Mazagão: a fantástica odisseia de uma cidade portuguesa em Marrocos | VortexMag

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Mazagão faz hoje parte da cidade marroquina de El Jadida. Em tempos, foi uma importante cidade portuguesa. Descubra a sua história e o que lhe aconteceu.

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com touros sem máscara – dir reg cultura e agricultura

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May be an image of standing and text that says "21:31 Início Favoritos Recentes Os Açores e Sergio Ribeiro Mundo Os membros do governo e restante população da ilha Terceira, estão isentos de usar máscara em festas taurinas! As máscaras são para os micaelenses tontos... Juntos não conseguiremos! DIRECTOR REGIONAL DA CULTURA MAIS SECRETÁRIO REGIONAL TODA A GENTE SEM MÁSCARA NUMA FESTA TAURINA Gosto muito de ferrar touros! Ai de quem usar máscara aqui!"
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o fim de Schengen?

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Regressemos então ao Certificado Digital ou Passaporte Covid como, também, já é denominado. Uma das bases do processo de construção europeu, diria até que um dos seus pilares fundamentais, é a livre circulação de pessoas e bens dentro do espaço da União. Que, embora só tenha efectivamente sido implementado com o famoso Tratado de Schengen, em 95, esteve ou estava implicitamente subjacente à própria génese do ideário europeu com a livre circulação de trabalhadores e da liberdade de implementação de empresas e serviços estabelecida logo em 1957 no Tratado que instituiu a CEE. Ou seja, a livre circulação entre países da UE não é um princípio qualquer é uma parcela fundamental de um dos, se não o mais importante, conceitos fundadores que é o de Cidadania Europeia. Enquanto cidadãos de um espaço geográfico comum é um direito inalienável a liberdade de circulação dentro dele, abolindo-se fronteiras, vistos e direitos alfandegários. Esta livre circulação foi também uma conquista civilizacional, estreitando laços entre povos e nações e indo até mais longe na supressão de fronteiras políticas e muitas vezes meramente administrativas e colocando-se a ênfase na identificação cultural, linguística e histórica dos povos europeus. Veja-se, aqui tão perto, a questão Galega ou, por exemplo, o caso mais sensível do povo Euskadi, separado em dois países diferentes. Com isto não quero entrar em matérias nacionalistas, mas antes assinalar a importância deste assunto do ponto de vista quase filosófico na construção europeia. Ora o Certificado Digital vem reinstituir “barreiras” ou, pior, uma discriminação, mesmo que positiva, nesta livre circulação e, é por isso mesmo, que vai essencialmente contra o espírito da própria União. Ainda para mais, quando a razão que nos é dada para esta supressão de um direito fundamental da cidadania europeia é meramente potenciar a retoma económica. Junte-se a isto o facto de estar acessível apenas a uma minoria da população, vacinados ou pós-infectados, ter subjacente informação clínica sensível e privada, ser potencialmente gerador de discriminação, ir contra o direito à privacidade e, last but not least, ser altamente perigosa e duvidosa a generalização da sua utilização, veja-se que já se fala em acesso a eventos e espectáculos para percebermos como estamos na ante-câmara de um novo big brother is watching you mascarado de salvo-conduto vacinal. Esta espécie de classe executiva para covidiotas não é um avanço na construção europeia nem uma afirmação da sua cidadania, antes pelo contrário, é um gesto xenófobo e autoritário que limita e discrimina os cidadãos europeus com a aposição de uma verdadeira anilha sanitária para controlo da circulação, resta saber quem controla as entradas e as saídas neste matadouro em que a loucura pandémica transformou o nosso espaço comum…
Visit the COVID-19 Information Centre for vaccine resources.
Get Vaccine Info

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O PLANTADOR DE ABÓBORAS LUIS CARDOSO NORONHA

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Infelizmente por causa da pandemia os poucos lugares disponíveis estão preenchidos. Mas poderá acompanhar através do facebook das Bibliotecas de Oeiras, a partir das 15 horas e assim terá tempo para desfrutar do jogo Alemanha-Portugal pelas 17 horas. Espero e desejo que ganhe Portugal, em Munique.
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SAT, 19 JUN AT 14:00 UTC
O Plantador de Abóboras

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  • Paulo Saldanha

    Lalika preocupa…sei manan. Desejo um excelente lançamento.
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a queda de França

