diagnósticos errados, o uso excessivo de medicamentos

Views: 1

Concordo em absoluto.
“O psicólogo Guido Palomba oferece uma reflexão contundente sobre os diagnósticos apressados e a banalização de doenças como burnout, TDAH e depressão. Com uma crítica à psiquiatria ocidental e ao uso excessivo de medicamentos, Palomba alerta para a falta de um olhar mais humano nos tratamentos e destaca o impacto das redes sociais e da digitalização na saúde emocional. Em sua visão, a verdadeira solução não está no consumo desenfreado de remédios, mas na retomada das interações genuínas e no fortalecimento do apoio emocional nas relações humanas.
Confira abaixo a transcrição adaptada da fala de Guido Palomba no programa Pânico.
Hoje podemos falar sobre qualquer assunto, inclusive saúde mental. Dizem que o brasileiro é o povo mais ansioso do mundo. Isso é verdade? Não, não é. É um diagnóstico mal feito. O brasileiro até é bem tranquilo, o problema está nos diagnósticos errados. Isso acontece, não só na psiquiatria brasileira, mas na psiquiatria ocidental. Por exemplo, hoje, se você briga com a namorada, se está sem dinheiro para pagar as contas, ou até se perdeu o cachorro e está triste, é fácil que você receba um diagnóstico de bipolaridade ou depressão. Mas será que é isso mesmo? Não. Isso não existe.
Romantizar essas condições também não ajuda. Vamos falar sobre o caso do burnout. Quando começou a se falar sobre burnout, era algo relacionado a viciados em drogas nos Estados Unidos, era uma gíria. Hoje transformaram isso em um diagnóstico. O protocolo do burnout é simples: você responde um conjunto de perguntas, soma os pontos, e dependendo do resultado, você é diagnosticado com burnout. Mas se qualquer um de nós aqui fizer esse protocolo, todos vamos ter algum grau de burnout, seja leve, moderado ou grave. Então, o que é isso? O que realmente é o burnout? O que existe, de fato, é a estafa, uma condição bem descrita desde 1777, mas não precisávamos dessa nova “inovação”.
O grande problema está na banalização dos diagnósticos. Todos esses termos, como TDAH, autismo, e até o burnout, estão sendo usados de maneira superficial. Agora, as pessoas têm autismo e se sentem orgulhosas, mas será que o diagnóstico está correto? O que estamos vendo é uma banalização desses diagnósticos. Claro, as doenças reais existem, como a depressão, mas o diagnóstico precisa ser mais preciso. Infelizmente, muitas vezes, as pessoas recebem diagnósticos errados, seja por médicos mal preparados ou pelo excesso de protocolos.
E, como paciente, você não sabe distinguir um bom médico. O diploma não garante que ele seja competente em diagnóstico. O erro médico acontece, mas é um erro de prática, não uma falha do paciente. O paciente precisa confiar no médico, mas como fazer isso sem saber se está realmente sendo atendido por um bom profissional? Esse é um grande dilema.
Além disso, estamos vendo pessoas tomando antidepressivos e ansiolíticos desnecessariamente. Muitos são diagnosticados sem uma avaliação adequada, como crianças sendo medicadas com Ritalina por simplesmente não se adaptarem ao sistema educacional. Esse diagnóstico superficial está prejudicando muitos.
A nova geração de estudantes está mais atenta a isso. Eles estão vendo que o uso excessivo de medicamentos e diagnósticos apressados não é a solução. Muitos psiquiatras hoje em dia estão tão focados em protocolos que deixam de ser terapeutas de verdade. Eles não olham para o paciente, não dialogam. Só seguem um script, o que é extremamente prejudicial.
O número de suicídios entre jovens aumentou, e isso é alarmante. Mas o problema não é que os jovens querem se matar. O que eles não suportam são as situações que enfrentam: bullying, brigas, a pressão de estar sempre perfeito. Eles querem escapar da dor daquela situação, mas não sabem como. O suicídio não é uma busca pela morte, mas uma tentativa de escapar do sofrimento. O que os jovens precisam é de alguém que os ouça e que os ajude a enxergar outras alternativas, a lidar com suas dificuldades. Não é necessário um remédio, mas sim apoio emocional.
E aqui entra a questão das redes sociais e da digitalização. A constante comparação nas redes sociais, a pressão para estar sempre bem e fazer mais, afeta muito a saúde mental. As pessoas estão constantemente se comparando com os outros, o que aumenta a autocrítica. Isso é ainda mais intenso nas novas gerações, que vivem o tempo todo nesse ambiente digital.
Como sair disso? Eu acho que devemos voltar a viver de forma mais natural, mais simples. O problema não está na falta de remédios, mas na falta de apoio humano. Não podemos viver isolados, não podemos nos perder nas telas e na busca por validação online. O ser humano precisa de conexões reais, de interação, de apoio. O uso excessivo de redes sociais, a comparação constante e a pressão para alcançar um padrão irreal são prejudiciais. Precisamos redescobrir a importância das interações humanas genuínas e do autoconhecimento.
Agora, quanto à inteligência artificial, ela é uma excelente ferramenta, mas ela não tem a inteligência abstrata que o ser humano possui. A inteligência artificial é útil para algumas áreas, como a radiologia, mas para áreas como psiquiatria, onde o ser humano precisa entender o contexto emocional e psicológico, ela é limitada. Não é “inteligência” no sentido real, é apenas uma ferramenta que trabalha com algoritmos baseados no que já existe.
Então, em resumo, os diagnósticos errados, o uso excessivo de medicamentos e a falta de apoio emocional verdadeiro são grandes problemas na saúde mental. A solução não está em mais medicamentos, mas em uma abordagem mais humana, mais atenta ao ser humano como um todo. Precisamos de médicos e profissionais que realmente escutem, que realmente se importem. E as novas gerações estão mais conscientes disso, e talvez seja isso que nos dará a chance de fazer as mudanças necessárias.”
Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho da participação de Guido Palomba no programa Pânico.

