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Li há dias numa parede grafitada que viver é uma canseira, quem o disse e recriou para a posteridade deve ter tido uma vida desastradamente monótona e desinteressante.
A minha maior canseira foi chegar à 4ª idade com o cérebro de 25 anos e um corpo de 125.
Nem queiram saber o rol de maleitas que surgem, umas atrás das outras num corpo aparentemente saudável e não muito escalavrado pelos anos. É esta canseira que ora me aflige pela expectativa daquilo que de pior ainda está por chegar.
Sempre pedi à minha mulher que não me deixasse conhecer este estado civil de viuvez pois já pressentia as dores que traria.
É precisamente agora que pareço ter perdido toda e qualquer réstia de paciência, para ouvir as promessas ocas dos políticos balofos, que nunca fizeram nada na vida a não ser venderem promessas vazias. E de eleição em eleição reciclam-se e prometem o que já tinham prometido e que tanto eles como os eleitores se esqueceram.
E tudo aquilo que ainda não fizeram, em mandatos anteriores, será agora que vão fazer, até melhor do que seria de esperar dada a conjuntura, que, conjuntamente com a ingrata mãe natura, o clima, a economia, a guerra (qualquer uma, não importa), algumas potências estrangeiras, a globalização, o protecionismo ou outro qualquer asteroide impediram anteriormente que fosse realizado.
Entre outras notícias de somenos importância desfilam pelos entediantes ecrãs da nossa realidade destilando palavras inócuas que parecem encher o mundo de bolas de cristal coloridas plenas de futuros acontecimentos inconseguidos.
O tempo, esse mestre maior, acaba sempre por se ver livre dos seus seguidores e, mais cedo ou mais tarde, transita para outra dimensão onde deles jamais se ouvirá falar. Mas logo outros políticos de carreira surgirão para lhes tomar o lugar. Escrevo isto e lembro a história de Roma ao longo de séculos, e sorrio ao vê-la aqui reproduzida já no curto espaço da minha vida.
Está aí mais uma eleição à sua espera, e de nada servirá o seu voto exceto para justificar que a democracia ainda é o melhor sistema de todos, apesar das suas fragilidades, desigualdades, iniquidades e abusos e se estiver numa fase da vida que é uma canseira, como eu estou, sabe bem que a autocracia e a ditadura ainda o fariam bem mais infeliz.
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Dia 26 de janeiro passou um ano de imensa saudade pela partida da minha mulher, professora, pedagoga, autora e vice-presidente dos nossos Colóquios da Lusofonia.
No seu espólio guardado ciosamente sem intervenção de olhares estranhos por décadas, encontramos manuscritos vários que enviamos à amiga e escritora Anabela Brito de Freitas (ex-Mimoso) para melhor indagar sobre o seu conteúdo.
Dentre as inúmeras surpresas estava uma novela completa datada de 1976 quando a Helena tinha 21 anos incompletos e é dessa obra que aqui damos conta (celebrando um ano de dolorosa ausência) nas palavras da sua descobridora Anabela Freitas:
Helena Chrystello, O Silêncio da Paixão 
É difícil fazer a apresentação de uma obra como O Silêncio da Paixão. Desde logo pelo meu envolvimento no texto, envolvimento que durou meses. Mas seria sempre uma tarefa hercúlea, sobretudo, porque esta novela abre as portas a muitas leituras possíveis, porque é densa, porque nos envolve e depois nos arrasta com ela. Daria um outro livro falar na riqueza dos recursos a que a autora lança mão para nos seduzir com eles.
A única tarefa fácil é a de dizer-vos do que fala o texto. A autora fez isso por nós e incluiu o resumo que o encabeça e que deve ter funcionado como um guia para a sua escrita.
Clara Viel, a artista que cantou através do mundo inteiro. Aí está ela, na flor da vida, isolada em Joinville, no Cotentin. As dunas, o mar cinzento e a solidão. Ninguém sabe por que é que ela renunciou repetidamente à sua carreira, abandonou a música, os teatros, fugindo cada vez para mais longe.
