manipulação: Segurança Social está em défice. Ou foi truque e tortura?

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Défice de quase 2 mil milhões de euros, contrariando o excedente anunciado. Grupo de Trabalho lança mudança estrutural.

Source: Acabou a “ilusão”: Segurança Social está em défice. Ou foi truque e tortura?

Segurança Social está falida.

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Segurança Social está falida.May be an image of one or more people and suit

EDUARDO MALTEZ DA SILVA

Eduardo Maltez Silva

Querem transformar a tua reforma num negócio. E, para isso, precisam primeiro de te convencer de que a Segurança Social está falida.
A Segurança Social terminou 2025 com €6.712 milhões de excedente no Sistema Previdencial.
Mas aparece agora um grupo escolhido pelo Governo a dizer-nos:
“Afinal, há um défice de €1.944 milhões.”
Como fizeram o truque de ilusionismo?
Foram buscar um velho regime da função pública, a CGA, fechado a novos subscritores desde 2006, carregado de pensionistas e com cada vez menos trabalhadores a descontar; meteram-no dentro da mesma fotografia da Segurança Social; retiraram das contas milhares de milhões que o Estado sempre lhe transfere para pagar responsabilidades antigas e…
Voilà: nasceu o défice para enganar tolinhos.
E quem acham que foi escolhido para fazer este “estudo”?
Comecemos pelo coordenador.
1️⃣ Jorge Bravo
Foi coordenador nacional do Conselho Estratégico Nacional do PSD para o Trabalho e Segurança Social. Já trabalhou em reformas da Segurança Social durante o Governo de Passos Coelho e já defendia, no universo do PSD, algumas das soluções que reaparecem agora: contas individuais, capitalização e sistemas complementares privados.
2️⃣ Carla Castro
Ex-deputada da IL. Criou e dirigiu o Gabinete de Estudos do partido.
3️⃣ Pedro Serrasqueiro — CDS e Iniciativa Liberal.
Foi assessor parlamentar do CDS e, depois, assessor parlamentar da IL.
4️⃣ Raquel Andrada
Trabalhou no gabinete da Segurança Social durante Passos Coelho e voltou ao Governo com a AD.
5️⃣ Elsa Gomes
Governo Passos Coelho e Governo AD.
6️⃣ Luís Farrajota
Governo Passos Coelho e Governo AD.
7️⃣ Nuno Venes
Nomeado para funções dirigentes durante Passos Coelho e depois escolhido pela AD.
E ainda vários membros vindos diretamente de gabinetes do atual Governo:
8️⃣ Joana Vicente — gabinete do ministro das Finanças.
9️⃣ Fátima Mestre — gabinete do secretário de Estado do Trabalho.
🔟 Hugo Resina — gabinete da Segurança Social.
Isto não parece exatamente uma assembleia aleatória de economistas com todas as visões possíveis sobre o Estado social.
Isto parece uma reunião de negócios…
E há algo ainda mais extraordinário, o despacho que criou o grupo mandava estudar e desenvolver:
capitalização;
regimes complementares de reforma;
poupança individual;
planos profissionais;
prolongamento da vida ativa.
Ou seja:
Primeiro “encomendaram” a receita.
Depois foram inventar uma doença.
Escolhe-se quem faz o estudo.
Escolhem-se as perguntas.
Escolhe-se o que entra nas contas.
E define-se previamente que as soluções devem passar por capitalização e reformas complementares.
Depois aparece a manchete perfeita:
“Afinal, a Segurança Social está em défice.”
E milhões de portugueses começam a pensar:
“Então isto vai falir.”
Primeiro criam medo.
Depois convencem-te de que o sistema público não aguenta.
Finalmente, aparecem bancos, seguradoras e fundos de investimento para te “salvar”.
Mas salvar quem???
Porque aquilo que hoje vai diretamente para um sistema coletivo passa a poder alimentar:
fundos de pensões;
gestoras de ativos;
seguros de reforma;
produtos financeiros;
comissões de gestão;
mercados bolsistas.
Milhões de trabalhadores.
Todos os meses.
Durante 30, 40 ou 50 anos.
Façam as contas ao tamanho brutal deste negócio para os milionário que financiam esses partidos.
A Segurança Social não é apenas uma instituição pública.
É um dos maiores fluxos permanentes de dinheiro do país.
E, nos últimos anos, esse saco encheu.
Porquê?
Porque Portugal criou emprego.
Porque aumentou brutalmente o número de pessoas a trabalhar e a descontar.
Porque salários e contribuições cresceram.
