P. Delgada é a cidade onde os imóveis demoram mais tempo a serem vendidos

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P. Delgada é a cidade onde os imóveis demoram mais tempo a serem vendidos
Ponta Delgada é a zona onde os imóveis demoram mais tempo para ser vendidos, em média 164 dias. Segue-se Castelo Branco (157 dias) e Vila Real (151 dias), revelaum estudo da plataforma digital de crédito, Doutor Finanças, em conjunto com a Alfredo, empresa especializada em dados do sector imobiliário, que acaba de divulgar o balanço dos dados imobiliários dos primeiros seis meses deste ano e onde foi possível perceber que, em cinco capitais de distrito do país, os preços de venda estão mesmo a baixar.
Guarda (11,19%), Portalegre (10,03%), Évora (6,23%), Bragança (2,68%) e Beja (1,05%) registam as únicas descidas do ranking nacional com o Funchal a liderar as subidas (10,12%), seguindo-se Setúbal (7,15%) e Castelo Branco (6,71%).
“Os últimos anos têm sido marcados por juros historicamente baixos, concessão de crédito elevada e aumentos expressivos dos preços das casas. Numa altura em que o contexto das taxas de juro mudou, com os juros a aumentarem de forma significativa, é natural que o mercado imobiliário sofra alguns ajustamentos”,destaca Rui Bairrada, CEO do Doutor Finanças.
Em termos médios, o preço das casas em Portugal aumentou apenas 1,65% no período em análise, segundo os dados da Alfredo, revelando oscilações pouco expressivas entre Janeiro e Junho, depois dos fortes aumentos observados nos últimos anos.
“Em Junho, os imóveis residenciais das principais capitais de distrito do país foram transaccionados a um valor médio de 2.100 euros por metro quadrado, o que corresponde a um aumento de 5% nos últimos 12 meses”, revela-se no estudo.
A par da estabilização de preços, assistiu-se, no primeiro semestre deste ano, a um aumento da oferta de imóveis disponíveis, num cenário de crescimento acelerado dos juros.
No final de Junho, havia 172.153 imóveis disponíveis no mercado, mais 4,63% do que no final do ano passado.
“Estamos a observar um aumento no número de listagens disponíveis no mercado, indicando uma maior selecção de propriedades para os compradores no mercado residencial”, destaca Gonçalo Abreu, co-fundador da Alfredo.
“Aqueles que se encontram à espera do momento ideal para comprar casa, devem encarar este aumento de stock no mercado com optimismo. Os próximos meses serão cruciais para a definição do mercado a médio prazo”, acrescenta o responsável.
No relatório é ainda lembrado que os últimos dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), referentes ao primeiro trimestre deste ano, revelam que o mercado está a verificar ajustes na generalidade dos países.
“Acertos que podem ter como origem o contexto de subida de juros no mercado imobiliário. Estes dados estão também em linha com a informação já partilhada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que mostra que, já no primeiro trimestre, o índice de preços da habitação aumentou 8,7% face ao período homólogo, o que corresponde ao crescimento mais baixo desde o segundo trimestre de 2021. Ou seja, os indicadores existentes apontam para um abrandamento no ritmo de subida dos preços das casas em Portugal”, sublinha-se ainda no referido estudo
Diário dos Açores
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. AS “TIAS” DOS MOINHOS, 8 AGOSTO 2009 CRÓNICA 70.

 

Nos Moinhos (de Porto Formoso) de novo. Uma micaelense disfarçava um bocejo com sotaque citadino elitista dizendo que os novos lavabos e balneários pareciam masmorras em betão. A ignorância e as noções de estética não pagam imposto, valha-nos Deus. Quem vira as anteriores faltas de condições para os banhistas apreciava a obra que acaba por se moldar na paisagem sem ser demasiado agressiva, na estética moderna valorizando o mobiliário urbano. A obra favorece o ambiente e a saúde pública, mas aparentemente ia contra privilégios antigos da senhora, a cujo sogro pertenceram terrenos e casas limítrofes ora devassadas, conforme apregoava alto e bom som para todos, nas mesas circundantes, ouvirem.

Ri-me evocando o bidé das marquesas em São Martinho do Porto onde passara os verões do meu descontentamento matrimonial original, mas não havia comparação possível em possidonice. Faltava-lhe a sofisticação das “tias” da Linha do Estoril e Cascais e as acompanhantes não conseguiam dissimular a origem fonética micaelense a que a matriarca tão desesperadamente queria escapar. Complexo de inferioridade ilhéu dissimulado? Querer mostrar ser mais importante que os demais, provar que já ia aquela praia há quarenta anos (era quase um título de posse sobre a praia e a esplanada), sobressair a importância do sogro (e de outros nomes bem-sonantes que a mim nada diziam – os ingleses usam uma expressão maravilhosa, name-dropping), como quem atira nomes ao ar, em vez de rebuçados para as crianças pobres apanharem. Só lhe faltava ser professora da universidade local para ser totalmente importante. Se calhar até seria, ou já teria sido, mas como não o mencionou era improvável, já que este tipo de gente vomita o seu currículo em voz alta nas esplanadas da praia…

Na Austrália trabalhei anos e anos com dezenas de pessoas e nunca soube – nem estava interessado – quais eram as suas habilitações. Aqui (Açores e Portugal) andam coladas aos dedos e à cara como se fizessem parte do Bilhete de Identidade genético. Em ocasiões destas, e em tantas outras que não apetece agora evocar, desmoralizo em total desespero, ansiando lançar os braços ao mar e nadar para a novi-ilha do Cristóvão de Aguiar e ali arribado, falar, falar até desfalecer. Noutras ocasiões iria à minha amada Austrália onde estes espécimes humanos só se avistam em zoológicos de famílias em vias de extinção, muito britânicos, mais do que os próprios apesar de nados e criados há gerações naquele continente-ilha.

Há solidões solitárias e multidões ermas, faltam tertúlias como as que recordo dos meus anos finais do Liceu Dom Manuel II (atual Rodrigues de Freitas) e do início do percurso na faculdade de Economia do Porto. Já tivemos um arremedo de reuniões assim nas longas noites de invernia insular, aqui no bar dos Moinhos, com o Manuel Sá Couto, o Daniel de Sá, e tantos (outros e outras) que iam e vinham consoante a chuva, o frio e a humidade ilhoa que desperta essa vontade inaudita de contaminação humana. Todos à deriva neste imenso Mar Oceano. Não há Derrida que me salve nem Piaget que me explique.

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