TRADUTOR PROFISSIONAL NAATI

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sou tradutor acreditado desde 1984 pela NAATI (único tradutor permanentemente residente em Portugal) responsável pela tradução de milhares de processos de emigrantes para a Austrália, mantenho a mesma tabela de preços há 20 anos e sou mais barato que os colegas que estão na Austrália, peça orçamentos a drchryschrystello@journalist.com ou drchryschrystello@yahoo.com.au

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25 Abril: PALOP têm vindo a perder importância para a economia portuguesa – Observatório da Língua Portuguesa

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Constituído em Junho de 2008, o OLP – Observatório da Língua Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivos contribuir para: o conhecimento e divulgação do estatuto e projecção no Mundo da Língua Portuguesa; o estabelecimento de redes de parcerias visando a afirmação, defesa e promoção da Língua Portuguesa; a formulação de políticas e decisões que concorram relevantemente para a afirmação da Língua Portuguesa como língua estratégica de comunicação internacional.

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25 Abril: Aposta na língua portuguesa e desenvolvimento são caminho a seguir pela CPLP – Observatório da Língua Portuguesa

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Constituído em Junho de 2008, o OLP – Observatório da Língua Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivos contribuir para: o conhecimento e divulgação do estatuto e projecção no Mundo da Língua Portuguesa; o estabelecimento de redes de parcerias visando a afirmação, defesa e promoção da Língua Portuguesa; a formulação de políticas e decisões que concorram relevantemente para a afirmação da Língua Portuguesa como língua estratégica de comunicação internacional.

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a língua sanitizada com lixívia

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o politicamente correto do absurdo via Denise Bottmann
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acabo de saber que, segundo recomendação de algum departamento de letras, “esclarecer” é um verbo a ser evitado em monografias por causa de possíveis conotações raciais. Denegrir já estava vetado apesar da sua origem latina nada ter a ver… imbecis…

21 novas palavras que foram incluídas na língua portuguesa – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

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Recentemente a Academia de Letras adicionou novas palavras que até então não existiam, na nossa língua portuguesa

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Parlamentares da CPLP querem retificações ao Acordo Ortográfico – Observatório da Língua Portuguesa

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Constituído em Junho de 2008, o OLP – Observatório da Língua Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivos contribuir para: o conhecimento e divulgação do estatuto e projecção no Mundo da Língua Portuguesa; o estabelecimento de redes de parcerias visando a afirmação, defesa e promoção da Língua Portuguesa; a formulação de políticas e decisões que concorram relevantemente para a afirmação da Língua Portuguesa como língua estratégica de comunicação internacional.

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Portugal vai promover candidatura do Português como Língua Oficial da ONU – CNN Portugal

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Atualmente, a organização chefiada pelo português António Guterres tem apenas seis línguas como oficiais: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Source: Portugal vai promover candidatura do Português como Língua Oficial da ONU – CNN Portugal

Ailton Krenak rompe um silêncio de 127 anos dos indígenas na ABL. Entrevista com Ailton Krenak – Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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Foto: Governo Federal

Source: Ailton Krenak rompe um silêncio de 127 anos dos indígenas na ABL. Entrevista com Ailton Krenak – Instituto Humanitas Unisinos – IHU

Mais de 60 tradutores, escritores, editores e livreiros portugueses denunciam o uso de inteligência artificial em traduções

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Mais de sessenta tradutores, escritores, editores e livreiros portugueses denunciam o uso de ferramentas de inteligência artificial em traduções urgindo […]

Source: Mais de 60 tradutores, escritores, editores e livreiros portugueses denunciam o uso de inteligência artificial em traduções

subtilezas da língua

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Mentiras da língua portuguesa

Na semana do Dia das Mentiras, dou alguns exemplos de mentiras sobre a língua portuguesa.

Marco Neves
Abr 4
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Foto de Michał Parzuchowski em Unsplash

«Queria» ou «quer»?

O mais famoso mito da língua é mesmo o «queria ou quer» que tanto se ouve por aí.

Sim, muitas vezes é apenas uma brincadeira. Mas, de vez em quando, lá se encontra alguém genuinamente convencido de que não se pode dizer «queria aquele livro, por favor», porque «queria» está no passado. Ora, os tempos verbais têm muitos usos, alguns deles bastante subtis. O pretérito imperfeito serve, muitas vezes, para demonstrar cortesia.

Não é nada de extraordinário: é uma questão de educação…

«Copo de água» ou «copo com água»?

