Açores continuam em último lugar na Sociedade de Informação

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Açores continuam em último lugar na Sociedade de Informação
Segundo o Índice Digital Regional (IDR) 2020 agora publicado, a Região da Área Metropolitana de Lisboa (AM Lisboa), face à média das regiões NUTs II portuguesas, conta com um desempenho de enorme supremacia, continuando evidentes as assimetrias regionais na construção da Sociedade de Informação em Portugal.
Em segundo lugar surge novamente a região Centro que consegue aproximar- se da média europeia, bem como a região Norte que aparece em terceiro lugar.
A última posição é ocupada pela Região Autónoma dos Açores, tal como aconteceu nas quatro edições anteriores.
Para Luís Miguel Ferreira, co-autor do estudo, “na edição deste ano do IDR continua a verificar-se uma tendência de grande distanciamento da região de Lisboa em relação às restantes regiões portuguesas, o que confirma a crónica existência de enormes assimetrias regionais na construção da Sociedade da Informação em Portugal”.
“Depois de tantos anos e de muitos milhões de euros de Fundos Estruturais aplicados na coesão e na convergência territoriais, depois de tantos alertas colectivos para a necessidade de um maior equilíbrio e equidade no desenvolvimento regional, a verdade é que em aspectos tão relevantes que caracterizam a Sociedade da Informação, as assimetrias regionais vão persistindo e até, em alguns casos, se vão agravando”, sustenta o investigador do Gávea – Observatório da Sociedade da Informação da Universidade do Minho.
Acrescenta ainda que “em 71% do total de indicadores usados no estudo, a AM Lisboa obteve a melhor pontuação entre todas as regiões portuguesas”.
“Atente-se à importância do digital no contexto desta pandemia global que, face a esta supremacia, coloca a AM Lisboa e os seus habitantes em contexto mais favorável para enfrentarem situações de isolamento e confinamento, bem como no acesso a serviços electrónicos inclusivamente na área da saúde”, conclui o investigador.
O posicionamento das sete regiões no ranking do IDR 2020 verificou-se em alterações em relação à edição anterior.
Para além da manutenção da Região de Lisboa na primeira posição (o que já se verifica desde a primeira edição do índice), há a referir então a manutenção da região Centro no segundo lugar, seguida da região Norte que regista o terceiro posto.
Na 4ª posição surge a região do Algarve e em 5º lugar o Alentejo, seguido da Região Autónoma da Madeira que se posiciona em 6º lugar.
A 7ª e última posição é ocupada novamente pela Região Autónoma dos Açores.
Diario dos Açores.
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AFINAL QUE SE PASSOU NO HOTEL MARINA

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Como não podia deixar de ser, Clélio Meneses já tomou as rédeas da situação –
May be an image of 2 people and text that says "Telejornal ATAQUE DE MIJO NO MARINA 20:01 Clélio Meneses afirma que o governo está em cooperação com a unidade hoteleira, para os trabalhos de limpeza recuperação."
Ricardo Branco Cepeda, Sonia Borges de Sousa and 11 others
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  • Maria Luisa Colaço

    Mas, afinal, quem é que partiu e sujou tudo?
    Que é que o governo tem a ver com isso?
    Foram membros do governo que andaram à pancada?
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    • 23 m
    • Maria Luisa Colaço

      Afinal, se o Clélio diz que pagam na tv, é porque é público. Que foi que aconteceu. afinal de contas?
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      • 16 m
  • Sidónio Gonçalves

    Ataque de mijo? Já tinha visto muito tipo de ataques, mas de mijo é o primeiro
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Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

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Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

 

  1. Há esta parolice açoriana de dar nomes estrangeiros (quase todos em inglês) a projetos, festas, etc., hoje vi um novo “CREACTIVITY?” na Lagoa. No Google não surge resultado algum paracreACTivity)… e como bilingue que sou entendi a ideia “criativa” mas poupem-me, escrevam na língua oficial e deixem-se de parolices saloias de novos-ricos falidos… escrever em inglês não é sinónimo de sofisticação ou classe mas parolice… Atlantis Cup, Azores Today, Azores Burning Summer, Festival Folk Azores, Azores Triangle Adventure, SpotAzores, Walk & Talk Azores, Epic Trail Azores, Eco-Beach Resort, Azores GeoPark, Azores Greenmark, Azores Trail Run, Lava Homes, Hotel Neat, Pink House Azores, Azores Cow House, Lagoa Azores SUP Day,Lagoa promove Birdwatching, e tantos mais que poderia buscar… Muitos destes nomes se fossem apresentados na sua versão bilingue eu até compreendia…como chamariz turístico, oh yeah! You know?

