racismo nunca mais! saudações festivas

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679 racismo nunca mais! saudações festivas

Não entendemos como é que nos Açores (e em Portugal peninsular) ainda se não seguiu o equitativo exemplo do Reino Unido, da Alemanha, da Áustria, da França, dos EUA e de outros países, em abolir totalmente o “Menino Jesus” (esse já andava há anos na despensa), o “Pai Natal” e as renas (também para lá caminhavam).

O Feliz Natal e frases quejandas são um insulto aos nossos irmãos de outras crenças e culturas e se sentirão discriminados racialmente por esses antiquados cartões de votos juvenis e adultos, tão apropriados ao racismo do tempo da escravatura do século XVIII e XIX e que (em vez de Boas Festas) se passarão a chamar de “cartões de inverno”

Há quem venha agora proclamar que a filha negra tem medo do Pai Natal branco, e contrate um negro para fazer o papel do bom velhinho crítico do racismo. Talvez esteja tudo confuso. É mesmo uma diferença subtil, como a que distingue o amor e o ódio. Tudo muito parecido, ainda mais no mundo fugidio das redes sociais. Ali é tudo preto no branco, mas se for branco no preto ninguém vai notar.

Pois bem: o diligente manifestante contra o racismo, que é branco e adotou uma menina negra, divulgou que a filha se sentiu muito melhor diante de um Pai Natal da cor dela (apesar de não ser da cor dos pais adotivos. Felizmente não eram <Peles Vermelhos», termo depreciativo, preconceituoso e ignorante. Em termos clínicos, uma pele vermelha, quente e dolorida pode estar associada a condições como celulite infecciosa, rosácea, eczema, alergias ou à chamada síndrome da pele vermelha (ligada ao uso excessivo de corticoides locais).

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O pessoal do Apartheid teve exatamente a mesma ideia: transformar a cor da pele em critério básico para a relação entre as pessoas – preto com preto e branco com branco, cada um na sua. O café com leite pode fazer mal como o trigo e seus derivados.

A premissa da identidade racial como base social deu origem a um dos regimes mais desumanos da história, mas foi sem querer. Por isso se tornou vulgar agora vermos peças em que Jesus surge como negro africano e não do Médio Oriente. É difícil, na sofreguidão das redes sociais, distinguir um progressista de um reacionário.

Que tal imaginar um Natal na casa de um pai homofóbico? poderia adaptar a lenda – quem sabe substituindo as renas do trenó por cavalos, para que o filho não ficasse diante daquele desfile de veados. Se uma família veta o Pai Natal Branco outra veta as renas. Cada um na sua.

Não há nada mais eficaz para se perceber uma alegoria idiota do que outra alegoria idiota.

Aí está o resumo da resistência de auditório ao racismo e demais causas politicamente corretas: um desfile de alegorias e adereços tão reluzentes – e, naturalmente, inúteis para todos aqueles que os heróis do Facebook dizem defender. Racismo é crime. Mas estimular o racismo fingindo combatê-lo está aprovado como marketing pessoal.

Em 2021, a mais recente loucura do tipo correu o mundo e deixou de queixo caído esferas de esquerda habitualmente na linha de frente da correção política. A autora do golo contra é Helena Dalli, uma política da ilha de Malta, comissária europeia para a igualdade (2019-2024) sendo substituída por uma ainda mais controversa, Hadja Lahbib da Bélgica.

Natal nunca mais, e todas as palavras associadas, idem para o Índex.

Em Portugal, Carlos Costa Gomes, o Presidente do Centro de Estudos de Bioética, foi vocal na sua crítica em dezembro 2025. A questão surgiu, quando numa Escola de Pinhal Novo, por uma questão de “neutralidade”, se decidiu não festejar as tradições de Natal. Mas esta decisão não deixa de levantar alguma perplexidade e um problema mais profundo, quase silencioso: o perigo do esquecimento.

  1. Poderá existir pressão de proteger a diversidade e evitar que a criança se sinta excluída, mas a decisão tem um desafio ético, menos visível.
  2. A pluralidade não se constrói apagando símbolos ou tradições. Constrói-se aprendendo a compreendê-los ética e socialmente.
  3. O Natal, de cariz religioso cristão, não é apenas uma celebração religiosa mas parte da nossa história cultural: na música, na literatura, nas artes, nas tradições familiares e nos valores de solidariedade que atravessam a nossa sociedade (e logo na música proibida pelos islâmicos).
  4. Quando a escola evita totalmente qualquer referência a esta tradição, corre o risco ético de criar um vazio cultural e um esvaziamento da pluralidade, e perde a oportunidade de promover aprendizagem, o diálogo e reconhecimento mútuo.
  5. A neutralidade não exige silêncio; exige que se seja justo, a neutralidade não é apagar tradições, mas explicá-las e ensiná-las sem doutrinar.
  6. Quando as crianças aprendem o significado cultural do Natal estão a ser educadas para compreender a diversidade do mundo. Não é excluir o Natal que se promove a diversidade, pelo contrário, é integrá-lo que se promove o direito à diferença.
  7. O risco ético da época que esquece, é o de uma escola que não falando de tradições pode, com ou sem intenção, contribuir para uma forma mais subtil de empobrecimento: o esquecimento de que somos seres com biografia histórica. E quando a sociedade esquece a sua narrativa, fragmenta-se.

Estão mal e eticamente questionáveis as escolas que por neutralidade negam, precisamente o que querem defender – a diversidade.

Os muçulmanos comemoram apenas duas festas religiosas: 1. o Eid wl-Fitr, que é a comemoração após o término do mês do Ramadão. Eu, particularmente, achei bem parecido com o nosso Natal, pois enfeitam as casas, fazem um grande jantar e presenteiam os amigos e a família. 2. A outra festa comemorada por eles é o Eid al-Adha, em que se comemora a obediência do Profeta Abraão a Deus.

Gostaria de encerrar com uma frase de Gandhi que acho muito legal e que, a meu ver, se relaciona muito bem com o texto. “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.” Mahatma Gandhi.

 

Aproveitando gostaria de desejar a todas os colunistas e leitores um Feliz Natal e um próspero novo ano, mas temo que isto seja racista para as crianças católicas ao verem homossexuais atirados do topo dos prédios e mulheres enfiadas na terra ou a areia até à cintura à espera de serem mortas por apedrejamento, bem como a execução por degola de todos os cristãos que recusem converter-se. Lamento mas sou um indivíduo e reservo-me o direito a essa individualidade, ao direito de escolha e não estou interessado em converter-me a nada, exceto à eternidade.

 

https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2026/10/679-racismo-nunca-mais.pdf

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