E porque centenas de milhares de imigrantes entraram no mercado de trabalho e começaram a pagar Segurança Social.
Em 2025:
o Sistema Previdencial teve +€6.712 milhões.
As contribuições cresceram cerca de 8,9%.
O emprego cresceu.
O número de contribuintes cresceu.
E os trabalhadores estrangeiros já representavam perto de 20% dos contribuintes, tendo explicado mais de metade do crescimento recente do número de pessoas a descontar.
É precisamente agora, quando há tanto dinheiro a entrar, que aparece uma súbita urgência em convencer-nos de que aquilo está praticamente falido.
Curiosa coincidência.
E aqui entra o grande truque da CGA.
A CGA é um regime em extinção.
Como deixou de receber novos subscritores em 2006, durante esta fase tem cada vez menos trabalhadores a financiá-la, enquanto continua a pagar as pensões acumuladas no antigo sistema.
Isso gera, naturalmente, uma forte necessidade transitória de financiamento público.
Mas essa necessidade não dura para sempre: à medida que os antigos subscritores se reformam e, posteriormente, os pensionistas falecem, também desaparecem progressivamente as responsabilidades da CGA.
Mas, entretanto, a manchete já fez o seu trabalho.
Milhões de pessoas não vão ler metodologia atuarial.
Vão guardar apenas isto:
“A Segurança Social está em défice.”
Missão cumprida.
Porque a próxima frase será:
“Temos de reformar o sistema.”
E depois:
“Precisamos de mais capitalização.”
Depois:
“Cada trabalhador deve ter a sua conta individual.”
Depois:
“As empresas devem contribuir para fundos complementares.”
Depois:
“O Estado deve incentivar fiscalmente a poupança privada.”
E, quando dermos por ela, uma parte crescente daquilo que devia garantir uma reforma pública digna estará a alimentar os mercados financeiros e o novo Lamborghini do acionista.
Eles cobram comissões quer a bolsa suba, quer a bolsa desça.
Tu é que ficas com o risco.
Uma crise financeira aos 35 anos pode dar tempo para recuperar.
Uma crise financeira aos 66, precisamente quando te vais reformar, pode destruir anos de poupança.
Num sistema público de repartição, o risco é distribuído coletivamente entre gerações e ao longo do tempo.
Num sistema cada vez mais individualizado e capitalizado, o risco começa a cair sobre ti.
Tiveste salários baixos?
Problema teu.
Ficaste desempregado?
Problema teu.
Paraste de trabalhar para cuidar dos filhos?
Problema teu.
Tiveste uma doença prolongada?
Problema teu.
A bolsa caiu no ano em que te reformaste?
Problema teu.
Viveste mais anos do que o modelo atuarial previa?
Também problema teu.
É a velha fórmula neoliberal: privatizar o rendimento e individualizar o risco.
E quando tudo correr mal?
Quando milhões de pensionistas ficarem sem rendimento suficiente?
Adivinhem quem terá de aparecer.
O Estado.
Ou seja:
nos anos bons, comissões e lucros privados.
Nos anos maus, risco público.
É um negócio extraordinário.
Só não é para nós.
Enquanto nos dizem diariamente que o problema de Portugal são os imigrantes, foram precisamente centenas de milhares desses imigrantes que chegaram, trabalharam e começaram a alimentar a Segurança Social.
Enquanto nos mandam olhar para ciganos, bairros, refugiados e estrangeiros, há gente muito mais acima a olhar para um saco com milhares de milhões de euros e a perguntar:
“Como é que transformamos isto num negócio?”
É por isso que esta história importa.
Estamos a discutir quem ficará com uma fatia gigantesca da riqueza produzida pelos trabalhadores portugueses nas próximas décadas.
Portugal vinha de anos de forte criação de emprego, recordes de contribuintes, aumento das receitas contributivas e uma Segurança Social com milhares de milhões de excedente.
Era um sistema público demasiado grande, demasiado rico e demasiado apetecível para ficar fora do alcance dos mercados.
Enquanto a direita radical mantém o país ocupado a culpar ciganos e imigrantes, outra direita prepara-se para abrir aos grandes interesses financeiros uma das últimas grandes reservas coletivas de riqueza dos portugueses.
Enquanto te distraem, outros vão metendo a mão no saco.
E esse saco contém a reforma dos nossos pais.
A nossa.
E a dos nossos filhos.

