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o mito do cesto da gávea

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O mito do cesto da gávea

Marco Neves

Ago 4

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Aviso: este texto contém palavrões; ou melhor, um palavrão repetido muitas vezes.

Foto de Bruno Martins em Unsplash

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Uma academia que não existe

A «verdadeira» (sublinho as aspas) história da palavra «caralho» aparece em muitas páginas por essa Internet fora. Aqui fica uma das versões mais conhecidas (curiosamente, não refere o nome «cesto da gávea», que aparece em muitas outras versões da mesma história)[1]:

Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. O caralho, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto do mastro) era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco. Também era considerado um lugar de castigo para aqueles marinheiros que cometiam alguma infracção a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia ficava tão enjoado que se mantinha tranquilo por um bom tempo. Daí surgiu a expressão: Vai pró caralho. Hoje em dia, caralho é a palavra que define toda a gama de sentimentos humanos e todos os estados de ânimo.

A história, tal como contada acima, é mesmo um vírus: está construída para se espalhar. Tem logo uma evocação de autoridade (a Academia Portuguesa de Letras) para que ninguém se atreva a duvidar! Depois, remete para aventuras, navegações, castigos de marinheiros. Revela-nos algo que não conhecíamos sobre o mundo. Uma maravilha — mas uma maravilha falsa do princípio ao fim.

É falsa, mas prometo: a verdade sobre a origem da palavra é mais interessante, embora não a conheçamos na totalidade (é fácil criar mentiras bem compostas; é mais difícil escavar a verdade).

Comecemos então pelo princípio: a famosa Academia Portuguesa de Letras. É famosa, mas tem um problema que a distingue de todas as outras academias de letras: não existe. Existem academias de letras noutras paragens: o Brasil tem uma Academia Brasileira de Letras, Espanha tem a Real Academia Espanhola, a França tem a Academia Francesa. Ora, Portugal não tem uma academia dedicada apenas às letras. Existe, isso sim, a Academia das Ciências de Lisboa, com uma Classe de Letras.

Portanto, nenhuma Academia Portuguesa de Letras associou a origem da palavra «caralho» ao cesto das caravelas. Se formos generosos com a história e quisermos ver na referência uma alusão à Academia das Ciências de Lisboa, podemos sempre consultar o famoso dicionário dessa academia, que tem um verbete dedicado ao palavrão. Afirma-se por lá que a sua origem de «caralho» é a palavra latina (reconstruída) *caracŭlum, ou seja «pequeno pau». Não é uma etimologia aceite por todos, mas já lá chegaremos. Quero só sublinhar que o dicionário nada diz sobre cestos ou caravelas.

Conselho de amigo: quando inventar uma história e quiser dar-lhe uma patine de verdade, use uma instituição verdadeira. Pelo menos, demoramos mais uns segundos a verificar a veracidade da história.

Os primeiros registos de «caralho»

A referência à academia poderia estar errada e, mesmo assim, a história ser verdadeira. Ora, não o é — por três razões: (1) a história ignora um facto essencial sobre a palavra; (2) os primeiros registos escritos da palavra não têm nada que ver com navegações nem com cestos; (3) não há registos anteriores ao século XX sobre uma associação do cesto (ou do mastro) das caravelas à palavra «caralho».

O facto essencial que a história ignora é algo que acompanha a palavra desde os primeiros registos da sua existência: a palavra refere-se ao órgão sexual masculino. É verdade que, a partir desse sentido, é depois usada como interjeição em situações em que o órgão não é visto nem achado. É isso que acontece com muitos palavrões, transformados em interjeições. No entanto, ninguém nega que o sentido denotativo da palavra é mesmo esse: o órgão sexual masculino.

Vejamos agora aquilo que sabemos, de facto, sobre o aparecimento da palavra. Como não temos gravações das primeiras vezes que alguém a usou (uma chatice), temos de nos socorrer do registo escrito. A primeira referência ao palavrão é indirecta, mas muito curiosa.

