Maria Ondina Braga. Natal Chinês.

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Maria Ondina Braga.
Natal Chinês.
A senhora Tung chegava dois dias antes da consoada.
Costumava vê-la logo de manhã, com a irmã jardineira, no pátio maior, a admirar as laranjeiras anãs nos vasos de loiça.
Via-a casualmente a contemplar, embevecida, o presépio do convento.
Encontrava-a por fim à mesa.
A senhora Tung viajava todos os anos da Formosa para Macau, na época do Natal, a fim de festejar o nascimento de Cristo na companhia da sua primogénita, a irmã Chen-Mou.
Nesses dias, com as meninas em férias, o refeitório do colégio parecia maior e mais desconfortável: só eu e Miss Lu nos sentávamos à mesa comprida das professoras.
Daí a presença da senhora Tung, que noutra ocasião passaria talvez despercebida (estirada a sala entre pátios de cimento e plantas verdes), se tornar nessa altura notável.
Baixa, seca de carnes, de olhos atenciosos, pensativos, a senhora Tung sorria constantemente, falava inglês, gostava de comer, de fumar, de jogar ma-jong.
As criadas cortejavam-na nos corredores, preparavam-lhe pratos especiais, levavam-lhe chá ao quarto.
Além de ser mãe da subdirectora, tinha fama de rica e distribuía moedas de prata a todo o pessoal na noite de festa.
Nessa noite assistiam três freiras ao nosso jantar (a regra não lhes permitia comer connosco): a directora, a subdirectora e a mestra dos estudos.
E muito empertigada, segurando com ambas as mãos um tabuleiro de laca coberto com um pano de seda, a senhora Tung recebia-as à porta do refeitório, entregando cerimoniosamente o presente à filha, que por sua vez o oferecia à directora.
Eram bolos de farinha fina de arroz amassada com óleo de sésamo.
Toda de vermelho, de sapatos bordados e ganchos de jade no cabelo, a senhora Tung, quando a superiora colocava o tabuleiro dos bolos na mesa, dobrava-se quase até ao chão.
Rezava-se, depois.
Para lá dos pátios, à porta da cozinha, as criadas espreitavam, curiosas.
Nem no primeiro, nem no segundo, nem no terceiro Natal que passei em Macau, a senhora Tung era cristã, mas todos os anos se nomeava catecúmena.
A seguir ao jantar falava-se nisso.
A directora, uma francesa de mãos engelhadas que noutros tempos frequentara a Universidade de Pequim, perguntava em chinês formal quando era o baptizado.
Inclinando a cabeça para o peito, a senhora Tung balbuciava, indicando a irmã Chen-Mou.
A filha… a filha sabia.
Talvez se pudesse chamar cristã pelo espírito, mas o coração atraiçoava-a.
O coração continuava apegado a antigas devoções…
Todavia, vestira-se de gala para a festividade da meia-noite, tinha no quarto o Menino Jesus cercado de flores, e a alma transbordava-lhe de alegria como se cristã verdadeiramente fosse.
Com um sorriso meio complacente meio contrariado, a irmã Chen-Mou desconversava, passando a bandeja dos bolos à superiora, que separava uns tantos para o convento.
Os restantes comê-los-iamos nós, ao fim da Missa do Galo, com chocolate quente.
O chocolate era a esperada surpresa da directora.
A senhora Tung chamava-lhe, em ar de gracejo, «chá de Paris».
No fim das três missas vinham outra vez as três freiras ao refeitório do colégio para trocarem connosco o beijo da paz e nos oferecerem a tigela fumegante do chocolate.
Vinham e partiam logo (tarde de mais para se demorarem), e Miss Lu, fanática terceira-franciscana, sempre atenta aos passos das monjas, sorvia à pressa o líquido escaldante, como quem cumprisse um dever, e saía atrás delas.
Ficávamos, assim, a senhora Tung e eu, uma em frente da outra.
À luz das velas olorosas do centro de mesa, os seus olhos eram dois riscos tremulantes.
Sorríamos.
Finalmente, o reposteiro ao fundo da sala apartava-se.
Uma das criadas entrava, silenciosa.
Servia-se vinho de arroz.
Creio que o vinho de arroz figurava entre as bebidas proibidas no colégio e que chegava ali por portas travessas.
O certo, contudo, é que ambas o bebíamos, a acompanhar os bolos de sésamo, no grande e deserto refeitório, na noite de Natal.
O vinho de arroz queimava-me a garganta e fazia-me vir lágrimas aos olhos.
Quanto à senhora Tung, saboreava-o devagar, molhando nele o bolo, e, como mal provara o «chá de Paris», bebia dois cálices.
Entretanto, Aldegundes, a criada macaense mais antiga do colégio, aparecia com as especialidades da terra: aluares, fartes e coscorões, dizendo que aluá era o colchão do Minino Jesus, farte almofada, coscorão lençol.
E eu traduzia em inglês para a senhora Tung, que achava isto enternecedor e gratificava a velha generosamente.
Quando por fim atravessávamos a cerca a caminho de casa, sob uma lua branca, espantada, anunciadora do Inverno para a madrugada, a senhora Tung abria-se em confidências.
A menina sabia… ― a «menina» era a irmã Chen-Mou, a subdirectora do colégio ―, sabia que ela continuava a venerar a Deusa da Fecundidade.
Tratava-se de uma pequena divindade, toda nua e toda de oiro.
Fora ela quem lhe dera filhos.
Estéril durante sete anos, a senhora Tung recorrera à sua intercessão divina quando o marido já se preparava para receber nova esposa.
Não podia portanto deixar de a amar.
Toda a felicidade lhe provinha daí, dessa afortunada hora em que a deusa a escutara.
Parava a meio do largo átrio enluarado, de olhar meditabundo, mãos cruzadas no colo.
E as palavras saíam-lhe lentas e soltas, como se falasse sozinha.
… E aquele mistério da virgindade de Nossa Senhora!
Virgem e mãe ao mesmo tempo…
Não se lia no Génesis: «O homem deixará o pai e a mãe para se unir a sua mulher e os dois serão uma só carne?»
Não era essa a lei do Senhor?
Porquê então a Mãe de Cristo diferente das outras, num mundo de homens e de mulheres onde o Filho havia de vir pregar o amor?
A Deusa da Fecundidade, patrona dos lares, operava milagres, sim, mas racionalmente, atraindo a vontade do homem à da sua companheira e exaltando essa atracção.
Como o Céu alagando a Terra na estação própria.
Retomávamos a marcha em direcção aos nossos aposentos.
Difícil para mim responder às dúvidas da senhora Tung, nem ela parecia esperar resposta.
Mudava, rápida, de assunto, aludindo ao tempo, à viagem de regresso, às saborosas guloseimas da criada macaísta.
Já em casa, convidava-me a ir ver o seu presépio.
O quarto cheirava fortemente a incenso.
Em cima da cómoda, entre flores, lá estava o Menino Jesus, de cabaia de seda encarnada, sapatinhos de veludo preto, feições chinesas.
Depois, timidamente, a senhora Tung abria a gaveta… e surgia a deusa.
O Menino Jesus era de marfim.
A Deusa da Fecundidade era de oiro.
O Menino, de pé, de um palmo de altura, trajando ricamente.
A deusa, sentada, pequenina, nua.
Os olhos da senhora Tung atentavam nos meus, como se à procura de compreensão, mas as suas palavras prontas (a deter as minhas?) eram de autocensura.
Não, não devia fazer aquilo.
A filha asseverara que o Menino Jesus entristecia, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta.
E quem sabia mais do que a filha?
Eu já sentia frio, apesar da aguardente de arroz.
O Inverno, ali, chegava de repente.
A senhora Tung, no entanto, tinha as mãos quentes e as faces afogueadas.
Despedíamo-nos.
Eu sempre me apetecia dizer-lhe que estivesse sossegada, que de certeza o Menino Jesus não havia de se entristecer, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta.
Mas nunca lho disse nos três anos que passei o Natal com ela.
Palpitava-me que a senhora Tung se enervava com o assunto.
E que, de qualquer jeito, não me acreditaria.
Maria Ondina Braga, A China Fica ao Lado, Lisboa, Unibolso, Bertand.
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revolta em Goa (1895)

