O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

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O curioso caso dos Portugueses que desaparecem da História.

É fascinante como o “branding” histórico funciona:

Quando um inglês inventa a máquina a vapor, é Inglês.

Quando um francês escreve sobre a liberdade, é Francês.

Mas quando um navegador português mapeia o mundo inteiro, é apenas um genérico “Europeu”.

Está na hora de acabar com esta versão “troféu de participação” da História e apontar o dedo ao crédito que nos foi roubado:

  • Austrália: Os livros dizem que o Capitão Cook a “descobriu” em 1770. Mentira. Os Mapas de Dieppe já mostravam a costa australiana com nomes portugueses 200 anos antes. Cook chegou atrasado a uma festa que Portugal já tinha mapeado.
  • O Nilo: A história oficial dá o crédito ao escocês James Bruce em 1770. Errado. O jesuíta Pedro Páez chegou à nascente do Nilo Azul em 1618, 152 anos antes. Bruce sabia disto e tentou apagar Páez dos registos. Páez nasceu em Castela, mas formou-se em Goa, partiu sob a Coroa portuguesa e operou inteiramente dentro da estrutura imperial portuguesa. O berço não apaga o enquadramento institucional.
  • Canadá: Celebram Cartier, mas esquecem os irmãos Corte-Real. Sabem por que se chama Labrador? Porque foi mapeado e notificado por João Fernandes Lavrador, um navegador português. O nome dele ficou gravado na geografia, embora muitos tenham esquecido o homem.
  • Afonso de Albuquerque: Conquistou Ormuz, Goa e Malaca entre 1507 e 1511, controlando os três nós estratégicos do comércio global numa década. Redefiniu o equilíbrio de poder no Índico por um século. Se fosse inglês, haveria estátuas em cada capital do mundo e trilogias de filmes. É ensinado, quando é, como uma nota de rodapé.
  • Garcia de Orta: Em 1563, publicou em Goa o primeiro tratado científico europeu sobre medicina tropical e botânica asiática, décadas antes de qualquer equivalente inglês, francês ou holandês. A farmacologia moderna tem raízes directas no seu trabalho. Quase ninguém fora de Portugal conhece o nome.
  • Tibete: O primeiro europeu a cruzar os Himalaias e a provar que a China e o Cataio eram o mesmo lugar foi Bento de Góis em 1602.
  • Batalhas “à Hollywood”: Se a Batalha de Diu (1509) fosse americana, havia uma trilogia de filmes. Uma frota portuguesa minúscula aniquilou uma coligação de Otomanos, Egípcios e reis locais, garantindo o controlo do Índico por um século.

Isto só para enumerar uns poucos exemplos…

*O mundo em 1565, segundo Lopo Homem. Reparem na toponímia e nas bandeiras: não é um mapa “europeu”, é um mapa português. Do Labrador à Austrália (Java la Grande), a ciência náutica falava a nossa língua enquanto os outros ainda não tinham saído da costa*

Nota: esta é uma ilustração moderna baseada na cartografia portuguesa do século XVI, não um fac‑símile original.

Publicado por

CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL

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