Arquivo da Categoria: AICL Lusofonia Chrys Nini diversos

Português denuncia que Governo lhe pediu 600 euros para o repatriar. Eis tudo o que se sabe – CNN Portugal

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Se quiserem sair do Médio Oriente com a ajuda do Estado português têm de assinar um “compromisso de pagamento”. Até ao momento cerca de 400 pessoas pediram ajuda

Source: Português denuncia que Governo lhe pediu 600 euros para o repatriar. Eis tudo o que se sabe – CNN Portugal

Humor na Literatura Açoriana Antologia

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É certo que o humor português, quase sempre “revisteiro” ou “brejeiro”, está a anos-luz da inteligência e da subtileza do “humor britânico”, mas cada povo sabe de si, regendo-se pelos seus próprios princípios e valores. O humor que em espaço luso temos é aquele que soubemos criar ao longo dos séculos.

Source: Humor na Literatura Açoriana Antologia

645 botox para camelos por chrys c

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645 botox para camelos 2/3/2026

estas crónicas estão em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

Vinte camelos foram desclassificados de um prestigiado concurso de beleza em Omã depois de inspetores veterinários encontrarem evidências de procedimentos cosméticos proibidos, incluindo injeções de Botox, preenchimento labial e outras alterações cirúrgicas.

A competição, que celebra a beleza natural e a linhagem dos camelos, proíbe estritamente qualquer tipo de aprimoramento artificial. As Autoridades afirmaram que os animais apresentavam sinais visíveis de manipulação com o objetivo de exagerar características como lábios, corcovas e estrutura facial.

Ao ver esta parvoíce, lembrei-me de pensamentos que me assolaram no início da guerra ucraniana e ora me perseguem, de novo.

Tomando por base a minha experiência e a da minha geração, antes da guerra colonial não se arranjava emprego, depois, não se tinha experiência, mas perdera-se a ingenuidade. Nos diferentes canais da comunicação social, ouvem-se mil e comentadores falarem dos dispositivos militares, das bases, das estruturas de gás e de petróleo, da economia mundial e da banca, mas ninguém fala, nem agora, nem antes, nem depois da vida humana.

Os soldados de um lado e doutro nunca mais serão os mesmos, assim como nós, depois da guerra colonial nunca mais fomos os mesmos.

Alguns que escaparam vivos e inteiros podem ter refeito vidas, outro estropiados sabe-se lá como ficaram e os mortos despedaçaram famílias.

Nunca mais nada foi igual, mesmo sem morte. Eu tive sorte, fiz catarses, autopsicanálise, casamentos e divórcios, e por fim, encontrei o amor que sempre buscava.

Muitos outros não tiveram essa sorte ou a sabedoria para o fazerem e ainda hoje não falam desses anos de trauma. Ficaram afetados mas calaram, o que é a pior forma de lidar com o SPT (PTS).

Pensem uns segundos que sejam nas pessoas que foram à guerra e nas que apanharam com a guerra em cima das suas cabeças e das suas casas. Já não lhes bastava a teocracia opressora do Irão! Pensem neles como eu que sou contra toda e qualquer guerra e violência física, verbal, ou outra.