No ano de 982, num documento de doação do Mosteiro de São Pedro de Roda, na zona da actual Catalunha, aparece a referência ao nome de um monte: Caralio. Nada a dizer; a semelhança ao nosso palavrão poderia ser coincidência. Ora, anos antes, num documento de 974, o mesmo monte não aparece referido pelo nome porque o nome era, dizia o autor do documento, indecoroso. Ou seja, «caralio» já não se podia dizer em certas situações. Esta foi a primeira aparição da palavra. (Veja-se aqui a fonte.)

Muito indirecta, é verdade. No entanto, desses vagos princípios, começámos a encontrar o palavrão nos registos das várias línguas românicas da Península Ibérica. Na nossa língua, a palavra aparece com frequência nas cantigas medievais, antes das navegações e afins. Se formos a https://cantigas.fcsh.unl.pt/ e pesquisarmos pela palavra, encontramos vários bons poemas dos primeiros tempos da nossa língua.

Deixo apenas um exemplo, da autoria de Fernando Esquio:

A vós, Dona abadessa,
de mim, Dom Fernand’Esquio,
estas doas vos envio,
porque sei que sodes essa
dona que as merecedes:
quatro caralhos franceses
e dous aa prioressa.

Pois sodes amiga minha
nom quer’a custa catar,
quero-vos já esto dar
ca nom tenho al tam aginha:
quatro caralhos de mesa
que me deu ũa burguesa,
dous e dous ena bainha.

Mui bem vos semelharám
ca sequer levam cordões
de senhos pares de colhões;
agora vo-los darám:
quatro caralhos asnaes,
enmanguados em coraes
com que calhedes a mam.

Sei que a língua mudou muito, mas todos percebemos bem que o poeta não estava a falar de cestos. (Um esclarecimento cultural: os ditos «caralhos franceses» são objectos que substituem os verdadeiros; vêm bem enfeitados e são oferecidos à abadessa para o que lhe aprouver.)

Avancemos. Há um facto que parece claro: a palavra já existia antes de haver um reino de Portugal. Aparece em todas as línguas românicas ibéricas e tem um primeiro registo (indirecto) no século X. Mais: em todas as referências medievais, não há qualquer ligação às navegações ou a cestos.

Dito tudo isto, de onde vem a palavra? Há várias teorias. Uma delas está registada no Dicionário da Academia, que referi acima. Viria de uma palavra latina que significava «pequeno pau». Esta é também a opinião de José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Já o etimólogo catalão Joan Coromines, no Diccionario crítico etimológico castellano e hispânico, propõe uma origem pré-romana. Não há consenso entre etimólogos, mas nenhum refere qualquer ligação ao cesto da gávea ou às navegações (portuguesas ou outras).

Se a palavra, de facto, a palavra tiver origem numa referência a um pequeno pau ou a uma estaca (não há provas), não será impossível imaginar que o termo fosse originalmente usado para designar também um pequeno mastro num barco. É apenas uma suposição: não há qualquer registo de tal uso. Repito: na escrita, a palavra aparece logo como palavrão e como referência ao órgão sexual masculino. É isso que sabemos.

Ou seja: desde o início da nossa língua (e das línguas vizinhas) temos este palavrão ao dispor.

Então de onde vem a associação do cesto da gávea ao palavrão?

Anatomia da lenda do cesto

A história do cesto e do caralho tem várias versões. Como qualquer lenda, é muito clara e impante em cada versão, mas muito variável entre versões.

Há quem afirme que o caralho é o mastro e o cesto é a casa do caralho (essa correcção é muito frequente, o que não deixa de ser curioso: há quem se afadigue a corrigir uma história errada para substituí-la por outra história errada).

Há quem diga que, pronto, é verdade que a origem do palavrão não é essa, mas os marinheiros passaram a usar o palavrão para designar o cesto (ou o mastro). Será verdade? Não sabemos (não há registos), mas se o for, já não é a explicação da origem da palavra.

