Lembrar Eduardo Gageiro e outras coisas mais…

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” Foi por causa desta foto que fui preso pela PIDE: ‘Temos paisagens tão bonitas em Portugal, porque é que não as fotografa, em vez de andar a retratar pessoas humildes?’ Diziam que as minhas fotografias davam má imagem do País. Esta correu mundo. Ganhou 22 medalhas de ouro.”
Aqui deixo esta notícia à atenção dos que andam a tecer douradas filigranas históricas sobre a natureza do regime de Salazar.
Eduardo Gageiro
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J F VENTURA BLA BLA BLA

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Blá… Blá…Blá «vs.» Blá … Blá… Blá

 

Nós próprios, estranhamos a falta da “genica” que habitualmente nos leva a traçar umas linhas para publicação semanal, em alguns órgãos da comunicação social que nos consentem tal privilégio e publicamente agradecemos.

Surpreendidos ficamos, por ter recebido de alguns dos nossos amigos leitores, o procurarem saber o porquê da falta de presença na última semana. Agradecemos do coração o interesse demonstrado e só temos uma forma de lhes responder.

Quem na vida, nunca teve uma ou mais desilusões? Quem nunca experimentou nenhum dos sinónimos desta palavra que atinge muitas vezes o idealista, o homem ou mulher, a criança ou o adulto, o jovem ou o idoso que, por “sonhar” (o que não é proibido), aspira à realização de um desejo, dentro de qualquer uma das situações etárias referidas?

Quão dececionante não é, quando depositamos confiança e sentimentos nas pessoas com as quais partilhamos pensamentos, sonhos, projetos sociais ou políticos, certos de que os mesmos são ou serão partilhados por essas mesmas pessoas que achávamos conhecer mas, no fim, só mostraram ser iguais a todos aqueles que, quando chamados a agir com coerência e sentido de justeza se acanham, ou mediante um número sem conta de desculpas fogem à realidade das coisas por conveniência ou pior ainda, por covardia. Para além dos que assim procedem, há ainda outros que se servem precisamente da confissão desinteressada dos nossos projetos pessoais ou coletivos para fazerem o brilharete no primeiro salão de festa ou espetáculo mediático, fazendo seu, aquilo que ouviram ou leram dos outros.

São muitas as vezes que por conta das mentiras que nos contam, sofremos desilusões que nos levam a duvidar da sociedade ou melhor, dos que na mesma se propõem o lado da história que, pretendem ser os únicos protagonistas e mentores. A sua própria história relegando para um segundo plano a história do “outro”. As pessoas mentem, é um facto. Mentem convencidos que estão a proclamar a verdade, convencidos de que só eles são os seus donos.

Quando as pessoas não acreditam em qualquer coisa, sentem-se perdidas!

Como comum mortal interessado na “coisa” pública sinto-me, também, às vezes perdido pela falta de credibilidade existente nos dirigentes do País que, até ver, me dá a nacionalidade bem assim como dos dirigentes daquilo que teimosamente os primeiros teimam em ser os seus donos, baseados numa lei suprema intitulada de “Constituição” que está ferida de inúmeros defeitos nomeadamente no que concerne, no respeito pela Carta dos Direitos do Homem.

Motivos não faltaram para um dos habituais artigos de opinião que nos habituamos escrever e trazer aos nossos leitores. Muito vimos, ouvimos e lemos. Assistimos como referenciamos em título, a um constante e colorido Blá… Blá…Blá «vs.» Blá … Blá… Blá…, sendo os resultados os menos esperados desde a nossa última redação. Os assuntos foram muitos e diversos, embora e compreensivelmente a “saúde” na vertente Covid seja o “mote” mais em foque, embora muitos outros de interesse político, económico e social nos merecessem a devida atenção.

E por esperar demais, sonhar demais, criar expetativas a mais, acabamos sempre por nos dececionar cada vez mais e aí, faltar-nos a “genica” que no início referimos.

Esperando que o meu “ideal” seja o equilíbrio emocional e a identificação com o meu Eu interior, faça-me viver a minha história e não a de um outro qualquer, farei todo o possível para que, na próxima redação tenha discernimento necessário para fazer uma retrospetiva de factos ou acontecimentos que deixamos em branco com a nossa falta de presença na semana passada. É que, estarão tão presentes no “amanhã” como estiveram no “ontem”

“A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda”.

Oliver Goldsmith

José Ventura

2021-02-18

Uma nota final – 14 de fevereiro às 23:47 ·os independentistas da Catalunha obtiveram uma vitória histórica nas eleições para o parlamento catalão. Tiveram uma maioria absoluta de votos, 51%, uma subida de 3,5%, e uma maioria absoluta e folgada de deputados, 74 de 135, mais 4 do que nas últimas eleições de 2017.