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A queda narcisista da França
O país está realmente à beira de uma guerra civil?
POR MICHEL HOUELLEBECQ
“Eu olho para todos os lados e tudo o que vejo é escuridão.”
Uso essa citação de Pascal ( Pensées , 229) porque não estou a propor-me afirmar verdades positivas nem a defender opiniões. Vejo uma situação que – como escreve Pascal na frase seguinte – “não oferece senão motivo de dúvida e ansiedade”.
Se me pedem para dar um parecer sobre a agora celebrada “Carta dos generais”, UnHerd ‘s Will Lloyd observa corretamente: “O que parece mais extraordinário sobre o furor que se seguiu é que tão poucas pessoas questionaram a premissa da carta – que a França está a ponto de entrar em colapso. ”
Isso é realmente surpreendente. Por quê a França? Por quê a França e não qualquer outro país europeu quando os outros parecem estar numa situação mais ou menos semelhante e às vezes pior?
Devo admitir desde o início que não tenho solução para esse mistério (embora conheça bem a França e seja francês). Tentarei evitar cair em noções confusas do tipo “psicologia das nações”; mas será difícil.
Do ponto de vista do terrorismo islâmico, é verdade que, durante algum tempo, a França foi especialmente visada pelo Isis, esta última acreditando (não sem razão) que a França os havia atacado intervindo na Síria e no Iraque. Mas esses dias ficaram para trás e, se considerarmos as últimas décadas, vemos que a Grã-Bretanha, a Espanha, a Bélgica e, em menor medida, a Alemanha também sofreram ataques terroristas assassinos. O que seria difícil, de facto, é encontrar um país no mundo que tenha sido poupado da violência islâmica.
O crime e a violência, ligados ou não às drogas, estão realmente a causar mais estragos na França do que em outros países europeus? Não tenho ideia, mas surpreender-me-ia um pouco; se fosse esse o caso, os jornalistas franceses não teriam deixado de enfatizar isso.
Há na França um ambiente vago e generalizado de autoflagelação – algo que paira no ar como um gás. Quem visita a França e vê televisão não pode deixar de se surpreender com a obsessão de seus apresentadores, jornalistas, economistas, sociólogos e especialistas diversos: passam a maior parte do tempo no ar comparando a França a outros países europeus, invariavelmente, com o objetivo de menosprezar França.
Em geral, é suficiente apontar para a Alemanha; mas às vezes a Alemanha não tem um histórico tão bom, então eles referem-se à Escandinávia, Holanda e, mais raramente, à Grã-Bretanha. Qualquer que seja o assunto, é claro que sempre é possível descobrir um país que é superior a nós; mas esse extremo deleite com o masoquismo é surpreendente.
Este é apenas um detalhe. Um assunto muito mais importante, visto que não é apenas um sintoma de declínio, mas o próprio declínio – declínio em sua própria essência – é, obviamente, a demografia. Recentemente, políticos e comentadores ficaram preocupados ao saber que o “índice sintético de fertilidade” (isto é, o número de filhos por mulher) caiu na França para 1,8. (1)
Tal número seria a realização de um sonho para os países do Sul da Europa: Itália, Espanha, Portugal e Grécia, onde a taxa é de 1,3. 2 É ainda pior na Ásia, em partes do mundo que são tão tecnologicamente avançadas quanto distantes, mas geralmente admiradas. A taxa em Singapura e Taiwan é de 1,2.
A Coreia do Sul é apenas 1,1. Este país corre o risco de perder um décimo de sua população até 2050; se isto continuar, terá apenas uma chance de sobrevivência: anexar a Coreia do Norte, que está em 1,9. Estou a brincar, mas só isso.
Com uma taxa de 1,4, os japoneses estão quase a arrastar-se, o que é surpreendente, já que as notícias mais divertidas sobre o declínio das taxas de natalidade normalmente vêm do Japão. Essas notícias são tão loucas que hesito em repeti-las (mas o improvável às vezes é verdade):
Os velhos são aparentemente tão numerosos no Japão que não podem mais ser alojados, então eles têm que encontrar uma maneira de infringir a lei para encontrar alojamento na prisão.
O governo japonês é relatado ter que transmitir vídeos pornográficos em horário nobre na televisão pública, a fim de estimular os apetites sexuais dos casais japoneses. Afinal, trepar acaba por gerar alguns filhos.
Na França, é claro que não chegamos a esse nível, pelo menos não totalmente. A verdade é que a obsessão francesa com a ideia de declínio está longe de ser nova. Jean-Jacques Rousseau afirma em algum lugar (ou é Voltaire? Tenho preguiça de verificar; esses autores são entediantes de ler. De qualquer forma, é um dos dois), que mais cedo ou mais tarde – “a coisa é certa”: nós seremos escravizados pelos chineses.
A França às vezes lembra-me um daqueles velhos hipocondríacos que nunca param de reclamar da sua saúde; o tipo que está constantemente a dizer que desta vez eles realmente estão com um pé para a cova. As pessoas costumam responder sarcasticamente: “Vejam, ele vai acabar por enterrar-nos a todos ”.
Os Estados Unidos da América parecem, por outro lado, ter transformado o optimismo em um princípio de existência. Pode-se duvidar da firmeza dessa atitude. Quando Joe Biden afirma que “a América está mais uma vez pronta para liderar o mundo” (aqui, novamente, estou com preguiça de encontrar a citação exacta; Biden é ainda mais tedioso do que Voltaire), eu imediatamente interpreto isso como:
A América não demorará muito para embarcar numa nova guerra;
Como sempre, ela vai acabar comportando-se como um pedaço de merda;
Ela desperdiçará muito dinheiro, ao mesmo tempo que reforça o ódio quase universal de que é o alvo; isso permitirá que a China fortaleça sua posição.
Não, não se trata realmente de um “suicídio francês” – para evocar o título do livro de Eric Zemmour – mas de um suicídio ocidental ou melhor, de um suicídio da modernidade, já que os países asiáticos não são poupados. O que é especificamente e autenticamente francês é a consciência desse suicídio. Mas se consentirmos em deixar de lado por um momento o caso particular da França (e realmente seria sensato fazê-lo), a conclusão torna-se cristalina: a consequência inevitável do que chamamos de progresso (em todos os níveis, económico, político, científico, tecnológico) é autodestruição.
Ao recusar todas as formas de imigração, os países asiáticos optaram pelo suicídio simples, sem complicações ou distúrbios. Os países do Sul da Europa estão na mesma situação, embora se pergunte se eles a escolheram conscientemente. Os migrantes desembarcam na Itália, na Espanha e na Grécia – mas eles apenas passam, sem ajudar a equilibrar o equilíbrio demográfico, embora as mulheres desses países sejam frequentemente muito desejáveis. Não, os migrantes são atraídos irresistivelmente para os maiores e mais gordos queijos, os países do Norte da Europa.
Devo mencionar de passagem a opinião esquerdista / progressista / humanista: não se trata de um suicídio, mas de uma regeneração. A composição étnica está, reconhecidamente, sendo modificada, mas no essencial todo o resto permanece inalterado: a nossa república (ou melhor, na Europa, principalmente a nossa monarquia) a nossa cultura, os nossos valores, o nosso “Estado de Direito”, todas essas coisas. Às vezes ouço essa opinião ser defendida (embora cada vez mais raramente).
Os 45% dos franceses que acreditam , por outro lado, na iminente guerra civil ajudam a mostrar (e é quase fofo) que a França continua a ser uma nação de fanfarrões.
São necessários dois para travar uma guerra. Os franceses vão pegar em armas para defender sua religião? Eles não têm religião há muito tempo; e, em qualquer caso, sua religião anterior é daquelas em que tu deves oferecer a tua garganta à lâmina do açougueiro.
Seria então uma guerra para defender a sua cultura, seu modo de vida, seu sistema de valores? Do que exactamente estamos a falar? E supondo que ela exista, vale a pena lutar por ela? a nossa “civilização” realmente ainda tem algo do que se orgulhar?
A Europa parece-me estar numa encruzilhada. Ler Pascal ajuda-me muito: mas, como ele, não vejo “nada além de motivos de dúvida e ansiedade”.
Traduzido do francês pelo Dr. Louis Betty (e do inglês por mim).
© Michel Houellebecq c/o Agence Intertalent info@intertalent.fr
NOTAS DE RODAPÉ
Os Estados Unidos e a Rússia estão em 1,8; A China está em 1,7.
Esses números de 2019 vêm de um boletim informativo, Population et sociétés , publicado pelo Institut National d’Études Démographiques; seus dados, por sua vez, vêm de um relatório publicado pela divisão de população da ONU. Este boletim também se envolve em projecções das populações dos países até 2050. Eles provavelmente estão a apostar numa certa percentagem de imigração, o que explicaria as diferenças com o que se segue das taxas de fecundidade. Como tal, a população dos Estados Unidos aumenta significativamente (a da França também, embora muito menos), enquanto a da Rússia e da China diminuem lentamente; em 2050, o país mais populoso do mundo deveria ser, por larga margem, a Índia.
The narcissistic fall of France - UnHerd
UNHERD.COM
The narcissistic fall of France – UnHerd
Is the country really on the brink of civil war?
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att CÃMARA DA HORTA, AGUARDAMOS AÇÃO