osvaldo cabral A GRANDEZA DO PICO

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A GRANDEZA DO PICO
A GRANDEZA DO PICO
A grandeza do Pico não está no seu tamanho, mas nas suas gentes, com uma história de bravura que ainda permanece nos dias de hoje.
Mesmo com os contratempos no plano das acessibilidades, os picoenses dão provas de nova resiliência, transformando ruínas em alojamentos de beleza natural, num crescimento que se torna um caso de estudo.
A ampliação da pista do Pico é um imperativo para o próximo salto qualitativo na economia da ilha, maior segurança e menor penalização para voos de médio e longo curso.
Na primeira reunião do grupo de trabalho, ocorrida na semana passada na Madalena, algumas decisões já foram tomadas quanto às tarefas a desenvolver por cada um dos elementos, até à decisão final a apresentar ao Governo Regional no final de Junho.
Por aquilo que sabemos, a Câmara Municipal da Madalena já vai com trabalho adiantado, tendo já um primeiro esboço dos terrenos a abranger no futuro aumento da pista, identificação necessária para depois avisar os respectivos proprietários dos terrenos, nomeadamente os que possuem vinhas.
Um outro aspecto decisivo neste projecto será o envolvimento da ANAC, a autoridade nacional em matéria de aviação civil, que terá um papel de supervisão, fiscalização e aprovação da ampliação.
Sabemos que os responsáveis da SATA vão tentar reunir com a ANAC nos próximos dias, provavelmente por ocasião da Bolsa de Turismo de Lisboa. Sabemos também que elementos da ANAC vão estar no Pico no próximo mês, embora para outros assuntos relacionados com o aeroporto, mas que poderá ser uma ocasião para, eventualmente, reunirem com o grupo de trabalho.
Quanto ao financiamento da obra, que poderá ultrapassar os 30 milhões de euros, sabemos que há a convicção de que é possível recorrer ao mesmo programa nacional que financia as obras do porto das Flores, podendo ir aos 85% de financiamento, já que o Plano Operacional Açores 20-30 não contempla portos e aeroportos, como se pensava inicialmente.
A parte mais complicada será toda a burocracia técnica que envolve um projecto desta envergadura, mas todos nós esperamos que, terminada esta fase do grupo de trabalho, com todo o levantamento feito até 30 de Junho, o Governo dos Açores tome decisões práticas de imediato, nomeadamente lançamento de concursos, e avance o mais depressa possível com esta obra fundamental para as acessibilidades futuras do Pico.
É que já se perdeu muito tempo neste projecto.
Mesmo assim os picoenses souberam resistir e acreditar no potencial da sua ilha.
Tanto é assim que o Pico se tornou – mesmo com os constrangimentos da pista – no destino que mais rápido cresce no turismo, com uma forte aposta na criação de 600 alojamentos locais, 3 mil camas que constituem 73% da sua capacidade hoteleira e com impacto estimado de 30 milhões de euros na economia da ilha.
A isto sim, chama-se resiliência de uma população que acredita no seu potencial.
Parabéns Pico!
Osvaldo Cabral
Fevereiro 2026
(Crónica publicada no Jornal do Pico)

livro “Os Que Partem em Silêncio” de Miguel Araújo

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A apresentação do livro “Os Que Partem em Silêncio” de Miguel Araújo ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2026, pelas 20h30, na Junta de Freguesia da Lomba da Maia, nos Açores. Esta obra é descrita como uma narrativa sensorial contada pela perspetiva de um cão.

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Detalhes do Evento e Livro:
  • Título: “Os Que Partem em Silêncio – A Viagem de um Cão pelo Amor, Memória e o Último Adeus”.
  • Autor: Miguel Araújo (Edições Vieira da Silva).
  • Local: Junta de Freguesia da Lomba da Maia.
  • Conteúdo: Uma história íntima sobre a ligação com um cão.
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    📖 Apresentação de Os Que Partem em Silêncio na Lomba da Maia

    No dia 27 de fevereiro, às 20h30, regresso à Junta de Freguesia da Lomba da Maia para apresentar Os Que Partem em Silêncio — um livro que nasceu de memórias, afetos e despedidas, e que agora volta ao lugar onde tantas dessas histórias começaram.

    A Lomba da Maia é mais do que um cenário: é parte da minha vida. Foi aqui que encontrei uma família, raízes e pessoas que me acolheram desde o primeiro dia. É também o lugar onde a minha mãe, Helena Chrystello, deixou uma marca profunda na comunidade, na escola e na cultura local.

    Por isso, esta apresentação não é apenas um evento literário.
    É um reencontro.
    É um agradecimento.
    É um regresso ao coração.

    Será uma noite especial, aberta a todos os que queiram partilhar este momento comigo e com a comunidade da Lomba da Maia.