Homicídio nos Remédios em Ponta Delgada – Açoriano Oriental

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

Source: Homicídio nos Remédios em Ponta Delgada – Açoriano Oriental

He Was Deported to Eswatini in Southern Africa. He May Never Go Free. – The New York Times

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As the Trump administration sends a growing number of immigrants to countries they have no connection to, some find themselves imprisoned with no way out.

Source: He Was Deported to Eswatini in Southern Africa. He May Never Go Free. – The New York Times

Imprensa brasileira identifica mãe (era bipolar não-medicada)morta pelo filho de 15 anos em Algés – Notícias ao Minuto

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A imprensa brasileira identificou como Gabriela Barbosa a mulher de 33 anos morta pelo filho de 15 anos em Algés, Oeiras. Natural de Osasco, São Paulo, a mulher tinha chegado a Portugal em 2024 com os dois filhos, meses antes de a família ser sinalizada pela CPCJ de Oeiras.

Source: Imprensa brasileira identifica mãe morta pelo filho de 15 anos em Algés – Notícias ao Minuto

Detido homem suspeito de abusar sexualmente da amiga da neta nos Açores – Portugal – Correio da Manhã

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Detenção ocorreu na sequência de uma busca domiciliária onde foi ainda possível encontrar duas armas de fogo, uma arma de ar comprimido e mais de 200 munições.

Source: Detido homem suspeito de abusar sexualmente da amiga da neta nos Açores – Portugal – Correio da Manhã

amor filial?Homicídio. Jovem passeou com irmã antes de chamar a polícia – Observador

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Jovem de 15 anos é suspeito de ter matado a mãe no Dafundo. Irmã de quatro anos encontrava-se em casa quando se deu o crime. Foi o próprio suspeito quem alertou, várias horas depois, as autoridades.

Source: Homicídio. Jovem passeou com irmã antes de chamar a polícia – Observador

Circular a mais de 180 km/h pode vir a ser crime. O que isso significa – ZAP Notícias

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O Governo quer criminalizar a circulação a velocidades extremas, comportamento que constitui atualmente apenas uma contraordenação. A mudança poderá implicar tribunal, registo criminal e penas mais pesadas, mas os limites e sanções ainda não estão definidos. O ministro da Administração Interna admitiu esta quarta-feira que circular a partir de 180 ou 200 quilómetros por hora (km/h) pode passar a ser considerado crime no novo Código da Estrada, que está já 70% estabilizado. “Setenta por cento do novo Código da Estrada está praticamente estabilizado”, revelou Luís Neves numa conferência de imprensa, em Lisboa, sobre sinistralidade rodoviária. Além de “medidas muito concretas”,

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Deputado do Chega licenciado em Harvard só fez duas cadeiras na prestigiada universidade – Política – Correio da Manhã

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Escola de verão da prestigiada universidade norte-americana contou para a licenciatura em Ciência Política do parlamentar do Chega.

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Atirador da Baixa de Lisboa detido pela PSP. Bala perdida atingiu turista sueca que comprava pastéis de nata – Portugal – Correio da Manhã

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Suspeito era visado em processo de violência doméstica. Foi apreendida uma caçadeira.

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Países que não existiam há 30 anos: Kosovo, Ucrânia, Timor-Leste e o novo mapa do mundo

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34 países surgiram no mapa depois de 1990. Kosovo, Ucrânia, Timor-Leste e Sudão do Sul são peças fundamentais da geopolítica atual. Entenda como o mapa do mundo mudou radicalmente.

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islão religião de paz e escravos (vamos converter já…

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fuga ao fisco de chicos-espertos

