portugueses no holocausto

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PORTUGUESES NO HOLOCAUSTO” : “Salvaram-se da Inquisição mas não das câmaras de gás”

por Lusa

Esther Mucznik , investigadora
Esther Mucznik , investigadoraFotografia © Rui Coutinho – Global Imagens

A investigadora Esther Mucznik afirma no livro “Portugueses no Holocausto” que os judeus descendentes de portugueses se “salvaram das fogueiras da Inquisição, mas não das câmaras de gás” nazis.

Mucznik cita o caso “de um dos grandes pintores da escola holandesa”, Baruch Leão Lopes de Laguna, de origem portuguesa, que morreu em 1943, no campo de concentração de Auschwitz – e “com ele desapareceram quatro mil judeus de origem portuguesa na Holanda, que acabaram nas câmaras de gás”, acrescenta a investigadora.

A autora de “Portugueses no Holocausto” lembra ainda que também havia luso-descendentes noutras partes da Europa, como deportados de Salónica, na Grécia, que acabaram mortos.

A investigadora procurou o rasto de portugueses e descendentes de portugueses que morreram devido às políticas de exterminação racial da Alemanha nazi, mas também atos de salvação de vidas, como os do diplomata Aristides de Sousa Mendes, cuja “coragem e sensibilidade à dor que o rodeava foram determinantes no salvamento de milhares de pessoas”.

Sousa Mendes não é o único. No Memorial dos Justos, em Jerusalém, consta também o nome de outro diplomata, Carlos Sampaio Garrido, e a investigadora cita ainda, entre outros, Alfredo Casanova, em Génova, Lencastre de Menezes, em Atenas, José Luís Archer, em Paris, Teixeira Branquinho, em Budapeste, e a infanta Maria Adelaide de Bragança que, em Viena, “não ficou indiferente ao sofrimento e não hesitou em ajudar a resistência”.

Em França, o português José Brito Mendes “arrisca a sua vida, escondendo a pequena Cecile”, cujos pais judeus tinham sido deportados para os campos da morte, como escreve a investigadora.

 

 

da Galiza (Pessoa, Inutilidades) por Isabel Rei

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Da Galiza mensagem

Inutilidades

Pessoa no Livro do Desassossego: “Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.”, era Bernardo Soares quem falava. Imaginemos Bernardo Soares, tristeiro apaixonado, enfastiado do capitalismo embrionário europeu, onde a primeira máquina já programava: fazer para algo.

[É certo que o Livro do Desassossego não foi publicado até ao 1982
mas a sua redação aconteceu nos começos do s. XX,
sendo a morte do autor em 1935]

Também Oscar Wilde no Retrato de Dorian Gray: “A Arte é completamente inútil”. O livro saiu do prelo em 1890, justamente quando a Era das Máquinas começava a invadir Europa. O escândalo foi maiúsculo e o autor redigiu várias cartas públicas na sua defesa.

[Para os meus botões:
O nosso dandy preferido deveu divertir-se como nunca!]

Pela mesma época de industrialização massiva, António Machado (1875-1939), andaluz de ascendência galega, fiava uns versos que diziam:

Sabe esperar, aguarda que la marea fluya
—así en la costa un barco— sin que el partir te inquiete.
Todo el que aguarda sabe que la victoria es suya;
porque la vida es larga y el arte es un juguete.

Y si la vida es corta
y no llega la mar a tu galera,
aguarda sin partir y siempre espera,
que el arte es largo y, además, no importa.

No começo do poder das máquinas “valer para algo” significava que a arte, a poesia, tinha o seu lugar prático numa cadeia de produção. Que a fariam encaixar no seu posto e fichar todos os dias. Que estaria desse modo realizando um labor proveitoso para a abstrata sociedade. Não consigo imaginar as páginas dum livro aprontando como um robô as tripas dum automóvel.

Porém hoje a lógica das máquinas, do poder, nos possui. Tomamos a nossa pílula diária em chips, objeto essência do fazer para algo. Assumimos como natural a utilidade de tudo e quase não entendemos por que é necessária a beleza do inútil, do concibido para nada. A estética do artifício, do ilusionismo, da fantasia, a arte como uma prática em si mesma. Pela contra, aventuramos uns objetivos práticos para as artes

[abrimos galerias visuais, tecemos fio musical, vemos produtos da marca Disney,
contratamos empresas de marketing, organizamos concursos, outorgamos prémios,
ingressamos nas enciclopédias, vendemos discos e livros
e até imagens em duas, três, quatro dimensões]

e disfarçamos de seriedade o brinquedo da invenção artística, o escutar por escutar, o ler por ler, qual o viver por viver. Esquecemos a noção da arte como artifício porque sim, máquina sem objetivo. Esquecemos que Arte é parte de Natura sem mais alvos do que existir a existência, essa colossal, poética e exemplar fantasia.