Outros dizem que a história é a origem da expressão «vai para o caralho» e não da palavra em si. Também não há registos que o seja, mas aqui já estamos a ver uma lenda aflita, a fugir com o rabo à seringa. Resumo: é falsa, mas se a torcermos muito e semicerrarmos os olhos vislumbramos, lá muito ao fundo, um pedaço de verdade.

Antes de avançar: há uma associação óbvia entre as palavras «caralho», «mastro» e «verga». Todas podem ser usadas como designações do órgão sexual masculino. A questão é se a palavra «caralho» tem origem numa designação náutica. Ou seja: a questão é se a palavra começou por designar um elemento náutico (um mastro ou um cesto) e só depois o órgão sexual masculino. Não há qualquer indício de que tal seja verdade. Essa etimologia falsa aparece muito recentemente (à escala da história da língua).

Em relação à história do cesto da gávea, a primeira referência que encontro é numa página brasileira de 2005[2]. Depois, aparece noutros locais com cada vez mais frequência.

Pesquisei em corpora da língua, em textos de etimólogos, em livros. A indicação mais antiga da história parece ser já deste século. É possível que a história já corresse em mensagens de correio electrónico, naquelas correntes pejadas de mentiras que eram habituais nos anos 90. Também é possível que tenha sido importada de Espanha, onde uma lenda parecida também se encontra aqui e ali (e, tal como cá, é também recente).

Depois de 2005, a história aparece em livros publicados, mas só depois das primeiras versões em linha. Livros mais antigos ou investigações com algum tipo de investigação etimológica minimamente cuidadosa não apresentam qualquer referência à associação entre o cesto da gávea e o palavrão. Se pesquisarmos em livros de História sobre as navegações, sobre terminologia náutica, sobre etimologia, não encontramos nada que confirme a lenda.

Lembro (já me estou a repetir): a palavra é mais antiga que as caravelas, que as navegações, que Portugal. Não sabemos qual a sua origem, mas sabemos que aparece logo como referência ao órgão sexual masculino.

Tendo em conta o espaço vazio da origem etimológica, imagino que alguém argumente: ora, se não sabemos qual a origem, pode até acontecer que seja o cesto! Ou o mastro! Até poderá ser, mas não serão nem o cesto nem o mastro das caravelas portuguesas. Enfim, se quisermos enfiar esta história recente na origem remota de uma palavra, ninguém nos impede, mas podemos fazer o mesmo com qualquer outra história que inventemos à pressão. Se eu disser que a palavra tem origem numa árvore que existia em Silves, ali por volta do ano 800, que se chamava Caralho e tinha a forma parecida com o órgão sexual masculino, tenho tantas provas disso como da associação ao cesto da gávea (ou seja, nenhumas).

Se procurarmos uma associação da palavra «caralho» com o mastro das embarcações (uma das versões com que a lenda se tenta defender), encontramos uma curiosa referência no livro Almanak Caralhal, de 1860, em que se conta a sucinta história de Frei Martinho, que «oferece heroicamente o seu caralho para mastro grande da maior nau das Índias».

É este indício que a história afinal tem um fundo de verdade? Antes pelo contrário. Note-se que a palavra é usada para designar o órgão sexual, que iria servir de mastro — a palavra não designa o mastro. Mas há algo mais importante: num livro destes, dedicado ao caralho, não haver qualquer referência à lenda é uma clara indicação de que esta é posterior. E, de facto, passariam ainda mais de 100 anos até que a história começasse a aparecer na escrita.

O que sabemos é que a palavra surge no registo escrito da língua logo com o significado que tem hoje e é usada como interjeição e palavrão. É interessante pensar que este palavrão acompanha os portugueses desde o início: é mais antigo do que o país e nunca houve nenhum português que não o conhecesse. As palavras mudam muito, mas os palavrões ficam.

Nota: este texto é uma primeira versão de um capítulo de um livro que sairá em breve.