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May be an image of monument and outdoors
Por favor tirem um pouco do seu tempo para ler com atenção e se possivel tambem podem dar a sua ajuda .
Estive no pico da esperança com o objetivo de ir visitar o monumento em memoria das 35 vidas que ali morreram no dia 11 de dezembro de 1999 num tragico acidente aereo .
A aeronave era um ATP de nome Graciosa que pertencia á companhia aerea SATA.
O local é visitado por centenas de pessoas anualmente.
E por seus familiares .
E como se se vé na imagem a pedra esta a precisar de limpeza e repor as letras em falta.
Mas na minha maneira de ver deviam pensar em algo que seja adecuado para para a zona porque como está bem visivel as letras estão a cair .
A propria cola que suporta as letras esta a perder a sua resistencia e assim com o passar do tempo as letras estao a cair.
Vandalismo?????
Talvez até sim ,mas uma coisa é certa letras caem e ficam no chão entre as ervas.
mas se for colocada uma peça que seja adequada pode ser que se ivite a questão do vandalismo.
Mas tambem é certo de que se a intenção fosse vandalizar decerteza que nenhuma letra lá estava porque esta muito fragil o suporte das mesmas na pedra.
Por isso era muito interessante se as aoturidades locais em conjunto com a companhia aerea SATA tentar emendar algo que com o passar do tempo vai sse notando que não foi a escolha mais correta o material usado no respetivo monumento.
Limpar e o conservar
E mais uma vez peço a todos a vossa ajuda.
Um grande abraço para os familiares das vitimas.

Qual o futuro da língua portuguesa em Angola?

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O presente texto – o primeiro que escrevo, com muito prazer, para o jornal digital português Sinal Aberto – tem por objetivo alinhavar duas ou três notas sobre o possível futuro da língua portugues…

Source: Qual o futuro da língua portuguesa em Angola?

TIMOR UMA MULHER PRESIDENTE, PROPOSTA DE 2012

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551. lágrimas por timor, até quando? 16 julho 2012

 

confesso sem vergonha nem temores

hoje os olhos transbordaram

lágrimas em cascata como diques

pior que a lois quando a chove

 

o coração bateu impiedoso

os olhos turvos a mente clara

as mãos trémulas de impotência

 

nas covas e nas valas comuns

muitos se agitaram com a morte gratuita

 

mais um casal de pais órfão

mais um filho varado às balas

sem razões nem justificações

 

poucas vozes serenas se ouviram

velhos ódios, vinganças acicatadas

o povo dividido como em 1975

 

sem alguém capaz de congregar o povo

sem alguém capaz de governar para todos

sem alguém acima de agendas pessoais

sem alguém acima de partidos

 

temos de ultrapassar agosto 75

udt e fretilin

a invasão indonésia e o genocídio

 

faça-se ou não justiça

é urgente um passo em frente

 

é urgente alguém com visão

um sonhador, um utópico

um poeta como xanana já foi

 

alguém que ame timor

mais do que ama suas crenças

mais do que ama suas ideias

mais do que ama sua família

 

talvez mesmo uma mulher

sensível e meiga

olhar almendrado

pele tisnada

capaz de amar

impulsiva para acreditar

liberta de injustiças passadas

solta de ódios, vinganças e outras

capaz de depor as armas

todas e liderar.

 

 

MORREU FERNANDO DE ARAUJO LASAMA (TIMOR)

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P A X
Acordei com a noticia da morte do senhor Fernando de Araújo. Um dos homens que nos tempos mais difíceis não traíu o seu Povo e a sua Pátria. Tornou-se LA SAMA perante as botas dos arrogantes da época. Não apagou em Cipinang a chama da Liberdade. Presto homenagem ao senhor Fernando de Araújo La Sama com estes simples versos. E desta simples página faço chegar à familia enlutada as minhas sinceras condolências. Que Deus lhe conceda o eterno descanso.
Mais um lorico deixou de cantar
Para sempre calou a voz d’m aswain
Oan mane Manutasi partiu para o Pai
Mais pobre ficou pra sempre Timor.
Na clandestinidade
Aswain La Sama
Não deixou apagar
A chama da Liberdade.
Em seus ombros duas pastas
É muito pra aguentar
Mais PD e outros tantos
Faz sua saúde abalar.
La Sama, tua partida
Deixou-me sem palavras
Obrigado p’la tua vida
e teu ardor por Timor.
Crispim Hornay
02 JUN 2015
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A GALIZA NA OBRA POÉTICA DE CHRYS CHRYSTELLO CONCHA ROUSIA, Academia Galega da Língua Portuguesa

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Tema 3.2. A GALIZA NA OBRA POÉTICA DE CHRYS CHRYSTELLO

CONCHA ROUSIA, Academia Galega da Língua Portuguesa

 

Partindo da análise da obra ‘Crónica do Quotidiano Inútil’ tratarei de entender a dimensão que a Galiza, tanto como ser vivo, terra que sofre, quanto como conceito lírico, tem na obra do poeta Chrys Chrystello. A primeira parte estará baseada na análise dos poemas incluídos na obra mencionada, que conformam o capítulo IV (Planeta Galiza) e que são os seguintes:

– Partir (à Concha Rousia e a uma Galiza Lusófona)

– Lendas da minha Galiza

– Concha é nome de guerra

– Elegia à AGLP

– Geneviève, e

– Galiza como Hiroshima mon amour.

Para complementar a minha análise considerarei também informações obtidas diretamente de conversas mantidas com o poeta Chrys Chrystello.

 

Introdução

Três são os eixos essências que confluem nesta análise, como se fosse uma trindade, três dimensões, a poética, representada pela poesia de Chrys Chrystello, a humana, representada pelo poeta Chrys Chrystello, e a social, representada pela Galiza. Começarei descrevendo, mais do que definindo estes três conceitos. Mas como se define a poesia? Como o poeta? E como a Galiza? Tentarei aproximar com as minhas palavras, como se fossem fotografias conceituais, como se as palavras pintassem, uma ideia sobre quem é o poeta Chrys Chrystello, o que é a poesia e ainda o que é a Galiza.

 

O Poeta

Basear-me-ei nas informações que tenho sobre Chrys Chrystello, juntamente com o conhecimento pessoal que tenho do poeta. Antes de mais devo afirmar que o Chrys não apenas acredita em multiculturalismo, é um exemplo vivo de multiculturalismo, nascido numa família mista com alemão, galego, português, brasileiro, judeu…

O seu multiculturalismo genético cultural vem tanto por parte materna como por parte paterna. Não tenho certeza em que momento da sua história o Chrys se fez consciente desse seu multiculturalismo. Essa será uma pergunta que guardo para fazer ao poeta no próximo encontro; pois fiquei curiosa por saber se o seu multiculturalismo teve algum efeito nas suas escolhas de forma consciente ou se esse multiculturalismo atuou desde as profundas raízes do inconsciente, e só foi depois que o poeta descobriu essa trança de tantos fios e tanta riqueza de ancestrais. Fica esta questão para ser respondida e incorporada a informação derivada para uma ampliação que irei fazer deste trabalho em posterior ocasião.