Estranha, silenciosa. Como única testemunha daquilo que ela parece procurar obstinadamente, um jovem. Para únicas imagens – apenas rochedos, água e céu – estes clarões dilacerantes das recordações. Berlim, o encontro com um pintor, Eric, o amor que irradia a memória. Como única ligação ao mundo exterior estas cartas chegadas de Praga onde alguém a ama ainda.
Na lembrança tenaz, existe uma rotura. Fenda também na sua arte. Uma cena que Clara Viel não consegue reconstituir. Logo que ela se elevar para lá da doença, da alucinação, descobrirá talvez a verdade, saberá por que é que a morte a atrai tão fortemente.
O destino permite-lhe ainda tornar a ver Eric; por fim a cena torna-se clara. O mar, a morte confundem-se.
A narração é levada num ritmo onde o desejo da nostalgia e a nostalgia do desejo se alternam como a maré que cobre e descobre esta sombra – enigmático amor.
«que cobre e descobre» – é exatamente este movimento de vaivém, repetitivo, que, ao longo de toda a novela envolve o leitor, como se ele rolasse nesse cenário de areia e mar. O uso predominante do presente do indicativo e as referências constantes à paisagem marinha e às suas constantes mutações, contribuem para essa sensação de identificação com a protagonista. O leitor sente, por empatia, o sufoco e, logo, o estado de saúde física e mental e toda a dimensão do sofrimento da protagonista. Por outro lado, os momentos de analepse na narrativa, a convocação do passado de Clara, muito embora frequentes, são breves e entrecortados, porque sempre O mar volta depressa, anelante. Esta omnipresença do mar torna-se obsessiva e oprimente. Porque esse mar tudo envolve, até mesmo o local que deveria ser o seu refúgio, a casa, pois ele espreita, impõe-se: Por entre todas as janelas.
A autora não perde a oportunidade de realçar a importância que o mar tem. Seria incontornável, impossível, não falar do mar. Por isso, fá-lo também graficamente. Assim, a espaços, isola o sintagma “o mar” numa linha apenas, ora a meio da linha, ora no início do parágrafo.
Na verdade, todos estes estratagemas preparam-nos para o fim anunciado: a morte no seio do mar.
A própria protagonista é retratada nesse vaivém, como se flutuasse sobre as ondas, balançando entre o amor de dois homens – Gilles e Jiri – porém, sem que ela ceda, presa, constante na sua paixão por Eric, o fiel da balança.
O mar domina todo o espaço cénico, pelo menos o da realidade. Só o das memórias é que nem sempre o inclui, pois esse é o tempo em que Clara ainda cantava, ainda se sentia presa à vida.
E falar de mar é também falar do tempo, das fortes chuvadas, do frio, das nuvens, não ao estilo de um quadro impressionista, cheio de luz, em pinceladas rápidas, mas sim de um quadro romântico, carregado, dramático. O tempo atmosférico, sufocante e de mau agouro, também participa desse ritmo binário e também ele serve de adjuvante ao desfecho da ação:
A tempestade rebenta depressa com a queda de granizo. Depois o silêncio. Novamente o granizo.
O cenário é demasiado grandioso, dominador:
Os cabelos, o rosto ensopados, Clara olha e pensa na sua morte, talvez porque desejasse estar ao nível daquilo que via.
É esse mar que preenche todas as horas de Clara. É dele que agora ela se alimenta. Todos os seus sentidos são bombardeados pela presença dele: a visão, o olfato, o tato, o paladar e também a audição. Pois embora a música seja uma referência constante, desde logo porque Clara era cantora lírica, essa mesma música que preencheu a sua vida, acabou por ser abandonada e substituída pelo mar, como confessa a uma amiga que lhe pergunta se ela era feliz:
-… feliz? A minha família gostava de mim. Tinha o mar em Joinville, os meus amigos, o piano…
– A música? E agora?
