BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS

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BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS

BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS
A estratégia migratória da administração Trump nunca foi um conjunto de medidas avulsas. Foi, desde o início um programa político assente na desumanização.
Migrantes reduzidos a números, crianças separadas dos pais como instrumento dissuasor, centros de detenção onde a exceção se torna norma e a crueldade passou a ser chamada de eficácia. Não foram excessos: foi o método estratégico.
Neste quadro o ICE (Immigration and Customs Enforcement) deixou de ser apenas uma agência de aplicação da lei para assumir o papel de braço operativo de uma narrativa politica. Rusgas mediatizadas, detenções arbitrárias e uma lógica de intimidação permanente tornando-se parte da rotina.
Em Minnesota, essa abordagem ganhou um rosto concreto: Gregory Bovino, responsável pelas operações que trataram comunidades inteiras, como um problema de ordem publica a resolver pela força.
O nome não é metáfora, embora pareça talhado para ela. Bovino é real e a coincidência semântica é perturbadora. Sob a sua liderança, agentes federais ignoraram autoridades locais, militarizaram o espaço cívico e passaram a agir com pessoas como se gere mercadoria: identificar, separar, remover.
A lei deixou de funcionar como limite ético e passou a ser um manual operacional. O medo tornou-se política publica.
As consequências são conhecidas e profundamente desumanas.
Comunidades inteiras vivem num estado de precariedade permanente, onde ir trabalhar, ir à escola ou recorrer a cuidados de saúde implica um cálculo de risco.
A imigração deixou de ser debatida como fenómeno económico e social complexo e passa a ser apresentada como ameaça existencial. O imigrante surge como bode expiatório conveniente para frustrações políticas e falhas estruturais que ninguém quer enfrentar.
O inquietante é que este discurso não nos é distante nem estranho. Em Portugal, o argumentário da extrema-direita segue a mesma lógica: simplificação grosseira, dramatização permanente e a promessa de ordem através da exclusão.
Em Portugal a extrema-direita é uma copia dessa narrativa, assente no “controlo”, na “prioridade nacional” e nos “abusos do sistema”, como se a realidade social pudesse ser resolvida por slogans e suspeição permanente. O que se passa nos Estados Unidos surge, assim, não como uma exceção, mas como um ensaio geral a ser replicado.
Mesmo quando essa narrativa é desmentida pelos factos: só no último ano os imigrantes em Portugal contribuíram com mais de 3.000 milhões de euros para a Segurança Social, já deduzidos os apoios sociais. Não é um detalhe técnico, mas um dado estrutural. Essa contribuição dos imigrantes é hoje decisiva para garantir a sustentabilidade das reformas futuras dos portugueses. Os mesmo que são apresentados como ameaça são, afinal, um dos pilares silenciosos do Estado Social.
Ainda assim, a realidade raramente sobrevive ao ruido ideológico. A extrema-direita prefere ignorar que quem mais contribui é, muitas vezes, quem menos usufrui. A complexidade não rende votos, o medo, sim.
Se essa visão chegar ao poder, não será necessário grande exercício de imaginação. Basta ver o que está a acontecer nos Estados Unidos à escala portuguesa: serviços públicos transformados em instrumentos de vigilância, funcionários convertidos em fiscais improvisados, localidades inteiras sobre suspeita permanente. O que hoje é apresentado como “firmeza” acabará em arbitrariedade e abuso- com igual convicção.
E quem seriam os Gregory Bovino portugueses? Todos aqueles que vão acreditando e se transformando em executores zelosos e que confundem obediência com responsabilidade e dureza com competência.
Em português corrente, “bovino” é quem segue o rebanho sem espírito critico, desde que alguém lhes diga que é “a lei”, que “o povo quer” ou que “lá fora funciona”.
A história mostra-nos que a desumanização começa sempre na linguagem e termina na prática. Quando aceitamos que outros sejam tratados como gado, estamos a preparar o terreno para o dia em que o curral deixe de ter fronteiras- e passe a chamar-se sociedade.

