AGLP

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Convido A todas e todos a acompanhar-nos o próximo dia 27 💟🍀💟🍀💟🍀💟🍀💟🍀💟
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Pedro Paulo Camara

Boas notícias! Muito sucesso!

20 palavras comuns da época dos nossos avós que não usamos mais – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

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A língua portuguesa é uma língua viva, e ela vem se transformando ao longo dos anos para se adequar a comunicação atual

Source: 20 palavras comuns da época dos nossos avós que não usamos mais – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

Palavras Cruzadas Episódio 56 – de 18 mar 2024 – RTP Play – RTP

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Gonçalo Puga – Palavras em vias de extinção – Cada geração vai deixando de usar algumas palavras

Source: Palavras Cruzadas Episódio 56 – de 18 mar 2024 – RTP Play – RTP

Palavras em vias de extinção – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

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Source: Palavras em vias de extinção – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

10 palavras em português que ninguém consegue ler ou falar – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

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Algumas palavras são tão complexas e extensas que são extremamente difíceis de conseguirmos ler e principalmente de falar sem treinar muito

Source: 10 palavras em português que ninguém consegue ler ou falar – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

Há uma língua que tem menos de 150 palavras – Observatório da Língua Portuguesa

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Constituído em Junho de 2008, o OLP – Observatório da Língua Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivos contribuir para: o conhecimento e divulgação do estatuto e projecção no Mundo da Língua Portuguesa; o estabelecimento de redes de parcerias visando a afirmação, defesa e promoção da Língua Portuguesa; a formulação de políticas e decisões que concorram relevantemente para a afirmação da Língua Portuguesa como língua estratégica de comunicação internacional.

Source: Há uma língua que tem menos de 150 palavras – Observatório da Língua Portuguesa

Evanildo Bechara é eleito para a Academia Líbano-Brasileira | Monitor Mercantil

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Evanildo Bechara, gramático renomado, eleito na Academia Líbano-Brasileira, é homenageado por sua notável contribuição à língua e literatura. Por Paulo Alonso

Source: Evanildo Bechara é eleito para a Academia Líbano-Brasileira | Monitor Mercantil

As palavras em finlandês que são palavrões em português, segundo Kiko Loureiro

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Whiplash.Net – Rock e Heavy Metal

Source: As palavras em finlandês que são palavrões em português, segundo Kiko Loureiro

Leitura: lentes para ver o mundo – Ensino – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

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Source: Leitura: lentes para ver o mundo – Ensino – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

