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Governo italiano aprova lei que pune femicídio com prisão perpétua

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O Governo italiano aprovou uma proposta de lei que, pela primeira vez, introduz a definição legal de femicídio no direito penal do país e o pune com prisão perpétua. A medida, anunciada na véspera do Dia Internacional da Mulher, que hoje se assinala, visa combater uma série de homicídios e violência contra as mulheres em Itália, através do reforço das medidas contra os crimes baseados no género, como a perseguição e a pornografia de vingança. A proposta, acordada na sexta-feira, tem ainda de passar pelo parlamento e de ser aprovada por ambas as câmaras para se tornar lei. “Trata-se de

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Das Sete Cidades às belezas das Furnas, passando pela Ribeira Grande Mais um capítulo das deambulações de Edgar L. Wakeman pelos Açores,

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Das Sete Cidades às belezas das Furnas, passando pela Ribeira Grande
Mais um capítulo das deambulações de Edgar L. Wakeman pelos Açores, em 1889. Este relata uma excursão às Furnas, partindo do acampamento dos carvoeiros nos altos das Sete Cidades, e passando pela Ribeira Grande. A descrição é muito bonita e poética, e escrita com frases tão longas que ocasionalmente tive de as partir, de modo a facilitar a leitura. Espero que gostem.
Cá vai a tradução do capítulo, a que chamei «Excursão às Furnas»:
Capítulo 4
Excursão às Furnas
Furnas, São Miguel, Açores, 5 de Novembro de 1889. — Fomos recebidos com grandes manifestações de deleite pelos carvoeiros de cujos antepassados a hospitalidade se tinha revelado tão reconfortante para o Rip van Winkle açoriano, Dobrado Madraço, que ainda hoje ele não acordou do seu sono de dois séculos. Os nossos burros foram amarrados e tratados. Água para lavagens foi trazida, em enormes cântaros, de uma fresca represa [«represado», no original; presume-se que uma represa]. Vinho barato, aguardente e tabaco em extraordinárias quantidades foram fornecidos. Rapazes e meninas estranhos, de olhos grandes e seminus, para cujas consciências simples os estrangeiros eram como maravilha e sonho, reuniram-se à nossa volta, olharam, espantaram-se e, com explosões cristalinas de riso, fugiram em direcção às suas mães ou aos bosques para se recomporem. Um jantar de tais proporções, variedade e grotesco foi fornecido como nunca antes saudou olhos de homem civilizado. Despois, durante a longa noite, estes meio selvagens homens e mulheres queimadores de carvão das montanhas — as mulheres ágeis, formosas e musculosas desenterrando para a ocasião muitos enfeites e adornos de recantos inesperados de choupanas antigas e sombrias — dançaram connosco e para nós sobre um surrento chão, polido pelo uso, tão hilariantes sapateados, tão exóticos bailes e tão grotescos fandangos, que nenhuma pena fervorosa poderia descrever, nem nenhum indulgente moralista se disporia a aprovar. Era de facto uma cena cigana, faltando apenas as tendas de capuz e as carroças agrupadas em círculo. Aqui e ali as fogueiras de carvão ardiam como ardem as fogueiras dos ciganos, nós de criptoméria ardiam e tremeluziam no topo de enormes varas ou sobre candeias presas a árvores sobranceiras; vintenas de formas morenas giravam à meia luz e nas sombras; e as estrelas brilhantes, pulsando nos seus fogos semi-tropicais, tremeluziam acima através das estranhas plumas escuras da luxuriante verdura.
Partimos do acampamento dos carvoeiros muito cedo na manhã seguinte. Ao descermos as montanhas em direção à costa, desviámo-nos durante algum tempo do nosso caminho, o que nos proporcionou uma agradável experiência de floresta profunda. De repente, encontrámo-nos numa densa floresta de criptomérias quebrada aqui e ali por saliências abruptas de rocha de lava ao longo de cujos lados e sobre cujas alturas uma riqueza indescritível de fetos corria em bancos de plumas ondulantes. Nas bases e dos lados de cada massa de rocha, inúmeras fontes naturais ondulavam e jorravam, e, destas, pequenos riachos saltavam e cantavam, com surpreendente melodia, em direcção aos vales abaixo. Até onde penetrámos, a cobertura da terra por baixo das criptomérias era como um tapete de púrpura aveludado. Os cascos dos nossos burros mal se ouviam. Para cima, para cima, para cima, 30, 50, às vezes 80 pés, rectos como flechas, disparavam os troncos castanho-avermelhados das criptomérias. Os arcos entrelaçavam-se e a verdura crescia tão densamente que o céu se ocultava. De vez em quando, naquela alta renda de ramos e sombras, pequenos salpicos de luz açafroada pareciam flutuar tremulamente. Nesta renda, para nosso deleite, que orquestras de pássaros davam as boas-vindas ao radiante dia! Inúmeros dos famosos canários verdes e dos quase tão maravilhosos melros açorianos, cantores, rivalizavam cantando os seus madrigais. E o mais notável de tudo isto era a aparente regularidade de alternância nas suas maravilhosas melodias. Durante algum tempo, os melros tudo possuiam. A seguir, apenas se ouviam as notas dos canários. Depois, como se para se tentarem superar entre si ou aos verdadeiramente orquestrais efeitos dos riachos abaixo, misturavam ambos os seus estridentes agudos e suaves contraltos num diapasão sustentado e arrebatador de canção em voz de pássaro. O velho Manuel, o guia, observou o meu encantamento durante algum tempo em digno silêncio e, finalmente, com um grave aceno da cabeça, observou:
— Ah, sim, tal como as mulheres, belas à vista ou ao ouvido, mas tristes pragas, às vezes. Quando cantam tão docemente, nós ilhéus sabemos que é porque as suas colheitas estão cheias e as nossas provisões nos campos foram devastadas. Nessas alturas, o nosso Governo dá 20 réis por cada dúzia de bicos de canário ou melro. Se o Mateito e eu pudéssemos levar a Ponta Delgada os bicos de todos os que agora cantam lá em cima, cada um de nós poderia tornar-se dono de uma quinta, tal como os ricos da cidade!
O Mateito ficou tão excitado com esta visão repentina de riqueza que começou a fustigar os nossos burros, fazendo-o de uma forma tão feroz que os animais, por iniciativa própria, regressaram ao caminho do qual nos tínhamos desviado. Durante toda a descida em direcção às povoações costeiras do norte manteve-se um ritmo tão rápido que, quando chegámos à bela vila da Ribeira Grande, demos por muito bem-vindo um breve descanso numa velha estalagem pitoresca. O proprietário era um conhecido do Manuel, o que levou a que nos fossem servidas tais provisões de comida e tais garrafões de vinho nativo, que nos criaram noções maravilhosas acerca dos recursos da natureza e dos cozinheiros açorianos. O gordo e velho estalajadeiro não permitia que nenhuma mão que não a sua preparasse a comida. Assim, sentámo-nos e conversámos, esperando esfomeados na cozinha fumarenta. Finalmente serviram- nos aves grelhadas, pão de milho, batatas-doces assadas, manteiga e leite dos mais doces, um queijo nativo picante, como o Brie dos franceses, tudo realmente delicioso, bem como o café mais preto e repugnante que alguma vez se provou fora da cabina suja de um veleiro americano. O proprietário ficou a nosso lado enquanto comíamos, ora servindo-nos, num ridículo alerta, os diferentes artigos de comida, ora limpando, com o seu grande avental de linho, o fumo e a transpiração do seu rosto afogueado, ora de novo bebendo à nossa saúde e a «uma viagem protegida pelos céus», numa exuberância de hospitalidade, servindo-se do vinho por nós próprios comprado. Depois, o personagem ponderoso e pançudo correu durante uma boa milha ao longo das ruas da Ribeira Grande, ao lado dos nossos burros, soprando orações e súplicas pela nossa segurança. Não desistiu sem que os subúrbios fossem alcançados e já não conseguisse chamar a atenção de mais nenhum dos seus bons conterrâneos para a importância dos hóspedes que havia recebido naquele dia. Quando nos voltámos e começámos a subir o caminho da montanha, o nosso último vislumbre do curioso Bonifácio deparou-se com ele sentado, a resfolegar, à beira de uma agradável fonte, presa das atenções dos muleteiros jocosos, enquanto abanava o seu rosto vermelho e rubicundo com o majestoso avental de linho com que nos havia servido.
A nossa sorte quanto a hospitalidades de estrada foi naquela noite menos untuosa. Não conseguindo atingir as Furnas e o seu encantador vale, a nossa ânsia por alojamento foi finalmente aliviada quando os nossos sábios burros subitamente aguçaram as orelhas e, sem consideração por nós, se lançaram a grande velocidade e não abrandaram senão quando chegámos ao lado de uma solitária estalagem de beira de estrada. Fomos alegremente recebidos por um sujeito corpulento, de aspecto rude, armado e equipado como que para a guerra. A estrutura era um edifício de pedra comprido, baixo e de um só piso, pintado de um amarelo curioso, com um alpendre de metade do seu tamanho sob o qual havia bebedouros e baias abertas para animais. O interior era simplesmente uma grande divisão, escurecida e encardida com a imundície de gerações. Meia dúzia de pesadas mesas de madeira espalhavam-se por aqui e por ali, ladeadas por bancos corridos, grandes como mamutes, e por algumas pedras talhadas na forma de assentos. Uma tábua robusta, atrás da qual havia garrafas com os licores açorianos mais vis, constituía o balcão, numa de cujas extremidades se encontrava uma pele completa de javali plena de vinho, a sua boca aberta sugerindo todos os tipos de ferozes possibilidades. Ao longo dos baixos caibros havia inúmeras cavilhas das quais pendiam entrançados de inomináveis e pungentes vegetais, réstias de cebolas, pedaços de presunto e tiras de tassalho [assim, no original; i.e., toucinho ou carne seca]. Após várias horas