Um abraço aos nossos irmãos, da Catalunha, na luta por uma Europa dos povos, das culturas, das línguas e da democracia.

 

 

 

 

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HOJE É O DIA DE TODAS AS PESSOAS

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Celebra-se hoje, no sétimo dia a contar do início do novo ano lunar, o ian iat (人日), literalmente o dia de todas as pessoas. Esta celebração reporta-se à lenda da criação dos seres vivos pela deusa Nüwa (女媧).
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  • Celebra-se hoje, no sétimo dia a contar do início do novo ano lunar, o ian iat (人日), literalmente o dia de todas as pessoas. Esta celebração reporta-se à lenda da criação dos seres vivos pela deusa Nüwa (女媧). Muito tempo depois da criação do mundo por Pángǔ (盘古) e da sua morte, Nüwa veio a este mundo. Sentindo-se sozinha cria vários seres vivos a partir da lama de uma lago onde habitualmente se mirava nas suas límpidas águas: a galinha, no primeiro dia do primeiro mês (zhēngyuè正 月); no segundo dia, o cão; no terceiro, o javali; no quarto, o carneiro; no quinto, a vaca; no sexto, o cavalo; e, no sétimo, o ser humano, como reza no Livro de Adivinhação (占書), de Dōngfāng Shuò (東方朔, 154-93 a.C.) da dinastia Han Ocidental (207 a.C.- 25).
    A celebração do ian iat é realizada em todos os países do Sudeste asiático de influência cultural chinesa. No Japão, o ian iat (jinjitsu, em japonês) era celebrado, tal como na China, no 7º dia do ano novo lunar mas durante o período Meiji (1868 – 1912), com a adoção do calendário solar, esta
    festividade passou a ser celebrada no 7º dia de janeiro de cada ano. Temos, assim, na tradição cultural chinesa uma celebração singular da unidade antropológica e biogenética do ser humano – o dia da sua criação. Mas será interessante também avaliar o modo como na tradição chinesa é contado e celebrado o aniversário de nascimento das pessoas individualmente. Não existe na tradição ocidental uma data de celebração do ser humano; porém, a celebração do aniversário de cada pessoa é de grande significado uma vez que a matriz civilizacional do ocidente está assente no pensamento humanista e na afirmação da individualidade e da valorização das capacidades e das realizações individuais.
    Por outro lado, tal individualidade é também obra da própria Natureza quena sua criatividade e “inteligência” tem o bom hábito que não reproduzir cópias dos seres que cria. Muito budisticamente falando, cada ser é aquele que é. Na verdade, embora sejamos universais por virtude da nossa estreita relação com o Cosmos (somos um belo acaso de agregados de poeiras resultantes de uma ancestral fragmentação cosmológica), somos também ontologicamente únicos.
    A tradição chinesa confere, contudo, uma particular atenção à contagem dos anos de vida de cada pessoa, de acordo com o seu calendário lunissolar. No Extremo Oriente, os calendários tradicionais, sobretudo da China e dos países fortemente influenciados pela cultura chinesa como o Japão, a Coreia e o Vietnam, são lunissolares porque harmonizam as doze lunações[1] em cada ano num total de 354 dias com o ciclo solar de 24 períodos solares em cada ano correspondente a 365,25 dias, acrescentando noventa dias ao calendário, em cada oito anos, ou seja, três lunações aproximadamente. Estecalendário assinala desde o dia mais longo (solstício de verão) e o dia mais curto de cada ano (solstício de inverno), bem como os dois dias do ano em