regionalismos de Portugal de José Ferreira

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Idiossincrasias vocabulares…. 😜
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O apanhado de expressões que bem demonstram alguns regionalismos de Portugal é de autoria de José Ferreira;
“Há grandes diferenças no vocabulário frequentemente usado em diferentes cidades portuguesas. Sendo verdade que todos falarmos a mesma língua, há particularidades preciosas, quer no Porto, quer em Lisboa (quer noutras cidades portuguesas).
Existem idiossincrasias que são reveladoras de diferentes formas de ser e de estar. Alguns regionalismos demonstram que se pode ser muito diferente vivendo no mesmo país. No entanto, importa destacar o mais importante: por muitas diferenças que nos separem, há muito mais a unir-nos. Apesar das diferenças, todos nos compreendemos, falamos a mesma língua e amamos o mesmo país.
Sapatilhas (no Porto) vs Ténis (em Lisboa)
No calçado, existem diferenças significativas no glossário do Norte quando se compara com o glossário sulista. Este é um dos desafios norte-sul ou Porto-Lisboa que frequentemente origina discussões bem-humoradas.
Quem se desloca a uma loja do norte vindo do Sul deve pedir umas sapatilhas. Já os nortenhos que se desloquem ao sul têm de recorrer ao termo mais corrente na região: ténis, como o desporto.
Tacões (no Porto) vs Saltos (em Lisboa)
Ainda no universo do calçado, existem mais diferenças de vocabulário que confirmam que entre Porto e Lisboa há palavras bem distintas para identificar as mesmas coisas. Uma das que podemos identificar descobre-se no momento da compra de uns sapatos ou de umas botas.
Quando não se pretende alçado raso, deve-se decidir o comprimento dos tacões (quando se está no Porto) ou dos saltos (quando se está em Lisboa) de uns sapatos ou de umas botas. Boas compras!
Carteira (no Porto) vs Mala (em Lisboa)
Carteira e mala são palavras que se referem ao saco onde se transportam os objetos diários. Embora estes termos se usem em ambas as cidades portuguesas, é mais frequente ouvirmos dizer carteira quando estamos no Porto e é mais comum ouvir a palavra mala quando se está em Lisboa.
Cruzeta (no Porto) vs Cabide (em Lisboa)
Cruzeta e cabide são duas palavras que designam o mesmo objeto. Referem-se ao objeto que serve de suporte e no qual se pode pendurar a roupa (por exemplo, as calças e as camisas). Estas são colocadas no guarda-roupa / guarda-vestidos. Contudo, quando se está na cidade invicta, é mais comum usar o termo cabide quando nos estamos a referir a uma estrutura de pé ou de parede, que permite receber e manter os casacos ou outros acessórios.
Pinchar (no Porto) vs Pular (em Lisboa)
Tanto pinchar como pular são termos sinónimos da palavra saltar, que é bastante conhecida, seja a norte ou a sul de Portugal. No entanto, muitos preferem recorrer a regionalismos em vez de saltar. Quando se está no Porto usa-se “pinchar” e quando se está na capital portuguesa usa-se o termo “pular”.
Estrugido (no Porto) vs Refogado (em Lisboa)
Estas duas palavras bem distintas referem-se ao mesmo. Ambos os termos referem-se ao preparado que é frequentemente realizado nas cozinhas portuguesas. Trata-se de um preparado que inicia quase todas as receitas salgadas. Ele permite saltear cebola e alho em azeite.
A partir deste preparado pode fazer-se uma vasta série de receitas. O termo estrugido é mais comum no Porto. Já em Lisboa, o termo mais comum é refogado.
Sostra (no Porto) vs Preguiçoso (em Lisboa)
O termo preguiçoso é conhecido por todos os portugueses, de Norte a Sul, sem exceção. Embora todos saibam o significado de preguiçoso, há quem prefira recorrer ao termo “sostra”.
Embora no Sul possam existir pessoas que desconheçam este termo, as pessoas que são naturais de terras próximas do Porto estão familiarizadas com este termo. No norte, quando se diz que alguém é sostra, está a identificar-se essa pessoa como preguiçosa, isto é, alguém que não apresenta grande atividade, que não gosta de fazer nada, que está sempre a dormir.
Aloquete (no Porto) vs Cadeado (em Lisboa)
Tanto o termo aloquete como o termo cadeado se referem a uma espécie de fecho, que é frequentemente usado em cacifos, malas de viagem, bicicletas. Muitos adolescentes usam-no nos diários da infância.
Um jovem do Porto recorre a um aloquete para fechar o seu diário, enquanto um jovem de Lisboa prefere recorrer a um cadeado para fechar o seu diário.
Repa (no Porto) vs Franja (em Lisboa)
Ir a um cabeleireiro pode revelar-se uma experiência bastante diferente em Lisboa ou no Porto. Se uma pessoa de Lisboa estiver no Porto e quiser cortar o cabelo, se desejar fazer uma franja, convém usar a palavra “repa”.
Sertã (no Porto) vs Frigideira (em Lisboa)
Para quem vive em Lisboa falar em “sertã” significa identificar uma vila situada no distrito de Castelo Branco. No entanto, quem vive no Porto reconhece nessa palavra um objeto presente nas cozinhas de todos os portugueses. Para os nortenhos, uma sertã é uma frigideira.
Outras diferenças de vocabulário entre Porto e Lisboa
Aguça (no Porto) vs Afia (em Lisboa)
Alapar (no Porto) vs Sentar (em Lisboa)
Azeiteiro (no Porto) vs Bimbo (em Lisboa)
Breca (no Porto) vs Cãibra (em Lisboa)
Briol (no Porto) vs Frio (em Lisboa)
Espinha (no Porto) vs Borbulha (em Lisboa)
Chicla (no Porto) vs Pastilha (em Lisboa)
Calcar (no Porto) vs Pisar (em Lisboa)
Picheleiro (no Porto) vs Canalizador (em Lisboa)
Fino (no Porto) vs Imperial (em Lisboa)
Morcão (no Porto) vs Estúpido (em Lisboa)
Cimbalino (no Porto) vs Bica (em Lisboa)
Camioneta (no Porto) vs Autocarro (em Lisboa
Pingo (no Porto) vs Garoto (em Lisboa)
Malga (no Porto) vs Tigela (em Lisboa)
Foguete (no Porto) vs Malha no collant (em Lisboa)
Testo (no Porto) vs Tampa da panela (em Lisboa)
Molete (no Porto) vs Carcaça (em Lisboa).”
Poderíamos acrescentar centenas de outras palavras e expressões. Ficam apenas algumas para ilustrar a riqueza do nosso idioma.
Foto: Artur Pastor
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Goretti Carvalhal Silveira