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GOA – A REVOLTA DOS MARATAS
A Sangrenta Revolta de Setembro de 1895 em Goa
Ivo da Rocha
23 Outubro 2021 DN
Opinião
Esta revolta em Goa dos soldados nativos e dos Ranes, em setembro de 1895, iniciou-se por obra e graça do então administrador do concelho das Ilhas, capitão Gomes da Costa (mais tarde, general e iniciador em Braga da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926) que, primeiro, abusando de poderes, pôs-se a perseguir e a mal tratar um clérigo pio, devoto e santo, o bispo Francisco Xavier Alvares e, logo a seguir, foi o iniciador e instrumento da rebelião dos soldados nativos maratas e, finalmente, foi a causa da sangrenta revolta dos Ranes de Satari.
​Tudo, para ter notoriedade, supremacia e fama balofa. Julgava poder acirrar ânimos e fulminar fogos que, com a suposta superioridade da sua franja de reinóis, descendentes e mestiços, iria apagar e assim colher louros e tributos, o que não sucedeu. Prestou um mau serviço para a governação portuguesa, como está documentado. O advogado Sertório Coelho escreveu a este propósito um opúsculo sob a designação “Uma página negra para os anais da história colonial portuguesa” tendo surgido com a mesma nota crítica pelo menos mais 12 livros e opúsculos dos quais destacamos Goa sob a Dominação Portuguesa, por António Anastásio Bruto da Costa, 1897, Ao Leitor, em Defesa do Visconde, O Europeísmo e a Revolta, por André Paulo, 1896, A Revolta dos Maratas em 1895, pelo general visconde de Vila Nova de Ourém, (que era o governador geral ao tempo da revolta), 1900, e Apontamentos para a História da Revolta em Goa dos Soldados, Ranes e Satarienses, pelo visconde de Bardez, 1896, livros e relatos da imprensa da época que seguimos de perto.
​ Desta sua ação, o capitão Gomes da Costa, não só infligiu maus-tratos a um santo sacerdote, como causou, colateralmente ruína e sangue em todo o norte de Goa e, quando se viu impotente para debelar a crise, lançou culpas ao visconde de Bardez um dos vultos mais notáveis da época, proprietário de extensas terras, advogado notabilíssimo, director do jornal Pátria, chefe do Partido Regenerador de Goa e conselheiro e consultor do governo, a quem pôs em descrédito e desgraça.
​Este tumultuoso ambiente, racista, convulsivo, sanguinário e destruidor manteve-se, com o governador Rafael de Andrade e Gomes da Costa, coligados. Só se apaziguou quando estes dois foram telegraficamente chamados à metrópole e para o debelar veio de Lisboa, em 13 de novembro de 1896, uma expedição sob o comando do Infante D. Afonso Henriques, duque do Porto, irmão do rei que, com a sua sensata política de diálogo com os revoltosos, conseguiu amainar as águas tormentosas e pacificar finalmente Goa, paz que foi mantida com a posse do novo governador-geral, general Joaquim José Machado (1897-1900), que proclamou amnistia geral para todos os intervenientes, especialmente para os militares e ranes revoltosos.
​Expliquemos melhor o desencadear de cada uma destas virulentas e sanguinárias etapas de Setembro de 1895:
1. O bispo Francisco Xavier Alvares
​Já em meados de 1895, a imprensa de Goa verberava contra os desmandos, prepotências e corrupção da governação colonial. Especialmente o semanário O Brado Indiano do bispo Francisco Xavier Alvares começou a denunciar altos funcionários europeus, estando entre estes o Administrador do Concelho, o então capitão Gomes da Costa. Também outra imprensa de Goa fazia idênticas denúncias mas, como escreve Gabriel Saldanha na História de Goa, vol I, 1925, p. 296 “os artigos do Brado em linguagem veemente e de um modo bastante desabrido produziram irritação”.
​A pretexto de que os artigos no Brado Indiano visavam uma sedição nativista, o capitão. Gomes da Costa prendeu o Bispo quando vinha para a cidade, despojou-lhe das vestes episcopais – mitra, cruz e o mais – e levou-o em tronco nu para um carcere imundo onde o deteve preso numa cela inóspita.
​A este propósito o jornal O Ultramar de 31 de Agosto de 1895, sob o título “Um Sudário” escrevia:
“O padre António Francisco Xavier Alvares é um sacerdote de temperamento exaltado, obstinado nas suas resoluções e por isso insusceptível de conselho. Desinteressado e altruísta em extremo; capaz de ceder ao pobre o único pão que possua fiando elle à fome, promto a acudir às misérias humanas, como mostrou quando em 1869 o concelho das Ilhas foi flagellado com a epidemia de cholera-morbus, occasiao em que, sem remuneração alguma, apezar de ser pobre como ainda hoje é, com o risco da própria vida, correu espontaneo de casa em casa a tomar conta dedicada do tratamento material e espiritual dos atacados. Haverá pouco mais de 7 anos que, por motivos que não vem agora ao caso, passou do rito catholico ao syriaco, e nele foi sagrado bispo com o nome de Mar Julius. Não é, portanto, apostata, mas tão somente scismatico; pois a apostasia é totalis defectio a fide chistiana. E o padre é cristão, que da jurisdição do arcebispo de Goa, patriarcha das Indias, passou para a do patriarcha