Um lindo dia alguém acordou e pensou: ora, um copo não é feito de água. Logo, não devo dizer «copo de água». Tem de ser «copo com água»! A ideia é tonta, mas espalhou-se…

É verdade que a preposição «de», por vezes, implica que alguma coisa é feita de outra coisa («casa de madeira»; «tecido de algodão»). Mas, no caso do «copo de água», o significado é outro: a preposição liga um recipiente ao seu conteúdo. Usamo-la com esse sentido em expressões como «colher de açúcar», «camião de areia», «balde de tinta», entre muitas outras. Todos nós percebemos bem o significado – até porque dificilmente estaríamos a falar de copos feitos de água, de colheres feitas de açúcar, de camiões feitos de areia ou de baldes feitos de tinta…

Ou seja, este mito aparece porque há quem não repare numa característica tão óbvia de muitas palavras: têm vários significados…

«Cor de burro quando foge» ou «corro do burro quando foge»?

«Cor de burro quando foge» é uma expressão idiomática da língua. É uma espécie de piada – se não sabemos bem qual é a cor, dizemos que é a cor do burro quando foge. Mas há quem não perceba piadas… Encontrei mesmo uma página na Internet que perguntava, indignada, se o burro muda de cor quando foge! O que dirão estas mentes literais perante os provérbios ou expressões idiomáticas tão pouco lógicas quanto deliciosas que a nossa língua tem?

Como há sempre quem goste de inventar, lá surgiu a versão alternativa, supostamente correcta: «corro do burro quando foge». Uma expressão lógica, sensata… Só é pena não ter piadinha nenhuma… Direi mais: mesmo que agora se provasse que esta foi a origem distante da tal «cor de burro quando foge», a verdade é que as expressões têm percursos muito sinuosos – e o facto da língua é que, em português, a expressão idiomática habitual é «cor de burro quando foge».

«Bicho-carpinteiro» ou «bicho pelo corpo inteiro»

Também há quem não veja com bons olhos o bicho-carpinteiro — porque (dizem) não existe…

Por amor da santinha! O bicho-carpinteiro existe mesmo — pelo menos no corpo das crianças irrequietas! E, não, a versão «bicho pelo corpo inteiro» não é a alternativa supostamente correcta. É apenas uma expressão com um som vagamente parecido.

Mas, admito, ao contrário do «corro do burro quando foge» (que expressão sem sal!), este «bicho pelo corpo inteiro» tem muita graça. As crianças, às vezes, têm mesmo um bicho pelo corpo inteiro: o famoso bicho-carpinteiro!

«Quem tem boca vai a Roma» ou «quem tem boca vaia Roma»?

Quem tem boca vai a Roma: este velho ditado, antiquíssimo e presente em várias línguas, lembra-nos de que, se precisarmos de alguma coisa, podemos começar por pedi-la. Mais: se quisermos ir a algum lado, mais vale usar do bom e velho desenrascanço…

Pois, lá nos aparecem, por vezes, umas mensagens por correio electrónico a explicar, com duvidosa sabedoria, que o ditado correcto é «Quem tem boca vaia Roma!». Ou seja, quem sabe falar diz mal de Roma.

Se alguém quiser usar esse outro provérbio um pouco mais recente, esteja à vontade. Mas a versão que mais usamos e que, ainda por cima, é mais antiga, mais bela e mais expressiva é: «Quem tem boca vai a Roma!».

Mas porquê tanta invenção?

Há muitas mais mentiras da língua: «fazer a barba» é erro (não é), «sorriso nos lábios» é um pleonasmo (nem por isso), «já agora» é uma redundância (também não é), «beijinhos grandes» não fazem sentido (o que não faz sentido é essa maneira de olhar para a língua).

Se o meu caro leitor já alguma vez tiver caído numa destas patranhas, não se aflija! Todos nós tropeçamos em engodos mais tarde ou mais cedo. O truque é mesmo desconfiar, pensar um pouco – e, já agora, respeitar um pouco mais a maneira como a língua funciona na realidade.

Mas, depois disto tudo, falta perguntar: por que razão é tão fácil cair nestas patranhas? Dei alguns exemplos de mentiras numa área muito particular: a língua. Mas rodam por aí mitos destes sobre todos os assuntos e mais alguns — e há temas bem perigosos, como a medicina, em que as ideias erradas podem, de facto, matar. Imagino que quem me lê já terá ouvido inúmeras ideias falsas sobre a área que mais conhece…

Desconfio que estes mitos se espalham com facilidade porque alimentam a crença de que vivemos num mundo de ignorantes — e gostamos de acreditar que somos parte do restrito clube dos que não são nem ignorantes nem muito menos estúpidos. Se alguém nos disser que todos dizem mal «copo de água», passaremos a dizer com orgulho «copo com água» — será uma medalha que atesta a nossa esperteza!