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HÁ UMA CASTA NESTE PAÍS QUE HABITA UM LIMBO DOURADO, ALGURES ENTRE A MORAL DE PALANQUE QUE APREGOAM NOS ECRÃS E A CONTABILIDADE CRIATIVA QUE PRATICAM NOS BASTIDORES.
São os paraquedistas da notoriedade, os comentadores de cachet avultado, os políticos profissionalizados que mudam de tribuna conforme o tacho, os treinadores de elite e os artistas da praça que transformaram a pátria numa mera folha de excel para otimização de lucros.
Enquanto o Zé Povinho — o Zé dos recibos verdes, o assalariado que desconta até ao último cêntimo logo na fonte, o pequeno comerciante afogado em taxas — vê o cerco do Fisco apertar-se sem margem para respirar, o Olimpo mediático desfruta de uma impunidade de veludo. E o mais escandaloso não é apenas a engenharia financeira que desenham para fugir às obrigações fiscais; é o silêncio ensurdecedor, a omissão criminosa com que os órgãos de comunicação social onde essas mesmas estrelas trabalham abafam os seus escândalos, varrendo para debaixo do tapete judicial as condenações, as coimas e os acertos milionários com a Autoridade Tributária.
Vejamos o caso recente que nos serve de espelho, protagonizado por figuras como Sérgio Sousa Pinto. Saído dos longos anos de corredores parlamentares e da tribuna socialista, onde acumulou mandatos e discursos sobre a justiça social, o ex-deputado encontrou nos estúdios da TVI, da CNN e da Rádio Observador um refúgio dourado de rentabilidade estelar.
Em 2025, a sua empresa unipessoal — a SPMSP, criada com uns modestos mil euros de capital social e sem qualquer ativo fixo tangível, pois o único produto à venda é a sua própria voz e opinião — faturou perto de 174 mil euros.
Através desta elegante pirueta contabilística, em vez de receber os rendimentos por via do trabalho dependente ou de recibos verdes comuns, o ilustre comentador canalizou a verba para a sua microempresa, pagou-se um ordenado moderado e reteve dezenas de milhares de euros em lucros empresariais dentro da sociedade. As contas revelam uma poupança fiscal superior a 33 mil euros face ao que pagaria um cidadão comum na mesma situação. É perfeitamente legal, dizem os manuais da astúcia fiscal.
Mas perante a ética republicana que tanto proclamou, como se justifica esta fuga ao esforço contributivo comum?
Contudo, Sousa Pinto é apenas a ponta de um icebergue nauseabundo que há muito corrói a justiça em Portugal.
Quando o Fisco decide descer à arena dos intocáveis, descobre-se um deserto de abusos que a comunicação social finge não ver.
Olhemos para Manuel Luís Goucha, o apresentador estrela da TVI, apanhado pelas malhas da Autoridade Tributária após ceder gratuitamente à sua empresa os direitos de imagem, transformando rendimentos de trabalho em lucros corporativos.
O tribunal arbitral não perdoou e aplicou a cláusula geral antiabuso, exigindo ao apresentador perto de 1,2 milhões de euros entre IRS em falta e juros compensatórios.
Ou tomemos o exemplo de Fernando Santos, o campeão europeu que, através da empresa Femacosa, faturava os serviços prestados à Federação Portuguesa de Futebol pela equipa técnica nacional. O tribunal foi implacável: concluiu que se tratava de uma prestação pessoal e infungível, resultando numa fatura colossal de quase 4,5 milhões de euros em impostos omitidos e juros.
E o que dizer da artista plástica Joana Vasconcelos, cujas manobras societárias para gerir a venda de obras colidiram com o regime da transparência fiscal, gerando acertos milionários de 1,5 milhões de euros?
Nem Cristina Ferreira escapou à devassa, quando o Fisco descobriu que a sua empresa financiava despesas particulares — desde a construção e decoração da habitação privada até vestuário, viagens e produtos alimentares —, forçando a uma recategorização implacável desses gastos como adiantamentos de lucros tributados.
E quando pensávamos que o desfile de privilégios tinha atingido o seu zénite, surge o caso de Luís Neves, o eterno “homem forte” da investigação que saltou da Direção Nacional da Polícia Judiciária diretamente para o cadeirão de Ministro da Administração Interna.
Mas, como diz o povo, a missa ainda vai no adro. Enquanto Neves se pavoneia nas vestes ministeriais, a Ministra da Justiça, Rita Júdice, viu-se obrigada a ordenar uma auditoria e uma averiguação interna à sua gestão na PJ, num cerco que se aperta a cada dia.
Não se trata apenas de suspeitas vagas; Luís Neves prepara-se para enfrentar o julgamento do Tribunal de Contas por infrações financeiras graves cometidas sob a sua batuta na Judiciária.
