prendam-no e expulsem-no enquanto é tempo

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Alguém explique a este senhor que este pequeno país é muito cioso do seu território. O primeiro rei andou à bulha com a mãe e os que se seguiram correram com espanhóis e franceses.
Cortar o mal pela raiz, para não se assistir a desgraças como já aconteceram em alguns países. Acionar todos os meios e convidar os senhores a regressar a casa de partida.
Para loucura já nos basta os impostos e a dívida pública.
May be an image of 1 person and text that says "DA CONOMIA TRABALHAR GUIA CASA AUTOMÃVEL EMAU EMAUPARA OSELETRICOS OPODER AOFICAR NEGOCIAL DOS TRABALHADORE'S VISAO BARATOS? REINO DO PINEAL A SEITA QUE QUER FORMAR UM ESTADO SOBERANO EM PORTUGAL Uma comunidade liderada pelo "filósofo espiritual" Agua Akbal Pinheiro vive margem do sistema, em Oliveira do Hospital, numa propriedade de 4.7 hectares do famoso futebolista Pione Sisto. Ministério Público, SEF comissão de proteção de menores estão investigar"
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Beatriz Rodrigues Quintas

Já fomos assim como falas no primeiro parágrafo… Em tempos longínquos.
Agora somos uns pobres que aceitam tudo sem espernear.
Acho que um bom banho gelado serviria para agitar as águas internas e começarmos a espernear.
Até lá é acenar e aceitar.
Venha lá o Papa para continuar a embalar a carneirada adormecida.
( Sei que ando pessimista)
Isa Amaral

Beatriz Rodrigues Quintas o presidente da câmara local ativou os meios. Isto é ridiculo e deve se atuar de forma exemplar.

Passageiro em primeira classe morre a bordo de um avião da TAP que ia de Lisboa para Boston – Atualidade – MAGG

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O avião ainda fez uma aterragem de emergência na base das lages, nos Açores. Dois médicos a bordo ainda o tentaram socorrer mas o homem acabou mesmo por morrer.

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Fly Timor interessada em voos domésticos – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

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DÍLI, 19 de julho de 2023 (TATOLI) – A empresa Fly Timor está interessada em voos domésticos usando avionetas. Para tal, encontra-se no que afirma ser uma “fase de preparação” usando um aparelho que chegou a Timor-Leste no dia 7 deste mês. A informação é proveniente do Diretor-Executivo da empresa, Pedro Carrascalão, à Tatoli, na passada […]

Source: Fly Timor interessada em voos domésticos – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

nova ilha a oeste do Faial

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Ilha a Oeste do Faial?
Os sismos a Oeste do Faial devem estar relacionados com a actividade intensa do Sol. É o que opina o vulcanólogo Victor-Hugo Forjaz, catedrático jubilado da Universidade dos Açores.
Segundo aquele professor, desde o início de Julho, especialmente, após o dia 4, tem-se registado intensa actividade solar com impacto na Terra.
Segundo o engenheiro Frederico Machado, a actividade das manchas solares tem repercussões no planeta Terra e ele determinou correlações muito interessantes para a compreensão da evolução geofísica das ilhas açorianas.
Victor Forjaz acrescenta que essa área de alta sismicidade tectónica e vulcânica irá gerar no futuro uma nova ilha. Há vários anos que ele insiste nesse tema, na medida em que, ciclicamente, ocorre nesta mesma zona, a oeste do Faial, onde se regista um acréscimo da sismicidade. Esses sismos são sentidos no Faial, mas não devem ter impacto na segurança das populações. Além disso, no Faial, especialmente na Praia do Norte e do Capelo o parque habitacional encontra-se bastante reforçado, diz.
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turismo=caos nas sete cidades