    que o dia e a noite têm igual período (equinócios da primavera e do outono), assinalando também a mudança das estações e as alterações climáticas ao longo do ano com reflexos na agricultura.
    Os períodos solares ao longo do ano têm nomes sugestivos que acompanham a mudança das estações tais como o Começo da Primavera (lìchūn立春 1º período solar-ps), o Começo do Verão (lìxià立夏, 7 º ps), o Começo do Outono (lìqiū立秋,13º ps), o Começo do Inverno (lìdōng立冬,22ºps); ou, então, os fenómenos relacionados com o clima e a agricultura: Despertar dos Insetos (jīngzhé惊蛰, 3º ps), Pura Claridade (qīngmíng清明, 5º ps), Grão Cheio/Redondo (xiǎomǎn小滿, 8º ps) Grão em Barba (mángzhòng芒种, 9º ps), Água das Chuvas (yǔshuǐ雨水, 2º ps), Grãos de
    Chuva (Gǔyǔ谷雨, 6º ps), Menor Calor (xiǎoshǔ小暑, 11º ps), Maior Calor (dàshǔ大暑, 12º ps), etc.
    Os países que adotam ou adotaram calendários lunissolares (China, Japão, Coreia e Vietnam) contam o ano de nascimento de uma criança como o ano um e não como o ano zero e a partir de 1ºps (lìchūn立春) que, em regra,
    calha no dia 4 ou 5 de fevereiro do calendário gregoriano. Outra versão diz ainda que toda a gente celebra o seu aniversário no Ano Novo Chinês mesmo que não seja a data oficial do seu nascimento. Não importa, por isso, em que mês uma criança nasce pois à nascença tem um ano de idade. O segundo ano de nascimento é um acontecimento familiar importante em que a criança escolhe o seu futuro profissional. A criança é rodeada por um conjunto de objetos tais como uma boneca, moedas ou um livro. Se a criança escolher um livro será professor, se escolher as moedas será rico, se escolher a boneca terá muitos filhos.
    O sexto ano de nascimento é a grande festa de aniversário, enquanto que, por exemplo, na Coreia é ao centésimo dia de nascimento( baegil ), que literalmente significa “100 dias”. Depois do sexto ano de nascimento, os aniversários de nascimento, embora celebrados, apenas a partir dos 60
    retomam uma significativa importância celebrante, começando aos 61 anos de idade um novo ciclo. Há contudo três idades para as mulheres que não devem ser celebradas: os 30 anos, que é considerado um ano de incerteza e
    de perigos vários, mantendo-se com 29 anos até fazer 31 anos; os 33 anos também considerado um ano perigoso e turbulento; e os 66 anos que, tal como os 33 anos é considerado um ano perigoso e turbulento. Os homens
    têm nos seus 40 anos um ano cheio de incerteza e de perigos. Terão, assim, dois anos consecutivos com 39 anos até atingirem os 41 anos. Estas tradições ainda persistem das mais variadas formas, principalmente nas zonas mais rurais e entre as populações mais idosas da China e dos países
    “sinófonos”, embora com tendência a desaparecerem devido à adoção do calendário gregoriano na quase totalidade dos países da Ásia e do mundo.
    [1] Uma lunação é um ciclo lunar completo e corresponde ao tempo que decorre entre duas luas novas consecutivas. Esse período tem a duração média de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,9 segundos, contudo esse valor não é constante, e pode variar entre 29 dias e 4 h e 29 dias e 22 h aproximadamente.
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  • Posso partilhar? I.e fazer copy and paste?
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  • Claro que pode! O Facebook é uma janela aberta ao mundo😀
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  • Obrigada pelas partilhas! Metade do meu coração anda por aí…e, principalmente agora, vou absorvendo tudo o que me cheira a Macau
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LOCAIS QUASE APAGADOS DO MAPA GOOGLE