Chrys foi levado em 1973 pelo Exército Português a prestar serviço em Timor; permaneceu lá por dois anos, em 1975 deixou Timor para ir-se para a Austrália e não demorou em perceber que queria ser australiano. Atrevo-me a dizer que o Chrys encontrou na Austrália a pátria capaz de acolher todas as suas pátrias, as descobertas e as por descobrir, as territoriais e as ideológicas e as poéticas. Pergunto-me se por aquela época o Chrys já tinha descoberto que a Galiza era mais uma de suas pátrias; embora consciente ou não desse facto, a Galiza ia nele como ser vivo, e com ele se movia pelo mundo, pois aonde o Chrys vai, a Galiza vai; isso é algo que desde já posso afirmar. Naquela altura o Chrys já era um estudioso das línguas e da política; sendo também já um autor publicado. Saliento aqui de sua obra poética o primeiro volume da Crónica do Quotidiano Inútil (1972). Publicou também um ensaio político sobre Timor. Mas a sua trajetória passou por muitos e diversos campos. Foi escolhido para um posto executivo como economista na CEM (Companhia de Eletricidade de Macau). Depois escolheu Sydney (e mais tarde Melbourne) para continuar sua vida como cidadão australiano até 1996.

No 1967 entra no mundo do rádio jornalismo, onde lhe esperavam grandes aventuras, e também na televisão e na imprensa.

Entre os anos 1976 e 1996 escreveu sobre o drama que se vivia em Timor Leste quando o mundo se negava a vê-lo. Sempre atento à voz que outros desde o poder escolhem não ouvir, mesmo quando essa voz era um grito, o Chrys não apenas ouvia, ele prestava a sua voz.

 

Podemos dizer que o escritor Chrys Chrystello desde sempre se interessou pelas línguas; e desde os anos setenta teve que enfrentar os mais de 30 dialetos no Timor-Leste.

Na Austrália aprendeu sobre as marcas de uma tribo aborígene que falava um crioulo do português. Foi membro fundador do AUSIT (the Australian Institute for Translators and Interpreters) e membro do painel da NAATI (National Accreditation Authority) desde o ano 1984, Chrys lecionou estudos de linguística e multiculturalismo. Tem ampla experiência na tradução e interpretação especialista em multitude de áreas desde artísticas até jurídicas ou médicas. Participou em conferências em muitos países nos diversos continentes. Autor de numerosas obras sobre os mais diversos temas, sempre com marcado multiculturalismo, tanto prático como teórico.

A defesa do multiculturalismo é uma das grandes teimas deste autor, e é também uma das suas grandes riquezas.

Com os Colóquios da Lusofonia, de que é Presidente, e se podia poeticamente mesmo dizer que é pai, tem levado as vozes que necessitam ser ouvidas aos lugares mais diversos desde onde se podem ouvir. Entre estas vozes sempre levou a voz da Galiza, conseguindo para ela o que em terra própria lhe era negado. Foi nos Colóquios da Lusofonia que se concebeu e se deu a conhecer o projeto da criação da Academia Galega da Língua Portuguesa; podemos dizer que portanto que ele é pai putativo desta novel academia.

Poucos poetas como ele poderão dizer que tem escrito poemas a praticamente todos os cantos da Lusofonia com a intensidade de quem está a escrever sobre a sua própria terra. Dentro dessas terras às que este poeta canta, acha-se naturalmente, a Galiza.

Na sua obra “Crónica do Quotidiano Inútil” com a que comemora 40 anos de vida literária, há um capítulo dedicado inteiramente à Galiza.

Nesse capítulo intitulado ‘Planeta Galiza’ inclui os poemas que se integram neste estudo. (Chrys, página web)

 

A Poesia

Há pessoas que se dedicam a escrever a história para que fiquem documentados os fatos, os momentos, os acontecimentos que na vida veem, ou que sabem têm tido lugar. A poesia é diferente, a poesia é uma representação, uma fotografia feita com palavras do momento vivido, ou do que se tem alguma forma de conhecimento, de experiência, alguma forma de acesso. A poesia é como um momento congelado no tempo, integrada por componentes intelectuais e componentes emocionais para contar um acontecimento. De fato a epopeia é definida como o conjunto de acontecimentos históricos narrados em verso e que podem não representar os acontecimentos com fidelidade.

Os acontecimentos que se narram na epopeia são de fatos com relevante conceito moral, que transcorreram durante guerras, ou que fazem referência a outros fenómenos históricos ou mesmo míticos. Em todo o caso desde o meu ponto de vista a verdade poética não se acha na história, mesmo quando trata de ser fiel aos acontecimentos e sim se acha na manifestação artística, se acha em tudo que fica expressado entre as linhas e não necessariamente recolhido nos conceitos que as palavras tratam de representar. O poder da poesia é portanto, o poder da máquina do tempo, faz viajar os fatos, como se os congelasse. Tomando como base uma definição oferecida pela Wikipédia podemos dizer que a poesia é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos, ou seja que ela retrata algo em que tudo pode acontecer da imaginação do autor e da imaginação do leitor. (Wikipédia 2)

Mas o que é a poesia para Chrys Chrystello?

Perguntado ele responde: “A poesia é uma fuga para a utopia, contra a injustiça e desigualdade, a voz que os jornais não permitem, um recurso para os momentos felizes, uma fuga quando o mundo exterior me oprime.” Tentarei ver como esta definição teórica se confirma na sua poesia. Mas antes vamos apresentar a poesia.

 

Poemas no capítulo ‘Planeta Galiza’ (Chrystello, 2012)

PARTIR (à Concha Rousia e a uma Galiza Lusófona)

Partir!

cortar amarras

como se ficar fosse já um naufrágio

ficar

como quem parte nunca

partir

como quem fica nas asas do tempo

ficar

como se viver fosse uma morte adiada

partir!

cortar amarras

cortas grilhetas

vencer ameias

velas ao vento

olhar o mundo

descobrir liberdades

esta a mensagem

levar o desespero ao limiar

até erguer a voz

sem medos

até rasgar as pedras

e o ventre úbere

semear desencanto

sorrir à grande utopia

nascer

– de novo –

dar o salto

transpor a fronteira

entre o ter e o ser

imaginar

como só os loucos sabem

e então chegaste

com primaveras nos dedos

e liberdade por nome

loucas promessas insinuavas

despontaste

como quem acorda horizontes perdidos

demos as mãos

sabor de início do mundo

pendão das palavras por dizer

esta a revolução

minha bandeira por desfraldar.

 

LENDAS DA MINHA GALIZA

 

Galiza és tão especial

quando sorris

por que não sorris sempre?

 

Galiza és tão bela

quando escarneces

com gargalhadas cristalinas

por que não ris sempre?

 

Galiza és tão enamorada

quando falas e cicias

por que não tagarelas sempre?

