regionais 2020 uma análise

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Regionais 2020
Até agora não me foi possível acompanhar o pós resultados eleitorais do passado domingo, dia trágico a vários níveis, sendo um deles a eleição de dois deputados do Chega. Sobre isso já muito se escreveu até porque já se adivinhava. Mas mais do que “bater” no Chega e em André Ventura, é importante retirar as devidas lições. Cada partido e cada um de nós como parte de uma sociedade que vai apodrecendo na sua própria lama.
Não sou politóloga e toda a análise que se segue parte da minha observação, de conversas com muitas pessoas ao longo dos anos e por conversas que se ouvem por aí meio-sem-querer. Sou apenas uma açoriana que procura estar atenta e que, acima de tudo, quer o melhor para estas ilhas.
1. O acto eleitoral decorreu sem incidentes, com respeito pelas regras sanitárias e a abstenção diminuiu embora ainda com uma percentagem que me envergonha.
2. Parabéns ao novo deputado das Flores, pelo PPM, Gustavo Alves. Que seja um defensor da ilha e dos interesses da região.
3. Felizmente e para bem da sanidade mental doa açorianos não foi eleito Paulo Margato. Continuo sem perceber como é que Paulo Estêvão e o PPM podem dar cobertura a tanto desvario. O PPM elegeu dois deputados mas foi também eleito o partido com a pior campanha eleitoral. A baixaria e a falta de respeito são um mau exemplo para não falar na irresponsabilidade de algumas vídeo intervenções.
3. Este foi um ano difícil para todos nós. Foi também difícil para quem governa. Não há decisões perfeitas. Quem decida erra. Quem não decide acha sempre que tudo sabe. Uma das coisas que mais ne repugna é a falta de gratidão. Vasco Cordeiro teve um último ano de mandato difícil e quanto a mim geriu da melhor forma a crise sanitária num contexto em que ninguém no mundo parece saber qual é a melhor forma de a gerir. Vasco Cordeiro sempre me pareceu um homem sério, honrado e com sentido de Estado. Isso só por si não apaga a erosão de um governo PS com 24 anos, não esconde o mau estar que se percebe nas várias Secretarias e nas guerras palacianas. Também não apaga o dossier SATA nem a Casa da Autonomia.
Um Governo forte precisa de pessoas fortes. Os açorianos, em geral, gostam de Vasco Cordeiro mas não estão a gostar do PS ou de algumas pessoas que estão no PS. O autismo ou a arrogância de não perceber isso paga-se caro e foi isso que aconteceu.
O PS, quanto a mim, deu o primeiro tiro no pé ao escolher Francisco César para capitanear a campanha eleitoral. Em relação à dinastia César muito se fala e demasiado mal, por sinal. Carlos César foi, na minha opinião, um grande preaidente dos Açores. Em 96 eu e tantos jovens fomos contagiados com a sua energia, com o seu sentido autonómico e com a sua capacidade política. César cometeu erros como todos os presidentes de todos os Governos mas ficará na memória como uma figura importante para os Açores. O que Carlos César parece ainda não ter percebido é que já não é o Presidente do Governo Regional. Continua esta figura omnipresente, qual padrinho da mafia que gosta de controlar os seus afilhados e fica sempre à espera que lhe beijem o anel. Carlos César não tem qualquer necessidade disso para se afirmar. Vasco Cordeiro ainda menos.
Em relação a Francisco César não tem culpa de ser filho de Carlos César. Terá certamente muito de que se orgulhar do seu pai e aspectos haverá que não gostará tanto, como acontece com todos nós em relação aos nossos progenitores. Penso que será difícil estar sempre a ser alvo de comparações. Francisco César tem direito a estar na politica e tem direito às suas aspirações pois afinal tudo o que tem feito na vida é dedicar-se ao PS Açores. O que Francisco César não percebe é que a minha geração e as gerações abaixo da minha não querem que ele seja o sucessor de Vasco Cordeiro. Não por ser filho de César mas porque não apreciamos nem o discurso, nem o estilo nem a prepotência. Sublinho que estou a falar em termos políticos pois não tenho qualquer animosidade pessoal contra Francisco César. Além disso, ficamos com a ideia de que Francisco César não tem a noção do que pensam e querem os jovens açorianos, sobretudo aqueles que têm 24 anos, nascidos e criados em governos PS. O que tenho a certeza é que a esmagadora maioria dos jovens açorianos quer não é o mesmo que Francisco César e, por isso, presumo que nunca poderá a próxima opção – porque não sera eleito.
