NOVIDADES DE ILHAMÉRICA DE PEDRO ALMEIDA MAIA

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Mais leituras do romance “Ilha-América” com desejos de o ver materializado na tela. Já esteve mais longe de acontecer! Obrigado e parabéns pela iniciativa. #delivroparaasilhas
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✈️Amanhã, dia 2 de junho, comemora-se o 75º aniversário da transferência do Aeroporto de Santa Maria de americano e militar para português e civil.
✈️O Aeroporto Internacional de Santa Maria deixou na ilha um legado e património que não podem deixar de ser valorizados.
✈️“Ilha-América” de Almeida Maia teve um grande significado para mim exatamente porque relembra, valoriza e imortaliza em livro uma aventura de um tempo da história mariense que moldou a sociedade e a fez evoluir no que é hoje.
✈️Por isso, no âmbito deste 1º post de junho do #setediasde com o tema “Livros que gostava que tivessem adaptação cinematográfica” (projeto organizado com a @miriamthemermaid) publico foto do livro “Ilha-América”, que tem uma história que eu adorava ver na TV (ou quem sabe na @netflixpt 😉 fica a dica 😉) com a antiga Torre de Controle ao fundo, que, segundo consta, será transformada num museu.
✈️Esta é também uma sugestão de leitura para quem quer participar no #delivroparaasilhas , um projeto organizado com a @angiexreads que incentiva à leitura de livros sobre e das ilhas dos Açores e Madeira.
Luís Botelho, Sandra De Sousa Bairos and 15 others
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  • Paulus Boscus

    Sério?! Adaptação audiovisual à vista? Boa!
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POESIA DE EDUÍNO DE JESUS

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Artigo do “Atlântico Expresso” do dia 31 de maio de 2021
“No Princípio Era o Verbo”
Eduíno de Jesus, “Como Tenuíssima Espuma de Luz” (Poética Fragmentária). Ponta Delgada, Nona Poesia/Nova Gráfica, 2021
Por Maria João Ruivo
O SOPRO
1
como tenuíssima espuma de luz
eco perdido
da primeira vibração
algures
no imo do infinito
Nada
2
como um fogo
ainda não e
jamais acendido
frémito de nenhuma
coisa ou alma
digamos
3
súbito
explode no âmago da Palavra
irrompe indomável
em todos os sentidos do Sentido
e
o corpo do poema
ergue-
-se
e s p l ê n d i d o !
1992
“Silêncio” é uma palavra que se ergue na poesia de Eduíno de Jesus e que, de certa forma, a estrutura. Esse silêncio recolhido é o momento em que ele dialoga consigo e com o universo que o rodeia e que o leva a uma constante indagação sentindo, por vezes, que não há as palavras certas para configurar todo esse universo reflexivo, o que o conduz à angústia frequente, talvez quase permanente, de sentir que fala uma linguagem que nem sempre é apreendida pelos outros.
“Vã palavra do Poeta:
inútil como o silvo
de, em qualquer ponto da Terra,
uma flecha disparada ao Infinito”,
diz ele no poema “Lápide” (pág. 15 de Como Tenuíssima Espuma de Luz).
Assim, creio que o Silêncio é a oportunidade de refúgio e de indagação sobre si próprio e o universo, com o qual dialoga há muito tempo.
No poema “Frémito” (pág. 86), o eu poético tenta reconstruir, a sós consigo, a sua destruída torre de marfim, “meu refúgio antigo” (diz ele). E é sempre a velha angústia de não encontrar a palavra certa para se pronunciar, como expressa na seguinte estrofe:
“Enquanto nos meus lábios morre
a palavra para que não
posso inventar pronúncia.”
Poderia aqui apresentar muitos exemplos retirados da sua Poesia como sinal de que, para Eduíno de Jesus, a Palavra é o começo e o fim de quase tudo.
Em “O Sopro” (pág. 20), cujo primeiro verso dá o título a este livro, o Poeta busca, a meu ver, a origem do Poema, como quem busca a origem de Tudo. Ele apresenta ao nosso olhar de leitores aquele breve momento em que, do Nada, surge o Universo, tal como do caos das palavras possíveis surgirá o Poema.
No primeiro verso, tudo aponta para algo ténue, volátil, nessa fragilidade de um começo que é, por isso mesmo, quase invisível, ideia evidenciada pelo adjetivo “tenuíssima” , que surge no superlativo, e na metáfora “espuma de luz” – algo frágil que se desfaz com um sopro, mas que é, todavia, animado pela luz, que remete para a origem, essa “primeira vibração”, espécie de esboço do que virá a ser a vida, esse frémito primeiro, vindo do âmago do Nada, que se anima e que deixou um “eco perdido”, que vem da lonjura do Começo e que o homem anseia encontrar, achando que nele estarão as respostas para os enigmas ligados a esse Nada que deu origem a Tudo e que os homens buscam desde sempre.
Ao mesmo tempo, temos “um fogo” ainda não e / jamais acendido // frémito de nenhuma / coisa”, remetendo, pelos próprios termos da negação – “não”, “jamais” e “nenhuma” – para o mesmo Nada, mas “frémito”, apesar de tudo, confirmando essa “primeira vibração” que, de súbito, surge do mais fundo da Palavra, dando origem ao Poema. Assim, tal como a vida, que não havia ou não se havia revelado, surge nessa explosão inicial, esse big bang de que tudo descende, também o Poema se ergue “esplêndido” e se torna revelação pela Palavra.
Esta ideia remete para o Apóstolo João: “No princípio era o Verbo”, cuja explicação me ultrapassa, mas que implicaria que, sem a Palavra (o Verbo), nada poderia existir. Do Nada, tudo surge pelo poder ativo da Palavra. Aliás, quando São João afirma que “no princípio era o verbo”, a expressão “no princípio” remete para o Gênesis – “No princípio criou Deus o céu e a terra”. Poderemos ter em conta que essa expressão remeterá para o começo material do universo ou, pelo menos, para a noção espácio-temporal. Além de que, se no princípio era o Verbo, poderíamos achar que, antes de o mundo existir, já o Verbo existia.
Não pretendo resvalar aqui para um terreno que não domino, mas, ao ler este “Sopro”, não pude deixar de pensar nessa questão, por difícil que seja entendê-la efetivamente e cujo aprofundamento deixarei para quem sabe. De qualquer modo, achei ver aqui colocada esta problemática da origem. De uma outra forma, esta ideia está também presente no poema “As Palavras” (p.37), que o autor dedica a meu Pai, Fernando Aires, em que mostra, mais uma vez, esse poder iniciático da Palavra. E cito:
“Imprecisas? Volúveis? Mas inamovíveis,
elas lá ficam na página branca
à espera de um Levanta-te e caminha
de qualquer voz humana.”
A poesia do Eduíno leva-nos por caminhos imensos, não fáceis de trilhar, e torna -se uma procura e uma descoberta permanentes, pois sugere, mais do que diz, deixando algum caminho aberto ao leitor. Ele encontra nas virtualidades da Palavra uma forma de busca, de indagação permanente. E a busca é uma forma de vida sonhada, pois o mundo é um grande mistério ainda por desvelar. Sendo assim, a Palavra transforma-se em Poema, dando, então, ao Poeta, o privilégio de buscar a origem ao mesmo tempo que vai criando a eternidade possível.
“As palavras, meu Deus, como são
Imprecisas, volúveis. No entanto,
elas só (enquanto os homens passam)
guardam para sempre o sinal do tempo.” (“As Palavras”, pág. 37)
Ponta Delgada, maio de 2021
Maria João Ruivo”
Urbano Bettencourt, Pedro Paulo Camara and 8 others
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    Urbano Bettencourt

    Maria João Ruivo, gostei muito de ler. Silêncio, Sopro, Palavra: três palavras da Criação poética. Tenho de fazer uma releitura da poesia de Eduíno em função de «Sopro», uma palavra que só agora me chamou a atenção, a partir da leitura do teu tex…

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POESIA DA MADEIRA URBANO B

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Urbano Bettencourt is with Leonor Martins Coelho and

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.