 

  1. Há mais exemplos da dita parolice açoriana, mas no campo das festas anuais e seus contratados para abrilhantarem musicalmente os eventos. Não consegui contabilizar os muitos milhares de euros que voam em cada verão para pagar a “artistas continentais” dos quais alguns de qualidade dúbia e outros sobrevalorizados. Com algumas honrosas exceções, quase todos esses artistas atuam em animação de festas paroquiais ou municipais, e sem terem a qualidade dos artistas locais (sejam eles cantantes, bandas, filarmónicas). Claro que os que vêm de fora cobram cachês de mais de dez mil euros cada e os da terra – quando não atuam graciosamente – cobram tuta e meia. Assim tem sido há muitos anos. Recordo que aqui na Lomba da Maia no ano de 2013 contrataram o Quim Barreiros por 17 mil euros em vésperas de eleições para a Junta de Freguesia, a terrinha decuplicou a população por umas horas e os resultados das eleições foram os opostos ao pretendido.

 

Depois quando vierem as chuvas, desabamentos, inundações, ou outras obras necessárias quer as Juntas como as Câmara Municipais todos se vão queixar da falta de verbas para obras. Ainda há não muito tempo houve um artista na capital do norte da ilha de S Miguel que parece ter cobrado 150 (mil) mais 55 mil euros da receita. Ao subirem ao palco já o dinheiro tilinta na conta deles enquanto que os locais ficam tempos infindos à espera de serem pagos. Assim se fazem festas e festarolas com o erário público, dilapidando recursos numa manifestação de panem et circensis, tal como em Roma no século I da nossa era.

 

  1. Outro exemplo da parolice acontece com o turismo, que tem levado o governo regional a abrir novos e maiores parques de estacionamento para os senhores turistas, muitas vezes prejudicando o equilíbrio ecológico e defenestrando paisagens para apaziguar a necessidade de todo o bicho careta turista estacionar. Em tempos, eu e outras pessoas sugerimos para os locais mais emblemáticos da ilha de S Miguel onde se verificava tal necessidade, que fossem criadas carreiras de minibus, preferencialmente ecológicos ou mesmo elétricos, em vez de criar parques enormes de estacionamento. Por exemplo na Lagoa do Fogo, correriam nas horas de maior afluxo de meia em meia hora, parando (por exemplo em pontos fixos) na Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande. Podia ser cobrada uma quantia (simbólica ou não) e o trânsito fluiria melhor (os carros dos turistas estacionariam em locais designados naquelas três cidades). O mesmo se deveria fazer na Vista do Rei para evitar a imagem de há dias, com carros estacionados dos dois lados da rodovia e mal se passando no espaço remanescente. Aqui, o minibus turístico podia partir de Ponta Delgada, subir à Vista do rei, descer às Sete idades com paragens nas lagoas e regressar pela Covoada, aliviando os constrangimentos de trânsito.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE O TURISMO PREDADOR TENHA ESPAÇO NOS AÇORES!!! Por último um exemplo de parolice arquitetural era a tentativa de construir um aborto de hotel (580 camas) ao qual o Governo dos Açores atribuiu a classificação PIR – Projeto de Interesse Regional com financiamento comunitário de 85% do seu valor a fundo perdido. E o Autarca de Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues (forte defensor da incineradora) nada fez para evitar este projeto através da alteração do PDM. Felizmente o governo regional cancelou a autorização do “aborto arquitetónico” em Água d’Alto (580 camas), junto à imaculada Praia do Degredo. Já em 2017 surgira outro projeto idêntico de 4 estrelas e 83 quartos (6 milhões de euros) para a cândida paisagem protegida da vinha da ilha do Pico, mas esse parece estar esquecido por enquanto.