(eleições à vista) viver é uma canseira

Views: 3

viver é uma canseira abr 2025

 

Li há dias numa parede grafitada que viver é uma canseira, quem o disse e recriou para a posteridade deve ter tido uma vida desastradamente monótona e desinteressante.

A minha maior canseira foi chegar à 4ª idade com o cérebro de 25 anos e um corpo de 125.

Nem queiram saber o rol de maleitas que surgem, umas atrás das outras num corpo aparentemente saudável e não muito escalavrado pelos anos. É esta canseira que ora me aflige pela expectativa daquilo que de pior ainda está por chegar.

Sempre pedi à minha mulher que não me deixasse conhecer este estado civil de viuvez pois já pressentia as dores que traria.

É precisamente agora que pareço ter perdido toda e qualquer réstia de paciência, para ouvir as promessas ocas dos políticos balofos, que nunca fizeram nada na vida a não ser venderem promessas vazias. E de eleição em eleição reciclam-se e prometem o que já tinham prometido e que tanto eles como os eleitores se esqueceram.

E tudo aquilo que ainda não fizeram, em mandatos anteriores, será agora que vão fazer, até melhor do que seria de esperar dada a conjuntura, que, conjuntamente com a ingrata mãe natura, o clima, a economia, a guerra (qualquer uma, não importa), algumas potências estrangeiras, a globalização, o protecionismo ou outro qualquer asteroide impediram anteriormente que fosse realizado.

Entre outras notícias de somenos importância desfilam pelos entediantes ecrãs da nossa realidade destilando palavras inócuas que parecem encher o mundo de bolas de cristal coloridas plenas de futuros acontecimentos inconseguidos.

O tempo, esse mestre maior, acaba sempre por se ver livre dos seus seguidores e, mais cedo ou mais tarde, transita para outra dimensão onde deles jamais se ouvirá falar. Mas logo outros políticos de carreira surgirão para lhes tomar o lugar. Escrevo isto e lembro a história de Roma ao longo de séculos, e sorrio ao vê-la aqui reproduzida já no curto espaço da minha vida.