de espera, um jantar — preparado pela mulher do estalajadeiro sobre um fogareiro a carvão à volta do qual ela parecia estar em permanente e estridente confronto com uma colecção de cabras, cães, galos de combate e crianças seminuas — foi servido. Consistia num ensopado misto açoriano ou «composto de várias viandas» — carne, sêmola, vegetais e peixe — que nos alegrámos a comer com ajuda de garfos e colheres de chifre. Não nos deram nenhuma dica sobre onde iríamos dormir; por isso, perto da meia-noite, o Manuel e o Mateito procuraram e lutaram até conseguirem que uma porção de queiró fosse cedida e colocada sobre os bancos agrupados. Com isto, e as nossas selas, bornais, cangalhas e algumas esteiras de junco, desafiámos durante o resto da noite, em sono leve e pacífico, cabras, galinhas e pulgas.
Não havia razão para nos demorarmos na velha e solitária estalagem de montanha, por isso escapámos da sobrelotada cabana antes do amanhecer. Um passeio rápido por uma estrada agradável, com aglomerados de choupanas de camponeses a brilhar aqui e ali ao longo dos pequenos vales ou das bonitas encostas nas terras altas, com de vez em quando um momento de pausa em fontes à beira da estrada ou em pontes com arcos de pedra onde cascatas em espuma corriam através de encantadoras grotas até ao oceano invisível abaixo, levou-nos ao planalto superior de uma cordilheira circular com quase 3.000 pés de altura. O sol varria o limite oriental destas nobres elevações quando, de repente, ao darmos a volta ao pico agudo de uma colina rochosa que se debruçava sobre a estrada, o grande ciclorama circular do famoso Vale das Furnas se abriu por completo diante de nós.
[Um ciclorama é uma «pintura de grandes dimensões feita em superfície côncava ou circular, de tal modo que, a uma distância calculada, cria no observador a ilusão ótica de perspetiva natural». – Infopédia, Porto Editora]
Do alto onde nos encontrávamos, o vale parecia ser oval, com seis a nove milhas de comprimento e duas a quatro de largura. As montanhas que o rodeiam elevam-se entre os 2 000 e os 8 000 pés acima do nível do mar. As suas bordas serrilhadas são interrompidas aqui e ali por vales menores de maravilhosa simetria, por cortes naturais na lava por onde serpenteiam estradas que rivalizam com as romanas de outrora, por gargantas e desfiladeiros precipitosos salpicados de cascatas veladas de névoa, e por depressões e cavidades onde, da nossa altitude, podíamos vislumbrar reflexos das superfícies reluzentes de lagos silenciosos e de lagoas sombrias. Inúmeras ribeiras, como linhas sinuosas de pérolas, misturam-se, cruzam-se, separam-se e serpenteiam caprichosamente ao longo dos níveis mais baixos. As alturas púrpuras de queiró fundem-se nas massas de verde onde criptomérias se erguem, densas, passando a um verde mais escuro sobre os aglomerados de loureiros, e desvanecendo-se em azul, dourado ou púrpura consoante a luz e a sombra brincam sobre os líquenes entretecidos das encostas mais selvagens e íngremes. De onde estávamos, contávamos meia centena de choupanas de camponeses e o seu dobro em caminhos de cabras, quais delicadas fitas cor-de-rosa. Canadas, entre velhos muros azuis ou cinzentos meio encobertos sob massas de videiras, entrelaçavam todo o vale e as encostas das montanhas, ou perdiam-se nos tons azuis dos vales altos, até toda a superfície da cena parecer traçada e entretecida como as linhas de um diminuto mapa de um qualquer populoso continente.
Lá em baixo, lá bem em baixo, estavam as paredes brancas, os telhados vermelhos, a singular cúpula de igreja e as longas e tortuosas ruas da mais pitoresca das antigas povoações dos Açores. Passando por nós na estrada onde estávamos, escorrendo das montanhas à nossa direita e à nossa esquerda, e pelos declives dos vales opostos, vinham pequenos rebanhos de cabras, brancas como leite. De cada uma delas pendia um pequeno chocalho com um diferente tom. As cabradas iam levadas para a ordenha diária na povoação. Cabreiros descalços, atrás, tocavam as suas agudas flautas. Dos arvoredos e dos bardos, os melros e os canários, como que inflamados por uma rivalidade exaltada, superavam-se lançando erupções de canto — centenas e centenas de cristalinos sinos, vintenas e vintenas de alegres flautas, milhares e milhares de vozes de pássaros, misturando-se, ressoando, crescendo na melodia mais estranha, mais doce e contudo mais tremulamente terna que ouvidos humanos jamais ouviram! E, no entanto, é assim que o amanhecer é anunciado todos os dias do ano neste prodigioso vale das Furnas.