Este é o retrato fiel do paraquedismo de elite: saltam de cargo em cargo, de diretor a ministro, enquanto deixam para trás um rasto de irregularidades que a máquina do poder tenta abafar. Resta saber se, desta vez, a averiguação ordenada chegará ao fundo do poço ou se será apenas mais um capítulo no livro da impunidade dos que mandam. Uma coisa é certa: o país está atento e não aceitará que a justiça se detenha à porta do Ministério.
Estes nomes não são exceções pitorescas; são o sintoma de um sistema podre onde a elite mediática acredita genuinamente que as leis da República se aplicam apenas aos plebeus.
O que verdadeiramente revolta a consciência cívica não é apenas a sofisticação da chico-espertice fiscal, mas o pacto de silêncio que a protege.
Quando um cidadão comum incumpre com as suas obrigações fiscais, o seu nome corre nos jornais, o estigma social consome-o e a justiça cai-lhe em cima com todo o peso.
Mas quando os comentadores residentes, os apresentadores de prime-time, os treinadores idolatrados ou os políticos reconvertidos são condenados nos tribunais arbitrais ou fiscalizados implacavelmente, os microfones dos canais onde trabalham emudecem miraculosamente.
As redações que rasgam as vestes diariamente a exigir transparência nacional transformam-se em fortalezas de amnésia quando o visado veste o colete de alta-visibilidade da casa ou pertence ao clube dos intocáveis do comentário político.
Esta esquizofrenia informativa revela a profunda colonização da comunicação social pelas suas próprias estrelas. Como pode um comentador que otimiza fiscalmente os seus rendimentos através de artifícios societários manter a autoridade moral para criticar o Estado social nos ecrãs de televisão?
Como podem os conglomerados mediáticos ocultar sistematicamente os processos e condenações fiscais dos seus rostos mais lucrativos, violando o princípio elementar de que a informação deve ser servida ao público sem peias nem favores?
Chegou a hora de acabar com este apartheid fiscal e informativo.
A justiça tem de deixar de ser cega para os ricos e implacável para os pobres. Se um trabalhador sem padrinhos paga até ao último cêntimo de imposto sobre o suor do seu rosto, estas estrelas da política, da bola e da televisão têm de ser tratadas exatamente da mesma maneira, sem privilégios de microfone, sem proteções corporativas e sem impunidade disfarçada de legalidade rebuscada.
Esta cultura do privilégio, alimentada por uma casta que se julga acima do escrutínio, é o que verdadeiramente asfixia a democracia. Não se trata apenas de euros e cêntimos; trata-se da integridade do sistema. Quando um comentador político, que passou décadas a legislar e a definir as regras para os outros, escolhe a via da “otimização” agressiva assim que a sua própria carteira está em jogo, ele está a dizer ao país que as regras são apenas para os totós que não têm acesso a estúdios de televisão.
O silêncio das televisões e rádios perante as condenações fiscais dos seus ativos mais valiosos é uma traição ao dever de informar.
É a prova de que, para certas empresas de comunicação, o lucro e a proteção da imagem das suas estrelas valem mais do que a verdade e o interesse público.
É urgente que o Ministério Público e a Autoridade Tributária não se deixem intimidar pelo brilho das luzes da ribalta.
A justiça fiscal tem de ser pedagógica: deve mostrar que ninguém, por mais influente que seja, está fora do alcance da lei.
O país real, o Portugal que trabalha de sol a sol, que sulca a terra ou cumpre horários duros nas fábricas e escritórios, exige que a lei seja igual para todos.
Sem excepções, sem desculpas, sem engenharias de última hora e, acima de tudo, sem o silêncio cúmplice daqueles que usam o poder da comunicação social como um escudo protetor contra o Fisco.
A cidadania não é um fato à medida que se veste apenas quando as câmaras estão ligadas; é uma obrigação contínua que se prova, sobretudo, na hora de pagar a conta comum.
Se todos somos iguais perante a lei, então que os nomes destas estrelas figurem nos editais da justiça com o mesmo destaque com que figuram nos cartazes das audiências.
Só assim teremos um país a sério e não a “Alice no Pais das Maravilhas!”
João Marvilla / Economista

VN Gaia: diretor municipal exonerado devido a alegada falsa licenciatura – Portugal – SÁBADO

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Uma alegada falsificação de habilitações académicas levou a câmara de Luís Filipe Menezes a afastar o ex-adjunto do vice-presidente e atual diretor municipal de habitação (que defende ter havido um incêndio na faculdade, que destruiu registos)

Source: VN Gaia: diretor municipal exonerado devido a alegada falsa licenciatura – Portugal – SÁBADO

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