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Sete Cidades apontam problemas ao excesso de turismo mas admitem as vantagens económicas que este traz à freguesia
À saída de Ponta Delgada, e em direcção às Sete Cidades, os carros de aluguer começam a ser companhia bem presente na estrada. A nossa opção passa por fazer o percurso via Covoada. Nos miradouros, aqui e ali, cruzamo-nos com alguns turistas que vão aproveitando para tirar as fotografias da praxe, tendo como pano de fundo a ilha de São Miguel. Quando paramos junto à Lagoa do Canário, o parque de estacionamento está praticamente cheio e são apenas 10h da manhã de uma Terça-Feira. Imunes a isso e oriundos de Lisboa estão Jacinto Baptista e Cláudia Machado que acabaram de visitar a Lagoa do Canário. Em conversa com o nosso jornal, Jacinto Baptista começa por confessar ser visitante dos Açores desde 1975 “por razões profissionais, mas também de férias”.
“Noto muitas diferenças e já não vinha cá desde 2018”, afirma, antes de explicar que essas “diferenças” por si encontradas, são claramente “para melhor”.
“Os acessos melhoraram bastante e as coisas estão mais viradas para o turismo o que também é muito importante”, destaca. Precisamente sobre este ponto, Jacinto Baptista responde com algum humor quando lhe é questionado se não se começa a assistir a um aumento da pressão turística na ilha.
“Se temos coisas bonitas para mostrar, as pessoas querem ver e não podemos fazer muito mais; ou não temos turistas ou então temos de suportar”, refere.
Ao seu lado encontra-se Cláudia Machado e a filha desta, Mariana Ferreira. Cláudia Machado explica que a sua mãe é natural “de cá” e que a ilha foi um sítio muito visitado por si enquanto criança. Apesar disso, já cá não vinha desde 2005 mas este ano resolveu voltar “e mostrar a ilha à minha filha”.
Para esta turista oriunda de Lisboa, as diferenças em relação à última visita, em 2005, “são muitas”.
“Em termos de turismo, há muito mais fluxo mas os acessos e as indicações estão bem melhores. Acho que está tudo muito melhor”, sentencia. Nesta que foi a sua primeira ‘incursão’ na Lagoa do Canário, Cláudia Machado confessa não se ter cruzado com um número elevado de pessoas nesta caminhada.
“Não sei se é por ser de manhã e dia de semana mas não notei grande fluxo. Estou habituada a sítios de turismo em Lisboa e, por exemplo, em Sintra, é terrível (…) tem de facto excesso de turismo mas aqui ainda não se nota isso”, considera.
Feita esta primeira paragem, deparamo-nos logo à frente, e já na descida para a freguesia, com obras à beira da estrada. Estão a ser criados novos lugares de estacionamento, revelam alguns dos trabalhadores.
Opinião de moradores
das Sete Cidades
Chegando às Sete Cidades, passam poucos minutos das 10h45, e já se vêm vários carros estacionados junto das imediações das lagoas. Bem no centro da freguesia encontramos Luís Melo, lavrador de profissão, e residente nas Sete Cidades “há 50 e poucos anos”. Concretamente sobre os turistas que visitam a freguesia, Luís Melo revela existirem “dias em que isto aqui é chato com o turismo”. Este morador admite igualmente que o seu trabalho “às vezes complica” devido ao grande número de pessoas a visitar as Sete Cidades. Apesar disso, e questionado sobre a necessidade de limitar o acesso de turistas, Luís Melo faz questão de realçar que é preciso ter em conta os ‘dois pratos da balança’.
“Não sei se é preciso colocar um limite porque sem isso também não é bom para a freguesia (…) Se não houver turismo, os cafés também não fazem negócio”, justifica.
“Vivo bem com isso mas há dias em que é complicado”, finaliza Luís Melo.
A caminho das lagoas cruzamo-nos com Maria Rosa Monteiro que está a braços com a limpeza dos degraus de sua casa. A conversa tem de ser rápida, explica esta moradora das Sete Cidades, já que a comida está ao lume. A dois dias de completar 69 anos de vida na freguesia, “faço esta Sexta-Feira”, Maria Rosa Monteiro avalia o crescimento do turismo pelos dois prismas.
“Por um lado o turismo é bom mas por outro não é. A gente, quando vem de Ponta Delgada, encontra sempre muito turismo lá em cima ao pé da Lagoa das Empadadas e é um problema sério (…) Não tenho nada contra, às vezes há aquela situação lá em cima e penamos um bocadinho para passar no trânsito. Vamos ver se o Governo vai resolver a situação”, espera esta moradora. Apesar desses constrangimentos, Maria Rosa Monteiro dá nota positiva à vinda de turistas para as Sete Cidades.
“Antes vir turismo do que estamos para aqui como uns pobres de Cristo (riso). Dá vida à freguesia e dá lucro aos restaurantes e cafés que abriram”, justifica.
Luís Lobão, Correio dos Açores
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Carlos Silva