a catástrofe que ninguém viu

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Perguntam-me se depois de ir a Leiria não vi uma catástrofe. Deixem-me ser clara. Entraram pela região ventos ciclónicos de 200km hora, muita coisa não pode resistir a tal. Em Hong Kong com ventos de 140km as pessoas deixam de circular e tapa-se tudo com protecções. O que nós vimos foi um Estado falido em termos de bem estar social. Três dias antes sabia-se da tempestade e no próprio dia deu-se o famoso alerta vermelho cuja única consequência foi “fiquem em casa”. Não se decretou que não se pode ir trabalhar, deixando os trabalhadores nas mãos das empresas, não se decretou que a protecção civil devia ir para a região distribuir geradores e fixar protecções nos vidros. Não se fez nada. E não se fez nada porque não há. Vi carradas de lonas da IL e do Chega a fazer de telhados, com sacos de areia em cima, para não voarem. Que metáfora da privatização. É justo dizer que também deviam lá estar os cartazes do PS e do PSD. Embora, sem dúvida, a AD tenha subido um ponto nisto tudo – o Governo é oficialmente uma agência de comunicação. De má qualidade.
Este é o estado do Estado mínimo para as pessoas, máximo para os lucros. E se acham que é cassete vejam por favor a pomposa notícia no Público há 2 dias quando ainda havia mortos a cair dos telhados na região e sem ajuda alguma – “Objectivo antecipado em um ano: dívida pública ficou abaixo dos 90% em 2025 Governo garantiu, com um excedente provavelmente maior e uma estratégia de antecipação do pagamento da dívida no final do ano, mais um brilharete nas contas públicas”. Que o Públicos escolha para gorda brilharete também nos diz muito…
Enquanto não percebermos isto, que a dívida “pública” é uma alavanca de acumulação de capital de Bancos e fundos, paga com a destruição do Estado Social, e a não contratação de emprego público. Dívida que paga, entre outras, a bolha imobiliária de que fizeram parte empresas como a Mota Engil ou a Teixeira Duarte, porque tudo se concentra nas dívidas e seguros bancários, num esquema piramidal que atinge milhares de pequenas empresas que estão agora destruídas, porque o modelo económico deste capitalismo dependente é armazéns de logística, que voaram, a que pomposamente se dá o nome de “tecido empresarial”, barracões de praia que se dá o nome de “indústria de turismo” e 5 milhões e meio de trabalhardes pobres no Estado e nestas empresas.
O que nós temos é uma catástrofe política. Estamos a discutir o quê? Telhas, postes de electricidade! E fala-se como se tivesse chegado o fim do mundo. Porquê? Porque nem isso, nem uma coisa elementar como reconstrução de telhados e reposição de electricidade está feita uma semana depois. A culpa não é do vento, e do colapso dos serviços públicos. Olhem para a Palestina – onde o Ministro da Educação vai, a Israel, discutir a IA essencial para os drones que matam os palestinianos – , vejam os países que tiveram terramotos, com dezenas de milhar de mortos. O que nós temos é o fim do Estado social, apesar de pagarmos impostos como condenados.
O que nós vimos na Kristin foi a opção Covid “Fique em casa”, a responsabilidade é sua. Fique em casa sem telhados, mas fique. Cada um por si. No Covid sempre defendi que se devia ter requisitado os hotéis vazios e hospitais privados para colocar os idosos dos lares, e não confinar ninguém – o tempo deu razão, é ver agora os colóquios médicos pelo mundo a explicar que há poucas coisas tão absurdas como confinar populações num vírus que circulava em doentes e não doentes. Mas, o que foi feito no Covid? Foi, já na senda das bigtecs, acelerar o digital, em modo delírio, acelerar a destruição do Estado Social com o online. Agora entre nós e um professor há uma plataforma, metade do dia é dedicado a olhar ecrãs, o Ministro, que está em Israel, extinguiu o Ministério, vai a Isreal, cancelou a reunião com os sindicatos e propõe mediadores nas salas de aulas. Saúde? Temos que telefonar e ser atendidos já por IA. Foi isso que fez este Governo com a Kristin – para eles a Kristin é um robot, se quiser um telhado marque 1, se caiu e tem dores marque 2, se tem uma árvore em cima marque 3. E por favor não deixem de se filmar, como o fascista a distribuir águas, ou esta coleção ignóbil de Ministros a filmar-se. A catástrofe é não vermos que temos que nos organizar, contra o Estado, que nos suga cada cêntimo do salário e em troca nos dá…comunicação.
Raquel Varela
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Equipa de seis elementos ajuda zonas destruídas no Centro do País – 

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Estrutura de Missão terá no máximo seis elementos e o presidente poderá vir a ter um salário equiparado ao do primeiro-ministro.

Source: Equipa de seis elementos ajuda zonas destruídas no Centro do País – Sociedade – Correio da Manhã

as anedotas do governo

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Os disparates dos membros deste governo davam para um “diário da crise” de natureza humorística. Ainda bem que temos o RAP, que faz o sumário ao fim de semana!
May be an image of text that says "Ministro da Economia diz que vítimas da tempestade devem usar "ordenado do mês passado" até chegarem apoios E"
Castro Almeida diz que o Governo “está a ser diligente” na reação aos efeitos da tempestade. Leia mais pelo link nos comentários

Comandante Nacional da Proteção Civil ausentou-se do País durante crise de tempestades -e o país à derva…

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Com autorização do presidente da ANEPC, Mário Silvestre foi três dias para Bruxelas depois da tempestade Ingrid, durante a tempestade Joseph e mesmo antes da Kristin.

Source: Comandante Nacional da Proteção Civil ausentou-se do País durante crise de tempestades – Portugal – Correio da Manhã

Corte da A14 entre a Figueira da Foz e Montemor-o-Velho mantém-se por tempo indeterminado devido a novo alagamento – Clima – Correio da Manhã

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Siga ao minuto os desenvolvimentos do mau tempo em Portugal.

Source: Corte da A14 entre a Figueira da Foz e Montemor-o-Velho mantém-se por tempo indeterminado devido a novo alagamento – Clima – Correio da Manhã

Presidente da Proteção Civil ‘esquece’ ajuda de militares nas zonas afetadas pela depressão ‘Kristin’ – Portugal – Correio da Manhã

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Forças Armadas têm até 3000 militares disponíveis, mas acionamento tem sido feito às ‘pinguinhas’.

Source: Presidente da Proteção Civil ‘esquece’ ajuda de militares nas zonas afetadas pela depressão ‘Kristin’ – Portugal – Correio da Manhã