A paródia dos cartazes e dos emojis era excusada mas gostei mais do slogan “Os Açores precisam do seu voto” do que “P’rá frente é que é caminho”. Mais uma vez o cartaz é sintomático: Vasco Cordeiro aparecer sozinho em 2020 vale mais votos do que o PS Açores. É outro aspecto que deveria merecer reflexão dentro do partido.
Outra coisa que me chamou a atenção na campanha, sobretudo nas ilhas mais pequenas, onde há uma tradição de maior valorização do candidato do que do partido a que concorre, foi o facto dos candidatos a deputados pelo PS e pelo PSD “pedirem” votos para Vasco Cordeiro e para Bolieiro em vez de fazerem o tradicional apelo ao voto em si próprios e no seu manifesto. Fora qualquer bairrismo, cada concelho conhece e sabe avaliar o trabalho dos deputados ou a esperança que deposita nos novos candidatos. Em relação à ilha das Flores creio que nesse aspecto os jovens do CDS/PP, PPM e Bloco de Esquerda, apesar da sua falta de experiência, conseguiram ter um discurso de proximidade na abordagem aos problemas e creio que muitos jovens se identificaram mais com isso do que com o discurso de enfileirar pelo partido. Seria interessante analisar o sentido de voto por faixas etárias.
O facto de ter saído esta notícia no jornal Expresso no dia 17 de Outubro foi o segundo tiro no pé do PS Acores. A poucos dias de eleições não se apontam sucessores mas vencedores. O PS deverá deixar de ser uma espécie de seita e voltar a ser o partido plural que foi no passado.
4. O PSD fez uma campanha pela positiva mas continua a faltar algo na mensagem difundida. Incluir Duarte Freitas nas listas foi um tiro no pé. Os açorianos perdoam mas não esquecem.
5. Gostei da campanha do Bloco de Esquerda, sempre combativo e com grande incidência nas questões ambientais. Parabéns à recém-eleita Alexandra Manes, minha conterrânea que sempre assumiu a luta pelos direitos humanos, dos animais e pela igualdade de género.
7. Sigo sempre com muita atenção as proposta do LIVRE que “olha para a defesa das pessoas e da natureza como uma mesma coisa”. Seria bom que todos os partidos escutassem a proposta de sociedade defendida pelo José Azevedo.
8. Em relação às possíveis coligações desejo que impere o sentido de responsabilidade mais do que a ganância dos partidos. Os Açores precisam de um governo forte para enfrentar os grandes desafios dos próximos anos. Um dos maiores desafios será a defesa da democracia. O maior continua a ser o das alterações climáticas, embora não esteja no topo das prioridades de nenhum dos partidos.
Espero que ninguém ceda às tentações do Chega. Quero acreditar que Bolieiro é o homem honrado que sempre me pareceu ser.
Quero acreditar que Vasco Cordeiro terá a nobreza de escolher o melhor para os Açores. Mais importante do que “quem vai ao leme” é saber qual é o rumo a seguir.
Vai ser preciso partir muita louça. É preciso fazer o que tem de ser feito. Isso exige coragem e sabedoria. Precisamos de líderes fortes e com bom coração.
É preciso cuidar do que é nosso. É preciso acabar com a cultura do “coitadinho” e da “preguiça”. Precisamos de uma maior participação cívica, de maior escrutínio e de maior exigência. A democracia não se esgota no momento do sufrágio. A democracia faz-se todos os dias. Espero que todos tenham aprendido a lição.
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Margarita Correia · Evocando João Malaca Casteleiro

