urbano bettencourt áfrica frente e verso

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O TERROR

POR CAM

A natureza do terror abre uma espécie de fenda no pensamento: “escrever um poema após Auschwitz é um acto bárbaro, e isso corrói até mesmo o conhecimento daquilo que tornou impossível escrever poemas.” (Theodor Adorno). Celan, com o seu poema “Todesfuge” [“Fuga da morte”], versos nos quais evoca o horror da Shoah [Holocausto], levou muitos a questionarem o veredicto adorniano.

Entre nós, a guerra colonial calou muitas vozes – não apenas as dos homens que física e mentalmente tombaram na guerra real, mas também as dos outros, as dos sobreviventes, quer a tenham directamente sofrido, quer não. É claro que há a excepção de Manuel Alegre, na poesia, e de Lobo Antunes, na ficção, ou os esforços antológicos de João de Melo, mas não muito mais (parece existir agora, muito recentemente, um movimento em sentido contrário). Falamos disto como se fosse uma necessidade – será mesmo? O problema é que não sabemos se a ausência se deve a uma espécie de recusa ética e, digamos, ontológica, ou se a outras razões menos compreensíveis (aceitáveis?). Ninguém saberá – mas a questão – porque se corta das nossas experiências estéticas o terror – existe, como as bruxas (que las hay, las hay).

O novo livro de Urbano Bettencourt (Piedade, Pico, Açores, 1949-), “África Frente e Verso” (Ponta Delgada, Letras Lavadas, 2012) mergulha na guerra (já o tinha feito antes, e alguns dos poemas e textos deste livro apareceram justamente em livros anteriores). A sua experiência da guerra colonial (Guiné) acompanha-o (homem e poeta) até hoje – o último poema deste livro, “Agostos”, vem datado de 2011. Nos melhores momentos deste livro, como em “Da ilha carn(av)al”, de 1973, esbatem-se as fronteiras entre géneros e ficam as palavras na eterna luta do dizer o inominável (não apenas a guerra, ou o terror…). E delas ressalta, quem sabe se pela intensidade do vivido, outra intensidade, outra beleza (porque não?), porque a palavra é justa (ali), porque faz embater em nós ritmos, conjugações inesperadas, mas sempre com a força do retorno ao espaço e ao tempo do terror, espécie de ética de que Urbano parece não querer abdicar (e que, aqui e ali, parece tolher-lhe o impulso do dizer – questão controversa e longa de debater).

O plural de Agosto, trazido à liça lá em cima, é um modo do Urbano religar tempos, o do tempo em que uma “metralha e fogo e luz / e um homem deixou no adobe da parede / o seu retrato de cinza.”, o tempo em que “sobre uma esteira podia morrer-se de loucura / num corpo a corpo de vencidos, / desafiando a sombra da outra morte. A que vem / por detrás e por diante, da direita e da esquerda, / e deixa os seus dentes de chumbo na carne destroçada.” – e o tempo, o nosso de agora, o dos “pares que se devoram / nos jardins de cimento” “Não há chuvas neste Agosto. A calma / vibra nos telhados, as guerras trazem outros nomes, / outros donos. E talvez seja assim que tudo tem de ser. / E talvez seja este o melhor dos mundos.”

É mesmo preciso religar coisas. Ou não.

VULTOS TIMORENSES

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uma história esquecida da segunda guerra...
J M Domingues Silva 21 August 20:30

uma história esquecida da segunda guerra mundial

“No dia 19 de Setembro de 1945, data a todos os títulos memorável na nossa história, a bandeira da Pátria desfraldava-se orgulhosamente em todas as localidades importantes e em muitas povoações timorenses enfim libertadas da opressão estrangeira.” – José dos Santos Carvalho, “Vida e Morte em Timor Durante a Segunda Guerra Mundial”, 1970.

Aileu

Em Aileu (Timor Leste) ergue-se um monumento evocativo dos militares portugueses, e respectivas famílias, que se suicidaram aquando da invasão de Timor Leste pelas tropas imperiais japonesas no decorrer da Segunda Guerra Mundial, vítimas da propaganda dos Aliados os militares portugueses estavam convictos de que eles próprios e as suas famílias seriam barbaricamente torturados e violados.

D. Aleixo Corte-Real (régulo timorense), lá onde se mistura a lenda com a História, recusou em reconhecer a soberania japonesa sobre o território, afirmando: “Sou Português, e só os Portugueses me podem prender!”. O resultado: as forças invasoras executaram-no não só a ele, como toda a sua família. A colonização de Timor contava com a presença de Portugal e da Holanda, resta-me realçar que foram os timorenses do lado português que organizaram a resistência aos japoneses, aliados da Itália fascista e da Alemanha nazi, com o propósito de restabelecer a soberania portuguesa no território (a foto que ilustra este artigo é uma vista parcial da cerimónia aquando desse restabelecimento, cujo 65º aniversário passará certamente em branco). A Administração Portuguesa do território foi internada em campos de concentração japoneses. Salazar, tentando manter a necessária neutralidade (violada pelos japoneses) de Portugal não prestou qualquer auxílio aos portugueses presentes no território, nem aos que estavam detidos pelos japoneses, nem aos que participaram nas bolsas de resistência à ocupação, em nome de Portugal.

Portugueses contra o Eixo

Embora não sendo das fontes mais fiáveis (encontra-se completamente esgotada a obra “Timor – Ocupação Japonesa durante a Segunda Guerra Mundial” de Carlos Vieira da Rocha, publicado em 1996 pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal) creio ser digno de nota a seguinte entrada da Wikipédia portuguesa referente à Segunda Guerra Mundial:

“Em Timor ocorrem os únicos combates em que participam forças portuguesas durante a guerra. Apesar de nunca se estabelecer formalmente o estado de guerra entre Portugal e o Japão, militares e voluntários civis portugueses combatem ao lado das tropas australianas e holandesas contra os invasores japoneses. Na Austrália, é inclusive formada a primeira unidade militar pára-quedista portuguesa, que é lançada na retaguarda das linhas japonesas, para realizar operações de guerrilha contra os invasores.”

Com base no citado “Vida e Morte”, “Todos os portugueses que então aí viviam, fossem eles timorenses, metropolitanos, goeses, madeirenses, africanos ou macaenses, estiveram sujeitos a prolongado e pertinaz suplício que estóica e patrioticamente suportaram”.

A mesma obra numera as baixas do lado português: “muitas centenas de timorenses assassinados, mortos em combate ou falecidos na prisão e, entre os não-nativos de Timor, pelo menos, trinta e sete assassinados, dez mortos em combate, seis mortos por suicídio, vinte falecidos ao abandono no interior da ilha onde andavam foragidos e oito que miseravelmente acabaram os seus dias no cárcere japonês”.

Encontra-se ainda disponível a obra “Timor na 2.ª Guerra Mundial — O Diário do Tenente Pires” de António Monteiro Cardoso (Centro de Estudos de História Contemporânea, ISCTE, 2007) que inclui, como o título indica, o diário de um dos oficiais portugueses que participou activamente na guerrilha contra a invasão nipónica.