Shuttle. Mantém a receita no local, aumenta receita para manutenção, e faz com que o “produto” seja ainda mais exclusivo. É aprimorar o método da Lagoa do Fogo e adaptar para a zona das 7 cidades. Já o defendo há anos… Já funciona assim em inúmeros locais a nível mundial, temos locais tão apetecíveis, que vendem por si só, só temos de regular acessos

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“O Stop não vai fechar!”: Músicos revoltados por terem sido retirados de centro comercial no Porto – Sociedade – Correio da Manhã

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Elementos da PSP dispostos lado a lado impediram uma entrada desordenada no espaço.

Source: “O Stop não vai fechar!”: Músicos revoltados por terem sido retirados de centro comercial no Porto – Sociedade – Correio da Manhã

Carolina Cordeiro maratona literária

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Favourites Ponta Delgada
📒 ✍️ 🏃‍♀️ Carolina Cordeiro estará bem cedinho, às 7:00h do dia 22 de Julho, no Mercado da Graça, supostamente para escrever.
Não sabemos é se depois irá aproveitar para ser das primeiras clientes e comprar os produtos mais frescos. 🛍 🍎🍌🥕🍠 Pelo menos é o que faríamos se estivéssemos no seu lugar. 😆
Carolina Cordeiro é licenciada em Estudos Portugueses e Ingleses pela Universidade dos Açores. Desde há mais de uma década a esta parte, tem vindo aproximar a sua profissão de professora à produção de textos vocacionados à escrita criativa. Foi publicada, primeiramente, na colectânea “Who’s Who in Poetry”. Mais tarde, publicou o seu primeiro livro de poesia “Invictas Brotassem”, sob o pseudónimo Clarice Nunes-Dorval, com a chancela da Chiado Editora (2012). Participou na Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho“, Vol IV (Chiado Editora, 2013) bem como na Antologia NPE – Parte V (2014). Participa, com alguma regularidade em várias revistas literárias nacionais. Em Dezembro de 2013, editou o romance histórico, primeiro volume da trilogia Tempo, “No Meu Tempo” (pela Pastelaria Estúdios), de que se seguiu “Naquele Tempo”, editado pela Letras Lavadas (2015). Em 2020, foi editado o diário ficcional “3.6.5. Ou Um dia de Cada Vez”, pela Letras Lavadas.
ℹ️ A Maratona Literária de Ponta Delgada é um evento Letras Lavadas em co-realização com a Câmara Municipal de Ponta Delgada.
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Henrique Levy, Aníbal C. Pires and 3 others

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Ventos fortes em rota fazem avião de passageiros seguir para o sul e sobrevoar a Antártica

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Há muitos anos tours aéreos sobre a Antártica atraem milhares de pessoas. Em geral, eles partem da Austrália e custam milhares de dólares

Source: Ventos fortes em rota fazem avião de passageiros seguir para o sul e sobrevoar a Antártica

Primeiro-ministro visita pela primeira vez Timor-Leste entre 25 e 26 de julho – Cm ao Minuto – Correio da Manhã

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Visita de António Costa será a primeira de um chefe de Governo estrangeiro desde a tomada de posse do novo executivo timorense.