E como amo os Açores não falarei de mais parolices hoje…Para o Diário dos Açores (desde 2018). Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 / AU 3804 [Australian Journalists’ Association] MEEA/AJA]

 

A PAROLICE DOS NOMES EM INGLÊS…..Emergence Açores decorre em setembro para “aproximar as pessoas da ciência” – Açoriano Oriental

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A secretária da Cultura, Ciência e Transição Digital do Governo dos Açores, Susete Amaro, destacou que a segunda edição do Emergence Açores, que irá decorrer em setembro em São Miguel, pretende “aproximar as pessoas da ciência”.

Source: Emergence Açores decorre em setembro para “aproximar as pessoas da ciência” – Açoriano Oriental

 

 

SOBRE A PAROLICE LER ESTE MEU TEXTO DE 2019…TUDO CONTINUA PAROLO

Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

 

  1. Há esta parolice açoriana de dar nomes estrangeiros (quase todos em inglês) a projetos, festas, etc., hoje vi um novo “CREACTIVITY?” na Lagoa. No Google não surge resultado algum paracreACTivity)… e como bilingue que sou entendi a ideia “criativa” mas  poupem-me, escrevam na língua oficial e deixem-se de parolices saloias de novos-ricos falidos… escrever em inglês não é sinónimo de sofisticação ou classe mas parolice… Atlantis Cup, Azores Today, Azores Burning Summer, Festival Folk Azores, Azores Triangle Adventure, SpotAzores, Walk & Talk Azores, Epic Trail Azores, Eco-Beach Resort, Azores GeoPark, Azores Greenmark, Azores Trail Run, Lava Homes, Hotel Neat, Pink House Azores, Azores Cow House, Lagoa Azores SUP Day,Lagoa promove Birdwatching, e tantos mais que poderia buscar… Muitos destes nomes se fossem apresentados na sua versão bilingue eu até compreendia…como chamariz turístico, oh yeah! You know?

 

  1. Há mais exemplos da dita parolice açoriana, mas no campo das festas anuais e seus contratados para abrilhantarem musicalmente os eventos. Não consegui contabilizar os muitos milhares de euros que voam em cada verão para pagar a “artistas continentais” dos quais alguns de qualidade dúbia e outros sobrevalorizados. Com algumas honrosas exceções, quase todos esses artistas atuam em animação de festas paroquiais ou municipais, e sem terem a qualidade dos artistas locais (sejam eles cantantes, bandas, filarmónicas). Claro que os que vêm de fora cobram cachês de mais de dez mil euros cada e os da terra – quando não atuam graciosamente – cobram tuta e meia. Assim tem sido há muitos anos. Recordo que aqui na Lomba da Maia no ano de 2013 contrataram o Quim Barreiros por 17 mil euros em vésperas de eleições para a Junta de Freguesia, a terrinha decuplicou a população por umas horas e os resultados das eleições foram os opostos ao pretendido.

 

Depois quando vierem as chuvas, desabamentos, inundações, ou outras obras necessárias quer as Juntas como as Câmara Municipais todos se vão queixar da falta de verbas para obras. Ainda há não muito tempo houve um artista na capital do norte da ilha de S Miguel que parece ter cobrado 150 (mil) mais 55 mil euros da receita. Ao subirem ao palco já o dinheiro tilinta na conta deles enquanto que os locais ficam tempos infindos à espera de serem pagos. Assim se fazem festas e festarolas com o erário público, dilapidando recursos numa manifestação de panem et circensis, tal como em Roma no século I da nossa era.