Ausência de memória

Antes de lerem esta minha curta chamada de atenção, quantos dos leitores estavam a par deste episódio referente à Segunda Guerra Mundial? Muito poucos certamente, as nossas escolas estão mais preocupadas em ensinar banalidades em vez da História nacional, é portanto normal que tal se reflicta não só nos nossos governantes, mas também entre aqueles que se declaram como alternativa a estes… é triste, mas é o Portugal que ainda vamos tendo.

Post-Scriptum – No dia 16 irá decorrer, nas instalações da Biblioteca Nacional, uma Homenagem a António Telmo. Às 18h será apresentada a obra “O Portugal de António Telmo” (Guimarães, 2010) com a presença de Pedro Sinde, Renato Epifânio, Rodrigo Sobral Cunha, Miguel Real e o filósofo Pinharanda Gomes. 2010 tem-nos sido pesado em baixas, há que aproveitar as cada vez mais raras oportunidades para homenagear e recordar os nossos maiores pensadores, pelo andar da carruagem chegará o dia em que também estes poderão desaparecer nas areias do tempo, há que os recordar.

O Diabo, Semanário Independente
14 de Setembro, 2010.


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Não esquecer João Bosco,como um vulto da...
Maria João Moniz Barreto 22 August 12:49
Não esquecer João Bosco,como um vulto da cultura timorense.
Em casa do pintor timorense João Bosco

Um encontro feliz na viagem de regresso de Jaco para Dili.

AGUALUSA NAÇÃO CRIOULA

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É O PRÓPRIO AUTOR QUE SUGERE ESTA LEITURA

          Livro: Nação Crioula – José Eduardo Agualusa

Agualusa foi um escritor que sempre me chamou a atenção. Sabe quando você vai na livraria e acaba reparando sempre no mesmo livro (ou autor)? Pois bem, comigo foi assim. Não escondo que a edição l-i-n-d-a da Lingua Geral (tem Capas de Quinta com ela aqui) tenha uma participação nessa atração. Mas não deve ser só isso. Outros livros que nunca li e que me provocam isso: Dublinenses do Joyce, Grandes Esperanças do Dickens, Norwegian Wood do Murakami e outros.

Bem, voltamos ao Agualusa. Não sabia por onde começar, ia passar uma semana na casa dos meus pais e resolvi levar alguma coisa dele. Dei uma olhada na Travessa do Ouvidor e fiquei em dúvida entre Nação Crioula e Estação das Chuvas, o primeiro ganhou, já que a personagem principal do segundo era uma historiadora (de Histórias com H eu já tenho as minhas). Acontece que eu também estava procurando a biografia da Sylvia Plath, e como o livro era relativamente novo ninguém na livraria sabia muito bem onde ele estava. Foi uma comoção geral, e quando o livro apareceu acabei levando só ele e esqueci o Agualusa. Logo que voltei pro Rio esse erro foi sanado na livraria do cinema. Não me arrependo.

O livro é escrito de forma epistolar (cartas), e a leitura é muito fluida. Suas 200 páginas passam pela gente deixando uma vontade de mais. Quem escreve as cartas é Fradique Mendes – sim, aquele – entre 1868 e 1888. Esse português chega em Luanda e começa a escrever sobre o que encontra, o que entende e o que o deslumbra. Por diversas situações sua vida se move entre Portugal, Angola e Brasil. O fim do tráfico negreiro, a possibilidade de abolição e  as relações transatlânticas estão presentes em todo o livro. Ele é triste como o período pede, mas também tem a beleza triste que algumas personagens exigem.

O romance de Fradique e Ana Olímpia não é perfeito nem explicado, e por isso me pareceu tão real. Ana Olímpia é uma personagem linda. Mas descobri-la durante o livro é um prazer que não pretendo tirar de quem ler esse texto.

Fui ainda surpreendida por um viés auto reflexivo do livro. Já disse algumas vezes que tenho problemas com livros pretensamente metalinguísticos, acho que nem sempre eles cumprem o que prometem. Com Nação Crioula foi diferente, ele não se mostrou logo de cara “meta”, mas foi recebido assim no meu coração.

Encontrei algumas passagens especialmente bonitas, mas acabei não marcando por serem longas. Duas vezes li um par de páginas que gostei, mas não marquei. Acho que foi o capricho da edição que me reprimiu.

De toda forma, quero ler mais desse autor. Não sei qual será o próximo, mas ele aparecerá.

as vogais em São Miguel Açores Irene Maria F. Blayer

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2012-07-28 17:25:26

Vowel Sound Shift and the Portuguese of the Azores – Irene Maria F. Blayer

 


Vowel Sound Shift and the Portuguese of the Azores

For some linguists, the area of origin of the pioneering settlers remains an important factor that must be taken into consideration when examining regional linguistic variations. As Raven McDavid (1980:19) points out: “Evidence accumulated in Germany, France, and Italy revealed that in Europe regional speech differences are related to historical forces: original settlements, routes of migration, older political boundaries, and centers of cultural diffusion.” In the case of the Azores, the information available, though not conclusive, would seem to suggest a southern Portuguese component in the early settlement of the islands, primarily in São Miguel. As such, the linguistic legacy from mainland Portugal ought to be recognized as constituting the predominant factor in regard to the foundation of the Azorean speech. This language continued its process of natural and spontaneous phonetic evolution, thus giving rise to its distinctive phonological characteristics (Blayer 2003, 2005, 2007).
The presence of the palatal sounds, [ü] and [ö], in the vocalic system of São Miguel has been discussed as largely due to the working of Celtic substratum influences, explained by a possible French settlement in the village of Bretanha. Any attempt to argue an external influence for the presence of the palatal vocalic sounds in the speech of the Azores has only been claimed on the basis that this phenomenon is reflected in the speech community of one area. Furthermore, in most linguistic studies on the Portuguese language, the barest mention of other islands, as well as other Portuguese-speaking areas where these sounds are prevalent, has been scarcely recorded.
To explain the presence of [ü] in Romance as a Celtic connection, is according to Posner (1980:238) “somewhat tenuous, especially as we know little about Gaulish Celtic […] We have little hard evidence about persistence of Gaulish, nor indeed of the widespread use of Celtic throughout Roman Gaul.” With reference to São Miguel, it is not possible to conclusively posit interference of the speech pattern of Bretanha on that of São Miguel, nor trace a Celto-French contribution to the speech of this village. It is important to insist upon the fact that the settlement of the Azores was primarily of Portuguese origin, thus negating the probability that a foreign linguistic presence played a role in ‘phonological’ development. While some of the arguments are questionable regarding the Celto-French interference, and given the scarcity of documentary evidence seeking to locate the causes of sound changes in Romance by means of an external factor, Jungeman maintains that to identify substratum influence in phonology some conditions should be fulfilled: (1) the internal factors alone may not explain the presence of the palatal sounds in; (2) there should have existed characteristics with a direct or indirect relationship with this phenomenon, (3) was there a period of bilingualism in which the two languages influenced each other; and during this time was this community completely isolated from other external influences – such as the other ethnic forces? (1955:418).
The interpretation of this phenomenon in phonological terms leads us to note that the hypothesis postulated by structuralists (Haudricourt-Juilland 1949:100-113, Martinet 1955:52-3) to explain the presence of the rounded mid-high fronted and back vowels, as well the change ü > U in Romance, is that the appearance of ü < U can be seen as a reduction of a Mehrlautphoneme ui, as a result of a displacement of back vowels. Due to asymmetry in the articulatory space available at the front and back of the mouth when [o] in checked syllables became [u], the functional load of [u] < Latin U and Romance [o] became excessive and U acquired a palatalizing articulation. The resulting vowel acted as a catalyst for the formation of the parallel phoneme /ö/. On the basis of linguistic economy, Martinet (1955) explains that everything concerning language must be viewed from “the point of view of function” -languages prefer symmetrical phonological systems and the function of sound shifts is to bring symmetry into an otherwise asymmetrical system -. Posner argues that “On the whole the structuralist ideas about symmetrical systems, cases vides, functional loads and push and drag chains are currently unfashionable […]. However, certain sound shifts can conceivably be seen as consequent on others, where potentially pathological phonological mergers threaten.” (1996:161). Spence (1972: 302), on the other hand, argues that “If we are to admit the desire for symmetry as an important factor in the process of change, it seems more plausible to see a re-organization of the system as a sort of therapeutic reaction to phonemic splits or mergers which have as it were ‘slipped under the guard’ of the users of the system: a move towards the re-establishment of symmetry implies that an asymmetry has arisen.” Furhermore, he explains that the changes which formed the Romance vowel systems cannot be explained by systemic pressures with totally predictable results, since they led to different norms in different areas.
In light of the fact that vocalic phonological variants in other areas of the insular speech share similar tendencies (Blayer 1992), we are left wondering if the external and foreign causes were really responsible for their alleged results in São Miguel. Hence, an attempt to explain phonological changes with competing vowel systems in Romance may well prove to be more solid.