de Antiochia. Além disto, pelo decreto de 18 de novembro de 1869 é, nas províncias ultramarinas, permitido aos habitantes não catholicos, inda que não sejam hindus gentios, gozar de seus usus e ritos privativos, no que se não oppuzer à moral ou á ordem publica. Todavia, acusado logo no começo perante a justiça, o juiz de direito da comarca das Ilhas, o sr. dr. Vieira Lisboa, mandou-o em paz julgando que não era crime a sua mudança de rito mesmo com as vestes e insígnias da sua posição. É, por tudo isto que, de há annos, o sr bispo Mar Julius andou aqui com as suas vestes e insígnias episcopais. Em dezembro do ano findo veiu à luz nas Fontainhas, bairro de Pangim, um periodico denominado Brado Indiano, que ainda hoje se publica sendo o sr. Mar Julius seu redactor em chefe. Esse periodico, escripto em linguagem rude e em portuguez pouco correcto, verberava em estylo hyperbolico o que entendia serem abusos da função pública, e no meio daquele tohu-bohu saíamalgumas verdades duras, que deviam forçosamente amargar aquelles a quem tocavam.
​Não tinha partido, esgrimia a torto e direito, não poupava ninguem, pugnava principalmente pelo contribuinte que julgava explorado pelo fisco; e o certo é que o conselho de provincia por seu accordam julgou ha poucos dias, uma causa do contribuinte Vicente Sebastião Afonso, a quem o Brado dizia exigirem pela segunda vez, uma contribuição valiosa já paga, e que o administrador do concelho das Ilhas (Gomes da Costa) arbitrariamente lhe arrematara os bens, e lhe impedia o recurso à justiça, accordam que, dando razão ao reclamante, annullou a arrematação e mandou que o administrador do concelho remettese o arrematador no campo dajustiça.
​O ideal do Brado era proteger os seus patricios opprimidos, segundo o seu entender, e moralisar a função publica. O seu redactor principal, o exaltado padre, sentia arder-lhe no peito o fogo sagrado da sua ideia, julgava-se o instrumento poderoso della, não calculava nem temia os escolhos em que poderia vir a bater. Era como que um fanatico defensor de seus patricios.
​No seu furor de endireitar o mundo pondo a nu e a cru os seus defeitos, publicou ultimamente um artigo intitulado Enigma, que alguem lhe mandara de Lisboa, no qual se descrevia um funccionario, que em Portugal havia percorrido varias estações de serviço, tendo sido successivamente dellas expulso por desvios de dinheiro a seu cargo, até chegar a ser expedido para aqui empurrado pelas protecções, por não o poderem aturar ali. Mas não designava directamente nem nomeava ninguem.
​O sr. Manuel de Oliveira Gomes da Costa, capitão do exercito de Portugal, servindo de administrador do concelho das Ilhas, julgando-se ele o visado, intimou, nos termos da lei, o editor do Brado a declarar terminantemente, se era a si que se referia o tal enigma, pois era elle o unico que se achara nos sitios e cargos designados na charada”
​​Dessatisfeito com a resposta, o capitão Gomes da Costa prendeu o ​padre ​Alvares e acusou-o de sedicioso. O processo crime por sedição foi ​arquivado ​pelo juiz, Dr. Diogo Gomes de Menezes, que fez constar da ​sentença que a rebelião indiciada pelas denúncias existia sim, mas era ​contra ​a gramática e o bom senso…”
​Interposto recurso pelo Gomes da Costa para a Relação de Goa, noticiava O Ultramar de 24-09-1895:
“Aggravo contra o sr. padre Alvares – Na nota que recebemos, dos processos decididos na terça feira última, 24, encontra-se a seguinte decisão: Aggravo crime… Não tomou conhecimento do aggravo, por não ter subido devida e suficientemente instruído, faltando por isso ao tribunal os elementos necessários para se proceder com inteira verdade e justiça”
Com isto foi-se a rebelião. Pêsames aos seus fabricantes.”
​Os ulteriores anos passou-os o Bispo Xavier Alvares completamente devotado aos pobres e doentes. A sua habitação em Ribandar transformou-se num lar de acolhimento de leprosos, tuberculosos, pobres e marginais, sem distinção de casta ou credo. Faleceu em 23-09-1923.
​Em dezembro de 2015 este bispo goês, bispo Alvares, com o título de “Mar Julius”, que fundou a Comunidade Ortodoxa de Brahmavar, Mangalore, no estado indiano de Karnataka, que viveu de modo espartano, frugal e sempre pelo próximo, tão perseguido pelo capitão Gomes da Costa, foi sagrado “Santo” por Sua Santidade Catholicos Baselios Marthoma Paulose II.
2. A rebelião dos soldados nativos marathas
​Por coincidência, enquanto o capitão Gomes da Costa, com a ajuda de um punhado de europeus, intimidava o bispo Alvares e os nativos com prisões , ameaças e desmandos, surge da metrópole, nesse Agosto de 1895, uma ordem insensata mandando que os soldados nativos da casta dos “marathas” incorporados na guarnição da Índia fossem transferidos para Moçambique “sem se declarar quais eram as vantagens e as condições do embarque”.
​Notou-se logo grande descontentamento nas praças, seja porque se iam expor ao combate, seja pela repugnância dos gentios a atravessarem o mar.
