humberto eco 2015

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“As redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis que antes falavam apenas num bar e depois duma taça de vinho, sem prejudicar a comunidade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra dum Prémio Nobel.
A televisão já havia colocado o ‘idiota da aldeia’ num patamar no qual ele se sentia superior, e o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.
Umberto Eco, 2015
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ESTAMOS TODOS CONDENADOS – JUN. 2010 CRÓNICA 83

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ESTAMOS TODOS CONDENADOS – JUN. 2010 CRÓNICA 83

 

Enquanto os políticos na tribuna falam, a grei protesta à mesa do café e copia-os, não fazendo nada. Um círculo vicioso perfeito, entrecortado pela famosa trilogia portuguesa de fátima, futebol e fado. Já ninguém promete dias melhores, apenas mais do mesmo ou pior ainda. Mais sacrifícios em troca de nada. Ninguém anuncia luzes ao fundo do túnel, neste feudalismo republicano, de reformas vitalícias para ministros, deputados, assessores, privilégios para a minoria que come da gamela governamental e se alcandora ao poder com benefícios financeiros.

Há que entender que o país (com estes políticos, PS, PSD ou outro) não vai a lado nenhum, enquanto não acabar o sistema de cunhas e compadrios, pior do que no tempo do Salazar. Tem de se pôr cobro à impunidade na justiça, parar a corrupção rampante; deixar de aviltar a educação e os professores; acabar com cortes na saúde e a sociedade sem princípios nem exemplos (aqueles com que fui educado). Terminar com o chico-espertismo, a ignorância, o quero, posso e mando. Caso contrário, quer o povo deixe ou não, o governo fará o que entender em proveito próprio e detrimento nacional.

Estamos condenados à insignificância, mas é imperativo que nos sintamos bem dentro da nossa pele, sem nos calarmos quando vemos coisas erradas. Não adianta reduzir a realidade ao desgosto pela governação. Não faz bem a ninguém.

Temos de acreditar que nós, a gota (mais minúscula que uma lágrima furtiva) podemos fazer a diferença, no nosso restrito círculo, sabendo que é insuficiente para alterar o desvio da rotação da Terra, a perda do escudo magnético ou impedir as profecias de Nostradamus e dos 3 pastorinhos. Dizem que era assim na monarquia, na 1ª república, na ditadura e na 2ª república.

O mote é: o último a sair que apague a luz. Nem tenho esperança nem solução no mundo neoliberal globalizante, em que o lucro e o dinheiro tudo comandam na nova versão dos senhores feudais (ora bancos e correligionários). O mundo ocidental atravessa uma crise semelhante à de antigos impérios, doente sem líderes corajosos e sábios. A incapacidade de mudar, aliada à repetição dos erros, são constantes de gente pouco culta, gananciosa e interesseira. Até imperadores como Júlio César mostravam mais compaixão do que os líderes atuais da Europa.

Em África, do Saara ao Corno, há guerras, umas maiores, outras mais pequenas, sempre prontas, fruto da sofreguidão mercantilista de vendedores de armas e de regimes corruptos.

O continente europeu empobrece e no meio da injustiça social e miséria humana qualquer fundamentalismo prospera. A Europa continuará a impedir imigrantes africanos (muçulmanos ou não) sem expulsar os ilegais dentro de muralhas. A nova geração no poder na Europa, geração “rasca” de conhecimentos parcos, muita prosápia e pouco conteúdo intelectual, além de corrupção a rodos. Nenhum para além do medíocre. Os que vierem a seguir serão piores.

O mal da História sempre foi não a conhecermos nem reconhecer erros passados para evitá-los. A crise veio trazer a lume que os governos estavam interessados em salvar os bancos da bancarrota e não em devolver às pessoas o dinheiro. Estranha e perversa lógica. Uma lição a aprender (guarde $$$ no colchão ou no sobrado).

O certo é que os líderes (pela incompetência e incapacidade de decidirem por justiça, equidade e democracia) não merecerão nota de rodapé quando a História for escrita. A ditadura neoliberal capitalista subjuga de forma tão tenaz como as fascistas e comunistas, os filhos e os netos pagarão a fatura. Nova civilização surgirá depois da ocidental, a menos que um asteroide interrompa a órbita e reduza isto a cacos antes de tempo.

As receitas que nos impõem são para dar dinheiro aos bancos que nos levaram ao caos, extorquiram poupanças e investimentos. Continuarão a fazer dinheiro fácil, especular e investir mal para receberem prémios milionários quaisquer que sejam os prejuízos. Os filhos vão pagar a fatura, as gerações futuras condenadas à servidão. Tudo hipotecado por projetos que não criam riqueza, mas empregos temporários e bons lucros para construtores civis e outros.