Irene Maria F. Blayer

DOM ALEIXO CORTE-REAL -TIMOR

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D. Aleixo Corte Real, um exemplo de fidelidade...
Daniel Braga 15 August 23:47

D. Aleixo Corte Real, um exemplo de fidelidade e patriotismo

«Resta-me citar os indígenas, quer chefes, quer simples habitantes da colónia, que, durante o período dos acontecimentos a que este relatório se refere, deram pelo seu procedimento para com a Pátria e para com os portugueses provas irrefutáveis da sua dedicação, da sua lealdade, do seu absoluto patriotismo.
Avulta entre eles, como estrela de primeira grandeza, o liurai de Ainaro, circunscrição do Suro, D. Aleixo Corte Real. Para esse tive já a honra de fazer uma proposta especial, relatando sucintamente o que foi a acção desse grande chefe e como se manifestou, em termos excepcionalmente vincados, o seu extraordinário patriotismo. E o Governo da Nação premiou já condignamente, com o grau de comendador da Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, esse grande português.»

Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho em Relatório dos
Acontecimentos de Timor (1942-1945).

Defendia e bem Teixeira de Pascoaes, em Arte de Ser Português, que a superioridade da raça não assenta em pressupostos biológicos, materialistas ou positivistas, mas sim num carácter puro, nobre e distinto, baseado na incorruptibilidade do espírito e de toda a essência metafísica do indivíduo. A Educação dos dias de hoje, bastante distinta daquela apregoada por Pascoaes em inícios do séc. XX, suprimiu por completo a noção de raça, desvirtuando e criminalizando o conceito, substituído pela vacuidade de um paradigma vazio, alheio a valores, identidades e princípios, alimentado pela adaptabilidade do ser humano, em jeito de darwinismo social, aos interesses da ordem vigente, mesmo quando esta desrespeita todos e quaisquer pressupostos éticos, culturais e até humanitários.
Talvez por esta razão, figuras como D. Aleixo Corte Real se tenham tornado tão incomodas e por isso remetidas para um confortável esquecimento. Contudo, a fidelidade e sacra memória que devemos aos nossos antepassados, faz-nos hoje invocar a lembrança deste grande herói português.
D. Aleixo Corte Real nasceu em 1886 na cidade de Ainaro, localizada e 78 km de Díli, capital do Timor Português. Inicialmente chamava-se Nai-Sesu, tendo adoptado o nome pelo qual ficaria conhecido apenas em 1931, ano em que se converteu ao catolicismo e foi baptizado.
A sua fidelidade à pátria-mãe cedo começou a expressar-se quando, entre 1911 e 1912, combateu ao lado dos portugueses na sublevação de Manufahi. O seu papel de régulo conferiu-lhe um importante estatuto em toda a região, sendo um importante embaixador de Portugal naquele território. Porém, não foi devido ao seu relevante papel político-militar que o régulo timorense se destacou, mas sim pelo carácter e nobreza demonstrados ao revelar-se incorruptível aquando da invasão japonesa daquele território português, durante a II Guerra Mundial.
Apesar da neutralidade portuguesa, o território do Timor Português foi inicialmente invadido por um contingente holandês e australiano, com a desculpa de que Portugal não defendia aquele espaço, estando desse modo vulnerável a uma ocupação nipónica. Este facto acabou por verificar-se, provavelmente devido à invasão preventiva perpetrada pelas tropas australianas e holandesas. Durante aproximadamente três anos o terror espalhou-se naquela província ultramarina. Descontentes com a presença proselitista e declaradamente hostil do imperialismo japonês, a maioria da população timorense colocou-se do lado da resistência a estes invasores, apoiados também por uma pequena franja de milícias autóctones, designadas de Colunas Negras. D. Aleixo Corte Real foi, tal como o seu irmão, um dos líderes da resistência contra a ocupação nipónica, tendo acabado cercado e capturado em 1943 pelas tropas japonesas e membros dessas milícias pró-nipónicas.
Foi com sua captura e consequente sacrifício que o régulo alcançou a sua maior glória, mitificando-se, após enfrentar os seus algozes, negando-lhes a legitimidade sobre aquelas terra, depois de lhes negar a entrega da bandeira portuguesa. Este heróico e nobre acto custou-lhe a vida a si e à sua família que foi executada por um pelotão de fuzilamento japonês.
Mesmo destino teve o seu irmão e outros chefes locais que se uniram na defesa dos interesses das suas gentes e da sua pátria: Portugal. D. Aleixo Corte Real tornou-se rapidamente um símbolo do patriotismo nacional e da união entre os diversos povos portugueses. A sua honra e fidelidade foram justamente lembrados pelo Estado Português, tornado-se D. Aleixo Corte Real uma personificação da heroicidade e ferocidade da alma portuguesa, fiel de si mesma e absolutamente incorruptível… em qualquer circunstância!

Régulo D. Aleixo Corte Real junto da sua família.