​Gomes da Costa e o seu grupo terão visto neste descontentamento dos soldados a sua oportunidade para criar um “acontecimento” e desviar a atenção do público para as acusações de que era alvo e, dominando a situação, colher louros e aplausos como o salvador da Pátria.
​​Para o efeito, Gomes da Costa terá aconselhado estes soldados a revoltarem, abandonando o quartel, pois só então ele diligenciaria para uma amnistia, como já tinha acontecido no passado. Os soldados terão acreditado neste conselho salvífico do capitão e agido em conformidade.
​Assim, na noite de 13 a 14 de setembro de 1895, rebentou no quartel do corpo de Polícia uma revolta de 900 soldados indígenas que marcharam com armamento e cartuchame para Satari, norte de Goa, sem molestar pessoa alguma e sem fazer qualquer saque ou violência. Os revoltosos apenas solicitavam amnistia ao crime de deserção e dispensa do serviço militar para evitarem terde ir para Moçambique.
Escreve o visconde de Bardez , no seu livro citado, a fls. 50:
“Provam-no a circunstância de o sr. Gomes da Costa confessar que tivera conhecimento do projecto da deserção quatro dias antes dela se efectuar, sem contudo prevenir o respectivo comandante, e de estar a vigiar, postado a um canto da rua, a consumação do facto, e de se meter depois entre os fugitivos, e acompanha-los até a distância de um quilómetro, detendo-os na ponte de Ribandar por tempo de quase meia hora, facto que se traduziu depois como um acto de bravura temerária, mas que não deixa de ser profundamente sugestivo.”.
No livro Ao Leitor, a fls. 27 lê-se:
“Enfim este desgraçado (Gomes da Costa) a que escápula se socorre para explicar a sua presença ao pé do quartel a testa da sua polícia civil, quasi ao mesmo tempo que os marathas se revoltavam e em tumulto saíam do quartel, evidenciando desta forma que não ignorava que alguma coisa de extraordinário devia ocorrer naquele dia. Diz o ditado: é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo. E note-se que o SECULO de Lisboa prenunciava com grande antecipação a revolta e que o Gomes da Costa era assignante daquela folha e passava por ser em Goa seu correspondente.”
​Aguardaram os revoltosos pacientemente no Forte de Nanuz que o seu pedido de amnistia e dispensa militar fosse atendido, como lhes fora prometido, mas seja por deliberada distorção de informações enviadas de Goa, ou por outra razão menos acertada, foi-lhes telegraficamente denegado o pedido de amnistia e retirado o subsídio de alimentação.
​Foi imediatamente proclamada a lei marcial, suspensas as garantias constitucionais, com proibição da imprensa e publicações e confiada a direcção superior da defesa ao capitão Gomes da Costa.
​No uso destes poderes excecionais, Gomes da Costa terá travado duras “batalhas” com os revoltosos. Das suas várias peripécias demonstrativas da sua valentia, consta a sua ida, numa lancha a vapor, armada de algumas peças de artilharia, a Amonã, onde dizia ter travado combate com os desertores sem, todavia, se ter verificado o mais leve ferimento de qualquer dos lados! Dizia depois ter travado combate em Gutnem em que ficou gravemente ferido o alferes europeu Possolo e sofreu ligeiro ferimento no pé o Comandante Gomes da Costa, havendo grande mortandade no inimigo “sendo a nossa tropa obrigada a retroceder por se terem inutilizado as duas peças de campanha com que era sustentado o fogo contra a força comparativamente mais numerosa dos desertores”.
​Este relato do capitão Gomes da Costa provou-se ser mentira, pois à chegada da expedição comandada pelo Infante D. Afonso Henriques, Duque do Porto, irmão do rei, os revoltosos abandonaram o Forte de Nanuz e ali foram encontradas em muito bom estado e sem dano, ambas as referidas peças de artilharia! Já na altura, o Bombay Gazette dizia ter sido esse combate do capitão Gomes da Costa uma vergonhosa derrota da força do Capitão e que a ferida do capitão em que se baseava para justificar a dureza do encontro, era o resultado de um tropeço na ocasião da fuga precipitada.
​Dias depois o governador-geral solicitou ao conde de Mahem, ao. visconde de Bardez e ao dr. Fernando da Cunha que fossem ter com os revoltosos numa missão conciliadora e os convencessem a entregar as armas e a dispersarem-se, prometendo-se-lhes recomenda-los à clemencia do soberano e solicitar a baixa ou a amnistia.
​Neste encontro com os revoltosos, estes esclareceram que a sua fuga fora um ato de necessidade pois, quandoreunidos no quartel de Nova Goa disseram que não podiam ir para África, transpondo mares, por os seus costumes a tanto os proibirem, tinham sido espancados a ponto de alguns ficarem desdentados; que se lhes fizera a ameaça de irem embarcados à força ; que tendo eles dito que queriam protestar ao governo, tinham sido encarcerados; e que por isso, na extrema necessidade, haviam recorrido à fuga” como melhor remédio, como foram aconselhados. (in “História da Revolta” p´ag. 18). A tentativa de conciliação fracassou.
3. Os ranes revoltados e coligados e o visconde de Bardez