Source: Primeiro-ministro visita pela primeira vez Timor-Leste entre 25 e 26 de julho – Cm ao Minuto – Correio da Manhã

gilgamesh

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Acerca deste livro maravilhoso, de que me vem à cabeça muitas vezes as tendas construídas para se sonhar, escrevi há uns tempos o texto abaixo. Sim, tendas construídas para sonhar. Uma coisa muito simples, uma tenda de pano, que os Sumérios levantavam fora de casa, punham uma manta por baixo, uma almofada, e deitavam-se a dormir, só para sonharem sonhos diferentes de quando dormimos na nossa cama habitual. Não queriam fazer do sono o quotidiano, desejavam comunicar com o transcendente. Sonhar é viver. Dormir é trabalhar. O sonho é uma forma de poesia, porventura a melhor de todas.
«Os escritores bebem em fontes como quem rouba água às nascentes. Quanto mais andamos para trás, em busca de uma origem, mais nos enredamos numa encruzilhada da qual só nos apercebemos de uma coisa: a literatura é impressionante na dimensão do seu fascínio. O fio de Ariadne é a emoção que nos conduz a lado nenhum em toda a parte. As Sagradas Escrituras descobriram-se no mesmo caminho sem fim de que é feita a senda humanidade. O «Épico de Gilgamés» (aqui no texto traduzido e comentado por Francisco Luís Parreira e publicado pela Assírio & Alvim) narra a epopeia do rei lendário de Uruk, que terá sido inicialmente escrita há perto de cinco mil anos, na Suméria, tendo passado por várias transcrições ao longo dos séculos subsequentes, até se perder nas areias do deserto por meados do primeiro milénio antes de Cristo. As tabuinhas de argila onde o texto se encontra fixado só seriam redescobertas no século XIX, incompreensíveis, e mais tarde decifradas graças ao paciente estudo de quem se ia progressivamente fascinando com o que desvendava. O resultado foi tão surpreendente que esteve próximo de causar escândalo, mas só por causa da nossa vastíssima ignorância. Não de uma ignorância incompetente ou desleixada, mas de um desconhecimento de que nunca nos livraremos, se Deus quiser. Foi assim que o sagrado se profanou, e foi assim que Homero deixou de ser pai, ao serem-nos reveladas as suas fontes. O épico de Gilgamés, porém, conduz-nos à pergunta: o que estará por trás dele? O que se perdeu nas brumas do tempo? Que hinos, que canções, que aventuras, que poemas, que histórias? A resposta não surpreende: nada com que nos dêmos por satisfeitos.
Tudo começa com o verso: «Aquele que testemunhou o abismo», e daqui se parte para o relato das aventuras do sábio e poderoso Gilagamés, senhor de uma enorme estatura, peito e ombros largos, pernas que abarcam quatro metros a cada passo. Encontra em Enkidu o companheiro, verdadeiro amigo e irmão para a sua busca da imortalidade, da glória e da fuga aos estreitos termos impostos pela fatalidade da vida. Logo na primeira tábua (a epopeia está dividida em doze tábuas) ficamos a saber que o seu nome — cujo significado será “Descendente de um herói” — foi pronunciado no dia do nascimento, indicando que estava predestinado para façanhas extraordinárias. Ora, encontrando Enkidu, Gilgamés encontra também um sentido para a vida, e decide partir com ele pelo mundo a combater o maior flagelo da Terra, Humbaba, o monstro que protege a Floresta do Cedro. Após longas jornadas arribam ao famigerado território. Gilgamés, pleno daqueles sentimentos que nos habituámos a observar nos clássicos, vacila finalmente à vista do tenebroso matagal de ciprestes, retiro do gigante e viveiro de sons medonhos. Enche-se de terror. «Meu amigo, ampara-me», pede o rei de Uruk ao companheiro. Só o incitamento de Enkidu consegue devolver-lhe a coragem. É então que um rugido horripilante anuncia a presença de Humbaba. Novamente Gilgamés hesita, derramando lágrimas de pânico, pedindo a Samas, o deus-Sol, que o ajude. Acedendo o deus, o combate