Está aí mais uma eleição à sua espera, e de nada servirá o seu voto exceto para justificar que a democracia ainda é o melhor sistema de todos, apesar das suas fragilidades, desigualdades, iniquidades e abusos e se estiver numa fase da vida que é uma canseira, como eu estou, sabe bem que a autocracia e a ditadura ainda o fariam bem mais infeliz.

A NOVELA INÉDITA DE HELENA CHRYSTELLO

Views: 3

A NOVELA INÉDITA DE HELENA CHRYSTELLO 25.1.2025

 

Dia 26 de janeiro passou um ano de imensa saudade pela partida da minha mulher, professora, pedagoga, autora e vice-presidente dos nossos Colóquios da Lusofonia.

No seu espólio guardado ciosamente sem intervenção de olhares estranhos por décadas, encontramos manuscritos vários que enviamos à amiga e escritora Anabela Brito de Freitas (ex-Mimoso) para melhor indagar sobre o seu conteúdo.

Dentre as inúmeras surpresas estava uma novela completa datada de 1976 quando a Helena tinha 21 anos incompletos e é dessa obra que aqui damos conta (celebrando um ano de dolorosa ausência) nas palavras da sua descobridora Anabela Freitas:

Helena Chrystello, O Silêncio da Paixão

 

É difícil fazer a apresentação de uma obra como O Silêncio da Paixão. Desde logo pelo meu envolvimento no texto, envolvimento que durou meses. Mas seria sempre uma tarefa hercúlea, sobretudo, porque esta novela abre as portas a muitas leituras possíveis, porque é densa, porque nos envolve e depois nos arrasta com ela. Daria um outro livro falar na riqueza dos recursos a que a autora lança mão para nos seduzir com eles.

A única tarefa fácil é a de dizer-vos do que fala o texto. A autora fez isso por nós e incluiu o resumo que o encabeça e que deve ter funcionado como um guia para a sua escrita.

Clara Viel, a artista que cantou através do mundo inteiro. Aí está ela, na flor da vida, isolada em Joinville, no Cotentin. As dunas, o mar cinzento e a solidão. Ninguém sabe por que é que ela renunciou repetidamente à sua carreira, abandonou a música, os teatros, fugindo cada vez para mais longe.

Estranha, silenciosa. Como única testemunha daquilo que ela parece procurar obstinadamente, um jovem. Para únicas imagens – apenas rochedos, água e céu – estes clarões dilacerantes das recordações. Berlim, o encontro com um pintor, Eric, o amor que irradia a memória. Como única ligação ao mundo exterior estas cartas chegadas de Praga onde alguém a ama ainda.

Na lembrança tenaz, existe uma rotura. Fenda também na sua arte. Uma cena que Clara Viel não consegue reconstituir. Logo que ela se elevar para lá da doença, da alucinação, descobrirá talvez a verdade, saberá por que é que a morte a atrai tão fortemente.

O destino permite-lhe ainda tornar a ver Eric; por fim a cena torna-se clara. O mar, a morte confundem-se.

A narração é levada num ritmo onde o desejo da nostalgia e a nostalgia do desejo se alternam como a maré que cobre e descobre esta sombra – enigmático amor.

«que cobre e descobre» – é exatamente este movimento de vaivém, repetitivo, que, ao longo de toda a novela envolve o leitor, como se ele rolasse nesse cenário de areia e mar. O uso predominante do presente do indicativo e as referências constantes à paisagem marinha e às suas constantes mutações, contribuem para essa sensação de identificação com a protagonista. O leitor sente, por empatia, o sufoco e, logo, o estado de saúde física e mental e toda a dimensão do sofrimento da protagonista. Por outro lado, os momentos de analepse na narrativa, a convocação do passado de Clara, muito embora frequentes, são breves e entrecortados, porque sempre O mar volta depressa, anelante. Esta omnipresença do mar torna-se obsessiva e oprimente. Porque esse mar tudo envolve, até mesmo o local que deveria ser o seu refúgio, a casa, pois ele espreita, impõe-se: Por entre todas as janelas.