​Esta conflagração dos soldados nativos foi aproveitada pelos ranes de Satari. Os “ranes”, casta guerreira de Satary, no norte de Goa, e clientes do visconde de Bardez, aguardavam entre outras pendências, a decisão do governo sobre uma questão recorrente: a dos aforamentos. As terras desbravadas pelos ranes e roitos, que se tornavam produtivas, eram ilegalmente concedidas aos narconins (antigos cobradores de impostos) e aos negociantes de Sanquelim. Escreve a este propósito o sr. Visconde na obra citada a fls. 23:
“Por isso, há aproximadamente 16 anos, os gauncares e os roitos dessa província pediram em aforamento as respectivas aldeias, prometendo como foro a renda atual e mais uma quarta parte. Esta pretensão tinha as seguintes vantagens – formava uma associação de gaumcares e roitos em cada aldeia, fixava nelas a população, empenhava-se no desenvolvimento da cultura e ligava por esta forma o seu interesse ao da ordem e tranquilidade comuns.
E assim, essa província que em menos de um século se revoltou por mais de 17 vezes, ficava para sempre pacificada pelo interesse da própria população, aumentando o Estado a sua receita, com a prespectiva de a duplicar pelo desenvolvimento da cultura e desbravamento das terras. Mas despertaram-se então as ambições particulares. Indivíduos estranhos aSatary, mas ricos e alguns altamente colocados, pediram em seu nome e no de outros, em aforamento, a melhor daquelas terras. O resultado foi ser posta de parte a pretensão dos ranes gauncares, vindo da metrópole ordens para se lhes aforar apenas umas certas jeiras, o que alem de causar discórdias intestinas, convidou os de fora a virem apossar-se dos terrenos, com nomes e qualidades supostos… Dispondo da protecção do respectivo administrador, dos funcionários subalternos da localidade, e de altos personagens da capital, os narcornins levaram sempre a melhor com os pobres gauncares.”
​É neste ambiente e nessa situação que os gaumcares ranes, desesperados com as injustiças que lhes eram feitas, se juntaram aos revoltosos acantonados no forte de Nanuz. E estes, certamente para agradar aqueles, levaram preso o Dotu Narcornim, com que eles nada tinham, mas só e muito os gaumcares ranes.
​É então que o governo (capitão Gomes da Costa) decide enviar para Sanquelim uma força de 90 praças composta de descendentes, nativos cristãos e europeus. A tropa do governo, bem municiada, ocupava o alto da casa da administração e as casernas que dominam a estrada. Nesta posição vantajosa podia manobrar de modo a obrigar os revoltosos à fuga, atenta a superioridade do seu armamento e a falta de espingardas com a maior parte do inimigo. Mas não fez nada disto. Sem queimar uma escorva, nem operar um movimento, a força governamental, entregou-se com armas e munições aos desertores…” (História da Revolta, pág. 26).
​Os revoltosos, com este sucesso, desceram até Bicholim e dali a Mapuçá e o seu número cresceu a medida que os destacamentos se entregavam aos revoltosos sem a menor resistência. Antes de os revoltosos chegar, já haviam fugido de Sanquelim o administrador do concelho e os empregados fiscais; o administrador de Pernem, o juiz de direito e o delegado de Bicholim, o juiz, delegado e o escrivão da Fazenda de Bardez e também o administrador do concelho de Bardez, genro do visconde, dando parte do ocorrido ao governo.
​Logo que chegaram a Bardez, em 14 de outubro de 1895, os revoltosos fizeram inúmeros arrombamentos, extorsões, violências, crimes, sangue e estragos. Toda a Goa estava em pavor e com medo e os jornais do continente falavam de “sedição da seita negra”. Estes factos serviram para persuadir os demais europeus (que até então equacionavam a revolva na sua justa perspetiva, isto é, como protesto dos maratas que não desejavam partir para Moçambique, abandonando a sua terra), que havia conluio de todas as classes nativas e partidos para o extermínio dos europeus.
​O plano do capitão Gomes da Costa e de um punhado de apaniguados europeus, falhara ou pelo menos se descontrolara. Era preciso um bode expiatório para justificar tamanha desordem, violência e desgoverno. E decidiram que seria o visconde de Bardez. Era ele o motor da revolta. Porquê? Porque alem de ser o chefe do maior partido político do Estado, que censurava os desmandos da administração colonial, era conselheiro dos ranes!
Defende-se o visconde na obra citada, a fls. 56:
“Que alguns dos ranes e muitos dos gauncares e bottos de Satari tem sido meus clientes, sabe-o todo o mundo. Mas não são só meus. Eles o tem sido dos meus ascendentes. Sou na minha família o descendente de cinco gerações de advogados, todos os quais foram mais ou menos notáveis, e clientela de uns passou aos outros, alargando-se a sua órbita por uma grande parte do pais no decurso do tempo. Mas segue-se dali que tudo o que é ou foi meu cliente, é inspirado por mim, e se todos ou alguns dos meus clientes são revoltosos, também o sou? Quando tratava das suas pendencias forenses ou outras, adivinharia eu por ventura que eles seriam um dia revoltosos? E se foram, fui eu que os fiz? É boa vontade de me incriminar. O governo sabia perfeitamente que eu tinha clientes entre essa gente, e porque o sabia, procurou utilizar-se da minha influência para fazer-lhe depor as armas. Pois essa mesma influência que era então um mérito excepcional, torna-se agora um crime? É o modo de ver das paixões.”