Megalithic constructions found on the Azores islands indicate they were inhabited thousands of years ago, as well as stone anchors, suggesting the islands were used for deeper Atlantic travel. Unexplained, ancient “cart ruts” similar to those found in Malta have also been revealed. : AlternativeHistory

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Megalithic constructions found on the Azores islands indicate they were inhabited thousands of years ago, as well as stone anchors, suggesting the islands were used for deeper Atlantic travel. Unexplained, ancient “cart ruts” similar to those found in Malta have also been revealed.
byu/irrelevantappelation inAlternativeHistory

O FIM DO HUMOR E O POLITICAMENTE CORRETO

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O FIM DO HUMOR E O POLITICAMENTE CORRETO

Ter humor é possuir a capacidade de entender a discrepância entre duas realidades: os factos e o sonho ou criatividade, as limitações do sistema e o poder da fantasia criadora. O humor é a forma de expressão em que ocorre um sentimento de alívio face às limitações dramáticas da existência e da tragédia, sinal da transcendência humana. O humor é libertador. Rir, mesmo parecendo fútil, é importante.

Sorrir sobre o que nos rodeia é a oposição à norma. Só quem é capaz de relativizar as coisas sérias, pode ter humor. O maior inimigo é o fundamentalista e o dogmático. Ninguém viu um terrorista ou um severo conservador esboçar um sorriso. Geralmente são tristes como se fossem ao seu enterro, rostos crispados. Afirmou Nietzsche, “festejar é dizer: sejam bem-vindas todas as coisas. Pela festa o ser humano rompe a monotonia do quotidiano.” Façamos a festa…!

brain2

Não me espantam os blogues politicamente corretos pois vivo num mundo diferente. Sem questionar o feminismo (ou outros ismos) todas as piadas são objecionáveis por se basearem em estereótipos (humanos, animais, ambos ou nenhum). Depois dos defensores dos “ismos” terem colocado as objeções contra clichés de louras, alentejanos, judeus, cristãos, islâmicos, professores, animais (os que estão na mala dos carros com a esposa), o que fica: NADA. Acaba-se o humor. O humor usa a linguagem dos estereótipos.

Desde 1980 vi surgir a censura, dissimulada em fundamentos aceitáveis, pretendendo sanitizar as mentes. Começou na Austrália quando o politicamente correto foi introduzido. Como tradutor profissional tive de o seguir, mas como ser inteligente (pensante) recuso-o hoje. Luto contra a discriminação, sob todas as formas, assédio sexual, político e outros, contra o salário de miséria e exploração (reminiscente da Revolução Industrial), contra as quotas ou falta delas nos elencos femininos do governo, a falta de acesso a pessoas com deficiências.

Lute-se contra isso tudo mas deixem o humor de lado. Com o politicamente correto acaba-se o humor. Esse é o cerne da questão. Era a forma mais fascista de sanitizar a língua, o pensamento e a vida, criando uma sociedade assética e inócua. Todos iguais e cinzentos de acordo com a norma.

Não é só no humor que a situação é preocupante, a educação merece aturada atenção. Há canudos, por encomenda, a passagem de iletrados, a massificação da ignorância, o entorpecimento da mente através de programação subliminar, preparada em gabinetes de psicologia de guerra, rumo ao Homo Novus, plano sabiamente arquitetado por maçonarias e Bilderberg.

Do livro “A Verdadeira História do Clube Bilderberg” de Daniel Estulin (jornalista e especialista em comunicação há 13 anos investiga as atividades do Clube. Ganhou três prémios, EUA e Canadá, e aponta quem manipula na sombra as organizações. O livro foi editado em 28 países, 21 idiomas). “A história do Clube Bilderberg é a da subjugação da população.

Um Estado que formula a Nova Ordem Mundial, invisível, omnipresente, que controla EUA, UE, OMS, ONU, Banco Mundial, FMI e similares. Nos últimos 50 anos, um grupo de poderosos reúne-se secretamente para planear as decisões que movem o mundo e depois acontecem. A ideia é uma sociedade dócil, de ignorância massificada, incapaz de pensar, argumentar, discursar.

Os professores novos pertencem a essa “colheita.” Mais fácil manipulá-los, enganá-los e explorá-los. Quando introduzirem o salário universal, irão depender do Estado para desenvolver projetos e atividades, a teia se enrola, como uma cascavel. Nem Salazar nem Orwell conceberiam um plano tão maquiavélico, nem teriam meios de o implementar.