 

no monte das Ánimas

na era dos Templários

os cervos eram livres

e os servos escravos

 

do poço no meu eido

transbordam palavras

dele sorvo inspiração

amores e mouras encantadas

lá aprendi a história de Ith

filho de Breogán

indo à torre de Hércules

seduzir Eirin a Verde

este conto queda silente

na memória dos velhos

já não o aprendem os nenos

 

li em livros vetustos

o sumiço das Cassitérides

eram cativos os Ártabros

nas forjas de estanho

não encontrei os mapas

no meu poço seco e definhado

nem um fio de água

sem pardais nas árvores

nem flores no jardim

senti o coração trespassado

as lágrimas minguaram

jamais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

 

fui penar ao cimo do monte

atopei umas meigas

a dançar com o Dianho

também vi o Chupacabras

estandarte de Castela

 

sem medo de travessuras de Trasgos

nem Marimanta ou Dama de Castro

sem temor da Santa Companha

nem do Nubeiro vagueando

entre tempestades e tormentas

juntei ferraduras, alho e sal

colares de conchas e tesouras abertas

esconjurei meigas castelhanas

que me salve o burro farinheiro

ou o banho santo em Lanzada

 

visitei Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não visitei uma de vivo

desci a Ribadavia

ali nasce o Minho

que ora passa caladinho

para não despertar os meninos

 

sigo caminhando

busco a moura fiandeira

um dia virá o eco

e brotará água de meu poço

escreverei os versos e serão mágicos

afincado no chão

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre.

 

 

 

CONCHA É NOME DE GUERRA

 

para ti não há música nem dança

apenas as artes marciais

guerrilheira de montes e vales

urdidora de emboscadas

 

sob a copa das amplas árvores

brandes teu gládio de palavras suaves

não usas as falas do inimigo

vingas a dor de seres galega

 

a montanha tu a herdaste sozinha

prenhada de mar na ilha dos nossos

o povo desaparecido da Rousia aldeia

esse recanto insuspeito ao virar da raia

esse recanto insuspeito ao virar da raia

onde fui a férias em 2005 sem te saber

eu que nasci galego do sul

sendo galego de Celanova

 

apartado de meus irmãos e irmãs

vivi séculos de história ao desbarato

distavam mares que nunca navegávamos

montes que nunca escalámos

estrelas que jamais enxergámos

 

até um dia em que surgiste

vestias azul e branco orlada a ouro

estandarte do nosso reino

ciciavas liberdades por atingir

sonhos por realizar

brandias a tua utopia

numa mesma lusofonia.

 

 

 

 

ELEGIA À AGLP

 

viver numa ilha é prisão

sair dela é impossível

nem a velocidade da chita

nem a força do elefante

nem o mergulho do cachalote

 

viver numa ilha é prisão

inúteis os passaportes

ou vistos consulares

não basta saber nadar

 

viver na Galiza é prisão

sair é possível

não expulsa carcereiros

não abate as grades

não liberta do cativeiro

 

viver nesta ilha é prisão

há sempre uma Concha dos Bosques

ou um Ângelo Merlim

um Joám Pequeno Evans Pim

um frei Tuck Montero Santalha

e seu bando de lusofalantes

manejando o arco como António Gil

a invencível besta da Lusofonia

 

GENEVIEVE

 

genevieve era nome de mulher

em restaurante japonês

no meio de chinatown

 

sorrisos largos e astutos

mansos como o rio minho

olhos profundos amendoados

como o canon do sil

prometia ribeiras sacras

seios amplos acolhedores

como as rias baixas

 

genoveva da galiza

amazona em sidney

um pai na argentina

uma mãe em paris

com saudades de arousa

servia sushi com saké

minhas loucas bebedeiras em galego.

 

GALIZA COMO HIROSHIMA MON AMOUR

 

acordaste

e ouviste o teu hino

estandarte desfraldado

ao vento ao intrépido som

das armas de breogán

amor da terra verde,

da viçosa terra nossa,

à nobre Lusitânia

estendes os braços amigos,

despertas do teu sono

agarras nos irmãos

caminhas pelas estradas

ergues bem alto a voz

dizes a quem te ouve quem és

orgulhosa, vetusta e altiva

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

nenhum exército te conquistará

nenhuma lei te aniquilará

 

és a Galiza mon amour. (Chrys, 2012)

 

A Galiza

Todo país, toda terra, toda pátria é indefinível, ou dito de outra forma, toda a terra poderia ser definida de muitas formas, tal qual se fossem acontecimentos lendários; portanto eu vou colocar aqui uma carta em que a Galiza, através das minhas palavras, se apresenta ao Brasil. Esta é a imagem da Galiza que levo em mim, e acho é uma dialoga imagem perfeitamente com a Galiza que vive e viaja na alma deste poeta.

 

Carta da Galiza ao Brasil

Meu benquerido irmão:

Antes de mais permite-me que me apresente, há tantas cousas erradas que te tem contado de mim, e eu quero, necessito mesmo, que tu me conheças como eu sou. O meu nome é Galiza, ocupo o noroeste da península Ibérica, sou geograficamente, culturalmente e linguisticamente irmã de Portugal, que fica ao meu Sul, do outro lado do rio Minho; uma pequenina parte de mim permaneceu sempre independente de qualquer estado até meados do século XIX, mas hoje sou um território totalmente dominado polo Estado Espanhol… Eu sou uma velha pátria que esqueceu já a sua idade; mas o que nunca vou esquecer, mesmo que ao mundo lhe custe perceber, é que em mim nasceu e se criou a nossa língua; esta que tu e eu falamos e que por vicissitudes da história se conhece internacionalmente apenas como ‘português’ mas que nós aqui também chamamos ‘galego’. Mas deixa-me continuar a te contar…

Permite-me que te fale um bocadinho da minha longa história. Eu sou a velha terra chamada ‘Calaica’ Terra onde, como já te disse, nasceu e se criou esta nossa formosa língua; um dia eu fui grande… Naqueles tempos foram os meus filhos os que emigrados povoaram a Bretanha, o Centro dos Alpes, e as ilhas Britânicas, consolidando durante milénios a laborada cultura Atlântica. Vai ser muito difícil para mim em poucas palavras resumir-te tantos azares, tantas batalhas, tantas façanhas e também tanta dor e tanto sangue derramado.

Muitos foram os povos que quiseram governar-me, pola cobiça do Ouro, pola riqueza mineira que guardava a minha entranha; chegaram legados de Roma ávidos de conquista e saque, para abrir seu domínio, atravessando do Douro as margens, mas antes tiveram que ceifar 50.000 almas indomáveis, que a peito nu combatiam, porque cobrir o peito era para eles ação de cobardes. Do Latim trazido com as suas outras falas, misturou-se através dos séculos nossa céltica linguagem, para que abrolhasse na Idade Media a língua que agora, meu irmão em espírito, embeleces arrolando-a, com o amor e a exuberância das florestas incontornáveis. Essa língua nascida para amar e ser cantada criou uma das maiores culturas da Europa Medieval, polo caminho de Sant’Iago difundida e admirada. Mas tarde, nas lutas dos reinos Ibéricos polo controlo da Hispânia, fui vencida e humilhada polos reis Católicos de Castela e seus ferozes aliados, para pronto, sem dar-me fôlego, à escuridão ser condenada. Atrás ficara o 1º Reino da Europa a liberar-se do Império romano, no século V, polo embate dos aguerridos suevos. Atrás ficaram as lutas entre Afonso Henriques, 1 º rei português, meu filho do Porto Calem, e seu primo Afonso VII, imperador de toda a Gallaecia.