23 m
Da Madeira:
CADERNOS DE SANTIAGO II
É o segundo número deste excelente projecto antológico de poesia madeirense (o primeiro número é de 2016): cada poeta está substancialmente representado e vem seguido de uma nota de leitura (duas a três páginas) feita por um «leitor» convidado.
O presente número inclui 23 poetas num total de 445 páginas, o que dará uma média de 19 para cada um deles (a estatística serve apenas para mostrar que estamos longe daqueles projectos em que o poeta é representado por dois ou três textos apenas).
Parabéns aos meus amigos do outro Arquipélago que teimam em manter aberto o espaço público para uma poesia de que não chegam muitos sinais nem ecos.
Neste segundo número colaboro com uma nota de leitura sobre os poemas de Carlos Nogueira Fino.
Carlos Nogueira Fino e os seus «outros poemas crioulos»
URBANOBETTENCOURT.WORDPRESS.COM
Carlos Nogueira Fino e os seus «outros poemas crioulos»
Podemos passar pelo título deste conjunto de poemas de Carlos Nogueira Fino sem nos determos no reenvio óbvio a um outro que o antecede. Mais difícil, porém, será evitar o encontro com o adje…
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E UM PROVEDOR PARA A VERGONHA? OSVALDO CABRAL

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E UM PROVEDOR PARA A VERGONHA?
Quando um governo não consegue ou não quer resolver um problema, cria um grupo de trabalho.
E quando um grupo de trabalho não resolve nada, como é mais do que expectável, cria-se um Provedor.
No país já perdi a conta dos provedores e haverá muitos deles que os cidadãos nem sequer sabem que existem.
Por exemplo, sabe que existe um Provedor da Ética Empresarial e do Trabalho Temporário?
Parece que existe, mas também deve ter trabalho temporário, pois não se lhe conhece resultados públicos.
Os Açores vão pelo mesmo caminho, especialmente com os políticos mais novos, que, sem ideias e criatividade, tratam de copiar os monstros criados pelos Estados grandes.
É o que faz os políticos andarem com as prioridades trocadas.
Se eles andassem mais nas ruas, se falassem mais com os cidadãos, se visitassem as freguesias pelo interior destas ilhas e ouvissem as aflições das populações, os seus principais anseios e prioridades, era isto mesmo que pediriam: um Provedor!…
Em 2010 criou-se nos Açores um Provedor do Utente da Saúde, de quem nunca se ouve falar e poucos saberão que existe ou o que faz.
Foi criado exactamente para o tal objectivo: fazer de conta que resolve os problemas que a governação não consegue resolver.
Curiosamente, desde que foi criado, o número de problemas aumentou, deixando-nos como herança uma lista de espera para cirurgias que não pára de crescer, milhares de açorianos sem médico de família e muitos outros a sofrerem o couro e cabelo para aceder a um médico especialista.
Mas temos um Provedor, para mostrar que somos como os Estados grandes e modernos!
Ao que parece, em 2019 o dito Provedor recebeu 65 queixas dos açorianos que sabem que ele existe e em 2020 foi ainda menos do que isso.
Ou seja, esta figura, que ninguém sabe quanto custa aos contribuintes, deve ter trabalhado 65 dias para despachar as 65 queixas e os restantes 300 dias do ano deve andar pelos corredores a coçar nas amarguras do sistema de saúde.
Ora, isto já vai assim há 11 anos, pelo que havia necessidade de criar mais um Provedor neste “novo tempo” de pluralidade e preguiçosa actividade parlamentar.
Não se cria uma reforma eleitoral, depois de criada uma das tais comissões de trabalho, chumbam-se propostas de alteração eleitoral que mexem com os interesses dos partidos, mas aprova-se, de imediato, mais um Provedor.
Para resolver os problemas prioritários dos cidadãos?
Espera sentado.
Desta vez é para os Animais, que exclui o cidadão comum, este animal de carga de impostos, que agora vai ter de pagar mais uma figura decorativa da poderosíssima administração regional.
Não sei se estão a ver, mas vamos assistir a uma figura, tipo super-homem, que voa de ilha em ilha, ou de porto em porto, para vigiar das condições de embarque dos animais de exploração.
É provável que ainda chegue a tempo de fiscalizar as condições de embarque à volta daquela outra polémica regionalíssima sobre um boi de raça anã.
Tanto trabalho vai ter esse Provedor.
Do modo como isto está a caminhar, era bom que os senhores deputados se debruçassem, para mais três horas de discussão, à volta de mais um Provedor, essencial para todos nós, contribuintes e cidadãos: um Provedor da Vergonha!
****
PROVEDOR COM EXTENSÃO NACIONAL – Já agora, o futuro Provedor da Vergonha, poderá ter extensão ao plano nacional.
Trocamos – acompanhada de caixote de ananases – esta Provedoria pelo Representante da República.
Poderia começar por analisar a pouca vergonha que, semana sim, semana não, vamos assistindo neste país, à custa de um governo que lava as mãos de tudo, que nunca é responsável por nada, e com ministros e secretários de estado que nem para tomar conta de rebanhos de cabras alguém os contrataria.
Nós, por cá, temos animais empalhados que ocupam a preocupação dos nossos políticos, lá fora têm aquele banco, pago por todos nós, que diz que o aval pessoal do presidente de um clube de futebol é apenas uma casa para palheiro, mas mesmo assim concederam-lhe avultado crédito, porque o seu “verdadeiro valor” é reputacional!…
E é nisto que se transformou este país.
Num Estado cujo valor reputacional está ao nível de um palheiro.
****
SATA DÁ-NOS ASAS – Vai por aí uma euforia justificada com as passagens a 60 euros.
Vem na altura certa, no princípio do desconfinamento, pelo que vai ajudar – e de que maneira – a economia das ilhas mais procuradas.
É um excelente barómetro para se perceber quais as ilhas, depois de S. Miguel, com mais procura interna.
Não me admira que Flores, Pico e S. Jorge sejam as mais cobiçadas, curiosamente as que menos atenção têm recebido dos governos em termos de acessibilidades.
Pode ser que agora os governantes abram os olhos.
Bolieiro tem toda a razão: é, provavelmente, a sua “ousadia estratégica” mais emblemática deste mandato que ainda agora começou.
Trata-se de uma autêntica “bazuca” interna que vai revolucionar a mobilidade dos açorianos e é bem capaz de ajudar a atenuar o ressuscitado “bairrismo” incutido por alguns políticos e ajudantes.
E é escusado os detratores inventarem os maiores disparates para rebaixarem a medida.
A SATA não perde um tostão com esta tarifa, “uma vez que a compensação da diferença de receita encontra-se garantida através do diploma que regula a atribuição do subsídio aos passageiros residentes na RAA nas viagens aéreas inter-ilhas”.
E o argumento tonto de que só vão viajar os que têm dinheiro, enquanto os outros que não podem continuam a pagar com os seus impostos, apetece perguntar se as SCUT’s deviam ser pagas apenas por quem tem carro ou se hospitais devem ser pagos apenas pelos doentes…
Ouve-se e lê-se cada uma!
Junho 2021
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-Açores, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)
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  • Duarte Melo

    Quando falta o sonho,a utopia o olhar o futuro com outro horizonte de justiça e equidade, os provedores nascem,tal salvadores do país das mil maravilhas.Obrigado Osvaldo pela belíssima reflexão,
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Restos mortais de 215 crianças são encontrados em escola para indígenas no Canadá | Mundo | G1

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A vala comum foi encontrada durante pesquisa em uma antiga escola residencial para indígenas do país.

Source: Restos mortais de 215 crianças são encontrados em escola para indígenas no Canadá | Mundo | G1

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Capturado momento em que meteoro cai no vulcão mais ativo da Indonésia (VÍDEOS, FOTOS) – Sputnik Brasil

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O fenômeno da luz “entrando” no monte Merapi foi registrado por câmeras de segurança e por um fotógrafo local que estava na área.

Source: Capturado momento em que meteoro cai no vulcão mais ativo da Indonésia (VÍDEOS, FOTOS) – Sputnik Brasil

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SÃO MIGUEL – PJ deteve um homem por atear fogo à mulher | RÁDIO ILHÉU

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PRÉ-HISTÓRIA DOS AÇORES

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Existem estruturas megalíticas em várias ilhas dos Açores que sugerem que estas ilhas foram habitadas muito antes de serem descobertas pelos navegadores portugueses.
Esta fica na Terceira e parece um columbário Fenício.
📸 Trilhas outdoor tours
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POESIA DE ÁLAMO OLIVEIRA E CHRYS C TRADUZIDA EM VÁRIAS LÍNGUAS

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maria nobody

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria só minha

dos filhos também

maria nobody

mais ninguém tem.

 

maria nobody

de tous personne

 

de quelqu’un

d’un seul

maria nobody

body de jeunesse

 

maria rien qu’à moi

ainsi je te rêve

ainsi je t’habite

 

maria nobody

de tous personne

 

maria nobody

mère

maîtresse

femme

ma maria

 

maria nobody

de tous personne

si seulement tu savais la richesse

que l’on a

 

(trad. E DITO POR Luciano Pereira)

 

 

 

 

 

 

POESIA DE ÁLAMO TRADUZIDA

 

Eu fui ao pico piquei-me.

Ich ging nach Pico und piekte mich

   

Que aqui, em cada ano,

Dass wir hier jedes Jahr,

Sêmos sempre menos gente.

immer weniger Leute sind.

– Que terra é esta, mano,

– Was für ein Land ist dies, Bruder,

Que nada dá de repente!

Das plötzlich nichts hergibt!

(Tantas vezes já picado

(So oft schon gepiekt

Fui na alma e no corpo,

Wurd ich an Leib und Seele,

Que se me dano danado,

Was, wenn ich Verdammter mich verletz,

Cairei, por terra, morto).

auf den Boden falle, tot).
   
ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26 ins Deutsche übertragenvon Rolf Kemmler.

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

 

ÁLAMO OLIVEIRA

Jeansmond

als ich Dich sah,

in der Blue-Jeans Deines Anzugs
umflaggte ich mich mit Zärtlichkeit

und schlug vor, Dich auszuziehen als

wenn du Mond wärst oder nichts

Ich spielte

mit den Fingerspitzen

das Gedicht Deines Körpers

war blau, aber ich starb vor Angst.

 

ALEMÃO ins Deutsche übertragenvon Rolf Kemmler.

 

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

Wstąpiłem na szczyt.