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[1] VortexMag: https://www.vortexmag.net/coisas-que-voce-nao-sabia-o-verdadeiro-significado-da-palavra-caralho/

[2] http://www.posto7.com.br/curiosidades.htm

Pode encontrar os meus livros nesta página. Obrigado!

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Três sismos sentidos esta madrugada na ilha Terceira – Jornal Açores 9

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Source: Três sismos sentidos esta madrugada na ilha Terceira – Jornal Açores 9

pedro garcias vs rui moreira

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Crónica de Pedro Garcias, Jornalista e produtor de vinho no Douro, publicada no caderno Fugas do jornal Público em 26 de Julho de 2024.
A criadagem, segundo o fidalgo Rui Moreira
Rui Moreira criticou as paragens do futuro metrobus do Porto desenhadas por Siza Vieira, comparando-as a menires de Obélix.
A apreciação mereceu uma resposta de um investigador da Faculdade de Arquitectura do Porto, Pedro Levi Bismarck, que acusou o presidente da Câmara do Porto de ter pouca legitimidade para tal crítica,
dado ser “um dos responsáveis políticos pela destruição em massa do património arquitectónico” da cidade.
Em resposta, o liberal político soltou a sua sanha sobre o pobre do investigador Bismarck,
dizendo que este *prefere idolatrar Álvaro Siza com aquela pequenez. da criadagem quando experimenta, à sorrelfa, as jóias da patroa para se ver ao espelho”.
Esperei três semanas na esperança de que algum representante da “criadagem” atirasse um verdadeiro menir ao fidalguinho da Foz, não para o matar mas para lhe colocar o cérebro no sítio.
O termo “criadagem” é todo um programa de desprezo e pequenez.
O que incomoda na palavra são as quatro últimas letras.
E o “agem”.
Lembram “vassalagem”, “miudagem”, “malandragem”, “parolagem”, “vadiagem”, “ladroagem” e muitas outras coisas pouco simpáticas,
como, mas aqui para o lado de certos patrões,
“vilanagem”, “cabotinagem”, “cretinagem” e até “parvoagem”.
Nos anos 50 do século passado, cerca de 39% da população activa do sexo feminino em Portugal eram criadas de servir.
Na segunda metade do século, segundo a investigadora Inês Brasão, autora do livro O tempo das criadas: a condição servil em Portugal (1940-1970), chegou a haver 200 mil mulheres nessa condição.
A tal “criadagem” era, sobretudo, composta por crianças que vinham do interior pobre e analfabeto, de aldeias onde não havia sequer eletricidade e as famílias eram do tamanho de uma equipa de futebol.
Os rapazes ajudavam na lavoura e, quando podiam, emigravam.
As raparigas ajudavam na lavoura e na casa e, ainda antes de menstruarem, iam servir para uma família rica,
impulsionadas muitas vezes, como lembra Inês Brasão, pela “morte prematura do pai ou da mãe,
entrada na fase legalmente aceite para o início do trabalho (entre os dez e os 12 anos),
necessidade de libertar o número de filhos a cargo,
súbitos rompimentos familiares
e também o ‘engano'”
As criadas faziam de tudo: limpavam a casa, cozinhavam, tratavam dos mais velhos, cuidavam dos meninos.
Acordavam cedo e deitavam-se tarde, muitas vezes só a troco de comida e de um quarto escuro, apertado e recuado dentro da própria casa dos patrões ou numa dependência.
Viviam para servir, numa relação de domínio submissão que autorizava todo o tipo de abusos, até de cariz sexual, como a desvirginamento dos meninos.
Não sei se aconteceu com Rui Moreira, mas era comum.
Muitas engravidavam dos patrões.