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DOM BOSCO (TIMOR)

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Aniversário de Dom Bosco 16/08/1815 –...
Crispim Costa 16 August 03:02
Aniversário de Dom Bosco
16/08/1815 – 16/08/2012

Hoje é aniversário do nascimento de Dom Bosco. “Pai e Mestre da Juventude” como lhe chamou João Paulo II. O então Bispo de Dili, Dom Jaime Garcia Goulart de venerável memória confiou aos Salesianos no dia 31/01/1948 este pedaço da metade de ilha até então nunca tinha sido evangelizada. Conta a minha mãe que de quando em quando passava um sacerdote à cavalo com o lampião pendurado ao pescoço do animal. Provavelmente fazia pesquisa o como chegar junto à população. Havia uma escola em Lautém, sede da Circunscrição do mesmo nome antes da II Guerra Mundial. Lecionava nesta escola o pai de Dom Carlos Felipe Ximenes Belo, único professor para todo Lautém. Quando Dom Jaime ofereceu esta zona para os salesianos, Fuiloro como escola, praticamente não existia. Era um Posto Administrativo da Circunscrição com uma fortaleza destruída pela guerra. É lá que os salesianos tinham a sua primeira residência depois de serem acolhidos na nova residência do Administrador em Lospalos, porque os edifícios em Lutém também foram destruídos. O administrador daquele ano era senhor Olímpio. O senhor José Riberiro um irmão salesiano natural de Fátima conta que à noite através do tecto, dentro das barracas, podiam contar as estrelas e quando chovia embrulhavam-se com oleado e para a cabeça resguardava-se da guarda-chuva conforme onde pingava a água. Desde 1948 que ele está em Lospalos e fala muito bem Fataluku do que o próprio que neste momento está a relatar. Além dele, os primeiros pioneiros foram:
Pe. Manuel Alves Preto, português
Pe. Anibal Viggetti, italiano
Senhor João Aranda, espanhol
Senhor José Kusy, da Checoslováquia na altura.
Meses depois Pe. José Bernardino Rodrigues, português.
Seguiram se depois muitos mais salesianos para desenvolver a educação e a evangelização no Concelho de Lautém.
Aos poucos, eles iam conhecendo Fuiloro e assim criar amizades com este povo. Não tarda, começaram a ensinar as crianças e os jovens que se abeiravam aos missionários. Através destes, vieram os pais e aos poucos eles deixaram “URU HO VATXU”=(sol e lua), para adorar o Criador de sol, até então por desvendar, o único Deus verdadeiro.
Fuiloro neste momento é uma Escola Agrícola ao cuidado dos salesianos.
Bem-haja, estes corajosos missionários que seguiram o exemplo do Bom Pastor deram a vida para que outros vivam. E muitos destes outros, depois de conhecer a verdade, ao longo deste tempo, nestes últimos 30 anos, também deram sua vida para que os seus irmãos vivam. Konis Santana, Solan, Txai, Bere-Malai-Laka, Hídeo, Varuloho, sem mencionar os vivos e muitos outros que passaram por esta pequena grande escola. A história não acaba aqui. É meu simples OBRIGADO neste dia de Dom Bosco ao Senhor da vida pelas vidas de muitas pessoas amigas que fizeram também parte na minha vida.

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FERNANDO SYLVAN POETA TIMORENSE

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Fernando Sylvan, pseudónimo de Abílio Leopoldo...
J M Domingues Silva 15 August 15:33
Fernando Sylvan, pseudónimo de Abílio Leopoldo Motta-Ferreira (Díli, 26 de Agosto de 1917 — Cascais,25 de Dezembro de 1993), foi um poeta, prosador e ensaísta timorense.
(In Wikipédia)Biografia

Nasceu em Díli, capital de Timor-Leste, contudo, passou a maior parte de sua vida em Portugal, onde morreu, na vila de Cascais. A distância geográfica entre Portugal e Timor não impediu Sylvan de continuar escrevendo sobre o seu país de origem, dissertando sobre suas lendas, tradições e folclore. Um de seus temas preferidos é a infância, período de sua vida que lhe deixou muitas saudades de Timor. Enfim, Fernando Sylvan é um dos grandes poetas da língua portuguesa e presidiu à Sociedade de Língua Portuguesa, em Portugal.

Um de seus poemas mais conhecidos é Meninas e Meninos, publicado em 1979.
Obra

POESIA

Vendaval. Porto, 1942 Oração. Porto, 1942 Os Poemas de Fernando Sylvan (capa de Neves e Sousa). Porto, 1945 7 Poemas de Timor (com vinheta de Azinhal Abelho e um desenho de João-Paulo na 1ª edição). Lisboa, 1965. 2ª edição, pirata. Lisboa, 1975. Mensagem do Terceiro Mundo (poema e traduções de Barry Lane Bianchi, Serge Farkas, Inácia Fiorillo e Marie-Louise Forsberg-Barrett para inglês, francês, italiano e sueco). Lisboa, 1972. Tempo Teimoso (capa da 1ª edição de Cipriano Dourado). Lisboa, 1974. 2ª edição, Lisboa, 1978 Meninas e Meninos, Lisboa, 1979 Cantogrito Maubere – 7 Novos Poemas de Timor-Leste (carta-prefácio de Maria Lamas, nota de Tina Sequeira, capa de Luís Rodrigues). Lisboa, 1981. Mulher ou o Livro do teu Nome (com 21 desenhos de Luís Rodrigues, prefácio de Tina Sequeira). Lisboa, 1982 A Voz Fagueira de Oan Timor (organização de Artur Marcos e Jorge Marrão, prefácio de Maria de Santa Cruz). Lisboa, 1993.

PRESENÇA EM COLECTÂNEAS DE POESIA

Enterrem Meu Coração no Ramelau (recolha de textos de Amável Fernandes, desenhos de José Zan Andrade e capa de António P. Domingues e Fortunato). Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1982. Primeiro Livro de Poesia — Poemas em língua portuguesa para a infância e adolescência (selecção de Sophia de Mello Breyner Andresen, ilustrações de Júlio Resende). Lisboa, Caminho, 1991. Floriram Cravos Vermelhos — Antologia poética de expressão portuguesa em África e Ásia (por Xosé Lois García). A Corunha (Galiza), Espiral Maior, 1993.

PROSA

LIVROS

O Ti Fateixa. Parede, 1951 Comunidade Pluri-Racial. Lisboa, 1962 Filosofia e Política no Destino de Portugal. Lisboa, 1963 A Universidade no Ultramar Português. Lisboa, 1963 O Racismo da Europa e a Paz no Mundo. Lisboa, 1964 Perspectiva de Nação Portuguesa. Lisboa, 1965 A Língua Portuguesa no Futuro da África. Braga, 1966 Comunismo e Conceito de Nação em África. Lisboa, 1969 Recordações de Infâncias (colaboração de Tina Sequeira). Lisboa, 1980 O Ciclo da Água (BD de Luís Rodrigues). Lisboa, 1987 Cantolenda Maubere/Hananuknanoik Maubere / The Legends of the Mauberes (traduções: para tétum, de Luís da Costa; para inglês, do Departamento de Projectos da Fundação Austronésia Borja da Costa. Ilustrações: 7 pinturas e 2 desenhos de António P. Domingues). Lisboa, 1988.