Zabolało

Szczytnie dowcipnie

 

Skoro tu, co roku

Coraz mniej ludzi

Jak po baranim skoku.

Co za kraj, stary,

Nieprędko tu na wagary!

 

(Szczypnęło już parę razy

Na duszy i na twarzy

Rypnąłem z góry jak długi

Prosto na ucztę grabarzy).

 

Polaco, trad. Anna Kalewska

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

 

ÁLAMO OLIVEIRA

Dżinsowy księżyc

 

Kiedy cię zobaczyłem

W modrej jak dżins sukience

Nabrzmiałem wielką czułością

I chciałem cię rozebrać

Jakbyś w księżyc weszła naprędce.

dotykałem

Opuszkami palców

Twego ciała jak wiersza


było błękitne

a zmora śmierci największa.

 

polaco trad. Anna Kalewska

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

 

Ik ging naar pico en werd gestoken

 

Dat wij hier jaar na jaar

Met telkens minder mensen leven.

– Wat is dit, broeder, toch voor land

Dat ons niets uit zichzelf wil geven!

 

(Zo dikwijls ben ik al gestoken

In mijn lichaam en mijn ziel,

Dat ik, als ik me kwaad zou maken

Meteen morsdood ter aarde viel).

 

Holandês Tradução Arie Pos

 


lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

 

ÁLAMO OLIVEIRA

Maan in spijkerpak

 

toen ik je zag

in het blauw van je spijkerpak

tooide ik me op met tederheid

en stelde ik je voor je uit te kleden

alsof jij de maan of niemendal was

 

ik streelde

met mijn vingertoppen

het gedicht van je lichaam

 

het was blauw maar ik stierf van angst.

 

Holandês Tradução Arie Pos

 

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

 

ÁLAMO OLIVEIRA

Luna di jeans

 

Quando ti vedevo

nel jeans azzurro del tuo abito

m’imbandieravo di tenerezza

e mi proponevo di spogliarti come

se luna tu fossi o niente

 

toccavo

com la punta delle dita

la poesia del tuo corpo

 

era azzurro ma io morivo di paura.

 

ITALIANO EMMANUELE DUCROCCHI

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

Sono stato al picco, mi sono punto.

 

Qui, ogni anno,

Siamo sempre di meno.

– Che terra è questa, fratello,

Che all’improvviso non dà più niente?

(Già tante volte punto

Sono stato nell’anima e nel corpo,

Che se vado su tutte le furie,

Cadrò, a terra, morto).

 

ITALIANO EMMANUELE DUCROCCHI

 

 

lua de ganga

 

quando te via

na ganga azul do teu fato

embandeirava-me de ternura

e propunha despir-te como

se lua fosses ou nada

 

tocava

com a ponta dos dedos

o poema do teu corpo

 

era azul mas eu morria de medo.

 

Álamo Oliveira, lua de ganga.

blue-jean moon

 

when i saw you

in the blue denim of your jeans

i lit up in tenderness

and proposed to undress you as

if you were the moon or nothing

 

with my fingertips

i touched

the poem of your body

 

it was blue but i was scared to death.

 

Inglês by Katharine F. Baker and Bobby J. Chamberlain, Ph.D.

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

 

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

Je suis allé sur le pic je me suis piqué.

 

C’est qu’ici, à chaque année,

On s’ retrouve chaque fois moins nombreux.

– Qu’est-ce que c’est que pour une terre, celle là, frangin,

Qui ne nous donne rien sous le champ!

 

(J’ai déjà été tellement de fois piqué

À l’âme et au corps,

Que si je me fâche faché

Par terre, je tomberai, raide mort).

 

(Álamo Oliveira-trad. Luciano Pereira)

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

 

ÁLAMO OLIVEIRA

la lune en jeans

 

Quand je te voyais

en bleu jeans habillée

je me pavoisais de tendresse

et propossais te désahabiller

comme si tu fusses lune ou rien

 

je touchais

de la pointe des doigts

le poème de ton corps

 

Il était bleu et moi je mourais de peur.

 

(ÁLAMO OLIVEIRA-TRAD. Luciano Pereira)

 

 

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo.

ÁLAMO OLIVEIRA

La lune habillée de jean

 

Quand je te voyais

dans le jean bleu de ton costume

je me drapais de tendresse

et j’envisageais te dévêtir comme

si tu étais la lune ou rien d’autre

 

je touchais

de la pointe des doigts

le poème de ton corps

 

Il était bleu mais moi j’e mourais de peur.

FRANCÊS POR MANUEL J SILVA

 

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

 

Am fost în pico m-am înțepat.

 

Căci aici, în fiecare an,

Suntem din ce în ce mai puțini.

– Ce pământ e asta, frate,

Ce deodată se sfârșete!

 

(De atâtea ori înțepat

Am fost în suflet și în trup,

Și de la naiba ma voi duce,

Voi cădea, la pământ, mort).

ROMENO SIMONA VERMEIRE

 

 

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo

 

ÁLAMO OLIVEIRA

Luna de blugi

 

când te vedem

în blugii albaștri al portului tău

Mă înălțam de tandrețe

și-mi doream să te dezbrac ca

și cum lună erai și atât

 

atingeam

cu vârful degetelor

poemul corpului tău

 

era albastru dar eu muream de frică.

 

ROMENO SIMONA VERMEIRE

 

 

Eu fui ao pico piquei-me.

 

Que aqui, em cada ano,

Sêmos sempre menos gente.

– Que terra é esta, mano,

Que nada dá de repente!

(Tantas vezes já picado

Fui na alma e no corpo,

Que se me dano danado,

Cairei, por terra, morto).

 

ÁLAMO OLIVEIRA Edição de autor, 1980, pp. 24-26

Fui al pico y me pique

Que aqui de año em año

Somos siempre menos gente

– Que tierra es esta, hermano

Que nada da de repente!

Tantas veces ya picado

fui en el alma y en el cuerpo

que si me daño dañado

Caeré por tierra muerto.

CASTELHANO POR CONCHA ROUSIA

 

 

lua de ganga

quando te via
na ganga azul do teu fato
embandeirava-me de ternura
e propunha despir-te como
se lua fosses ou nada

tocava
com a ponta dos dedos
o poema do teu corpo

era azul mas eu morria de medo

 

ÁLAMO OLIVEIRA

luna en vaqueros

 

cuando te veia

con os vaqueros azules da tua vestimenta

me abanderaba de ternura

y me proponia desnudarte como

si luna fueses o nada

 

tocaba

con la punta de los dedos

el poema de tu cuerpo

 

Era azul pero yo me moria de miedo.

 

CASTELHANO POR CONCHA ROUSIA

 

 

 

POESIA DO CHRYS TRADUZIDA

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

(maria nobody, der Mutter Maria, Pico, 9. August 2011)

 

maria nobody maria nobody
de todos ninguém von allen niemand
   
de alguém von jemandem
de um só  
maria nobody maria nobody
com body de jovem mit body einer jugendlichen
   
maria só minha maria nur meine
assim te sonho assim ich träum dich
assim te habito assim ich leb dich
   
maria nobody maria nobody
de todos ninguém von allen niemand
   
maria nobody maria nobody
mãe mutter
amante  
mulher  
minha maria meine maria
   
maria nobody maria nobody
de todos ninguém von allen niemand
nem sabes a riqueza weißt nicht einmal vom Reichtum
que a gente tem den wir haben
   
CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011 P. ??? ins Deutsche übertragenvon Rolf Kemmler.

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

(maria nobody, do matki marii, pico / azory, 9 sierpnia 2011)

 

maria nobody

wszystkich niczyja

 

czyjaś

jednego jedynego

maria nobody

z młodym body

 

mario tylko moja

tak marzę o tobie

tak w tobie bytuję

 

maria nobody

wszystkich niczyja

 

maria nobody

matko

kochanko

żono

maria moja

 

maria nobody

wszystkich niczyja

bogactwa niepomna

jakie nas dotknęło.

 

CHRYS CHRYSTELLO, trad. Anna Kalewska

 

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

 

 

 

maria nobody

de tous personne

 

de quelqu’un

d’un seul

maria nobody

body de jeunesse

 

maria rien qu’à moi

ainsi je te rêve

ainsi je t’habite

 

maria nobody

de tous personne

 

maria nobody

mère

maîtresse

femme

ma maria

 

maria nobody

de tous personne

si seulement tu savais la richesse

que l’on a

 

FRANCES trad. Luciano Pereira)

 

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

 

 

Marie nobody

De tous et de personne

 

De quelqu’un

D’un seul

Marie nobody

Avec un body de jeune fille

 

marie à moi seul

C’est ainsi que je te vois en rêve

C’est ainsi que j’habite en toi

 

Marie nobody

De tous et de personne

 

Marie nobody

Mère

Maîtresse

Femme

Ma petite Marie

 

Marie nobody

De tous et de personne

Tu ne saurais imaginer

La richesse que nous avons

 

Francês por MANUEL JOSÉ SILVA

 

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

(maria nobody, der Mutter Maria, Pico, 9. August 2011)

 

 

maria nobody

von allen niemand

 

von jemandem

von nur einem

maria nobody

mit body einer jugendlichen

 

maria nur meine

assim ich träum dich

assim ich leb dich

 

maria nobody

von allen niemand

 

maria nobody

mutter

liebhaberin

frau

meine maria

 

maria nobody

von allen niemand

weißt nicht einmal vom Reichtum

den wir haben

 

ALEMÃO ins Deutsche übertragenvon Rolf Kemmler.