Até agora, o vale silencioso dormia. Mas veja-se a resposta pitoresca a esta maravilhosa canção matinal. Emergindo das vielas sombrias do sereno aglomerado aos nossos pés, das quintas ou das vilas dos domínios opulentos das suaves encostas mais próximas, ou, perto e longe, de bonitas camarazinhas [assim, em português, no original] envoltas em arqueadas videiras ou árvores, surgem, quais vestais indo servir perante a sacerdotisa do dia, uma centena de donzelas das Furnas. Cada uma delas chilreia ou entoa a sua cantiga [em português no original] preferida e traz, sobre a cabeça formosa, um cântaro vermelho vivo. As suas saias são azuis, o seu corpete é branco, ou rosa, ou amarelo. Os seus pés, e os seus braços e a sua cabeça estão descobertos. A sua figura é helénica. Os seus olhos são profundos e lânguidos, mas líquidos de luz. O sol, acolá, passando acima do vetusto Pico da Vara, nunca pintou um vermelhão como o que tinge as suas faces, nem um carmesim como o que se abre entre os seus reluzentes dentes. Assim, cantando em resposta aos rebanhos, aos pássaros e à manhã, estas encantadoras aguadeiras calcorreiam os caminhos em direcção às fontes, entretecendo na cena idílica pedaços de som, cor e vida que nos conquistam por inteiro o coração.
Quanto tempo nos deleitámos com a cena eu não sei, mas ela tocou e emocionou até as veias túrgidas do meu velho e grisalho guia. Quebrou o silêncio com um suspiro. Depois, colocando as mãos enrugadas sobre o coração e revirando os olhos para o céu, elevou a sua voz quebrada e nasal numa canção tão melancólica que os burros, inquietos, zurraram em resposta um miserere empático:
«Este vale é minha terra,
É minha terra natal;
Mas em belezas que encerra,
No mundo não tem rival!
Esta é a canção que sai de todos os corações dos camponeses das Furnas perante o seu encantador e amado vale. Mas a fama das Furnas provém de mais do que as suas belezas. O hoje nobre vale foi outrora a cratera de um vasto vulcão. Forças ocultas revelam a sua proximidade por meio de jorros incessantes de águas termais. Em dezenas de cavidades mais baixas, em fissuras nas encostas das montanhas, em fontes e lagoas, em charcos e ao longo de riachos, há gorgolejos, fervuras, sibilos e pulsações contínuos vindos de reservatórios subterrâneos carregados de fogo. Em muitos lugares, o calor da terra impede que se caminhe sobre ela. Em alguns, os camponeses cozinham a sua comida nos caldeiros da natureza. Por toda a parte há tremores e murmúrios violentos, enquanto no interior de muitos dos géiseres os batimentos e as pancadas, como se fossem golpes de pistões de enormes motores, transmitem ao forasteiro uma sensação incontrolável do terrível.
Há centenas de anos, eremitas do continente descobriram este lugar e, através das águas medicinais, aqui realizaram milagres. Depois vieram os jesuítas. Tomaram posse de todo o vale e plantaram pomares de laranjas e campos de inhame. Quando esta ordem foi expulsa, há pouco mais de 100 anos [1759], os camponeses açorianos sucederam-lhe. Quase todos possuem as suas pequenas herdades [em português, no original]; mas há uma sonolência no lugar que reprime a energia. Vivem vidas idílicas enquanto camponeses. As suas necessidades são poucas. A terra é generosa. Todos são simples, honestos, satisfeitos. Mal conhecem a velhice. Algumas das condições que tornam isto possível — o clima, as águas termais, a beleza langorosa das imediações e a paz do local — fazem dele um lugar maravilhoso para os enfermos. Primeiro vieram alguns de Lisboa. Depois, começou a chegar a aristocracia da ilha. Finalmente, um inglês ou um americano aventureiro penetrou nas montanhas de São Miguel. E assim o mundo começou a conhecer o Vale das Furnas, e deu-lhe fama. Quando os nossos compatriotas puderem aqui chegar tão facilmente quanto chegam a Londres, muita da sua beleza tranquila desaparecerá, mas nascerá então aqui uma nova e maior Baden Baden. O clima assim o determinará. Varia entre 75° (24° C) no verão e 52° (11 C) no inverno.
Uns magníficos banhos, para onde as várias águas termais e minerais são conduzidas, foram construídos; e aqui podemos banhar-nos para sempre e de graça! Isto é a coisa mais notável dos Açores. O custo de vida é tão baixo que envergonha procurar um equivalente; tem-se verão no inverno; primavera no verão, e as delícias da vida tropical nas verduras e nas frutas do ano inteiro; enquanto aquilo que em toda a Europa do Sul tanto encanta o viajante pelo pitoresco da vida e dos costumes camponeses, não consegue superar o que a qualquer momento se pode ver e sentir a partir da nossa antiga varanda pitoresca das Furnas; pois
* «em belezas que encerra,
No mundo não tem rival!»
Publicado pelo menos em:
– 1889-12-07 – The Daily Inter Ocean, p. 11
– 1889-12-07 – The Daily New Era, p. 6
– 1889-12-07 – The Pittsburg Dispatch (2nd part), p. 9
– 1889-12-08 – The Daily Picayune, p. 18
– 1889-12-08 – The Evansville Courier, p. 1
– 1889-12-08 – The Knoxville Journal, p. 1
– 1889-12-08 – The Meriden Sunday Journal, p. 5
– 1889-12-11 – The Scranton Republican, p. 6
– 1889-12-18 – The Scranton Weekly Republican, p. 2
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Passageiros dominam adolescente armado que tentava embarcar num avião