    Mais novidades em breve.

    https://www.instagram.com/explore/locations/107990505889942/lomba-da-maia/

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O autor esteve presente na sessão na Lomba da Maia.

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Osvaldo José Vieira Cabral · UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO

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UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO
A dura verdade da nossa realidade !
UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO
As trapalhadas do Governo Regional têm um padrão comum: nunca temos a certeza como acabam, mas sabemos que vai piorar.
Agora ficamos a saber que a incompetência do governo no processo de privatização da SATA vai custar aos contribuintes açorianos (para já) 3 milhões de euros!
Como todos nos recordamos, o governo anunciou no ano passado, em tom festivo, que a Comissão Europeia tinha autorizado adiar a privatização por mais um ano, mas escondeu dos açorianos o custo deste adiamento, que agora veio a público através da comunicação social.
O Governo dos Açores veio dizer que é um “bom resultado”, como quem goza com os nossos impostos, já de si mal gastos e sem critério.
O pior é que vamos pagar, ainda, os prejuízos dos resultados operacionais da SATA deste ano, que poderão atingir novamente os 50 milhões de euros, quando a gestão já devia estar entregue aos privados.
Mas o maior prejuízo, a meu ver, é político.
Os danos reputacionais que isto está a provocar na governação regional são um desastre.
Os governos do Partido Socialista afundaram-se com a gestão ruinosa da SATA, mas o governo de José Manuel Bolieiro, em vez de aprender com a História, escava ainda mais o buraco ruinoso de toda esta gestão desastrada.
A percepção que fica, em todos os sectores da sociedade, é que estamos a regressar a um passado pior.
Desde 2015, a economia dos Açores foi bafejada pelo maná da liberalização do espaço aéreo (S. Miguel primeiro e depois Terceira). O impacto foi inquestionável.
Desbloqueou-se um nó górdio da economia dos Açores e fez-se manifestar o seu potencial no turismo, catapultado pelos excelentes canais de distribuição das companhias low-cost, EasyJet e Ryanair.
A EasyJet, desde muito cedo, abandonou a rota dos Açores porque não estava disponível para competir com duas companhias públicas, sistematicamente deficitárias e a concorrer de forma desleal, porque os défices eram branqueados pelas autoridades nacionais (Governo da República e Governo Regional dos Açores).
Acresciam os subsídios à Ryanair para fazer rotas que, normalmente, não faria. O mercado estava totalmente distorcido. E continuou a distorcer-se ainda mais com o decorrer dos anos.
Como se não bastasse a distorção inicial, é encetada uma estratégia de recuperação da SATA baseada no crescimento das receitas, o que levou a empresa a intensificar as rotações nos mercados já povoados pelas outras companhias, secando as oportunidades com base em défices crescentes de exploração.
Por outro lado, a estratégia para a privatização foi-se revelando um fracasso mês após mês. Nem a empresa ganhou dinheiro com a estratégia, nem conseguiu criar as condições mínimas para a sua privatização.
Em vez de remediar, a situação foi-se agravando.
Chegados a março de 2026, onze anos depois da liberalização e de um crescimento exponencial do turismo, temos uma crise imensa entre mãos: não se vislumbra um bom desfecho da privatização da SATA Internacional, que é agora penalizada por não ter cumprido as metas fixadas, caminhando para mais perto do cenário da cessação da sua atividade; a SATA está proibida de comprar novos aviões; a TAP está multada por também não ter cumprido a meta da privatização e está impedida de aumentar a sua frota; a Ryanair abandona o mercado dos Açores; o turismo já enfrenta taxas negativas de crescimento; aproxima-se uma época alta totalmente incerta, com oferta de lugares limitada pela saída da Ryanair e pelas contingências da TAP e da SATA.
Voltamos ao passado, sem companhias privadas a voar todo o ano, num cenário ainda mais negro, com as duas companhias públicas limitadas na sua ação.
Como chegamos aqui?
Boa pergunta para um governo em franca degradação, ficando mesmo a dúvida se uma remodelação, lá para depois do Verão, quando os secretários concluírem o PRR, será solução que remenda a coligação.
É que nem a receita do governo centralista de Lisboa valerá alguma coisa: 11 mil euros para maquilhagem e cabeleireiro não dá para camuflar uma governação tão medíocre.
Vamos aguardar pela próxima trapalhada… com barba e cabelo.
Osvaldo Cabral
Fevereiro 2026
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPress Montreal)