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Evocando João Malaca Casteleiro
Texto lido durante a Assembleia Geral da APL, em 29 de outubro de 2020
Conheci o Professor Malaca em 1989, quando ingressei no Mestrado em Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). Fui sua orientanda de mestrado e de doutoramento, sua assistente e sua colega. Na altura ele era mais novo do que eu sou agora e eu era uma miúda de 28 anos.
João Malaca Casteleiro nasceu em 29 de agosto de 1936, tendo falecido com 83 anos de idade. Eu costumava brincar com ele e com a Maria Tereza Biderman, outra eminente lexicógrafa da língua portuguesa, falecida em 2008, dizendo que o dia 29 de agosto deveria ser instituído nos nossos países como “dia do lexicógrafo”, pois ambos celebravam o seu aniversário nesse dia.
João Malaca Casteleiro foi professor catedrático da FLUL, diretor do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e membro da classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), onde criou e presidiu durante anos ao Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa. Presidiu também durante muitos anos ao Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da FLUL, prontamente extinto após a sua jubilação.
Malaca Casteleiro distinguiu-se nos estudos no âmbito da sintaxe, do léxico e da didática da língua, tendo orientado mais de meia centena de teses de mestrado e doutoramento. Participou em vários trabalhos conducentes à unificação da norma ortográfica da língua portuguesa, sendo um dos autores do texto do Acordo Ortográfico de 1990. Deixa vasta obra, na qual se destaca a coordenação científica do Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea, trabalho que não conseguiu atualizar, como pretendia, e o Dicionário de Língua Portuguesa Medieval (a ser publicado), coordenado por si, por Maria de Lourdes Crispim e por Maria Francisca Xavier, nossa colega também recentemente falecida.
Malaca Casteleiro ocupou muitos cargos e desempenhou funções de grande visibilidade e responsabilidade, participou em projetos e ações determinantes para o futuro da linguística e para o desenvolvimento da língua portuguesa. Marcou definitivamente a linguística da língua portuguesa e o ensino de português como língua estrangeira.
Serviu com competência e abnegação as instituições onde trabalhou, a ACL e a FLUL principalmente, a ambas tendo deixado inestimável herança científica e humana, e, no caso da segunda, também pecuniária.
O seu contributo para o desenvolvimento, a difusão e a internacionalização da língua portuguesa foi inestimável. Foi pedra basilar da difusão do português em Macau e na China, granjeando o respeito e a amizade de autoridades macaenses e chinesas, e abrindo o caminho para as muitas formas de cooperação em língua portuguesa hoje em curso. No DLCP, foi responsável pela formação de alguns milhares de estrangeiros, que nesse departamento aprenderam ou aprofundaram os seus conhecimentos sobre a língua portuguesa e as culturas que nela se exprimem; foi também dos maiores responsáveis pela formação de professores de português, como língua materna ou estrangeira ou segunda, espalhados pelo mundo inteiro. Ao orientar dissertações e teses, apoiou os seus alunos cientificamente, profissionalmente e também pessoalmente. Deixou-nos o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, que, apesar dos erros e inconsistências que lhe reconhecemos, é ainda hoje o dicionário estruturalmente mais conseguido, mais moderno e mais científico existente para o português europeu. A última obra que coordenou em parceria, o Dicionário da Língua Portuguesa Medieval, vem preencher uma lacuna significativa na lexicografia portuguesa e fortalecer o conhecimento sobre a história do português. Contribuiu para a proposta de Acordo Ortográfico de 1986, que teve como maior erro o facto de ser fundamentada na linguística mais avançada da época, inovadora e radical, não tendo os seus autores percebido na altura que poucas coisas haverá mais conservadoras, ideológicas e elitistas do que a ortografia de uma língua. Foi um dos autores do texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 e um dos responsáveis pela sua aplicação, com a qual a língua portuguesa deu um passo de gigante na consolidação do seu estatuto de língua efetivamente comum de oito países, elo de união de povos de diferentes etnias, culturas e latitudes.
João Malaca Casteleiro não recebeu em vida o reconhecimento e a homenagem que lhe eram devidos, porque foi um homem íntegro, porque nunca foi pessoa de cultivar amizades interesseiras, de bajular, nem de vergar ou de se vender; e porque, infelizmente, as instituições e as pessoas que as dirigem são o que são. Pessoas com a verticalidade e o denodo do Professor Malaca nunca são, nem poderiam ser, consensuais.
A língua portuguesa, una e forte, internacional e pluricêntrica, deve muito à sua visão e ao seu trabalho. Os seus discípulos, entre os quais me incluo, ficam órfãos mas fortes, com o dever indelével de preservar o seu legado e prosseguir a sua missão.
Mas, para mim, não são estas as características que melhor o definem.
O Professor Malaca foi um homem bom e generoso, muito mais interessado no bem comum do que no seu próprio, um homem de ação, que sempre levou por diante os projetos em que acreditou, com coragem e determinação. Costumava dizer que “quem nada faz nunca é criticado” e esta frase define-o como académico e professor, mas também como cidadão e como pessoa.
Foi um homem simples e corajoso. Ao longo da sua vida nunca voltou as costas aos desafios e às criticas (tantas vezes infundadas e injustas), travando as suas batalhas pessoais e profissionais com desassombro, arrojo e até heroísmo. Muito ousou e muito conseguiu.
Sempre me tratou com respeito e consideração, dando-me toda a liberdade para desenvolver as minhas ideias e a minha pesquisa. Sempre me permitiu expressar as minhas opiniões com frontalidade, mesmo quando discordavam das suas, o que era frequente. Sempre me aceitou como sou, como penso, não sem deixar de brincar com as minhas ideias e posições políticas mais radicais.
Unia-nos o gosto pelo léxico, pelos dicionários, pela língua portuguesa. Unia-nos também a crença no papel social e político que os linguistas podem e devem desempenhar.
Profissionalmente e também a nível pessoal construí com o Professor Malaca uma relação alicerçada no respeito mútuo, de aberta frontalidade e franqueza, características que muito aprecio nas relações humanas e profissionais. Sinto por ele profundo respeito, gratidão, amizade e carinho. Para mim sempre será, como sempre foi, “o Professor Malaca”, até no nosso último encontro, no Porto, em outubro de 2019. Aprendi muito com ele, da linguística e da vida. Tenho muitas saudades dele e das longas convesas que tínhamos, mas a sua memória permanece sempre comigo.
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  • Associo-me a essa homenagem. Pessoa de bem, fica sempre em nossas memórias, conheci-o na Fcsh- Nova em uma actividade acerca de lexicografia. Voltei a encontrá-lo na academia no colóquio sobre o acordo. Trocamos impressões.
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cumprem-se as minhas previsões de 2007