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saravé SÉRGIO MENDES FAZ 80 ANOS

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Celebrating

Sergio Mendes

‘ 80 birthday! Mendes is a unique example of a Brazilian musician primarily known in the United States and Europe, where his albums were recorded and where most of his touring took place. He has over 55 releases, and plays bossa nova heavily crossed with jazz and funk. He was nominated for an Oscar for Best Original Song in 2012 as co-writer of the song “Real in Rio” from the animated film “Rio.”

“Mas que Nada,” Mendes’ biggest hit, was written by and originally performed in 1963 by

Jorge Ben Jor

and appeared on Sergio Mendes and Brazil 66. It was voted by the Brazilian edition of

Rolling Stone

as the fifth greatest Brazilian song. It was inducted to the Latin Grammy Hall of Fame in 2013. Mendes recorded it with the

Black Eyed Peas

and other rap artists.

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gastronomia portuguesa no Japão

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“Castella e o Pão-de-Ló têm o mesmo ADN, mas são parentes já muito afastados”.
O chef Paulo Duarte e a mulher Tomoko Duarte, gerem a confeitaria “Castella do Paulo”, em Quioto, no Japão.
As especialidades da casa são a doçaria portuguesa e a castella japonesa, que Paulo tanto se orgulha de produzir.
O chefportuguês falou com a TRIBUNA DE MACAU e partilhou um pouco dos seus percursos profissional e pessoal, da rotina que o acompanha e da missão que procura cumprir.
– O nome da confeitaria “Castella do Paulo” já denuncia aos clientes o que podem esperar depois de entrarem?
O nome já era assim em Lisboa.
Aqui no Japão, as pessoas associam quase directamente ao pão-de-ló japonês, à castella.
Em Portugal foi um bocadinho mais complicado porque as pessoas não sabiam o que era a castella, associavam-na a alguma coisa de Espanha e ninguém fazia a mínima ideia.
Daí, no princípio ter sido um pouco difícil, mas com o tempo foi mudando.
Agora, aqui foi muito mais fácil.
As crianças aprendem na escola, no ensino básico, que o pão-de-ló chegou cá pelas mãos dos portugueses e que se chama castella.
Toda a gente conhece a história.
– A receita do pão-de-ló ou do pão de Castela foi levada pelos missionários portugueses para o Japão há mais de 500 anos…
Sim, em princípio terá sido trazida pelos missionários portugueses, que quando chegaram cá para tentar evangelizar o Japão, depararam-se com uma população que não comia ovos.
O país já era budista e os ovos estavam muito ligados à vida, daí não serem consumidos nem fazerem parte da dieta dos japoneses.
E os missionários entraram por aí e tiveram muito sucesso também um pouco por causa disso, porque precisavam de qualquer coisa para celebrar as festas cristãs e tentar que os japoneses celebrassem com eles.
Ora, o pão-de-ló foi uma escolha quase óbvia e já era hábito utilizar-se na Europa.
– Ao longo do tempo, a herança lusa foi sendo adaptada ao paladar japonês e há quem lhe chame castella ou kasutera. Quais são as principais diferenças entre o pão-de-ló e a castella?
São muitas e muito poucas. (risos)
Os ingredientes são basicamente os mesmos: açúcar, ovos e farinha.
A castella leva uma espécie de mel feito a partir do nosso arroz e a grande diferença é mesmo a forma e a maneira de cozer.
O pão-de-ló bate-se, coloca-se numa forma de barro, mete-se no forno e até estar cozido não se mexe mais.
A castella é diferente, é cozida em tabuleiros de madeira com fundo em metal, e continua a ser confeccionada dentro do forno (vai-se tirando e mexendo).
Depois, descansa entre seis a 10 horas, antes de ser cortada em formato rectangular para a embalagem.
E isso foram tudo coisas que os japoneses alteraram com o tempo.
A castella e o pão-de-ló têm o mesmo ADN, os mesmos ingredientes, mas são parentes já muito afastados.
– Qual é a ementa da “Castella do Paulo”?
Basicamente, temos só doçaria portuguesa, à excepção da castella.
E, portanto, temos o pão-de-ló português, o pão-de-ló de Margaride, de Alfeizerão, de Ovar, do Minho, pastéis de nata, e um bolo de frutas que a minha mulher encontrou nos Açores e que adorou e trouxe para o Japão.
E depois temos aquela pastelaria – uma parte pequenina – que se encontra nos cafés em Lisboa, como os palmiers e os duchesses, e uma grande variedade de bolos secos (areias e canelas).
Nós estamos em Quioto, mas as pessoas também estão muito centradas na internet, nas vendas online e, por isso, temos de escolher um menu que permita um envio e que tenha durabilidade.