Pergunta-se, ninguém dá conta? Alguns darão, mas como não podem escrever livremente, nem os jornais ou telejornais aceitariam um discurso crítico, o povo fica sem acesso a opiniões divergentes, incapaz de as equacionar e, como não tem capacidade de discernir não as distinguiria das notícias falsas. Infelizmente, são poucos os que me leem.

Dentro de duas gerações, Portugal terá a população mais dócil e manipulável. Todos diplomados, licenciados, doutorados, mas sem literacia, sem capacidade de discernir ou pensar livre e criticamente. A nova ditadura, instaurada subrepticiamente como vírus informático, esconder-se-á sob o manto diáfano da democracia.

DIZIA O PRESIDENTE DO GRA OS aÇORES SÃO UM LOCAL SEGURO…

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Bom dia.
No final do dia de ontem, entre as 21h e as 23h alguém roubou as quatro rodas do carro da minha namorada. Deixaram o carro miseravelmente em cima de pedras e deixaram um macaco de brinde…
Isto aconteceu no parque de estacionamento da rua do Rosário (ao lado da salsicharia ideal) na ribeira grande.
As autoridades já estão informadas.
Agradecemos a quem possa ter visto alguma coisa e esteja disposto a partilhar essas informações.
Qualquer coisa ajuda a encontrar quem fez isto e possivelmente evitar que sejam vendidas e desapareçam do mapa. As jantes são características deste modelo, o que faz com que seja estranho estarem montadas em veículos de outras marcas.
Se alguém encontrar jantes iguais à venda ou ouvir falar de alguém que tenha para vender, agradecemos que entrem em contacto.
Desde já obrigado a todos.
Bom domingo.
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A ESCOLA DE SAGRES EM LAGOS

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OLÁ
Obrigado a João Marques de Oliveira .
Há ” Historiadores ” e historiadores .
Nuns podemos confiar ; José Mattoso é um deles ; procura a Verdade histórica à luz das circunstâncias locais e da época.
Outros , como os dos “Annalles” tentam fazer “história” marxista , levando “a luta de classes” para a Idade Média.
Desconhecem que “a luta de classes” é uma invencionice tonta , que só serviu para justificar subversão , revolucionarite aguda e retrocesso . Nunca existiu . O que existe é atropelo à Verdade .
O Professor Mattoso também por lá andou , mas logo se “enjoou”.
Podemos confiar nele .
E que bonito é este período da História.
Ele tem um livro recente sobre a Essência de Portugal ; é uma delícia ; peguei nele para escarafunchar no tema : onde estão as nossas raízes?
No meu
25/35 UM PAÍS MAL CONSTRUÍDO
procurei apanhar o lado psicológico do nosso passado , do passado deste “grupo” Nação-Estado , tão velho , tão ilustre , tão mundial e globalista .
É certo que a Vida não é passado ; é futuro ; é para a frente . Mas o nosso passado está sempre lá, tanto no Grupo como no Indivíduo.
” La vida es una actividad que se hace hacia adelante ” dizia o velho Ortega .
Era um grande filósofo ; dos maiores .
Procuro sempre mostrar que toda a força, toda a energia , consubstanciada neste período brilhante da Historia , continuam presentes em nós.
NÓS podemos .
O meu argumento gira todo à volta da
DESCENTRALIZAÇÃO ;
procuro mostrar que a “descentralizacao” do poder , que se verificava nessa altura , com os começos da Dinastia de Aviz , é a chave dos enormes sucessos dos Portugueses de Quinhentos .
Também pode sê-lo dos de agora .
Mas a “descentralizacao” não é só um tema histórico ; também e um dos temas principais da teoria da Gestão.
Psicologia e Gestão são duas ciências recentes , que os Portugueses desprezam e não usam .
E são tão úteis.
Esse tema , o da DESCENTRALIZAÇÃO, é o tema principal dos meus livros .
Bem hajam
Eu voto VENTURA
A 27 de Outubro do ano de 1443
O promontório de Sagres, bem como as vilas adjacentes de São Vicente e Sagres foram doadas, pelo regente D. Pedro ao seu irmão, o Infante D. Henrique (1394-1460). A vila de Sagres, então abandonada e em ruínas em razão das razias dos piratas da Barbária, foi, a pelo Infante D. Henrique, reconstruída e repovoada. Foi também por iniciativa do Infante a construída a fortificação de defesa na ponta do promontório, determinada pela sua localização e forma, usufruindo da falésia como defesa natural em três dos seus quatro lados, intimamente ligada às suas excelentes possibilidades estratégicas que se integram aos ditames anteriormente citados.
Em Sagres viria o Infante D. Henrique mandar construir a sua residência “oficial”. Tendo o local ficado conhecido como, a Escola de Sagres, na realidade nunca teve esse fim, a Escola de Sagres foi um mito criado pela interpretação errada de algumas crónicas antigas.
A “Escola” do Infante D. Henrique, ou melhor um sitio de reunião de marinheiros – homens com conhecimentos de navegação marítima e cartógrafos, matemáticos, astrólogos (alguns vindos de Itália, Flandres e outros países europeus) onde, aproveitando a ciência de uns e a prática e conhecimento da arte de marear de outros, se desenvolveram novos métodos de navegar, desenharam cartas, criaram instrumentos de navegação, e adaptaram e desenvolveram projectos de novos navios para as necessidades de navegação de longo curso no oceano Atlântico. Esta “Escola” não estava localizada em Sagres, mas sim em Lagos, cidade que foi em vida do Infante D. Henrique, o centro da expansão marítima Portuguesa.
História de Portugal – Dir. José Mattoso – Circulo de Leitores
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  • Vasco Almeida