 

 

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

 

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

(maria nobody, mariei mame, pico, 9 august 2011)

 

maria nobody

a tuturor a nimănui

 

a cuiva

a unuia singur

 

maria nobody

cu body de tânără

 

maria numai a mea

șa te visez

așa te locuiesc

 

maria nobody

a tuturor a nimănui

 

maria nobody

mamă

amantă

femeie

maria mea

 

maria nobody

a tuturor a nimănui

nici nu-ți imaginezi bogăția

pe care o avem

 

ROMENO SIMONA VERMEIRE

 

 

 

 

 

 

(maria nobody, à maria mãe, pico, 9 agosto 2011)

maria nobody

de todos ninguém

de alguém

de um só

 

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

CHRYS CHRYSTELLO in CQI VOLS 1-5, 2011

(maria nobody, a maria madre, pico, 9 agosto 2011)

maria nobody

de todos nadie

de alguie

de uno solo

 

maria nobody

con body de joven

 

maria solo mia

así te sueño

así te habito

 

maria nobody

de todos nadie

 

maria nobody

madre

amante

mujer

maria mia

 

maria nobody

de todos nadie

ni sabes la riqueza

que la gente tiene.

 

CASTELHANO CONCHA ROUSIA

Publicado em AICL Lusofonia Chrys Nini diversos | Comentários fechados em POESIA DE ÁLAMO OLIVEIRA E CHRYS C TRADUZIDA EM VÁRIAS LÍNGUAS

Tertúlia 37 – Sábado 5 junho 2021 (18h00 AZOST) J José Andrade modera Chrys

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Tertúlia 37 – Sábado 5 junho 2021 (18h00 AZOST) José Andrade modera Chrys

 

 

Transmissão em https://www.facebook.com/lusofonias.aicl

https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/

 

todas as tertúlias anteriores,

descarregar o vídeo em https://www.lusofonias.net/acorianidade/tert%C3%BAlias-saudade-dos-col%C3%B3quios-2.html

se quiserem ver sem descarregar vão a LUSOFONIAS – TERTÚLIAS SAUDADE DOS COLÓQUIOS

https://www.lusofonias.net/documentos/tert%C3%BAlias-saudade-dos-col%C3%B3quios.html

no Facebook https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/live/ ou

Audiências de cada sessão atualizadas em 1-5-2021
1 Álamo Oliveira https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/913777022447355/ 3630
2 Urbano Bettencourt, Chrys, Pedro Almeida Maia (Criatividade) https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/635885243732266/ 1109
3 Helena Ançã, Luciano Pereira E Helena Chrystello (Educação) /https://www.facebook.com/709027249122704/videos/634964720788883 967
4. Teolinda Gersão, Onésimo T Almeida, Luís Filipe Borges https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/757295621484202/ 6139
5. Maria João Ruivo https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/2724774111098743/ 691
6. Sérgio Rezendes https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/1415760265280870/ 1178
7. . José Luís Peixoto https://www.facebook.com/709027249122704/videos/1764308467071226 566
8. Joaquim Feliciano da Costa https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/849325455889894/ 403
9. Richard Zimler https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/2732501230349325/ 674
10. Luís Filipe Sarmento https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/1445657988958848/ 1607
11. Sérgio Ávila https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/403949154326004/ 501
12. Pedro P Câmara, Carolina Cordeiro e Diana Zimbron https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/381656222885298/ 2787
13. Rui Faria, Ass. Emigrantes Dos Açores https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/496537901780219/ 1520
14 Eduardo Bettencourt Pinto https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/750572025644373/ 636
15 Manuela Marujo, Vera Duarte Pina, Hilarino Da Luz https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/673185173569248/

Vamberto Freitas https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/3161772613922562

1138

5460

17 Ana Paula Andrade, Aníbal Raposo, Eduíno de Jesus https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/719736351982197/ 2150
18.Vilca Merízio, Sérgio Prosdócimo, Isabel Rei https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/310243923745297/ . 1167
19. João Pedro Porto, Aníbal Pires https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/443617727008943/ 2033
20 (Galiza 1) Alexandre Banhos, Antº Gil Hernández, Maria Dovigo https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/403745814229515/ 2470
21. J Carlos Teixeira e Manuela Marujo (Canadá), Sérgio Rezendes https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/326481121980177/ 1937
22 Luís Gaivão, Raul Leal Gaião, Moisés de Lemos Martins https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/413672006400364/ 1082
23 – João Paulo Constância, Perpétua Santos Silva, Rolf Kemmler, https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/1169121863503417/ 643
24 – Lourdes Crispim, Luísa Timóteo e Rafael Fraga https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/759135418051824 1894
25.1. Assis Brasil, Chrys Chrystello, Lélia Nunes https://www.facebook.com/435810163244498/videos/427867671808784
25.2. Susana Antunes, Diniz Borges, Conceição Andrade https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/468329707833096 1331
25.3. Onésimo T Almeida, João de Melo e Joel Neto https://www.facebook.com/435810163244498/videos/793757051491505
26. Victor Rui Dores, Leonor Sampaio Da Silva, Alexandre Borges https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/882696282520507 2543
27.1. (Galiza2) Concha Rousia, Antia Cortiças Leira, Artur Novelhe – https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/363344254723364 815
27.2 Dia Internacional da Poesia 2021 https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/441781313704308 https://www.lusofonias.net/arquivos/443/tertulias/1406/tertulia-272-dia-da-poesia-2021.mp4 746
28. Madalena San Bento, Barbara Juršic, Ivo Machado https://www.facebook.com/709027249122704/videos/274938547535373 795

29. Leonardo Sousa, Diogo Ourique, Paula Sousa Lima, https://www.facebook.com/709027249122704/videos/144264857604706

1151

33º colóquio em Belmonte parte1.Sexta 9 abr 2021 https://www.lusofonias.net/documentos/sons-e-poesia-col%C3%B3quios/2641-33%C2%BA-col%C3%B3quio-lusofonia-belmonte-2021-parte1.html https://youtu.be/wHDQyBFvCO8 2478
33º colóquio em Belmonte parte2 sábº 10 abril. https://www.lusofonias.net/documentos/sons-e-poesia-col%C3%B3quios/2642-33-coloquio-belmonte-2021-parte-2.html https://youtu.be/kQXSHrgyXs8 2840
30. Luís Cardoso, Ângelo Ferreira, Onésimo, Sérgio Rezendes, P P Câmara https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/129266205786197/ 2078
31 Francisco Madruga, Ana Maria Franco https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/305798927592938/ 1454
32- Carlos Bessa, Renata Correia Botelho, Manuel Jorge Lobão https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/754192475289536 1042
33- Helena Chrystello, Malvina Sousa, Onésimo T Almeida https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/794299431201655 4584
34 Jorge Cunha, José de Mello, Alda Batista https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/308502274079921 686
35 Rafael e César Carvalho, Carolina Constância https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/858296111423291 937
36 Luiz Fagundes Duarte Nuno Costa Santos Álamo Oliveira https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/464572341299851/ 1332

Cada convidado dispõe de 20’ havendo 20’ de debate

SAUDADES DOS COLÓQUIOS, TERTÚLIAS INDIVIDUAIS / DE GRUPO “Criatividade Confinada” – “O autor pelo Próprio”

37 – Sábado 5 junho 2021 (18h00 AZOST) Joel Neto, José Andrade modera Chrys

10-12 junho 34º colóquio em Ponta TRANSMISSÃO direta de todas as sessões

https://www.facebook.com/lusofonias.aicl https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/live/

https://www.youtube.com/c/ChrysChrystello

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A GALIZA NA OBRA POÉTICA DE CHRYS CHRYSTELLO CONCHA ROUSIA, Academia Galega da Língua Portuguesa

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Tema 3.2. A GALIZA NA OBRA POÉTICA DE CHRYS CHRYSTELLO

CONCHA ROUSIA, Academia Galega da Língua Portuguesa

 

Partindo da análise da obra ‘Crónica do Quotidiano Inútil’ tratarei de entender a dimensão que a Galiza, tanto como ser vivo, terra que sofre, quanto como conceito lírico, tem na obra do poeta Chrys Chrystello. A primeira parte estará baseada na análise dos poemas incluídos na obra mencionada, que conformam o capítulo IV (Planeta Galiza) e que são os seguintes:

– Partir (à Concha Rousia e a uma Galiza Lusófona)

– Lendas da minha Galiza

– Concha é nome de guerra

– Elegia à AGLP

– Geneviève, e

– Galiza como Hiroshima mon amour.

Para complementar a minha análise considerarei também informações obtidas diretamente de conversas mantidas com o poeta Chrys Chrystello.

 

Introdução

Três são os eixos essências que confluem nesta análise, como se fosse uma trindade, três dimensões, a poética, representada pela poesia de Chrys Chrystello, a humana, representada pelo poeta Chrys Chrystello, e a social, representada pela Galiza. Começarei descrevendo, mais do que definindo estes três conceitos. Mas como se define a poesia? Como o poeta? E como a Galiza? Tentarei aproximar com as minhas palavras, como se fossem fotografias conceituais, como se as palavras pintassem, uma ideia sobre quem é o poeta Chrys Chrystello, o que é a poesia e ainda o que é a Galiza.