inicia-se com as ameaças do guardião da floresta. «Trouxeste-me Gilgamés, ó traiçoeiro Enkidu, mas vou rachar-lhe o pescoço e as goelas, darei a sua carne aos abutres.» Engalfinhando-se numa luta de proporções titânicas, Gilgamés é auxiliado por Samas e vence o monstro. Humbaba suplica clemência, num discurso tão comovente que provoca a piedade do leitor moderno. Prostrado no chão, indefeso, o portento medonho de rosto disforme, qual Adamastor nos confins da África, roga ao seu vencedor, correndo-lhe as lágrimas perante os raios do Sol: «Poupa-me a vida, Gilgamés. Viva eu ao teu serviço aqui na Floresta do Cedro. Tudo te darei.» Enkidu exorta Gilgamés a não poupar a vida do monstro e a matá-lo imediatamente. Humbaba vira-se então para Enkidu, dizendo-lhe que a sua liberdade depende dele. Não obtendo indulgência, Humbaba enfurece-se e amaldiçoa os seus captores, pedindo aos céus que lhes concedam escassos dias de vida (faz lembrar a ira de Posídon, na Odisseia). O rei de Uruk pega então no machado e crava-lho no pescoço, matando-o. Quem não vê nesta narrativa emocionante tantos traços de Homero, que viveu numa época em que a história ainda circulava? Quem não sente na amizade de Enkidu e Gilgamés o amor que unia Aquiles e Pátroclo? O herói Aquiles, por desejo de vingança e de fama terrena, empunha as armas para matar Heitor, o maior guerreiro de Troia, flagelo dos aqueus, e recusa todos os pedidos de misericórdia do adversário; chora lágrimas abundantes pela morte de Pátroclo e dedica-lhe um funeral digno dos deuses. Mas a epopeia prossegue, até porque a beleza, a força e a coragem de Gilgamés despertam a paixão desenfreada da deusa Istar (sem dúvida a Afrodite homérica, de quem o próprio nome deriva, segundo Francisco Luís Parreira, pois terá evoluído da forma semítica ocidental Astorith [Istar]). A deusa da fertilidade e da sexualidade propõe casamento ao rei vencedor. Gilgamés, no entanto, recusa insolentemente, acusando-a de promiscuidade e do infortúnio de todos os seus amantes anteriores. Istar, enfurecida pelo desacato do mortal, comparece a chorar perante o pai, Anu, deus do Céu, e pede-lhe que castigue Gilgamés pela afronta inadmissível. Anu dá-lhe o Touro dos Céus, pondo-lhe na mão a corda que o puxa. O animal gigantesco desce à terra e comete devastações, provocando, entre outras calamidades, a morte de centenas de habitantes de Uruk. Enkidu e Gilgamés unem-se novamente para livrar o mundo de mais uma praga e conseguem matar o Touro dos Céus, cravando-lhe o punhal no cachaço, enfurecendo ainda mais a ofendida Istar. A que fonte foi beber Homero para o relato da Afrodite injuriada por Diomedes, na Ilíada, senão a este episódio? É tão evidente a analogia que até as personagens são as mesmas: Anu — Zeus; Istar — Afrodite; e um mortal cujo atrevimento chega ao ponto de enfrentar os deuses — Gilgamés/Diomedes). O povo de Uruk celebra esta esplêndida vitória festejando nas ruas da cidade, em aclamações de júbilo. «Gilgamés é o mais glorioso de entre os homens!» Tudo caminharia para um final feliz se Enkidu, nessa mesma noite, não tivesse um sonho angustiante, o prenúncio de um acontecimento tão horrendo como natural: a morte. Nesse sonho, os deuses discutem qual dos dois heróis deve abandonar o mundo dos vivos como castigo pela ousadia de terem matado o Touro dos Céus. A escolha recai sobre Enkidu, que acorda em lágrimas a lamentar a fatalidade do destino. «Ó meu querido irmão, terei de me sentar entre os mortos e nunca mais contemplar o meu irmão querido com os meus próprios olhos!» O desespero é tão avassalador que perde o domínio de si e amaldiçoa tudo e todos, até finalmente se aquietar, entristecido, e se arrepende das palavras desenfreadas. Adoece, padece de uma agonia de doze dias, prostrado no leito, e morre. As suas últimas palavras foram de desgosto por não morrer como um