SEPARATAS

Da Pedagogia Portuguesa e do Desvalor dos Exames. Lisboa, 1959 Relação dos Idiomas Basco e Português. Lisboa, 1959 Arte de Amar Portugal. Lisboa, 1960 A Língua e a Filosofia na Estrutura da Comunidade. Lisboa, 1962 O Espaço Cultural Luso-Brasileiro. 2ª edição. Lisboa, 1963 Obscina Narodov Timora. Moscovo, 1964 Como Vive, Morre e Ressuscita o Povo Timor. Lisboa, 1965 Aspects of the Folk-stories in Portuguese East Africa. Atenas, 1965 Função Teleológica da Língua Portuguesa. Coimbra, 1966 A Verdadeira Dimensão do Verdadeiro Homem. Braga, 1969 A Instrução de Base no Ultramar. Lisboa, 1973 Língua Portuguesa e seu ponto de angústia hoje. Lisboa, 1978

PARTES DE LIVROS

O Ideal Português no Mundo. Lisboa, 1962 Perspectivas de Portugal. Lisboa, 1964

TEATRO

Duas Leis, peça em 3 actos, escrita em 1949 e representada em 1957 Culpados, peça em 2 actos, escrita em 1957
Prémios

Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (postumamente)

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PONTE PEDRINHA AUTOR TIMORENSE

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ANDANÇAS DE UM TIMORENSE Prefácio de José...
Daniel Braga 15 August 15:11
ANDANÇAS DE UM TIMORENSE
Prefácio de José CraveirinhaAutor: Ponte Pedrinha(hENRIQUE bORGES)
Temas: Lusofonia, Literatura
Colecção: Timor – História, Política e Literatura
Ano:1998

Sinopse:
«Andanças de um Timorense é […] a voz que faz o som; o som que se torna a Palavra, o Silogismo, a Alusão, a Temporalidade e o momento do Vazio ou da Vitória; da Mensagem, da Beleza e da pura respiração. E sem curvar a cabeça ao inspirar o encanto da redescoberta, a negação da letargia e o redescobrir da luz do sol no belo espaço de uma Pátria, a Pátria autêntica», eis algumas palavras de José Craveirinha sobre este primeiro romance do luso-timorense Ponte Pedrinha.

PONTE PEDRINHA
Ponte Pedrinha é o pseudónimo literário de Henrique Borges, natural da vila de Same, situada na região montanhosa de centro de Timor-Leste. O Autor pertence a uma família luso-timorense que se vê obrigada a abandonar Timor-Leste em 1975, na sequência da guerra civil, tendo-se refugiado primeiro na Austrália e depois em Portugal, a partir de 1976.Membro da Resistência Timorense, integra neste momento o corpo diplomático de Timor-Leste em Portugal.

(in Apresentação de Andanças de um Timorense de Ponte Pedrinha – Henriqueta Maria Gonçalves / Secção de Letras / UTAD)

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ESTÁTUA PERDIDA DE DOM BOAVENTURA DE MANUFAHI

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Sábado, 6 de Agosto de 2011 Lá fui eu, mais...
J M Domingues Silva 15 August 11:55
Sábado, 6 de Agosto de 2011
Aqui está ela!…

Note-se o nome de “D. Boaventura” escrito no “kaibauk” preso na testa
Nem tudo o que parece é… O dedo esticado
é o indicador e não o anelar,
como se pode confirmar na foto acima…
Localização da estátua; vejam-se as coordenadas
na parte de baixo da imagem do Google

Qual a história desta estátua? Onde deveria estar e não está? Mais perguntas para perguntar… Alguém sabe as respostas?

Lá fui eu, mais uma vez, perscrutar a cidade…
… em busca de uma estátua “perdida”! 🙂
Expliquemo-nos!
Há dias um amigo mostrou no seu mural do FB uma estátua (metálica) identificada como sendo de D. Boaventura de Manufahi e que estaria “perdida” algures em Fatuhada, um dos bairros de Dili. Estavam reunidas todas as condições para me pôr em campo e ir “xeretar” a região.E hoje, sábado, lá fui eu. 8h30m da manhã, mais ou menos, saí do hotel e segui a pista que o meu amigo R.Fonseca me tinha dado: dois quarteirões antes da embaixada australiana virar à direita e procurar a dita cuja.

Desconhecendo a geografia do local, acabei por me meter na Rua da Mesquita e, claro, não dei com nada. Virei para o interior do bairro e andei às voltas mas… nada!
Acabei por ir até à embaixada e então voltar para trás e só então dei com a entrada de uma rua, meio manhosa, que era a segunda depois da embaixada. Meti-me por ela e fui andando e nada de estátua.
Quando começava a pensar que a estátua se tinha esfumado, verifiquei que a rua estreitava com um prédio que quase fecha a rua. Ultrapassei-o e… ó pra ela! Lá estava a estátua, de pé, assente no chão.
Aqui está ela!…

(in O Livro das Contradições) http://livrodascontradisoens.blogspot.pt/2011/08/la-fui-eu-mais-uma-vez-perscrutar.html

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MORREU O ÚLTIMO SOBREVIVENTE TIMORENSE DA 2ª GRANDE GUERRA

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Rufino Alves Correia, considerado o último...
J M Domingues Silva 15 August 11:37
Rufino Alves Correia, considerado o último sobrevivente dos timorenses que combateram ao lado das forças australianas na II Guerra Mundial morreu quarta-feira e foi hoje 22 Abril 2010 a enterrar, com honras militares, no cemitério de Santa Cruz, em Díli. Rufino Alves Correia, que tinha 94 anos, integrou em 1942 a 2ª companhia independente, uma unidade de elite, como soldado, na guerra de guerrilha das tropas australianas atrás das linhas inimigas. Os jovens timorenses eram geralmente incumbidos de fornecer informações, de tratar do abastecimento alimentar e de encontrar abrigo nas aldeias. Rufino Correia foi um dos poucos timorenses a participar diretamente em ações de combate, nomeadamente no ataque às posições nipónicas na cidade de Díli pelo pelotão B, segundo Paul Cleary, jornalista e escritor australiano, autor de “Os homens que saíram do chão”. O Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, na impossibilidade de estar presente nas exéquias, enviou de Phnom Penh, onde se encontra em visita oficial, uma mensagem de condolências, prestando tributo “a um verdadeiro herói que demonstrou uma bravura extraordinária em jovem”. “Rufino emergiu do período mais trágico da história da Humanidade como uma inspiração geracional”, refere Ramos-Horta na sua mensagem, lembrando que “nunca esqueceu os amigos australianos nem foi jamais esquecido pelos soldados australianos a quem serviu”. O Chefe de Estado timorense havia condecorado Rufino Alves Correia com a Medalha Presidencial de Mérito, por ocasião do 10. aniversário da consulta popular que determinou a independência, a 30 de agosto de 1999, “pelo serviço que prestou a Timor-Leste e à Humanidade”.