– O mar.
Mas, obviamente que a música, muito embora já não faça parte da vida atual de Clara, por vontade própria, porque abandonou a carreira, está presente ao longo de toda a novela. Durante a leitura nunca perdemos de vista o facto de a protagonista ser cantora lírica. Falar da música torna-se óbvio e contribui para a criação de um ambiente onírico muito sugestivo. A sua presença é poderosíssima no texto. A música funciona ainda como a banda sonora da narrativa, o pano de fundo que nos prepara para a tragédia que se avizinha. É o leitmotiv de toda a ação. É também ela que desperta as memórias, que liga a protagonista ao seu passado, que nos dá conta do seu estado de ânimo no presente.
Por isso, ela é devidamente escolhida. Nunca é uma referência inocente, porque vai sempre repercutir-se nos movimentos, nos sentimentos, nas memórias das personagens. Não são já as lider ou as árias na voz de Clara quando ainda cantava nos palcos de toda a Europa, é a música gravada que dá voz à memória. Podemos perceber como essas escolhas implicaram, por parte da autora, um conhecimento aprofundado da música, pelo menos uma busca muito seletiva de trechos musicais, adaptados a cada circunstância. Assim,
A escolha de O Castelo de Barba Azul de Béla Bartók (Não conheço nada mais triste., afiança Gilles) pode ser entendida como uma alusão à inconstância amorosa de Eric e ao sofrimento que este causou nas mulheres rejeitadas;
Já o Erwartung de Arnold Schönberg, o drama da mulher que encontra o seu amado morto, que o acusa de ser infiel, mas que desespera porque não sabe como viver sem ele, é convocado insistentemente ao longo do texto, porque tem paralelismo com a vida da protagonista, sem bem que a morte de Eric não seja real, seja apenas a ausência dele;
O melodrama Pierrot lunaire (também de Schönberg) é recorrente, incluindo-se mesmo citações das líricas: (Am Hals ein Zöpfchen/ Wollüstig wird sie que significa: «Ela está voluptuosa com essa trança ao redor do pescoço» ou Den Wein, den man mit Augen trinkt significando «O vinho que se bebe com os olhos» ). A violência verbal, a controvérsia causada por esta peça abre-nos a porta para a luta interna das personagens. Há também um excerto de uma pauta de Il lamento de Ariana de Monteverdi, que será o seu adeus a Jiri.
Podemos acrescentar referências às Altenberg lieder de Berg, que deixam a protagonista desesperada, ou às pungentes lieder de Shumann. Ou às de Webern. Não faltam As Bodas de Fígaro que, quando ouvidas transportam a protagonista para o encontro com Jiri em Praga.
Curiosamente, a tragédia de Pelléas and Mélisande de Claude Debussy torna-se parte da ação, confunde-se com ela, é mais como se fosse tomada por um acontecimento real, paradigmático:
Ela fecha os olhos, deixa as mãos ao abandono. Sim, é tudo por causa de uma mentira, dessa necessidade de saber, enfim, – uma última vez – essa necessidade violenta e mórbida.
Da mesma maneira que Golaud atormentando Mélissande: “A verdade, preciso de saber a verdade!”.
Não admira a sua referência, pois, esta é também a ópera que liga Clara a Eric. Quase como uma premonição, este tinha pintado alguns quadros inspirado nela.
A música, sempre a música, ligando impressões, memórias: A música que chama em seu socorro transporta-a a Berlim, há doze anos.
Berlim em plena Guerra Fria, numa atmosfera política ambivalente, nesse limbo entre o Leste e o Ocidente. É neste espaço centro-europeu da Guerra Fria que as personagens do passado de Clara se movem.