– Na era da digitalização têm apostado nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e Pinterest) e num website que conta até com um vídeo promocional da confeitaria. A vossa presença online é uma mais-valia para o negócio?
É difícil dizer que as redes sociais são uma mais-valia porque não temos como calcular o impacto que elas têm directamente nas vendas.
O site sim, tem sido uma mais-valia, porque no Japão as pessoas compram muito online.
Quando estávamos em Lisboa não tínhamos vendas online porque não usufruíamos de um serviço de entregas muito eficaz (nem mesmo com os correios).
Aqui temos essa vantagem, eles têm uma rede de distribuidoras que são mesmo muito eficazes.
E, então, o website e a loja online têm sido mesmo uma mais-valia, principalmente agora durante a pandemia, porque as pessoas saem menos de casa, mas compram mais online.
-Numa altura em que o mundo atravessa a crise do coronavírus, a “Castella do Paulo” sentiu as consequências da pandemia no negócio?
No início bastante.
O Japão declarou um estado de emergência em Abril e, ao contrário do que acontece na Europa, a lei japonesa não permite sequer um lockdown.
O governo pede às pessoas para ficarem em casa e funciona quase como um lockdown, porque eles pedem e as pessoas não saem.
Portanto, no princípio foi muito complicado, mas nunca deixámos de abrir.
Mantivemos sempre o estabelecimento a funcionar com as medidas de segurança todas (desinfecção à entrada, máscara obrigatória, etc.).
Entretanto, o Japão está agora na terceira vaga, e as pessoas fazem a vida delas praticamente com a normalidade do costume, mas nota-se que há pandemia, claro.
-Quem entra na sua loja o que é que vê?
A loja está decorada só com coisas portuguesas.
A decoração ficou entregue à minha mulher e a ideia dela é que as pessoas que entrem na loja vão a Portugal sem passaporte.
Quando viemos de Lisboa para cá, tudo o que enviámos de mudança para o Japão foi só para a loja.
De resto, a nível pessoal, só trouxemos roupas e mais nada.
Mudámos quase o estabelecimento de Lisboa para cá.
A loja tem muitos azulejos, pratos típicos do Alentejo, bordados, um vestido de noiva minhoto, galos de Barcelos por tudo quanto é canto.
Vê-se um bocadinho de Portugal do Minho ao Algarve.
– De que forma é que imprime a portugalidade nos bolos?
Coloco, por exemplo, um carimbo a ferro quente do galo de Barcelos na castella, que é quase como o logótipo da casa.
E é engraçado porque o edifício onde nós temos a loja aqui em Quioto, tem à volta de 200 anos e era uma antiga fábrica de saqué.
Ou seja, a arquitectura do edifício é muito japonesa e a decoração é muito portuguesa.
– Acabam por fundir as duas culturas…
É… aquilo resultou melhor do que o que eu pensava!
– O Paulo é o pasteleiro de serviço e todos os produtos são feitos à mão. Como é a sua rotina?
Sim, é verdade.
A minha rotina é um bocado de doidos.
Por exemplo, nesta altura e até ao final do ano, acordo por volta das 2h (moro muito perto da loja, a pé são dois minutos) e vou para a confeitaria não até acabar, porque se lá fico há sempre coisas para fazer, mas despacho o serviço do dia até por volta das 15h30m, 16h ou 17h.
Depois, de terça a sábado, às 18h vou para o ginásio, já faz parte da rotina; aos domingos e segundas, como o ginásio está fechado, durmo. (risos)
– Quem são os clientes da “Castella do Paulo”?
São, basicamente, japoneses… japonesas.
Para aí 80% são japonesas
– E como é que chegam até vós?
Chegam até nós muito pela publicidade ‘boca a boca’, e também temos mesmo ao lado da loja o templo Kitano-Tenmangu, que é muito conhecido no Japão (quase como uma espécie de Bom Jesus de Braga) e é dedicado aos estudantes.
Quando chega a época dos exames, que é agora por esta altura, os alunos japoneses vêm todos ao templo pedir para passar nos testes, o que torna este santuário muito visitado.
No princípio foi uma boa porta de entrada, a localização ajudou mesmo muito.
Depois, tivemos aqui alguns programas de televisão, algumas coisas na imprensa, e ao contrário do que acontece em Portugal (onde também tivemos alguma visibilidade mediática, mas os portugueses não ligaram muito), aqui os japoneses vêem na televisão e no dia a seguir é um pandemónio!
– Como e quando é que o Paulo descobriu a sua paixão pela pastelaria?
Não sei se isto é bem uma paixão ou se é masoquismo.
Mas trabalho em pastelaria desde os 12 anos e comecei por acidente.
Comecei nas férias de Verão quando ainda andava na escola, porque um vizinho dos meus pais trabalhava numa pastelaria e nessa altura do ano havia muito trabalho.
Perguntou-me “não queres ir ajudar?
Assim ganhas uns trocos.
Pelo menos agora, nas férias de Verão, podias experimentar”… e ainda estou a experimentar. (risos)