Eugénio Granell (1912-2001)

Eugénio Granell (1912-2001)

faleceu o maior retratista açoriano

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Desapareceu fisicamente hoje o maior retratista de sempre dos Açores

FALECEU ARISTIDES ÂMBAR

Faleceu hoje às 9 horas da manhã de insuficiência cardíaca, no hospital de Ponta Delgada, Aristides Âmbar Raposo, um dos maiores artistas plásticos da atualidade. Natural dos Açores, Aristides Âmbar, impôs de forma natural, desde a adolescência, a sua genealidade, reconhecida pelas grandes vultos da pintura no nosso país e para além fronteiras para onde foram muitos dos seus quadros.
O reconhecimento veio também, felizmente ainda em vida, pelo Presidente da República Prof. Cavaco Silva, que há dois anos o agraciou, numa homenagem nacional, com o grau de Comendador da Ordem de Mérito.
Sendo um dos maiores retratistas do nosso tempo, desenhava um retrato como poucos. E, como se sabe, pintores há muitos, retratistas há muito poucos. Desenhou também, com uma sensibilidade quase extra-sensorial, naturezas mortas, reproduzindo sobremaneira a beleza dos verdes das nossas montanhas e vales, como o espelhado das nossas lagoas, jardins, parques e flores.
Aristides Âmbar era natural da freguesia de São José, em Ponta Delgada. Tinha dois filhos, o Tim e a Tina, deixando ainda uma neta, Bárbara, mais conhecida por Baguinha, bem como muitos amigos que o veneravam, pessoal e profissionalmente.
As artes nos Açores ficam mais pobres a partir de hoje com a partida deste enorme vulto do retrato.
O corpo de Aristides Âmbar estará em câmara ardente na ermida do crematório do cemitério de São Joaquim em Ponta Delgada.
À família, nesta hora difícil, endereçamos os nossos sentidos pêsames.

Desapareceu fisicamente hoje o maior retratista de sempre dos Açores FALECEU ARISTIDES ÂMBAR ... Faleceu hoje às 9 horas da manhã de insuficiência cardíaca, no hospital de Ponta Delgada, Aristides Âmbar Raposo, um dos maiores artistas plásticos da atualidade. Natural dos Açores, Aristides Âmbar, impôs de forma natural, desde a adolescência, a sua genealidade, reconhecida pelas grandes vultos da pintura no nosso país e para além fronteiras para onde foram muitos dos seus quadros. O reconhecimento veio também, felizmente ainda em vida, pelo Presidente da República Prof. Cavaco Silva, que há dois anos o agraciou, numa homenagem nacional, com o grau de Comendador da Ordem de Mérito. Sendo um dos maiores retratistas do nosso tempo, desenhava um retrato como poucos. E, como se sabe, pintores há muitos, retratistas há muito poucos. Desenhou também, com uma sensibilidade quase extra-sensorial, naturezas mortas, reproduzindo sobremaneira a beleza dos verdes das nossas montanhas e vales, como o espelhado das nossas lagoas, jardins, parques e flores. Aristides Âmbar era natural da freguesia de São José, em Ponta Delgada. Tinha dois filhos, o Tim e a Tina, deixando ainda uma neta, Bárbara, mais conhecida por Baguinha, bem como muitos amigos que o veneravam, pessoal e profissionalmente. As artes nos Açores ficam mais pobres a partir de hoje com a partida deste enorme vulto do retrato. O corpo de Aristides Âmbar estará em câmara ardente na ermida do crematório do cemitério de São Joaquim em Ponta Delgada. À família, nesta hora difícil, endereçamos os nossos sentidos pêsames.
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mia couto e premio camoes

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Eis o discurso
de Mia Couto ao receber o Prêmio Camões!

Mia Couto partilha Prémio Camões com a gente anónima de Moçambique

rr.sapo.pt

Embora muitos moçambicanos não saibam escrever ou sequer falar português, são co-autores dos seus livros
Eis o discurso
de Mia Couto ao receber o Prêmio Camões!

Mia Couto partilha Prémio Camões com a gente anónima de Moçambique

rr.sapo.pt

Embora muitos moçambicanos não saibam escrever ou sequer falar português, são co-autores dos seus livros

As misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores

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As misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores

expresso.sapo.pt

São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.
https://expresso.pt/multimedia/fotogalerias/misteriosas-descobertas-arqueologicas-nos-acores=f812970

São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.

Amultiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).

Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.

Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.

Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico.

Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao Expresso: “Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos”.

Mapa da ilha do Corvo, com a localização dos achados arqueológicos. São cerca de 100 estruturas que parecem hipogeus (túmulos escavados na rocha) como os da região do Mediterrâneo
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Mapa da ilha do Corvo, com a localização dos achados arqueológicos. São cerca de 100 estruturas que parecem hipogeus (túmulos escavados na rocha) como os da região do Mediterrâneo

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os Açores e o sul do Brasil

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Documentário retrata relação entre os Açores e o sul do Brasil (Vídeo)

www.rtp.pt

http://www.rtp.pt/acores/?article=32410&visual=3&layout=10&tm=6

“10 ilhas e um mundo” é o título do documentário que narra a história do povoamento açoriano no Sul do Brasil e retrata as semelhanças culturais entre o arquipélago e a ilha de Santa Catarina. </div>

SANTOS NARCISO ESCREVE SOBRE DANIEL DE SÁ

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Livro Grande fechado

Tanto havia para ler… e tão inesperadamente se fechou este Livro, em manhã magoada de oitava da Trindade que jamais esquecerei. O telefone, a voz serena e dorida de Américo Viveiros, director deste Atlântico e do Correio dos Açores: Morreu Daniel de Sá! E fez…-se um silêncio de livro fechado. Toda e qualquer palavra estaria a mais! Morreu Daniel de Sá!
Claro que estas “Leituras do Atlântico” teriam de ser sobre este Livro Grande fechado, uma vida única na simplicidade e diferente na multiplicidade de conhecimentos, sempre transmitidos com a fidelidade de pensamento de quem nunca se vergou a modas nem a correntes literárias, porque ele mesmo, o Daniel de Sá, traçou a sua linha de vida, pautada por um grande Amor, a Maria Alice, os filhos e os netos, Marta, Tiago e Isabel e a quem mais possa vir acrescentar a família em beleza e amor (in O Deus dos Últimos, Ver Açor 2011) e por um grande sonho: universalizar a Literatura açoriana sem lhe retirar o encanto da autenticidade insular.
A grande amizade que me une a Daniel de Sá, desde 1973, tolhe-me o pensamento e limita-me a expressão, porque tudo quanto eu quero dizer é como um mar de saudade que bate na dor da ausência e se transforma em espuma de pensamentos que se evola no leve sopro de quem sente que a outra dimensão da vida afinal está mais perto do que aquilo que podemos imaginar.
Dizia Agostinho de Hipona que muitas das honras prestadas a quem morre mais são consolo para os vivos do que refúgio para quem partiu. Por isso, quero falar de Daniel de Sá como se ele aqui continuasse, respeitando os seus gostos, a sua humildade e a sua discrição. Daniel de Sá detestava o elogio fácil e a homenagem de circunstância. Fugia de palcos e passadeiras, com a mesma naturalidade com que se dispunha a ajudar toda e qualquer pessoa que a ele recorresse, para um conselho, uma palavra, uma correcção, um texto ou um pensamento. Era fiel aos seus Amigos e sofria com traições e ingratidões. Nunca competiu e por isso mesmo não pode nem deve ser objecto de competição na sua memória. E porque esta tentação pode existir, de alguém querer servir-se do nome de Daniel de Sá para autopromoção ou outros interesses, deixo aqui o repto a quem de direito para que o nome de Daniel de Sá não seja usado para satisfazer desejos de brilho momentâneo mas seja honrado e perpetuado da única forma que ele quereria: a divulgação dos seus livros e dos seus ensinamentos. Ler Daniel de Sá, levá-lo às escolas, incluí-lo nos manuais e na história, divulgar os Açores e cada uma das ilhas através de textos por ele escritos, eis a melhor maneira de o homenagear, porque o legado cultural que nos deixa é tão vasto que levará anos a ser entendido em toda a sua dimensão. Não cedam as entidades políticas, regionais ou autárquicas à tentação fácil de emoldurar a memória de Daniel de Sá, aceitando propostas mais ou menos oportunistas, porque ele iria detestar e com a sua proverbial calma e frontalidade, declinar.
E há tanto para divulgar a quem pouco conhece de Daniel de Sá, um dos mais marcantes escritores açorianos de todos os tempos. Urge ler, por exemplo, a simplicidade e ternura de A Longa Espera, contos imortais, de 1987, ou a força de Um Deus à Beira da Loucura. Daniel de Sá era um intimista com sede de Infinito e preocupava-o o mal da sociedade que o levou a escrever um grande livro: E Deus Teve Medo de Ser Homem, no mesmo ano em que publicava o magnífico romance As Duas Cruzes do Império.
A Terra, a gente e modo ser açoriano, tudo isto se imortaliza em A Ilha Grande Fechada. Mas a obra de Daniel de Sá passa ainda por A Terra Permitida e O Pastor das Casas Mortas, tudo com o mesmo carinho com que é capaz de narrar as Ilhas, desde Santa Maria – Ilha Mãe até à Terceira, Terra de Bravos, não esquecendo São Miguel, e muito mais, impossível de resumir nesta coluna.
Daniel de Sá escreveu um dia que ao ler um livro, em vez de nos fixarmos no que está dentro dele, devemos concentrar-nos em QUEM está nas sua páginas. O Livro Grande que agora se fechou abre ainda mais esta ilha e estes Açores para a universalidade da palavra e dos afectos, como só Daniel de Sá sabia cultivar!
Até sempre, Amigo!
Santos Narciso