A autora não perde a oportunidade de realçar a importância que o mar tem. Seria incontornável, impossível, não falar do mar. Por isso, fá-lo também graficamente. Assim, a espaços, isola o sintagma “o mar” numa linha apenas, ora a meio da linha, ora no início do parágrafo.

Na verdade, todos estes estratagemas preparam-nos para o fim anunciado: a morte no seio do mar.

A própria protagonista é retratada nesse vaivém, como se flutuasse sobre as ondas, balançando entre o amor de dois homens – Gilles e Jiri – porém, sem que ela ceda, presa, constante na sua paixão por Eric, o fiel da balança.

O mar domina todo o espaço cénico, pelo menos o da realidade. Só o das memórias é que nem sempre o inclui, pois esse é o tempo em que Clara ainda cantava, ainda se sentia presa à vida.

E falar de mar é também falar do tempo, das fortes chuvadas, do frio, das nuvens, não ao estilo de um quadro impressionista, cheio de luz, em pinceladas rápidas, mas sim de um quadro romântico, carregado, dramático. O tempo atmosférico, sufocante e de mau agouro, também participa desse ritmo binário e também ele serve de adjuvante ao desfecho da ação:

A tempestade rebenta depressa com a queda de granizo. Depois o silêncio. Novamente o granizo.

O cenário é demasiado grandioso, dominador:

Os cabelos, o rosto ensopados, Clara olha e pensa na sua morte, talvez porque desejasse estar ao nível daquilo que via.

É esse mar que preenche todas as horas de Clara. É dele que agora ela se alimenta. Todos os seus sentidos são bombardeados pela presença dele: a visão, o olfato, o tato, o paladar e também a audição. Pois embora a música seja uma referência constante, desde logo porque Clara era cantora lírica, essa mesma música que preencheu a sua vida, acabou por ser abandonada e substituída pelo mar, como confessa a uma amiga que lhe pergunta se ela era feliz:

-… feliz? A minha família gostava de mim. Tinha o mar em Joinville, os meus amigos, o piano…

– A música? E agora?

– O mar.

Mas, obviamente que a música, muito embora já não faça parte da vida atual de Clara, por vontade própria, porque abandonou a carreira, está presente ao longo de toda a novela. Durante a leitura nunca perdemos de vista o facto de a protagonista ser cantora lírica. Falar da música torna-se óbvio e contribui para a criação de um ambiente onírico muito sugestivo. A sua presença é poderosíssima no texto. A música funciona ainda como a banda sonora da narrativa, o pano de fundo que nos prepara para a tragédia que se avizinha. É o leitmotiv de toda a ação. É também ela que desperta as memórias, que liga a protagonista ao seu passado, que nos dá conta do seu estado de ânimo no presente.

Por isso, ela é devidamente escolhida. Nunca é uma referência inocente, porque vai sempre repercutir-se nos movimentos, nos sentimentos, nas memórias das personagens. Não são já as lider ou as árias na voz de Clara quando ainda cantava nos palcos de toda a Europa, é a música gravada que dá voz à memória. Podemos perceber como essas escolhas implicaram, por parte da autora, um conhecimento aprofundado da música, pelo menos uma busca muito seletiva de trechos musicais, adaptados a cada circunstância. Assim,

A escolha de O Castelo de Barba Azul de Béla Bartók (Não conheço nada mais triste., afiança Gilles) pode ser entendida como uma alusão à inconstância amorosa de Eric e ao sofrimento que este causou nas mulheres rejeitadas;

Já o Erwartung de Arnold Schönberg, o drama da mulher que encontra o seu amado morto, que o acusa de ser infiel, mas que desespera porque não sabe como viver sem ele, é convocado insistentemente ao longo do texto, porque tem paralelismo com a vida da protagonista, sem bem que a morte de Eric não seja real, seja apenas a ausência dele;

O melodrama Pierrot lunaire (também de Schönberg) é recorrente, incluindo-se mesmo citações das líricas: (Am Hals ein Zöpfchen/ Wollüstig wird sie que significa: «Ela está voluptuosa com essa trança ao redor do pescoço» ou Den Wein, den man mit Augen trinkt significando «O vinho que se bebe com os olhos» ). A violência verbal, a controvérsia causada por esta peça abre-nos a porta para a luta interna das personagens. Há também um excerto de uma pauta de Il lamento de Ariana de Monteverdi, que será o seu adeus a Jiri.