Notícia da Lusa

No medal for a Timor war hero

Lindsay Murdoch, DarwinApril 23, 2010

SIXTY-FOUR years was not enough time for Australia to award a medal to Rufino Alves Correia for his heroism when he was shot and wounded while trying to protect Australian commandos in World War II.

Mr Correia, 90, was buried in Dili yesterday, six months after a petition signed by 24,000 people was presented to federal MPs asking them to back an award to honour the sacrifices Timorese made to help the Australians.

Between 40,000 and 50,000 Timorese – in a population of only 650,000 – were killed or starved to death in Japanese-occupied East Timor.

Mr Correia was one of the last surviving ”criados” who fought alongside Australians.

Australian soldiers deployed in East Timor yesterday presided over his funeral, a rare honour for a non-Australian citizen.

But Canberra is still considering the petition for a special Timorese Order of Australia that was organised last year by East Timor’s Mary Mackillop mission. ”Sadly, Rufino died without the full recognition he deserved for his bravery,” said Mary Mackillop’s Susan Connelly. She said there has not been adequate recognition of the assistance the Timorese gave the Australians. Mr Correia, known as Rufino, was proud of the time he spent with the Australian commandos. Every year he would attend the Anzac Day service in Dili.

”Rufino has never forgotten his Australian friends and similarly has never been forgotten by the Australian soldiers he served beside,” East Timor President Jose Ramos Horta said yesterday.

But in 2006, before Mr Correia travelled to Melbourne to take part in an Anzac Day parade, he told The Age that he always wondered why the Australians ”never came back to help us after the war”.

Read more: http://www.theage.com.au/national/no-medal-for-a-timor-war-hero-20100422-tfva.html#ixzz1cAlBDmpv

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PRÉMIO NOBEL DA PAZ, DOM CARLOS FILIPE XIMENES BELO

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D. Carlos Ximenes Belo Bispo residente e administrador apostólico da diocese de Díli entre 1983 e 2002. Nasceu em 1948, em Wallakama, uma aldeia perto de Vemasse, em Baucau, na ponta leste de Timor.Estudando sempre em escolas missionárias, graduou-se em 1973, no Seminários de Dare, nos arredores de Díli. Depois partiu para Lisboa, onde estudou no Colégio Salesiano Novitiate. Tendo regressado por um curto período de tempo a Timor-Leste, lecionou no Colégio Salesiano em Fatumaca. Entre 1975 e 1976, esteve em Macau, no Colégio Dom Bosco, não presenciando a chegada das tropas indonésias ao território timorense. Pouco tempo depois, partiu para Portugal, onde estudou filosofia religiosa na Universidade Católica de Coimbra. Depois, foi enviado para Roma, onde estudou na Universidade Salesiana loc

al. De volta a Lisboa, em 1980, foi ordenado padre. No ano seguinte, voltou a Timor com a intenção de ajudar a manter viva a religião católica, bastante limitada pela presença e pelo domínio dos indonésios, maioritariamente muçulmanos.O enorme contacto com a juventude, em parte devido às necessidades de apoio à comunidade, e as crescentes pressões diretas do domínio das autoridades militares indonésias, levaram-no a resistir abertamente, recusando-se sempre a obedecer às regras do invasor. Em 1983, foi nomeado administrador apostólico da diocese de Díli. Desde então, tem travado uma luta cerrada para defender os direitos humanos e a autodeterminação do povo timorense. A 12 de novembro de 1991, após o massacre de Santa Cruz, o bispo acolheu centenas de fugitivos que procuravam refúgio das tropas indonésias. Devido ao seu apoio e às suas denúncias à comunidade internacional da violência e opressão exercidas contra o povo timorense, o bispo tornou-se o alvo de várias tentativas de assassínio.Em 1 de outubro de 1996, foi galardoado, juntamente com José Ramos-Horta, o porta-voz internacional para a causa de Timor Leste desde 1975, com o Prémio Nobel da Paz, a mais prestigiada distinção política mundial.Em 1999, a situação política em Timor Leste agravou-se após a realização de um referendo sobre a autodeterminação dos timorenses, realizado a 30 de agosto, cujo resultado foi favorável à independência do território. A casa de D. Ximenes Belo foi alvo de um dos sucessivos ataques que as milícias integracionistas fizeram no território, pelo que o bispo se viu forçado a abandonar Timor Leste.Em 2001 recebeu, juntamente com Alexandre (Xanana) Gusmão e José Ramos-Horta, o título de Doutor “Honoris Causa” pela faculdade de Letras da Universidade do Porto.Já depois da independência do território, em novembro de 2002, D. Ximenes Belo resigna ao cargo de bispo de Díli, alegando razões de saúde.

LUIS CARDOSO E RUY CINATTI (TIMOR)

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Crónica de uma travessia – A época do...
Daniel Braga 14 August 21:41
Crónica de uma travessia – A época do Ai-Dik-Funam
(Autor: Luís Cardoso)
Editora: Publicações Dom Quixote

Apreciação:
(Urbano Tavares Rodrigues, 1997)

Timor não tem ainda uma literatura. Há, é certo, os poemas de Xanana Gusmão, que são interessantes e são dele, que lhes confere um valor especial. E há ainda a poesia, cheia de boa vontade e sentimento nacionalista, de Fernando Sylvan, artisticamente fraca, muito oratória e  romântica, com uns pós de pitoresco. Este livro de Luís Cardoso, Crónica de Uma Travessia, subtitulado “A Época do Ai-Dik-Funam”, sob certos aspectos fascinante, participa da biografia, do romance e efectivamente da crónica. Narra as peripécias do autor, desde a infância timorense, no campo, à viagem com o pai, enfermeiro, para a ilha de Ataúro, à vinda para o exílio em Portugal, os estudos de Agronomia, a participação no Conselho Nacional da Resistência Maubere, o convívio com os timorenses do Vale do Jamor. Pelo meio da narrativa, em que se equilibram o relato e o comentário de acontecimentos e aparecem pessoas e nomes como o de Ramos Horta, o de Manuel Carrascalão e se fala em Zeca Afonso, em Adriano Correia de Oliveira, etc., equilibram o realismo e o fantástico (este intimamente associado às vivências de Timor, mas também a um modo de viver e sentir). Passa neste livro um sopro de mistério, através do entrosamento de duas culturas, uma delas ainda carregada de elementos mágicos.
José Eduardo Agualusa tem razão quando aponta em Luís Cardoso, no seu prefácio, um escritor a caminho da sua obra.