 

  1. Outro exemplo da parolice acontece com o turismo, que tem levado o governo regional a abrir novos e maiores parques de estacionamento para os senhores turistas, muitas vezes prejudicando o equilíbrio ecológico e defenestrando paisagens para apaziguar a necessidade de todo o bicho careta turista estacionar. Em tempos, eu e outras pessoas sugerimos para os locais mais emblemáticos da ilha de S Miguel onde se verificava tal necessidade, que fossem criadas carreiras de minibus, preferencialmente ecológicos ou mesmo elétricos, em vez de criar parques enormes de estacionamento. Por exemplo na Lagoa do Fogo, correriam nas horas de maior afluxo de meia em meia hora, parando (por exemplo em pontos fixos) na Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande. Podia ser cobrada uma quantia (simbólica ou não) e o trânsito fluiria melhor (os carros dos turistas estacionariam em locais designados naquelas três cidades). O mesmo se deveria fazer na Vista do Rei para evitar a imagem de há dias, com carros estacionados dos dois lados da rodovia e mal se passando no espaço remanescente. Aqui, o minibus turístico podia partir de Ponta Delgada, subir à Vista do rei, descer às Sete idades com paragens nas lagoas e regressar pela Covoada, aliviando os constrangimentos de trânsito.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE O TURISMO PREDADOR TENHA ESPAÇO NOS AÇORES!!! Por último um exemplo de parolice arquitetural era a tentativa de construir um aborto de hotel (580 camas) ao qual o Governo dos Açores atribuiu a classificação PIR – Projeto de Interesse Regional com financiamento comunitário de 85% do seu valor a fundo perdido. E o Autarca de Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues (forte defensor da incineradora) nada fez para evitar este projeto através da alteração do PDM. Felizmente o governo regional cancelou a autorização do “aborto arquitetónico” em Água d’Alto (580 camas), junto à imaculada Praia do Degredo. Já em 2017 surgira outro projeto idêntico de 4 estrelas e 83 quartos (6 milhões de euros) para a cândida paisagem protegida da vinha da ilha do Pico, mas esse parece estar esquecido por enquanto.

E como amo os Açores não falarei de mais parolices hoje…Para o Diário dos Açores (desde 2018). Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 / AU 3804 [Australian Journalists’ Association] MEEA/AJA]

 

POESIA DE TIMOR NO 31º COLÓQUIO BELMONTE 2019

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548. queria ser toké 2012 LUCIANO

eu queria ser toké e contar o que vi

desde que parti em 1975

queria saber falar

dar os nomes os locais e os atos

de todas as atrocidades, violência e mortes

que testemunhei mudo na minha parede

 

eu queria ser toké e escrever tudo

queria contar o que não querem que se saiba

queria contar o que não queriam que se visse

queria contar os gritos que ninguém ouviu

 

queria ser água e apagar os fogos

que extinguiram a nossa história

como se não fora possível reconstruí-la

 

queria ser pássaro e levar nas asas

todos os que foram chacinados

violados, torturados e obnubilados

voar com as crianças que morreram de fome

as mulheres tornadas estéreis

 

tanta coisa que queria dar-te timor

e não posso senão escrever palavras

lembrar teu passado heroico

sonhar futuros ao teu lado

431. Díli, Timor, setº 1973 CHRYS

timor cresceu cercado

lendas que a distância empolgou

o sonho, a quietude,

as 1001 noites do oriente exótico

o sortilégio dos trópicos

para o europeu

desengano era a chegada

sobrevoa estéril ilha, montes e pedras

agreste paisagem sulcada de leitos secos

abruptas escarpas no subão

terra sem marca de homem

esparsas cabanas de colmo

será isto timor?

por trás de um monte imprevisto

o avião desce o vazio em círculos

em vão os olhos buscam a pista

e a imponente torre de controlo

que só existiu nos panfletos de propaganda

sob o zinco e o colmo

a alfândega é o bar e a sala de espera

isto é Baucau aeroporto internacional

a vila salazar dos compêndios que a história esqueceu

uma turba estranha se amontoa

à chegada do cacatua-bote[1]ou patas-de-aço

esta a cerimónia sagrada

deus estrangeiro baixando dos céus

dia de festa para os trajes multicoloridos

o contraste castanho dos sóis pigmentados

cinco da matina e é já pó e calor

o espanto mudo nas bocas incrédulas

as formalidades têm aqui sabor novo

espera lenta e compassada,

séculos de futuro por viver

antes que ele venha,

antes não venha

num barracão zincado

a velha bedford de carga

caixa fechada,

vidros de plástico sob o toldo puído

pomposo dístico colonial

carreira pública baucau-dili

picada em terreno plano, mar ao fundo

Baucau, cidade menina por entre palmares

densa vegetação tropical

das ruínas do mercado se evocam desconhecidos templos romanos

connosco se cruzam estranhos homens de lipa[2]

