Sete mortos no Reino Unido após vacinação com AstraZeneca – Jornal Açores 9

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Num comunicado enviado à agência France-Presse, a Agência Reguladora de Medicamentos e Cuidados de Saúde do Reino Unido (MHRA) diz que sete pessoas morreram de coágulos sanguíneos, num total de 30 casos identificados até agora. Na sexta-feira, a MHRA anunciara ter identificado 30 casos de coágulos sanguíneos raros entre os 18,1 milhões de pessoas vacinadas […]

Source: Sete mortos no Reino Unido após vacinação com AstraZeneca – Jornal Açores 9