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1984 A transformação da realidade é o tema l – CRÓNICA 47 NOVº 2007

 

Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o checo Thomaz de “A Insustentável Leveza do Ser”[1]. Inspirado nos regimes totalitários das décadas de 1930-40, Orwell critica o estalinismo, o nazismo e a nivelação da sociedade, tal como agora pretendem em Portugal. Uma redução do indivíduo a peça para servir o Estado através do controlo total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Tudo isto já acontece e vai piorar. O Big Brother está na nossa vida e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos pelos cartões de crédito e débito, cartão de cidadão, pelas portagens de autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que determinem obrigatórias. Não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que tenho. Não se preocupem, sou assim com fobia excessiva contra as bases de dados, sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta de me internarem como um perigo para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. …

 

Também isto constava das previsões de George Orwell[2]. Adquiri pés de galinha, os cabelos eriçaram-se como se visse um fantasma, isto, no caso de existirem. Comecei a olhar sobre o ombro à cata de quem me espiolhe ou esquadrinhe as ideias, diversas do pensamento “aprovado e oficial”. Não me apetecia ser vaporizado pois tinha um legado que queria imune à ação do ministério da verdade. A privacidade de há 20 anos ou mais, é impensável hoje. Tudo em nome da defesa dos valores sagrados da civilização ocidental. Da luta contra o terrorismo, doutra peleja que os líderes hão de inventar. Como as armas químicas que o velhaco do Saddam Hussein não tinha ou o que os EUA forjaram com Bin Laden. Há um século que “inventam” para fazerem o que lhes convém, lembremos o Xá da Pérsia, Panamá, centenas de golpes falhados e os que fizeram ricochete…

[1] o médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é diferente dos que não se adaptam nas profissões no mundo livre, de Milan Kundera