Podemos acrescentar referências às Altenberg lieder de Berg, que deixam a protagonista desesperada, ou às pungentes lieder de Shumann. Ou às de Webern. Não faltam As Bodas de Fígaro que, quando ouvidas transportam a protagonista para o encontro com Jiri em Praga.

Curiosamente, a tragédia de Pelléas and Mélisande de Claude Debussy torna-se parte da ação, confunde-se com ela, é mais como se fosse tomada por um acontecimento real, paradigmático:

Ela fecha os olhos, deixa as mãos ao abandono. Sim, é tudo por causa de uma mentira, dessa necessidade de saber, enfim, – uma última vez – essa necessidade violenta e mórbida.

Da mesma maneira que Golaud atormentando Mélissande: “A verdade, preciso de saber a verdade!”.

Não admira a sua referência, pois, esta é também a ópera que liga Clara a Eric. Quase como uma premonição, este tinha pintado alguns quadros inspirado nela.

A música, sempre a música, ligando impressões, memórias: A música que chama em seu socorro transporta-a a Berlim, há doze anos.

Berlim em plena Guerra Fria, numa atmosfera política ambivalente, nesse limbo entre o Leste e o Ocidente. É neste espaço centro-europeu da Guerra Fria que as personagens do passado de Clara se movem.

Um dia, Clara caminhou até ao Muro. Homens, mulheres vestidos de cinzento, de verde sombrio, esperavam e não se sabia se eles ficavam lá, com todas as esperanças de ver chegar algum parente, amigo, filho, se pensavam penetrar nas ruas interditas ou se não chegavam a acreditar no Muro. Os projetores das sentinelas, à noite, revisitavam as fachadas estreitas, os palácios abandonados.

O ambiente soturno, a opressão política contribuem também para adensar a intriga. Mas mais explícito ainda talvez sejam os sonhos premonitórios:

Houve durante a sua vida [de Clara] três sonhos premonitórios: a morte da mãe, o suicídio de Alain e um terceiro: a sua doença.

 

A sua paixão é então vista como uma doença, que lhe será fatal e que é anunciada inconscientemente, ou talvez não, por Eric.

«Quando nos amarmos demais, meu amor, matar-nos-emos juntos.». Eric falava, como se bebe, com embriaguez, sem pressentir o que poderia acontecer a Clara.

Esta quase sentença, ou promessa? será mais tarde reiterada por Clara:

– Se nós amamos demais, meu amor, matamo-nos juntos.

Mas Eric não estará com ela nesse momento. O amor dele tinha findado. Por isso, ela morre sozinha. A paixão de Clara e a traição de Eric tinham-na dominado totalmente.

Não tenho ilusões de que o que disse sobre esta obra estará sempre muito aquém do muito que se poderá ainda continuar a dizer. Por isso, o melhor tributo que se lhe poderá prestar será lê-la e saborear.

Apesar da insistência da UAc, Ministério da Educação rejeita alterar fórmula de financiamento – RTP Açores

Views: 1

Financiamento da Universidade dos Açores

Source: Apesar da insistência da UAc, Ministério da Educação rejeita alterar fórmula de financiamento – RTP Açores

LONDRES CAMARÃO COM COCA

Views: 3

Researchers from King’s College London and the University of Suffolk uncovered a startling discovery in England’s waterways. Every freshwater shrimp tested, specifically the species Gammarus pulex, was found to contain trace amounts of cocaine. The study also revealed other pollutants, including ketamine and prescription drugs, highlighting the extent of chemical contamination. Such findings raise concerns about the health of aquatic ecosystems and their long-term stability. This research underscores how human activity directly impacts even the smallest forms of wildlife.
May be an image of text that says "KrgsColegelcrdonendieUten of Suffolk King'sCo もg日 LO dor ndon and he Ur iversity Ednavibal Gammarus pulex Researchers find cocaine in every single shrimp tested in England's waterways."