bravo, no meio da batalha, mas deitado numa cama, murmurando ao companheiro: «Eu não caio em combate, eu não engrandeço o meu nome.» Gilgamés fica inconsolável, caindo em pranto, pedindo ao mundo inteiro que chore por Enkidu. O seu amor por ele roça a homossexualidade: «Cobriu o rosto do amigo, como a uma esposa.» As lamentações fazem lembrar as de Adriano por Antínoo quando o imperador romano soube da morte do jovem e lhe dedicou um enterro digno de um estadista e um culto divino para a posteridade: «Os príncipes da terra virão beijar-te os pés. Farei com que o povo de Uruk te chore e lastime, por ti, entre a formosa gente farei alastrar a dor.» Deu-lhe um funeral que nos remete para as honras fúnebres de Pátroclo, prestadas por Aquiles, e depois abandonou a comunidade dos homens, vagueando pelos ermos e pelos descampados na mais profunda desolação de alma, sufocado não só pela melancolia mas também pela terrível angústia existencial que a certeza da morte acarreta. «Morrerei: não ficarei eu, então, igual a Enkidu?» Decide por isso ir em busca da vida eterna procurando Uta-napisti, um homem a quem os deuses concederam a imortalidade. É notória a semelhança com a fatalidade homérica, a luta inglória contra o destino: qualquer um de nós pode pegar em armas e cometer e veleidade de enfrentar a morte, mas sabe que vai perder. É uma espécie de suicídio ritual, quando se almejava precisamente o contrário. O resultado só pode ser um: o desespero. Nele se enreda Gilgamés na sua busca por Uta-napisti, o único imortal nascido humano, a derradeira tentativa de vir a fruir da vida eterna. Porém, todos os que encontra pelo caminho lhe dizem: «A vida que procuras, não a encontrarás.» Finalmente chega até Uta-napisti, contando-lhe a sua desdita, para obter como resposta: «A ti mesmo te gastas com trabalhos incessantes, apressando o fim dos teus dias.» Gilgamés pede ao menos que conte como lhe foi possível a ele, Uta-napisti, aceder à assembleia dos imortais. Segue-se um relato que impressiona por nos soar a algo de incrivelmente familiar. Uta-napisti não é outro senão o Noé judaico-cristão que relata ao seu interlocutor a história do Dilúvio. Quando a humanidade se tornou um incómodo para os deuses, estes decidiram destruí-la. No entanto, o deus Ea revela a intenção divina a Uta-napisti, rei de Surupak, e diz-lhe para construir uma arca de madeira que flutue nas águas alterosas da grande inundação. Fornece-lhe as medidas para a obra e ordena-lhe: «Faz embarcar a semente de tudo o que é vivo.» Após a conclusão dos trabalhos, aproximou-se uma nuvem negra que desencadeia os vendavais arrasadores e o Dilúvio. Chove até a água cobrir a totalidade da terra. Vindo a acalmia, Uta-napisti lança sucessivamente uma pomba, uma andorinha e um corvo para ver se há lugar onde aportar. Só à terceira tentativa obtém resposta positiva: as águas baixavam, e assim se pôde repovoar o mundo.
O épico de Gilgamés esteve enterrado no deserto, completamente ignorado, durante dois mil e quinhentos anos. Nesse intervalo de tempo nasceram, cresceram, expandiram-se, reformaram-se, adulteraram-se, corromperam-se e povoaram-se de bem-aventurados várias religiões, uma era, um viveiro de impérios, uma incubadora de revoluções, uma sucessão de mortes e renascimentos, um desfile de ideais e de filosofias, enquanto as areias calmamente os viam passar. O dom da imortalidade, que muitos procuraram sem sucesso, atingiu-o o sonho. E basta dormir numa cama diferente da habitual.»
Pode ser uma imagem de texto que diz "ÉPICO DE GILGAMEŠ tradução, introdução notas de FRANCISCO Luís PARREIRA ASSÍRIO & ALVIM"
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José Moreira da Silva

Não li esse livro, mas abriste-me o apetite. Numa parte do teu texto lembrei-me de Herman Hesse e do seu Siddhartha…
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