[2] (n. Eric Arthur Blair, Bengala, 1903-1950

prémio para nuno júdice

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É este o livro de poesia de Nuno Júdice, publicado em Setembro de 2019 pela Dom Quixote, que acaba de ser anunciado vencedor, com a unanimidade do júri, do Prémio PEN 2020.
A Dom Quixote saúda-o e envia os parabéns ao poeta

passaporte falso usado para arrestar bens de Isabel dos Santos

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Um documento falso serviu para congelar os bens de Isabel dos Santos em Angola e Portugal.
Um passaporte falsificado em nome de Isabel dos Santos foi usado como prova para congelar seus ativos em Angola e Portugal.
As autoridades angolanas e portuguesas confiaram num passaporte com a assinatura de Bruce Lee, ator de Kung Fu dos anos 1970. — Isto escreveu Sindika Dokolo no dia 12 de Maio
Image may contain: 1 person, text that says "Passaporte FALSIFICADO Usado nas Provas Fabricadas REPÚBLICA DE ANGOLA PASSAPORTE PASSPORT CadigedsPuh AGO ISABEL N1471363 5 SANTOS ANGOLANA M BUSINESSWOMAN 3 0444984/N01/17 1973 2 /SET 2016 BAKU SME LUANDA 06 SEP /SET 2021 1 PA 5 1 Passaporte com assinatura do Bruce Lee tirada internet iln Nouce 4 Apelido Nome Próprio estão incorretos trocados 2 Data de Nascimento Errada 5 Número do Passaporte errado, e dois números diferentes no documento Uso ilegal do Inglês 6 Estado civil- M incorrecto, em vez de (casada)"
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protocolo covid para presépios 2020

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A malta não perde tempo 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
Muito bom😅😂
Protocolo COVID para montar o Presépio neste ano
1- O número máximo de pastores será de 5 que deverão obrigatoriamente usar a máscara e manter a distância de segurança (2 metros)
2- Não será permitida a presença do Anjo Gabriel, devido ao seu bater de asas o que provoca um efeito aerossol.
3- Por fazerem parte do agregado familiar, São José, a Virgem e o Menino, estes podem estar juntos no presépio, mas devem colocar um cordão de segurança a 2 metros da manjedoura.
4- O presépio deve ser frequentemente higienizado e arejado.
5- Os Reis Magos devem vir uns dias antes para cumprirem a quarentena e fazerem o teste ao COVID. Devem deixar os camelos na última povoação confinada por onde passaram.
6- Todo pessoal não essencial (lavadeiras, banda de música, os Romanos de Herodes, etc) não podem participar nesta edição.
7- Em nenhum caso será permitido um presépio acima dos 50% da capacidade normal; o burro, a vaca, as ovelhas, as cabras, porcos, patos, etc, não contabilizam.
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os combatentes esquecidos e o stress pós guerra colonial

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https://www.rtp.pt/acores/cultura/ex-militares-da-guerra-colonial-ainda-sofrem-de-stress-video_68638?fbclid=IwAR1hJBUQx1SW9e731gtXg2p4s7dtofG4_Wa0r-deQ-7jieoVYY9D20m3PA4

Ex-militares da guerra colonial ainda sofrem de stress (Vídeo) - Cultura - RTP Açores - RTP
RTP.PT
Ex-militares da guerra colonial ainda sofrem de stress (Vídeo) – Cultura – RTP Açores – RTP
Quarenta e cinco anos depois da Guerra Colonial, milhares de …
Luis Arruda and 6 others
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  • Infelizmente e, por vezes, nem recebem nada do governo para se tratarem. São ex-combatentes, foram obrigados a irem para a guerra defender o que não era nosso, para depois serem abandonados. Tínhamos aqui na R.Seca , um com graves problemas mentais que amedrontava crianças e até adultos. Até que , não sei se o internaram, mas nunca mais o vi e penso muitas vezes nisso, o que terão feito com um rapaz cheio de vida que a guerra o destruiu. Triste destino.
    ******