    Quando haviam portugueses com visão…
    • Eduardo Franco Madeira

      Ainda os há, e muitos.
      O que está mal é o SISTEMA.
      Os Portugueses que emigram , que vão para outros sistemas , vingam , são bem sucedidos .
      Nos países onde a ” competição ” é livre , leal e ordeira , os Portugueses competem bem .
      O que temos que fazer é mudar o SISTEMA

Funcionários da Sata e Azores Airlines unem-se em Videochallenge – I Love Azores

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Página dedicada aos que gostam dos Açores, e queiram partilhar o que temos de melhor.

Source: Funcionários da Sata e Azores Airlines unem-se em Videochallenge – I Love Azores

neorrealismo em são miguel

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Neorealismo em São Miguel
Com filhos, muito bons rapazes, na droga, um ainda na cadeia, uma filha na vida, chamemos-lhe simplesmente Maria,
foi pedir dinheiro emprestado para comprar, em segunda mão, um vestido de noiva.
Para oferecer à afilhada que irá casar com um primo direito de ambas.
A afilhada, apesar dos seus dezasseis anos, parece quem tem uns trinta.
Já abortou três vezes.
Partilham a “password” da “Netflix” e do “Spotify”.
Cresceu com a Autonomia política dos Açores.
“Deram frutos a fé e a firmeza”, talvez o pior poema da Natália Correia.
Votava no Bloco de Esquerda mas hoje é do Chega.
O noivo da afilhada já foi condenado:
por crimes contra a Autonomia, ninguém sabe bem, e as famas que tem serão má língua de quem tem inveja e não sabe o que é a felicidade dos outros.
O noivo da afilhada votou em quem lhe deu emprego.
Diz que está recuperado.
O turismo é que foi a nossa salvação.
Não é má pessoa mas aquele problema com o esposo é caso sério.
Bebe por causa do marido.
Que desde que lhe deixou de lhe dar “enxertos de pancada” arranjou uma amante no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, que depois de uma breve inspeção já não era uma amante, mas um amante.
E já cumprimentou uma deputada. Ou deputado.
Sem a nossa felicidade qual seria o assunto do dia?
Nem só de futebol e Espírito Santo vive um povo.
(ele a esposa fizeram muito pelos pobres, diz o jornalista subornado com uns subsídios)
As indústrias dos Açores:
foi ainda tirar as varizes para um hospital dos alegados ricos através de uma cunha.
As histórias aspirações autonomistas.
Roubou que se fartou. Heróis da liberdade de expressão.
Deixou descendência.
Ou a ressurreição do neorealismo açoriano.
A preocupação com os sem-abrigo.
O turismo será sempre a nossa salvação. Repete três vezes.
(antes exportávamos mão-de-obra barata)
Foto: Sete Cidades, via Lonely Planet.
May be an image of lake, mountain and nature
Mario Freitas
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dantes é que era bom?????