Depois de consultar as estatísticas dispensadas por maternidades e hospitais, Inês Brasão descobriu que a categoria profissional das criadas ocupava o topo na prática da interrupção da gravidez”.
“Para as criadas de servir, que esperavam filhos gerados pelos próprios patrões, a decisão de nascimento significava uma situação de vergonha pública dificil de suportar ao longo da vida.
O filho seria considerado ilegítimo, filho de pai incógnito e provavelmente afastado da mãe.”
A sorte da “criadagem” dependia do grau de submissão que as próprias criadas estavam dispostas a suportar e da natureza mais ou menos dominadora e insensível dos patrões.
Havia de tudo.
Havia patrões decentes e patrões abusadores.
E havia criadas que entravam numa casa como quem entra num convento, para a vida toda, dispostas a suportar tudo,
e outras com sonhos mais amplos, criadas que ambicionavam um dia vestir os mesmos vestidos das patroas e usar as mesmas jóias.
O principezinho Rui Moreira é tão alto que não vê que não existe pequenez nas criadas que colocavam as jóias da patroa à sorrelfa, só para se verem ao espelho e imaginarem-se elas próprias patroas.
A pequenez estava nos patrões que sujeitavam as criadas a uma vida de servilismo, reclusão e humilhação,
paga com manifestações de caridade e de suposta irmandade expressa na frase habitual: “E como se fosse da família!”.
Estava também na pelintragem de muitos deles, falidos mas vivendo como se continuassem ricos,
sempre com a campainha por perto para chamar a criada,
e exímios em guardar uns croquetes no bolso quando em festas alheias.
Hoje sou Bismarck porque conheço bem essa “criadagem”.
Vou contar o que me aconteceu.
Ela, uma de dez irmãos, veio ainda criança de Francelos, uma aldeia dos altos de Alijó, para servir numa casa rica da vila.
Teve a sorte de encontrar uma família decente e honrada.
Ele, de Alijó, vivendo em frente, já era criado para as obras da mesma família, mas de um ramo que veio a ter como patrão um arquitecto local instalado no Porto.
Não sei se Rui Moreira ia gostar dele, também fazia menires usando linhas rectas.
O criado e a criada apaixonaram-se, casaram-se e tiveram sete filhos.
Três raparigas foram servir ainda crianças, só os três filhos mais novos puderam estudar.
E bastaram duas gerações para que vários netos da criada de servir, que não sabia ler nem escrever, e do criado de obras, que ainda conseguiu fazer a quarta classe, chegassem a médicos, engenheiros e outras funções socialmente reconhecidas.
Foi assim que eu, um dos sete irmãos desse casal, cheguei até esta página, que deveria ser preenchida com assuntos sobre vinhos.
Mas há muito vinho nesta crónica, embora não pareça.
Inúmeras criadas do Porto eram oriundas do Douro e não havia família rica da Foz ou das Antas que não tivesse uma quintinha na região duriense.
Na altura, o Douro era o fim do mundo e muitos patrões só lá iam em experiência antropológica, sobretudo na vindima,
para lançar um foguete e entregar os sapatos cheios de pó ao lenço dos trabalhadores
e ainda receber destes um ramo, como agradecimento pelo trabalho duro e mal remunerado.
Em troca, se o patrão não fosse muito sovina, podiam ter direito a uns doces e a uma gorjeta.
“Belos tempos!”, suspiram alguns.
Dentro de duas semanas, começa mais uma vindima no Douro.
Se Rui Moreira quiser matar saudades, ofereço-lhe casa e comida.
E ainda lhe pago a jorna, se vier mesmo com vontade de trabalhar.
Para brincar aos ricos, já basto eu.
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osvaldo cabral UM GOVERNO A PRECISAR DE FÉRIAS