Minhas glórias foram vendidas pola arrogância e a astúcia dos homens, pola traição dos insensatos; meu nome da história foi apagado. Mas o espírito só adormeceu, e centos de anos mais tarde, as vozes de Rosalía, Pondal, Curros Enriquez e muitos outros, alguns mártires em Carral, ergueram de novo esta chama que agora te entrego irmão na confiança, sabendo que farás bom uso dela, e elevarás no continente americano, como na África e Oceânia, onde outros irmãos nos aclamam, a voz lírica deste novo mundo, lusofonia chamado, para que nunca mais a vida nascida das minhas entranhas seja por outros desprezada.

Eis a minha história, irmão Brasil, ainda hoje continuam meus filhos, contra a ignorância lutando, pola dignidade deste recanto que foi berço da cultura que hoje tu com orgulho ao mundo amostras sem arrogância. Continuarão ainda cá tempos difíceis que pronto iremos superando com ajuda dos nossos irmãos que conhecem a nossa palavra, porque a palavra hoje é carne e mora vestida de raças, para os povos unir na nobreza da que foi criada.

Como vês, querido irmão, a minha luta tem sido longa e sem tréguas, tenho de admitir que vou velha e por vezes me sinto cansada… Acho alívio em saber que tu herdaste a minha fala e que em ti nunca se apagará a minha chama; não é que eu recuse a luta, mas tenho que ser realista… O destino da nossa língua, língua em que eternamente viajará a minha alma, aqui na pátria mãe, ainda é incerto.

Há algum tempo um grupo de intelectuais e artistas, professores, escritores, e defensores da nossa cultura, criaram a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP). A ajuda da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras foi notável e imprescindível. A AGLP, a que sinto como a minha filha mais nova, tentará abrir os caminhos que rompam o cerco que nos sitia e nos abafa; do seu êxito depende em grande medida o meu futuro, é por isso que te peço a acolhas com agarimo e a ajudes no que puderes em nome da nossa eterna irmandade.

A nossa língua atravessa uma das suas piores etapas de todos os tempos na terra berço, a terra mãe que com tanto amor a viu nascer, e a seus filhos e filhas de todo o mundo envia hoje a sua voz… Voz que vai na procura de ajuda que tanto necessito, ajuda que restaure a minha dignidade, peço não continuar a ser ignorada. Por isso te falo, querido irmão, por isso te falo…

Recebe de mim a palavra que mais estimes, meu amado irmão Brasil

Assinado: A Galiza (Rousia, Blog República da Rousia)

 

Mas o que é a Galiza para Chrys Chrystello?

Perguntado o poeta responde:

“A Galiza é uma referência matricial inculcada pelo pai e avó paterna como a origem ancestral no ano de 942. Cellanova foi o ponto de partida onde um homem e uma mulher se juntaram para criar os Barbosa dos quais descendo, assim como dos Meira também galegos.”

Como podemos ver o Chrys, poeta voador, é muito consciente de suas raízes, o que lhe permite voar com a força e sem medos, pois só quem sabe que sua raiz é de profundidade eterna se atreve a voar tão longe, tão alto, tão generoso em sua trajetória, tanto quanto possível

 

Como foi que descobriste que a Galiza era um ser vivo que também necessitava se alimentar de ti?

“A Galiza precisa da voz dos que a amam e sofrem com a opressão de estarem sob jugo estrangeiro há 500 anos ++++” Breve conciso e contundente Chrys.

Achas que é possível uma Galiza fora da Lusofonia?

A Galiza só existe se for lusófona, se fosse castelhanizada não seria Galiza…

E como ficaria a Lusofonia se a Galiza se perder de sua língua definitivamente?

A Lusofonia ficaria órfã da sua mãe, que lhe deu origem e razão de ser e nisto de bater na mãe já bastou o Dom Afonso Henriques primeiro rei de Portugal…

 

Como vês o futuro da Galiza, da Lusofonia e do Mundo?

Promissor desde que as novas gerações entendam o peso da Lusofonia e a arma que a língua pode ser contra a dominação e o jugo estrangeiro opressor.

Como achas a poesia pode ajudar?

A poesia é uma arma carregada de sonhos e o sonho comanda a vida como disse António Gedeão.

 

Por favor conta tudo que te falte por contar relativamente à importância da Galiza na tua vida, tanto pessoal como poética…

Na juventude / adolescência a Galiza era uma extensão do país para norte e não um acréscimo do país ao lado que era a Espanha… …são galegos os do Minho a Trás-os-Montes com um sotaque diferente mas a mesma alma…

 

Análise dos poemas

Os textos formam um conjunto que definem o planeta que o poeta chama ‘Planeta Galiza’ e dão conta da realidade atual da Galiza, dão também as pinceladas suficientes para termos uma breve história contada de forma épica. A Galiza está em grande dívida com o poeta, pois ele a reconhece ilha, tal qual ela é, mas já a sonha planeta, livre como ela flui nos seus versos, linda e indomesticável; uma pessoa sente desejos de se ficar a viver neste planeta. Vamos agora olhar mais de perto e detalhadamente os poemas.

Os poemas do Chrys são a vivificação do seu mundo conceitual, eles são mostras vivas do que ele acha a poesia é, e que eu resumi baseando-me nas palavras dele como: ‘uma fuga para a utopia quando o mundo exterior me oprime.’ (Comunicação pessoal)

O poema ‘Partir’, primeiro desta série, primeiro do planeta Galiza, parece a Galiza mesma falando de sua urgência por mudar a situação que vive. Neste poema a Galiza parte, corta amarras, porque ficar é já um naufrágio, é um naufrágio desde há demasiado tempo, demasiados séculos. A Galiza parte para ficar nas asas do tempo, para viver, se eternizar… E como se viver como realmente vive fosse adiar só um bocado a morte; a poesia do Chrys corta grilhetas, vence ameias, iça velas ao vento… Vai sorrir à grande utopia: nascer! A Galiza indo, partindo do lugar onde se abafa: a Galiza nasce! Renasce! – de novo – Eu não sei se o poeta foi consciente disto tudo que ele colocou neste poema, e talvez se poderia adaptar a outras realidades, a outras terras, certamente poderia, mas este poema cai como uma luva para o espírito da Galiza.