Secretária da Educação diz que ainda não existem novas soluções para a EBI dos Biscoitos (PODE CAIR TUDO ENTRETANTO…- RTP Açores

Views: 3

Após o último concurso que ficou deserto,

Source: Secretária da Educação diz que ainda não existem novas soluções para a EBI dos Biscoitos – RTP Açores

AIMA manda português abandonar território nacional – Portugal – SÁBADO

Views: 7

Despacho da Agência para a Integração Migrações e Asilo notifica 72 imigrantes para abandonarem território nacional e expõe dados pessoais de todos, incluindo moradas. Advogada destaca violação da proteção de dados e diz que um dos seus clientes até já obteve a nacionalidade portuguesa.

Source: AIMA manda português abandonar território nacional – Portugal – SÁBADO

poesia publicada na editora chiado “entre o sono e o sonho” 2015-2025

Views: 2

maria nobody 2015, 2017, 2018

710 nao quero saber o teu nome 2019

714 O BEM MAIOR COVID 2020

724. Para uma biblioteca universal da felicidade 2021

711 desculpa o atraso 2022

736, não à guerra na ucrânia, 2023

742 nii dores 2024

 

738 imarcescível 2025

 

 

ler aqui todos

 

509. maria nobody, à maria mãe, (pico, 9 agosto 2011)

 

maria nobody

de todos ninguém

 

de alguém

de um só

maria nobody

com body de jovem

 

maria só minha

assim te sonho

assim te habito

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria nobody

mãe

amante

mulher

minha maria

 

maria nobody

de todos ninguém

nem sabes a riqueza

que a gente tem

 

maria nobody

de todos ninguém

 

maria só minha

dos filhos também

maria nobody

mais ninguém tem.

 

In poesia chiado entre o sono e o sonho 2015 vol 6

710. não quero saber o teu nome, 4.8.2019

 

não quero saber o teu nome

nem a tua idade

nem o teu bairro

nem o teu emprego

 

não quero saber a tua riqueza

nem o teu carro

nem as tuas férias

nem a tua família

 

quero saber como tratas as estrelas

e os animais

 

quero saber onde nasce teu sorriso

e as tuas lágrimas

 

quero saber como tratas as nuvens

a bruma e o sol-pôr

 

quero saber como sonhas

onde moram teus devaneios

e se neles há lugar para os meus

 

  • Iin poesia chiado entre o sono e o sonho 2019 volume xi

 

 

714 O BEM MAIOR COVID-19 21.6.2020

 

Quando deixarem morrer os teus pais

num lar sem água

Deixa lá é por um bem maior

Quando recusarem levar

os teus pais ao hospital

deixa lá é por um bem maior

quando recusarem tratar os teus pais

porque os remédios são caros

deixa lá é por um bem maior

quando derem aos teus pais

morfina que inibe respirar

em vez de entubarem num ventilador

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um vírus

te tirarem toda a liberdade

deixa lá é por um bem maior

quando em nome da saúde

te controlarem o smartphone

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um bem maior

te levarem ao matadouro

 

deixa lá é por um bem maior

 

in poesia chiado entre o sono e o sonho 2020 vol. xii

 

724. Para uma biblioteca universal da felicidade 1.5.2021

 

se poeta sou

sei a quem o devo

ao povo a quem dou

os versos que escrevo

(lembrando poema de fernando manuel bernardo

cantado por manuel freire)