o bem maior 

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645 23 fevº o bem maior

O Governo alertou, para a baixa produtividade por hora em Portugal, que em 2025 ficou 28% abaixo da média europeia, apesar da subida do salário médio bruto, que cresceu 5,6%, acima do esperado. A remuneração bruta total mensal média subiu para 1.694 euros, contra 1.604 euros um ano antes, indicam dados do INE. Citada no documento, a ministra, Maria do Rosário Palma Ramalho, salientou que para o salário médio “continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade“.

 

Três semanas depois do temporal Kristin e seguintes, ainda há mais de duas mil pessoas sem eletricidade. Não s consegue imaginar como essas pessoas estão a viver, se recordam a era das cavernas ou duma guerra mundial. É inconcebível que empresas (chinesas da EDA E-Redes e Cia) da EDA com lucros milionários ainda não tenham conseguido repor a eletricidade. Não deve viver nessa zona nenhum ministro nem nenhum VIP…

 

Durante anos, um homem manteve viva uma rotina silenciosa e profundamente pessoal: ouvir a antiga mensagem de voz deixada pela esposa já falecida. A gravação, simples e quotidiana, havia-se transformado em algo muito maior, um elo com o passado, uma presença afetiva em meio à ausência. Até que, inesperadamente, o arquivo foi apagado após alterações técnicas da operadora, o que desapareceu não foi apenas um áudio, mas uma memória carregada de significado. Comovida com a situação, a empresa mobilizou uma equipe de 11 engenheiros e técnicos para vasculhar sistemas e arquivos antigos em busca de qualquer vestígio da mensagem. Após um trabalho minucioso, a gravação foi finalmente recuperada. Ao ouvir novamente a voz que julgava perdida, a emoção tomou conta, não apenas pela lembrança, mas pela sensação de que algo precioso havia sido devolvido. Trago esta notícia à colação pois sinto-a quase como minha, quando ouço as gravações sobreviventes da Nini em entrevistas à RTP, ou quando olho pela milésima vez para as milhentas fotos que incessantemente correm na moldura digital ou na secretária do escritório ou na cadeira de balouço frente à televisão,. Há lembranças que cabem em objetos grandiosos, mas outras sobrevivem em detalhes quase invisíveis. Às vezes, um simples som ou uma imagem pode guardar uma vida inteira.

 

Continuo diariamente a ler inúmeros artigos, sobre o caso Epstein, e para lá de todos os horrores e anormalidades descritas teve a vantagem dúbia de comprovar a maior parte das Teorias da Conspiração em que eu já acreditava, alertando-me para outras nunca imaginadas e para a repetição secular de homens a querer imitar os deuses, a quererem a imortalidade outras coisas lunáticas. Mais gente irá morrer “suicidada” fruto disso, haverá um ou outro que possa ir para a prisão para morrer lá ou ser substituído por sósias (doppelganger). Putin será dos poucos que não está envolvido, pois Epstein nunca o conseguiu atrair para a sua rede, apesar de nunca se ter poupado a esforços. Dizem que CEO da Oracle, invejoso, comprou uma ilha no Hawai para fazer concorrência ao Epstein, mas quando se começar a falar desse caso já as minhas cinzas se desintegraram. Algumas das descrições ultrapassam a capacidade imaginativa dos autores de livros de terror, mais uma vez a realidade ultrapassa a ficção. Pena é não terem ido praticar canibalismo com os colegas da Papua Nova Guiné que há uns anos (1961) comeram um Michael Rockfeller de 23 anos (reparem no sorriso de antecipação do nativo da direita), filho dum vice-presidente dos EUA e neto do capitalista mor John D Rockfeller.