galo de combate ao colo entre torsos e braços nus

estrada n.º 1 até Dili,

sulca abruptas encostas

ao mar sobranceiras,

lá se adivinham cristais multicolores

 

em lugar de pontes

se atravessam ribeiras

enormes leitos secos

estradas de ocasião

pedregoso solo,

cores indefinidas,

castanhos e verdes

palapas dissimuladas na paisagem

imagens tristes de pedras e montes

baías primitivas, inconquistas,

praias de despojos e conchas

paraísos insuspeitos

 

assusto-me com os sorrisos vermelhos

não é sangue nas bocas gengivadas

masca, mescla de cal viva e harecan[3]

placebo psicológico da alimentação que falta

um riso encarnado esconde a fome

súbito, por paisagens que só a memória

sem palavras descreverá

eis Dili, a capital

larga avenida semeando o pó nas palapas

casas com telhados de colmo ou zinco

chinas e timores

partilham a promiscuidade da pobreza

Dili, plana e longa

a vasta baía antevê imponente

o ataúro ilha

um porto incipiente

construções coloniais pós-1945

da guerra que ninguém quis

dos mortos que os japoneses exigiram

da neutralidade do país mãe calado e violado

a marginal desagua no farol

alberga chefes de serviço,

altas patentes militares

sem guerras para lutar,

sem movimentos libertadores das gentes

quinze quilómetros de asfalto

três casas dantes da guerra grande

aeródromo em terra batida

com jipe de afugenta búfalo

a rua comercial atravessa dili senhora

de leste a oeste, espinha dorsal

o palácio das repartições e o do governo

perto um museu

o seu nome ostenta o vazio

riquezas sem fim

que patriotas governadores exportaram

colonizadores de séculos

com nada para mostrar

um museu morto

e dois sinaleiros nas horas de ponta

 

ociosos às portas dos cafés

à noite transfiguram-se

os bas-fond

o texas bar

da prostituição às slot machines

o submundo,

a vida underground

afogar esperanças em álcool

sonhos há muito perdidos

nunca sonhados

restaurantes poucos,

boa comida chinesa

bares espalhados na cidade

militares e álcool para calar distâncias

um portugal dos pequeninos

longínquo,

cada vez mais esquecido

nunca perdido.

uma cidade sem vida

morrendo nas cinzas de cada noite

entre o silêncio e a voz triste dos tokés

o calor putrefacto

e o voo alado das baratas gigantes

carros poucos, de dia só do estado

motocicletas pululam

entre viaturas oficialmente pretas e verdes

esperando mulheres de oficiais

à porta do cabeleireiro ou do liceu

militares a pé,

em berliet ou unimog

chineses muitos

dili é isto, a desolação

 

na parte alta da cidade

fresco e verdejante vale

sob a sombra dos dois hospitais

o complexo militar de barracas insalubres

 

triste esta cidade

pretensamente euro-africana

palapas ao lado das valetas pútridas

marginando ruas

ali vive o timor sem água nem luz

dez ou quinze filhos

que importa

a miséria é só uma e a mesma?

esta “a terra que o sol em nascendo vê primeiro”

aqui as imagens

e são já história

não se repetirão

aqui não daremos testemunho

como transfigurar colónias pacíficas

em palcos de guerra.