    leiam esta crónica minha de 2017 chrys c

    O PESADO FARDO DA GUERRA COLONIAL, CRÓNICA 178, 4/8/17

    Há mais respeito pelas prostitutas do que pelos soldados, furriéis e oficiais milicianos (à força) do exército colonial português, todos escondidos e envergonhados. Na maior parte dos países há uma certa aura de glória, direi mesmo, respeito, pelos bravos que ao longo dos séculos haviam combatido em nome da noção alienígena que é a pátria. Vi paradas monstruosas e centenárias como as célebres marchas dos ANZAC[1] na Austrália. Durante anos, houve respeito pelos bravos vítimas das 1001 guerras americanas no mundo, nomeadamente 2ª Grande Guerra, o massacrado Vietname, Coreia, etc. Como antimilitarista, ferrenho, que sempre fui e recordando como fui obrigado a ir para fora defender um Império que não existia e que, a mim, nada dizia, tenho de admitir que de nada me envergonho nesses anos, em que agi de acordo com a consciência, com a minha ação anticolonial[2] como melhor forma de servir a dita “pátria.”

     

    Mas para todos, mesmo para os que cegamente obedeceram às ordens militaristas e fizeram o que lhes mandavam, até porque não tinham alternativa, creio que lhes deve ser concedido o respeito de que hoje carecem, esquecidos na teia de doenças, alcoolismo, depressão, sem apoios do Estado que os mandou morrer e matar pela pátria. Bem ou mal, fizeram o que se esperava. E vemo-los hoje, sem-abrigo, em famílias disfuncionais, no conluio com os seus segredos de guerra ciosamente guardados, sem catarse possível.

     

    Nos EUA é bem pior, os veteranos de guerra são já uma espécie de escória a varrer para o esquecimento, sob o tapete diáfano de mil e uma guerras sem razão, como se as guerras alguma vez tivessem alguma razão, exceto a perpétua repetição da história dos países. Quando cresci havia respeito pelos veteranos sobreviventes da mortandade na campanha portuguesa na 1ª Grande Guerra, conheci alguns heróis, de medalhas ao peito em marchas da famigerada Liga dos Combatentes (a que pertenci durante anos após o 25 de abril, comprava-se comida barata no “casão”). Hoje, não sabemos quantos são, quantos sofrem, quantos sobrevivem. Nalgumas aldeias e vilas do interior profundo de Portugal alguns autarcas mandaram erigir pequenos monumentos em honra da memória desses bravos, mas regra geral, foram esquecidos e temem falar sobre o tema, ou evitam-no a todo o custo.

     

    Nos Açores, autores trataram o tema em livro: Urbano Bettencourt, Cristóvão de Aguiar, João de Melo, para citar alguns, outros preferem manter um silêncio discreto, tal como o dono do café da esquina, o do restaurante mais acima, o lavrador que vive na outra rua e se recusa a falar do tema e outros de que nem sei a existência. Estava uma pessoa entretida nas lides nos anos 60, a estudar, a trabalhar e mourejar nos campos, nos Açores ou em Trás-os-Montes, ou em outro local e vinha a malfadada mobilização para Angola, Guiné, Moçambique, ou outra colónia e a vida acabava ali, mesmo que voltassem vivos e sem mazelas de vulto. Para muitos, adiava-se a ida enquanto se pudessem continuar os estudos, na esperança infundada de que a guerra colonial acabasse. Para outros era a saída da terrinha natal (e quantas vezes não era esta a primeira vez que saíam do cantinho natal da sua ilha?). Não irei descrever as noções contraditórias que de todos se apoderavam no caminho de ida, na estadia e no possível regresso se não morressem ou não ficassem estropiados, pois isso foi tema de pessoas mais abalizadas. Sei apenas que a mim foi um trauma que gorou os planos de vida, me impeliu para vários planos inclinados e obrigou a agarrar boias de salvação para percorrer o caminho que me trouxe aqui. Há mais respeito pelas prostitutas do que pelos soldados, furriéis e oficiais milicianos (à força) do exército colonial português, todos escondidos e envergonhados. Afinal eram mesmo carne para canhão.

     

    [1] (Australian and New Zealand Corps)

    [2] (segundo Ramos-Horta eu era um oficial anticolonialista, in Expresso 28/11/2015).