Esta atitude, no que toca à língua, é fatal: passamos a dar mais valor a uma qualquer lógica de algibeira do que à observação atenta da maneira como a língua funciona. É um pequeno exemplo daquela arrogância que leva às certezas fulminantes, bem mais perigosas do que a ignorância.

Obrigado por ler a página Certas Palavras. Se desejar, pode ficar a conhecer os livros que publiquei e os programas em que participo.

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© 2024 Marco Neves
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JANTAR AO ALMOÇO

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A antiga hora do jantar

Os nomes das refeições, a norte do Minho, são muito familiares — e bem capazes de baralhar um português.

Marco Neves

Mar 31

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Foto de Jonathan Borba em Unsplash

Se formos até à Galiza e alguém nos convidar para jantar (usando a palavra com a pronúncia galega, que será algo como «xantar»), convém confirmar muito bem as horas. É provável que o galego ou a galega esteja a pensar no nosso almoço.

Por lá, o «almorzo»/«almoço» é a primeira refeição, que por cá chamamos «pequeno-almoço».

Já o «xantar»/«jantar» é por volta das duas da tarde… É o nosso almoço, com a diferença de ser um pouco mais tarde.

A «cea»/«ceia» é a refeição que tomamos ao final do dia — não estou a falar da «ceia» à portuguesa, uma refeição leve antes de dormir; estou mesmo a falar do jantar. No fundo, a ceia galega é como a Última Ceia de Jesus e dos Apóstolos: na verdade, é um jantar.

Olhemos agora para a maneira como os galegos escrevem a palavra «jantar» (que é o almoço — isto, para um português, é de dar a volta à cabeça)…

A ortografia oficial do galego propõe a forma «xantar». Este <x> representa a consoante que por cá representamos, na maioria das vezes, com um <ch>. Muitas palavras que, em português, são escritas com <j> ou com <g> (antes de <e> ou <i>) aparecem grafadas com <x> nos textos galegos. Isto acontece porque, a norte do Minho, não há distinção entre as consoantes das nossas palavras «chá» e «já». É por isso que um texto galego (na ortografia oficial) nos parece português com muito X lá pelo meio.

Em português, o som representado por <j> e o som representado por <ch> são muito parecidos: a língua está na mesma posição e o som passa como uma corrente de ar turbulenta. Tecnicamente, são consoantes fricativas palatais. A diferença entre os dois sons é esta: no caso da consoante de «já», as cordas vocais vibram; no caso de «chá», não vibram. O <j> português representa uma consoante sonora; o <ch> representa uma consoante surda. Estamos perante dois fonemas diferentes, que permitem distinguir significados — e esta diferença está apenas na vibração ou não vibração das cordas vocais.

Os reintegracionistas galegos, que defendem para o galego uma ortografia mais próxima da portuguesa, escrevem «jantar» (tal como também escrevem «almoço» e «ceia»). Note-se que, apesar desta diferença, jantam à mesma hora que os outros galegos e, na oralidade, também não distinguem os dois sons. Será estranho? Ora, é uma distinção gráfica sem reflexo na oralidade, tal como acontece, em português, com o <ss> e o <ç>, que representam o mesmo som. A ortografia mantém uma distinção que grande parte dos falantes já não faz na oralidade… Na Galiza, os reintegracionistas mantêm esta distinção gráfica para ligar a ortografia galega à ortografia portuguesa — para eles, galego e português são duas formas da mesma língua.

Se são a mesma língua ou não é discussão que preocupa muitos galegos, mas não aquece nem arrefece a grande maioria dos portugueses. Mas é inegável: o português e o galego estão muito próximos — então se olharmos para os usos populares, não podemos deixar de reconhecer que estão intimamente ligados.

Afinal — e voltando ao jantar que afinal é almoço — é fácil encontrar portugueses que se lembram de ouvir chamar «jantar» ao almoço e «ceia» ao jantar. Aliás, encontramos portugueses que ainda usam esses termos com o significado antigo (ou galego). Se não é esse o uso no português-padrão, é um significado que sobreviveu muito tempo nos usos populares da língua. Uma vez por outra, olhar para norte da fronteira lembra-nos a nossa língua na boca dos nossos avós.

Para terminar, deixo um vídeo que gravei há umas semanas:

Obrigado por ler a página Certas Palavras. Se desejar, pode ficar a conhecer os livros que publiquei e os programas em que participo.