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Rui Cinnati Não era timorense, mas amou Timor...
Daniel Braga 14 August 20:57
Rui Cinnati
Não era timorense, mas amou Timor como ningem

Rui Vaz Monteiro Gomes Cinatti (1915-1986) nasceu em Londres e faleceu em Lisboa. Licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa em 1941, partiu para a Inglaterra onde estudou Etnologia e Antropologia em Oxford. Entre 1943 e 1945 desempenhou o cargo de meteorologista aeronáutico da Pan-American Airways e entre 1946 e 1948 exerceu a função de chefe de gabinete do então governador do Timor Português . Exercerá pouco depois o cargo de chefe dos Serviços da Agricultura do Governo de Timor. Seria mais tarde nomeado investigador da Junta de Investigação do Ultramar. Em 1967 instala-se definitivamente em Lisboa. Entre 1940 e 1953 coordena com Tomás Kim e José Blanc de Portugal os Cadernos de Poesia. Obras principais: Ossonobó (1936), Nós Não Somos Deste Mundo (1941), Anoitecendo a Vida Recomeça (1942), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada Meu Amigo (1966), Sete Septetos (1967), Crónica Cabo-Verdeana (1967), O Tédio Recompensado (1968), Borda d’Alma (1970), Uma Sequência Timorense (1970), Memória Descritiva (1971), Conversa de Rotina (Sociedade de Expansão Cultural, Colecção de Poesia “Convergência”, 1973), Os Poemas do Itinerário Angolano (1974), Paisagens Timorenses com Vultos (1974), Cravo Singular (1974), Timor-Amor (1974), O A Fazer, Faz-se (1976), Import-Export (1976), Lembranças para São Tomé e Príncipe – 1972 (1979), Poemas (1981), Manhã Imensa (1982).

Ruy Cinatti: Poeta, “Agrónomo e Etnólogo”, Instigador de Pesquisas em Timor
(Autor: Cláudia Castelo)

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língua portuguesa em timor-leste XIMENES BELO

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A Língua Portuguesa em Timor-Leste

Por D. Carlos Ximenes Belo, SDB*

O contacto dos Portugueses com os Timorenses data de 1512, quando depois da Conquista de Malaca os navegadores lusos sulcavam os mares da Insulíndia, em demanda de especiarias, cravo, noz moscada, canela e sândalo. Na altura, a língua do comércio naquelas paragens era Malaio. Porém ao longo do século XVI e XVII, a língua franca era o Português. O ensino da língua Portuguesa em Solar, Flores, Timor e Ilhas circunvizinhas, foi implementado, sobretudo, pelo missionários dominicanos. Pois nos finais do século XVI fundaram um seminário menor em Solor para ensinar os meninos da Ilha a ler, contar. Nos princípios do século XVI, com a perda de Solar para os Holandeses, abriram outro seminário em Larantuca. Na Ilha de Timor, onde a presença dos dominicanos se fez sentir com maior intensidade, abriram-se escolas rudimentares nos reinos, junto das capelas e igrejas, que não eram senão barracões coberto com colmos de palmeiras ou coqueiros ou de capim. Na segunda metade do século XVIII, fundou-se o primeiro seminário em Oe-cusse, durante o governo do Bispo do Bispo Frei António de Castro (1738-42). Em 1747, abria-se um segundo seminário em Manatuto. Não dispomos de relatórios dos Frades, sobre o funcionamento, o programa de estudos, nem o número de alunos, e muito menos de sacerdotes formados, fruto daquelas duas instituições. Em 1769, por causa do cerco dos Topasses e da ameaça dos holandês, a Praça de Lifau foi incendiada, e mudou-se a capital para Dili. Presume-se que em Dili, os dominicanos residentes na Praça de Dili, tivessem fundados escolas. O certo é que em 1772, o comandante de um navio francês François Etienne Rosely depois de ter visitado Lifau, Dili e outras povoações costeiras, fazia este comentário: “Quase todos os chefes falam Português e nos reinos vizinhos dos Portugueses é a língua geral (…). Conheci alguns muito sensatos, espirituais, engenhosos, sinceros e de boa fé, entre os quais um, muito versado na História da Europa”.Ao longo do século IX, verificou-se a diminuição de missionários dominicanos. E isso teve consequência na acção missionária e naturalmente do ensino do Português. Entre os anos 1830 a1856, o primeiro padre Timorense, Frei Gregorio Maria Barreto dirigia uma escola rudimentar nos reinos de Oe-Cuuse, Ambeno e Dili. Em 1863, o governador Afonso de Castro fundou ma escola régia em Dilui, destinada aos filhos dos Chefes e de outros principais. A direcção dessa escola foi entregue ao segundo padre Timorese, Jacob dos Reis e Cunha. O grande desenvolvimento das escolas das missões deu-se em 1878, quando o padre António Joaquim de Medeiros, mais tarde Bispo de Macau, estabeleceu o programa da educação da juventude timorense com a abertura de escolas rurais em Manatuto, Lacló, Lacluta, Samoro, Oe-Cusse, Maubara, Baucau, etc. A instrução, a certa altura era tão absorvente que os padres, dedicavam-se mais às escolas do eu à missionação. Essa situação mudou tempestivamente com o governo do Bispo Dom José da Costa Nunes. Em 1924, fundou-se a escola de Preparação de Professores-catequistas. Os timorenses que tinham sido aprovados nessa escola, e depois de serem nomeados professores, foram colocados em diversas estações missionárias, tornado-se agentes principais do ensino da Língua Portuguesa nas aldeias e no sucos. Em 1935, o Governo da Colónia de Timor decidiu entregar o “ensino primário, agrícola, profissional às Missões Católicas, sob a superintendência do Governo da Colónia” (Portaria Oficial, n.º 14). Em 1936, fundou-se o Seminário Menor em Soibada, pelo padre Superior daquela Missão, Jaime Garcia Goulart. E em 1938, funda-se o primeiro liceu. Pode-se afirmar que em 1940, 4 % dos Timorenses falavam o Português, isto é os funcionários, os professores e os catequistas, os “liurais” e chefes, aqueles que tinha tirado a 3 ª e a 4ª classe em Dili e no Colégio de Soibada.

Até á invasão das tropas estrangeiras, Australianos e Holandeses num primeiro momento, e depois, os Japoneses, o ensino ficou paralisado. Depois do Armistício de 1945, e da retomada da soberania em Timor, retomou-se o ensino, reabrindo-se colégios e escolas. Em 1960, com o major da Engenharia Themudo Barata, como Governador da Província, assiste-se a um surto de escolas municipais. E em 1963, o Exército começa a dedicar-se ao ensino, nas escolas dos sucos., escolas essas situadas nos lugares de mais difícil acesso. Até 1970, havia no Timor Português um Liceu (de Dili), um Seminário Menor, onde se ministrava o ensino secundário. Uma Escola de Enfermagem, Uma Escola de Professores do Posto, Uma Escola Técnica, em Dili, e em Fatumaca, uma Escola Elementar de Agricultura. Nesse havia em Timor 311 escolas primárias, com 637 professores e 34.000 alunos. Até 1975, data da invasão da Indonésia do território de Timor, apenas 20% dos Timorenses falavam correcta e correntemente o Português. Como se explica esta situação? Vários factores: a distância (20 mil quilómetros da Metrópole); reduzido orçamento destinado ao ensino e instrução; reduzido número de professores; a falta de interesse da maioria de famílias (agricultores); só dois semanários ( A Voz de Timor e a Província de Timor), um quinzenário, a Seara (propriedade da Diocese de Dili); apenas 2 emissoras. Tudo isso pouco contribuiu para a difusão da Língua. A existência de 21 línguas ou dialectos, o que permitias aos falantes, usarem o Português, só no âmbito da escola ou nos actos oficiais.