​​Porque se preparava uma emboscada do Gomes da Costa, o sr. visconde, avisado por amigos, refugiou-se na Índia inglesa, assim se justificando:
“Custava-me a conceber isso. Todavia julguei dever sair, porque dos homens que mandavam, era tudo de esperar, e saí de facto não às escondidas, mas publicamente
Cinco dias depois, quando já era conhecida a minha ausência, vinha para a minha aldeia esse sr. Gomes da Costa pelas 3 horas da madrugada, com 50 praças, ás quais dava voz de carregar as armas no oiteiro que a domina, cercava a minha casa, e não me encontrando, levava presos uma vizinha, viúva respeitável, sra. R. Maria Dias, a cujo cuidado fora entregue a mesma casa, um criado preto doente por nome Francisco, que nem sabia falar a língua do paise o juiz popular da freguesia, o advogado sr. José Maria Lobo que é meu visinho e viera chamado à minha casa pelo sr. Gomes da Costa. Que necessidade havia para esse aparato bélico que o sr. Gomes da Costa quís ostentar contra um homem inofensivo? Porque não veio oito dias antes e só se resolveu a dar mais esse episódio curioso para a história dos seus feitos e um título para a sua folha de serviços, depois de saber que eu estava fora do paiz? Porque levou presas pessoas inofensivas que o receberam com portas abertas? Sabia o sr. Gomes da Costa que eu não estava em casa, tinha a certeza, posso afirma-lo, de que eu não era revoltoso, nem tinha coisa alguma com a revolta de que ele era um dos protagonistas. E vinha dar provas de bravura à minha custa!” (obra citada, pág. 38)
​Regressado do exílio, o visconde era uma figura acabada. Faleceu em 15-09-1907. Toda a imprensa do Estado da Índia noticiou este triste decesso e o jornal O Ultramar de 16-09-1895, na sua coluna “Goivos e Perpétuas” , escrevia:
“Visconde de Bardez. Na sua casa de Camorlim, sucumbiu, ontem, aos estragos de diabetes, o sr. Inácio Caetano de Carvalho, primeiro visconde de Bardez, nome que tão alto soou em tempos ainda não muito distantes, embora vivesse ultimamente na penumbra, sem, contudo, recusar a quem lho solicitasse o auxílio do seu robusto talento e vasto saber. O sr. visconde de Bardez foi uma personalidade de muita evidência e sempre muito discutida, o que atesta o seu grande valor, visto que não se discutem mediocridades. Advogado distinto entre os distintos, homem de variada cultura, jornalista enérgico e polemista vigoroso, como se provou na Patria de que era ilustrado director, o sr. visconde de Bardez foi também político militante, chefe de um numeroso partido que por muitos anos dominou no concelho de Bardez, dando ao sr. Inácio Caetano de Carvalho uma preponderância que poucos terão gozado e de que ele próprio foi a primeira vítima, tal é o contraste das coisas humanas! É ainda cedo para formar um juízo seguro sobre a eficácia da sua ação política, que foi incontestavelmente grande, numa época em que os ódios pessoais andavam à solta, e que serão talvez a melhor explicação das atrozes perseguições que choveram sobre o extinto, tendo sido até ordenado o seu fuzilamento! Pessoalmente o visconde de Bardez era muito afável e de maneiras insinuantes – homem de prontos e fecundos expedientes e muito dedicado na amizade. Paz à sua alma e nossas sentidas condolências às suas exmas. víuva e filhas e ilustres genros e netos.”
​Também o governador-geral Rafael de Andrade e o capitão Gomes da Costa não tiveram melhores dias. Foram chamados telegraficamente para a metrópole para disciplinarmente responder pelos seus nefandos actos, abusos de poder e arbitrariedades em Goa.
É nessa ocasião que se dá em Lisboa esta caricata ocorrência relatada pelo O Século de 27-04-1896. Ao tempo, um dos deputados de Goa, era o goês Constâncio Roque da Costa. Estava este deputado (que contribuíra para o chamamento telegráfico dos arguidos, Rafael e Andrade e Gomes da Costa, para a metrópole para punição disciplinar) a passear, aproximaram-se dele Rafael de Andrade e Gomes da Costa e este, sem a menor provocação daquele, vibrou no Roque da Costa uma violenta bengalada na sua cabeça que lhe “amarrotou o chapéu alto”. O sr. Constâncio em face disso, meteu a mão na algibeira da calça, onde tinha um revólver antigo, americano, bull-dog, armado com cinco tiros e, empunhando-o, gritou: ” O sr. não me provoque. Não avance porque eu dou-lhe um tiro.” E como o antagonista, Gomes da Costa, persistia no avanço e ameaçador, o sr Constâncio disparou um tiro que foi atingir o capitão na coxa esquerda e disparou nova bala que lhe atravessou a mão. Disparou depois terceiro tiro que foi para o ar e levantou-se quando já o capitão Gomes da Costa recuava e fugia, esvaindo em sangue e deixando duas largas poças. Desde então nada mais se soube dos protagonistas.
Juiz de Direito e jornalista
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vaca ataca mulher