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A novela breve portuguesa do século XVII

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A novela breve portuguesa do século XVII
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Author Photo Anabela Mimoso
2005
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Botelo com cascas (não é butelo)

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José Quina

BOTELO ou Butelo?
Tenho constatado com alguma perplexidade a referência ao tradicional tipo de enchido regional, de carne com osso, empregando a corruptela do termo butelo em vez da correcta e gramaticalmente sustentada palavra BOTELO.
Porque penso que não é um válido contributo que se vem prestando à cultura em geral e particularmente a este já prestigiado acepipe da gastronomia regional trasmontana, permito-me apresentar e fundamentar a minha discordância. Com efeito a confusão campeia, de tal forma que coexistem as duas formas gráficas e não é raro encontrá-las até no mesmo texto.
BOTELO é um vocábulo correctamente formado, por derivação etimológica de Botellum, (caso acusativo de botellus), compartindo o mesmo radical com inúmeros termos da língua portuguesa tais como: boto, bota, botelho, botelha, botija…
A adulteração do termo, empregando outra grafia que substitui o “O” interconsonântico por “U” não vem acrescentar nada à forma ortodoxa, nem do ponto de vista fonético, já que na dinâmica da praxe linguística regional e nacional ambas as vogais “O” que integram a palavra têm o mesmo valor fonético de “U”, nem do ponto de vista científico, nem, muito menos, do ponto de vista da substância material. Com efeito é sobejamente sabido que no universo da população nordestina, identificada com o acervo cultural transmontano, não haverá quem não reconheça inequivocamente o tão genuíno quanto apreciado acepipe gastronómico BOTELO. Ora tal peça de fumeiro artesanal, legado ancestral de geração para geração, não carece de mais nada, muito menos de alteração da sua grafia, para ser um produto bem logrado, genuíno e bom, enquanto BOTELO.
O fenómeno que outorga à vogal “O” o valor fonético de “U” é comum a centenas, senão milhares de palavras na língua lusa e noutras do seu ramo genealógico, inclusive até mais que uma vez na mesma palavra, como acontece na própria palavra BOTELO. Assim sendo, quase somos levados a perguntar-nos: se pretendemos converter o primeiro “O” em “U”, em prol de uma suposta busca de originalidade, porquê não converter também o segundo, passando, portanto, a escrever butelu, em lugar de BOTELO?
Em má hora (com o devido respeito a quem sustenha outra opinião) a insensibilidade, desleixo e falta de rigor têm permitido o abuso quase generalizado da forma gráfica corrupta butelo, mesmo se supostamente tolerada como sinónimo da forma ortodoxa BOTELO, porquanto tem, a meu ver, falaciosamente, induzido por arreste alguns produtores a empregar a corruptela em lugar da forma gráfica gramaticalmente sustentada, ou seja, BOTELO, para rotular os seus produtos.
Tal prática, já que divulga na forma escrita um erro gráfico, não presta obviamente um bom contributo à objectividade científica, nem um bom serviço à cultura. Nem sequer o móbil do linguajar local sai beneficiado, pois, tal como vimos, na forma gráfica legítima de BOTELO ambas as vogais “o” têm o valor fonético doce, ou seja, “u”.
Com efeito, quem em meados do século passado não conheceu os botos em que se transportavam os líquidos, vinho, azeite? Quem ainda hoje não conhece a bota? Porque será tão difícil relacionar toda esta terminologia de palavras afins com o seu radical Botelum, que significa tripa? Para além de tudo, é contra-natura, por via do fenómeno sonorização, pretender a conversão do O da palavra radical latina em U, quando acontece sempre o contrário, ou seja, U derivar em O. Assim acontece em umerus >ombro, lupus >lobo, ulmus >olmo, ulga >olga, cuniculum>coelho … Porém no caso que nos ocupa nem sequer deste fenómeno se trata, posto que a derivação é directa: botelum >BOTELO, pelo que o fonema O radical nunca derivaria em U.
Cito ainda o Dicionário Estraviz, onde:
“botelo, s.m. (1) Enchido volumoso, feito com o estômago, a bexiga ou o apêndice do intestino grosso do porco, consistente em carne, costela de porco, pimento, alho e loureiro.
(2) Enchido ou tripa.
[lat. botellu]”.
Assim, para bem da nossa cultura regional e não só, proponho e apelo às pessoas e entidades concernentes que este destacado manjar da nossa herança gastronómica seja chamado pelo verdadeiro nome de BOTELO.
José Quina
NB: Texto redigido ao abrigo do acordo ortográfico tradicional.
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