Alguns missionários relataram ter ouvido dos aldeões que um forasteiro branco havia chegado à costa, mas foi morto num ato de retaliação relacionado à violência colonial anterior. Outros sugeriram canibalismo — histórias que refletiam a compreensão sobre as tradições Asmat. Nenhuma evidência física jamais surgiu. Nenhum corpo, nenhum pertence, nada definitivo.

 

Sinceramente, ainda estou a tremer de raiva neste momento. Em 2020, alertei muitas pessoas — incluindo familiares e amigos próximos — para a hipótese de a COVID não ser o que parecia, pois assemelhava-se a uma tentativa mundial para obter controlo e conformidade, muito mais orquestrado do que nos foi dito. Fui chamado de louco, paranoico, conspirador, entre outros. Quase todos me ignoraram, e me trataram como se eu estivesse a enlouquecer. Há algumas crónicas publicadas no jornal Diário dos Açores ou nos volumes 5 e 6 de “ChrónicAçores” que são finalmente vindicadas com esses arquivos de Epstein divulgados (milhões de páginas publicadas nos últimos meses). Lemos sobre e-mails e discussões uma década antes da COVID sobre planos para uma pandemia, simulações e ligações com pessoas poderosas profundamente envolvidas na saúde. Não é tudo, mas é o suficiente para mostrar que eu não estava a imaginar coisas — havia conversas e conexões acontecendo nos bastidores muito antes de 2020.

Nunca me calei mesmo quando todos me contradiziam como num poema dedicado a “um bem maior” Se me ignoraram naquela altura, espero que pelo menos reflitam agora.

O BEM MAIOR COVID-19, Lomba da Maia, 21.6.2020

Quando deixarem morrer os teus pais

num lar sem água

Deixa lá é por um bem maior

Quando recusarem levar

os teus pais ao hospital

deixa lá é por um bem maior

quando recusarem tratar os teus pais

porque os remédios são caros

deixa lá é por um bem maior

quando derem aos teus pais

morfina que inibe respirar

em vez de entubarem num ventilador

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um vírus

te tirarem toda a liberdade

deixa lá é por um bem maior

quando em nome da saúde

te controlarem o smartphone

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um bem maior

te levarem ao matadouro

deixa lá é por um bem maior

publicado também in Poesia Chiado Entre O Sono E O Sonho 2020 vol. XII

 

Pensem bem, quando leio, uns anos mais tarde o que escrevi em tempos, verifico que muitas vezes o tempo me dá razão, e isso chega. Continuarei sem me calar mesmo que pareça louco ou desajustado. Enquanto isso alertas vermelhos para o Grupo Ocidental, ventos de 110 km/h, são esperadas ondas de oeste, “com altura significativa que poderá atingir os 10 metros no grupo Ocidental (podendo a altura máxima atingir os 19 metros), oito metros no grupo Central e sete metros no grupo Oriental”.…aqui em S Mig todo o dia ventos fortes e chuva miudinha.

 

“Um tesouro escondido”: Imprensa internacional destaca descoberta em Portugal que está a “fascinar o mundo” – Notícias de hoje – IOL

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Portugal surpreende a imprensa internacional com um enigma histórico descrito como um verdadeiro “tesouro escondido”

Source: “Um tesouro escondido”: Imprensa internacional destaca descoberta em Portugal que está a “fascinar o mundo” – Notícias de hoje – IOL

CHRÓNICAÇORES Liames e epifanias autobiográficas(EM BREVE 2ª EDIÇÃO)

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Posfácio

 

Não é objetivo deste posfácio matar a obra, como gesto concluído da descodificação! Não se pretende saturar o saciado leitor e explicar a estrutura externa da mesma, nem sequer, esmiuçar – sem que a esse exercício consigamos escapar – as motivações emocionais do seu autor, que só a ele dizem respeito e, claro está, a cada um daqueles que interpreta cada palavra e investe num virar de página. Não pretende este posfácio, ao menos, substituir o prefácio, preâmbulo descortinador de capítulos, títulos e subtítulos. Não acrescentará, portanto, este posfácio nada ao escrito de Chrys Chrystello, que é rico por si só.