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Ponte De Remondes 1982 – 2003May be an image of brick wall

O avô paterno era aficionado pelos piqueniques. Naquelas bandas jamais escapávamos a um, sob a ancestral Ponte de Remondes, retirada da circulação pela Barragem do Baixo Sabor, depois de encerrada e em risco de cair (2005). Embora a água não fosse muita e as sombras não abundassem, era o local favorito do avô (vá-se lá saber por quê!), malgrado a distância da Eucísia (quase duas horas de condução a meio caminho de Mogadouro e Alfândega da Fé). A estrada com mais de 200 curvas e contracurvas manteve Mogadouro afastado do país. Passei lá (2002-05) e parecia que o tempo tinha parado. A estrada estava alcatroada, o resto permanecia igual como num daguerreótipo. Hoje, submersa desde 2012 pela Barragem do Sabor, há nova ponte e a via rápida.

autores e livros

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Tantos lançando livros, gente com vinte anos que já tem obra completa. Meus livros têm no máximo 50 poemas. E curtos, condensados, levam anos amadurecendo dentro e mais outros fora. Sempre estive fora de moda, dos eixos, das ondas…

Sonia Palma and 16 others
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de oliveiras a azeitonas de romanos a árabes

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Curiosidades: Porque estamos em tempo de apanha da azeitona…
Oliveira, Azeitona, Azeite
Se o fruto da laranjeira é a laranja, da macieira é a maçã, porque é que o fruto da oliveira se chama azeitona???
Primeiro um pouco de história…
O domínio da Península Ibérica (ou de parte dela) pelos muçulmanos durou vários séculos… durante esse período a tolerância religiosa por parte dos muçulmanos era bem maior do que agora, e este permitiam aos cristãos praticar o seu culto e ter os seus líderes religiosos. Formou-se então um grupo de pessoas que eram conhecidas como os moçárabes (cristãos que viviam nos territórios dominados pelos árabes). Os moçárabes utilizavam a sua própria língua latina (derivada do latim) mas, com o tempo, foram incorporando na sua linguagem muitas palavras e expressões árabes. É por isso que no português atual utilizamos muitas palavras com origem no árabe e também algumas que juntam palavras latinas com palavras árabes.
E o que é que isto tem que ver com a oliveira, a azeitona e o azeite?
Tudo! É um caso interessante de coexistência entre palavras com origem no latim e no árabe.
Do Latim: Oliveira é palavra que designa a árvore (olivarius); oliva é o fruto da oliveira (olivae); óleo é o líquido que se extrai da oliva (oleum). Oliveira > Oliva > Óleo
Do Árabe: Se existisse o vocábulo com origem no árabe para a árvore deveria ser azeitoneira; azeitona é o fruto (az-zaytuna); azeite é o líquido que se extrai da azeitona (az-zayt). “Azeitoneira” > Azeitona > Azeite.
Com a presença árabe manteve-se o nome latino da árvore (oliveira), mas o nome do fruto e do seu líquido foi substituído pelas palavras árabes, tendo ficado o que ainda hoje se mantém: oliveira, azeitona e azeite. Após a reconquista ainda se tentou recuperar a palavra latina oliva para designar o fruto, mas oliva nunca saiu de alguns meios mais eruditos. Quanto à palavra óleo voltou a ser utilizada para designar gorduras líquidas naturais que não o azeite e para designar lubrificantes sintéticos, mas o líquido da azeitona ficou sempre azeite.
Outros exemplos em que coexistem palavras com origem no latim e com origem no árabe para designar a mesma coisa ou algo muito semelhante (primeiro o latim e depois o árabe):
[ Argola – anel ] [ enxaqueca – dor de cabeça ] [ tareia – pancada ] [ almanaque – calendário ] [ alforge – saco ] [ achaque – doença ] [ nora – engenho de tirar água ] [ tabefe – bofetada ] [ alcunha – apelido ] [ almofada – travesseira ].
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porto espacial de santa maria, problemas…

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Porto Espacial – O Problema
“Indústria aeroespacial está pronta, mas falta de porto atrasa crescimento”
Retirado do Jornal Económico de 24 Junho 2021
O problema : – salienta Miguel Gonçalves – está na “falta de pujança burocrática” e nas “tricas políticas” que condicionam a resposta aos desafios da indústria, em Portugal. O especialista diz que “falta agilizar muito rapidamente” todos os processos burocráticos, apontando o (desejado) Porto Espacial de Santa Maria, nos Açores, cujo concurso foi anulado e vai ser revisto (ver texto neste Especial).
Facto é que tarda uma solução, quando o sector privado da indústria procura bases espaciais na Europa. Portugal enfrenta a concorrência da Suécia, Alemanha, Itália, Escócia, Noruega, que também trabalham para criar portos espaciais.
Para Gonçalves, vence a corrida e ganha a atenção de todos quem for o primeiro a construir uma base espacial. “Gostaria muito que fosse Portugal, mas estou a ver o caso muito mal parado. Temos uma localização geográfica extraordinária, mas os outros concorrentes estão mais avançados nesse processo burocrático”, diz.”
Indústria aeroespacial está pronta, mas falta de porto atrasa crescimento
JORNALECONOMICO.SAPO.PT
Indústria aeroespacial está pronta, mas falta de porto atrasa crescimento
Indústria aeroespacial está em fase ascendente, mas produz orientada para fora do país. Base espacial está por cumprir e ‘players’ pedem consolidação de empresas nacionais. Regulação está a avançar.
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Como a personalidade pode ser influenciada por aquilo que acontece nos intestinos