 

O Poeta

Basear-me-ei nas informações que tenho sobre Chrys Chrystello, juntamente com o conhecimento pessoal que tenho do poeta. Antes de mais devo afirmar que o Chrys não apenas acredita em multiculturalismo, é um exemplo vivo de multiculturalismo, nascido numa família mista com alemão, galego, português, brasileiro, judeu…

O seu multiculturalismo genético cultural vem tanto por parte materna como por parte paterna. Não tenho certeza em que momento da sua história o Chrys se fez consciente desse seu multiculturalismo. Essa será uma pergunta que guardo para fazer ao poeta no próximo encontro; pois fiquei curiosa por saber se o seu multiculturalismo teve algum efeito nas suas escolhas de forma consciente ou se esse multiculturalismo atuou desde as profundas raízes do inconsciente, e só foi depois que o poeta descobriu essa trança de tantos fios e tanta riqueza de ancestrais. Fica esta questão para ser respondida e incorporada a informação derivada para uma ampliação que irei fazer deste trabalho em posterior ocasião.

Chrys foi levado em 1973 pelo Exército Português a prestar serviço em Timor; permaneceu lá por dois anos, em 1975 deixou Timor para ir-se para a Austrália e não demorou em perceber que queria ser australiano. Atrevo-me a dizer que o Chrys encontrou na Austrália a pátria capaz de acolher todas as suas pátrias, as descobertas e as por descobrir, as territoriais e as ideológicas e as poéticas. Pergunto-me se por aquela época o Chrys já tinha descoberto que a Galiza era mais uma de suas pátrias; embora consciente ou não desse facto, a Galiza ia nele como ser vivo, e com ele se movia pelo mundo, pois aonde o Chrys vai, a Galiza vai; isso é algo que desde já posso afirmar. Naquela altura o Chrys já era um estudioso das línguas e da política; sendo também já um autor publicado. Saliento aqui de sua obra poética o primeiro volume da Crónica do Quotidiano Inútil (1972). Publicou também um ensaio político sobre Timor. Mas a sua trajetória passou por muitos e diversos campos. Foi escolhido para um posto executivo como economista na CEM (Companhia de Eletricidade de Macau). Depois escolheu Sydney (e mais tarde Melbourne) para continuar sua vida como cidadão australiano até 1996.

No 1967 entra no mundo do rádio jornalismo, onde lhe esperavam grandes aventuras, e também na televisão e na imprensa.

Entre os anos 1976 e 1996 escreveu sobre o drama que se vivia em Timor Leste quando o mundo se negava a vê-lo. Sempre atento à voz que outros desde o poder escolhem não ouvir, mesmo quando essa voz era um grito, o Chrys não apenas ouvia, ele prestava a sua voz.

 

Podemos dizer que o escritor Chrys Chrystello desde sempre se interessou pelas línguas; e desde os anos setenta teve que enfrentar os mais de 30 dialetos no Timor-Leste.

Na Austrália aprendeu sobre as marcas de uma tribo aborígene que falava um crioulo do português. Foi membro fundador do AUSIT (the Australian Institute for Translators and Interpreters) e membro do painel da NAATI (National Accreditation Authority) desde o ano 1984, Chrys lecionou estudos de linguística e multiculturalismo. Tem ampla experiência na tradução e interpretação especialista em multitude de áreas desde artísticas até jurídicas ou médicas. Participou em conferências em muitos países nos diversos continentes. Autor de numerosas obras sobre os mais diversos temas, sempre com marcado multiculturalismo, tanto prático como teórico.

A defesa do multiculturalismo é uma das grandes teimas deste autor, e é também uma das suas grandes riquezas.

Com os Colóquios da Lusofonia, de que é Presidente, e se podia poeticamente mesmo dizer que é pai, tem levado as vozes que necessitam ser ouvidas aos lugares mais diversos desde onde se podem ouvir. Entre estas vozes sempre levou a voz da Galiza, conseguindo para ela o que em terra própria lhe era negado. Foi nos Colóquios da Lusofonia que se concebeu e se deu a conhecer o projeto da criação da Academia Galega da Língua Portuguesa; podemos dizer que portanto que ele é pai putativo desta novel academia.

Poucos poetas como ele poderão dizer que tem escrito poemas a praticamente todos os cantos da Lusofonia com a intensidade de quem está a escrever sobre a sua própria terra. Dentro dessas terras às que este poeta canta, acha-se naturalmente, a Galiza.

Na sua obra “Crónica do Quotidiano Inútil” com a que comemora 40 anos de vida literária, há um capítulo dedicado inteiramente à Galiza.

Nesse capítulo intitulado ‘Planeta Galiza’ inclui os poemas que se integram neste estudo. (Chrys, página web)

 

A Poesia

Há pessoas que se dedicam a escrever a história para que fiquem documentados os fatos, os momentos, os acontecimentos que na vida veem, ou que sabem têm tido lugar. A poesia é diferente, a poesia é uma representação, uma fotografia feita com palavras do momento vivido, ou do que se tem alguma forma de conhecimento, de experiência, alguma forma de acesso. A poesia é como um momento congelado no tempo, integrada por componentes intelectuais e componentes emocionais para contar um acontecimento. De fato a epopeia é definida como o conjunto de acontecimentos históricos narrados em verso e que podem não representar os acontecimentos com fidelidade.

Os acontecimentos que se narram na epopeia são de fatos com relevante conceito moral, que transcorreram durante guerras, ou que fazem referência a outros fenómenos históricos ou mesmo míticos. Em todo o caso desde o meu ponto de vista a verdade poética não se acha na história, mesmo quando trata de ser fiel aos acontecimentos e sim se acha na manifestação artística, se acha em tudo que fica expressado entre as linhas e não necessariamente recolhido nos conceitos que as palavras tratam de representar. O poder da poesia é portanto, o poder da máquina do tempo, faz viajar os fatos, como se os congelasse. Tomando como base uma definição oferecida pela Wikipédia podemos dizer que a poesia é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos, ou seja que ela retrata algo em que tudo pode acontecer da imaginação do autor e da imaginação do leitor. (Wikipédia 2)

Mas o que é a poesia para Chrys Chrystello?

Perguntado ele responde: “A poesia é uma fuga para a utopia, contra a injustiça e desigualdade, a voz que os jornais não permitem, um recurso para os momentos felizes, uma fuga quando o mundo exterior me oprime.” Tentarei ver como esta definição teórica se confirma na sua poesia. Mas antes vamos apresentar a poesia.

 

Poemas no capítulo ‘Planeta Galiza’ (Chrystello, 2012)

PARTIR (à Concha Rousia e a uma Galiza Lusófona)

Partir!

cortar amarras

como se ficar fosse já um naufrágio

ficar

como quem parte nunca

partir

como quem fica nas asas do tempo

ficar

como se viver fosse uma morte adiada

partir!

cortar amarras

cortas grilhetas

vencer ameias

velas ao vento

olhar o mundo

descobrir liberdades

esta a mensagem

levar o desespero ao limiar

até erguer a voz

sem medos

até rasgar as pedras

e o ventre úbere

semear desencanto

sorrir à grande utopia

nascer

– de novo –

dar o salto

transpor a fronteira

entre o ter e o ser

imaginar

como só os loucos sabem

e então chegaste

com primaveras nos dedos

e liberdade por nome

loucas promessas insinuavas

despontaste

como quem acorda horizontes perdidos

demos as mãos

sabor de início do mundo

pendão das palavras por dizer

esta a revolução

minha bandeira por desfraldar.

 

LENDAS DA MINHA GALIZA

 

Galiza és tão especial

quando sorris

por que não sorris sempre?

 

Galiza és tão bela

quando escarneces

com gargalhadas cristalinas

por que não ris sempre?

 

Galiza és tão enamorada

quando falas e cicias

por que não tagarelas sempre?

 

no monte das Ánimas

na era dos Templários

os cervos eram livres

e os servos escravos

 

do poço no meu eido

transbordam palavras

dele sorvo inspiração

amores e mouras encantadas

lá aprendi a história de Ith

filho de Breogán

indo à torre de Hércules

seduzir Eirin a Verde

este conto queda silente

na memória dos velhos

já não o aprendem os nenos

 

li em livros vetustos

o sumiço das Cassitérides

eram cativos os Ártabros

nas forjas de estanho

não encontrei os mapas

no meu poço seco e definhado

nem um fio de água

sem pardais nas árvores

nem flores no jardim

senti o coração trespassado

as lágrimas minguaram

jamais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

 

fui penar ao cimo do monte

atopei umas meigas

a dançar com o Dianho

também vi o Chupacabras

estandarte de Castela

 

sem medo de travessuras de Trasgos

nem Marimanta ou Dama de Castro

sem temor da Santa Companha

nem do Nubeiro vagueando

entre tempestades e tormentas

juntei ferraduras, alho e sal

colares de conchas e tesouras abertas

esconjurei meigas castelhanas

que me salve o burro farinheiro

ou o banho santo em Lanzada

 

visitei Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não visitei uma de vivo

desci a Ribadavia

ali nasce o Minho

que ora passa caladinho

para não despertar os meninos

 

sigo caminhando

busco a moura fiandeira

um dia virá o eco

e brotará água de meu poço

escreverei os versos e serão mágicos

afincado no chão

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre.