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Passageiros e membros da tripulação dominaram hoje um adolescente de 17 anos, armado com uma pistola e munições, quando este tentava embarcar num avião perto de Melbourne, na Austrália, informou a polícia.

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1992 memórias visita com Pedro Roriz, a David Landers então dono da Station TowalCreek, Comara (recente,mente vendida)

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TOWAL CREEK

1.5. A ENTRADA NA UNIVERSIDADE É SEMPRE TRAUMÁTICA

Fizemos muitas manifestações ou “manifs” contra a guerra colonial. Vimos a U.P. (Universidade do Porto), no Largo dos Leões, invadida pelos cavalos da GNR que subiam a escadaria em perseguição dos alunos que corriam a acoitar-se no sótão onde se albergavam as seis salas da F.E.P. (Faculdade de Economia do Porto). Outra coisa importante a que meti mãos foi a preparação de convívios de Economia. Só recentemente, em pleno século XXI, me recordei desta vertente de capacidade organizativa.
Num deles arrendamos o Palácio de Cristal (atual Pavilhão Rosa Mota) e contratamos o Manuel Freire, a fadista Maria da Fé e / ou a Lenita Gentil, e outra artista pop cujo nome se perdeu. Era difícil organizar: contactar os músicos, pedir a aparelhagem emprestada a uma das lojas (VADECA, Valentim de Carvalho, ou à Ritmo dum primo meu) na Rua de Santo António (ou 31 de janeiro conforme as modas políticas). Depois, improvisar cartazes e distribuí-los pelos Liceus (D. Manuel e Carolina Michaëlis) alvos privilegiados donde vinha mais gente (finalistas de 6º e 7º anos, atuais 11º e 12º).
Não havia interligação com outras faculdades. Conhecia pessoas de Engenharia e de Letras, mas a menos que se fizesse parte desses grupos não iam às festas deles nem eles vinham às nossas. Compravam-se rifas numeradas para vender na esperança de recuperar o investimento. Os “artistas” não cobravam cachet, mas havia despesas de transporte do som e comida, além do aluguer do local, da tipografia. Zeca Afonso estava proibido não podia atuar, restava o Manuel Freire, o Adriano Correia de Oliveira, como cantores de intervenção já que o José Mário Branco estava em França, como o Sérgio Godinho, e outros. Hoje contratam um “pimba” como o Quim Barreiros, nós íamos para a fadista local, Lenita Gentil ou a mais sofisticada Maria da Fé, do gosto popular enquanto uma minoria esclarecida apreciava os cantores proibidos. O custo era de 30 escudos (15 cêntimos) em 1969, segundo a minha irmã me recordara, pois pedira dinheiro emprestado a uma amiga para poder ir. Só tinha 15 anos e a mesada era insuficiente para um “Convívio de Economia”. Não me lembro de ter perdido dinheiro com estas atividades. Na época, os convívios e a Queima das Fitas não eram fábricas de bebedeiras. Embora ocorressem, as pessoas não iam lá para isso. Agora os caloiros e outros vão exclusivamente para se emborracharem até ao coma alcoólico.
Isso evocava o sistema australiano de se embebedarem quinta-feira, depois do trabalho e regressarem segunda-feira. Quando se perguntava, se tinha sido um bom fim de semana, respondiam alegremente “deve ter sido, não me lembro de nada”. Evoque-se, que numa das idas a Towal Creek Station levara o Jacko. Depois de jantar vieram “jackeroos” e “jilleroos” (vaqueiros) beber uns copos. Uma festa informal. De hora a hora, metiam-se nas “utes” (carrinhas de caixa aberta) e iam 20 km ao bar da aldeia próxima para mais umas grades. Depois, o ambiente era quente e animado, ao