 

547. eleições sem lições, 2012 LUCIANO

Díli 23 setembro 1973

cheguei hoje a timor português

sem o saber nunca mais nada será igual

o futuro começa hoje e aqui

entrei na era da ditadura

sairei na democracia adiada

 

na bagagem guardo sabores,

imagens e odores

sonhos de pátria e amores

divórcios e outras dores

 

cheguei sem bandeiras nem causas

parti rebelde revolucionário

tinha uma voz e usei-a

tinha pena e escrevi sem parar

para bi-béres e mauberes

 

48 anos de longo inverno da ditadura

24 de luta independentista

agora que a lois vai cheia

e não se passa na seissal

já maromác se apaziguou

crescem os láfaék nos areais

perdida a riqueza do ái-tássi

gorada a saga do café

resta o ouro negro

para encher bolsos corruptos

sem matar a fome ao timor

 

perdido nas montanhas

sem luz, água ou telefone

repetindo gestos seculares

mascando, sempre mascando

o placebo de cal e harecan

tem hoje direito a voto

para escolher quem o vai explorar

sob a capa diáfana da lei e ordem

do cristianismo animista

oprimido sim

mas enfim livre.

550. timor nas alturas – 2012 CHRYS

queria subir ao tatamailau

pairar sobre as nuvens

das guerras, do ódio, das tribos

falar a língua franca

para todos os timores

 

queria subir ao matebian

ouvir o choro dos mortos

carpir os heróis esquecidos

 

queria subir ao cailaco e ao railaco

consolar as vítimas de liquiçá

beber o café de ermera

reconstruir o picadeiro em bobonaro

tomar banho no marobo

ir à missa no suai

buscar as joias da rainha de covalima

passar a fronteira e voltar

chorar todos os conhecidos e os outros

 

e quando as lágrimas secassem

à minha palapa imaginária regressaria

à mulher mais que inventada

um pente de moedas de prata ofertaria

vogando nas suas ribeiras e vales

sussurrando no espesso arvoredo

desaguando no vale de vénus

nos seus beiros navegaria

ao ataúro e ao Jaco rumando

desfrutando a paz e a beleza ancestral

ouvindo os tokés e as baratas aladas voando

os insetos projetados contra as janelas

atraídos pela luz do petromax

a infância e a juventude são como uma bebedeira

todos se lembram menos tu

450. O TETO DO MUNDO 1974 LUCIANO

 

como romper as palavras?

o som e o lamento

do ai-tássi, sagrado lenho

em ti se moldaram

faces e rugas milenárias

caminhos de teto do mundo

nas mãos vazias viaja o passaporte

para que não sucumbas hoje

há muitas mortes nos amanhãs

 

teus pés ligeiros voam quilómetros

com o cacho solitário que colheste

bananas que não te matam a fome

regateias escudo lima

enganas malai com parco lucro

sorri teu rosto infantil e puro

 

a sobrevivência da semana vendeste

curvado vais e retornas satisfeito

no teu sorriso jovem galgas montanhas

teus os reinos de Railaco e TataMaiLau

 

misturas na cal e harecan

o prazer e o engano desfeito

e o teu estômago sorri confiante

no regresso de braços dolentes

a linguagem do corpo impante

 

apostas mais, sempre mais

no teu combate de penas

pobre mercador de enganos

em galos de luta acenas

teu ganha-pão insano acaricias

são tuas as lágrimas

a revolta e a derrota sacias

guardas o estilete acerado

não decepou os medos

é teu o sangue e o alimentaste

 

das árvores pendem camarões doces do rio

e o pequeno jacaré

faz o cruzeiro oceânico

ribeira de seiçal – díli

são tuas as planícies e as ribeiras

as torrentes inundaram o arrozal

levaram pontes e caminhos

e tu ris do grande engenheiro malai

e o búfalo do china luís

navega rumo à liberdade

e nem pensas na tua

maromác sabe maubere é diac e vai passar

 

608. eleições 2013 CHRYS

era tempo de eleições

políticos vinham e prometiam

a populaça aplaudia

acenava e acreditava

depois de contados os votos

os políticos desapareciam

junto com as suas promessas

e o povo esquecido esperava

assim crendo na democracia

uma pessoa, um voto, uma promessa

repetiam a antiga escravatura

acreditando serem livres

685 Díli inundado, 2016 LUCIANO

maromác zangou-se

as ribeiras transbordantes

em díli nada mudou

tudo alagado como dantes

décadas depois

nem os milhões do petróleo

dominam as águas

passados quarenta anos

sem dinheiro para voltar

dominam-me as mágoas

e a minha saudade

rima com verdade

[1] Cacatua-bote ou patas-de-aço eram designações dadas pelos timorenses aos aviões

[2] Lipa, saia de tecido colorido, típica, de origem malaia, os timorenses usam-na enrolada à cintura descendo até aos tornozelos.