 

 

 

CONCHA É NOME DE GUERRA

 

para ti não há música nem dança

apenas as artes marciais

guerrilheira de montes e vales

urdidora de emboscadas

 

sob a copa das amplas árvores

brandes teu gládio de palavras suaves

não usas as falas do inimigo

vingas a dor de seres galega

 

a montanha tu a herdaste sozinha

prenhada de mar na ilha dos nossos

o povo desaparecido da Rousia aldeia

esse recanto insuspeito ao virar da raia

esse recanto insuspeito ao virar da raia

onde fui a férias em 2005 sem te saber

eu que nasci galego do sul

sendo galego de Celanova

 

apartado de meus irmãos e irmãs

vivi séculos de história ao desbarato

distavam mares que nunca navegávamos

montes que nunca escalámos

estrelas que jamais enxergámos

 

até um dia em que surgiste

vestias azul e branco orlada a ouro

estandarte do nosso reino

ciciavas liberdades por atingir

sonhos por realizar

brandias a tua utopia

numa mesma lusofonia.

 

 

 

 

ELEGIA À AGLP

 

viver numa ilha é prisão

sair dela é impossível

nem a velocidade da chita

nem a força do elefante

nem o mergulho do cachalote

 

viver numa ilha é prisão

inúteis os passaportes

ou vistos consulares

não basta saber nadar

 

viver na Galiza é prisão

sair é possível

não expulsa carcereiros

não abate as grades

não liberta do cativeiro

 

viver nesta ilha é prisão

há sempre uma Concha dos Bosques

ou um Ângelo Merlim

um Joám Pequeno Evans Pim

um frei Tuck Montero Santalha

e seu bando de lusofalantes

manejando o arco como António Gil

a invencível besta da Lusofonia

 

GENEVIEVE

 

genevieve era nome de mulher

em restaurante japonês

no meio de chinatown

 

sorrisos largos e astutos

mansos como o rio minho

olhos profundos amendoados

como o canon do sil

prometia ribeiras sacras

seios amplos acolhedores

como as rias baixas

 

genoveva da galiza

amazona em sidney

um pai na argentina

uma mãe em paris

com saudades de arousa

servia sushi com saké

minhas loucas bebedeiras em galego.

 

GALIZA COMO HIROSHIMA MON AMOUR

 

acordaste

e ouviste o teu hino

estandarte desfraldado

ao vento ao intrépido som

das armas de breogán

amor da terra verde,

da viçosa terra nossa,

à nobre Lusitânia

estendes os braços amigos,

despertas do teu sono

agarras nos irmãos

caminhas pelas estradas

ergues bem alto a voz

dizes a quem te ouve quem és

orgulhosa, vetusta e altiva

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

nenhum exército te conquistará

nenhuma lei te aniquilará

 

és a Galiza mon amour. (Chrys, 2012)

 

A Galiza

Todo país, toda terra, toda pátria é indefinível, ou dito de outra forma, toda a terra poderia ser definida de muitas formas, tal qual se fossem acontecimentos lendários; portanto eu vou colocar aqui uma carta em que a Galiza, através das minhas palavras, se apresenta ao Brasil. Esta é a imagem da Galiza que levo em mim, e acho é uma dialoga imagem perfeitamente com a Galiza que vive e viaja na alma deste poeta.

 

Carta da Galiza ao Brasil

Meu benquerido irmão:

Antes de mais permite-me que me apresente, há tantas cousas erradas que te tem contado de mim, e eu quero, necessito mesmo, que tu me conheças como eu sou. O meu nome é Galiza, ocupo o noroeste da península Ibérica, sou geograficamente, culturalmente e linguisticamente irmã de Portugal, que fica ao meu Sul, do outro lado do rio Minho; uma pequenina parte de mim permaneceu sempre independente de qualquer estado até meados do século XIX, mas hoje sou um território totalmente dominado polo Estado Espanhol… Eu sou uma velha pátria que esqueceu já a sua idade; mas o que nunca vou esquecer, mesmo que ao mundo lhe custe perceber, é que em mim nasceu e se criou a nossa língua; esta que tu e eu falamos e que por vicissitudes da história se conhece internacionalmente apenas como ‘português’ mas que nós aqui também chamamos ‘galego’. Mas deixa-me continuar a te contar…

Permite-me que te fale um bocadinho da minha longa história. Eu sou a velha terra chamada ‘Calaica’ Terra onde, como já te disse, nasceu e se criou esta nossa formosa língua; um dia eu fui grande… Naqueles tempos foram os meus filhos os que emigrados povoaram a Bretanha, o Centro dos Alpes, e as ilhas Britânicas, consolidando durante milénios a laborada cultura Atlântica. Vai ser muito difícil para mim em poucas palavras resumir-te tantos azares, tantas batalhas, tantas façanhas e também tanta dor e tanto sangue derramado.

Muitos foram os povos que quiseram governar-me, pola cobiça do Ouro, pola riqueza mineira que guardava a minha entranha; chegaram legados de Roma ávidos de conquista e saque, para abrir seu domínio, atravessando do Douro as margens, mas antes tiveram que ceifar 50.000 almas indomáveis, que a peito nu combatiam, porque cobrir o peito era para eles ação de cobardes. Do Latim trazido com as suas outras falas, misturou-se através dos séculos nossa céltica linguagem, para que abrolhasse na Idade Media a língua que agora, meu irmão em espírito, embeleces arrolando-a, com o amor e a exuberância das florestas incontornáveis. Essa língua nascida para amar e ser cantada criou uma das maiores culturas da Europa Medieval, polo caminho de Sant’Iago difundida e admirada. Mas tarde, nas lutas dos reinos Ibéricos polo controlo da Hispânia, fui vencida e humilhada polos reis Católicos de Castela e seus ferozes aliados, para pronto, sem dar-me fôlego, à escuridão ser condenada. Atrás ficara o 1º Reino da Europa a liberar-se do Império romano, no século V, polo embate dos aguerridos suevos. Atrás ficaram as lutas entre Afonso Henriques, 1 º rei português, meu filho do Porto Calem, e seu primo Afonso VII, imperador de toda a Gallaecia.

Minhas glórias foram vendidas pola arrogância e a astúcia dos homens, pola traição dos insensatos; meu nome da história foi apagado. Mas o espírito só adormeceu, e centos de anos mais tarde, as vozes de Rosalía, Pondal, Curros Enriquez e muitos outros, alguns mártires em Carral, ergueram de novo esta chama que agora te entrego irmão na confiança, sabendo que farás bom uso dela, e elevarás no continente americano, como na África e Oceânia, onde outros irmãos nos aclamam, a voz lírica deste novo mundo, lusofonia chamado, para que nunca mais a vida nascida das minhas entranhas seja por outros desprezada.

Eis a minha história, irmão Brasil, ainda hoje continuam meus filhos, contra a ignorância lutando, pola dignidade deste recanto que foi berço da cultura que hoje tu com orgulho ao mundo amostras sem arrogância. Continuarão ainda cá tempos difíceis que pronto iremos superando com ajuda dos nossos irmãos que conhecem a nossa palavra, porque a palavra hoje é carne e mora vestida de raças, para os povos unir na nobreza da que foi criada.

Como vês, querido irmão, a minha luta tem sido longa e sem tréguas, tenho de admitir que vou velha e por vezes me sinto cansada… Acho alívio em saber que tu herdaste a minha fala e que em ti nunca se apagará a minha chama; não é que eu recuse a luta, mas tenho que ser realista… O destino da nossa língua, língua em que eternamente viajará a minha alma, aqui na pátria mãe, ainda é incerto.

Há algum tempo um grupo de intelectuais e artistas, professores, escritores, e defensores da nossa cultura, criaram a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP). A ajuda da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras foi notável e imprescindível. A AGLP, a que sinto como a minha filha mais nova, tentará abrir os caminhos que rompam o cerco que nos sitia e nos abafa; do seu êxito depende em grande medida o meu futuro, é por isso que te peço a acolhas com agarimo e a ajudes no que puderes em nome da nossa eterna irmandade.

A nossa língua atravessa uma das suas piores etapas de todos os tempos na terra berço, a terra mãe que com tanto amor a viu nascer, e a seus filhos e filhas de todo o mundo envia hoje a sua voz… Voz que vai na procura de ajuda que tanto necessito, ajuda que restaure a minha dignidade, peço não continuar a ser ignorada. Por isso te falo, querido irmão, por isso te falo…

Recebe de mim a palavra que mais estimes, meu amado irmão Brasil

Assinado: A Galiza (Rousia, Blog República da Rousia)

 

Mas o que é a Galiza para Chrys Chrystello?

Perguntado o poeta responde:

“A Galiza é uma referência matricial inculcada pelo pai e avó paterna como a origem ancestral no ano de 942. Cellanova foi o ponto de partida onde um homem e uma mulher se juntaram para criar os Barbosa dos quais descendo, assim como dos Meira também galegos.”

Como podemos ver o Chrys, poeta voador, é muito consciente de suas raízes, o que lhe permite voar com a força e sem medos, pois só quem sabe que sua raiz é de profundidade eterna se atreve a voar tão longe, tão alto, tão generoso em sua trajetória, tanto quanto possível

 

Como foi que descobriste que a Galiza era um ser vivo que também necessitava se alimentar de ti?