uma utopia chamada Corvo

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http://parquesnaturais.azores.gov.pt/pt/corvo/noticias/locais/1889-uma-utopia-chamada-corvo
http://parquesnaturais.azores.gov.pt/pt/corvo/noticias/locais/1889-uma-utopia-chamada-corvo

Uma utopia chamada Corvo

parquesnaturais.azores.gov.pt

Desde a minha adolescência que as Ilhas dos Açores faziam parte do meu imaginário, cada artigo que lia sobre as maravilhas da sua vida marinha tornava uma visita a estas ilhas, uma necessidade. As baleias, os golfinhos, os grandes cardumes de pelágicos, as jamantas e tubarões, os meros… a ideia de u…

MELO BENTO ESCREVE SOBRE DANIEL DE SÁ

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    A morte de Daniel de Sá foi um duro golpe nas letras açorianas. Secou a fonte genial de que jorraram as mais lindas e perfeitas expressões do pensamento e da imaginação que a segunda metade do século XX e este princípio do XXI açoriano geraram. A delícia que era lê-lo, agora, só poderá renascer de o reler que a sua criação acabou. No Pastor das Casas Mortas adivinhava-se uma tristeza infinita que os escritores são profetas e por vezes não escapam às suas próprias profecias. Que mágoa tão grande Santo Deus. Não era fácil perceber o pensamento e o coração desse grande vulto da açorianidade. Porque ele queria sair do ninho e pairar nas alturas, planando por sentimentos e deduções sem admitir as raízes de que não podia fugir, mesmo querendo. Antero não teve de enfrentar o dilema, mas os tempos eram outros pois Nemésio ainda não tinha proclamado o nascimento da açorianidade. Natália vivia na açorianidade e esgaçava as fronteiras porque não distinguia as raízes do tronco nem do ramo nem das folhas, nem das flores nem dos frutos. Tudo nela era Ilha. Daniel não queria aceitar fazer parte da nossa floresta, sendo ele a árvore mais frondosa e de frutos mais irresistíveis dela. Levou à letra a exclamação de Cristo de que ninguém é profeta em sua terra. Mas se lermos o Pastor das Casas Mortas veremos que os escritores também se enganam. Não há ali uma vírgula que não seja nossa. João de Melo? Está bem. Martins Garcia? Pois sim. Daniel de Sá trabalhava a palavra como o ourives o ouro e não havia ouro mais fino que as palavras de Daniel de Sá. Naquele pastor adivinha-se uma tristeza tão profunda que não cabe nem nas casas vazias e mortas. Prenúncio deste desaparecimento prematuro e imerecido? Talvez, que só os deuses podem responder às questões dos imortais. Cérebro, coração e génio casaram-se ali numa escrita que alegra o mais fundo da alma. Nosso. Muito nosso!

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IN MEMORIAM DANIEL DE SÁ

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508 maia [ao daniel de sá] (pico 9 agosto 2011)

 

das penedias da tua maia

avistas o mar

teme-lo

afugenta-lo

com tuas palavras

narras histórias antigas de encantar

contas lendas de tempos que não vivi

habito lendas que ainda não leste

escrevo o que vivo e sinto

da janela do meu castelo

voltado ao grande oceano

à ilha mágica da autonomia

em nevoeiro de s. joão

s. miguel vive em terra

costas voltadas ao mar

por vezes tenho de o largar

 

da minha lomba

o mar não temo

nem repelo

nem suas águas em descabelo

nem suas terras de tremores

convulsões

medos, pavores, temores

 

audacioso ou petulante

abro-me ao seu encanto

enleiam-me adamastores e sereias

e me embalam

 

deixo-me seduzir

sem atropelo

vogo nas ondas

as correntes me levam

velas enfunadas

ao sabor da maré

 

 

nem sei quantos

dias, meses ou anos

andei marejando

sem destino

sem vocação

 

 

arribo noutra ilha

mística

mágica

abrigo-me na sombra

de seus cumes

vulcões endormidos

 

no magnético pico

crio este sortilégio

sem bruxas

nem feiticeiras

curandeiras

mezinheiras

macumbeiras

noutros tempos era astrologia

contavas tu daniel

seus segredos sem papel

hoje é apenas

e já

poesia.