Interessante. Na casa dos meus avós em São Jorge os termos às vezes eram os usados no Porto, às vezes em Lisboa, embora a maioria fossem os usados em Lisboa. Ex: carteira, pinchar, foguete, pingo, camionete, etc.
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A Língua Charra, de Pires Cabral,

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Língua Charra
Mais de 23.000 termos no Dicionário Transmontano e Altoduriense de Língua Charra
Há umas três semanas foi noticiado com grande ressonância na comunicação social que se editou, em Bragança, um dicionário com 10.000 termos. O dicionário até terá tido direito a apresentação na Academia das Ciências de Lisboa, o que é bom. Muito bom não me parece que a comunicação social tenha feito grande alarido do feito, como se fosse algo de inédito ou não houvesse, mais que um autor que já tivessem feito esse duro trabalho de casa.
Assim, para que conste e em nome da verdade, refiro aqui alguns trabalhos anteriores de diversos autores.
Em 2005, Adamir Dias, Manuela Tender e outros colaboradores editaram pela Associação Rotary Club de Chaves o «Dicionário de Transmontanismos» com cerca de 9.000 vocábulos de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Em 2002, iniciámos um trabalho hercúleo de recolher a memória cultural e a imaterial sobre a castanha, tendo vindo a lúmen: «Memórias da Maria Castanha» e «Maria Castanha Outras Memórias» ambos com imenso vocabulário sobre o mundo castanhícola. Também, com enorme sucesso e bem aceites pelo público vieram a público três livros sobre etnolinguística do concelho de Mirandela: «Mirandelês» (em co-autoria com Jorge Golias, João Rocha e Hélder Rodrigues), «Falares de Mirandela» e «Mirandela Outros Falares».
A grande obra de termos transmontanos e altodurienses, de todos os tempos, publicada em 2013, é a «Língua Charra», de A. M. Pires Cabral, com mais de 23.000 termos, cerca de 400 obras lidas e consultadas. Pires Cabral concretizou o Projecto mais ambicioso de toda uma vida e de grande rigor científico. Foram mais de 20 anos de muito trabalho. Contudo, não se ficou por aí e já prepara uma 2.ª edição revista e aumentada.
A Língua Charra é um dicionário de regionalismos e que «bebe» em imensos autores, permitindo-me destacar, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, António Cabral e tantos outros. É uma grande obra e uma obra grande que honra e eleva quem a possui ou a vier a adquirir.
Jorge Lage
atelier.arteazul.net
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Maria Céu Vaz Angélico

Exactamente, Henrique, como dizes.
A Língua Charra, de Pires Cabral, Escritor, talvez, não tivesse tanta projecção, ou melhor, tanta publicidade como a edição dos tais 10.000 termos Transmontanos.
Com a Língua Charra editada, penso também, tornar-se…

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40 palavras sem acento mas que todo mundo escreve com – Meu Valor Digital – Notícias atualizadas

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Existem algumas palavras das quais as pessoas frequentemente colocam acento, mas são palavras que na verdade são escritas sem

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VERMELHO OU ENCARNADO

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Vermelho ou encarnado? (Uma história de Natal)