“A Galiza precisa da voz dos que a amam e sofrem com a opressão de estarem sob jugo estrangeiro há 500 anos ++++” Breve conciso e contundente Chrys.

Achas que é possível uma Galiza fora da Lusofonia?

A Galiza só existe se for lusófona, se fosse castelhanizada não seria Galiza…

E como ficaria a Lusofonia se a Galiza se perder de sua língua definitivamente?

A Lusofonia ficaria órfã da sua mãe, que lhe deu origem e razão de ser e nisto de bater na mãe já bastou o Dom Afonso Henriques primeiro rei de Portugal…

 

Como vês o futuro da Galiza, da Lusofonia e do Mundo?

Promissor desde que as novas gerações entendam o peso da Lusofonia e a arma que a língua pode ser contra a dominação e o jugo estrangeiro opressor.

Como achas a poesia pode ajudar?

A poesia é uma arma carregada de sonhos e o sonho comanda a vida como disse António Gedeão.

 

Por favor conta tudo que te falte por contar relativamente à importância da Galiza na tua vida, tanto pessoal como poética…

Na juventude / adolescência a Galiza era uma extensão do país para norte e não um acréscimo do país ao lado que era a Espanha… …são galegos os do Minho a Trás-os-Montes com um sotaque diferente mas a mesma alma…

 

Análise dos poemas

Os textos formam um conjunto que definem o planeta que o poeta chama ‘Planeta Galiza’ e dão conta da realidade atual da Galiza, dão também as pinceladas suficientes para termos uma breve história contada de forma épica. A Galiza está em grande dívida com o poeta, pois ele a reconhece ilha, tal qual ela é, mas já a sonha planeta, livre como ela flui nos seus versos, linda e indomesticável; uma pessoa sente desejos de se ficar a viver neste planeta. Vamos agora olhar mais de perto e detalhadamente os poemas.

Os poemas do Chrys são a vivificação do seu mundo conceitual, eles são mostras vivas do que ele acha a poesia é, e que eu resumi baseando-me nas palavras dele como: ‘uma fuga para a utopia quando o mundo exterior me oprime.’ (Comunicação pessoal)

O poema ‘Partir’, primeiro desta série, primeiro do planeta Galiza, parece a Galiza mesma falando de sua urgência por mudar a situação que vive. Neste poema a Galiza parte, corta amarras, porque ficar é já um naufrágio, é um naufrágio desde há demasiado tempo, demasiados séculos. A Galiza parte para ficar nas asas do tempo, para viver, se eternizar… E como se viver como realmente vive fosse adiar só um bocado a morte; a poesia do Chrys corta grilhetas, vence ameias, iça velas ao vento… Vai sorrir à grande utopia: nascer! A Galiza indo, partindo do lugar onde se abafa: a Galiza nasce! Renasce! – de novo – Eu não sei se o poeta foi consciente disto tudo que ele colocou neste poema, e talvez se poderia adaptar a outras realidades, a outras terras, certamente poderia, mas este poema cai como uma luva para o espírito da Galiza.

O poema ‘Lendas da minha Galiza’ é um canto de amor, épico, no que o poeta salienta aqueles aspetos da Galiza que ele quer ver crescer, como se os semeasse, para ver a Galiza florir, eis a utopia! Quer o poeta que a Galiza seja feliz, se expresse, se conte tal e qual ela é, tal e qual ela foi sonhada desde o começo dos tempos, o poeta clama por uma Galiza que conserve toda a sua história, seu celtismo tão negado pelos historiadores com outros interesses do que a realidade histórica da Galiza. Dá vida a Ith, filho de Breogán, e reclama um povo para vir herdar esta riqueza secular, por não ver isto acontecendo o poeta canta:

 

senti o coração trespassado

as lágrimas minguaram

jamais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

 

Mas nem toda a dor deste mundo detém o poema ai, nem a Santa Companha detém o poeta que anuncia seu propósito de visitar o Santo André de Teixido, o que, de novo, o rende galego, pois só os galegos têm que fazer esse caminho peregrino quer de mortos, quer de vivos:

 

visitei Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não visitei uma de vivo

 

Desce pelo Minho, desde o nascimento, permitindo que o curso vivo da água flua em seu poema, vai na procura da moura, vai na procura do eco que outorgue a seus versos o poder de libertar esta terra que tanto ama.

escreverei os versos e serão mágicos

afincado no chão

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre.

 

O poema ‘Concha é nome de guerra’, o que eu pessoalmente agradeço muito, muito mais do que me caberia dizer aqui, mostra como é dura a escolha de resistir, com seus versos ele tece uma capa para a galega que resiste sem renunciar a nada do que é, sem perder nada da sua essência Nesse poema também se reinvindica a si mesmo quando diz:

 

eu que nasci galego do sul

sendo galego de Celanova,

apartado de meus irmãos e irmãs,

vivi séculos de história ao desbarato

 

E coloca o rumo face a lusofonia, uma utopia para a que vale a pena escrever e lutar com a palavra.

No seu poema ‘Elegia à AGLP’, no que verso após verso faz sentir ao leitor como é viver numa ilha, numa ilha que é prisão, viver como se vive agora na Galiza é prisão, e sair mesmo que parece difícil é possível com a tripulação da AGLP a que o poeta coloca dentro da sua elegia. De novo a utopia se faz possível, o poema começa com um reconhecimento da realidade, dura, difícil, situação de isolamento, mas que ele no poema já semeia com força a profecia, o desejo de a ver avançando.

O último poema deste capítulo intitula-se ‘Galiza como Hiroshima mon amour’, com a força de um hino os versos vão narrando as bondades, as belezas, as grandezas da Galiza que devem ser preservadas, defendidas, amadas, protegidas e encaminhadas à nobre Lusitânia com a força de quem desperta de um longo sono para ir com os irmãos, erguendo a voz. A voz do poema vai crescendo para no final, nesse último verso poeta, poesia e Galiza se deixem sentir como uma só voz.

 

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

nenhum exército te conquistará

nenhuma lei te aniquilará

 

és a Galiza mon amour.

 

Referências Bibliográficas

Chrystello, C. (2012) Crónica do Quotidiano Inútil. Vila Nova de Gaia. Calendário Editora.

Chrystello, C. (Página web) http: / / oz2.com.sapo.pt

Rousia, C. (Blog Républica da Rousia) http: / / republicadarousia.blogspot.com.es

Wikipédia http: / / pt.wikipedia.org / wiki / Poesia

 

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macau

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URBANIDADES


SHINGEN • A VISÃO COMPASSIVA

Posted: 31 May 2021 02:03 AM PDT

Para muito poucos no ocidente, e mesmo no oriente, se torna possível entender o conceito de shingen. A palavra é composta de dois caracteres chineses que em japonês se designam por kanji. Shin, aqui representado pelo carácter da esquerda que significa também kôkoro, (coração) conota-se aqui com o conceito de espírito, enquanto o segundo carácter, gen, significa olho, olhar.

Assim, desse coração associado ao olho, temos uma primeira transcrição que é visão compassiva. Porém é preciso estarmos cientes de que essa visão anuncia a clarividência que só pode ser atingida com a visão despida de paixões.
A paixão é a emoção descontrolada.
A visão compassiva ou clarividente já ultrapassou esse descontrolo. Vê-se com a mente e o espírito, porquanto se já sabe que a visão ocular é do mero domínio da óptica.

Os nipónicos categorizavam o olhar e a visão de forma diferente. vejamos como:

Nikugen • a visão nua

Esta não é mais do que a imagem simples recebida pela retina, destituída de qualquer processo mental ou emocional. é, assim, o mais baixo dos cinco níveis de visão e possui três limitações.
Primeiro, nikugen é completamente superficial. A pessoa que possui apenas nikugen não vê mais além do que a existência dos objectos no seu campo de visão. A visão nua não comporta nenhuma compreensão mais aprofundada desses objectos tal como vieram parar aonde estão, como podem interagir, ou como podem afectar o observador ou outros.
Seguidamente, nikugen está limitada ao ponto de vista do observador. Só “vê” o lado dos objectos que estão virados na sua direcção, e é uma visão quase apenas bi-dimensional.
Finalmente, a visão nua é facilmente obstruída. A simples colocação de um objecto diante dos olhos do observador termina-lhe o olhar.
Estas características aplicam-se não apenas à visão física. Alguém que queira ver um problema usando nikugen apenas vê os seus aspectos mais superficiais.
Por exemplo, sem dinheiro, constata que se encontra sem nada. Se quer um pão, verá uma impossibilidade total na compra de alimento.
Esta visão bi-dimensional cega o seu portador perante outras possibilidades, como trocar trabalho por comida ou vender algo que possui para obter dinheiro para comer.