 

se poeta sou

sei a quem o devo

a meu pai

que me ensinou

a gostar de poesia

dos clássicos aos neorrealistas

da antologia da novíssima poesia

da maria alberta meneres e m. de melo e castro

à matura idade de mourão-ferreira

quando só me apaixonava

por quem gostava de poesia

e sabia sonhar nas marés

de paul eluard à autobiografia de maiakowki

dos 40 anos de servidão de jorge de sena

aos operários em construção de vinicius de moraes

fiz minhas as lutas dos trabalhadores

espoliados escravos da ditadura

e dos infantes que se opunham à guerra

organizei concertos de música proibida

marchei à frente dos cavalos da gnr

dos poemas escolhidos de jorge luís borges

e entre duas memórias de carlos de oliveira

lavrei meu canto e lavei a minha alma

mas quem me ensinou

foram os livros que levei

para timor, macau e austrália

zeca afonso no livro proibido

os cantares do single de 1964

que ouvi ao vivo no tup no porto

aprendi lawrence ferlinghetti

em como eu costumava dizer

revoltei-me e tornei-me animal político

no uivo de allen ginsberg

com todos subi às montanhas de bobonaro

e boiei na areia branca de díli

a vocação animal de herberto helder

levou-me a imaginar sereias em Bali

cabaias e ousados cheong sam

de ninfas orientais nos casinos de macau

os olhos de silêncio de ramos rosa

fizeram-me sofrer amores incompreendidos

a invenção do amor de daniel filipe

ou a sua pátria lugar de exílio

fizeram da minha poesia uma arma

a antologia breve de neruda

e a crítica doméstica dos paralelepípedos

ou a noção de poema de nuno júdice

e o canto e as armas de manuel alegre

foram livros de cabeceira

até à idade do meio

depois na idade matura descobri

as maravilhas atlantes

no fogo oculto de vasco pereira da costa

dancei o tango nos mares do sul

do eduardo bettencourt pinto

e mergulhei nos poemas vadios

de álamo oliveira

e nos lugares, sombras e afetos

do urbano bettencourt

sem sair dos silos do silêncio

de Eduíno de jesus

e tantos outros autores

que aprendi a decifrar

neles me perdi e encontrei

com eles serei amortalhado

para que ao morrer se evole de mim

o cheiro diáfano das palavras dos mestres

e o mundo seja mais respirável

e mais justo nas palavras dos poetas

porque eu sei

se poeta sou

a eles o devo

 

in poesia chiado entre o sono e o sonho 2021 volume xiii

711. desculpa o atraso (lomba da maia) 5 janº 2020

Frase de um poema de Lâmia Brito, incluído no livro “Todas as funções de uma cicatriz, doburro, 2017)

 

meu amor desculpa o atraso

fiquei preso num poema

que nunca cheguei a escrever

que nunca cheguei a declamar

que nunca cheguei a dedicar

e queria tanto ter chegado a horas

queria tanto ter escrito

queria tanto declamar

 

meu amor desculpa o atraso

fiquei preso num poema

com as palavras que nunca te disse

com os sentimentos que nunca te expressei

como se o amanhã existisse

queria tanto ter dito

queria tanto expressar o amor

como se o amanhã fosse hoje

 

meu amor desculpa o atraso

fiquei preso num poema

e só tu me podes libertar

 

in poesia chiado entre o sono e o sonho 2022 volume xiv

736, não à guerra (na Ucrânia), 28. fevº 2022

 

já não ouço os tambores de guerra

silenciaram as sirenes aéreas

os alarmes calaram-se

as bombas não caem

os soldados não disparam

o choro das crianças ficou suspenso

os mortos não estrebucham

os feridos não gemem

nesta guerra não há bons nem maus

nem o czar nem os falcões eua

neste mar de gente

morta e inocente

feneceu a humanidade.

 

já não quero salvar o mundo

nem salvar o planeta

nem salvar-me a mim

não quero salvar nada

não quero guerra nem paz

nem capitalismo nem comunismo

nem nenhum outro ismo

nem quero acabar com a fome

ou a sede ou a pobreza

quero voltar à pureza original

da infância e da ingenuidade

em vez de estar aqui velho

à espera que nos matem a todos.

