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No próximo dia 26 de outubro, pelas 18 horas, será inaugurada a Exposição de Homenagem à Professora Doutora Maria Helena Mira Mateus, no átrio principal da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), com entrada livre, para homenagear esta notável docente e investigadora, e rememorar a sua vida e obra.
Source: A justa homenagem da FLUL a Maria Helena Mira Mateus
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Nuno Sá foi ao VISÃO Fest falar sobre as histórias que retrata em imagens
Source: Visão | Nuno Sá: “Os Açores têm um terço de todas as espécies de baleias e golfinhos do planeta”
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Das ameias do meu castelo, janela aberta sobre o mundo, vejo um planeta em permanente mudança. São vaqueiros a cavalo, em carroça ou carrinha, rumo às vacas, pelas cinco e meia ou seis em rotinas – duas ou três vezes ao dia – até ao escurecer quando regressam dos pastos.
Vejo tratores, mais apropriados ao Oeste norte-americano, às pradarias, à amplidão dos campos australianos ou da Extremadura espanhola do que ao minifúndio micaelense, demasiado grandes para torrões minúsculos, enormes para as pequenas parcelas na Lomba da Maia.
Vejo crianças ruidosas que voltam da escola ou catequese, a correr, aos berros, à pancada, desobedecendo a mães e avós, a atirarem papéis para a rua, como bestinhas que irão ser quando crescerem, saltando para o meio da rua impérvias ao trânsito e à vida que lhe podem roubar.
Vejo anciãs de xaile ou lenço, na cabeça, parecem daguerreótipos do séc. XIX, vagarosamente sobem a rua rumo aos deveres eclesiásticos da fé, missas, novenas, enterros ou procissões. Parecem viúvas a viver num mundo que já não existe, como se tivessem deixado de compreender a realidade circundante. Imagens doutras eras, o passado ancestral, imutável, e que ora deu um pulo para o espaço sideral.
Vejo, pela janela entreaberta da casa em frente, a televisão a debitar telenovelas, entretendo os anos de vida que faltam à moradora que aqui se desloca em feriados e fins de semana…
Desta janela não vejo, noutra casa, o marido que bate na mulher, mas a mulher que bate nos filhos (bem casada ou mal casada?) que não cessa de entrar e sair e falar com todos os homens da aldeia (é freguesia, senhor), fornecedores do pão, fruta, carne, roupas e todos os das carrinhas que aqui aportam diariamente para venderem produtos. Ela aguarda, aperaltada, que o marido siga para as vacas e vai lampeira em busca de quem a ouça e à sua língua. Vive no quotidiano os sonhos imaginados das telenovelas que lhe enchem as noites.
Dizem-me que há gente assim, rua acima e rua abaixo, em freguesias perto e longe.
Da janela, aos domingos, vejo homens de fatiotas puídas, doutras eras (casamento) à porta da Igreja ou a beberem uns copos na tasca da esquina. Não entram na missa o ano todo, mas depois fazem-se à estrada como romeiros, arrostando com frio, chuva e outras privações.
Há os que escapam, sobre quem não impendem acusações de violência doméstica, pedofilia, abusos, alcoolismo ou outras infrações mas que cumprem religiosamente tradições ancestrais que nem sabem explicar nem compreender. Como romeiros têm fama de bons cristãos.
Vejo enterros, procissões, casamentos, vendedores de cracas e lapas, de tudo e mais alguma coisa em carrinhas barulhentas na distribuição e aliciamento de clientes em tempo de crise.
Mas o que nunca vi desta janela foi alguém a ler um livro…
e isso observei, apenas uma vez em Ponta Delgada, junto ao Forte de S. Brás em 2013.
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Tem sido uma semana complicada, diria mesmo, um mês espinhoso. Tudo começou com o 19º Colóquio que ia sendo anulado pela falta de voos por três dias. Depois, aliviou até ao rali da SATA que, em permanente estado de falência, entrou em greve no Santo Cristo, e vieram dias de sol até 30 abril data do susto. Foi muito forte (o maior sismo desde há 8 anos, durou perto de 1 minuto) abanou tudo, a cama batia contra a parede, o candeeiro no hall ficou dez minutos a pendular, partiu-se um passepartout, a cadela entrou em pânico. Dormi com a consciência dos justos, até me acordarem. Depois de Díli e Newcastle 1989, foi o mais violento, e prova a fragilidade das ilhas onde o culto ao Santo Cristo se iniciou por factos idênticos.