Marco Neves

Dec 24

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O Natal é a época da família e da concórdia, mas também das grandes discussões à volta da mesa, quando as famílias têm a oportunidade de debater as grandes questões da Humanidade – e se devemos dizer «vermelho» ou «encarnado»…

Foto de Rodion Kutsaiev em Unsplash

A nossa língua é um instrumento fabuloso, mas – como todas as línguas – é também campo de batalha. Imagino uma família à volta da mesa, nesta Noite de Natal. Juntam-se, na verdade, duas famílias: a do Pedro e a da Ana, casados há cinco anos. Pela primeira vez, os pais de ambos passam a Consoada juntos.

O Pedro nasceu em Lisboa e os pais vivem em Oeiras. A Ana nasceu em Bragança e os pais ainda lá vivem. À volta da mesa, conversa-se animadamente, com o calor especial daquela noite. A Ana vai aproveitar para contar que está grávida, mas ainda não chegámos a esse momento da noite. Enquanto o bacalhau não sai da cozinha, há uma enormíssima discussão.

Tudo começou quando, na televisão, alguém é entrevistado e usa a palavra «vermelho». A mãe do Pedro diz que não percebe donde vem aquela moda do «vermelho». Quando era nova, todos usavam «encarnado»! Que complicação…

Os pais da Ana franzem os olhos e explicam que nunca, em toda a vida, usaram a palavra «encarnado» de forma habitual. Já a ouviram na televisão, sabem bem o que significa, mas nunca foi uma palavra corrente.

O Pedro ri-se e conta a história de uma amiga que reclamou, junto da professora do filho, por esta ter usado a palavra «encarnado», que – segundo a tal amiga – foi uma invenção do Estado Novo. A mãe dele põe as mãos na cabeça, horrorizada com tal teoria.

A discussão avança, animada. É Natal, ninguém se enerva verdadeiramente. O pai do Pedro tenta explicar que as duas palavras não significam a mesma coisa, que as cores são ligeiramente diferentes. A discussão avança para a definição do exacto tom de vermelho e o exacto tom de encarnado. Ninguém se entende.

Se por ali aparecesse o Fantasma da Língua, inevitavelmente vestido de Camões, talvez explicasse, na sua sabedoria impossível de quem conhece os usos de todos os falantes do português, que as duas palavras são usadas como sinónimos em quase todas as situações. O pai do Pedro horroriza-se. O Fantasma toca-lhe, gentilmente, nos ombros, dizendo-lhe para não se enervar: em todas as línguas existem sinónimos e as palavras, muitas vezes, ganham significados novos, aproximando-se ou afastando-se de outras palavras.

Quanto à grande questão do vermelho ou encarnado, o Fantasma não diz qual é a melhor opção: depende da família. Afirma apenas que a palavra mais usada, em todo o país, é «vermelho» – e não é de agora: aparece várias vezes n’Os Lusíadas e muitas vezes n’Os Maias (limitei-me a procurar nestas duas obras). Já a palavra «encarnado» – que não foi, note-se, inventada por Salazar (aparece n’Os Maias, por exemplo) – é usada como alternativa, principalmente na zona de Lisboa e arredores, embora também se encontre noutras zonas do país. Acredito que, em certas famílias e meios, será mais comum. Note-se que há usos diferentes para uma e outra palavra. No que toca à política, «vermelho» está associado ao PCP. No futebol, o Benfica é associado à palavra «encarnado». Há também nomes e expressões fixas em que todos usamos uma ou outra das alternativas. Em Peniche, de onde venho, há uma famosa Casa Encarnada, que não me lembraria de chamar «Casa Vermelha». Já o Capuchinho Vermelho terá sempre esse nome por esse país fora, em Oeiras ou em Bragança.