O Período da Ocupação indonésia (1976-1999). O ensino da Língua portuguesa foi banida e proibida em todo o Território, excepção feita ao Externato de São José. A Diocese de Dilui, contudo, publicava os seus documentos (quer da Câmara Eclesiástica ou do paço episcopal) em Português. A guerrilha comunicava-se em Português. Nalgumas repartições do Estado, poucos timorenses, informalmente comunicam-se em Português. Houve casos em que um outro jovem foi esbofeteado por saudar o missionário com um “Bom-dia, senhor padre!”.

Hoje, embora o Português seja considerado a Língua oficial de Timor, a par do Tetum, (art. 13 da Constituição de RDTL), a sua implementação depara-se com grandes obstáculos. Há sectores da sociedade timorense que são contra o uso da Língua Portuguesa; as línguas nacionais(21) e línguas estrangeiras (O Bahasa e Indonesia e o Inglês) são fortes concorrentes do Português. O timorense, às vezes, recorre-se ao uso do idioma mais fácil para a comunicação (Tetum, Bahasa, Inglês). Existência de insuficiente número de professores, de livros, de jornais e de rádios e da televisão. Ainda não está generalizado o costume de leitura entre os já “alfabetizados”, sobretudo, leitura de livros, especialmente os da Literatura.

Desafios: continuar a apostar no ensino e na prática da Língua Portuguesa. Para isso, exige-se maior empenhamento dos governantes; na maior distribuição de livros e de outro material, maior implantação da rádio e da televisão nos Distritos e Su-distritos. Daqui, a necessidade cooperação de todos os Países da CPLP.

Num mundo globalizado, o actual panorama da existência de 4 Línguas em Timor (Tetum, Português, Inglês e Bahasa Indonésia), é enriquecedor e vantajoso. Pois cada Língua é uma janela aberta para o Mundo. Por outro lado está o orgulho da preservação da própria identidade nacional. E aqui vale a mensagem do Poeta: “A minha Pátria é a minha língua” (Fernando Pessoa).

*Dom Carlos Filipe Ximenes BeloAntigo Bispo de Dili e Premio Nobel da Paz de 1996.

Uma descendente de açorianos na família imperial brasileira

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Uma descendente de açorianos na família imperial brasileira

Apesar de pouco visualizados, os Açores contribuíram com gente na colonização de terras conquistada por Portugal, de forma sempre constante, em todas as épocas da sua história. No Brasil, com exceção do sul do país, onde a colonização ilhoa foi marcante, a presença açoriana se apresentou de uma forma diluída, mas frequente na base da formação das famílias brasileiras.

Em leitura recente, no livro de Genealogia das Quatro Ilhas (Pico-Faial-Flores e Corvo – Vol. II) encontrei um fato interessante que veio corroborar esta evidencia. Na família Imperial Brasileira há uma Senhora que tem raízes familiares no Arquipélago açoriano. Chama-se Maritza Ribas Bokel.

D. Maritza Ribas Bokel nasceu no Rio de Janeiro a 29/04/61. É paisagista e casada com D. Alberto Maria José João Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança e Wittels Bach (Jundiaí do Sul, PR – 23/06/1957) nascido Príncipe do Brasil, e que renunciou aos eventuais direitos ao trono Imperial, assim como a sua descendência.

É filha de.

D. Marisa Bulcão Ribas (RJ, 28/08/1930) e de Jaddo Barbosa Bokel (Campinas SP). É filha de

D. Guilhermina Cavalcanti Bulcão (RJ) casada com José da Rocha Ribas (RJ). Poetisa. Filha de

Joaquim Inácio de Siqueira Bulcão (Cachoeira BA, n. 1852) Médico, vice-almirante, e de D. Maria José Cavalcanti Lins.

É filho de

Joaquim Inácio de Siqueira Bulcão (S. Francisco- BA, n.1830) fidalgo da Casa Imperial e de D. Inácia Calmon Du Pin e Almeida (f em Vila da Cachoeira, BA em 1892). Filho de

José Araújo de Aragão Bulcão (n em 1795, e f em 1865, Salvador, BA), Segundo barão de São Francisco e de D. Ana Rita Cavalcanti e Albuquerque (f em Salvador em 1869). Filho de

Joaquim Inácio Siqueira Bulcão (n. em 1768, S. Francisco, BA, e falecido em Salvador em 1829) Primeiro Barão de São Francisco e de D. Joaquina de Maurícia de São Miguel e Aragão (n. São Francisco, BA em 1773 e f. 1862). Filho de

Baltazar da Costa Bulcão (n. em N. Senhora do Monte do Recôncavo, BA em 1721 e f. após 1763) Capitão-mor e de D. Maria Joana de Jesus e Aragão ). Filho de

José da Costa Bulcão (n. em N. Sra do Monte do Recôncavo, BA e f. em 1776 em Salvador, BA) Senhor de Engenhos e de D. Maria de Souza de Aragão (n. e f. na BA). Filho de

Baltazar da Costa Bulcão (n. em N. Sra do Monte do Recôncavo, BA e falecido a 1718) Senhor de engenhos de Açúcar e Capitão de Ordenanças e de D. Maria de Gões Mendonça (n. BA). Filho de

Gaspar de Faria Bulcão (n. em Castelo Branco, Faial e f. na Fazenda Água Boa, BA, Brasil em 21/03/ 1690) e de Guiomar da Costa (f. na Fazenda Água Boa, BA em 11/01/ 1690). Filho de

Sebastião de Faria Bulcão (Faial) e de Maria de Ávila (Faial). Filho de

Sebastião Dutra de Faria Bulcão (f. a 1650- Faial)) e de Madalena Dutra (f. 1645- Faial)). Filho de

Gaspar de Faria (n. no terceiro quartel do século XVI e falecido com testamento de mão comum de 9/01/1620, Faial) e de Violante de Utra.

Nota: Gaspar de Faria- desconhecemos no Faial a sua ascendência. Supõe-se ser do Continente. Era casado com Violante d’Utra ( Faial).

Violante d`Utra (Faial, m. a 27/08/1645) era filha do fidalgo flamengo Gaspar Gonçalves Bulcão que fez assento no Faial (desconhecendo-se a sua ascendência) e de outa Violante d’ Utra ( Faial)

Violante d’Utra ( Faial) era filha de Antonio Utra Nunes e Francisca Gaspar Machado.

Antonio Utra Nunes era filho de Nuno Fernandes e de Jorgina d’Utra, irmã do primeiro donatário da Ilha do Faial, Jorge d’Utra (Joss Van Hurtere) e filha de Leo Van Hurtere, senhor do senhorio feudal da Aghebrone (Haeghebrouc), flamengos de Bruges.

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 31/07/2012

Referencia bibliográfica:

Famílias Faialenses (Marcelino Lima)

Genealogia das Quatro Ilhas (Faial-Pico-Flores. Corvo).

Jorge Forjaz e Antonio Ornelas Mendes (2012)

 

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