Queria falar da crise que nos impingem com o medo. Não posso dizer para saírem à rua armados, seria um incitamento. Pessoas com medo nem pensam nem sonham, os que nos comandam são humanos, sem moral nem princípios, volúveis, corruptos. Apesar das estatísticas afirmarem que os cortes impiedosos (vencimentos, Estado Social, brutais impostos), só aumentam o desemprego e a pobreza, sem reduzir a dívida, ninguém ouviu, que a dívida é dos investimentos tóxicos da banca, só uma pequena parte é a dívida da nação.
Quando o triunvirato, a que chamam troica (mais fino), chegou com 83 biliões €, o dinheiro foi para a banca, a dívida aumentou, juros e mais juros (compostos), e daqui a vinte anos (terá de pagar para trabalhar e morrer à fome) e ela lá estará como hidra à espera do resgate. Na infância gostavam de jogar ao monopólio e comprar o Rossio e Rua Augusta, já venderam o que era riqueza, pouco resta, para dar aos privados. O país já não tem uma marca nacional, apenas o nome se mantém a fingir.
Os emigrantes que saíram depois de 2000 não são como os de 1960, mandam menos remessas e não regressam.
Entretanto no interior abandonado e sem serviços, os resistentes começam a morrer, terras ao abandono, mantendo-se o envelhecimento do país, a sobrepopulação do litoral onde se concentram os serviços que sobraram. O remanescente é uma enorme manta de retalhos, sem gente nem serviços, envelhecendo a ritmo acelerado, sem trabalhadores para sustentarem a pensão de miséria, sem esperança, dominados pelo medo, inseguros sobre os cortes.
Os idosos temem o amanhã como se o inferno pudesse ser pior. Os que trabalham veem continuamente os salários e poder de compra reduzidos e os impostos aumentados, cumulativamente com cortes na saúde, educação, justiça, todos vítimas da chantagem “é uma sorte terem um emprego” enquanto se esquecem de que o direito ao trabalho é um dever de uma nação civilizada. Os pobres morrem nas esquinas, nos vãos de escada, sob as pontes, sós, abandonados em casa, em lares, onde calha, sem dinheiro para ajudarem os filhos e sem comida para darem aos netos que não podem ter educação porque famintos.
Os horários de trabalho aumentaram para níveis da Revolução Industrial com salários miseráveis como no fascismo. O pior está para vir, lembra diariamente a TV, até ao dia em que alguém se revolte. O povo não sai à rua onde as polícias de choque com gás lacrimogéneo ensinam quem manda. A gleba ainda vota acreditando nas ditaduras travestidas de laivos de democracia sem direitos, nem voz, nem livre expressão, as democraduras! Manifestam-se pensando que alguém está atento como nas velhas repúblicas do séc. XX. Cada dia que se manifestem, menos ganham, mais o Estado amealha.
Zeca Afonso, canta para os saudosistas, mas ninguém leva a revolta à rua, amolecidos por mordomias burguesas, anestesiados pelo espetáculo circense do futebol, novelas, o voyeurismo da Casa dos degredos. Incapazes de pensar, educados a não o fazerem, iletrados ou funcionalmente analfabetos, nem compreendem textos mais complexos que um resultado de futebol.
Na Somália morreram de fome 250 mil pessoas nos últimos dois anos e nem um pio se ouviu.
Nove ilhas, separadas por bairrismos ancestrais. Aqui viveram revolucionários e aconteceu história (quase ninguém o sabe), desde a oposição aos Filipes às guerras liberais, ao 6 de junho, mas não vislumbro homens capazes de se libertarem do jugo. Nos Açores, a modorra habitual sem que se apercebam da crise e há sempre um Santo Cristo a quem rezar, a romaria para fazer. Os que compungidos oram nas romarias ficam à porta da igreja ou comungam na taberna enquanto decorre o santo sacrifício da missa. Atavismos de séculos que o medo dos tremores e vulcões em 500 anos perpetuaram no ADN das gentes, acostumadas a aceitar os fados como desígnio divino. Nada fazem para mudarem o que podem e aceitam o que não podem, mas não sabem a diferença. Seguem o ditado de Salazar “dar a beber vinho é alimentar um milhão de portugueses,” batem na mulher e filhos, não por causa do álcool, mas por herança genética.
País com a (injusta) fama de brandos costumes e muitas aleivosias, alevantes populares, revoltas, apaga-se tal como Maias, Astecas e outros que dominavam partes do universo, e eu sem nada fazer a não ser cronicar o fim, esta morte há muito anunciada.
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