O poema ‘Lendas da minha Galiza’ é um canto de amor, épico, no que o poeta salienta aqueles aspetos da Galiza que ele quer ver crescer, como se os semeasse, para ver a Galiza florir, eis a utopia! Quer o poeta que a Galiza seja feliz, se expresse, se conte tal e qual ela é, tal e qual ela foi sonhada desde o começo dos tempos, o poeta clama por uma Galiza que conserve toda a sua história, seu celtismo tão negado pelos historiadores com outros interesses do que a realidade histórica da Galiza. Dá vida a Ith, filho de Breogán, e reclama um povo para vir herdar esta riqueza secular, por não ver isto acontecendo o poeta canta:

 

senti o coração trespassado

as lágrimas minguaram

jamais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

 

Mas nem toda a dor deste mundo detém o poema ai, nem a Santa Companha detém o poeta que anuncia seu propósito de visitar o Santo André de Teixido, o que, de novo, o rende galego, pois só os galegos têm que fazer esse caminho peregrino quer de mortos, quer de vivos:

 

visitei Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não visitei uma de vivo

 

Desce pelo Minho, desde o nascimento, permitindo que o curso vivo da água flua em seu poema, vai na procura da moura, vai na procura do eco que outorgue a seus versos o poder de libertar esta terra que tanto ama.

escreverei os versos e serão mágicos

afincado no chão

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre.

 

O poema ‘Concha é nome de guerra’, o que eu pessoalmente agradeço muito, muito mais do que me caberia dizer aqui, mostra como é dura a escolha de resistir, com seus versos ele tece uma capa para a galega que resiste sem renunciar a nada do que é, sem perder nada da sua essência Nesse poema também se reinvindica a si mesmo quando diz:

 

eu que nasci galego do sul

sendo galego de Celanova,

apartado de meus irmãos e irmãs,

vivi séculos de história ao desbarato

 

E coloca o rumo face a lusofonia, uma utopia para a que vale a pena escrever e lutar com a palavra.

No seu poema ‘Elegia à AGLP’, no que verso após verso faz sentir ao leitor como é viver numa ilha, numa ilha que é prisão, viver como se vive agora na Galiza é prisão, e sair mesmo que parece difícil é possível com a tripulação da AGLP a que o poeta coloca dentro da sua elegia. De novo a utopia se faz possível, o poema começa com um reconhecimento da realidade, dura, difícil, situação de isolamento, mas que ele no poema já semeia com força a profecia, o desejo de a ver avançando.

O último poema deste capítulo intitula-se ‘Galiza como Hiroshima mon amour’, com a força de um hino os versos vão narrando as bondades, as belezas, as grandezas da Galiza que devem ser preservadas, defendidas, amadas, protegidas e encaminhadas à nobre Lusitânia com a força de quem desperta de um longo sono para ir com os irmãos, erguendo a voz. A voz do poema vai crescendo para no final, nesse último verso poeta, poesia e Galiza se deixem sentir como uma só voz.

 

indomada criatura

nenhum poder te subjugará

nenhum exército te conquistará

nenhuma lei te aniquilará

 

és a Galiza mon amour.

 

Referências Bibliográficas

Chrystello, C. (2012) Crónica do Quotidiano Inútil. Vila Nova de Gaia. Calendário Editora.

Chrystello, C. (Página web) http: / / oz2.com.sapo.pt

Rousia, C. (Blog Républica da Rousia) http: / / republicadarousia.blogspot.com.es

Wikipédia http: / / pt.wikipedia.org / wiki / Poesia

 

capítulo Açoriano da “História Concisa das Lutas Liberais”.

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Em dia de grandes surpresas, partilho uma, o honroso convite da Comissão Portuguesa de História Militar para realizar o capítulo Açoriano da “História Concisa das Lutas Liberais”.
Vamos a isso! 😉
Imagem: bagos d’uva.com
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timor ATAÚRO PASSA A MUNICÍPIO

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Parlamento timorense vota criação de novo município da ilha de Ataúro a partir de 2022
Díli, 17 mai 2021 (Lusa) – O Parlamento Nacional timorense aprovou hoje, por unanimidade e na generalidade, a criação de um novo município de Ataúro, ilha que estava até aqui integrada no município de Díli, no âmbito de alterações à divisão administrativa do país.
Para mais informação visite www.lusa.pt
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May be an image of nature and ocean
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no dia das letras (pouco) galegas, a minha homenagem.

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no dia das letras (pouco) galegas, a minha homenagem.
..525. Galiza como Hiroshima mon amour, nov 11, 2011
acordaste e ouviste o teu hino
bandeira desfraldada ao vento
ao intrépido som
das armas de breogán
amor da terra verde,
da verde terra nossa,
à nobre lusitânia
os braços estende amigos,
desperta do teu sono
pega nos irmãos
caminha pelas estradas
ergue bem alto a tua voz
diz a quem te ouvir quem és
orgulhosa, vetusta e altiva
indomada criatura
nenhum poder te subjugará
nenhum exército te conquistará
nenhuma lei te amiquilará
és a Galiza mon amour

o legado viking na PÓVIA DE VARZIM

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https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/05/Povoa-de-Varzim-O-legado-mais-fascinante-deixado-pelos-vikings-em-Portugal.pdf

O legado mais fascinante deixado pelos vikings em Portugal foi, sem dúvida, a Póvoa de Varzim.

Os vikings eram guerreiros-marinheiros da Escandinávia que entre o final do século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da Escandinávia, Europa continental e ilhas Britânicas. Embora sejam conhecidos principalmente como um povo de terror e destruição, eles também fundaram povoados e fizeram comércio pacificamente.

É o caso da Póvoa de Varzim.

As siglas poveiras

Desde há muito que estas siglas fascinam cientistas sociais. As siglas poveiras ou marcas poveiras são uma forma de “proto-escrita primitiva”, tratando-se de um sistema de comunicação visual simples usado na Póvoa de Varzim durante séculos, nas classes piscatórias, outrora a vasta maioria da população.

Para se escrever usava-se uma navalha e eram escritas sobre madeira, mas também poderiam ser pintadas, por exemplo, em barcos ou em barracos de praia.

 

Conhecidas como a “escrita poveira”,não formavam um alfabeto, funcionavam como os hieróglifos. Era usada porque muitos pescadores desconheciam o alfabeto latino, tendo as runas assim bastante utilidade. Por exemplo, eram usadas pelos vendedores no seu livro de contabilidade, sendo lidas e reconhecidas como reconhecemos um nome escrito em alfabeto latino. Os valores em dinheiro eram simbolizados por rodelas ou riscos designando vinténs e tostões, respetivamente.

Elas terão entrado em uso na Póvoa de Varzim devido à colonização viking entre os séculos IX e X, permanecido na comunidade devido à proteção cultural por parte da população. Se compararmos com as bomärken (literalmente marcas de casa) dinamarquesas a semelhança é espetacular:

 

Herança da marca

As siglas são brasões de famílias hereditários, transmitidos por herança de pais para filhos, carregadas de simbolismo, onde só os herdeiros as podem usar.

As siglas eram passadas do pai para o filho mais novo, aos outros filhos eram dadas a mesma sigla mas com traços, chamados de “pique”. Assim, o filho mais velho tem um pique, o segundo dois, e por aí em diante, até ao filho mais novo que não teria nenhum pique, herdando assim o mesmo símbolo que o seu pai.

 

Na tradição poveira, que ainda perdura, o herdeiro da família é o filho mais novo, tal como na antiga Bretanha e Dinamarca. O filho mais novo é o herdeiro dado que é esperado que tome conta dos seus pais quando estes se tornassem idosos.