Um dia, Clara caminhou até ao Muro. Homens, mulheres vestidos de cinzento, de verde sombrio, esperavam e não se sabia se eles ficavam lá, com todas as esperanças de ver chegar algum parente, amigo, filho, se pensavam penetrar nas ruas interditas ou se não chegavam a acreditar no Muro. Os projetores das sentinelas, à noite, revisitavam as fachadas estreitas, os palácios abandonados.
O ambiente soturno, a opressão política contribuem também para adensar a intriga. Mas mais explícito ainda talvez sejam os sonhos premonitórios:
Houve durante a sua vida [de Clara] três sonhos premonitórios: a morte da mãe, o suicídio de Alain e um terceiro: a sua doença.
A sua paixão é então vista como uma doença, que lhe será fatal e que é anunciada inconscientemente, ou talvez não, por Eric.
«Quando nos amarmos demais, meu amor, matar-nos-emos juntos.». Eric falava, como se bebe, com embriaguez, sem pressentir o que poderia acontecer a Clara.
Esta quase sentença, ou promessa? será mais tarde reiterada por Clara:
– Se nós amamos demais, meu amor, matamo-nos juntos.
Mas Eric não estará com ela nesse momento. O amor dele tinha findado. Por isso, ela morre sozinha. A paixão de Clara e a traição de Eric tinham-na dominado totalmente.
Não tenho ilusões de que o que disse sobre esta obra estará sempre muito aquém do muito que se poderá ainda continuar a dizer. Por isso, o melhor tributo que se lhe poderá prestar será lê-la e saborear.
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Financiamento da Universidade dos Açores
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Brasileiro com o maior nome do país enfrenta desafios diários em documentos e sistemas oficiais, usando apelido para facilitar a rotina
Source: Qual o maior nome registrado em cartórios do Brasil?
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Após o último concurso que ficou deserto,
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Despacho da Agência para a Integração Migrações e Asilo notifica 72 imigrantes para abandonarem território nacional e expõe dados pessoais de todos, incluindo moradas. Advogada destaca violação da proteção de dados e diz que um dos seus clientes até já obteve a nacionalidade portuguesa.
Source: AIMA manda português abandonar território nacional – Portugal – SÁBADO
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710 nao quero saber o teu nome 2019
724. Para uma biblioteca universal da felicidade 2021
736, não à guerra na ucrânia, 2023
742 nii dores 2024
738 imarcescível 2025
ler aqui todos
maria nobody
de todos ninguém
de alguém
de um só
maria nobody
com body de jovem
maria só minha
assim te sonho
assim te habito
maria nobody
de todos ninguém
maria nobody
mãe
amante
mulher
minha maria
maria nobody
de todos ninguém
nem sabes a riqueza
que a gente tem
maria nobody
de todos ninguém
maria só minha
dos filhos também
maria nobody
mais ninguém tem.
In poesia chiado entre o sono e o sonho 2015 vol 6
não quero saber o teu nome
nem a tua idade
nem o teu bairro
nem o teu emprego
não quero saber a tua riqueza
nem o teu carro
nem as tuas férias
nem a tua família
quero saber como tratas as estrelas
e os animais
quero saber onde nasce teu sorriso
e as tuas lágrimas
quero saber como tratas as nuvens
a bruma e o sol-pôr
quero saber como sonhas
onde moram teus devaneios
e se neles há lugar para os meus
Quando deixarem morrer os teus pais
num lar sem água
Deixa lá é por um bem maior
Quando recusarem levar
os teus pais ao hospital
deixa lá é por um bem maior
quando recusarem tratar os teus pais
porque os remédios são caros
deixa lá é por um bem maior
quando derem aos teus pais
morfina que inibe respirar
em vez de entubarem num ventilador
deixa lá é por um bem maior
quando em nome de um vírus
te tirarem toda a liberdade
deixa lá é por um bem maior
quando em nome da saúde
te controlarem o smartphone
deixa lá é por um bem maior
quando em nome de um bem maior