[3] Folha de planta semelhante à do tabaco

SYDNEY DESERTA E CONFINADA

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Covid-19: Austrália reforça restrições para conter surto ligado à variante ‘delta’
Sydney, Austrália, 28 jun 2021 (Lusa) – Várias regiões da Austrália aumentaram as restrições sociais para conter um surto ligado à variante ‘delta’ da covid-19, que já obrigou ao confinamento de Sydney, a cidade mais populosa do país, foi hoje anunciado.
“É um momento crítico”, disse o ministro do Tesouro australiano, Josh Frydenberg, à emissora pública ABC, antes de uma reunião do comité de segurança para abordar a nova crise sanitária.
O novo surto foi descrito por Frydenberg como “uma nova fase da pandemia”, comentando que a variante ‘delta’, detetada em meados do mês em Sydney, “é mais contagiosa e perigosa” do que as estirpes anteriores.
A reunião será presidida pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, e deverá aplicar medidas adicionais às já adotadas pelos governos regionais, afetando mais de 60% dos 25 milhões de habitantes da Austrália.
No estado de Nova Gales do Sul, o governo local informou que o surto em Sydney, uma cidade que está confinada juntamente com as áreas circundantes até 09 de julho, registou hoje 18 novas infeções, depois de 30 casos identificados no domingo, elevando o total para 124 contágios locais desde o início do último surto.
No vizinho estado de Queensland, que detetou hoje dois casos da covid-19, um dos quais eles com a variante ‘delta’, as autoridades ordenaram o uso obrigatório de máscaras faciais e limites à capacidade dos restaurantes, entre outras medidas.
No domingo, o Território do Norte, com uma grande população aborígene, ordenou o confinamento durante dois dias em Darwin e áreas circundantes, onde se contam cinco casos.
Entretanto, também no domingo, a Austrália Ocidental impôs restrições semelhantes às de Queensland durante pelo menos três dias, depois de uma mulher que visitou Sydney ter dado positivo no teste covid-19, potencialmente com a variante ‘delta’.
Os outros estados e territórios da Austrália, onde não foram detetados casos de covid-19 nos últimos dias, limitaram as viagens às suas jurisdições a partir de regiões afetadas pelo vírus para evitar o contágio.
Entretanto, a Nova Zelândia suspendeu as viagens sem quarentena com toda a Austrália até, pelo menos, terça-feira.
A Austrália, cujas autoridades ligaram todos os surtos a repatriações do estrangeiro, contabilizou 910 mortos e cerca de 30.500 infeções desde o início da pandemia, tendo vacinado mais de seis milhões de pessoas, das quais 1,2 milhões receberam já as duas necessárias para completar o processo de vacinação.
A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.919.801 de vítimas em todo o mundo, resultantes de 180.725.470 casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 17.084 pessoas e foram confirmados 874.547 casos de infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
EJ // JMC
Lusa/Fim
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Belinha Carrascalao, Rosely Forganes and 46 others
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A curiosa origem da expressão “perder os 3 vinténs” | VortexMag

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“Perder os 3 vinténs” é uma das mais curiosas expressões portuguesas. A sua origem e a sua história são deveras curiosas. Descubra-as e surpreenda-se.

Source: A curiosa origem da expressão “perder os 3 vinténs” | VortexMag

Euro 2020: polícia timorense captura dois suspeitos de queimar bandeira portuguesa

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Os jovens, de 18 e 21 anos, foram detidos depois de um vídeo, em que vê a bandeira a ser queimada, se ter tornado viral nas redes sociais.

Source: Euro 2020: polícia timorense captura dois suspeitos de queimar bandeira portuguesa