Siglas e religião

Locais úteis para o estudo das siglas são os templos religiosos localizados não só na cidade e no seu concelho, mas também por todo o noroeste peninsular, em especial no Minho mas também na Galiza (muitos galegos emigraram para a Póvoa).

Os poveiros, ao longo de gerações, costumavam gravar nas portas das capelas perto de areais ou montes a sua marca como documento de passagem, como se pode verificar, por exemplo, no monte da Santa Trega (Santa Tecla) junto a A Guarda, Espanha. A marca serviria para como que os poveiros que mais tarde a vissem, que passou por ali ou para trazer boa ventura a si mesmos pelo santo que fora venerar.

 

Originalmente a inscrição estava na porta da capela de Santa Trega. Mas, para ser protegida de danificações, foi levada para o Museu do Povo Galego em Santiago de Compostela. Esta é uma lápide comemorativa, de 28/08/1991.

Mas há muitas mais pelo Minho fora. Desde Santo Tirso, no Mosteiro de São Bento, a Guimarães e a Esposende. Se estiver curioso, veja aqui: Siglas Poveiras.

No concelho poveiro propriamente dito, e fora de igrejas ou capelas, estas siglas podem ainda ser encontradas na calçada portuguesa, em placas toponímicas, em barcos piscatórios, bordados tradicionais, em restaurantes, hotéis ou mesmo nas soleiras de casas.

 

 

O escritor é natural da Póvoa.

 

 

 

 

 

 

E, a favorita de todas:

 

É linda não é? Nem sei como esta casa não aparece nas brochuras turísticas.

 

 

A vinda dos barcos, 1891.

É o barco típico da Póvoa. Ter-se-á desenvolvido a partir do dracar viking, sem a popa e a ré pronunciadas, e com a adição da vela mediterrânica.

A lancha poveira outrora familiar nas praias da Póvoa e que chegou até a ser usada no início do século XX no Rio de Janeiro desapareceu praticamente na década de 1950, restando apenas uma embarcação. Barcos que derivam dos barcos poveiros podem ser encontrados da Galiza a Moçambique.

 

 

Etnia

 

Representação de um pescador poveiro, 1868.

Os poveiros, especialmente os do Bairro Sul como qualquer habitante da zona lhe dirá, são uma unidade etnocultural.

Devido à endogamia recente (até primeira metade do século XX) e um sistema de castas próprio, a comunidade piscatória da Póvoa de Varzim manteve particularidades étnicas. Pescadores poveiros, apoiados pelas teorias científicas do século XIX, acreditavam até que faziam parte de uma raça separada dos restantes portugueses: a Raça Poveira. Este termo é hoje usado mais no sentido de garra, entusiasmo mas é daqui que origina.

E, os pescadores não estavam completamente errados.

Dados antropológicos e culturais indicam a colonização de pescadores nórdicos durante o período de repovoamento da costa. Desde o século XIX, devido às diferenças étnicas visíveis em relação às populações circundantes, levantaram-se origens diferentes para a origem da população: suevos, prussianos, teutões (povo originário da Jutlândia – atual Alemanha e Dinamarca), normandos e até mesmo fenícios. No livro RacesofEurope (1939), os poveiros foram consideradas ligeiramente mais loiros do que a média europeia, possuindo grandes rostos de origem desconhecida e queixos robustos.

Numa pesquisa publicada no jornal O Poveiro (1908), o antropólogo Fonseca Cardoso ressalvou o facto de um elemento antropológico, especialmente o nariz aquilino, ser possivelmente de origem semita-fenícia. Considerou que os poveiros eram o resultado de uma mistura de fenícios, teutões, e, principalmente, normandos.

Ramalho Ortigão quando escreveu sobre a Póvoa no livro As Praias de Portugal (1876), afirmou que o que lhe capturou mais curiosidade foram os pescadores, uma “raça” especial no litoral português; completamente diferente do tipo mediterrâneo típico de Ovar e Olhão. De acordo com ele, o poveiro é do tipo “saxónico”: “é ruivo, de olhos claros, largos ombros, peito atlético, pernas e braços hercúleos, as feições arredondadas e duras.”

Pescadores poveiros idosos, finais do século XIX inícios do século XX.

Polineuropatia amiloidótica familiar ou paramiloidose

Vou traduzir para que todos percebam: é a conhecidíssima doença do pezinho. Esta é talvez a questão mais interessante, destes pontos todos.

Muitos portugueses não sabem isto mas, além da doença do pezinho ter sido descoberta na Póvoa de Varzim em 1939, é aqui que tem a maior concentração a nível mundial: 70% dos casos, 1400 doentes. Além de ser extremamente rara, é extremamente localizada.

A alta prevalência da paramiloidose na região da Póvoa de Varzim sugere que a mutação genética original pudesse ter ocorrido há muitos séculos atrás. A partir daqui espalhou-se para outras cidades dentro e fora de Portugal, Brasil incluído, devido a relações comerciais marítimas e aos descobrimentos portugueses, sendo encontrada, em Portugal, em Esposende, Barcelos, Braga, Lisboa e na colónia poveira de Unhais da Serra. A doença teria seguido a viagem dos pescadores ao longo da costa entre Viana do Castelo e Figueira da Foz.

Além disso, regista-se a uma presença de renome no norte da Suécia em Pita, Skellefteå e Umeå, onde 1.5% da população é portadora do gene mutado (2.2% na Póvoa). Há outras populações em todo o mundo com a doença, onde terá surgido de forma independente das populações portuguesa e sueca, cujos doentes têm o Haplotipo I. Estamos a falar do Chipre, Japão, França, Itália e Reino Unido.

No entanto, devido ao seu número reduzido, e o facto de ser no norte da Suécia e na zona da Póvoa de Varzim que adquire maior expressão, a hipótese que a doença possa estar relacionada com a colonização viking na zona da Póvoa de Varzim durante a Idade Média é a mais forte. Corino Andrade, neurologista que descobriu a doença, aponta que os grandes números verificados na Póvoa foram exacerbados pela elevada endogamia lá presente, até há relativamente pouco tempo.

 

Um esquema sueco sobre a doença dos pezinhos. É assim chamada devido aos primeiros sintomas se manifestarem nos membros inferiores, afetando a capacidade motora.

Manifesta-se normalmente por volta dos 20/40 anos (pode, no entanto, surgir em idades mais tardias) e apresenta uma evolução rápida, conduzindo o paciente à morte – a sobrevivência de um doente com esta patologia é, em média, de cerca de 10 anos

 

 

 

—– Fim de mensagem reenviada —–

 

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The Australian Yowie: Mysterious Legends of a Tribe of Hairy People | Ancient Origins

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In 1804, the book Modern Geography – a Description of the Empires, Kingdoms, States and Colonies: with the Oceans, Seas and Isles: In all Parts of the World was published by John Pinkerton.

Source: The Australian Yowie: Mysterious Legends of a Tribe of Hairy People | Ancient Origins