ponto de o Jacko já contar em português como pegava touros de cernelha e todos se rirem. Tinha sido um sucesso, o amigo de Angola acabado de chegar. Fui-me deitar, o ambiente descambava, e nada inspirava de sóbrio. O Jacko ficou até mais tarde. Não tivera o cuidado de conhecer a enorme casa, de criadores de gado, não tinha a quem perguntar onde dormir, foi espreitar. Nas casas de banho encontrara gente em diferentes estádios de coma alcoólico. Nos quartos deparara com cenas semelhantes, e num, o filho dos donos, David estava de chapéu à cobói e botas de montar lidando com as vagas alterosas da Jill. Apenas se via o chapéu. O Jacko quis indagar se era o “Australian Way”. Conteve-se, mas na manhã seguinte, por entre a ressaca, não parava de se rir a contar. Jamais esqueço Towal Creek. Comara, Bellbrook, Nova Gales do Sul), a quinta dos amigos Landers, onde adorava ir, 700 km NW de Sidney. Sempre que podia lá ia num fim de semana prolongado até Port Macquarie, na costa norte, rumo norte a Kempsey e fletia-se para o interior na rota de Armidale. A partir de Bellbrook, a estrada era de terra batida. Andavam-se 10 km até um portão. Depois, duas barreiras separadoras de gado, guiando-se uns minutos, até um ribeiro onde nos vinham buscar para atravessar de barco. Em época de cheias havia um segundo ribeiro que só o trator ou o pequeno camião tipo Unimog conseguia passar. Mais uns minutos e chegava-se às casas. A luz elétrica e a água eram de fabrico local, como a carne, o leite, o pão e outros produtos e centenas de cabeças de gado. Havia cavalos bravos (brumbies) e domesticados que podiam montar. O gado bovino guiado por motos ou cavalos dum pasto para outro. Uma propriedade enorme (2,305.94 ha – 30 km2) demorava horas a dar a volta de jipe e não se via tudo. Há seis gerações que a família ali estava. Com o avançar da idade e as secas (a maior, desde há três mil anos), crises da agricultura e baixos preços do gado acabariam por dar à exploração a quinta, incapazes de cuidar dela apenas com um dos filhos. Os restantes tinham ido estudar e não regressaram. Lá, como cá, o engodo das grandes cidades contribui para a desertificação. Mas não eram uns labregos, várias vezes os vi vestidos a rigor para concertos ou a óperas.
https://www.outbackmag.com.au/who-owns-the-australian-bush/
Em dezembro 2016 a quinta foi vendida por 5 milhões de dólares.
https://www.urban.com.au/news/towal-creek-station-in-the-macleay-valley-sold

Ainda assim, Towal Creek vive hoje na memória desses tempos áureos.
Que diferença dos portugueses. Ainda assim, Towal Creek vive hoje na memória dos meus tempos áureos.
https://c21ch.newcastle.edu.au/colonialmassacres/detail.php?r=620

palhaços cobardes na sala oval

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https://www.facebook.com/reel/1611323126162539

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Volodymyr Zelensky não nasceu para isto, ninguém nasce, ninguém imagina o peso de um país nos ombros até o ter nos ombros, até sentir o frio da noite dentro do peito, até perceber que a solidão de um homem pode ser a solidão de uma nação inteira. Era comediante, fazia rir as pessoas, e um dia acordou presidente, depois acordou numa guerra, depois acordou num mundo onde os edifícios caem, as crianças morrem, os velhos choram num ucraniano que ninguém ouve. E ficou. Ficou porque fugir seria o fim, porque quem foge leva consigo o cadáver da própria pátria, porque os olhos de um povo perguntavam e ele não podia dizer-lhes que não.