Tengen • a perspectiva neutral

O estádio seguinte do desenvolvimento da visão é tengen, literalmente visão celeste, não no sentido angelical ou transcendente do termo, mas antes do ponto de vista do observador.
Com tengen, o observador já não está preso pelo seu próprio ponto de vista, antes tem uma perspectiva neutra por via da qual vê os objectos ou o problema como se olhando para eles de uma grande altura. literalmente, a visão tengen permite “ver a floresta pelas árvores”.
Assim, com uma menos auto-centrada perspectiva, a visão do observador não é tão susceptível às distorções das suas ideias pré-concebidas, reacções emocionais, ou condições de vida.
Recorrendo a exemplos prévios, alguém com esta perspectiva neutra já é capaz de perceber as faces escondidas dos objectos. aplicando conhecimento e experiência, a sua mente já permite uma visão mais alargada. isto é, alguém usando de uma perspectiva neutra, em vez de estreitamente perceber a falta de dinheiro para um pão, verá a situação como uma necessidade de comida, observação que já oferece outras opções para uma solução.
porém, ainda que com esta perspectiva de cima, as emoções do observador, preconceitos e circunstâncias da vida interferem com a verdadeira compreensão da sua visão que ainda está limitada àquilo que os olhos vêem.

Egen • o olhar interpretativo

Literalmente significa olhar pensante, está a um nível mais elevado, no qual a imagem recebida pelo cérebro é melhorada por uma compreensão das implicações das coisas ou situações observadas.
Importa contudo não confundir egen com pensamento analítico. O olhar interpretativo não é sobre o pensar no que se vê. É antes um processo automático e subconsciente no qual o olhar e a mente operam conjuntamente uma interpretação das imagens recebidas pelo cérebro, produzindo assim uma visão mais profunda do que o mero olhar físico.
Um exemplo talvez experimentado por muitos: alguém observando dois carros aproximando-se de um cruzamento ao mesmo tempo, por duas ruas que se não vêem uma à outra, vislumbra um acidente prestes a acontecer. A maior parte das pessoas não precisará de parar para perceber isto. Pela experiência, sabendo que nenhum dos condutores vê o outro, sabemos automática e subconscientemente que irão colidir.
Se olhassemos com nikugen ou tengen veríamos apenas dois carros movendo-se, independentemente um do outro, sem estabelecer uma relação causal.
Infelizmente, enquanto a maioria dos adultos possui o olhar interpretativo no que respeita aos aspectos físicos, falta-nos egen a outro nível.
Com verdadeiro egen reconheceríamos quando um choque de personalidades ou vontades estaria da iminência de ocorrer. Veríamos um acontecimento não apenas na sua forma física, mas no contexto das forças em movimento e os efeitos que mais tarde resultariam como consequência imediata ou remota.
Assim, o maior benefício de egen é que agora o observador percebe natural e subconscientemente a relação de causa-efeito das coisas que observa ou testemunha.
Contudo egen ainda tem insuficiências.

Shingen-hōgen • o olhar compassivo

Apesar de todos os benefícios, egen ainda está incompleto. embora o observador receba a visuão completa e desobstruída das situações, suas causas e efeitos – mesmo as razões e motivos subjacentes às acções – esta visão é distanciada e desapaixonada.
o nível de visão seguinte, shingen, confere o mais vital ingrediente de todos: a compaixão, a faísca que motiva o guerreiro da luz a tomar agir correctamente numa situação. Ele vê um acontecimento não apenas da sua perspectiva, ou como o afectará a ele, mas como o evento afectará as vidas de todos os envolvidos. Mais ainda, ele vê com compreensão e compaixão por todos os envolvidos, de modo que a sua acção não será a que mais conveniente lhe seja, mas sim aquela que melhor será para a sociedade no seu todo, independentemente da escala do conceito.
O guerreiro de luz não olha os sentimentos, acções, ou desejos dos outros como certos ou errados. Assim o seu juízo não será toldado pela necessidade de provar-se que está certo. Também não tem de ultrapassar a natural hesitação de outra pessoa admitir que está certa ou errada. O que o interessa e motiva é o que é mais valioso. Assim, num desentendimento, o guerreiro da luz observa as visões dos outros como alternativas, usando shingen para analisar qual das alternativas pode ter maior valia para o colectivo. Com esta abordagem torna-se também mais fácil persuadir os outros a aceitar a melhor escolha também.
A avaliação do guerreiro da luz está em sintonia com as imutáveis leis da natureza. Ele entende os princípios de causa e efeito, e que mesmo acções “erradas” são motivadas pelas forças de causa e efeito.
Por este motivo, shingen é muitas vezes referido como hōgen, cuja tradução literal é a da visão legal, mas não se refere às leis da humanidade. Poder-se-á talvez entender melhor utilizando o termo perspectiva universal, no sentido de que, tendo igual compaixão por todas as pessoas operando sob uma ordem natural, imutável, mas sob a qual o guerreiro da luz pode escolher intervir. É desta neutralidade inserida na ordem universal da natureza que o guerreiro da luz procura observar e agir da maneira mais benéfica.
Os antigos samurai eram treinados para uma percepção mais aguda e global das situações. Ver com o coração era o estádio máximo de desenvolvimento da visão da mente-espírito.
Hoje, o guerreiro da luz ou da paz global recupera essa visão para princípios mais nobres que a guerra. Assim, aquele que vê segundo shingen-hōgen percorreu um caminho desde o primitivo nikugen, passando por tengen e egen. Ganhou maior visão interior, maior compaixão, tornou-se mais natural por se integrar nas leis do universo.
Vejamos um exemplo do quotidiano:
• um execuivo com nikugen está atrasado para uma importante reunião de negócios, e quando se põe a caminho vê-se obrigado a conduzir velozmente no meio do trânsito congestionado, zizagueando the faixa em faixa, tentando ganhar alguns precisos minutos.
• um outro executivo possuídor de tengen perceberá que corre riscos de ser multado, poderá reduzir um pouco a velocidade, mas continua a querer ganhar tempo para chegar atempadamente à reunião.
• outro executivo possuidor de egen não deixará que o seu desejo de dar uma boa imagem de si na reunião tolde a sua visão. ele percebe que conduzir desvairadamente perigará a sua e a vida de outros, que têm o mesmo direito à segurança que ele.
• por fim, o executivo possuídor de shingen, com a ajuda de hōgen já se encontra no local da reunião, aguardando a chegado dos outros. ele previu que haveria hora de ponta, engarrafamentos, pelo que acordou mais cedo, pôs-se a caminho de antes do congestionamento do trânsito e assim chegaria antecipadamente, ganhando um psicológico ascendente sobre os outros.(1)

(1) No Japão toda a vida é organizada de uma forma rigorosa e até ritualística, razão porque chegar antes dos outros a uma reunião coloca essa pessoa numa posição mais privilegiada e de ascendência temporária.

 

 

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Se já está a sonhar com as férias, que tal Açores? | GQportugal.pt

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Se o arquipélago ainda não está na sua lista de destinos de sonho, acreditamos que no final deste artigo estará a pensar de forma diferente. O desafio vai ser chegar ao fim sem abrir um separador para marcar a viagem.

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suborno na saude ?

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SAÚDE: AGRADECIMENTO OU SUBORNO?
É sabido há muitos anos que as farmacêuticas sempre deram prémios chorudos aos médicos por receitarem os seus medicamentos. Por São Miguel já tivemos desde ofertas de viaturas a férias de luxo para toda a família.
O crescimento da oferta dos genéricos veio dificultar um pouco as contas mas ainda assim, em pleno 2021 temos médicos a passar férias com tudo pago à conta do Grupo Medinfar (e não só), médicos jovens, muito jovens que deviam ser a próxima geração daqueles que prometeram cuidar da nossa saúde e vendem-se a troco de um destino de praia e alguns jantares… é triste.
Muitos dirão que não é suborno e que os medicamentos têm o mesmo principio ativo e não tem qualquer diferença de outros. Independentemente de ser ou não verdade, o certo é que na grande maioria das vezes a escolha cai para certas marcas, já forçadas nas receitas.
Que as farmácias o façam, não critico, é um ponto de venda e já sabemos como funciona o mercado. Que médicos do serviço público o façam já acho asqueroso.
A informação é posteriormente vendida às mesmas farmacêuticas que têm acesso ao que foi prescrito pelos médicos como de um cartão de pontos se tratasse, sendo depois compensados em férias com tudo pago e acompanhados pelo representante (salesman) da farmacêutica.
O pretexto? Esse é fácil, vão em “formação”, existe sempre uma formação para ir.
Qualquer médico sabe ao que me refiro e de certo conhece casos, inclusive há um grupo que está neste preciso momento a ler esta publicação do seu quarto de hotel.
A questão é, o que diz a Ordem dos Médicos sobre isto? Não há código deontológico? Isto não envergonha ninguém? O que dizem os restantes colegas sobre isto e porque ninguém se manifesta?
Infelizmente a saúde é cada vez mais um negócio, temos a sorte de ter um bom sistema de saúde quando comparado a muitos países e temos, no meu entender, de cortar estes (e outros) esquemas pela raíz para o preservar.
Esta publicação tem o intuito de dar a conhecer esta realidade para quem não a conhece e saber, de forma educada e objetiva, qual a opinião geral e até, legalidade destas jogadas numa área tão sensível e dispendiosa como a saúde.
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Época balnear arranca hoje nos Açores mas sem coimas – Açoriano Oriental

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A época balnear arranca, esta terça-feira, nos Açores em 32 zonas, estando a ser ultimado um manual de utilização destes espaços no contexto da pandemia de Covid-19 que não prevê coimas, mas alerta para a responsabilização dos utentes.

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