Se o Fantasma da Língua estivesse com tempo, talvez pudesse mostrar à família do Pedro e da Ana o seu telemóvel fantasmagórico, onde procuraria, numa interessante página chamada Google Trends, as diferenças de pesquisa entre «vermelho» e «encarnado» no país. As duas palavras existem e são usadas pelos portugueses. No entanto, há diferenças (muito) significativas. Não há nenhum distrito em que as pesquisas de «encarnado» sejam superiores a 10% das pesquisas relacionadas com a cor. Vamos dos 7% para «encarnado» e 93% para «vermelho» em Lisboa até aos 0% para «encarnado» e 100% para «vermelho» em Bragança. No Porto, há 1% de pesquisas por «encarnado» e 99% por «vermelho». Estes dados estão longe de explicar tudo – mas são um indício da complexidade e da distribuição do uso destas palavras. Se ambas são correctas, a palavra «encarnado» parece ter um uso mais limitado territorial e socialmente.

Distritos de Portugal Continental com mais pesquisas por «encarnado» no Google nos últimos cinco anos. Note-se que, em todos, as pesquisas por «vermelho» são em muito maior número (desde 93% em Lisboa a 100% nos distritos a cinzento no mapa). Fonte: Google Trends.

Se afinássemos a pesquisa e olhássemos para cada localidade, para cada bairro, para cada rua, para cada família, acredito que veríamos um mapa muito interessante, com ruas mais encarnadas, outras mais vermelhas, com famílias onde ninguém usa «encarnado» a outras onde o «vermelho» deixa um suor frio nas testas dos presentes. Este mapa muda ao longo do tempo e, no dia-a-dia, mistura-se: famílias que se juntam, gente que vai viver para outras ruas, para outros bairros, para outras zonas do país… Estas misturas internas serão, hoje em dia, bem mais comuns do que há umas décadas – e o choque das palavras diferentes cria alguns atritos, que a sabedoria ancestral das famílias lá vai resolvendo, em conversas na Consoada ou numa tolerância aprendida – sem falar dos preconceitos que vão persistindo, de quem vive entre gente que diz «vermelho», mas pensa para si, todos os dias, que «encarnado» é que é (e vice-versa).

Este exemplo da cor multiplica-se por outras palavras, por construções gramaticais, por entoações e pronúncias. A língua não é um conjunto simples de palavras fixas e regras claras – é muito mais complexa do que isso. É uma nuvem variável e complexíssima, que ninguém domina na totalidade. Quem trabalha a descrevê-la tem de estudar afincadamente, analisar dados, combater impressões vagas – e anda sempre com dúvidas: a língua é mesmo muito difícil de apanhar.

Não temos todos de estudar a língua. Mas podemos combater a doce ideia de que o correcto é apenas aquilo de que nos lembramos de ouvir desde sempre no nosso restrito meio; podemos desconfiar das explicações simples («a palavra “encarnado” foi inventada por Salazar!»); podemos aceitar que há palavras que se referem à mesma coisa e que nem todos têm de ter as mesmas preferências (aliás, com significado semelhante, temos mais palavras: «rubro», «escarlate»…).

Podemos até escavar mais: numa dissertação de mestrado — «Termos de cores (verde & vermelho)» —, Abdelkarim Diane apresenta dados que mostram a presença na nossa língua tanto de «vermelho» como de «encarnado» desde o século XIII, com predomínio da primeira forma. Curiosamente, até ao século XVIII, «roxo» era um sinónimo muito comum de vermelho, o que se enquadra no que acontece noutras línguas latinas (basta pensar no «rojo» castelhano e no «rouge» francês).

Sim, é possível viver melhor ou pior com a língua – e uma forma de viver melhor é aprender a viver, para lá das nossas palavras, com as palavras dos outros. As diferenças sociais e regionais, na língua, sempre existiram e continuarão a existir. Ainda bem: não só esta tensão social em redor das palavras é excelente material para os escritores, como as discussões à volta da língua apimentam os dias e deixam-nos de coração aos saltos, com as palavras à flor da pele. No fim, se tudo correr bem (e nem sempre corre), brindamos a rir, à volta duma mesa decorada nos tons da Consoada – e, com os olhos a brilhar das luzes da árvore, a Ana revela por fim que há-de nascer, num dia de Verão, um bebé feliz, numa família à portuguesa, que um dia visitará os avós, em Oeiras e em Bragança – onde os abraços serão igualmente apertados e felizes.

(Texto publicado em Almanaque da Língua Portuguesa.)