 

É pouco plausível, todavia, que a imparcialidade habite este texto, uma vez que, como cada um de vós, me deixei embrenhar nesta organizada selva memorialista – memorialista sem ser saudosista –, pejada de humor ácido e banhada por laivos de ironia. Existe uma poética do tempo que ostenta uma evidente resistência ao esquecimento e, nessa luta desigual, o CHRÓNICAÇORES converte-se, naturalmente, num CHRÓNICAMUNDO, porquanto garante a imortalidade do tempo, dos espaços e das gentes.

 

Chrys Chrystello certifica que a mutabilidade irreversível da existência sobreviva, assegurando-lhe, precisamente, vida para a posteridade, para além da finitude anunciada, instigando-nos a compreender e a aceitar o curso ininterrupto do metamorfismo mundano.

 

É nesse gesto partilhado que o seu universo pessoal se converte num universo coletivo: partilhamos os seus voos e as suas aterragens, passeamos pelas ruelas das aldeias dos seus ancestrais, agora tão cheias de silêncio e solidão; bebemos da velha fonte das feiticeiras, que tantas gargantas e sonhos já saciou; refrescamo-nos com o ar gélido de Bragança; aproveitamos o bulício do Porto; entreolhamo-nos com as sombras intimidantes da nossa casa; perdemo-nos nas colinas de Timor; sobrevivemos ao calor australiano e aos casamentos; fizemos rádio; escrevemos reportagens e quase, tantas vezes, fomos presos…

 

Mas não desertamos do texto, como o autor não desertou do ato de escrever!

 

O dever do escritor é retribuído pelo do leitor, irmanados por este tributo à memória.

E, assim, a obra de Chrys Chrystello atinge a imortalidade por sua intemporalidade.

 

Pedro Paulo Câmara

 

Prefácio – Quando Um Andarilho do Mundo Acaba Nos Açores

 

… Vivi três vidas numa só, carreiras distintas em paralelo e nada de material tinha para mostrar, mas teimava em acarretar essa pesada bagagem de conhecimentos e cultura.

Chrys Chrystello, LIAMES e EPIFANIAS 1949-2005 (CHRÓNICAÇORES V)

 

Vamberto Freitas

 

Falar de Chrys Chrystello é falar de um Fernão Mendes Pinto da nossa época (menos as supostas mentiras do autor de Peregrinação, publicado em 1614), e que desde há anos vive e dinamiza a cultura literária (e não só) aqui nas ilhas, e levando tudo para o exterior adentro de Portugal e no estrangeiro. Esta não é em uma feroz anti-cruzada como Peregrinação, a primeira da Europa ou do mundo após os Descobrimentos portugueses, como a classificou Rebbeca Catz há muitos anos, numa distinta tese de doutoramento defendida na Universidade da Califórnia. Uma estudiosa falecida, mas que permaneceu sempre uma grande amiga e admiradora de Portugal, e foi na altura elogiada largamente por alguns escritores e intelectuais do nosso país, como Augusto Abelaira. O seu livro fulminante (mesmo sendo uma tese de doutoramento defendida na Universidade da Califórnia) foi publicado em Inglês em 1972, e depois traduzido em Portugal em 1978 sob o título de A sátira social de Fernão Mendes Pinto: análise crítica da Peregrinação.

Não pretendo fazer aqui paralelismos com a dividida e complexa experiência vivencial ou profissional de Chrys Chrystello, seja como jornalista ou como escritor. Só que este seu livro contém passos semelhantes, apesar de ele nunca lido Rebbeca Catz.