 

In poesia chiado entre o sono e o sonho 2023 volume xv

 

https://youtu.be/I6DggTPZPQQ

 

742 dores – Maria nini nunca saberei viver sem ti 4.2.2024

 

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

entrecortados pelo toque dos sinos,

o pior de tudo é não ouvir a tua voz

ao telefone com colegas e amigas

ou a ralhar com as cadelas ou comigo

o pior de tudo é ninguém bater, o telefone não tocar

e os silêncios dantescos como as sombras

como os murmúrios que ainda ouço, das tuas dores

 

o pior de tudo é a irreversibilidade

as fotos que passam não voltam

29 anos de memórias, partilhas, cumplicidades,

e a certeza inabalável de que nada nos separaria

e nada nos separará, ou afastará

nem a morte traiçoeira que chegou sem ser convidada

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

entrecortados pelo toque dos sinos,

o pior de tudo é não ter quem leia os meus escritos

não os corriges nem criticas

o amanhã não vai mudar nada

e a solidão será companheira indesejada e fria

havia tantos planos e projetos

a tua vontade inabalável para os concluir

mesmo quando já te faltavam as forças

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

entrecortados pelo toque dos sinos,

como os murmúrios que ainda ouço, com as dores

e as fotos que passam na moldura não voltam mais

nem as poderemos recriar ou reviver

e onde quer que vá estive lá contigo

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

esta irreversibilidade inaceitada

chorar a saudade do teu riso alegre

ansiar o teu sorriso cúmplice

nestes dias chorosos e tristes

solitários, vazios, silenciosos

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

esta imensa dor nunca vai passar

a angústia e solidão não vai mudar

preciso tanto de ti ao meu lado

para me ajudares com esta dor

não quero viver sem ti

não posso crer que não vais voltar

 

o pior de tudo são os silêncios sem fim

e ninguém sente o que estou a passar

só tu entendes esta dor

só tu podes secar estas lágrimas

só tu podes dar-me razão para viver

e eu nunca saberei viver sem ti

 

in poesia chiado entre o sono e o sonho 2024 volume xvi

 

(ouçam a leitura sublime deste poema pelo Diogo Ourique)

https://youtu.be/I6DggTPZPQQ?list=PLwjUyRyOUwOKRIA8XUWpVdMb8qRyjwlPB

738 imarcescível 22.5.2022

 

imarcescível quis ser

escrevi livros, plantei árvores e tive filhos

lavrei no granito natal

os meus petróglifos de nazca

em timor dissipei-me na areia branca

em bali fui hippie em kuta beach

em macau fiz tai chi no lou lim iok

na austrália nadei em rottnest island

em bragança renasci transmontano

e no basalto açoriano gravei

imperecíveis poemas

este o improvável epitáfio

 

in poesia chiado entre o sono e o sonho 2025 volume xvii

 

 

 

 

 

 

Scientists admit the Covid vaccines aren’t as effective as claimed

Views: 1

The World Health Organisation claims their roll-out prevented 14.4 million deaths worldwide in their first year, with some estimates closer to 20 million.

Source: Scientists admit the Covid vaccines aren’t as effective as claimed

Património audiovisual de Timor-Leste em risco de se perder por falta de recursos – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

Views: 3

DÍLI, 18 de setembro de 2025 (TATOLI) – O património audiovisual de Timor-Leste, que reúne registos históricos e identitários do país, enfrenta sérios riscos de deterioração devido à falta de recursos financeiros, equipamentos modernos e técnicos especializados. O alerta foi feito durante o seminário nacional Salvaguarda do Património Audiovisual com Tecnologia Moderna, organizado pelo Centro […]

Source: Património audiovisual de Timor-Leste em risco de se perder por falta de recursos – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

CCIPD diz que imagem do destino Açores é penalizada por ocorrências como o deslizamento na Ferraria | Antena 1 Açores

Views: 3

Alerta dirigido ao Governo pela Câmara do Comércio de Ponta Delgada

Source: CCIPD diz que imagem do destino Açores é penalizada por ocorrências como o deslizamento na Ferraria | Antena 1 Açores

Um terço das mortes por suicídio em São Miguel acontece com consumidores de drogas sintéticas | Antena 1 Açores

Views: 2

Setembro é o mês da prevenção do suicídio.

Source: Um terço das mortes por suicídio em São Miguel acontece com consumidores de drogas sintéticas | Antena 1 Açores