 

saravá poeta amigo

 

 

**************

 

 

 

589. 28 maio 2013

 

a dama de gaze veio na bruma

sorrateira, silente, sem avisos

com passos de veludo

e mensagem nas mãos

trazia apenas um título

escritor, maia

 

assim, sem mais delongas

sem discutir nem tergiversar

levou o autor

ficamos todos mais pobres e sós

 

teremos de o reler

e de novo cavaquear

terçar argumentos

 

e quando a bruma voltar

lembraremos o daniel de sá

que a dama de gaze levou.

 

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Recordando Daniel de Sá…

http://www.lusofonias.net/doc_download/836-lagoa-2009-rtp-1-hora.html

MESA QUADRADA COM DANIEL DE SÁ, CRISTÓVÃO DE AGUIAR, MALACA CASTELEIRO E CHRYS CHRYSTELLO NA RTP AÇORES 2009


Acores.rtp.pt shared a link.

Biblioteca da Ribeira Grande vai receber o nome de Daniel de Sá (Vídeo)

www.rtp.pt

O município da Ribeira Grande vai atribuir o nome de Daniel de Sá à biblioteca municipal..
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Entrevista a Daniel de Sá – SAPO Vídeos

videos.sapo.pt

Entrevista de Onésimo Teotónio Almeida a Daniel de Sá na RTP/Aço
como não tenho palavras, ao perder um amigo e vizinho, revisito anteriores escritos e imagens…e deixo aos escritores a tarefa de falarem dele doutro modo, foi graças a ele e à tradução que fiz do Pastor das Casa Mortas e da Santa Maria Ilha-Mãe que acabei enovelado nesta açorianidade que hoje enche os colóquios da lusofonia…foi esse o ponto de partida para conhecer os outros autores e começar a sentir esta ilha grande fechada…
foi ele que prefaciou o primeiro volume do meu ChrónicAçores e que andou connosco em todos os colóquios nos Açores entre 2007 e 2013…até o levarmos e homenagearmos em Santa Maria em 2011 sua terra-mãe subjacente a tanta obra sua.A obra do Daniel de Sá perdurará depois da sua morte e aqui recuperámos as suas fotos em santa Maria no colóquio da sua homenagem maior em vida em outubro 2011 em Vila do Porto na ilha-mãe de Santa Maria
http://www.lusofonias.net/doc_download/1637-na-morte-do-daniel-de-sa.htmlo texto que acompanha isto está em
http://www.lusofonias.net/doc_download/554-descobrir-daniel-de-sa-ou-o-pastor-das-casa-mortas.html

faleceu Daniel de Sá
em memória do escritor Daniel de Sá
as nossas homenagens estão em
http://www.lusofonias.net/doc_download/759-caderno-02-daniel-de-sa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/959-suplemento-2-daniel-desa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/1532-daniel-de-sa.html
http://www.lusofonias.net/doc_download/488-declaracao-amor-daniel-de-sa.html entre muitos outros textos…

Destaque: morte do escritor Daniel de Sá…
Telejornal de 27 de maio – SAPO Vídeos

videos.sapo.pt

Apresentação de João Simas
A vida num programa…

 

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Transcrição no Açoriano Oriental da entrevista de Daniel de Sá no programa “GRAFONOLA” da TSF Açores

dl.dropboxusercontent.com

 

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CARTA NOVÍSSIMA
para DANIEL DE SÁ
________________

Em “DA” (“Diário dos Açores”, Ponta Delgada, 29.05.2013)
e em “Os Sinais da Escrita”:
http://sinaisdaescrita.blogspot.pt/.
————–
Visualização e Download do “DA”:
http://we.tl/hZFVdsLsnH
http://we.tl/CLHoZxZ3AS

CARTA NOVÍSSIMA para DANIEL DE SÁ ________________ Em “DA” (“Diário dos Açores”, Ponta Delgada, 29.05.2013) e em “Os Sinais da Escrita”: http://sinaisdaescrita.blogspot.pt/. -------------- Visualização e Download do “DA”: http://we.tl/hZFVdsLsnH http://we.tl/CLHoZxZ3AS

Chrys Chrystello,