Na contracapa do livro do livro desta americana judia vem uma citação mais do que demolidora: “… escrita em Almada, no auge dos conflitos político-religiosos que constituíram o pano de fundo da famigerada Inquisição e Contrarreforma ibéricas, a Peregrinação é um exemplo prematuro – senão mesmo o primeiro, em toda a literatura europeia – de sátira corrosiva que, denunciando a ideologia da Cruzada, põe em dúvida a moralidade das conquistas ultramarinas portuguesas, que Fernão Mendes Pinto é o primeiro a condenar como atos de bárbara pirataria”.

Chrys Chrystello é natural do Porto (embora se diga sempre australiano de origem transmontana). A verdade é que Chrys traça as suas origens a Afonso Henriques, mesmo antes de Portugal o ser, reduzido ainda ao Condado Portucalense, e depois, do lado materno aos Novos Cristãos, aos judeus que só no século passado assumiriam quem eram perante o mundo na História rica a partir do momento que D. Manuel I tanto obedece como contraria as ordens dos seus sogros no lado de lá da nossa fronteira, e sempre à espreita do momento de nos conquistar ou absorver através dos estranhos casamentos do tempo de monarquias mandantes e poderosas. Vamos ao essencial, que coloca este livro no seu devido contexto açoriano.

Chrys Chrystello cresce numa família tradicional cuja fortuna haveria de desaparecer, e entre 1972-1975 foi para Timor (ano em visitaria pela primeira vez a Austrália, e lá se fixando a partir de 1982), testemunhando toda a complexidade da transição para a liberdade daquele país cobiçado por potências ali por perto.

Depois veio Macau nos anos de 1976-1982, o momento em que ele decide de mudar de nome por duas razões. Primeiro, insistiam em chamá-lo “Chrys”. Segundo, viu nisso a oportunidade de adotar esse nome para esquecer, ou mesmo rejeitar todo um passado num Portugal que raras vez atinava com os seus próprios interesses ou identidade ante um mundo em mutação, mas do qual se encontrava longe.

O autor deste e de outros livros, após o seu serviço irrequieto à Nação e ao longe, tornar-se-ia um jornalista profissional, fundador do Público, no tempo, mais ou menos em que foi repórter da LUSA durante 11 anos.

Começou logo em 2001 a organizar os colóquios sobre a lusofonia, e quando se instala permanentemente no nosso arquipélago (a sua companheira tinha sido colocada numa escola de cá), retoma-os em 2006, até hoje, com dois encontros por ano, em ilhas diferentes e no resto de Portugal e além-fronteiras, editando sempre os “Cadernos de Estudos Açorianos” que já somam 40, e em cada qual distingue um dos nossos escritores e/ou poetas. Nunca nada disto tinha sido feito entre nós.

Estou à vontade neste texto: nunca deixei de ser convidado, e nunca participei ativamente, com a exceção da apresentação de um livro de Zeca Soares no pátio do seu próprio e mítico restaurante da Praia dos Moinhos (2014) e no Centro Cultural Natália Correia (2021). A minha ausência das suas imparáveis iniciativas tem a ver com questões sobre as quais não quero nem devo falar neste espaço. Segui sempre afastado, no entanto, os trabalhos em curso, com admiração e saudade de alguns amigos e colegas da escrita que estiveram e estarão presentes. Da Lomba da Maia para o mundo, onde Chrys e a sua companheira professora vivem no que ele chama o seu “castelo”.