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Retrato de uma familia em meio rural, em frente de uma casa tradicional de Santana, Ilha da Madeira, construida em madeira e com cobertura em colmo de três
águas
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POVO DE PÉ DESCALÇO

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  • Nuno Mendes

    E ainda há quem diga que antes é que era bom. Era bom para quem vivia bem, muito provavelmente às custas de famílias como a da fotografia.

timorenses em lisboa

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Associação quer Governo e sociedade civil a resolverem a questão do fluxo de timorenses
Lisboa, 25 out 2022 (Lusa) – A Associação Renovar a Mouraria defendeu hoje a criação de um grupo de trabalho que envolva instituições governamentais e organizações da sociedade civil para responder à “situação de emergência social” causada pelo recente fluxo migratório de timorenses para Portugal.
“Consideramos essencial a elaboração de um grupo de trabalho que inclua não só as instituições governamentais, mas também as organizações da sociedade civil que acompanham de perto e diariamente as pessoas nos seus territórios de intervenção”, sublinha a associação num comunicado hoje divulgado.
A Renovar a Mouraria tem prestado apoio a dezenas de timorenses que se encontram em Lisboa em situação de sem-abrigo.
No comunicado, a associação defende também que o grupo seja “transparente quanto à sua composição e atuação, bem como tenha uma visão de médio e longo prazo” quanto ao trabalho a desenvolver com os imigrantes de Timor-Leste.
“Esta construção de um plano de ação estruturado, articulado e transparente será essencial para o acolhimento digno dos timorenses no nosso país”, acrescenta.
Em declarações à agência Lusa, Rita Madeira, da Renovar a Mouraria lamentou que não exista um “plano coordenado de médio e longo prazo para acolher” aqueles imigrantes e frisou a importância de se trabalhar nesse plano para se fazer face ao “fluxo migratório que já se percebeu que vai continuar”.
“Estamos a atuar para dar ajuda de forma pontual e emergencial e de curto prazo. Um plano de médio e longo prazo para este fluxo migratório é necessário”, sublinhou.
Fazendo um retrato dos timorenses que têm aparecido nos últimos meses em Lisboa, vítimas de redes de tráfico humano, que os atraem com a promessa de trabalho, Rita Madeira disse que são sobretudo rapazes, jovens, entre os 20 e os 25 anos e que se concentram no eixo Martim Moniz/Baixa-Chiado/Intendente.
Apesar de ser uma população com alguma rotatividade, a dirigente associativa afirmou que têm sido em média 50 os imigrantes timorenses que estão nas ruas de Lisboa.
Alguns vêm com o objetivo de entrar no Reino Unido, mas a “questão do Brexit impossibilita esse fluxo”, o que estes imigrantes desconheciam, afirmou.
Afastada está a possibilidade de regresso a Timor-Leste porque, apesar de tudo, “veem Portugal e a Europa como forma de encontrarem melhores condições socioeconómicas”, explicou.
“A maior parte não quer regressar a Timor. Há um contexto sócio-económico bastante complicado para os jovens timorenses lá”, afirmou Rita Madeira, acrescentando que, além disso, há a questão de terem contraído “dívidas altíssimas em Timor, algumas com juros muito elevados” para virem para Portugal, por isso, “o regresso a Timor é uma questão sensível”.
“Apesar de estarem nesta situação, sentimos que há uma esperança de que, ainda assim, consigam encontrar uma situação melhor”, acrescentou.
Com a ajuda de intérpretes voluntários de Tétum, a Renovar a Mouraria tem prestado apoio a estes jovens no sentido de lhes dar agasalhos, mantas, sacos-cama e roupa, “necessidades que eles identificaram porque estão a passar frio”.
A Renovar a Mouraria trabalha com a Refood e com carrinhas que distribuem refeições pelos sem-abrigo.
Através do CLAIM Mouraria – Centro Local de Apoio à Integração Migrante tratam das questões mais burocráticas, como apoio à verificação de documentos, informação sobre os seus direitos, identificação de necessidade de inserção no mercado de trabalho.
“Vamos criar em breve novas turmas de ensino de português”, referiu Rita Madeira.
A dirigente associativa disse ainda que a Renovar a Mouraria tem feito uma tentativa de articulação com outros serviços públicos, como a Câmara Municipal de Lisboa, mas não tem recebido resposta.
Nesse sentido, Rita Moreira lamentou que não haja “transparência”, nem uma “resposta coordenada”.
“A nível de coordenação e transparência temos sentido essa lacuna”, afirmou à Lusa.
Por estar ciente de que a sua “capacidade de intervenção é limitada, quer geograficamente, quer a nível de recursos”, é que a Renovar a Mouraria quer cooperar com entidades competentes.
“Um plano de ação estruturado, articulado e transparente será essencial para o acolhimento digno dos timorenses no nosso país”, defende a associação no comunicado.
“A par com ele, devem aprofundar-se as investigações e o desmantelamento das redes de imigração ilegal e tráfico humano que beneficiam com a violação de Direitos Humanos destas pessoas, assim como se deve refletir sobre uma forma ética e responsável de dignificar fluxos migratórios e políticas de acolhimento através de acordos, neste caso, entre o Estado Português e o Estado Timorense”, acrescenta.
MCL/GYM // VAM
Lusa/Fim
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