Chega a Washington e há uma sala cheia de sombras que não lhe pertencem, uma sala onde o destino de Kyiv se decide sem Kyiv, uma sala onde um palhaço reformado, um velho laranja de discursos gordurosos e frases que escorrem como sebo, acha que pode ensinar-lhe o que é a guerra, o que é perder uma casa, o que é enterrar um filho, o que é saber que, num instante, a morte pode entrar pela porta sem bater. O velho laranja gosta de ouvir a própria voz e fala de paz, de acordos, de entendimentos, como se Putin fosse um negociante de tapetes e não um assassino, como se a Ucrânia pudesse ser dobrada, vendida, fechada numa gaveta qualquer. E ao lado dele um rapazinho com ar de quem nunca saiu da sua terra natal, J.D. qualquer coisa, um Vance, um nome que não pesa nada, um nome que podia ser de um vendedor de automóveis usados ou de um miúdo convencido de que sabe tudo sobre o mundo porque leu meia dúzia de livros e viu uns documentários. Olham para Zelensky como se ele fosse um problema e não um homem, como se a guerra fosse um incómodo para os Estados Unidos e não uma questão de vida ou morte para aqueles que todos os dias enterram os seus mortos.

A reunião não chega a ser reunião, porque Trump não gosta de ser contrariado, porque acha que a Casa Branca é a sua sala de estar e o mundo inteiro uma audiência do seu reality show, porque não entende o silêncio de Zelensky, o peso daquele silêncio, porque um homem que viu o inferno não tem paciência para joguinhos políticos de terceira categoria. Levanta-se, vai-se embora, leva consigo a mesma guerra que trouxe, volta ao seu país onde as cidades caem, onde as mães dormem com retratos nas mãos e os soldados aprendem que, no fim, só há dois tipos de pessoas: os que fogem e os que ficam. E ele ficou. Porque sempre soube que não havia alternativa.

Março 2025
Nuno Morna

PS: escrevi este texto com uma enorme irritação a me apertar o coração. É um texto dolorido. Hoje assisti, com os meus olhos,  à maior indignidade que vi na minha vida. Estou muito revoltado. Como é possível aqueles dois trambolhos terem tanto poder e serem tão burros?

açorianos no oriente

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Quando em 11 de setembro de 1989 em Sydney, Austrália, fui o primeiro jornalista a conseguir entrevistar telefonicamente Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, em Díli, Timor-Leste – então sob a ocupação neocolonial indonésia – estava longe de imaginar-me hoje aqui nesta terra e a falar deste projeto.

Tornei a entrevistá-lo, algumas vezes, ao longo dos anos negros de ocupação indonésia, mas nem sempre me deixavam falar com ele quando apertavam o cerco à sua voz incómoda e desabrida em defesa dos Timorenses. Foram anos difíceis que culminaram no infamemente 12 de novembro de 1991, aquando da chacina no cemitério de Santa Cruz, quando a sua residência em Lecidere serviu de último abrigo a centenas de refugiados do massacre indonésio.

Vim a conhecê-lo e a entrevistá-lo, pessoalmente, em dezembro 1993, em Melbourne, aquando da sua primeira deslocação à Austrália e só nos tornamos a reencontrar em 2005 em Bragança quando foi convidado de honra no 4º Colóquio da Lusofonia, quando Timor já independente dava os seus primeiros passos, vencida a fase da luta em que ambos estivemos envolvidos durante décadas, em diferentes locais e de formas distintas.

Posteriormente, convidei Dom Ximenes Belo para o 19º Colóquio da Lusofonia em 2013 na Maia (S. Miguel, Açores) e para o 24º Colóquio na Ilha Graciosa em 2015 em que foi proposto pelo nosso amigo e associado José Soares, para Patrono e 1º sócio honorário da AICL – Colóquios da Lusofonia, tendo vindo a S Miguel no 26º colóquio na Lomba da Maia 2016.

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo (Prémio Nobel da Paz, 1996, conjuntamente com José Ramos Horta) tem dedicado os seus últimos anos a estudar um tema que me fascina por ter vivido em ambos os locais: o da presença maciça de clero açoriano no Oriente (Macau e Timor).

D. Arquimínio da Costa, D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, D. João Paulino de Azevedo e Castro, D. José da Costa Nunes e D. Paulo José Tavares, têm em comum serem todos açorianos e Bispos de Macau. Esta tradição de o clero açoriano se notabilizar fora do arquipélago vem desde os tempos remotos do povoamento. No século XVI, D. Frei João Estaco, foi bispo de Puebla de Los Angeles, no México. No século XVII, D. Frei Afonso Enes de Benevides, foi bispo de Meliapor; D. Frei Cristóvão da Silveira foi primaz do Oriente. No século XVIII, D. António Taveira Brum da Silveira, foi arcebispo de Goa e primaz do Oriente; D. Frei Bartolomeu do Pilar, foi bispo do Grão-Pará no Brasil; D. Manuel de Sousa Enes foi Prelado de Macau.