Entretanto, passaram as férias de Verão, aquilo era à noite, começava às 23h e acabava às 7h e eu achei que “se calhar saio daqui às 7h, às 8h30m vou para a escola… dá para continuar”.
E assim continuei.
Na altura estava no preparatório, no 6º ano, a escola acabava entre as 13h e as 13h30 e depois dormia até à noite.
Fiz isso durante quase um ano e meio, até que cheguei à conclusão de que aquilo não dava e que era um bocado complicado.
Então escolhi ficar na pastelaria, se calhar hoje teria escolhido continuar a estudar…
– Em Portugal abriram uma loja em Lisboa, onde procuraram dar a conhecer a famosa castella japonesa que atraía muitos clientes. Porque é que decidiram rumar de volta ao Japão?
Na altura, os clientes zangaram-se bastante connosco, quando decidimos vir para o Japão.
Mas um dos objectivos que a minha mulher tinha, desde que decidiu que queria fazer alguma coisa com a doçaria ou cozinha portuguesa, era cá.
Aqui no Japão, a pastelaria francesa é super conhecida, ao ponto de que quando se fala em pastelaria que não seja tradicional japonesa, refere-se à pastelaria francesa.
E ela queria introduzir (por assim dizer) e apresentar aqui a pastelaria portuguesa, no Japão.
E na altura surgiu-nos uma oportunidade de um investidor que nos ajudava a vir para cá e nós decidimos, porque também já não íamos para novos, que ou era naquele momento, ou depois já não seria.
Então, decidimos vir para cá.
– Já na terra do Sol Nascente, viram-se gregos para abrir a pastelaria…
(risos) Exactamente.
Foi um investimento muito acima daquilo que estava inicialmente previsto.
Mas a grande dificuldade, antes de mais nada, foi encontrar um espaço para a loja.
Os espaços são muito pequenos, as rendas e a terra no Japão são muito, muito caras.
O país é pequeno, a população é muita e toda a gente quer viver nas cidades, ninguém que ir para o campo.
Isso é o mesmo em todo o lado.
O primeiro problema foi encontrar um espaço, o segundo foi adaptar o espaço àquilo que nós queríamos.
Porque, quando pegámos naquele espaço só tinha paredes e teto, nem chão tinha.
E transformar aquilo no que está hoje foi um investimento muito acima daquilo que estávamos a contar ao início, mas correu bem.
Tivemos uma vantagem que não tivemos quando abrimos a empresa em Lisboa: a burocracia aqui é extremamente fácil.
Tendo o espaço, em menos de uma semana têm-se as licenças para estar tudo preparado para arrancar.
– A loja nasceu em 2015 – literalmente das ruínas de uma fábrica – e continua a crescer. Quais são as grandes conquistas e sucessos que interessa destacar?
Aqui e agora (e não sou muito dado a auto-elogios), importa destacar que num espaço tão curto de tempo conseguimos tornar a marca já relativamente conhecida, o que não é muito fácil porque a concorrência é terrível.
E vamos tendo alguns fãs…
Não acho que haja assim muitas conquistas porque ainda está tudo por conquistar, mas já vamos tendo um grupo razoável de pessoas que repetem o consumo tanto online como na loja, que vêm assiduamente, e eu acho que isso é o principal.
Tendo em conta que o Japão tem 120 milhões de habitantes, se vierem todos porreiro!
O mais importante é que as pessoas venham e voltem porque é sinal de que gostaram e de que tem corrido bastante bem.
– Existe alguma situação caricata que queira partilhar? Sei que chegaram a cruzar-se com alguns clientes de Portugal no Japão…
É verdade!
Na loja já tivemos alguns clientes de Lisboa que, ou por turismo ou por trabalho, foram a Tóquio.
E tivemos recentemente, no ano passado, dois clientes que vieram a Tóquio em trabalho e depois fizeram 600km para vir à “Castella do Paulo”.
Quando entraram na loja eu disse “não, não pode ser!
O que é que vocês estão aqui a fazer?
Vocês enganaram-se de certeza!”
Mas, vamos recebendo ainda – abrimos a confeitaria há quase seis anos -, com muita frequência, mensagens de clientes de Lisboa que perguntam muitas vezes “então quando é que vocês voltam?”.
Não está nos planos, lamento muito.
– Qual é a missão desta confeitaria?
A ideia base é que pelo menos, mesmo quando fecharmos a loja ou algo do género, alguma coisa fique.
Mesmo que não sejamos nós a fazer, mas que alguma coisa da doçaria portuguesa se torne quotidiana aqui no Japão.
Esse é o principal objectivo.
E quanto ao resto, o que vier… não sou muito bom a planear.
É mais navegação à vista.
A confeitaria Castella do Paulo localiza-se em Bakurocho 898 – Kamigyo-ku, Kura A – Quioto 602-8386. Pode aceder à loja online através do website castelladopaulo.com.
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Desert Glass Formed by Ancient Atomic Bombs? | Ancient Origins