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UM GOVERNO A PRECISAR DE FÉRIAS
Se há quem precise de férias neste Agosto quente, é o Governo de José Manuel Bolieiro.
O acumular de asneiras neste Verão é de tal ordem, que o melhor a fazer é irem de férias, arejar a cabeça e regressar com outra genica para o resto da legislatura.
Falta estratégia e articulação política na coligação, com o velho problema de inabilidade de comunicação a agravar a falta de bom senso em muitas decisões, e com secretários regionais em nítida baixa de forma.
Começou com aquela grosseria, escusada, das prioridades nas creches, depois passou para a péssima gestão na nomeação da administração da SATA, continuou com os estilhaços sobre a ampliação da pista do Pico, nas declarações precipitadas e impensadas de Berta Cabral, sem medir as consequências políticas, concluindo por estes dias com aquele disparate pegado do encerramento das lojas da SATA, agravando o erro com o desatino da RIAC.
Simplesmente surreal com tanto amadorismo.
Pior era impossível.
Como se não bastasse, no meio de toda esta trapalhada, o governo está a cativar pagamentos a diversas instituições, empresas, famílias, deixando toda a gente à beira de um ataque de nervos.
Já tínhamos visto este filme nos governos anteriores, mas este chegou ao poder jurando que ia fazer diferente, deixando tudo igual ou ainda pior.
Primeiro foi a desculpa da governação por duodécimos, depois a burocracia do Orçamento Regional, mas o documento já foi aprovado e publicado há mais de um mês, há pagamentos já decretados em Jornal Oficial, como é o caso do PROMEDIA, mas os dinheiros teimam em não chegar à conta das empresas, cada vez mais estranguladas com tal aperto.
A economia açoriana pode não definhar nos próximos tempos, mas de certeza que não alavanca com esta política restritiva, burocrática e toda errada de uma administração pública que se comporta como a maior caloteira da Região.
São os bombeiros a queixarem-se de que têm famílias para sustentar, são os enfermeiros a endurecer o discurso por incumprimento de dívidas ao sector, são as associações de pesca e empresas de construção civil ainda à espera dos apoios financeiros do tempo da Covid (pandemia), são as Pequenas e Médias Empresas a reclamar pagamentos em atraso com 12 meses, é a hotelaria e a restauração também à espera dos apoios relativos à manutenção de empregos e uma quantidade enorme de fornecedores a reclamar atrasos que já ultrapassam os 100 milhões de euros.
A cereja em cima do bolo é a auditoria do Tribunal de Contas ao HDES, revelada esta semana, onde se constata que este governo continua a subfinanciar o sistema de saúde, como os anteriores faziam, não havendo diferença nenhuma.
Como diz um empresário de construção civil picoense, que já foi autarca, “já não vale a pena queixarmo-nos aos líderes da coligação, vamos directamente ao Pacheco do Chega, que ele encarrega-se de martelar contra o governo”.
É nisto que está transformada a política açoriana, com um líder da oposição de fins de semana, e os partidos a disputarem um campeonato sobre quem faz mais requerimentos e comunicados que ninguém liga, todos sentadinhos à beira da praia, a fingir que trabalham. Uma lástima!
José Manuel Bolieiro e a sua equipa levam para férias uma lista interminável de trapalhadas.
Faz hoje 150 dias que este governo tomou posse e o melhor que faz, em vez de apagar as velas do bolo, é ir de férias e refrescar as ideias.
Mas antes de porem a toalha ao ombro, não se esqueçam de pagar o que devem…
Boas férias!
Editorial Diário dos Açores 04-08-2024
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URBANO NAS SETE CIDADES E RAUL BRANDÃO

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Excelente iniciativa da CMPDL nas Sete Cidades: exposição de fotografias e palestra de Urbano Bettencourt sobre as «notas e paisagens» de Raul Brandão ali mesmo. E o texto será em breve publicado num jornal. Parabéns a todos!
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a temperatura atingiu 29,5 ºC

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Entretanto pelas 16.00 a temperatura atingiu 29,5 ºC, novo máximo local, à sombra com a sensação térmica a 32 ºC…que nem a bruma das areias do Saara aliviam, dando um tom amarelado aos céus…quem diria? quando a média de anos transatos seria de 23 e o anterior recorde de 28 ºC em 2020. Remédios para pacientes crônicos são mantidos em posto sem ar-condicionado  no DF | Distrito Federal | G1