te levarem ao matadouro
deixa lá é por um bem maior
in poesia chiado entre o sono e o sonho 2020 vol. xii
se poeta sou
sei a quem o devo
ao povo a quem dou
os versos que escrevo
(lembrando poema de fernando manuel bernardo
cantado por manuel freire)
se poeta sou
sei a quem o devo
a meu pai
que me ensinou
a gostar de poesia
dos clássicos aos neorrealistas
da antologia da novíssima poesia
da maria alberta meneres e m. de melo e castro
à matura idade de mourão-ferreira
quando só me apaixonava
por quem gostava de poesia
e sabia sonhar nas marés
de paul eluard à autobiografia de maiakowki
dos 40 anos de servidão de jorge de sena
aos operários em construção de vinicius de moraes
fiz minhas as lutas dos trabalhadores
espoliados escravos da ditadura
e dos infantes que se opunham à guerra
organizei concertos de música proibida
marchei à frente dos cavalos da gnr
dos poemas escolhidos de jorge luís borges
e entre duas memórias de carlos de oliveira
lavrei meu canto e lavei a minha alma
mas quem me ensinou
foram os livros que levei
para timor, macau e austrália
zeca afonso no livro proibido
os cantares do single de 1964
que ouvi ao vivo no tup no porto
aprendi lawrence ferlinghetti
em como eu costumava dizer
revoltei-me e tornei-me animal político
no uivo de allen ginsberg
com todos subi às montanhas de bobonaro
e boiei na areia branca de díli
a vocação animal de herberto helder
levou-me a imaginar sereias em Bali
cabaias e ousados cheong sam
de ninfas orientais nos casinos de macau
os olhos de silêncio de ramos rosa
fizeram-me sofrer amores incompreendidos
a invenção do amor de daniel filipe
ou a sua pátria lugar de exílio
fizeram da minha poesia uma arma
a antologia breve de neruda
e a crítica doméstica dos paralelepípedos
ou a noção de poema de nuno júdice
e o canto e as armas de manuel alegre
foram livros de cabeceira
até à idade do meio
depois na idade matura descobri
as maravilhas atlantes
no fogo oculto de vasco pereira da costa
dancei o tango nos mares do sul
do eduardo bettencourt pinto
e mergulhei nos poemas vadios
de álamo oliveira
e nos lugares, sombras e afetos
do urbano bettencourt
sem sair dos silos do silêncio
de Eduíno de jesus
e tantos outros autores
que aprendi a decifrar
neles me perdi e encontrei
com eles serei amortalhado
para que ao morrer se evole de mim
o cheiro diáfano das palavras dos mestres
e o mundo seja mais respirável
e mais justo nas palavras dos poetas
porque eu sei
se poeta sou
a eles o devo
in poesia chiado entre o sono e o sonho 2021 volume xiii
Frase de um poema de Lâmia Brito, incluído no livro “Todas as funções de uma cicatriz, doburro, 2017)
meu amor desculpa o atraso
fiquei preso num poema
que nunca cheguei a escrever
que nunca cheguei a declamar
que nunca cheguei a dedicar
e queria tanto ter chegado a horas
queria tanto ter escrito
queria tanto declamar
meu amor desculpa o atraso
fiquei preso num poema
com as palavras que nunca te disse
com os sentimentos que nunca te expressei
como se o amanhã existisse
queria tanto ter dito
queria tanto expressar o amor
como se o amanhã fosse hoje
meu amor desculpa o atraso
fiquei preso num poema
e só tu me podes libertar
in poesia chiado entre o sono e o sonho 2022 volume xiv
já não ouço os tambores de guerra
silenciaram as sirenes aéreas
os alarmes calaram-se
as bombas não caem
os soldados não disparam
o choro das crianças ficou suspenso
os mortos não estrebucham
os feridos não gemem
nesta guerra não há bons nem maus
nem o czar nem os falcões eua
neste mar de gente
morta e inocente
feneceu a humanidade.
já não quero salvar o mundo
nem salvar o planeta
nem salvar-me a mim
não quero salvar nada
não quero guerra nem paz
nem capitalismo nem comunismo
nem nenhum outro ismo
nem quero acabar com a fome
ou a sede ou a pobreza
quero voltar à pureza original
da infância e da ingenuidade
em vez de estar aqui velho
à espera que nos matem a todos.