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INTESTINO E CÉREBRO
Eixo intestino-cérebro ganha relevo na ciência. No Instituto i3S, no Porto, estuda-se a relação entre o microbioma intestinal e os traços de personalidade.
Como a personalidade pode ser influenciada por aquilo que acontece nos intestinos
DN.PT | BY DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Como a personalidade pode ser influenciada por aquilo que acontece nos intestinos
Eixo intestino-cérebro ganha relevo na ciência. No Instituto i3S, no Porto, estuda-se a relação entre o microbioma intestinal e os traços de personalidade.
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O nível das águas do Mar vai subir (Crónica Atlântida)

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O nível das águas do Mar vai subir (Crónica Atlântida)
Vivendo nestes torrões insulares, de tempos a tempos abalados por sismos, ciclones, cheias e derrocadas, esquecemo-nos de que estes e outros fenómenos naturais não nos deixarão de afetar seriamente, se nada fizermos para evitar o aquecimento global.
Um estudo recente, publicado pelas Nações Unidas chama a atenção para a necessidade de os países signatários do acordo de Paris cumprirem o estipulado, segundo o qual só a redução dos gases de efeito estufa, pode impedir a subida da temperatura em 1 grau e meio, até 2030. Caso contrário, o aquecimento do Planeta provocará mais degelo no Ártico, mais seca e, também no nosso caso, a subida do nível médio das águas do mar.
O estudo apresenta um mapa muito interessante e útil das áreas que serão engolidas ou ficarão submersas pelas água do mar em todo planeta, nomeadamente nos Açores.
Em Ponta Delgada, por exemplo, serão afetadas a Avenida Marginal, as Portas do Mar, a Avenida do Mar, como acontece já frequentes vezes, o próprio molhe do porto e o renovado parque residencial no litoral de São Roque; na Praia da Vitória, Horta e Lajes do Pico, as zonas mais baixas ficarão submersas, o mesmo acontecendo em Fajãs, devido a erros na construção de infra-estruturas do litoral, sem ter em conta os alertas há muito feitos pelos ambientalistas.
Avisam os cientistas que a situação é mais alarmante, em regiões da Ásia e do Pacífico, onde os países insulares correm o risco de verem a maior parte da terra ficar submersa. Cerca de 800 milhões de pessoas da China, Vietname, Indonésia serão afetadas, caso a temperatura suba até aos 2,7 graus centígrados.
O problema é sério demais para ser desvalorizado pelos cidadãos e responsáveis políticos. Os erros já cometidos em obras públicas que não acautelaram a segurança de pessoas e bens, deveriam ser corrigidos quanto antes, para levar a sério os avisos das instituições internacionais.
Infelizmente não é isso que se vê, pese embora os estudos de impacte ambiental exigidos para a atribuição dos financiamentos europeus. Os governantes fecham os olhos para beneficiar, temporariamente, a economia com as dotações dos planos, e não pensam que as alterações climáticas são a maior ameaça de uma crise planetária porque afeta a vida de toda humanidade.
Estou certo, que todos acabarão por compreender que em ilhas como as nossas o assunto terá de integrar rapidamente a agenda ambiental do poder local e regional, com medidas drásticas e oportunas, sob pena de, num futuro não muito longínquo, nos acusarem de termos sido incapazes de cuidar e proteger o nosso maravilhoso arquipélago, pequeno mas muito vulnerável.
José Gabriel Ávila
17 outubro 2021
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cascata de Maloás

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José Melo shared a post.

Cascata da Ribeira do Maloas. Simplesmente magnífica! Uma das maiores retumbancias geo-paisagisticas dos Açores.
Cascata da Ribeira do Maloas. Simplesmente magnífica! Uma das maiores retumbancias geo-paisagisticas dos Açores.

botes baleeiros

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Trago novamente hoje aqui uma publicação de há 8 anos na qual estão dois botes baleeiros: um açoriano e o outro americano. Vamos rever:
No photo description available.
BARCOS
Quero hoje dar todo o destaque a duas embarcações muito ligadas, mas diferentes. À direita na foto está um bote baleeiro americano,daqueles que eram usados nos navios baleeiros americanos à vela. À esquerda na foto está um bote baleeiro açoriano usado na baleação feita nos Açores a partir de terra e que terminou nos anos oitenta.
As diferenças entre ambos são acentuadas e bem visíveis. Não obstante isso deve ser dito que o bote açoriano é uma evolução do bote americano, pois quando, no século XIX, foi iniciada a baleação a partir de terra no Faial e no Pico as embarcações usadas eram botes americanos de navios baleeiros que escalavam a Horta. Depois desse inicio os carpinteiros navais de cá, especialmente os do Pico, começaram a modificar, acrescentando o casco e aumentando a área vélica, até chegarem, já no século XX, ao bote açoriano que hoje conhecemos e que tem cerca de 12 metros, contra os menos de 8 metros do americano. Penso que esta evolução se deve à necessidade de se apostar na velocidade, quando a baleação era feita a partir de terra (“queres milha, dá-lhe quilha”). O americano tem patilhão retráctil, que chamamos “tábua de bolina” e o açoriano deixou de ter, embora tivesse havido alguns, embora poucos, botes nossos a balear, já com a dimensão próxima da actual, com tal particularidade construtiva.
A foto foi tirada por um fotografo americano, Mr. Hughes, durante a Dabney Cup, realizada no dia 8 de Setembro de 2013, em New Bedford.
O bote americano que se vê é da Universidade de Mystic, Conneticut e o bote açoriano é da Azorean Maritime Heritage Society, de New Bedford, Mass..
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Belmonte, un pueblo con mucha historia en Portugal – Descubrir

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Un pueblo de intrépidos navegantes, un pueblo de alma protectora: recorremos Belmonte, una villa portuguesa de aroma medieval y grandes historias.

Source: Belmonte, un pueblo con mucha historia en Portugal – Descubrir