No século XX, novos açorianos contribuíram para a evangelização católica, em especial no Oriente, como D. João Paulino de Azevedo e Castro, Bispo de Macau; D. Manuel de Medeiros Guerreiro, Prelado de Meliapor e de Nampula; D. José Vieira Alvernaz, Prelado de Cochim, arcebispo de Goa e Damão, e Patriarca das Índias Orientais; D. Paulo José Tavares, Bispo de Macau; D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo de Macau e D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Prelado de Díli. Nos Estados Unidos da América, merece ainda alusão a figura de D. Humberto de Sousa Medeiros, cardeal de Boston.

Estes nomes mais destacados inserem-se no contexto mais abrangente de um movimento clerical que se perpetuava dentro das famílias, como é o caso da família Costa Nunes, pois José era sobrinho em segundo grau do Padre António da Glória, cura e vigário da Candelária de 1809 a 1856.

Alguns dos familiares de Dom José da Costa Nunes foram atraídos para o sacerdócio. É o caso dos Padres Áureo da Costa Nunes e Castro; Manuel da Costa Nunes e António Maria Nunes da Costa, sobrinhos de D. José, e do bispo Jaime Garcia Goulart, seu primo. Aliás, D. José da Costa Nunes não se limita somente a influenciar a rede familiar pois no decurso da sua estadia no Oriente leva onze jovens açorianos para o Seminário de Macau (oito terceirenses, dois picoenses e um faialense), nove dos quais seguiram a carreira eclesiástica e que iremos homenagear em outubro no 30º colóquio da lusofonia no Pico.

Assim, este livro nasceu de um projeto que os Colóquios da Lusofonia lançaram em abril 2011 no 15º colóquio em Macau, e que, lentamente, temos vindo a desenvolver, tendo saído em 2016 o primeiro volume (Um missionário açoriano em Timor, Padre Carlos da Rocha Pereira) por mecenato de um associado nosso. Quando no ano passado se nos deparou esta obra foi prometido o apoio das entidades que regem a cultura nestas nove ilhas, mas quando fizemos o pedido formal um longo silêncio se seguiu. Nunca desistimos de publicar esta obra, este segundo volume com vinte religiosos em Timor, e que agora vimos dar à estampa graças ao labor de Dom Carlos Filipe Ximenes Belo e ao patrocínio generoso, que aqui publicamente agradecemos, da Câmara Municipal de Ponta Delgada que com o seu mecenato tornou possível a edição. Trata-se de uma completa biografia de vinte religiosos açorianos que deram o seu melhor por Timor em mais de um século, muitas vezes em situações difíceis como a revolta de Manufahi em 1911, a segunda grande guerra e a invasão japonesa, e – mais tarde – a 7 de dezembro de 1975 a invasão e o genocídio indonésio.

Uma viagem na História que muito enaltece a fibra das gentes açorianas na missionação por longínquas paragens de Timor cujo lema era “a terra em que o sol nascendo vê primeiro”.

Desde sempre os homens da Igreja foram importantes em Timor para missionar e administrar um território esquecido e abandonado pelos governos desde o seu achamento em 1514. O primeiro capitão-mor foi nomeado em 1602 na dependência da Índia, o primeiro governador em 1695, a partir de 1852 dependente de Macau e dependente de Lisboa a partir de 1896, província ultramarina em 1909, distrito autónomo em 1927, de novo província ultramarina em 1955 e região autónoma a partir de 1972.

Durante este tempo a missionação e o ensino estavam quase totalmente nas mãos dos clérigos. A eles se deve, durante a resistência à ocupação neocolonial indonésia, a manutenção cultural e linguística portuguesa numa terra, repito, sempre esquecida e abandonada pelo poder central. É da história destes notáveis clérigos açorianos ao longo de mais de um século, que este livro trata. Obrigado Dom Carlos Filipe e Câmara Municipal de Ponta Delgada, por nos ajudarem a revelar e divulgar a importância das gentes açorianas nos confins do mundo, e que, decerto, nos encherá de orgulho. Pena é que as novas gerações não o aprendam ainda nos seus livros scolares para melhor entenderem toda a vasta abrangência das várias vertentes da Açorianidade que torna este povo dos Açores tão distinto dos demais.

 

Ponta Delgada, 6 julho 2018

Chrys Chrystello, Jornalista [MEEA/AJA (Australian Journalists’ Association – Membro Honorário Vitalício, 1983-2018)]

[ao serviço da LUSA, jornal EUROPEU, RDP, Rádio Comercial e TDM-RTP Macau]
São Tomé de Meliapor foi um antigo território de Portugal entre 1523 e 1662, e também entre 1687 e 1749. Está localizado na costa oriental da Índia.

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