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Seven years after the nuclear tests in Alamogordo, New Mexico, Dr. J. Robert Oppenheimer, the father of the atomic bomb, was lecturing at a college when a student asked if it was the first atomic

Source: Desert Glass Formed by Ancient Atomic Bombs? | Ancient Origins

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Bloco entregou proposta no parlamento para travar incineradora de São Miguel – Rádio Atlântida

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O Bloco de Esquerda entregou, hoje, no parlamento uma proposta […]

Source: Bloco entregou proposta no parlamento para travar incineradora de São Miguel – Rádio Atlântida

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parolices açorianas

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aterragem militar de alto risco

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O DOTE DE CATARINA (DE BRAGANÇA)

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O dote de Catarina de Bragança casada com Carlos II, de Inglaterra, foi entregue à Coroa Britânica em 1665. Era composto de miudezas: “a cidade e a fortaleza de Tânger com tudo quanto lhe pertencesse e a ilha de Bombaim na Índia Oriental, com todas as suas pertenças e senhorios, para ficarem daquele porto mais prontas as suas armadas para socorro das praças do Portugal na Índia” 🙂
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  • O Arco do Vice-Rei, o Hotel Taj Mahal e o edifício adjacente a este foram benfeitorias posteriores… 🙂
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CAT STEVENS WILD WORLD

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Crónica 382 talvez amanhã

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Crónica 382 talvez amanhã 17.2.2021

 

Depois de 2020 vem 2021 e a pandemia continua, com ou sem vacina, mais 500 estirpes vão surgindo, os mortos e infetados aumentam, e as liberdadezinhas que nos foram retiradas vieram para ficar. Nunca nada será como dantes. A coberto da noite esfrangalhou-se a sociedade que já estava decadente e começa a criar-se uma nova, em que para se viajar vai ser preciso passaporte de vacinas, dizem que é como dantes quando se usava o boletim de saúde (Certificado Internacional de Vacinação). A economia extingue-se por entre promessas de bazucas e apoios e um dia virá em que ficaremos todos dependentes de apoios do Estado para sobreviver, a coberto da promessa de um rendimento universal para todos, enquanto robôs e ciborgues ocupam os lugares dos trabalhadores.

Muitos postos de trabalho nunca mais serão reativados e outros permanecerão em teletrabalho. A nova era já começou e muitos não se aperceberam da traumática mudança que se apossou dos países mudando radicalmente a nossa forma de viver..

A crise financeira estourará mas ninguém sabe como, depois de os 4 bancos centrais (FED, BCE, Japão e Tesouro do Reino Unido) injetarem biliões de empréstimo a taxa zero…

As viagens de avião não tornarão a ser o que eram, as pessoas não poderão viajar livremente como dantes e o turismo terá de se reinventar. Tal como ando a prever, há anos a EU e os EUA seguem inexoravelmente o rumo do antigo império romano (bizantino ou outro) e a China a todos ultrapassará, seguida pela Índia e Rússia com a sua evolução tecnológica ímpar.

A vida a que nos habituamos de afluência do pós-guerra 1945 termina e seremos todos obrigados a levar uma vida mais modesta, mais frugal. Isso não fará de nós melhores pessoas, nem mais amigas do ambiente ou do próximo porque há muito que essas utopias se esfumaram e estaremos inseridos numa sociedade mais egoista e desumana do que alguém imaginaria. O exemplo de pular a fila das vacinas é disso paradigmático, a destruição do tecido social e da família nuclear há muito que nos alertava para isso, escrevi-o há mais de dez anos e o passar do tempo veio dar-me razão, a imposição do pensamento único, politicamente correto, só confirmou os meus piores presságios. Os anos que me restam vão ser de inquietude e rebeldia, tentando ser uma voz individualista num mar de carneirentos por isso mesmo me sinto um dos últimos moicanos. Resta-me desfrutar das memórias de momentos bons e esperar que os políticos de todo o mundo consigam rapidamente emigrar para Marte para criarem um novo caos lá enquanto a Terra se extingue sob o peso dos vírus, das alterações climáticas, e dos desastres naturais e humanos que a conduzirão a uma nova era.

Se acreditasse na reincarnação podia esperar voltar como barata ou formiga a um planeta sem humanos…

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713

[Australian Journalists’ Association MEEA]

Diário dos Açores (desde 2018)

Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)

Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020)

 

 

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EDUCAÇÃO – Sofia Ribeiro anuncia abertura de concurso de docentes com 78 vagas para quadros de escola | RÁDIO ILHÉU

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FRIO GLOBAL O AVISO DO TEXAS