“Outra deficiência – escreve o autor – que adquiria em novo, por influência paterna era a sôfrega sede do direito inalienável à liberdade de expressão e de pensamento, malformação congénita que valera muitos dissabores pessoais. A relação com os outros era sempre problemática e resumia-se â aversão pelos ditames alheios. Fora assim com a autoridade paternal, com os militares como oficial do exército e na vida profissional. Era avesso aos “carneiros” e talvez por isso acabaria por casar com uma pessoa desse signo. Desrespeitava a inveja alheia, noção que me era alienígena, pois inveja nada e ninguém. Criticava os outros pela fachada que mantinham, pelos estereótipos com que se regiam: conversas balofas e mesquinhas, sem profundidades. Ansiava por conversas profundas , preferia argumentos ‘intelectuais’ ou ‘pseudointelectuais’ em que se esgrimissem argumentos, ideias e propostas concretas de melhorar o mundo…”

A escrita de Chrys Chrystello, neste livro, é mais uma sequência de memórias do que “crónicas”. O segredo está nos detalhes que incluem História, acontecimentos, nomes, datas, tudo num tom de linguagem muito pessoal que nos agarra de página em página, que nos apresenta a mundos conhecidos e desconhecidos, que contextualiza uma vida singular no meio das mais diferentes – por vezes, divergentes – culturas, línguas e modo de estar e ser que nos parecem estranhos, quando depressa nos damos conta da tragicomédia que a vida em toda a parte. Este estilo literário não é nada comum entre nós, preferimos o mexerico e mal-dizer do café ou das tertúlias exclusivistas que sempre proliferaram entre nós. Direi do autor o que uma vez um grande amigo residente no Canadá me disse: és um crítico americano que escreve em língua portuguesa.

Com Chrys Chrystello tenha, esta afinidade, sem nunca ser declarada: um passado anglo-saxónico que nos transformou para sempre a nossa identidade e visão do mundo, e isto sem nunca abjurar as nossas origens multisseculares e que nada ficam a dever aos nossos outros mundos íntimos e significantes do nosso ser como cidadãos do mundo. Só os provincianos estranham estas experiência entre os mais diversos povos e presença, ora conhecida, ora desconhecida, no mundo.

Raramente me tenho encontrado com Chrys Chrystello ao longo destes anos em que ele se tornou uma espécie de cidadão honorário ou real dos Açores. Falamos pouco, mas estou convencido que o respeito é mútuo, assim com o reconhecimento do trabalho de cada um. Tínhamos em comum um grande amigo, Daniel de Sá, o grande escritor da Maia, aqui em São Miguel. Foi-me irónico ler que “Maia”, desde Portugal Continental, tem sido sempre os seus lugares de tristeza e outras lembranças menos agradáveis. Ele não sabe disto, mas tivemos outro amigo em comum, e esse foi um Capitão de abril de nome Vítor Alves. Foi o primeiro representante após 25 de abril (tinha colocado a sua vida em perigo com toda a coragem da conspiração e da libertadora madrugada em Lisboa) das nossas comunidades espalhadas pelo mundo fora. Não só o apresentei numa comunidade do sul da Califórnia, tomei uns copos com ele, e avisou-me que eu falava nesses eventos mais do que era necessário. Muitos anos mais tarde dei-lhe o últimos abraço na Universidade de Lisboa num congresso sobre as narrativas pessoais e gerais na vasta Diáspora norte americana. Faleceu um pouco depois, mas ser-nos-á inesquecível para sempre. A memória permanece das pessoas que nos tocaram profundamente na vida, ou que foram, o que fizeram neste caso parte dos nossos libertadores.

O mundo é pequeno, sabemos, como no título de num dos romances de David Lodge, que goza à brava da academia e dos seus encontros que poucas vezes resultam seja no que for, e quase só servem para longas viagens de escritores com egos muito maiores dos aviões em que se sentam de continente para continente.

“Digamos – escreve o escritor e poeta Vasco Pereira da Costa num breve nota a CHRÓNICAÇORES II – que se trata de uma vontade de conhecer para amar – e só se pode amar o que se conhece. As ilhas atlânticas – a Macaronésia, assim designada – surgem deste modo, como uma realidade geográfica, histórica, símbolos dispersos sem coesão nem coerência na vastidão cronológica e espacial”.

É isso mesmo. Este livro de Chrys Chrystello é um outro testemunho de alcance universal das nossas vidas, da nossa sorte, da nossa tragédia e, sim, da nossa felicidade.

 

 

Vamberto Freitas

novº 2020

 

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