In poesia chiado entre o sono e o sonho 2023 volume xv
o pior de tudo são os silêncios sem fim
entrecortados pelo toque dos sinos,
o pior de tudo é não ouvir a tua voz
ao telefone com colegas e amigas
ou a ralhar com as cadelas ou comigo
o pior de tudo é ninguém bater, o telefone não tocar
e os silêncios dantescos como as sombras
como os murmúrios que ainda ouço, das tuas dores
o pior de tudo é a irreversibilidade
as fotos que passam não voltam
29 anos de memórias, partilhas, cumplicidades,
e a certeza inabalável de que nada nos separaria
e nada nos separará, ou afastará
nem a morte traiçoeira que chegou sem ser convidada
o pior de tudo são os silêncios sem fim
entrecortados pelo toque dos sinos,
o pior de tudo é não ter quem leia os meus escritos
não os corriges nem criticas
o amanhã não vai mudar nada
e a solidão será companheira indesejada e fria
havia tantos planos e projetos
a tua vontade inabalável para os concluir
mesmo quando já te faltavam as forças
o pior de tudo são os silêncios sem fim
entrecortados pelo toque dos sinos,
como os murmúrios que ainda ouço, com as dores
e as fotos que passam na moldura não voltam mais
nem as poderemos recriar ou reviver
e onde quer que vá estive lá contigo
o pior de tudo são os silêncios sem fim
esta irreversibilidade inaceitada
chorar a saudade do teu riso alegre
ansiar o teu sorriso cúmplice
nestes dias chorosos e tristes
solitários, vazios, silenciosos
o pior de tudo são os silêncios sem fim
esta imensa dor nunca vai passar
a angústia e solidão não vai mudar
preciso tanto de ti ao meu lado
para me ajudares com esta dor
não quero viver sem ti
não posso crer que não vais voltar
o pior de tudo são os silêncios sem fim
e ninguém sente o que estou a passar
só tu entendes esta dor
só tu podes secar estas lágrimas
só tu podes dar-me razão para viver
e eu nunca saberei viver sem ti
in poesia chiado entre o sono e o sonho 2024 volume xvi
(ouçam a leitura sublime deste poema pelo Diogo Ourique)
https://youtu.be/I6DggTPZPQQ?list=PLwjUyRyOUwOKRIA8XUWpVdMb8qRyjwlPB
imarcescível quis ser
escrevi livros, plantei árvores e tive filhos
lavrei no granito natal
os meus petróglifos de nazca
em timor dissipei-me na areia branca
em bali fui hippie em kuta beach
em macau fiz tai chi no lou lim iok
na austrália nadei em rottnest island
em bragança renasci transmontano
e no basalto açoriano gravei
imperecíveis poemas
este o improvável epitáfio
in poesia chiado entre o sono e o sonho 2025 volume xvii
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The World Health Organisation claims their roll-out prevented 14.4 million deaths worldwide in their first year, with some estimates closer to 20 million.
Source: Scientists admit the Covid vaccines aren’t as effective as claimed
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DÍLI, 18 de setembro de 2025 (TATOLI) – O património audiovisual de Timor-Leste, que reúne registos históricos e identitários do país, enfrenta sérios riscos de deterioração devido à falta de recursos financeiros, equipamentos modernos e técnicos especializados. O alerta foi feito durante o seminário nacional Salvaguarda do Património Audiovisual com Tecnologia Moderna, organizado pelo Centro […]
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Alerta dirigido ao Governo pela Câmara do Comércio de Ponta Delgada
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Setembro é o mês da prevenção do suicídio.