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TEXAS COM FRIO E ÀS ESCURAS – UM AVISO GLOBAL
By Adam Taylor – WPost
with Ruby Mellen
Texas’s cold-weather catastrophe is a global warning
Many parts of the planet saw unusually cold weather this week. In some places, it looked pretty fun: There was ice skating on Amsterdam canals and cross-country skiing on Moscow sidewalks. Even in the Middle East, students at the University of Damascus in Syria got a break as their exams were canceled due to snow.
But when cold weather hit Texas, America’s famously independent southern state, the early novelty of snow and ice quickly evaporated. With temperatures in the low teens for days, the state, despite its dominant energy sector, saw rolling power outages turn into a prolonged blackout that left more than 4 million people in the dark and cold.
The knock-on effects were swift and severe. In parts of Texas, water supplies were turned off, and some areas imposed boil-water notices. Escaping freezing homes, Texans slept in cars or hotels; some even burned belongings for warmth. At least 21 people have died, and the economic toll was expected to be more than $1 billion.
For many, it was shocking to see one of America’s wealthier states experience such conditions. Republican Nebraska Gov. Pete Ricketts, whose state has seen smaller-scale energy problems, said it was “unacceptable” to have rolling blackouts in this country. “I mean, this is the United States of America. We’re not some developing nation,” Ricketts told KETV News in Omaha.
Some suggested, however, that this wasn’t a foreign problem but a symptom of a distinctly Texan malaise. “Occasionally, something will happen in Texas to remind the people who live here that we live in a failed state,” Samantha Grasso wrote for Discourse Blog, adding that leaders thought it was “more important to prioritize short term gains than invest in people for a long term gain.”
Broadcast around the world, the scenes in Texas are another blow to America’s global image, already smeared by the pandemic and the Jan. 6 insurrection. But there may be lessons for everyone in what is happening to the Lone Star state — and a warning for anyone not prepared for a changing climate.
At this stage, it is hard to provide a simple answer for why an energy-producing state so quickly turned into a belt of blackouts. Some Republicans in Texas have already pointed toward the shift to renewable energy, saying wind turbines in the state had failed because of the icy conditions.
“Texas’s biggest mistake was learning too many renewable energy lessons from California,” Rep. Dan Crenshaw (R-Tex.) tweeted Tuesday. Experts, however, noted that Texas was only receiving around 10 percent of its energy from wind turbines.
More importantly, wind turbines can function in the cold. In Germany, where temperatures get very low and wind power generated almost a third of all energy used during the first half of last year, blackouts are rare. There are functioning wind turbines in cold climates, including Alaska, Greenland and Siberia.
There are turbines inside the Arctic Circle that can work at temperatures as low as -22 degrees Fahrenheit. Newer models of wind turbines have carbon fiber attached to the wings, which allows them to be automatically heated in cold weather.
Texas doesn’t use these models, for an obvious reason: It generally doesn’t get that cold. What happened this week is really unusual. On Monday, the temperature in Dallas was a high of 14 degrees, about 50 degrees lower than normal for February. Experts have attributed this weather to a mass of cold air from the Arctic.
Texas, a state where many pride themselves on low taxes and small government, had not budgeted for a freak cold snap. But this was not just felt in renewable energy sources. Jinjoo Lee at the Wall Street Journal noted that natural gas- and coal-fired power supplies had not fully winterized, while the “fairly market-driven” approach used by the grid, known as the Electric Reliability Council of Texas, offers little incentive for excess electricity generation.
In another unhelpful quirk, Texas’s electricity grid has only minimal connection to the United States’ two main power grids. That move, designed to sidestep federal oversight, also makes it harder to be supplied power by neighbors.
Some experts say a broader disinvestment has befallen the U.S. electricity production sector. Edward Hirs, an energy fellow at the University of Houston, told The Washington Post this week that it reminded him of the last days of the Soviet Union or today’s Venezuelan oil sector. “They hate it when I say that,” he said.
Texas isn’t alone in facing these problems. Fourteen states in the Southwest Power Pool, which includes small chunks of Texas, saw rolling blackouts amid the cold weather this week. In Europe, there were major concerns over the power supply last month, with countries including France asking consumers to limit their usage during a cold snap.
And the problems don’t only come when the mercury drops low. Last year, California suffered rolling blackouts over the summer as demand increased amid a heat wave. Even without blackouts, high temperatures can be extremely dangerous: Nearly 1,500 died in France during a 2019 heat wave, according to some estimates.
We tend to think of climate change in terms of warmer weather, rather than the winter storms seen this week. But the science is more complex than that: As Tom Niziol wrote for the Capital Weather Gang, some research suggests that melting sea ice in the Arctic could be responsible for the disrupted weather patterns in the Northern Hemisphere.
Scientists expect more cold weather to come. “We used to not worry too much about such extreme cold weather in places like Texas, but we probably need to get ready for more in the future,” Le Xie, a professor of electrical and computer engineering at Texas A&M University, told the Texas Tribune. “We’re going to have more extreme weather conditions throughout the country.”
Texas’s inability to keep the power on during a freak winter storm is understandable. But many regions are now having to prepare for the unexpected. In Siberia, where the power stays on in far more extreme cold snaps, record heat waves have led to alarming wildfires in recent years and destabilized buildings constructed on thawing permafrost.
Preparing for this new era of climate unpredictability won’t be fun. But the pandemic has shown the folly of not preparing for an unexpected crisis. As Sam White, a professor of history at Ohio State University, noted last year about the economic woes caused by the coronavirus: “Historically, people haven’t had the luxury of dealing with their disasters one at a time.”
May be an image of car, snow, street and road
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